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Israel e um Estranho Paradoxo...

por Robinson Kanes, em 19.06.18

Admito que é extraordinário ver um país como Israel, a grande nação do judaísmo, a cometer erros históricos semelhantes àqueles de que foi sendo vítima ao longo dos séculos - o culminar foi o genocídio nazi, tão falado, talvez demais falado em detrimendo de outros genocídios perpetuados antes, durante e após.

 

Os últimos tempos, para além da construção de muros e vedações, tem mostrado uma hostilidade atroz por parte deste Estado face ao Estado Palestiniano que, obviamente, também não é isento de culpas. Todavia, o modo como são abatidos palestinianos por parte das forças israelitas é qualquer coisa para a qual o mundo e sobretudo as Nações Unidas não parecem estar muito interessadas em discutir, inclusive o seu Secretário-Geral, completamente inapto para o cargo que tem vindo a desempenhar - não basta o papel do bom cristão, de santo salvador que deixou um país à beira do abismo e uma demagogia obsoleta para mudar o mundo.

 

A agressão israelita tem sido tão forte que nem os mortos são poupados, e nos últimos anos, não são raros os casos em que polícia e forças militares israelitas invadem cemitérios e destroem túmulos, campas para construirem espaços de lazer para israelitas e quiçá acabarem com uma cultura e com um povo da face da terra - onde é que já vimos isso! O último foi e está a ser o cemitério de Bab Al-Rahma, onde estão os túmulos de Ubada ibn as-Samit e Shadad ibn Aus, dois próximos do profeta Maomé! Esta é uma prática constante, onde os bulldozers de Israel entram sem dó e arrasam em segundos estes espaços sagrados e que são a identidade cultural e religiosa de um povo - entretanto vão-se matando a tiro aqueles que defendem estes locais sagrados - tratados pela alta esfera israelita quase sempre como terroristas. Aliás, para muitos governantes e cidadãos israelitas não existem palestinianos mas sim terroristas - não é raro em entrevistas não existir sequer uma menção a estes indivíduos como palestinianos mas sim como terroristas perante a passividade de muitos jornalistas e responsáveis políticos.

 

É um discurso que ao longo de décadas tem ganho uma força que hoje em dia alguém que atira pedras a um soldado é visto como uma terrorista, mas um soldado que retira alguém que está em casa e mata só porque sim esse mesmo alguém em frente aos filhos é um agente de paz! Também nós colocamos a mão no gatilho ao continuar a permitir o perpetuar destes comportamentos.

 

É uma questão antiga, uma má gestão por parte do Ocidente, empenhado em resolver os expedientes da Segunda Guerra Mundial e do passado colonializador... Talvez por isso procure agir como uma avestruz... Entretanto, os terroristas vão morrendo enquanto o ódio, por culpa destes actos, vai sendo incentivado e, ao invés de estarmos a limpar um povo da face da Terra, talvez estejamos a contribuir para a criação de um povo de ódio... Um povo com ódio que será visto sempre como o principal culpado enquanto o outro lado, não menos sangreto mas mais poderoso e talvez inteligente na forma como gere a comunicação e a teia de influências, vai sendo tratado como vítima... Mesmo quando levanta muros, cria vedações e desrespeita culturas ancestrais, encarcerando o povo palestiniano num gueto - palavra que a muitos lembrará os anos 30 e 40 do século XX e não pelos melhores motivos.

 

Todo este processo deveria deixar-nos envergonhados, sobretudo aqueles que passaram por um genocídio, que a História, ou melhor, aqueles que escrevem a História, insistem em quase assinalar que foi o único.

 

(é importante recordar que tenho amigos de ambos os lados da barricada e tento sempre perceber um lado e o outro e não estou a fazer a apologia de uns em detrimento de outros).

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"My Dear Ribatejo"

por Robinson Kanes, em 16.06.18

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Fonte das Imagens: Própria.

 

 

Em tempos, muito falei aqui do Ribatejo e da minha paixão por aquelas terras que me acolheram. O Ribatejo fez parte da minha infância, parte da minha adolescência e, no fundo, da minha idade adulta. Olho para o Ribatejo como aquela terra que sempre me acolheu bem, mesmo não tendo nascido na lezíria, na charneca ou abençoado pelas águas do Tejo quando ainda o doce não é invadido pelo salgado do oceano.

 

Nestes dias em que abordamos a selecção e os impactes na identidade nacional, eu retorno ao que é uma região onde ainda se sente o que é ser português e talvez, mais que isso, mediterrânico. É aí que estão os verdadeiros portugueses também, onde ainda encontramos campinos nos campos (e não é só no sentido de atracção turística, bem pelo contrário) e o ar tem um sabor especial, mesmo quando carregado daquele calor que nos obriga a refugiar sob a telha de uma pequena taberna enquanto cheiramos o vinho bafejado pelos ares do Tejo.

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 Nos campos vemos sempre os seus habitantes, o gado, as aves e aqueles que trabalham desde longos tempos sempre com um espírito de sacrifício único e com um sorriso no rosto. Muitos ainda a remeterem-nos para a literatura de Redol e das vidas duras que estão associados ao trabalho no campo. Mas também as festas e as celebrações dão um ânimo peculiar ao Ribatejo, seja num arraial na Ascensão da Chamusca, seja num qualquer tasco "mal frequentado" em Alcochete!

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Percorrer o Ribatejo é, talvez, percorrer um dos lugares da Terra onde Natureza e Homem vivem numa simbiose quase perfeita, onde tudo se une, onde ritos e aspectos naturais ancestrais convivem em harmonia. 

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Olhar os olhos do gado nas pastagens é outro espectáculo único. Aí podemos passar horas debaixo de uma árvore a escutar o sons daquelas terras mas também a sentir o caminhar dos pesados animais que se alimentam nesta terra fértil. Arrisquemos em levar uma manta, comida e com sorta talvez tenhamos uma bela companhia para almoçar, só temos de apreciar o ruminar, lentamente e olhar o horizonte, por vezes a perder de vista e imaignar: "my dear Ribatejo".

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Créditos: https://lengstorf.com/remote-work-everyone-wins/ 

 

 

Para algumas chefias, um empregado a trabalhar a partir de casa é um risco para a organização: é um preguiçoso que não quer vir trabalhar, um verdadeiro baldas. Mas também é um reflexo de uma certa tacanhez provinciana do "se eu cá estou tu também tens que estar".

 

De facto, não sou defensor do trabalho sempre a partir de casa, é fundamental criar uma interacção humana fundamental para o exercício de qualquer profissão e até para o bem-estar. Além disso, existindo (porque nem sempre existe), o espaço físico da organização acaba por ser uma parte da identidade e da cultura da mesma. 

 

No entanto, e é por aqui que me parece oportuno iniciar, surgem várias mais-valias quando é possível (e reforço, quando possível) estar em home-office ou até em remote. Extraordinariamente o espírito de equipa é mais desenvolvido e mais bem trabalhado. Estranho, não é? Afastamos as pessoas e elas começam a trabalhar melhor! Trabalham melhor a comunicação, sentem-se mais ligadas umas com as outras no sentido de alcançar um objectivo comum onde cada um desempenha um papel fundamental. Por incrível que pareça é mais fácil alguém em remote estar mais ligado aos seus pares do que se trabalhasse lado a lado com estes. Até as reuniões via "Skype" ou "WebEx" se tornam mais produtivas e muito mais reduzidas em tempo.

E convenhamos, acabam-se muitos problemas, nomeadamente o gossip, os ódios, a competição desmedida e que em nada abona o trabalho quando em equipa. É também claro que esta minha afirmação não se aplica a todos os contextos, aliás, quando acima mencionei a questão da identidade e cultura não foi por acaso. Existem ainda culturas onde o gossip é mal visto e por isso não se aplica essa variável - em culturas do sul da Europa além de ser tolerado é altamente alimentado por muitos quadros médios e respectivas chefias.

 

Outra questão que se coloca é a produtividade. Quando estamos sempre num local rodeados de pessoas e de elementos distractores a nossa produtividade tende a baixar - de repente somos atirados para reuniões com as quais não contávamos, temos de ajudar alguém (muitas vezes porque esse alguém não quer fazer o seu trabalho), temos de atender o telefone do colega, temos de ouvir o fim de semana banal do colega num Turismo Rural e um sem número de distracções que nos limitam. Poderia ir mais longe a ainda mencionar que não são raras as vezes em que muitos colaboradores apenas estão no local de trabalho e trabalham mais horas porque sim!

 

Também não são raras as situações em que assistimos a colaboradores que cumprem o horário mas com uma alta taxa de produtividade e que sofrem na pele o facto de não serem desleixados e não se comportarem como aqueles que saiem tarde (mas não chegam cedo) ou simplesmente fazem horas e mais horas sem ninguém entender bem o porquê! Recordo-me de, em tempos, e já com a madrugada a fazer-se anunciar, de estar a trabalhar com uma colega de uma outra empresa que recebeu via Wattsapp uma mensagem da chefia que partilhava com todos os colaboradores a seguinte mensagem: "é assim mesmo, tudo a bulir!". Segundo a mesma, era sempre assim e nunca com palavras de incentivo - denotem que essas equipas já estavam a trabalhar num rol de dias seguidos e nem com meia dúzia de horas de sono diárias. Perguntei-lhe porque é que não ía descansar, até porque tudo estava feito e era gente a mais para o que já havia a fazer, respondeu-me que não ficava bem!

 

Estranho pensarmos que a distância melhora a produtividade. Se por um lado é bom, pelo outro dá que pensar. Trabalho nos dois contextos e considero que o misto é fundamental.

 

 

 

 

 

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Em Sitges... Entre o Mar e um Café...

por Robinson Kanes, em 08.06.18

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Fonte Imagens: Própria. 

 

 

Conheci sempre Sitges fora da época de Verão, o que me transporta para uma experiência mais genuína, até porque esta pequena cidade chega a ser apelidada da Saint Tropez da Catalunha. Contudo, nada é mais errado, pois quem já esteve em ambas as localizações vai perceber que as diferenças são muitas e cada espaço tem as suas peculariedades. 

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Sitges é sempre o meu retiro de Barcelona. Rapidamente acessível de comboio pela estação de Passeig de Gràcia (Barcelona Sants ou Estació de França também são opção) é sem dúvida uma cidade para tranquilamente percorrer as pequenas ruelas, parar numa qualquer pastelaria e sentir a brisa do mar que se torna mais intensa quando apertada pelos edifícios que ladeiam as estreitas ruas. Admito que um dos melhores momentos aquando da minha vida em Barcelona era o pequeno-almoço em Sitges. Sair cedo de Ausiàs March, apanhar o comboio, atravessar o Garraf e em Sitges apreciar uma manhã com gente simpática e com o mar ali como companheiro era sem dúvida um momento soberbo.

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Sitges é também daquelas cidades pequenas onde as estações de caminho-de-ferro têm vida e onde o quotidiano se sente a pulsar nessas tão importantes ágoras. No Verão, a cidade enche-se de turistas e talvez muita da sua magia se perca, no entanto, mesmo em meses mais "tristes" como Novembro, as pessoas são gentis e a simpatia e alegria do povo espanhol é evidente em cada conversa. Além disso, nos meses de Inverno conseguem-se autênticos dias de Verão que enchem as ruas, sobretudo ao fim de semana, na costa desde Castelldefels até Tarragona.

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Bem perto de Barcelona, é uma cidade com uma intensa actividade cultural, onde se destacam o Festival de Cinema, o  Carnaval e as "noches sitgeanas". Mas Sitges é muitos mais, é o estilo mediterrânico bem presente na arquitectura, nas varandas, nas pessoas, na brisa marítima, nos sons que ecoam e por aquele cheiro único que nenhum fragrância consegue igualar. O património é uma das suas imagens de marca e isto acontece sem ter necessidade de possuir grandes monumentos. Aqui o "small is beautiful" tem uma das suas mais maiores exaltações.

IMG_2528.jpgOutra das coisas que não se pode dispensar em Sitges é a caminhada junto ao mar... Aliás, o banho no mar é altamente recomendável. Aqui as cores do Mediterrâneo também não deixam ninguém indiferente e o todo o pitoresco do horizonte contagia-nos de uma forma que não nos faz querer voltar a Barcelona.

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O que podemos dizer mais desta cidade? Sentemo-nos num qualquer banco de jardim diante do mar... Temos o pequeno-almoço  tomado, o café (como tem de ser), o sol a tocar-nos no rosto e um sem número de aromas que nos limpam os pulmões... Será que é preciso dizer mais alguma coisa? Pois bem, esperemos pela noite e vamos de "copas". À noite a cidade não se transforma, não deixa que lhe tirem a identidade e é isso que também a torna mais interessante para quem aprecia ficar até de madrugada a aproveitar aquilo que só as cidades espanholas (e Argentinas) podem oferecer.

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Já vai ficando tarde e é preciso voltar a apanhar o comboio. É possível que hoje a noite ainda não tenha acabado, é preciso passar em Cornellà de Llobregat... Até lá, vamos discutindo porque é que Sitges é tão especial e merece o seu destaque lado a lado com Saint Tropez, até porque entre uma e outra cidade, dificil é escolher.

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Bom fim de semana... 

 

 

 

 

 

 

 

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"Playlist" para uma Madrugada...

por Robinson Kanes, em 05.06.18

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Fonte Imagem: GC 

 

 

Ultimamente a condução noctura e madrugadora tem feito parte da minha vida... As saídas tardias atiram-me para uma necessidade de escape mesmo que entre o asfalto e o conforto dos estofos. Tenho aproveitado, sobretudo, para ouvir algumas músicas que vão compondo a minha playlist ao longo dos anos e assim podendo também partilhar um pouco do que vou sendo por aqui, posto que não é propriamente a minha imagem de marca... 

 

Este Sábado, e já passava das três da manhã, uma marginal junto ao mar e a Lisa Ekdahl a adivinhar o início de um novo dia com o seu "Daybreak". É uma música de amor, mas tem o seu quê de boa disposição, que nos faz mexer no banco do carro, na cadeira ou até de pé no escritório ou seja lá onde for, além disso... Música simples, mas apaixonante e que nos carrega baterias na madrugada rumo a um novo dia ou a um novo beijo ou abraço.

E como estamos numa onda de vozes femininas que podem preencher os bons momentos de uma madrugada não poderia deixar uma descoberta já com o seu tempo... Falo de Sophie Milman e "Something in the Air Between Us". É impossível resistir ao amor e ao romance, mas afinal, é isso que nos pode esperar quando a cacimba nos afronta o vidro do carro e nos obriga a um esforço extra de condução até um destino em que o ar está recheado de sentimentos de paixão.

Uma das minhas músicas de eleição dentro do registo "Oceano Pacífico" teria de ter destaque numa madrugada ao volante: Cutting Crew e "I've Been in Love Before". Não vivi propriamente os anos 80 como o viveram muitos, até porque nasci em meados dessa década, no entanto, tenho de reconhecer que acabaram por fazer parte da minha vida. Foi uma espécie de últimos anos de boa música - a prova disso é o impacte que ainda hoje têm face a "êxitos" actuais que são facilmente esquecidos. No entanto, quando temos irmãs que têm idade para serem nossas mães, acontece que possamos ser muito influenciados pelos gostos das mesmas. Não conheci esta música nos anos 80 e muito menos nos anos 90, no entanto é uma daquelas que nos faz dançar na sala, entre um Rosso e um Bianco ou então enquanto preparamos o jantar com quem gostamos. Presença obrigatória cá por casa.

Outra das músicas que obrigatoriamente devem preencher uma madrugada é "My Valentine" de Paul McCartney. Ouvi esta música pela primeira vez ainda não tinha saído, ouvi-a por acaso perto de Bath e nunca mais me largou e obrigou à compra de um brilhante disco de McCartney, "Kisses on the Bottom". Quando pensamos que este senhor já não nos pode surpreender aí está mais uma grande música! Tenho uma tendência para descobrir sempre os novos lançamentos de McCartney fora do país, um dos últimos foi em Berlim. Mais uma que não deixa de tocar por estas bandas... Influências do amor, quiçá...

Uma madrugada ou até uma noite tranquila, ou onde os pensamentos dominam o nosso espírito, ou onde até um bom momento com quem amamos tem lugar não pode ficar completa sem "Hold On My Heart" dos Genesis! Do albúm "We Can't Dance" é sem dúvida um dos hinos à música! É a sonoridade ideal para acompanhar a luz dos faróis entre curvas e rectas até ao destino que nos acolhe. De deitar na cama ou até de sentar no sofá após o regresso e permitir, ainda com a melodia nos ouvidos, que possamos deixar que a nossa mente ande por aí a vaguear num turbilhão de emoções e pensamentos enquanto o corpo relaxa.

Diana Krall e "The Look of Love", mais um albúm que habita cá em casa. A música, a voz de Diana Krall e tudo o resto dispensam palavras... Desde sempre uma presença obrigatória no carro, em casa e onde quer que esteja! Palavras para quê, simplesmente brilhante.

Regresso aos anos 80 para mais um albúm que tem presença cá em casa, sobretudo com a música "Everybody Wants to Rule The World". Conhecida sobretudo pelo seu ritmo e sonoridade, a letra desta música dos Tears For Fears permite-nos retirar um pouco mais de sumo daquilo que nos é apresentado.

It's my own desire
It's my own remorse
Help me to decide
Help me make the most Of freedom and of pleasure
Nothing ever lasts forever
Everybody wants to rule the world

É uma daquelas músicas que nos atira para a frente, que nos fazer erguer a cabeça e nos acompanha em qualquer viagem... Seja nesta madrugada ao volante ou então nessa viagem bem mais curta... Sim, bem mais curta que é a vida.

Outro dos meus cantores e músicos preferidos, aliás, com todos os albúns presentes na sala, é Peter Cincotti. Devo esta descoberta à "alemã" que trouxe até mim este senhor. Foi sem dúvida uma das melhores descobertas no mundo da música, pelo menos para mim. Optei por escolher uma que também me acompanhou esta madrugada, embora possa enumerar um sem número de músicas que me apaixonam - "Madeline" do albúm "Metropolis". Poucos hoje em dia conseguem conjugar a autoria, composição, interpretação instrumental e vocal como Cincotti. Sem dúvida um músico a acompanhar.

Não sou propriamente o maior simpatizante dos The Cult, mas não me é permitido não gostar de "Painted On My Heart". Foi banda sonora do filme "Gone in 60 Seconds" e embora o filme não seja propriamente brilhante, a música é qualquer coisa. Mais uma daquelas que se gosta e, talvez nesta madrugada, apesar da cacimba, convidasse a apertar um pouco mais o acelerador. Eu sei que não é o melhor conselho, mas quem nunca prevaricou que atire a primeira pedra...

Finalmente, e já com o lar bem perto, seleccionei Dave Matthews Band. É talvez daquelas bandas que é giro gostar-se, no entanto existem aqueles que, como eu, e perdoem-me a sobranceria, gostam, apaixonam-se e não mais conseguem largar este contágio. Conheci a banda com a música que apresento aqui: "The Space Between". Dave Matthews Band surgiu numa fase algo estranha da minha vida - não posso dizer que foi boa ou má, foi estranha e não terá sido no mau sentido, deduzo... São épocas em que conhecemos tantas pessoas, sobretudo mais velhas que nós, e que aprendemos tanto que chega a ser complexo fazer uma gestão de toda essa carga de vida que existe à nossa volta... Uma espécie de retalhos de diferentes vidas que observamos - quando ainda nós não temos a nossa vida propriamente definida, se é que algum dia a temos. Chamem-lhe maturidade, vivência, experiência ou simplesmente palermice... Mas é assim...

 

 

 

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A Democracia dos Derrotados...

por Robinson Kanes, em 04.06.18

 

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 Créditos: http://www.polyp.org.uk/corporate-rule_cartoons/cartoons_about_corporaterule_and_democracy.html

 

 

 

Vou tentar abordar este tema como o cidadão comum, como aquele que não quer pensar a política como um todo mas como um mecanismo que tem em vista o bem geral do país e se preocupa com o dia-a-dia do mesmo e prefere não pensar num outro tipo de manobras.

 

As moda das "geringonças" tem levado a algo estranho na história da Humanidade, nomeadamente, a escrita dessa mesma História pelos perdedores e não pelos vencedores. A diferença é pouca, um pouco como o comunismo vs fascismo onde se utilizam diferentes palavras para descrever a mesma vontade, o segredo é contestar o outro e abonar o nosso.

 

Até podemos dizer que, apesar de tudo, existe uma maioria e que portanto representa a maioria dos cidadãos. Mas voltamos ao cerne da questão: será que é assim tão democrático puxar o tapete a um candidato ou partido vencedor e substituir o mesmo por um candidato ou partido derrotado? Será que essa defesa, por muitos, de que essa maioria tem o aval dos cidadãos é assim tão realista? Até porque, alguém os consultou em relação a essa matéria? Uma coisa são as coligações entre um partido vencedor e outros partidos tendo em vista uma maioria parlamentar, outra coisa é não olhar a meios para, face a um derrota eleitoral, atacar o poder.

 

É preciso ter em conta que não são raras as situações em que para chegarmos a esses consensos os intervenientes vendem a alma ao diabo e abdicam em muito daquilo que foram as suas grandes lutas partidárias, ideológicas e de encontro aos interesses daqueles que neles votaram. Será que, mesmo que com uma minoria parlamentar, temos legitimidade para deixar cair um Governo mas, mais grave que isso, substituir o mesmo por um outro que não foi democraticamente eleito? Não confudir esta afirmação com legalmente eleito... Existem algumas diferenças entre o que é legal e o que é democrático.

 

Exemplos não faltam... Quem viu o "Podemos" na data da sua fundação e o vê agora? Quem viu o Bloco de Esquerda há menos de meia dúzia de anos e o vê agora? Pergunto muitas vezes se esse movimento ainda existe para lá de meia dúzia de artigos de opinião que são um hino ao paradoxo. Não os tenho visto em parte alguma e tenho a ideia de que estamos a viver a repetição nacional do que acontece em Lisboa, primeiro com o "Zé" que rapidamente desapareceu do mapa com o cargo de Vereador e se passou a chamar Engenheiro José Sá Fernandes, ou então com Ricardo Robles que, com um semblante de militante do CDS, também se tornou uma espécie de militante do PS com uma inclinação especial para Fernando Medina. É interessante ver como estes débeis não tiveram coragem de ser justos, e como nos disse Rabindranath Tagore, escapam ao dever de ser justos e tentam obter resultados rápidos pelas vias abreviadas da injustiça. Aqueles que tanto criticavam, inclusive as políticas do PS e de José Sócrates são os mesmos que agora, incondicionalmente, apoiam um copy-paste do seu Governo e de muitas políticas similares ou até mais agressivas para os cidadãos.

 

Pergunto também pelo PCP e pelas constantes afirmações de que se está contra tudo o que um Governo faz, mas continua a garantir a presença desse mesmo Governo no poder? Não chega apenas pagar almoços com dinheiros camarários e não só a idosos e pensionistas antes das eleições... Que o diga Bernardino Soares, em Loures...

 

E entre tudo isto, onde se encontra a maioria de indivíduos que acreditava nestes partidos quando defendiam a redução dos combustíveis, a redução dos impostos, um melhor combate aos incêndios, mais investimento em educação e saúde, mais isto e mais aquilo... Será que essa maioria se identifica com o status quo?

 

Em Espanha, esta semana, Pedro Sánchez tomou posse como Primeiro-Ministro, apesar das constantes derrotas e até de, internamente, nem sempre ser visto como a opção mais credível... Mas ele aí está com 84 deputados face aos 137 que venceram as eleições. Vamos ver como será gerida a questão da Catalunha e como resistirá o "Podemos", agora que Pablo Iglesias e a esposa, dois cidadãos simples e humildes, mas também dois assalariados de luxo do mesmo movimento, têm de pagar a casa de 600 mil euros em Madrid.

 

Claramente estas coisas são mais complexas, no entanto, no quotidiano, é com estas interrogações que nos deparamos.

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