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Fonte da Imagem:https://www.newsbreak.ng/wp-content/uploads/2016/07/Cristiano-Ronaldo-Airport-main.jpg

 

Hoje era dia de escrever sobre o fim de semana. Contudo, não posso deixar passar em claro, até porque temo ser detido caso não aborde o tema, a questão que mais preocupa os portugueses e que é:

 

Os offshores?

Os casos de corrupção em vários sectores da sociedade, inclusive até naqueles que andam sempre a mendigar apoios?

O Montepio ou a Caixa Geral de Depósitos com certeza?

A dívida pública que teima em não parar de aumentar?

A manipulação da sociedade portuguesa pelos media?

 

Não! O nome do Aeroporto da Madeira. O Aeroporto da Madeira tem gerado um buzz (excelente palavra) na medida em que se vai tornar mais... fashion (outra excelente palavra). O “novo” aeroporto vai ser “adquirido” pela CR7, o primeiro aeroporto público, embora concessionado, a ter um nome de uma marca associada a “luxo”. Ainda vou ver a Gucci, a Hugo Boss, ou até a C&A e porque não a Primark a terem o seu próprio aeroporto. Porque não? Aeroporto Primark só para Low Cost! CR7 é uma marca comercial, parece que nos esquecemos disso... os do costume também vão boicotar a promiscuídade com o poder político?

 

Ao que sei, até o Presidente da República vai inaugurar o espaço, mas... o Aeroporto da Madeira não existe há anos? Porque é que vamos gastar mais uns milhares de euros de fundos públicos para inaugurar um aeroporto que já funciona há mais de 60 anos? Perdoem a crítica ao Pop President mas ainda guardo rancor por não me pagarem, como outros fizeram, para dizer bem de políticos num blog. Ainda vou ver a marca MRS4 a ser vendida em lojas portuguesas de recordações turísticas, pelo menos marketing não lhe irá faltar. Por vezes tenho a sensação de que vivo num país como os que são satirizados em filmes de autor de leste...

 

Mas eu até concordo, afinal chamar João Gonçalves Zarco a um aeroporto de uma ilha descoberta pelo próprio é no mínimo... descontextualizado, ninguém sabe quem era este senhor. Ninguém sabe quem era este senhor e ninguém sabe quem foi Gago Coutinho ou até Sacadura Cabral... eu digo-vos, foram jogadores de futebol do União da Madeira. Mas... a Madeira é Cristiano Ronaldo, Portugal é Cristiano Ronaldo, por isso... nada como homenagear em vida alguém que é admirado, não pelo futebol que pratica, mas pela riqueza que acumulou em tão pouco tempo e somente a jogar futebol. Ganhasse Cristiano Ronaldo mil euros por mês e gostaria de ver se era admirado... mesmo a praticar um bom futebol.

 

Mas de facto, concordo com o nome e com a chancela de MRS4 para esta nova denominação, afinal Munique tem o aeroporto Franz Joseff Strauss, Veneza o Marco Polo, Lyon o Saint-Exupéry, Madrid o Adolfo Suárez, Granada o Garcia Lorca, Nova Iorque o JFK e até Budapeste tem o Ferenc Lizt (Franz Liszt).

 

Também concordo que o conhecimento histórico dos portugueses ou é fraco ou então reconhecer aqueles que fizeram alguma coisa pelo país é algo que não é muito comum... sabem que o Aeroporto até tem nome? Chama-se Santa Catarina.

 

Permitam-me que deixe uma sugestão: eu acredito piamente que o Aeroporto de Porto Santo deveria ser chamado de Aeroporto Internacional Santa Dolores.

 

Finalmente, também acredito que alguns dirão: “mas o nome de Ronaldo está em todo o lado e quando se fala de Portugal é o Ronaldo que vem à tona”... pois vem, e é isso mesmo que me deixa infeliz. Porque quando se fala de Espanha, é todo um povo que é recordado, quando se fala da Alemanha, são séculos de história e toda uma indústria que é recordada, quando se fala em França são todas as políticas e inovações sociais que são recordadas, quando se fala na Irlanda (um país no mesmo patamar de Portugal) é a inovação e crescimento que saltam à vista e até... quando se fala na Grécia, é todo um passado glorioso que vem à nossa memória.

 

Bom fim de semana... 

 

P.S: E se querem engalanar o Aeroporto da Madeira, tratem de homenagear aqueles 131 indivíduos que perderam a vida em 1977 no voo TP425.

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À Conversa Com o Zagal na Sala dos Embaixadores...

por Robinson Kanes, em 16.03.17

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Fonte das Imagens: Própria 

 

Está a ser difícil sair dos pátios do Alhambra e continuar a história. Desta vez fui empurrado para uma conversa com o Zagal. Lembram-se da luta e do empenho desta personagem na defesa do Reino de Granada?

 

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Numa ausência de Boabdil, fui recebido pelo Zagal na Sala dos Embaixadores do Alhambra, mais propriamente no conjunto que hoje se denomina de Palácios Nasrid. Admito que me senti bastante respeitado, sobretudo porque tinha diante de mim um bravo guerreiro sempre fiel à sua cultura e... ser recebido na Sala dos Embaixadores não era para qualquer um.

 

Mas antes de entrar na sala, onde este respeitável guerreiro me esperava, dei comigo a passar pelo Pátio de Comares ou Patio dos Arrayanes - a água, a mármore, o verde, característica tão muçulmanas – perguntei ao soldado que me acompanhava se podia lavar a cara naquele espelho de água lindíssimo antes de me encontrar com o Zagal. Após um gesto de assentimento por parte daquele fiel guardião de Granada, deixei que a água me lavasse o rosto e me contaminasse com a magia daquele espaço. Cheguei a questionar-me se os meus olhos estariam suficientemente lavados e preparados para o que ainda iria ver... ergui a cabeça e vislumbrei a Torre de Comares (a mais alta do complexo, com 45m, e que alberga a Sala dos Embaixadores), e caminhei em direcção ao Zagal.

 

Após de ter sido recebido por este, confessou-me, enquanto estávamos sentados, que havia sido fundamental para o reino a expulsão de Abén Hacen e da respectiva família para Salobreña. Informou-me de que o reino precisava de sangue novo para combater o poderoso exército de Castela e Abén Hacen já nada podia fazer, inclusive até por culpa da tensão que grassava na cidade.

 

Admito que escutava com atenção o Zagal, mas os meus olhos passavam pela arte e engenho que permitiram que a maior sala

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do Palácio de Comares e de todo o Alhambra fosse tão bela... afinal encontrava-me na sala das grandes recepções, uma espécie de sala do trono. Interessante que nesta sala a luz é reduzida, somente entrando por pequenos orifícios e frestas que lhe dão um certo ar de recato, de sobriedade e até de temor. Aqui desvendamos o interior da Torre de Comares e ficamos apaixonados. Respira-se história, as grandes decisões, pelo menos as mais formais, passaram por aqui. Centenas de anos de reino aqui encerrados e as almas dos diferentes governantes a pairar em cada feixe de luz que ilumina, parcamente a sala. Resolvi não desvendar o futuro ao Zagal e de como a sua alma não tardaria também a pairar sobre aquele espaço.

 

O Zagal, "raposa velha" como era, percebendo a minha admiração e espanto, bem como algum desinteresse pela sua exposição, resolveu brindar-me com uma surpresa, uma surpresa que abordarei em breve...

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 Todavia, já é altura desta aventura ter uma banda sonora, pelo que abaixo encontram talvez, a mais perfeita de todas... Os "Recuerdos de la Alhambra" de Francisco Tárrega e cuja composição, terminada em Granada, data de 1896. Esta versão é interpretada por um Andaluz, como não poderia deixar de ser, o "malagueño Pepe Romero! Não é difícil deixarmo-nos envolver por este espaço, pela história de Granada, pela aventura da reconquista ao som de cada acorde...

 

Para os recém-chegados a esta aventura:

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/aben-hacen-e-zahara-17518

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/el-zegri-e-ronda-18287

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/salobrena-e-a-morte-de-aben-hacen-19240

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/cordoba-o-quartel-general-cristao-19524

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/malaga-o-inicio-das-hostilidades-20973

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/malaga-o-desastre-e-a-capitulacao-21257

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/da-serra-nevada-e-das-alpujarras-se-22619

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/granada-cada-vez-mais-perto-23369

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/o-alcazaba-do-alhambra-e-a-inspiracao-24720

 

 

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O Mundo Envia-nos Lixo e Nós Damos-lhe Música!

por Robinson Kanes, em 15.03.17

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Fonte das Imagens: Orquesta de Reciclados de Cateura

 

No seguimento de um artigo muito interessante que tive oportunidade de ler (http://quimeraseutopias.blogs.sapo.pt/do-lixo-para-a-boca-38578) e que me chocou profundamente, aproveito esta minha exposição, não só para divulgar o mesmo – posto que a comunicação social em Portugal prefere virar o foco para o futebol e para o fútil – mas também para abordar uma iniciativa que é um verdadeiro exemplo de como se pode sair do lixo... ainda tive esperança de ver aquele artigo em destaque...

 

Cateura, no Paraguai, é a maior lixeira daquele país, aliás, é considerada uma zona inabitável face à degradação que aí se encontra e ao elevadíssimo risco de cheia. Inabitável... mas local de residência para 2500 famílias!

 

0c2f2c_e5e7546a109849b6bc0b23b206f01add.jpgFoi entre esta degradação que um indivíduo encontrou uma forma de criar valor acrescentado... valor acrescentado numa lixeira. Começou por fazer instrumentos com o próprio lixo e o resultado foi que um grupo de crianças completamente esquecidas pela sociedade se transformaram em artistas e deram origem à “Landfil Harmonic” ou, menos sonante mas mais genuíno, a “Orquesta de Reciclados de Cateura”.

 

O lema da orquestra é algo extraordinário e ao mesmo tempo provocador: “O Mundo envia-nos lixo e nós damos-lhe música”. Num só projecto temos uma lição ambiental, uma lição educacional e uma lição social. Do atelier, porque existe um atelier, saem todos os instrumentos feitos à base de... lixo... são esses instrumentos que vão acompanhando um grupo de crianças na sua educação e viagens pelo mundo, crianças perdidas e entregues a uma sorte que... de sorte tem pouco.

 

Lembro-me de ter partilhado esta temática com muita gente (sobretudo da área social e ambiental em Portugal) que, simplesmente, olhou para mim com um desprezo tal que me fez pensar onde estaria a lixeira... se em Cateura, se numa mentalidade triste e tacanha que habita na cabeça de muitos portugueses que se orgulham de ter dado mundos ao Mundo, mas cuja cabeça e visão não vai além do seu pequeno quintal.

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Todo este projecto começou sem apoios do Estado, afinal falamos de pobreza em Portugal, mas não sabemos realmente o que é ser pobre. Hoje, além de vários prémios (inclusive para um documentário) e apoios de vários mecenas esta orquestra é um verdadeiro sucesso. Mas há países onde alguns indivíduos, que se dizem homens e mulheres de terreno, ou os apóstolos da felicidade, cujo suícidio é iminente se ficam sem o relógio de marca, se riem e exclamam: “instrumentos de lixo, que estupidez!”.

 

Talvez a música que nos chegue desta orquestra possa inspirar muitos que andam por aí, numa lixeira diária... e se esquecem que... mesmo com talas nos olhos, cavalos e burros caminham em frente... talvez a inspiração possa vir do texto de Agustina em “Fanny Owen” porque muito provavelmente “ as grandes obras nascem assim: dum sujo porto, entre fezes e urina”.

 

Um pequeno vídeo, resumo da "Orquesta de Reciclados de Cateura"

 

 

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Caritas et Lucrum.

por Robinson Kanes, em 14.03.17

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Hieronymus Bosch, Cristo Coroado com Espinhos (National Gallery)

Fonte da Imagem: Própria

 

Recentemente chegou-me aos ouvidos que a Cáritas Diocesana de Lisboa se encontrava sob investigação do Ministério Público por práticas de corrupção. E eu pergunto, na área social é só a Cáritas? É um começo. Contudo, até a acusação estar formalizada vamos partir do principio que não existe dolo. Procurei algumas notícias mais, mas confesso que não encontrei muitas...

 

No entanto, é admissível que uma instituição solidária (seja ela qual for, pois existem outras bem mais “lucrativas”) tenha lucros na ordem dos 110 000 euros? Que eu me recorde, sempre que menciono o contexto de empresa social geradora de lucros sou linchado em praça pública - mas afinal elas estão aí - não se pode é falar em empresa social que isso é legalizar e dar regras a uma prática totalmente desregulada e repleta de contrariedades. Não se deve também confundir lucros, com dividendos e muito menos com excedentes, pois aí a questão é outra. Lucros numa instituição não lucrativa é, no mínimo, paradoxal. Quero acreditar que foi gralha jornalística.

 

Todavia, como é que uma instituição com um património imobiliário de milhões, altos donativos e dependente de uma instituição cuja riqueza é das maiores do planeta ainda recebe subsídios estatais?

 

A Cáritas Lisboa apresenta mais lucros que um sem número de organizações empresariais em Portugal, organizações essas que além de gerarem riqueza ainda pagam um maior número de impostos e outras tantas taxas. Aproveitando este exemplo, não é altura do Governo Português através dos Ministérios competentes, olhar para estas instituições de outra forma? Como é possível que a Autoridade Tributária aplique multas de milhares de euros por uma empresa se atrasar um minuto a efectuar um pagamento e depois o Ministério da Solidariedade e Segurança Social distribua muitos outros milhares por estas instituições? E onde estão os estudos em Social Return on Investment (SROI)? Existem instituições que fogem desta temática e, recorrendo a um dito bem oportunista, como o Diabo da Cruz.

 

E se o Governo Português promovesse a Responsabilidade Social Corporativa nas organizações empresarias, criando, aí sim, incentivos para que muitas vezes não estivéssemos somente com manobras de “marketing” e a verdadeira génese do conceito fosse eficientemente implementada... sem espinhos?

 

Começo a pensar que a máxima de Robin dos Bosques começa a ficar desactualizada e que afinal andamos a tirar aos pobres para dar aos ricos que tendem a não promover a venda de canas de pesca aos pobres, porque é mais rentável dar-lhes o peixe.

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 Fonte das Imagens: Própria

 

A história do Alhambra como um todo é simples. O que hoje vemos de tão belo complexo começou a ser construído com base numa pequena fortaleza no século IX. Todavia, como espaço de reis, vida e intrigas só começou a ser utilizado por Muhammad Ibn Al-Ahmar (Muhammad I) em 1237. Até lá era no Albaicin, a colina em frente deste espaço, que se encontrava o comando do Reino de Granada. Esta mudança levou a um afastamento do povo e ao início das já habituais intrigas palacianas, aliás, o neto de Muhammad I, Muhammad III viria a ser traído e morto em 1308 depois de erguer a Mesquita do Alhambra.

 

Esta questão das intrigas e das tomadas de poder não é nova... aliás, já tinha referido que estes conflitos levaram a que Granada pudesse cair mais facilmente nas mãos dos cristãos.

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É fácil imaginar Aben Hácen do alto do Alcazaba na Torre de la Vela (a mais alta do complexo), mesmo no monte de Sabika, a interrogar-se sobre o que haviam sentido os seus antepassados no século IX... um sentimento de construção e defesa do reino, de espalhar a sua fé e de garantir a permanência do califado por terras da Península Ibérica. Terá sido esse um dos motivos que o inspirou a atacar Zahara e que tão graves consequências trouxe para aquele reino? Nunca saberemos. Saberemos apenas, a versão “oficial” de que alguém iria desembainhar primeiro a espada e que, ao invés dos Reis Católicos, foi Aben Hácen quem o fez.

 

Terá Aben Hácen, depois de percorrer o complexo trapezoidal do Alcazaba, procurado inspiração na Torre del Homenaje onde Muhammad I aí estabeleceu os seus aposentos? Terão conversado, através dos séculos, sobre o que seria melhor para o reino enquanto o verde dos campos granadinos os incitava com a esperança de um amplo e pacificado território sobre domínio muçulmano?IMG_6487.JPG

 

O que terá pensado Aben Hácen? Os passos que deu pela barbacã do Alcazaba até à Torre de Vela... que lhe disseram os ares que vagueiam pelas torres daquele complexo? Que mensagens daí advieram? Que pensou ao contemplar também o Albaicin e ao olhar, de longe o seu povo? O seu povo que séculos antes também ali habitou numa comunidade castrense dentro daquelas mesmas muralhas?

 

O resultado de tais pensamentos viria a eclodir com a conquista de Zahara de la Sierra e a provocar as peripécias que tenho vindo a abordar.

 

Os ventos dos campos granadinos ainda hoje se encontram com a aragem fria da Serra Nevada e encetam um diálogo que ecoa pelas diferentes torres do Alcazaba do Alhambra... talvez ao escutar esses diálogos, bem agasalhados, possamos encontrar resposta para as questões que ainda se levantam.

 

Para os recém-chegados a esta aventura:

 

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/aben-hacen-e-zahara-17518

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/el-zegri-e-ronda-18287

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/salobrena-e-a-morte-de-aben-hacen-19240

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/cordoba-o-quartel-general-cristao-19524

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/malaga-o-inicio-das-hostilidades-20973

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/malaga-o-desastre-e-a-capitulacao-21257

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/da-serra-nevada-e-das-alpujarras-se-22619

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/granada-cada-vez-mais-perto-23369

 

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 Fonte da Imagem: Própria

 

Hoje, ao ver este sol radioso, deu-me imensa saudade de Espanha. Mas não de toda a Espanha, isso seria demais para uma manhã...

 

Deu-me uma saudade de percorrer a estrada de Segóvia até Ávila, de como é fantástico percorrer as intermináveis estradas que percorrem a Comunidad de Madrid e Castilla y León e de nos perdermos nos secos campos daquela zona de Espanha.

 

A saída ao fim da tarde de Segóvia e a chegada ao anoitecer a Ávila são das coisas mais fantásticas que se podem experienciar. Se Hemingway, tão apaixonado por Espanha, escreveu “As Verdes Colinas de África” pois bem que poderia ter escrito os “Secos Campos de Espanha”.

 

O fim de tarde com cores mediterrânicas, numa conjugação entre o sol de África e o calor da terra espanhola, o halo que esse sol de outro continente abre e permite presentear todos aqueles tão vastos campos com uma luz e fantasmas ancestrais... fazem-nos retornar a tempos antigos, de crenças e costumes, de tradições e identidades multiculturais.

 

Passar por uma “Yeguada” (éguada), parar o carro na berma da estrada e correr lado a lado com as éguas junto à vedação. A crina das éguas e dos cavalos ao vento enquanto correm é dos espectáculos mais bonitos que estes filhos do vento nos permitem vivenciar. Soltos de rédeas, só eles e os campos e... nós. Na Yeguada La Perla ainda encontramos um pouco de Portugal e podemos encostar a nossa cabeça ao cavalo mais dócil que alguma vez poderemos conhecer, o Puro Sangue Lusitano.

 

Deixamos para trás as Yeguadas e a estrada infinita.. em Zarzuela del Monte ainda nos é permitido olhar pelo retrovisor e apreciar a Serra de Guadarrama, bem ao longe, mas imponente e tão importante na história e na geografia do país.

 

A banda sonora que mais saudades me traz nestas aventuras teria de vir dos arredores de Madrid, de Aranjuez e das mãos de Joaquín Rodrigo . Para mim é uma obra-prima da música mundial e que permite tão facilmente conhecer a cultura e “el calor” espanhol logo a partir do primeiro compasso. Não assobiá-la em Espanha é considerado crime...

 

Falo do “Concerto de Aranjuez” escrito em 1939 (em Paris) já no final da Guerra Civil Espanhola. Se por sons for possível descrever a sangrenta guerra de irmãos e o cataclismo que se avizinhava na Europa este é sem dúvida o melhor documento. Escutem o Adagio e digam-me se não é verdade...

 

A história deste concerto, contudo é outra, mas a isso voltarei... afinal é das poucas composições que me consegue provocar um infinito número de sentimentos e emoções.

 

Por ora, vou fechar os olhos e tentar beber um pouco desse sol que me será trazido do outro lado da fronteira... por ora focarei os meus olhos naquele alcatrão imenso... por ora contemplarei o olhar querençoso de um cavalo... por ora deixar-me-ei envolver nos acordes de uma guitarra espanhola...

 

Hoje, poque vem aí o fim de semana, não sugiro um filme. Mas... como é de Espanha que falamos, nada como ler a "Esperança" de André Malraux, um "relato" profundo sobre a Guerra Civil de Espanha e onde me ficou, entre outros, este diálogo: "May ouça; não são precisos nove meses, são precisos cinquenta anos para fazer um homem, cinquenta anos de sacrifícios, de vontade de... de tantas coisas! E quando esse homem está feito, quando nada há mais nele da infância, nem da adolescência, quando verdadeiramente, ele é um homem, nada mais resta senão morrer".

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O "Concerto de Aranjuez", não consigo escolher somente uma parte do mesmo porque todo ele é sublime, mas o Adagio referido é a partir do minuto 5:15. Narciso Yepes, como não poderia deixar de ser. Quem gostar de Paco de Lucía também terá bastantes videos na internet.

 

 

 

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Mulheres…Mas Pouco...

por Robinson Kanes, em 09.03.17

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José Clemente Orozco,  O Martírio de Santo Estevão (Museus do Vaticano)

 

 

A maior parte dos reis que a História celebra nunca foram educados para reinar.

Jean-Jacques Rousseau, in o Contrato Social

 

Estive ontem, como convidado, numa actividade de recursos humanos centrada no "Dia da Mulher".

 

Estaria tudo bem, até aproximar-se de nós uma senhora que reclamava pelo simples facto dos responsáveis da respectiva organização estarem a sortear algumas prendas e não oferecerem um presente a cada uma das colaboradoras. Nada transcendente, no entanto, e confesso que até tenho uma grande simpatia pela organização (uma multinacional) em causa, entendo que as organizações têm as suas limitações pelo que, mais vale pouco que nada. E reforço, continuo a ter uma grande simpatia pela mesma organização, inclusive pelo CEO, mas não em Portugal.

 

O problema surge quando a “queixa” avançou, até porque se estava num clima que se pode apelidar de “boa onda” e a pobre da senhora afirmou: “somos mulheres, somos iguais”. Do ponto de vista da retórica e da afirmação de um direito a mesma passou com distinção... todavia, do ponto de vista da humanidade, alguém iria a cometer um verdadeiro genocídio... e já vão perceber o porquê do uso deste conceito.

 

Considero-me uma pessoa pragmática e com uma frieza germânica quando toca a tomar decisões difíceis... tive uma fase da vida em que cheguei a questionar alguma dessa frieza, mas nada me preparou para o que ainda vou vendo e ouvindo por parte de indivíduos que se dizem civilizados, que são portugueses, que são ilustrados e em modo Sociedade 9.0 e afins... o típico somos todos muito para a frente no Facebook e nas publicações que escrevem por nós, mas...

 

Face ao argumento da senhora em causa, a resposta da “Responsável” de Recursos Humanos (com um cargo de manager, portanto nem estamos a falar de directores) foi um “calma lá, não somos iguais que eu sou directora e você trabalha nas operações, não somos nada iguais, se alguém merece alguma coisa mais até sou eu”.

 

Pior? Só estamos em Dachau, já vamos a Treblinka. Na mesma celebração, fui abordado por uma pessoa com um cargo na mesma organização que me informou que alguém (manager) se havia recusado a integrar uma acção de formação como formanda porque não tinha nada que aprender com ninguém e muito menos com uma pessoa que acabou de chegar à organização. Nessa acção de formação, o Director para Portugal e dois membros do Conselho Executivo (fora do país) foram os primeiros a aceitar. Em jeito formal, acrescento: "mais se informa que as duas senhoras não têm sequer know-how na área em que desenvolvem trabalho".

 

Foram duas situações a mais para um só dia... lamentavelmente, pessoas jovens, mas com mais de 20 anos de casa, que sempre trabalharam no mesmo local e sem quaisquer qualificações para a tarefa... assumirem esta atitude narcisista e totalmente desumana com outros colaboradores (não sirvas a quem serviu, não peças a quem pediu, já diz o Povo) é deplorável e seria motivo de despedimento em todas as organizações por onde já passei. Para mim a resposta é simples: insegurança. Todavia, a insegurança não pode, nem deve, ser o bode expiatório para as maiores atrocidades e para o perpetuar de um sentimento de impunidade.

 

Nestas alturas, é-me fácil perceber como é que crianças judias (não só na Alemanha) de um dia para o outro viram os seus amigos de sempre a arremessarem pedras na sua direcção. É-me muito fácil perceber como é que Hutus foram capazes de matar familiares e amigos Tutsis de uma hora para a outra. É-me fácil perceber como é que Sérvios, Croatas e Bósnios deixaram de se abraçar num dia e se começaram a matar no outro.

 

 

Optei por sair, há situações com as quais recuso pactuar, mesmo como convidado. Chegado a casa, escutando uma Cantata de Bach, respondi a uma SMS recebida entretanto e afirmei que não era o ambiente no qual queria estar, pedindo as minhas desculpas e sugerindo passeios ao ar-livre, formações e psicólogos para que os envolvidos pudessem tomar consciência daquilo que tinham dito, mas pior que isso, daquilo que pensavam e pensam. Daqui aos exemplos que dei atrás, é um pequeníssimo passo, pois a diferença entre um indivíduo destes e um Rudolf Hess ou um Radovan Karadzic é que estes últimos tinham autoridade “legal” para o fazer.

 

Prometo que amanhã falo de coisas boas, mas não poderia deixar passar esta em claro, porque é falando dos erros que também aprendemos e não a construir frondosos palácios sob bases de papel, além de que, é estudando a fundo o problema que encontramos a solução. E afinal... era o "Dia da Mulher"...

 

Fonta da Imagem: Própria.

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Não Vou Falar de Mulheres!

por Robinson Kanes, em 08.03.17

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 Cartaz Alusivo à Mobilização na Segunda Guerra Mundial, London Imperial War Museum

Fonte da Imagem: Própria

Não vou falar de mulheres! 

 

Mas como não falar de mulheres? Na verdade, mais de metade dos meus seguidores são... mulheres.

 

Hoje é um dia especial para as senhoras e poupem-me aqueles jantares e euforias de emancipação em que vale tudo desde andar aos gritos num restaurante até apanhar uma valente "carraspana" só... porque é "Dia da Mulher". Tal não é celebrar a mulher, quando muito é celebrar a parvoíce que é comum a homens e mulheres.

 

Anda por aí o mote de uma greve, confesso que não acompanhei esse assunto, mas... greve de? Porque se é mulher? Eu diria que é mais uma espécie de jantar com comida, vinho e gritaria à mistura e com poucos efeitos práticos.

 

Não posso falar sobre o que é o "ser mulher", não o sou, quando muito sou um espectador. Lembro-me agora de uma iniciativa que está a ser feita numa fábrica deste país, em que uma mulher, contra o status quo do oferecer flores e afins, desenvolveu um projecto, baseado numa iniciativa das Nações Unidas, que visa a mobilização de todas as mulheres tendo em vista a melhoria da fábrica e para isso avançou com um conjunto de iniciativas que vão desde o debate de ideias até implementação das mesmas. E o foco, não assenta somente em cargos de chefia, mas em linhas de montagem, segurança e limpeza. Infelizmente, ou felizmente, essa mulher não é uma networker nem se expõe em redes sociais, diz a mesma que, o seu lugar  é com as suas pessoas e não tem tempo para trocar o trabalho e a responsabilidade por uma passerelle vazia de conteúdo. Aqui lhe deixo a minha homenagem!

 

Por fim, uma nota a propósito do "Dia da Mulher": tenho assistido a anúncios de iniciativas que visam a valorização e homenagem à mulher, no entanto, numa óptica de que as únicas mulheres de valor são aquelas que ocupam cargos de relevância, muitos deles atingidos sem qualquer mérito. Entre muitos casos, infelizmente, destaco o de um folheto de uma Câmara Municipal, a do Montijo, em que serão homenageadas somente as mulheres com cargos de direcção na respectiva instituição e também com cargos de coordenação em agrupamentos escolares... isto é pensar nas mulheres do concelho. 

 

Se é para homeagear, vamos homenagear todas as mulheres, desde a senhora da  limpeza que limpa a lama que as rodas da minha bicicleta deixa no chão - e ainda me sorri - até à senhora que lidera uma grande organização. No fundo... lá bem no fundo... as diferenças até são poucas. Pode ser que, no "Dia da Mulher", mulheres e homens, mais que seres distintos no sexo (sim, género é para palavras) sejam mais iguais no respeito, humanidade, trabalho e educação. Nós homens, sem elas, nesse campo, também não seremos nada.

 

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E o Dia da Bicharada?

por Robinson Kanes, em 07.03.17

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É o “Dia dos Namorados”, é o “Dia dos Pacotes de Açúcar Mascavado” (pois nem todos os cafés o servem e é preciso combater tamanho flagelo), é o “Dia das Calças de Cintura Descaída” e é até o “Dia do Não Sei o Quê Mas é Preciso Fazer Figura de Parvo e Encontrar Qualquer Coisa”.

 

Mas... alguém se lembrou, pelo menos em terras lusas, do “Dia Mundial da Vida Selvagem”? Algumas associações, mas pouco, uma iniciativa aqui e acolá e praticamente nada nos meios de comunicação. No dia 03 de Março devo ter falado com cerca de 100 pessoas e nenhuma tinha conhecimento! 

 

Eu acredito que este desconhecimento se deve ao facto de, no “Dia Mundial da Vida Selvagem” não se oferecerem casacos ou carteiras de pele. É natural que, até neste mundo dos blogs, não possam aparecer algumas senhoras e senhores a dizer que desejam aquele casaco espectacular de pele de Crocodilo do Nilo ou então um casaco bem fashion de Inverno feito de pele de foca. Além disso, tirar uma selfie e colocar a mesma online com artigos de marfim não deve ser propriamente uma forma simpática de arranjar seguidores.

 

Mas é verdade, no dia 03 de Março celebrou-se o “Dia Mundial da Vida Selvagem”! Poderia ter sido uma data interessante para questionar a Rota Migratória das Aves no Estuário do Tejo e como esta pode ficar tremendamente em risco com a construção do novo aeroporto. Aliás, o Sr. Michael O’Leary, CEO da Ryanair até já apresentou uma solução rápida e económica: cartuchos de shotgun. Acredito que este indivíduo está para as aves selvagens como Heydrich esteve para os Judeus e consequentemente para a Solução Final.

 

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 Escrevo com algum atraso, não por me ter esquecido, pois o facto de subscrever a Greenpeace na Argentina e algumas publicações das Nações Unidas lembrar-me-iam mesmo que não me recordasse. Escrevo agora, porque ainda quis aferir da divulgação deste dia em Portugal. Contudo, quer-me parecer que as eleições de um clube de futebol e o vernáculo e falta de nível adjacente são mais importantes e valorizados em Portugal que a descoberta de uma cura para a doença de Alzheimer ou até do Ébola. Ainda vou ver os portugueses totalmente a par da constituição dos orgãos sociais do Águias da Bobadela e alheios a uma  declaração de guerra por parte da Coreia do Norte ao Japão. Quando olharem para o céu pensarão, por certo, que o Inverno Nuclear virá de Almaraz...

 

Ainda vamos todos a tempo, e a primeira forma de começarmos a fazer alguma coisa é, por exemplo, protegermos as espécies que temos em Portugal que, mesmo no nosso dia-a-dia colocamos em risco. Eu, por exemplo, sou apaixonado pelo Lobo-Ibérico (costumo dizer que tenho um em casa, embora falsificado, pois fala alemão) e sempre que posso, mesmo informalmente tento alertar para a riqueza de tão nobre animal.

 

Eu sei que era mais interessante correr pelo Lobo Ibérico, até porque hoje em dia, se queremos ser solidários, fazemos uma corrida, aparecemos na TV e no Facebook como se fôssemos o Carlos Lopes e somos solidários por uma boa causa. Convém é que possamos aparecer nas fotos, que isto de correr sem mostrar a indumentária (solidária) e sorrir para a foto não é correr. Perdoem-me “running”, desculpem, não quis ofender ninguém... “running”...

 

Hoje é dia 07, eu sei, mas qualquer dia é bom para proteger e aprender com as “bichezas”, façam algo pela vida selvagem... eu se tiver tempo ainda vou andar de bicicleta... "cycling"... perdoem...

 

Sem ideias? A ONU dá-vos tudo, até para criarem o vosso evento: http://www.wildlifeday.org

 

Fonta das Imagens: Própria

Imagem 01: Cegonha Branca (Espécie Protegida)

Imagem 02: Lince Ibérico Embalsamado - Museu de História Natural e da Ciência - Lisboa

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Granada… Cada Vez Mais Perto...

por Robinson Kanes, em 06.03.17

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Com as hostilidades, novamente abertas, entre Granada e o Reino de Castelo e Aragão, as estratégias de um lado e outro também se foram aprimorando. Do lado cristão, o Rei Fernando II pediu contenção, pois continuar de imediato a guerra traria consequências nefastas para o país em termos económicos e de recursos, além de que, tomar Granada pela força poderia ser uma acção suicida. Já do lado mouro, sob o comando de Muza, ao serviço de Boabdil, preparava-se a cidade para uma grande batalha e faziam-se incursões por terras católicas como forma de mostrar capacidade de resposta e bravura face a eventuais ataques cristãos.

 

Estas incursões mouras levaram a que o Rei de Castela e Aragão incentivasse uma política de pilhagem e destruição de todos os campos, vilas e aldeias em torno de Granada. Salvo algumas escaramuças, as ordens do rei foram respeitadas na íntegra, pois lutar contra o inimigo mouro era demasiado arriscado na medida em que esta era destemido e conhecia aquelas terras como ninguém.

 

Segundo Agápida, Granada chegou a estar envolta num fumo que durou semanas, senão meses, a dissipar-se tal era o inferno ao redor da cidade.

 

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Já Boabdil, procurava no seu povo encontrar mais seguidores e foi nas Alpujarras e na Serra Nevada que encontrou um grande apoio, e que, aliás, lhe permitiu conquistar a fortaleza de Alhandín. Boabdil voltara a entrar vitorioso em Granada e novamente a fazer esquecer o rótulo do derrotado... o rótulo daquele que faria Granada cair. Boabdil chegou, inclusive, a conquistar cidades como Marchena que até então se encontravam nas mãos, do já anteriormente falado e convertido, Cidi Yahye. O ímpeto de Boabdil só viria a ser controlado aquando da tentativa de reconquistar Salobreña, onde o cerco montado por este foi reprimido por mar e terra pelo exército de Castela.

 


Com a vibração dos tambores da guerra a ecoar por Granada, a azáfama na cidade era imensa e mesmo, em momentos de alguma reflexão sobre a necessidade do combate, foi Muza que elevou a moral das tropas e do próprio rei. Diz Agápida, que se Muza tivesse entrado mais cedo na guerra, provavelmente o destino de Granada poderia ser outro. Muza era um guerreiro de actos, de poucas palavras e dispensava todos e quaisquer floreados numa estratégia de combate.

 

Granada era agora uma cidade preparada para a luta. Longe de ser a vistosa e resplandecente Granada de outros tempos... só o Alhambra entre a Serra Nevada e o Albayzín (Albaicin) ainda conservava a imponência e a fortaleza de outros tempos. 

 

Fonte das Imagens: Própria

 

Para os recém-chegados a esta aventura:

 

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/aben-hacen-e-zahara-17518

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/el-zegri-e-ronda-18287

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/salobrena-e-a-morte-de-aben-hacen-19240

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/cordoba-o-quartel-general-cristao-19524

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/malaga-o-inicio-das-hostilidades-20973

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/malaga-o-desastre-e-a-capitulacao-21257

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/da-serra-nevada-e-das-alpujarras-se-22619

 

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