Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




falcone-borsellino-gr-c-shobha.jpg

Créditos: http://www.antimafiaduemila.com/rubriche/saverio-lodato/71093-vivere-o-morire-di-trattativa-paolo-borsellino-ne-mori.html

 

Salvatore Riina, mais conhecido por Totò Riina, se ainda fosse vivo, por certo, ficaria absolutamente espantado com o facto de em Portugal ser mais fácil montar um polvo do que na ilha da Sicília. Em Palermo, entre uma "pasta alla norma" e um "chinotto", "il capo dei capi" rapidamente chegaria à conclusão que por terras lusas teria tido ainda mais sucesso e sem necessidade de recorrer às armas.

 

Também Ricardo Salgado e compadres, por certo não serão assim tão culpados e apelidar os mesmo de "donos disto tudo" começa a ser ofensivo para outros que perdem assim o verdadeiro protagonismo. O que Ricardo Salgado e respectivos compadres fizeram foi apenas aproveitar o panorama e alimentar uma corja de parasitas (da direita mais conservadora à esquerda mais radical) que não se bastou na usurpação dos bens públicos. Se hoje não se sabe mais do caso BES é porque se Ricardo Salgado abre a boca temos uma guerra civil.

 

Se por um lado, muitos conquistam o espaço nos partidos e na máquina de consumir cargos e dinheiros públicos, outros começam, e muito bem, em terrenos mais longínquos. Podemos falar de Cabeceiras de Basto, da Covilhã,  de Gondomar, de Vila Nova de Gaia, de Castelo Branco e de tantas outras localidades que serviram de rampa de lançamento para muitos... Também podemos falar dos Açores e de como estes são também uma excelente ponte política para chegar a Lisboa, mesmo que por lá tenhamos causado prejuízos de milhões. É dos Açores que muitos conseguiram colocar quase toda a família na administração central, na administração regional, local e em muitas empresas do Estado! Foi do arquipélago e depois da sua nova base em Lisboa que muitos tentáculos vão sendo criados e a impunidade alimentada. É por Lisboa que se circula como Riina que não temia os carabinieri nem a contestação dos sicilianos.

 

Uns dizem a César o que é de César, mas Portugal nunca foi de César... Todavia, qual imperador, este e tantos outros vão impunemente controlando tudo à sua volta, mesmo que o poder não lhes seja dado pelos deuses mas por uma população que se revolta se o Benfica perde mas não mexe o dedo perante os roubos diários a que é sujeita - uma população que, se mais inteligente fosse, e soubesse o que se passa nos corredores da Assembleia da República, talvez já tivesse entrado no edifício e qual tomada da Bastilha, já há muito tivesse feito rolar as cabeças de muitos "capos". Uma população que teme homens como Falcone e Borsellino, vá-se lá saber porquê...

Autoria e outros dados (tags, etc)

Dave Matthews Band Rebentou!

por Robinson Kanes, em 08.04.19

IMG_20190406_204933.jpg

Fotografia: Robinson Kanes

 

Existem coisas que já não nos deviam supreender... Uma delas é sair de um concerto de David Matthews Band e pensar que acabámos de assistir a uma qualidade que já não abunda no mundo musical.

No entanto, depois de no passado Sábado, em plena Altice Arena, ter voltado a ouvir estes senhores, não pude ficar indiferente, e mais uma vez, espantado com a categoria do Dave e de todos os seus músicos. "Graveddiger" nunca me soou tão bem como ontem, "Stay or Leave" voltou a ser outra daquelas coisas que só quem acompanha estes senhores há muito pode sentir.

 

Nem a ausência de "Space Between" ou "You & Me" causou qualquer tristeza, pois a interpretação de temas como "Sledgehammer" de Peter Gabriel (outro colosso), "Fly Like an Eagle"  da Steve Miller Band mas que muitos conhecem pela interpretação de Seal ou "All Along the Watchover" de Bod Dylan (cuja primeira versão que ouvi foi de Jimi Hendrix), fizeram esquecer esse "lapso"! Quem segue Dave Matthews Band sabe que o alinhamento é sempre variado e cada concerto é uma experiência única.

 

Banda e vocalista low profile, um palco sem uma produção de milhões, mostram como ainda é possível, existindo qualidade e trabalho, fazer melhor do que grandes produções cujas "luzes" são aos milhares mas o som dos instrumentos e das vozes deixa muito a desejar.

 

Deixo-vos com uma das que passou: "Ants Marching"... E que regressem em breve para voltar a ver aquela forma peculiar de caminhar pelo palco...

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Corvo: Uma Ilha do Tamanho do Mundo! (Parte 02)

por Robinson Kanes, em 08.04.19

IMG_5910.jpg

Imagens: Robinson Kanes e GC

 

 

Apesar da dimensão, caminhar pelas poucas ruas da vila do Corvo tem o seu interesse: respira-se o ar do mar, sente-se o isolamento - não se pode negar - mas sente-se também a distância de tudo e de todos. No caso de alguém que vive numa cidade não existe melhor refúgio. Se a isto juntarmos a simpatia e boa disposição dos corvinos temos o mote certo para voltar muitas vezes ao BBC pois rapidamente conhecemos quase todos os habitantes da ilha. Mas paremos para pensar aqui: quantas vezes, com tantas e tantas pessoas à nossa volta e também nos sentimos isolados?

 

O tempo continua a melhorar e o sol espreita - optamos por não repetir a caminhada a pé até ao caldeirão, como é conhecida a caldeira do Corvo e, se não a mais bonita, é por certo uma das três mais belas do arquipélago! Descobrimos, por mero acaso, pai da Vera! Prestável, lá nos coloca na sua carrinha e nos leva  ver a caldeira! Fazer a estrada (ou o caminho a pé) até à caldeira é uma experiência única - a proximidade com o mar, o cruzamento com o gado (ou não fosse o Corvo uma ilha dos Açores) e a oportunidade de observar algumas aves.

IMG_5893.jpg

O momento alto é a oportunidade observar a caldeira e imaginar o que terá pensado Diogo de Teive em 1452 quando se deparou com um dos monumentos mais belos que o planeta Terra tem: aquela caldeira situada a 718m de altitude - Um autêntico coliseu e cujas pequenas ilhas no seu interior se assemelham às 9 ilhas do arquipélago. 

IMG_5919.jpg

Se me perguntarem se vale a pena apanhar um voo na Nova Zelândia só para ver este caldeirão, a minha resposta é imediata: sim! É daqueles locais onde queremos ficar horas e horas a contemplar o mar pelo miradouro, a apreciar o interior da caldeira e a escutar o som do gado que por lá deambula sem restrições, afinal, aquele espaço, mais que nosso, é deles! Chegar, tirar uma fotografia e voltar é desrespeitar tão impactante local!

IMG_5917.JPG

Por ali ficámos uns bons 90 minutos, trocando impressões e absorvendo toda aquela magia natural! O dia foi passando e acabámos a contornar a ilha pelo lado oeste e a deambular pelos campos agricolas enquanto a chuva já começava a molhar. Não foi isso que impediu que sujássemos os pés e voltássemos a parar para apreciar umas laranjas directamente arrancadas da árvore - ainda não estavam doces pelo que, as do Pico continuam a merecer a nossa preferência.

 

Acabamos a tarde num espaço singular, uma das casas onde o pai da Vera, entre uma bebida e uns cigarros nos fala da ilha, dos Açores, de como é fácil e desafiante viver num pedaço de terra com pouco mais de 17 km2. Falamos das festas, da praia, da cerveja - uma instituição na ilha do Corvo - e de como todo o mundo também pode estar naquele pedaço de terra. Ficamos a saber que no Corvo, todos aqueles que chegam têm um tecto e comida na mesa e também que todos aqueles que não chegam com boas intenções rapidamente são envergonhados pelos locais - conta-se que em tempos, um desses indivíduos foi despido e amarrado no meio da aldeia ficando por lá durante mais de um dia. A verdade é que sentimos isso, até porque fomos várias vezes convidados para jantar aqui e ali!

A noite começa a dar sinais de que quer tomar conta dos céus e descemos à vila. Bebemos mais um café e um copo no BBC e preparamos o estômago para a jantarada enquanto vamos conversando com dois músicos de Ponta Delgada responsáveis por animar o serão.

IMG_5931.jpg

A festa acabou de madrugada e logo cedo, depois de um bom pequeno-almoço e de uma visita aos moinhos, voltámos ao aeroporto ainda sem saber se o voo aconteceria. O avião chegou, e as duas viaturas do bombeiros esperam sempre a chegada dos aviões com os motores ligados - Finalmente o ok do comandante - Luis Gouveia, uma lenda nos Açores - e partimos!

IMG_5870.JPG

Na Vila, mesmo ainda antes de chegarmos ao aeroporto, todos diziam não ser possível: "durmam, deixem-se estar sossegadinhos que vão ficar connosco por uns dias". A verdade é que o Q200 descolou e também é verdade que após ter chegado com uma vontade imensa de sair no primeiro voo que houvesse, fiquei com aquela saudade e também a vontade de ficar mais uns tempos! De percorrer vezes sem fim a ilha, de beber uns copos no "formidável" e no BBC entremeados por umas fatias de queijo do Corvo, de apreciar a praia que nunca apreciei e de simplesmente me deixar levar pela imensidão daquele mundo.

IMG_5880.JPG

Perdeu a parte 01? Está aqui!

Autoria e outros dados (tags, etc)

1430772474-esq-goodfellas-red-velvet.png

Créditos: https://www.esquire.com/style/mens-fashion/a34784/goodfellas-style-25th-anniversary/

 

A história da máfia familiar dos partidos vai continuando... Agora foi Cavaco Silva que teve de engolir o sapo de aceitar que também ele colaborou na promoção do mérito dos incompetentes que chegaram a lugares públicos sem perceberem porquê! E que terá Marques Mendes a dizer - agora que o nome do mesmo chegou às ruas? A par de Cavaco Silva, dos administradores do BES, da CGD, do Banco de Portugal e tantos outros, também vai ser apanhado pela epidemia de amnésia que entretanto se abateu sobre Portugal? O saltitão que desde novo é bem conhecido pela sua ambição política (falhada) tenta agora seguir os passos do padrinho (um político falhado que utilizou as televisões para chegar ao mais alto cargo da nação).

 

Sempre foi assim, e pensar que é só com António Costa que isto acontece é puro erro, é pura apatia e conivência com o regime podre da política nacional. É provavelmente querer sofrer de amnésia pois nunca se sabe quando é que nosso lugar na empresa ou instituição "X" pode estar ameaçado caso a situação comece a colapsar... E convenhamos, em algumas localidades deste país quase não existe um indivíduo que não tenha telhados de vidro no que à "cunha" diz respeito.

 

Outra das coisas que salta à vista é a hipocrisia de António Costa ao dizer que a Assembleia da República deve começar a legislar sobre esta matéria! Só agora? E é preciso legislação para ser sério e ético? E que tal colocarmos as máfias de leste a legislar sobre o crime em Portugal? É quase o mesmo...

 

E o Bloco de Esquerda? O Bloco de Esquerda ainda acaba extinto tal é a não existência que tem tido nos últimos tempos a não ser a prosa sem sentido e paradoxal que ainda vai sendo permitida a Francisco Louçã em tantos meios de comunicação capitalistas (estranho que um anti-capitalista utilize os meios daquele que abomina para ir alimentando a sua demagogia)! E o PCP? Por este andar ainda fica com os seus "partidários" completamente descalços porque se isto chega ao poder local lá se vai uma das maiores fontes de rendimento de qualquer comunista.

 

E a hipocrisia de Marcelo que após a demissão de um Secretário de Estado rapidamente vem para os holofotes emitir a sua opinião habitual de que está de acordo e acha bem? Este caso já dura há muito e não assistimos a Marcelo com muito interesse na situação, até acho que era mais fácil ver Marcelo a ligar para as rádios e para a televisão do que propriamente sobre esta temática, ou melhor, condenar estas situações, pois até agora tem chutado a bola para o seu antecessor! É importante lembrar que fora do país houve por aí um presidente que anunciou uma recandidatura ao cargo e é importante começar a fazer campanha. Apesar do discurso anti-cunha de Marcelo até ser algo que louvo, na prática é preciso começar a ver mais acção e menos populismo! Além de que uma coisa são as cunhas, outras são os favores que temos de pagar.

 

Entretanto, temo que este caso adormeça e mais ninguém se recorde, voltando as coisas ao mesmo e Portugal se continue a afundar! Ou então cria-se uma comissão de inquérito parlamentar, a forma mais leviana que os pseudo-democratas portugueses descobriram para imporem uma ditadura partidária camuflada de Democracia.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Corvo: Uma Ilha do Tamanho do Mundo! (Parte 01)

por Robinson Kanes, em 04.04.19

IMG_5879.jpg

Fotos: Robinson Kanes e GC

 

Esta história começa no Faial, mais precisamente no aeroporto da Horta. É de manhã e o voo com origem em Lisboa chega a horas. O mar está agitado, o tempo também não está melhor... O destino final não é o Faial, essa linda ilha, mas sim as Flores. As Flores, aquela pista onde as aterragens são verdadeiras aventuras, eu que o diga que no espaço de seis meses já tive duas aterragens de fugir! O Q400 chega e tudo indica que a viagem vai ter lugar! Mas quem já está habituado a viajar entre as ilhas dos Açores, sabe que quando o avião está na pista e não há forma de se embarcar, é porque provavelmente vem um cancelamento a caminho - por norma, devido ao mau tempo. 

 

E assim foi - nem foi preciso o anúncio, pois quando as malas são retiradas do avião a mensagem é clara: voo cancelado! Insatisfeitos com a notícia, eis que ficámos à espera de mais novidades, eis que senão, está nesse momento a sair um Q200 para o Corvo! E porque não voltar?

 

Acorremos à porta de embarque e após uma negociação tranquila e onde a ausência de bagagem de porão foi uma mais-valia, eis que embarcamos com destino a essa ilha - sem alojamento e a acreditar que o Ariel (navio que faz a travessia entre o Corvo e as Flores) vai partir no dia seguinte. 

IMG_5884.jpg

Depois de mais uma aterragem daquelas com as poucas pessoas dentro da cabine extremamente nervosas (e um comissário de bordo com um sentido de humor único que ajudou a que um terço dos passageiros não tivesse um AVC) eis que tocamos a pista! Uma nota: as piores aterragens e descolagens que tive na vida foram sempre nos Açores, mas se há pilotos em quem podemos confiar são os pilotos da SATA! Se a SATA não aterra ou descola, também ninguém mais o fará!

IMG_5867.jpg

 

Chegamos ao Corvo, o tempo está péssimo e no pequeno aeroporto tentam-se resolver os cancelamentos, pois o Q200 que deveria descolar com destino às Flores vai descolar, mas de volta para o Faial! Ficamos também a saber que podemos adquirir um bilhete para o dia seguinte, no entanto nada é prometido! A viagem no Ariel está fora de questão, o navio está em terra e não sai há um mês! 

IMG_5892.jpg

Entre o mar agitado e a simpatia de todo o pessoal da SATA, é-nos dito sem alojamento não ficaremos (dormir no aeroporto já era uma hipótese que tinhamos considerado)! Nesta fase a SATA já nada nos deve, pois perdemos essa hipótese quando decidimos não ficar no Faial. No entanto, staff como o da SATA já pouco existe e conseguimos um alojamento muito simpático, a "Joe & Vera's Place". 

IMG_5921-2.jpg

A Vera, uma simpatia de senhora, dá-nos boleia - só porque chove, porque do aeroporto à Vila não se pode dizer que existam distâncias - e até nos cobra o valor que estava online sem se aproveitar da nossa situação! Fomos recebidos como se fôssemos convidados e até o convite para o jantar de camarão que iria juntar toda a gente na ilha nos foi facilitado. Foi no BBC que almoçámos fora de horas e onde também era o jantar. A par de outro restaurante, o BBC é dos únicos locais onde servem refeições - o nome pomposo deve-se ao facto de ser a sigla do Bar dos Bombeiros do Corvo.

IMG_5868.jpg

Entretanto o tempo melhora, mas o vento deixa adivinhar que as coisas para o dia seguinte não vão correr bem... As Flores estão tão perto que temos a sensação de que podemos ir a nado! Mau sinal para quem durante anos fez essa leitura com as Berlengas! Mau sinal para quem escuta os corvinos a dizer "amanhã o avião não sai"! Mau sinal para quem diz que conhece bem o mar mas rapidamente ouve um corvino a dizer que o Robinson deve ser doido.

 

Continua...

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Os Lucchese de Castelo Branco...

por Robinson Kanes, em 02.04.19

37861007001_5759994628001_5759986064001-vs.jpg

Créditos: https://eu.lohud.com/story/news/crime/2018/09/14/lucchese-crime-family-associate-faces-15-years-attempted-murder-plea/1304740002/

 

 

Dizem por aí que para os lados de Castelo Branco uma Organização Não-Governamental para o Desenvolvimento (ONGD) foi criada para nem existir. Basta atentar neste artigo do jornal "Público" para se perceber que estamos perante mais uma daquelas "ONGD fantasma" que, não raras vezes, não sabemos para que servem e muito menos quem toma parte nas mesmas. Muitas só as conhecemos quando consultamos editais ou documentos que mencionam a atribuição de subsídios!

 

Sabemos contudo que, por detrás do discurso de que ninguém aufere rendimentos e de que todos os euros são necessários, sobretudo quando sugam fundos públicos e até privados ou não querem pagar eventos de arromba e procuram tudo de forma gratuita, se esconde um vasto património imobiliário, viaturas topo de gama, tráfico de influências e um outro sem número de regalias.

 

Casos destes não são raros em Portugal, todavia sempre que alguém fala em criar verdadeiras "empresas sociais", e passo a expressão, cai o "Carmo e a Trindade" porque a "solidariedade" não serve para fazer dinheiro. Que interesses são estes que vão desde a mais pequena aldeia até aos corredores do poder central? Falar da "empresa social" na Assembleia da República, por norma, não é de bom tom e acaba com um chumbo, isto quando alguém consegue levar a discussão a plenário, coisa rara! Porque não a "empresa social" e administração de instituições sociais com um cariz mais empresarial que não só beneficie as contas mas as abordagens em termos de marketing que se revelarão mais eficientes na captação de donativos. 

 

A economia social, e aqui incluo misericórdias, fundações, ONG e muitas associações, em Portugal, não sendo áreas lucrativas movimentam milhões e pagam bons salários, sobretudo a quem as gere, não propriamente aos voluntários que ainda vão no discurso de que não há dinheiro para pagar ou então para funcionários que são explorados de forma atroz e os colocam como um dos principais grupos de risco quando se fala de burnout.

 

Até quando os portugueses vão continuar a assistir a casos "raríssimos" como estes? Até quando vamos permitir que o Ministro Viera da Silva, que tutela muitas destas áreas, diga que casos destes não existem! Aliás, ele próprio é um ávido consumidor dos benefícios do "social" - o "Social", como muitos gostam de chamar a esta área, sobretudo os assistentes sociais e membros de muitas destas entidades - mencionar o facto de gostarem do trato de doutor(a). Onde estão as "manas" Mortágua, pois alegadamente o pai destas também está envolvido?

 

Casos destes continuam a passar impunes, e quando descobertos, ficam-se pelas demissões ou pela tão conhecida "caminhada no deserto". Enquanto andamos tão preocupados com um "dono disto tudo", temos de ter em conta que "donos disto tudo" não faltam e que são as nossas populações, neste caso no interior, que estão a pagar caro a existência destas máfias que por aí proliferam! O lugar como administrativo na Câmara Municipal ou na Misericórdia não deve comprar a cegueira de fechar os olhos ao que está errado! O medo - porque em muitas vilas e cidades do interior existe medo - não pode levar os cidadãos a ficarem calados perante estes factos! Porque na verdade, se tudo isto acontece, a culpa é integralmente nossa!

Autoria e outros dados (tags, etc)

Jobs for the Family!

por Robinson Kanes, em 01.04.19

 

hqdefault.jpg

Créditos: https://www.youtube.com/watch?v=i5nXkCIQbBQ

 

Nos últimos tempos muito se tem falado da autêntica família, ou famílias, que se reuniram nos comandos da nação portuguesa.

 

Se por um lado temos o escândalo que é o facto de um Governo (e consequentemente um país) ser gerido por um pequeno grupo de famílias - por sinal da mesma cor política - temos de atentar que não é só nessa instituição que tal acontece! É na administração pública, nas autarquias (um dos cancros do país tem aí uma das suas mais fortes metásteses, e onde imperam estas situações) e em muitos outros serviços públicos e com impacte público: só a título de exemplo, podemos falar da Cultura, Social/Solidariedade, Espetáculo e tantas outras áreas.

 

Temos de atentar também no outro tipo de famílias que vive agarrado ao erário público, nomeadamente a tradicional cunha, tráfico de influências e outros mecanismos imorais que permitem a amigos, parceiros de negócios ou meros pagamentos de favores chegarem a uma função na estrutura pública. Não é só a consanguinidade que reina! 

 

Na verdade, sobretudo no mundo do jornalismo, televisão, artes (essa área tão impoluta e tão liberal que afinal...) e até outras áreas, surgiu um sem número de vozes a contestar o ataque às relações familiares no Governo. Talvez porque se teme o efeito bola de neve e se comece a questionar o nepotismo subjacente a muitas delas - basta seguir apelidos e rapidamente lá chegaremos. Talvez porque, pela primeira vez no Portugal "moderno" possa ser ateado o rastilho que colocará a nú uma das causas principais de uma apatia  empresarial, cultural, social e política.

 

Um dos argumentos de muitos desses interessados foi também o de que, sendo alguém filho de um político/ministro porque é que não poderia chegar também a um cargo semelhante, como se fosse algo de uma grande injustiça.

 

O primeiro contra-argumento que aponto é o facto de que o "mundo não é perfeito"! Esta conjetura, sobretudo em investigação e no discurso mundano" de que tudo tem uma base de bem e funciona bem é absurda - meus caros, só quem vive na internet e não sai de casa concebe que tudo é claro, límpido e perfeito. Só quem não está dentro da política é que não tem noção (ou não quer ter) que a grande maioria dos concursos públicos tendo em vista a admissão de funcionários são autênticas fraudes!

 

O segundo argumento é o de que, não será mais fácil a um filho de um ministro ser também ministro? Não será mais fácil a filiação num partido trazer benefícios que de outro modo (por norma dotado de mais moralidade, ética e cumprimento das regras) nunca se teria? E podemos dizer que determinado indivíduo até tem um bom currículo e portanto... E portanto não é mais fácil ter um bom currículo quando provavelmente a entrada no mercado de trabalho e em determinados meios não foi facilitada pelo familiar/amigo "X"? Sempre que exaltamos a qualidade de um currículo temos de ter sempre um vector em conta: onde e como tudo começou! Só assim podemos aferir de que todos partiram da mesma posição.

 

Também é de estranhar que os defensores desta consanguinidade na administração do país são os mesmos que criticam o facto de o administrador "X" ser filho do administrador "Y" numa empresa privada e familiar!

 

Um paradoxo que dá que pensar. Um pouco como o discurso da esquerda quando fala da direita... Para quem possa não saber, uma das maiores ameaças (neste contexto) às empresas familiares nem são os administradores que nomeiam familiares mas aqueles que, sendo meros colaboradores sem ligação à família, recrutam família e amigos que são muitas vezes responsáveis pela existência de autênticas máfias no seio das empresas e um enorme entrave à produtividade e crescimento das mesmas.

 

Finalmente, ficamos também a perceber que a educação universal como meio de potencial emancipação dos indivíduos está ameaçada! As escolas de elite (e não sou critico das mesmas, bem pelo contrário), as juventudes partidárias, a descendência e determinados associativismos continuam a ser o garante de um bom futuro.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Pág. 2/2



Mais sobre mim

foto do autor




Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Sardinhas em Lata

Todas as Terças, aqui! https://sardinhasemlata.blogs.sapo.pt/

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D

Pesquisar

  Pesquisar no Blog


subscrever feeds




Mensagens







Copyrighted.com Registered & Protected 
CRD7-BFJD-IWHB-ZXDB