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Mais uma sexta-feira... mais um tempo para um balanço do ano... mais um tempo para encontrar formas de conseguir algo sem ter de ceder à facilidade... mas um tempo de ir contra tudo e contra todos... mesmo quando o todo, ou quase todo, me diz que é melhor deixar cair os meus valores em prol de um facilitismo bacoco...

 

Mas como é sexta-feira e só tenho de limpar a sala e o quarto... afinal não... também tenho roupa para passar a ferro... hum... 

 

Isso pede música... pede algo que me ajude a enfrentar o fim de semana, algo que me faça pensar... afinal ainda existo. Sinto que a banda sonora para o ritual de pegar no ferro e fazer-me aos vincos como se não existisse amanhã, tendo em conta o dia de hoje, tem de ser algo mais alegre, contudo não menos introspectivo. Não vou pela música clássica, hoje prometo que vos poupo a isso. Escolhi uma banda interessante, com influências judaicas, que interpreta algumas músicas em língua hebraica e com grande influência dos balcãs. O mix de instrumentos e um ritmo interessante, fazem-me escolher "Refugee"... talvez porque a temática dos refugiados não é nova, talvez por continuar a estar na ordem do dia é que deveria ser uma novidade e... porque os dois discos que tenho deste grupo foram caríssimos e demoraram imenso tempo a adquirir.

 

I'll show you,
That all our fates are so entwined.
Don't lose your faith in humankind.
Just don't forget my state of mind
Is fragile.

 

Together,
We can enjoy the taste of dignity.
As long as you believe in me,
I'll show you my reality,
I've seen a few.

(um pequeno aperitivo)

 

E um filme? É sexta-feira, chove... nada como um bom filme sem pipocas e sem crianças, adolescentes e adultos a fazerem barulho na sala... somente um Pastor Alemão a ressonar e o calor da presença humana no lar. Vou escolher o "La Stanza del Figlio", ou melhor, "O Quarto do Filho" que tem como actor principal o próprio realizador do filme, o conhecido Nanni Moretti. No meio de tanta superficialidade, penso que este poderá ser o filme ideal para uma sexta-feira à noite, contudo, preparem-se para que não seja a mais alegre.

 

Algumas cenas pesadas e uma representação fantástica de Moretti. Um filme devastador que coloca a família de um psicólogo (que acha ter resposta para tudo) perante um dilema que não será fácil de superar... a surpresa surgirá com uma carta de amor, mas isso deixo para aqueles que quiserem ver este filme de 2001, vencedor do Festival de Veneza.  Desta vez vou vê-lo em italiano, por isso desejem-me sorte. Esqueci-me! A banda sonora é do Nicola Piovani (lembram-se do "A Vida é Bela"?), mas desse compositor falarei outro dia.

 

E como a chuva está aí, andem à chuva e molhem-se, eu já tive a minha dose às sete da manhã com um cão enorme e peludo que não se apoquentou muito com o estado do tempo...

 

Deixo-vos os Oi Va Voi e uma cena do filme de Moretti... bom fim de semana...

 

Fonte da imagem: Própria

 

 

Oi Va Voi - Refugee

 

"La Stanza del Figlio" com algumas das cenas...

 

 

 

 

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Quando as Minorias São a Maioria...

por Robinson Kanes, em 02.03.17

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Juan José Gárate Clavero , O Banquete Interrompido (Museu Carmen Thyssen)

 

Dizia Lenine que as minorias têm sempre razão. Penso que tal figura histórica se regozijaria imenso com alguns episódios a que assistimos actualmente. Ontem, num jantar realizado entre amigos, não consegui fugir ao tema e dei comigo numa conversa sobre comentários em redes sociais. O que me faz escrever este artigo, no dia de hoje, está relacionado com o facto de até já existirem queixas de uma associação que dá pelo de SOS Racismo.

 

Coloco uma questão: dizer que “pretos” e “gays” ganham óscares é crime? Não elogio o modo em como o comentário foi feito, de facto, mas é motivo para tanto alarido? Que faria a associação SOS Racismo numa estação de caminhos-de-ferro alemã onde indivíduos, por norma, não alemães, são abordados pela “Polizei” de uma forma menos amistosa e são convidados a mostrar a identificação? Teria espaço para tanta acção? E quando é perfeitamente normal ir numa carruagem na República Checa e só ao indivíduo turco ser solicitada a identificação? E eu nem tenho aspecto de eslavo...

 

Que diria a associação SOS Racismo pelo facto de eu ter pedido a indivíduos de raça negra (poderia ser qualquer outra) alguma contenção, numa situação de clara violação da lei e ter sido ofendido com as palavras “não ouçam esse C... ele é branco”? Será que posso apresentar uma queixa por racismo com o apoio desta associação? Se sim, seria interessante perceber os trâmites, mas é claro, o meu caso não seria mediático. Em jeito de nota, a maioria dos indivíduos presentes nessa situação moderou o comportamento e até pediu desculpa aos “lesados”.

 

Sinto-me confortável para falar sobre estas matérias, tenho amigos pretos, brancos, amarelos, árabes, judeus, chineses, cor-de-rosa, azuis, gays, heterossexuais e com eles já trabalhei, apoiei e fui apoiado. Em relação a pretos, árabes, judeus, gays e tantos outros já partilhei muitas experiências e até uma mesa e muitos abraços.... pelo que, poupem-me ao politicamente correcto.

 

O que temo hoje em dia, é na transformação que se faz de episódios sem dimensão em autênticos crimes contra a humanidade! O que temo hoje em dia é uma ditadura das redes sociais e do politicamente correcto onde a maioria que expressar a sua opinião rapidamente é exterminada pela minoria “coitadinha”. Se há uma coisa que o genocídio no Ruanda nos ensinou é que, se protegemos demasiado uma minoria e, quando as bases dessa protecção falham, vamos ter uma grande revolta da maioria.

 

Porque é que se dá importância a um fadista (que nem é brilhante) e ninguém se revolta contra os impostos não cobrados e que estão em offshores? Porque não se dá importância aos preços proibitivos dos combustíveis? Porque é que não se questiona que um interveniente nas negociações da TAP (ao serviço do Governo e "pro bono", lembram-se?) aquando da privatização seja agora indicado para um alto cargo nessa mesma instituição?  Porque é que se faz a apologia de políticos que se venderam por um bilhete para um jogo de futebol? Perde-se demasiado tempo neste país de comadres a falar do que não interessa, a atirar chavões que depois não têm conteúdo, mas quando o assunto é o bem comum...

 

Para mim são todos cidadãos, iguais perante a lei, independentemente das orientações sexuais ou da raça e acredito que se a nossa Constituição fosse olhada como o deveria ser, e não somente para reivindicar direitos de alguns sobre a asfixia de outros, talvez muitas associações deixassem de ser necessárias. Mas quem invoca a Constituição são sobretudo os cidadãos e é a inoperância prática destes que provoca estes conflitos.

 

Encerro com uma citação de uma publicação extremamente actual e que nos pode fazer reflectir,  o "Regresso ao Admirável Mundo Novo" de Aldous Huxley - aqui numa fase mais triste e desencantada face ao "Admirável Mundo Novo - e que dizia que  "a liberdade é um grande bem, a tolerância uma grande virtude e a arregimentação uma grande infelicidade"... 

 

Fonte da Imagem: Própria.

 

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Depois da conquista de Málaga pelos cristãos, os combates sucederam-se com inúmeras vitórias e derrotas de um lado e de outro. No final, o saldo posítivo do lado cristão foi notório.

 

Um dos momentos mais decisivos deu-se com a conquista de Baza (só aqui morreram cerca de 20 000 mil soldados cristãos), onde a ousadia do Rei Fernando II e o apoio da Rainha Católica aos exércitos foram fundamentais para a conquista desta importante cidade e consequente rendição do Zagal que se encontrava acantonado em Guadix. Daí, o Zagal oferecia resistência quer a Granada (onde reinava Boabdil), quer a Castela e Aragão.

 

Todavia, e perante a queda da imbatível Baza, a rendição do Zagal deu-se sobretudo pela influência de Cidy Yahye que, derrotado em Baza, e mais tarde convertido ao cristianismo, pediu a este que olhasse para o estado do reino e não permitisse o prolongamento de mais mortes e desespero. A capitulação e a entrega dos territórios das Alpujarras até Almeria viria assim a ter lugar, ficando o Zagal com o pequeno (e humilhante) reino de Andarax.

 

Boabdil, ao saber de tão boa nova no Palácio de Alhambra, regozijou-se de tal forma que viria a encetar uma saída triunfal por Granada, contudo, isso não viria a acontecer pois o povo encontrava-se revoltado e entendia estes actos como uma traição. Boabdil foi obrigado a recolher ao Alhambra e a encetar negociações com o rei de Castela e Aragão mas... essas negociações viriam a acabar de modo hostil, e com uma promessa do lado cristão de continuar com a guerra até Granada.IMG_6047.JPG

 

Uma nota para o facto Fernando II, temendo uma revolta em grande escala nas montanhas da Serra Nevada (são famosas as Revoltas das Alpujarras) e em Almeria, praticamente ter forçado o Zagal a exilar-se em África. Tal, viria a acontecer meses mais tarde e, ao ser recebido pelo rei de Fez (seu antigo vassalo), o Zagal foi enviado para as masmorras e condenado à cegueira, pois o primeiro, considerava que as desgraças de Granada a este se deviam. O Zagal viria a encontrar comida e vestes somente em Vélez de la Gomera, onde o rei, seu antigo aliado, o acolheu e lhe permitiu um fim de vida em paz, contudo, não menos humilhante.

 

Não será difícil imaginar o tormento do Zagal, que tudo deu para a defesa da sua religião, da sua cultura e das suas posses. Não será também difícil imaginar o desgosto e a angústia deste, solitário e com o seu parco exército, isolado nas montanhas da Serra Nevada. O branco da neve, contudo, não quis o Zagal, ver manchado de sangue. O branco da neve que cobre as montanhas de Granada até ao Mediterrâneo ficou intacto, no entanto, todo o sangue derramado até então, desde Zahara até Baza, havia sido em vão. O Zagal morreu humilhado, mas cego... uma cegueira que não lhe permitiria ver mais atentados ao seu reino de Granada e, consequentemente, a sua destruição.

 

Fonta das Imagens: Própria.

 

Para quem só agora chegou...

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/aben-hacen-e-zahara-17518

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/el-zegri-e-ronda-18287

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/salobrena-e-a-morte-de-aben-hacen-19240

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/cordoba-o-quartel-general-cristao-19524

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/malaga-o-inicio-das-hostilidades-20973

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/malaga-o-desastre-e-a-capitulacao-21257

 

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