Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]




 

WP_20170303_23_09_39_Pro.jpg

Autor: Anónimo. 

Fonte da Imagem: Própria.

Já muito se havia falado, aquando dos incêndios, que o Estado havia falhado e que não poderia garantir um dos seus pilares fundamentais: a defesa do seu território e dos seus habitantes. No entanto, ainda podíamos falar de Estado.

 

Por estes dias, os portugueses descobriram que afinal o Estado não existe, perceberam que são meros animais de quinta governados por porcos. As leis de financiamento dos partidos, que já não são uma questão nova (não são, nada disto é novo), continuam a ser actualizadas e a não ser esquecidas numa gaveta, ao contrário do que acontece com temas que envolvem a defesa, a segurança, a saúde e um outro sem número de interesses bem mais importantes para um Estado Democrático.

 

Muitas vezes, recordo alguém que abandonou a vida de deputado e disse que se os portugueses soubessem o que se fazia naqueles corredores e naquele hemiciclo, subiam as escadarias e incendiavam aquele espaço com os respectivos frequentadores habituais lá dentro.

 

As várias leis de financiamento e "encobrimento" das actividades partidárias têm sido um dos maiores crimes que são cometidos em Portugal. O legislar à porta fechada - muito democrático - o retirar conteúdos de actas - muito democrático também - é uma das provas cabais da falta de transparência destes processos. Neste aspecto toda a representação parlamentar é criminosa e espanta-me que os auto-intitulados partidos do povo e das minorias como o Partido Comunista e o Bloco de Esquerda sejam sempre os primeiros a consentir e a legitimar estas mesmas leis. Será que o povo para estes partidos são aqueles que têm cartões de militante? Discutir esta situação seria desvendar um dos maiores embustes da actividade partidária nacional... Outro embuste é discordar de uma lei mas votar a favor, sobretudo quando nos beneficia: Catarina Martins, só assinou aquilo que toda a gente sabe mas ainda ninguém do Bloco de Esquerda tinha sido claro a afirmar:o Bloco de Esquerda não é uma alternativa a nada, bem pelo contrário!

 

Os partidos, os deputados e muitos governantes, mostraram aos portugueses que o Estado Democrático não existe e que no fundo, dar liberdade para se falar é indiferente quando aqueles que defendem a transparência e as instituições democráticas não são ouvidos... A diferença entre não ser ouvido ou ser poribido de falar é ténue... Aliás, a primeira é mais eficiente, pois quando somos proibidos de falar, tendemos a quebrar a regra ou a fugir para terras mais seguras e aí continuar a fazer ouvir a nossa voz... Já quando podemos exercer a nossa liberdade de expressão mas ninguém nos ouve é mais fácil silenciar um povo e a contestação. 

 

Portugal substituiu uma ditadura por outra e com o consentimento de todos os cidadãos! Nesse aspecto, foi um golpe de mestre, pois se antes tinhamos cidadãos oprimidos e cuja repressão aumentava o desejo de revolta, hoje temos cidadãos que tranquilmente seguem na dança da morte quais figuras da "Danse Macabre" que decoram a igreja de Saint Orien em Meslay-le-Grenet, França. Um pequeno apontamento: de facto o 25 de Abril nem foi feito pelo povo mas sim por militares do quadro que, perante a escassez de milicianos, não quiseram colocar os pés em África e entregar-se a uma possível morte.

 

Portugal é o país onde alguém que à frente de uma instituição de solidariedade é destruído na praça pública, mas que protela a resolução dos problemas estruturais ao mais alto nível da governação e que aplaude a compra de 10% dos activos de um banco por parte da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa num negócio pouco claro e cujo poder político teima em não abordar. É o mesmo país que censura as finanças em Espanha por quererem prender um jogador de futebol português - pensando que anda por terras lusas e ainda goza com a autoridade - porque fugiu aos seus deveres como cidadão. É um país que se ergue e não descansa enquanto não vê o sangue de alguém que escreveu meia dúzia de alarvidades num acórdão mas não critica a sentença em si, a consequência do processo! Todavia, é um povo que aceita a corrupção numa governação que, apesar do que tira, distribuiu pequenas migalhas e procura estar em tudo qual Estado paternalista. 

 

É o país que consente que o cartão partidário se alimente do seu suor e do seu esforço.

 

Em Portugal, 2017, deveria ter sido um ano de mudança, não só pelos escândalos e por todas as tragédias que tiveram lugar, no entanto, temo que 2017 venha a ser o ano em que Portugal chegou à conclusão que o Estado Democrático não existe e que já não é o país que não se governa e não se deixa governar, mas sim o país de casca polida mas podre por dentro que aguarda com rasgado sorriso pelo colapso. Por norma, nestes países de gingões cujo labreguismo é disfarçado pelo show-off, a longo-prazo, estas coisas pagam-se caro...

 

Espero que 2018, finalmente, traga cidadãos... É o que mais falta faz... Feliz Ano Novo...

Autoria e outros dados (tags, etc)


Comentar:

CorretorEmoji

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.



Mais sobre mim

foto do autor





Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D

Pesquisar

  Pesquisar no Blog



subscrever feeds



Mensagens

Copyrighted.com Registered & Protected 
CRD7-BFJD-IWHB-ZXDB