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Parabéns Dr. Adolfo...

por Robinson Kanes, em 12.08.20

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Créditos: https://tamtampress.es/2016/08/09/la-galerna-publica-el-diario-del-portugues-miguel-torga/

 

 

Muitos parabéns,  Sr. Doutor... Hoje um dos grandes génios do século XX português e do Mundo faria 113 anos! A devida vénia! Perdoa-me Vergílio, mas hoje o dia tem de ser do Torga... Com o "Pico Cornón" à vista, não podia deixar passar esta data de um transmontano apaixonado pela montanha. Nunca mais esqueci o "Nora", bem como nunca mais deixei de pensar naquele perdigueiro...

 

Apesar da idade, não me acostumar à vida. Vivê-la até ao derradeiro suspiro de credo na boca. Sempre pela primeira vez, com a mesma apetência, o mesmo espanto, a mesma aflição. Não consentir que ela se banalize nos sentidos e no entendimento. Esquecer em cada poente o do dia anterior. Saborear os frutos do quotidiano sem ter o gosto deles na memória. Nascer todas as manhãs.

Miguel Torga, in "Diário XIV".

 

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Sardinhada com uma Balada do Pequeno Soldado

por Robinson Kanes, em 11.08.20

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Créditos: http://worldpolicy.org/2012/03/26/nicaragua-forlorn/

 

Hoje, no espaço habitual à terça-feira, estamos no "SardinhasSemLata"... Falamos de indígenas e de crianças-soldado. E também não precisamos de sardinhas para engolir... em seco. Estamos aqui.

 

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Ser Sexy, mas de Audi...

por Robinson Kanes, em 07.08.20

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Créditos: Audi Official Twitter

 

O sentido implica a proporção; os excessos pelo contrário, apenas causam dor e destruição.

Aristóteles, in "De Anima".

 

Os temas que vou abordar até poderiam não ter qualquer relevância, na sua essência não têm mesmo, pelo menos até terem consequências inesperadas e que ninguém consegue compreender a amplitude dos danos causados por uma toleima cada vez mais assustadora.

 

O "grande escândalo" dos últimos dias a nível internacional, além de percebermos que existe algures no Médio-Oriente um país que se chama Líbano e que nem por isso um acidente gerou grande consternação fora do meio político e diplomático, foi um anúncio da Audi. Seria totalmente uma parvoíce falar deste tema, reforço, não fosse a Audi retirar o anúncio e apresentar desculpas. Consigo perceber o que levou às desculpas, pois quando queremos vendas nem sempre podemos retaliar com a verdade dos factos e é preciso fazer aquilo a que se chama de "engolir e sapo" e tomar a atitude que mais facilmente retire a carga negativa da nossa acção o quanto antes dos media.

 

A imagem que dá cor a este artigo é o foco do conflito. Considero-me uma pessoa com uma imaginação fértil, demasiado fértil, mas ao ver os argumentos utilizados pelas "massas" e por alguns media começo a pensar que não faltam por aí indivíduos de bem, totalmente atentos aos direitos de todos mas que não passam de bons argumentistas e tarados! Aliás, ainda bem que se ficam pelas redes sociais, o problema é que já estão a sair de lá e a monopolizar o mundo. Portanto, a fotografia de uma criança em frente de um carro estacionado e sem condutor é vista como uma forma de incentivo à insegurança pois não permite que o condutor veja a mesma e exista um risco de atropelamento, e quiçá não vá o carro descair, uma afronta e um mau exemplo portanto!

 

Mas as mais inverosímil situação surge-nos quando se alega que a postura, a indumentária e o estar a comer uma banana sugerem algo de sexy na criança! Ainda bem que não escolheram uma negra, caso contrário, tinha sido o fim da  Audi! Aliás, os negros deste mundo estão proibidos de comer bananas! Qual é o problema de ter um look sexy? Nenhum! Mas só o sugerir a questão, de tal forma tão rebuscada dá que pensar se os defensores da moral não serão eles os mais anormais nesta sociedade. Ou então sou eu um Ser ingénuo que não vi nenhuma dessas coisas num anúncio! Dá que pensar... O surgimento desta fundamentalista sub-espécie de "Diacunus Remedi" coloca um grande desafio às marcas e à sociedade, sobretudo não pela importância que não têm mas que mesmo assim lhes é facultada.

 

Esta temática de direitos e moral vai ao encontro de um concurso da Nestlé - sendo que nesta situação a Nestlé não foi flexível, e bem - em que um sem número de pessoas alimentado pela fúria de uns pais de uma criança com uma deficiência, que não suportaram ver a sua filha perder um concurso, vilipendiaram uma das marcas desta multinacional acusando-a de discriminação. Foi a jogo como todos os outros e não ganhou! As regras do concurso foram escrupulosamente cumpridas, mas na onda do "tudo aquilo que é menor tem de ser maior" a marca viu-se debaixo de fogo. Passamos talvez por uma fase em que a moral se renova, no entanto em atraso face à melhor inteligência, seguindo um pouco a lógica dos comboios face aos horários dos mesmos sempre que os nevões obstruíam as linhas da Beira Baixa, como tão bem nos descreveu Ferreira de Castro.

 

Em qualquer um dos casos, ambas as marcas estiveram bem, no entanto, começamos a abrir precedentes que nos levam a pensar se não deveremos criar um movimento internacional em defesa do "gajo normal". Importa também, não esquecer, que muitas destas manifestações também foram alimentadas por algumas marcas e cujo preço começa agora a fazer-se sentir.

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Pelo Nariz do Mundo...

por Robinson Kanes, em 06.08.20

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Imagens: Robinson Kanes

 

 

Estamos em Moscoso, o distrito de Braga despede-se e ao longe já quase se avista o distrito de Vila Real e consequentemente Trás-os-Montes. A diferença paisagística é nula e não são raros os habitantes de Cabeceiras de Basto que já se sentem mais transmontanos que minhotos.

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Ficando a aldeia para trás, e também a conhecida Adega Regional, é hora de seguir caminho, um percurso clássico e com as clássicas Timberland - não são à prova de água, são mais pesadas, mas é outra atitude, é outra história e por estas terras os caminhos a isso se prestam.

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As barrosãs fazem parte da paisagem, seja pelos campos seja inclusive pelas estreitas estradas que percorrem aquela zona do concelho ou a principal que é a Estrada Municipal 1700 e que mais tarde nos guiará até à UZ seguindo-se umas bebidas bem frescas em Cavez. Cavez, conhecida por uma personagem da "Liga dos Últimos", mas também é  um ponto de paragem obrigatório antes de nos despedirmos de Cabeceiras de Basto e entrrarmos em Ribeira de Pena.

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Antes de deixarmos os trilhos, vamos apreciando as aves de presa até entrarmos no denso mato, e pode ser aqui que as coisas mais se podem complicar. Não há um caminho, pelo menos desta vez, e é aqui que o calçado "old school" ganha pontos ao mais moderno.

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Por estas bandas, como por outras paisagens, ou está frio de gelar ou um calor de  derreter, sofremos do segundo. Por sorte, a água ainda desce pelas serras, permite-nos lavar o rosto e até, em último caso, abastecer o cantil. Paramos, ouvir a água a percorrer os altos enquanto a passarada não cessa no seu chinfrim habitual, isto enquanto uma ave de presa voa pelos céus e assusta quem voa mais baixo. Não conseguimos identificar, está longe mas já se faz ouvir.

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A Serra da Cabreira é encantadora, a alemã é por ela apaixonada e por ela se deixa levar. Queremos chegar a uma posição onde podemos ver a cascata e o Monte Farinha, mais conhecido pela Senhora da Graça. Um pico enorme num vale rodeado de grandes montanhas e com o Alvão a mostrar o melhor de si. Está longe de ser um dos pontos mais altos de Portugal, mas a sua localização, a sua elevação, tornam-no num monumento natural único no nosso país.

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Ficamos por aí, com a cascata lá em baixo, com a Senhora da Graça ao longe e deixamo-nos farejar por esse nariz, esse grande nariz que é do mundo não sem antes receber em troca os aromas da Cabreira. Percebo também porque é que pontualmente me custa tanto correr os dez quilómetros de ida e volta que me levam de Leiradas a Cavez. É sempre a subir... Será que é a alma do bruxo que me dá força?

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Olhamos tudo à nossa volta e percebemos que talvez estejamos no centro do Mundo, rodeados pelo Gerês e pelo Alvão. Sente-se o cheiro do verde de Amarante a chegar do lado de Mondim, bem servido numa caneca e muito fresco e já se começam a pensar nos 100 quilómetros (ida e volta) que ligam a Estação do Arco de Baúlhe à Estação de Amarante...

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Terras do Baixo-Tâmega a chamarem por nós, terras únicas que já absorvem os ares do Douro, terras de boa gente, terras onde facilmente nos apaixonamos...

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Sardinha com Vírus!

por Robinson Kanes, em 04.08.20

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Peter Paul Rubens  - "A Queda dos Condenados" - Pormenor (Alte Pinakothek)

Imagem: Robinson Kanes

 

Hoje, na nossa presença habitual de terça-feira no SardinhasSemLata, falámos do quão boa a pandemia tem sido para todos nós! Pode parecer estranho, mas todos os males do Mundo acabaram e só ficou um, um vírus e alguns hypes para encher jornais e dar a ideia de que somos todos activistas e não inúteis que só trabalham e usufruem da vida. Passem por lá e comam uma sardinha contaminada, basta ir aqui!

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Imagens: Robinson Kanes

 

 

Faz-me favas com chouriço... O meu prato favorito... Quando chego para jantar... Quase nem acredito! Poderia ser a música de José Cid, mas não. Desta feita o Robinson foi à fava e sacou um belo entrecosto com favas, mentira, foi mesmo a alemã. A carne de porco não é uma das presenças mais habituais cá em casa, não obstante, um belo entrecosto bem temperado e uma favas, quem resiste? A receita também não é das mais complexas e acompanhada, mais uma vez, por uma Moretti, é de chorar por mais... Aprecio bastante a Nastro Azurro é mais difícil de encontrar por cá, embora em Santa Maria da Feira exista um distribuidor.

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Para os que defendem que beber cerveja é coisa que não vai bem que um petisco destes, junto um pouco de atitude e nobreza ao prato e carrego com um "Pacheca". Um tinto de 2017 a trazer-nos de volta ao Douro. E o Douro, o que dizer...

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E agora entro em mais um momento old school e sendo um apaixonado pelo Mediterrâneo e por Espanha, não posso deixar de me recordar de um dos maiores êxitos de Joan Manuel Serrat, "Mediterráneo". É música de velho, mas tendo em conta o que se ouve hoje. A propósito, Lena D'Água é a artista feminina do ano... Pronto, lá se vai o entrecosto pela goela acima. Como é que é possível que... Em Portugal o "choradinho", a família e os amigos nos locais certos fazem milagres. E convenhamos, um milagre de todo o tamanho, acho que nem Nossa Senhora foi capaz de atingir tão elevado grau de complexidade.

E antes que um cavalheiro me venha chamar burguês, passem num cinema e vejam o novo filme do sempre brilhante Elia Sulleiman "It Must be Heaven" ou como é conhecido por cá, "O Paraíso, provavelmente". Confesso que adorei este filme premiado em Cannes e onde me ri e fiquei a pensar... Em como lá, como cá, ficamos a pensar no que realmente muda. Top! Será o mundo realmente uma Palestina como disse o realizador?

Finalmente um livro... "A Lã e a Neve" de Ferreira de Castro. Os recentes incêndios na Covilhã despertaram-me para a memória deste livro. Tendo uma mãe beirã, entendo o que significa e  amargura-me ver como a serra vai ardendo... Tempos difíceis os relatados no livro onde a esperança alterna com o desencanto.

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E para pensarmos... Sobretudo tendo em conta os tempos actuais e um episódio em particular relacionado com bancos, uma frase de Manuel Vilas, um dos melhores da Espanha actual, que pode ser lida na sua obra "Ordesa": E quem é o Estado? É uma sobreposição amarelecida de vontades cansadas, que já não pensam, que pensaram há muitas décadas,  e que a preguiça,  que é a mãe da inteligência , perpetua.

 

Bom fim-de-semana,

 

P.S.: as mulheres de Braga "têêm" charme, aproveitem e levem uma às "Frigideiras do Cantinho"... Apesar da simpatia, pago-as sempre pelo que, a sugestão é baseada apenas no meu bom gosto, vá... Mesmo congeladas e depois aquecidas, ui...

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O que aprendi nos últimos seis meses...

Por Mami...

por Robinson Kanes, em 30.07.20

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Tiziano Vecellio - Retrato de Settimia Jacovacci (Szépművészeti Múzeum)

Imagem: Robinson Kanes  (imagem da exclusiva responsabilidade do autor do espaço)

 

Os meus últimos seis meses foram anómalos; foram-no para toda a humanidade, sei-o bem.

 

Quiçá esta é uma das poucas vezes em que, enquanto pessoas, num mesmo momento histórico, vivemos preocupações tão semelhantes.

 

Claro que uns somos mais próximos do que outros, quer pelas nossas condições económicas, quer pelas nossas convicções morais. este facto aproxima-nos ou distancia-nos na forma de viver esta nova realidade mundial.

 

O meu filho nasceu no início da pandemia. sai para a maternidade em “liberdade”, regressei a casa em confinamento. não vou fingir que foi um horror, não foi. estar em casa com os meus dois tesouros e com o meu companheiro – que habitualmente está fora em trabalho-, foi bom, foi reconfortante, foi até apaziguador nos tempo que vivíamos. não havia preocupações de emprego - temos uma situação estável e ele estava em teletrabalho. inquietava-nos o isolamento da família alargada, a vontade de estar “nos braços da minha mãe”, de lhe apresentar o neto, de ouvir a casa cheia com os meus sobrinhos e a minha princesa a correr por todo lado.

 

Havia e há uma preocupação latente por não saber o quanto tempo durará a situação.

 

Sai de casa pela primeira vez, para ir às compras, no início do mês de junho. senti-me como uma criança pequena abandonada no bosque. sentia perigo em todo lado, estava nervosa, sentia-me a sufocar. saí apressada, não comprei metade do que estava na lista e comprometi todo o processo de “higienização”. estava confinada, por opção, há demasiado tempo.

 

Começo a trabalhar dentro de quinze dias. daqui a trinta, o meu filho vai para a creche e a minha filha para o pré-escolar. e, se por um lado, sinto que temos de assumir a nova realidade em que vivemos, por outro, sinto-me num filme de ficção científica em que o que me apetece é ficar com a vida “adormecida” até esta invasão passar.

 

Regressando à questão que hoje me trouxe a este poiso “o que aprendi nos últimos seis meses” tenho de confessar que nada aprendi, desculpem a falta de poesia ou dramatismo. posso, com falsa modéstia, assumir que reiterei o que há muito descobri: não vale a pena planear muito a nossa vida, criar expectativas ou sofrer por antecipação. a vida surpreende-nos sempre!

 

Nota: lembrei-me agora, aprendi a fazer pão!

 

Mami

 

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(Anti)Racismo (em)na Baixa...

por Robinson Kanes, em 29.07.20

iStock-1221333903.jpgCréditos: https://www.ies.be/content/covid-19-amplifier-racism-and-inequalities

 

Seriam cerca das quatro da tarde e eis que devorava o meu almoço, um belo prego e um sumo de laranja, coisa saudável e mesmo a condizer com a boa forma (não!)  e um dia de trabalho que teimava em não terminar.

 

Estando de pé, ladeava-me um casal de indivíduos de etnia cigana num habitual aparato onde o filho corria por todo o espaço (e sem máscara) e a gritaria era tal que intimidava todos os que se encontravam no espaço, quer a comer quer a trabalhar. Enquanto saboreava qualquer coisa, a esposa, grávida, pedia ao esposo que lhe fosse buscar um rissol. Carinhosamente, o marido, eis que foi pedir o dito rissol. Não! "Olha, vai lá buscar tu". Até tem outra  sonoridade quando dito sem máscara dentro de um espaço fechado. E assim foi, há que saber tratar uma mulher, então grávida, nada como um mimo - estranhamente os defensores das minorias só apontam as balas num sentido, esquecendo-se que dentro de algumas minorias existem coisas que... 

 

O lado bom da caricata situação é que permitiu à senhora que, de forma arrogante e sem qualquer respeito pela colaboradora do espaço exigisse que a tosta mista, entretanto terminada de confeccionar, fosse aparada. Há que manter os níveis no café low cost esquina que isto de vir o pão com pontas e a alface e o queijo de fora não condiz com nada.

 

E eis que, já com a senhora de volta à mesa e em pé, surge um indivíduo africano, com o aspecto de quem estava a trabalhar no duro numa obra perto. Pede o seu pão, está de máscara e até preserva algum distanciamento social. Eis que, com uma mão no nariz, a frágil senhora grávida, começa com a outra mão a fazer aquele gesto de  afastamento para o indivíduo negro, e com um também habitual "aiiiiii olha queres ver"... 

 

Estava ali uma bela história para o Robinson apreciar. Eis que, tomando as dores da esposa, aquela que mesmo grávida tem de se desenrascar, o esposo profere um "aiiiii queres ver que não ouves, levas já duas chapadas que te virooooo". Este é o momento em que o Robinson pensa... Bem, acho que vou ter de actuar, mas optei por ficar, além de que tinha uma camera mesmo apontada à minha pessoa e a mesma capta gestos mas não sons. Ainda era cedo para contribuir para a criação de um mártir.

 

Sai novamente um "olha queres ver... este filho da.... não sai daqui, levas duas bolachadas que te viro". O indivíduo negro que, provavelmente nem percebia português, dirigiu-se à caixa para pagar, e quando estava a sair ouviu novamente alguém chamar nomes à sua mãe e ainda levantar-lhe a mão ameaçando-o de pancada da grossa. Pousei o prego e dei dois passos, mas optei por seguir a actuação do indivíduo que ignorou totalmente o facto. Alguém tinha de trabalhar para pagar impostos e muito provavelmente enviar dinheiro para uma localização distante e perder tempo não fazia parte das suas prioridades. Os olhares de todos voltaram ao chão, sobretudo depois da minha pessoa ter "recuado". Respirava-se fundo, mas o medo era notório.

 

No espaço todos se sentiram intimidados e o silêncio reinou. Reinou até à saída vitoriosa daquele casal, ainda sem máscara, até ter entrado na viatura de aluguer estacionada na via pública, em zona proibida e debaixo dos olhos dos agentes da Polícia Municipal e da Polícia de Segurança Pública. Não costumam ser tão coniventes com os indivíduos da malta de cargas e descargas, mas esses não têm espaço mediático, são meros trabalhadores e também laboram meio ano só para pagarem impostos.

 

Será que a SOS Racismo aceita esta minha denúncia? Será que se o Robinson tivesse actuado de imediato não apareceria nas televisões com o rótulo de racista? Possivelmente... Não foi o medo que me levou a ficar quieto mas sim a atitude madura e inteligente da vítima e isso foi a maior lição que tive naquele dia. Todavia, a outra lição com que fico é que, independentemente da raça, cor, etnia, a intimidação continua a ter lugar e as baforadas excêntricas e sem qualquer sentido que encontram racismo em tudo, estão a anular a capacidade de encontrarmos e resolvermos as verdadeiras demonstrações desse mesmo racismo e até de violência. Tudo isto sem esquecer a revolta contida de muitos que, em períodos mais débeis, pode facilmente soltar-se... E o perigo está aí. Até porque os temas que estão a afundar o país continuam a ser abafados pela má exploração de tópicos como este e outros...

 

Enquanto andarmos entretidos com manifestações e petições (algumas delas, sobretudo as notícias em torno das mesmas, altamente manipuladoras) para solicitar subsídios vitalícios pelo "simples" facto de alguém ter perdido um ente querido num homicídio (o que é uma tragédia), e ainda não totalmente esclarecido, vamos esquecendo todos os outros e muitos deles que morreram a dar a vida por todos nós. Vamos deixando passar os buracos de milhões que esta crise está a gerar, a falta de dinheiro na segurança social para fazer face aos problemas da crise (existem cidadãos que não estão a receber aquilo a que têm direito por alegada falta de verbas) e os já habituais casos como o Novo Banco. Ainda hoje disse que Portugal parecia a Venezuela a um nacional desse país e a resposta desse foi: "Como a Venezuela? Ainda está é pior!".

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Sardinha Queimada...

por Robinson Kanes, em 28.07.20

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Créditos: https://www.sabado.pt/portugal/detalhe/marcelo-diz-que-em-dia-de-s-joao-questoes-politicas-nao-interessam

 

Hoje o tema é uma fogueira gigante onde muitas sardinhas se podem assar... Não deixem de lá passar no habitual artigo que à terça-feira marca a minha passagem pelo SardinhaSemLata.

Marcelo Rebelo de Sousa anda por lá, até se queimou e disse que as sardinhas hoje eram melhores e mais baratas que as de Angra dos Reis, para essas era quase necessário pedir um empréstimo ao antigo BES para comprar um quilito...

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Ainda ontem se andou por Braga... Mas admito que hoje ainda subi mais, até às Astúrias, e tive de ir à procura das lentilhas negras ou belugas. Das Astúrias porque foi lá que comprei a última embalagem desta iguaria, mais precisamente em Cangas de Onís. Com uns camarões e uns chocos, temos o jantar perfeito para uma noite bem animada e proteica. A receita é simples e segue por email para os mais interessados...

lentilhas_negras.jpg

 

E como este autêntico caviar, aliás, bem melhor que caviar (abomino caviar), não pode ser ingerido a seco e a água não abona ao paladar de tal iguaria, vou ceder a um afordable  "Castelo do Sulco Tinto 2016" da Quinta do Gradil.  Bom preço e não fica nada mal... Como os vinhos desta região mudaram e se tornaram tão apreciáveis.

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Para acompanhar todo este cerimonial, nada como ter uma música de fundo que acaba por nos acompanhar ao longo do fim-de-semana, e nos transporta para as Astúrias e até para estes novos tempos, a "Sinfonia nº 9" do compositor  checo  Antonín Dvořák, mais conhecida como "Sinfonia do Novo Mundo". É  uma das mais belas obras do compositor e que foi a minha banda sonora aquando da visita à última morada do mesmo, em Vyšehrad. 

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E como estamos por Praga, nada como encontrar Kafka e começar o fim-de-semana com uma leitura de "Amerika", bem ao estilo que Kafka nos habituou mas com a ligeira diferença, imprevisível ao início, em que finalmente temos uma personagem principal que... de forma simplista, consegue dar a volta.

kafka_amerika.jpg

E como não falta embalagem e também há sempre tempo para bom cinema, uma sugestão do Cazaquistão, o filme de Sergay Dvortsevoy, "Tulpan". É impossível ficarmos indiferentes e apaixonados pela personagem de Tulpan e o enredo em torno do seu futuro, onde o casamento se revestirá como "obstáculo" principal os desafios do mesmo. 

Bom fim-de-semana,

*Imagens: Robinson Kanes

 

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