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Créditos: https://tvi24.iol.pt/politica/autarquicas/rui-moreira-e-mesmo-candidato-a-camara-do-porto

 

O futebol na cidade do Porto é uma instituição... É uma instituição que também tem acentuado a rivalidade com a capital, embora muitos portuenses discordem do discurso que por vezes até reveste o ódio. Sempre que estive no Porto (e até por lá vivi 4 meses), o facto de ser de Lisboa até ajudou ao acolhimento daí estranhar alguma cacofonia que vou ouvindo de alguns dirigentes políticos e não só!

 

Quando lemos/vemos orgãos de comunicação a destacarem as palavras e opiniões (por vezes carregadas de violência) de criminosos, lideres de claques e não só, já se percebe o poder do "futebol do Norte" - embora o Porto esteja muito longe de representar o Norte!

 

No entanto, a falta de nível e de resguardo, leva a que no Porto, a Câmara Municipal seja comandada por um indivíduo que mistura actividade profissional com futebol e com política e não se canse de opinar sobre futebol e na velha e gasta rivalidade "Porto vs Mouros". Rui Moreira também é daqueles que gere o poder público de acordo com a conveniência futebolística e as consequências estão aí! O Porto, à semelhança de Lisboa, vai existindo devido ao boom turístico, esperemos é para ver o pós-hype. A ausência de moradores e cafés a custarem mais que um pequeno-almoço em Madrid  ou Roma vão ter consequências...

 

Esta semana, mais uma vez, Rui Moreira tornou-se comentador futebolístico... Isto de ser comentador, em Portugal, é daquelas facetas que nunca se largam, chego a pensar que é sem dúvida a melhor profissão para se ter neste país. Diz-se meia dúzia de coisas, "mexem-se os cordelinhos nos media" e pronto, temos uma carreira de sucesso, por vezes, cheia de nada.

 

Não se percebe a importância que o futebol tem para Rui Moreira e que o leva a colocar este desporto acima dos reais problemas da cidade e daqueles que nela vivem. Afinal, Rui Moreira é o mesmo que, com a sua pandilha, vira as costas e abandona palcos e tribunas quando confrontado com o protesto de estudantes e dos habitantes portuenses. Rui Moreira até se pode dizer apartidário, mas não pode negar que no coração, o seu partido é o Futebol Clube do Porto - e os portistas, mais do que os portuenses, a sua prioridade.

 

Tivesse sentido de dever público com a força e empenho que tem para o futebol e o Porto seria sem dúvida um melhor local para se viver...

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Créditos

Imagem 1: https://ionline.sapo.pt/artigo/657951/passadeiras-lgbti-campolide-pinta-passadeira-com-a-cor-do-arco-iris?seccao=Portugal

Imagem 2: https://jornaleconomico.sapo.pt/noticias/as-promessas-antonio-costa-umas-sim-outras-80010

Imagem 3: https://sicnoticias.pt/pais/2018-06-28-Marcelo-Rebelo-de-Sousa-vai-hoje-as-Lajes-antes-de-regressar-a-Lisboa

 

 

Qualquer indivíduo que percorra a freguesia de Campolide acaba de perceber que a NOS lançou uma mega-campanha que passa por colorir as estradas com as suas cores e com o seu logótipo. Os mais cépticos dirão que se trata de uma campanha publicitária de privados a ser realizada com dinheiros públicos mas... Na verdade, quem é que não vai sentir vontade de ver a Guerra dos Tronos via NOS ao invés de utilizar a Vodafone ou a MEO? Aliás, para aqueles que estão sempre zangados com as facturas da televisão e do telefone, podem agora cuspir em cima da NOS e pisar toda uma organização! Digam lá que isto não é responsabilidade social?

 

Quem não utiliza passadeiras, e por norma segue por muitos atalhos, é Marcelo Rebelo de Sousa e também António Costa! Marcelo, como já é hábito, sente a necessidade de justificar perante os portugueses que um comportamento seu ocorreu por determinado motivo - a isto chama-se insegurança - e utiliza sempre o maquiavélico discurso de que os "portugueses perceberam", os "portugueses querem" ou os "portugueses decidiram". Não, senhor Presidente, fale por si, até porque uma milhão e qualquer coisa de votos e uma total ausência de bases credíveis não lhe permite utilizar esse discurso. A desculpa esfarrapada do "eu estava na China e não sabia de nada" também não serve, como não serve o paternalismo gasto do "eu sirvo para prevenir crises" dando a subentender que, soubesse o Presidente, rapidamente salvaria a Nação - um pouco como um dos seus ídolos, o Professor Salazar.

 

Também não entendo o espanto de Costa e Marcelo com Joe Berardo! Berardo "apenas" utiliza discurso mal trabalhado e burgesso de quem enriqueceu de forma rápida (muito rápida) mas nem por isso enriqueceu como pessoa! Joe Berardo apenas se comportou como tantos outros que são efectivamente os "donos disto tudo" e continuam a gozar de total impunidade! Joe Berardo cuspiu na cara dos portugueses como todos os outros desde Paulo Portas, Oliveira & Costa, Isaltino Morais, Salgado & Ca., António Domingues, José Sócrates, Vitor Constâncio (até foi "promovido" para o Banco Central Europeu) e um sem número de deputados, advogados do regime, políticos e alguns gestores e empresários dignos de serem fechados numa prisão e nunca mais abandonarem a mesma sob pena de levarem o país à bancarrota! E piores que estes visados, os parasitas que em torno destes deambulavam, alguns até continuam a ter destaque em jornais, rádios e televisões como se fossem representantes da moral e da opinião nacional!

 

Mas... Onde estava António Costa quando José Sócrates faltava ao respeito a Juízes e Procuradores? Terá ficado chocado? Onde estava Marcelo quando elogiava largamente Berardo? Ou... Onde está Marcelo quando o tema é a família Salgado? Aliás, esse é um tema do qual o nosso Presidente "foge como o diabo da cruz", já diz o povo. Onde está o choque com as instituições de solidariedade social, muitas delas metásteses da corrupção que grassa pelo país? Onde está o choque com os crimes cometidos pela Igreja e com os indultos presidenciais concedidos a padres que maltratam (sendo parco na afronta escrita) crianças? Onde está o choque de Marcelo e também Costa? Onde está o choque de Marcelo quando não retira as condecorações a indivíduos como Mourinho e Ronaldo que deveriam estar presos em Espanha por fuga aos impostos? 

 

Estou em querer que Berardo se esqueceu de pagar alguns favores ou então de enviar algumas garrafas de vinho da Bacalhôa para estes dois senhores... Marcelo já mostrou que não reage bem a isso - sobretudo quando não foi convidado para a "ilha Salgado" em Angra dos Reis numa certa passagem de ano e acabou a cuspir no prato que comeu... Será que também não foi convidado para um humilde almoço na pobre casa de Berardo, aquele T0 em Azeitão e muito modesto que dá pelo nome de Quinta da Bacalhôa? Pode sempre tentar no Bombarral, na pobrezinha Quinta dos Loridos cujo valor de mercado é tão baixo que não paga as divídas deste senhor.

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IMG_6198.jpgImagens: Robinson Kanes e GC

 

Desta vez não começamos no Porto Velho e partimos directamente de Santa Cruz. O sol está radioso e o Corvo que tantas saudades nos traz fica ali bem perto a mostrar-se orgulhoso e dividindo o seu espaço no grupo ocidental com as Flores. 

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Estamos prestes a entrar num mundo em que o nosso amigo alemão e alguns florentinos nos disseram ser mais desconhecido - a Costa Nordeste. Mal sabemos a surpresa que está prestes a acontecer e para quem gosta de road trips junto à costa será mesmo um verdadeiro regalo.

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O vento ganha força, mas ganha aquela força de, sedutoramente,  fazer movimentar os cabelos de uma companheira de viagem. As nuvens, essas fogem para o Corvo. Pensamos em como é que podemos ter, em tão curto espaço de terra, uma marginal assim tão bela!

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Santa Cruz fica para trás e chegamos à Fazenda! Conhecida pela sua Igreja em homenagem a Nossa Senhora de Lourdes, ficou para nós também conhecida pela queijaria - o alemão tinha razão! Um queijo divinal, um mel de bradar aos deuses e um doce de Açará que nunca haviamos experimentado - um trabalho artesanal, com as devidas condições, mas que nos fez questionar se estávamos no local certo: uma vivenda com um casal, a sua filha adolescente e os seus simpáticos cães! Acompanham-nos, são genuínamente simpáticos e afáveis, dão-nos a provar vários tipos de queijo, o doce de Açará e o mel! O pai, um homem das beiras que já é florentino, dá-nos a provar o fruto que é o Açará e ficamos radiantes. 

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Falamos do potencial e da qualidade dos produtos que é irrivalizável e de como é que os mesmos podem ganhar mais mercado, infelizmente - e espero que me perdoem por abordar esta questão - há quem se aproveite em Lisboa da boa vontade e humildade desta gente e até lhes troque o nome do queijo! Do melhor queijo que já provei, feito por pai, mãe e filha e o mesmo se aplica ao mel e ao doce - juntar tanta qualidade e sabor num só produto não é para todos!

 

Trazemos os sacos cheios, mel, doce e queijo que farão as delícias de muitos, aliás, na mesa de Ano Novo, foi o amanteigado das Flores que mais sucesso fez numa vasta mesa de comensais e entendidos! Se por aí existe alguém interessado num bom negócio, contacte estes senhores, eu até posso fazer a ponte.

 

Trazemos aqueles três sorrisos connosco e continuamos a nossa aventura! Apreciamos as falésias e paramos no Miradouro dos Caimbros para respirar, pois nem sempre é possível parar o carro e seguir a pé! Que paisagem... E a memória do Corvo... E aquele fim de tarde no BBC na companhia do Fernando Maravilhas e daquelas gentes! Temos também a perspectiva de Santa Cruz com uma vista única e surpreendente - a manhã não poderia ser mais perfeita!

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Se de um lado o sol espreita, nas montanhas as nuvens ameaçam com uma carga de água que acaba por não se confirmar e permite que, entre excelentes fotografias daqueles montes, possamos contemplar a vegetação junto à estrada que é particularmente interessante - dizem nas Flores que podemos entrar na mesma e desaparecer!

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Já estamos perto de Ponta Delgada e deparamo-nos com mais uma vista única! A vila com o Corvo ao fundo faz-nos ficar por ali e esquecer a fome que já aperta, afinal são três da tarde e com tantos périplos e encantes, simplesmente esquecemo-nos que almoçar é uma obrigação para manter o corpo e a alma bem activos!

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Apreciamos as cores que o sol entre as nuvens proporciona no solo e entramos na vila - sabemos das limitações e estamos preparados para não almoçar, no entanto, também estamos nos Açores e na Associação oferecem-nos um café e acabamos por terminar no "Pescador"! Primeiro a surpresa de que ninguém almoça depois das três da tarde, mas depois a simpatia de nos proporem todo o menu, mesmo depois de termos explicado que uma sandes e uma água eram mais que suficientes e não queriamos dar trabalho - acabamos com uma feijoada e um ensopado de borrego que nos souberam pela vida! Mais uma vez, um acolhimento como este só nos Açores.

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E quando pensamos que, com tanta coisa boa, o dia está a acabar, eis que a maior surpresa ainda está para vir!

Continua...

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Flores, Parte 1: A Chegada, as Lajes e o Porto Velho!

Flores, Parte 2: O Poço da Ribeira do Ferreiro, a Rocha dos Bordões e a Fajãzinha...

Flores, Parte 3: Calçar as botas e percorrer as Lagoas...

Flores - Parte 4: A Subida ao Morro Alto - Pico da Sé e as Falésias da Costa Oeste

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O Urso Pardo e um certo Hebetismo Colectivo...

por Robinson Kanes, em 10.05.19

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Créditos: https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2018/11/video-viral-de-urso-mostra-o-lado-negativo-de-filmar-animais-com-drones

 

Existe por aí um urso-pardo (Ursus arctos) que deveria ter sido motivo de orgulho para qualquer português! Orgulho e vergonha, afinal fomos nós que acabamos com a presença deste animal no nosso país. Além de que histerismos e show off na comunicação social, nem sempre correm bem...

 

Como este, outros... O lobo ibérico (Canis lupus signatus) quase extinto porque lhe destruímos o habitat e é normal que este queira caçar fora desse espaço; múltiplas espécies de aves de rapina porque uma religião intolerante, falsa e alicerçada em dogmas que, na actualidade, seriam punidos com prisão, se lembrou de repetir que eram animais de mau agoiro (embora os único que conheça e que se encaixam nese rótulo são, de facto, os humanos) e tantos outros animais que o egoísmo humano tem levado ao extermínio. Outro exemplo é o lince ibérico (Lynx pardinus), mais uma espécie que deveria ser uma das imagens de marca do nosso país mas o cidadão comum nem faz ideia de que existe, só quando são atropelados ou surgem envenenados.

 

Espero efectivamente que todo o espectáculo em torno desta descoberta não leve a uma autêntica caça ao urso e que, vindo de Espanha, rapidamente seja levado para a Cantábria e Astúrias de modo a ser devolvido ao habitat, até porque em Espanha a estrutura de protecção está já montada e em Portugal continuamos a deixar que espécies marinhas, como os golfinhos, morram em "lagos" no Parque das Nações porque a vontade, a burocracia e a incompetência a isso levam - num país onde tudo se controla, só ainda não se controla a incompetência e a corrupção.

 

Também não irei entrar no humor brejeiro e típico que se foi ouvindo de que "é só mais um urso" e do "o que não falta aí são ursos". Isso é conversa de quem protesta muito mas faz pouco, além de que, nos dias de hoje, comparar um urso a um ser humano é uma ofensa para o primeiro.

 

E como vem aí o fim de semana, deixo uma sugestão, o livro "O Urso-pardo em Portugal", de Paulo Caetano e Miguel Brandão Pimenta, que aborda a extinção deste mamífero em Portugal.

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Créditos: wook

 

Bom fim de semana...

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Imagens: Robinson Kanes e GC

 

 

Hoje o dia é de subida... A manhã está calma apesar do mar não dar tréguas. No Porto Velho, a animação do costume, entre os lobos do mar, um engravatado, o alemão e nós! Depois do café com leite e das tostas mistas - a "toxta mixta" como nos recomendou o nosso amigo germânico - é hora de colocar os viveres para o dia no carro e avançar. 

 

A Zona Central está calma, algum vento, a neblina habitual e uma enorme vontade de subir serra acima. Chegamos e apeamo-nos através do caminho vermelho, como lhe chamamos e que, para mim, é sempre uma imagem que associo aos Açores. E aí vamos nós na esperança de apreciar a vegetação e as marcas da Macaronésia, nomeadamente a Floresta Laurissilva. 

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Agora com mais vento, mais neblina, mas a casmurrice faz-nos continuar - mal sabemos que a chegada ao "topo das Flores" (914m de altitude)  vai ser bastante enovoada - todavia, ainda conseguimos a panorâmica desejada e que, para nós, seria o ponto alto da caminhada - a Lagoa Branca! Paramos, abastecemos o estômago, ainda temos de subir a furar o nevoeiro e o vento!

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Casmurros, mais uns metros à frente, temos a sensação que estamos a subir o Evereste, a neblina é cerrada, o vento torna-se forte! Aguentamos, não sei se nos arrependemos ou não, mas aguentamos! Aguentamos e pensamos nas dificuldades que teriam as gentes da Fajã Grande para atravessarem a ilha e dos pastores que noutros tempos por ali pastavam os seus rebanhos - ainda hoje o fazem, mas em muito menor escala. Pitoresco... bucólico, mas duro... O tecido social dos Açores não se desenhou com facilidades e o que hoje admiramos encerra séculos de vidas muito duras.

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Iniciamos a descida, a próxima paragem são as vistas para as "Falésias da Costa Oeste". Regressar ao carro é ótimo - apesar do frio não ser muito, a humidade já causava os seus danos. Paramos para apreciar a água que, levada pelo vento interrompe a sua marcha em direcção ao solo e é devolvida à origem.

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Voltamos a apreciar as cascatas, agora com uma vista de cima. Imaginamos o espectáculo que ali está a acontecer. A tentação de regressar ao Poço da Ribeira do Ferreiro é enorme e voltamos a colocar a mesma na lista de prioridades diária. O vento aumenta de intensidade mas não desmobilizamos, sentimos o ar do Atlântico a invadir-nos, sentimo-nos parte daquela natureza, queremo-nos sentir na pequenez de sermos humanos.

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A vegetação nesta área da ilha é simplesmente bela, apelativa e muito favorecida pelo tempero do oceano. Desde o Morro, desde a mais rasteira à mais elevada, proporciona a nossas delícias e "empata-nos" no nosso regresso a Santa Cruz onde somos convidados por um dos colaboradores da Caixa Geral de Depósitos a ficar na ilha! 

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Apesar da proximidade, o regresso a Santa Cruz é sempre demorado, existem sempre novos locais, novas preciosidades que chamam a nossa atenção... É tudo isto que torna uma pequena ilha num pedaço de terra enorme.

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Continua...

Flores, Parte 1: A Chegada, as Lajes e o Porto Velho!

Flores, Parte 2: O Poço da Ribeira do Ferreiro, a Rocha dos Bordões e a Fajãzinha...

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IMG_6147.jpgImagens: Robinson Kanes e GC

 

 

Se São Miguel é a ilha da Lagoa das Sete Cidades, as Flores são a ilha das sete lagoas... Visitar estas lagoas pode ser uma verdadeira aventura, não na dificuldade, são próximas, mas sim pelas mudanças bruscas de tempo. Foram as lagoas onde me apercebi que as mudanças são mais rápidas, apenas em segundos podemos ver, deixar de ver, voltar a ver e por aí adiante.

 

O ideal passa por ir de carro até perto de uma das lagoas e depois descobrir este mundo a caminhar. O mau tempo  (a não ser que esteja mesmo tempestuoso) não deve assustar, não é nada que uma roupa apropriada não resolva. As imagens com que nos deparamos rapidamente nos aquecem.

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Mas as lagoas, sim, as sete lagoas, são elas a Lagoa Negra, a Lagoa Branca, a Lagoa Comprida, a Lagoa Rasa, a Lagoa da Lomba, a Lagoa Funda e a Lagoa Seca

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Deixamos o carro na Estrada dos Ferros Velhos e começamos o percurso pela Lagoa Comprida e aquela cascata a debitar o precioso liquido - apaixonamo-nos. Pensamos em que mundo vivemos e questionamos muitas coisas, chegamos ao ponto de ter um cuidado extremo com o que pisamos sob pena de estragarmos algo único - e de facto é verdade! Pensamos na brevidade dos bons momentos, pois tanto temos uma panorâmica única como uma neblina cerrada que nada nos deixa ver.

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Continuamos acima dos 600 metros e vamos até à Lagoa Negra que deve o nome à cor, não fosse, em alguns pontos atingir a profundidade de mais de 100 metros! Começamos logo por uma das mais belas. Sentados no alto, enquanto pingos de chuva nos caem no corta-vento ficamos num misto de "medo" e paixão - o respeito imposto é enorme, não só pela profundidade mas também pela tonalidade e pelo facto de não haver ninguém por perto! 

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Segue-se uma caminhada até à Lagoa Seca e à Lagoa Branca e de repente percebemos que já estamos num contexto geológico totalmente diferente, menos escarpadas, estas duas lagoas fazem-nos indagar se estamos na mesma ilha. Na primeira vez tivemos má sorte com a ausência de aves mas, na segunda, já foi possível avistar algumas.

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O facto de serem menos acidentadas, torna-as apetecíveis para a "passarada". Apreciar a paleta de cores destas duas lagoas é também uma oportunidade única! Também não nos deixamos enganar pelo termo "seca", a água por lá também existe e cria um efeito singular e contrastante com as demais caldeiras.

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Segue-se a Lagoa da Lomba, calma e serena, de fácil acesso é o local ideal para um lanche e para repor energias - estranhamente o vento que vai e vem já não se sente... Estamos embriagados com tanta beleza, tanta cor, tanto verde e tanta pureza. O caminho até às últimas duas lagoas promete e as botas já pesam - com tantas botas mais recentes, continuamos a preferir as "clássicas" da Timberland, que nem à prova de água são - embora, primeiro que entre...

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Próximas paragens? A Lagoa Funda e a Lagoa Rasa! A Lagoa Funda é simplesmente bela e oferece uma panorâmica singular que se estende bem para lá da caldeira em si... Entre a Lagoa Negra e a Lagoa Funda, não é fácil escolher aquela que é mais "breathtaking"! As suas altas margens e a queda de água dão-lhe um encanto singular e sim, conseguimos avistar a famosa gaivota-de-patas amarelas (larus michahellis atlantis) e a garça-real (Ardea cinerea), esta última tem sempre uma especial simpatia para nós! Ficamos, mais uma vez, apaixonados e siderados com tamanha beleza! Não queremos partir, queremos ficar e... ficamos. Ficamos até a vista não aguentar mais, até o cérebro não conseguir processar mais a miríade de emoções! 

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A Lagoa Rasa fica para o final, bem perto e totalmente diferente, as margens são baixas mas nem por isso perde o encanto, é simplesmente diferente! À semelhança de todas as outras, para degustar...

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É hora de regressar, é preciso ir a Santa Cruz e passar o final da tarde com os nossos amigos no Porto Velho e fazer umas compras no supermercado do proprietário do café - os viveres já não são muitos porque o barco não tem vindo devido ao mau tempo. Amanhã, na nossa exploração, subiremos ainda mais alto e teremos outra panorâmica interessante da ilha, nomeadamente da Lagoa Branca.

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Continua...

Flores, Parte 1: A Chegada, as Lajes e o Porto Velho!

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Per Sempre Morricone...

por Robinson Kanes, em 07.05.19

IMG-20190507-WA0002.jpgImagens: GC

 

Sempre aplaudido de pé, Morricone acabou por encantar a Altice Arena, como seria de esperar... Passou por sucessos menos conhecidos pela maioria dos portugueses e não deixou passar os grandes temas "spaghetti western". O apogeu deu-se no final com a óbvia banda sonora de "Cinema Paradiso", sem esquecer a "Missão".

 

"Cinema Paradiso" arrebatou a plateia e as lágrimas foram uma presença ao longo de toda a interpretação, acabámos todos por fazer um pouco o papel de Salvatore quando, no final, coloca a fita que Alfredo lhe deixou e se desfaz em lágrimas - boas recordações e no turbilhão de emoções que as mesmas trazem. Senti-me, também, um Salvatore, por todas as razões e mais algumas. Quem escuta "Cinema Paradiso", "Once Upon a Time in America" ou até o tema de "Malena" ao vivo (os dois últimos desta vez não tiveram lugar), nunca mais vai esquecer!

 

Uma excelente orquestra, um excelente coro, um excelente maestro e compositor, e claro, uma excelente soprano - Susanna Rigacci - não poderiam ter tornado o espectáculo melhor. Ao contrário do que também alguma imprensa já hoje diz, Dulce Pontes não foi, embora tentasse, uma das estrelas da noite! Uma voz que deixa a desejar, um mau inglês que parecia búlgaro numa das interpretações, honestamente, não tem a mínima qualidade para estar naquele palco com tão grande compositor, tão grande soprano e com tantas vozes de qualidade no coro. O público percebeu isso e, se de facto, ouve menos exaltação nos aplausos foi quando Dulce Pontes cantou...

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Mas o espectáculo de Morricone, a sua presença em palco, fizeram-nos sonhar, e ao mesmo tempo, entristeceram-nos. Ver aquele senhor de 90 anos já algo debilitado fez-nos mesmos acreditar no "farewell". Tivemos, mais uma vez, a oportunidade de lhe dizer "grazie" e isso terá sido o mais importante. Nunca o esqueceremos e estará sempre junto de nós, sempre a recordar aquela forma própria de conduzir uma orquestra.

 

Uma nota particular também para o facto de uma orquestra maioritariamente "entradota", um maestro que é um verdadeiro dinossauro da música, sem esquecer o coro, mostrarem que a idade não importa quando se fala de ser ou não um bom profissional, de facto... Uma lição que todos também podemos tirar da noite passada!

 

Obrigado Ennio... 

 

(Também o SAPO aqui não esqueceu o Mestre)

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Tempo para Morricone!

por Robinson Kanes, em 06.05.19

Imagem3.pngImagem: Robinson Kanes

 

Senhor com "S" grande... Hoje, por aqui, damos uma folga aos Açores e a tantos outros temas, porque voltar a ver este Senhor no meu país é um acontecimento único. Temo também que seja a última vez que vou ver o Mestre!

 

Deixo a banda sonora de "'D' Amore Si Muore" realizada por Carlo Carunchio, iniciavam-se os anos 70 e eu nem era sequer pensado (e acho que nem os meus pais já se conheciam)... Mas o cinema italiano tem destas coisas e com esta banda sonora...

E porque o Ennio nunca aborrece, talvez deixe aqui mais uma tremenda recordação (e sim, estou a tentar fugir aos grandes sucessos...), "Amore per Amore"...  De outro grande filme, "Così come sei" e onde estão presentes a esquecida Nastassja Kinski, Francisco Rabal e claro (eu sei que é de "cota") o grande Marcello Mastroianni! 

O Ennio é talvez aquele compositor que me acompanhou desde sempre, não só pelas excelentes bandas sonoras mas também pelos filmes que tiveram oportunidade de usufruir de tamanhas composições... Hoje talvez seja o dia do Adeus, e num misto de imensa alegria e muita tristeza aplaudirei, mais uma vez de pé, o GRANDE! Aliás, aplaudiremos aquele que também nos juntou... 

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Créditos: Robinson Kanes e GC

 

A manhã chega com o som do mar a dizer-nos que não está para grandes conversas... Apesar do vento, procuro sair e ficar a sentir a brisa no rosto, a recordar os meus tempos em que passava o fim de semana junto dos lobos do mar e sentia aquele cheiro em Porto Dinheiro ou em Peniche. 

 

Contudo, mesmo para quem gosta de mar, o estômago é quem manda e claro, o pequeno-almoço é no Porto Velho - duas tostas, dois sumos e dois cafés! O resto da refeição é preenchido com animação a cargo dos diálogos entre lobos do mar.

 

Chega a hora de nos fazermos ao caminho e, logo após o Lajedo,  apreciar a "Rocha dos Bordões", ponto de fulcral importância para os habitantes das Flores, além disso é um interessante ponto geológico na medida em que estamos perante uma rocha que se formou pela solidificação do basalto em altas estrias verticais - pensamos em iniciar uma "escalada", mas a incerteza com o tempo e com as autorizações faz-nos recuar.

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Continuamos na direcção de um local que não nos faria recuar nunca, nem que estivessem ventos muito acima dos 200 km/H - na semana anterior a passagem da tempestade "Diana" foi bem sentida embora sem estragos de maior. Refiro-me obviamente ao "Poço da Ribeira do Ferreiro" ou "Alagoinha" como também é conhecido. Para aqui chegar o caminho é feito a pé, e depois de dias de tempestade, nem sempre o caminho está nas melhores condições, no entanto... Preparem-se para entrar numa outra dimensão e deixem-se envolver pela vegetação cerrada, pelos cheiros e pela natureza no seu estado mais puro e, de repente... entram num outro mundo. As cascatas e o poço a fazerem-nos pensar se estamos realmente em Portugal ou numa qualquer floresta tropical. 

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Com aquele local só para nós, ficamos por ali muito tempo, tiramos fotografias, comemos algo para repor energias e não fechamos os olhos! Ficam bem abertos a absorver tamanha beleza para que jamais percamos tais imagens do nosso pensamento! Ousaria dizer que um dia é pouco para por ali ficarmos...

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E por ali ficamos, mas não descansamos, o espectáculo com que nos deparamos não o permite...

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Mas a fome aperta e também as botas pedem mais caminho, é altura de ir até à Fajãzinha (Mosteiro e a Caldeira -sem habitantes desde 1992 por questões de segurança - serviram para relaxar). 

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Descemos e encontramos a pacatez, o silêncio e a pa que caracterizam o local... Temos outra visão da ilha e do espaço, ficamos indecisos entre o apelo da serra e do mar, das gentes e de um cheiro a comida que anda pelo ar...

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Do lado da serra, a neblina anuncia que o tempo muito provavelmente vai fechar e ainda temos mais uma etapa pelo caminho antes de jantar com um casal de alemães (novamente os alemães, mas não me perguntem porque temos esta afinidade com aquele povo) num restaurante onde os produtos servidos são todos locais e biológicos - a Casa do Rei, também nas Lajes da Flores! Uma nota, o restaurante é propriedade dos mesmos.

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Mas antes do jantar é preciso arriscar um pouco mais e partir em direcção à Fajã Lopo de Vaz, mais escondida e mais perigosa! Queremos, contudo, ver as cascatas a debitarem a sua água no mar e queremos percorrer todos aqueles caminhos enquanto o vento e a cacimba nos afrontam. Chegamos ao ponto onde as tempestades também entram pelas Flores, por norma, antes que de chegarem a outros grupos e até ao continente, é nas Flores que as tempestades abrem as hostes em território português!

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Nas Flores, por pior que seja uma tempestade, nunca é um drama para os seus habitantes, diz-se mesmo que, quando nas ilhas do grupo central e oriental ficam em pânico, nas Flores, onde estas são mais fortes, o povo recebe-as calmamente, até porque é aqui que, por norma, são mais fortes.

Continua...

Flores, Parte 1: A Chegada, as Lajes e o Porto Velho

 

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Imagens: Robinson Kanes e GC

 

Sou suspeito a falar dos Açores, afinal são aquele local mágico que me deixa apaixonado e destrói qualquer tentativa de imparcialidade da minha parte - todavia, nada me poderia deixar mais encantado e surpreendido que a ilha das Flores, tal facto, a par com o Corvo, levou-me a que o regresso fosse quase imediato. Como cheguei às Flores? A aventura começa no Corvo.

 

Depois da "pior" aterragem da nossa vida, as Flores são famosas por isso, mais uma vez, aqui presto a minha homenagem aos pilotos da SATA que fazem os voos inter-ilhas, especialmente ao comandante Luis Gouveia - um senhor altamente respeitado nos Açores, especialmente nesta ilha. Só para que se tenha uma ideia, o voo daquele dia acompanhou-nos durante uma semana pois sempre que mencionávamos a data do mesmo, todos sentiam uma espécie de compaixão por nós tal fora o tormento e a imagem que se teve de fora, imaginem lá dentro! No entanto, se existem aviões no mundo que também merecem o meu respeito e admiração são os Q200 e os Q400 (e o velhinho Dornier).

 

Chegar às Flores é entrar num mundo mágico! É estar no meio do oceano num pequeno pedaço de terra, com o Corvo bem perto mas onde o conceito de Europa já é vago. Pode ser assustador, pode causar algum desconforto, mas basta chegar ao aeroporto e começar a conhecer os florentinos para rapidamente percebermos que afinal não estamos assim tão "deslocados".

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Desta vez, as Lajes das Flores foram o nosso quartel-general. O nosso amigo alemão tem lá casa ( e também espaço de alojamento local) e é um apaixonado pela ilha! É difícil a escolha quando se vai às Flores - entre o alemão e a antiga messe francesa (Santa Cruz) - mas lá iremos.

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Pelo caminho, na "marginal" que vai de Santa Cruz às Lajes rapidamente começamos a subir e podemos ter uma panorâmica de Santa Cruz - a capital da ilha - e da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição. Também é daí que temos uma panorâmica fantástica para assistir às aterragens e descolagens a Oeste, normalmente, verdadeiras aventuras. É por aqui que se começa a ter o primeiro contacto com o gado (ou não estivessemos nos Açores) e com o mar.

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É por este caminho que vamos tendo o primeiro contacto com as famosas cascastas e, se ficamos surpreendidos logo de início, mal sabemos o que nos espera. É também por este caminho que encontramos fantásticas vistas, das quais se destacam o miradouro da Fajã do Conde, a Gruta dos Enxaréus e claro, algumas localidades peculiares como Barqueiros, Caveira e Lomba. Já nas Lajes, a visita ao "Porto Velho" é obrigatória! Antes, nada como contemplar o porto e apreciar o farol... Quando o mar está como Redol o descreve (no contexto da Nazaré) em "Uma Fenda na Muralha", conseguimos assistir a um espectáculo único em que o respeito, a admiração e o medo se unem numa sensação boa!

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Mas o que é o "Porto Velho"? Um café! Um simples café onde novos e velhos lobos do mar, turistas, desempregados, funcionários públicos e bancários se misturam num ambiente único e singular onde se combate o isolamento com a proximidade e com a camaradagem. Por lá, mandam os lobos do mar, é ali que muitas vezes esperam a bondade daquele oceano para se fazerem ao mar. O "Porto Velho" é um café onde a tosta mista não é a melhor do mundo, onde a decoração não prima pelo melhor dos gostos, onde as refeições até são apetecíveis mas onde tudo tem um sabor que não encontramos em lado algum! O café aqui tem um sabor especial, as conversas duram horas a fio - são as paredes onde alguém, cuja infância também passou por temporadas junto ao mar e pôde observar a vida da faina, se sente num autêntico Louvre de etnografia e acima de tudo de vivências, amizade e nostalgia.

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