Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]


Veneno e Prioridade...

por Robinson Kanes, em 16.01.17

pb-110224-crowd-da.jpg

 

Este fim de semana, e perdoem-me a arrogância, foi mais um daqueles em que tive oportunidade de observar porque é que o provincianismo “rasca” ainda está bem latente em muitas almas lusas.

 

A primeira situação ocorreu no Sábado... alguém de quem sou amigo abordou-me dizendo que o administrador do prédio onde reside o tinha informado que existia uma pessoa que se queixava do barulho do cão... de um outro vizinho. Até aqui nada de novo... a questão foi quando eu lhe perguntei se este já tinha ouvido o dito cão, pois trabalhava a partir de casa não deveria ser difícil. A resposta imediata foi um redondo “não”. Sugeri que falasse com o administrador e colocasse as questões, nomeadamente “quem?” e “quando?”. Tal veio a acontecer no Domingo e, perante as questões, o administrador referiu que também ele tinha as suas folgas e nunca ouviu tal criatura, mas escusou-se a dizer nomes. Conclusão, não deveriam estes indivíduos ser alvo de um processo tendo em vista a expulsão do prédio? Apesar dos cães ladrarem não conheço nenhum que destile veneno, já outras espécies...

 

A segunda situação foi directamente comigo... estava na fila de um supermercado, daqueles que “fazem mais para mim”... sim, eu detesto supermercados e centros comerciais ao fim de semana mas estava com falta de cogumelos frescos (alguém consegue comer de lata?).

 

Dizia eu, estava na fila e vejo um casal, na ordem dos 30 anos, acompanhados dos pais. Na verdade, a senhora, que rapidamente furou as três filas que existiam, iniciou um diálogo com um dos indivíduos da caixa contestando o porquê da caixa prioritária não estar aberta. Segundo o funcionário, a caixa estava com problemas... embora e honestamente, eu acredite que estava fechada para evitar problemas.

 

Nisto, a mesma senhora exige atendimento prioritário chamando a sua mãe que, trazia no “carrinho de compras” uma criança na ordem dos 3 anos confortavelmente sentada. Perante a passividade do funcionário esta ultrapassa duas outras senhoras que estavam na fila e foram condescendentes, mas não ultrapassa um senhor que já tinha as suas compras no tapete rolante... nova discussão... e teve de ser o funcionário a serenar os ânimos.

 

Não sou adepto das tradicionais “peixeiradas”, mas tinha o meu cão a “sufocar” no carro e soltei um “quem paga impostos e paga as vidas de quem pouco faz  tem direito a prioridade?”.  Coloquei toda a gente a rir... excepto o casalinho maravilha e respectivos pais. No entanto, há coisas que acontecem que nos fazem sorrir também... a primeira foi que os pais do casal pagaram a conta do... casal... há que ser independente aos trinta anos e inclusive ter filhos, mas os pais que paguem, embora isso já parte da visão de cada um e não me cabe a mim aprofundar essa lógica... embora, quem não tem fundos para pagar uma conta de supermercado também não deve ter dinheiro para uma station wagon com matrícula SF (o meu lado comadreiro).

 

A segunda... foi um senhor, em cadeira de rodas, que se colocou na minha fila, lá bem atrás e sossegado. Perante esse cenário, um outro senhor que se encontrava na cauda da fila, e mais tarde todos nós, insistiu para que o primeiro passasse. O que aconteceu? Este recusou dizendo que estava bem sentado e os outros de pé! Não nos conseguiu demover, sobretudo quando um dos indivíduos até referiu não se sentir bem com o facto de deixar aquela pessoa à espera.

 

Em suma, tanta prioridade, tanta discriminação positiva (será?) e não estaremos a castigar uns quantos a troco de pseudodireitos de outros? Se tiver um familiar doente em casa, tenho prioridade para o ir ajudar? Se estiver atrasado para ir trabalhar tenho prioridade ou terei de dar prioridade a quem tem um “carrinho com uma criança” e vai passar o dia a ver um programa de televisão? Não estaremos a criar uma elite de gente que tem todos os direitos e uma casta menor que só tem deveres para com os demais? Legisla-se o bom senso, mas não se punem os maus comportamentos.

 

Fonte da Imagem: http://msnbcmedia.msn.com/i/MSNBC/Components/Photo/_new/pb-110224-crowd-da.jpg

Autoria e outros dados (tags, etc)


35 comentários

Imagem de perfil

De Chic'Ana a 16.01.2017 às 10:35

Esta questão das prioridades tem de ser toda muito bem gerida. Uma criança sentada no carrinho, de três anos, estava muito melhor que os adultos em pé. Esse grande senhora na cadeira de rodas, podia ter-se aproveitado da situação, mas não. É tão capaz como todos os outros, estando confrotável, poderia esperar.

Quanto aos vizinhos, tantas páginas que se poderiam escrever sobre as suas guerras..
Beijinhos
Imagem de perfil

De Robinson Kanes a 16.01.2017 às 10:53

De facto. O segundo deu uma grande lição a todos nós! Já antes me tinha cruzado com o indivíduo no supermercado e a pessoa que estava com ele, ao ver-me nas costas, pediu-lhe que se desviasse. Claro que não era necessário, eu só tinha de esperar uma "aberta" e passar. Foram de uma grande educação.

Imagem de perfil

De Maria a 16.01.2017 às 11:09

Sabes que esta história das caixas prioritárias me faz lembrar um pouco os lugares reservados nos transportes públicos. Só aluem muito ignorante precisa de um autocolante para saber que deve ceder o lugar a alguém que tenha alguma espécie de dificuldade.
Nas caixas de supermercado é a comédia. Se vão 5 pessoas da mesma família, não poderia 2 delas ficar com uma eventual criancinha, fora do super, enquanto os restantes membros faziam as compras?...
Imagem de perfil

De Maria a 16.01.2017 às 11:10

Fartei-me de comer letras... porque este tema irrita-me
Imagem de perfil

De Robinson Kanes a 16.01.2017 às 11:26

Ora essa, como te entendo.
Imagem de perfil

De Robinson Kanes a 16.01.2017 às 11:26

Na Suíça, por exemplo, é proibido despejar o autoclismo a partir de certas horas... porquê? Para não incomodar os demais vizinhos. Legisla-se para que exista respeito... não se deveria, mas tem de se começar por algum lado.

O que eu noto, não só em Portugal mas também em outros países, é que existe demasiada discriminação positiva e pior que isso é o abuso dessa mesma legislação por parte de muitos oportunistas.
Imagem de perfil

De Maria a 16.01.2017 às 13:59

Voila!
discriminação positiva. é isso mesmo!
Imagem de perfil

De Sónia Pereira a 16.01.2017 às 11:17

A primeira ressalva ao teu texto: os cogumelos de lata são realmente horríveis e não se percebe quem raio gosta daquilo.
Depois, todos os direitos adquiridos parecem ter implícito a degeneração do seu aproveitamento. Parece-me lógico haver prioridade de atendimento em determinadas circunstâncias (pessoas com mobilidade reduzida, pessoas idosas com dificuldade de locomoção). No entanto, parece haver sempre um aproveitamento destas benesses por quem delas não necessita. Eu, mesmo grávida, nunca usufruí de atendimento prioritário e, com um filho pequeno, muito menos. Por isso, parece-me francamente abusivo alguém usar uma criança sentada num carrinho para poder passar à frente numa fila. Mas nós, portugueses, temos ainda muito a evoluir a nível de civismo e isso nota-se nesses pequenos grandes detalhes.
O umbigo de um português é o centro do mundo. Tudo o que fique para além disso é visto com desconfiança.
Agora até recordei um texto que escrevi que, embora não tenha nada a ver, toca num destes assuntos. Uma das disciplinas que começam a ser lecionadas desde a primeira classe é a de Educação moral e religião católica. Não seria mais lógico essa disciplina ser substituída por uma de civismo, ética e cidadania? A utilidade de tais ensinamentos parece-me óbvia.
Imagem de perfil

De Robinson Kanes a 16.01.2017 às 11:33

Guerra aos cogumelos enlatados! :-)

A minha mãe foi operada ao joelho, já chegou a ter "complicações" porque os senhores do supermercado onde vai tendem sempre a querer que esta possa passar à frente... escusado será dizer que as "complicações" resultam porque esta se recusa, alega não existir necessidade mesmo que por vezes esteja com algumas dores.

Tenho sentido também, que existe uma camada da população que vive num total sentimento de impunidade e uma outra que tem vindo a ser castigada por comportamentos menos próprios mas que... infelizmente... não podem ser punidos ou para o serem é preciso "Cristo descer à terra".

Bem a propósito a tua questão, pois ainda este fim de semana, aqui em casa se discutia... que se pode comprar tudo, mas uma coisa, por mais dinheiro que se tenha não pode ser adquirida por muitos, nomeadamente a educação, respeito, ética e civismo.


Imagem de perfil

De Marta Elle a 16.01.2017 às 12:08

Sim, as prioridades são relativas, até porque há doenças que não se veem. Eu, por exemplo, sofro de Fibromialgia que provoca um cansaço enorme e tenho dificuldade em estar de pé.
Como não estou a trabalhar atualmente, tento ir sempre ao supermercado aos dias de semana para não empatar quem trabalha e não tem outro remédio senão ir nesses dias.
Imagem de perfil

De Robinson Kanes a 16.01.2017 às 15:15

Ninguém empata ninguém.

O modo como a abordagem é feita é que tem muito que se lhe diga. Eu simplesmente evito os fins de semana porque não me agrada ver a "confusão" e alguns comportamentos que advêm dessa confusão. Jamais deveremos deixar de fazer algo só porque tememos esta ou aquela represália.

Além disso, e isso seria outra discussão, acredito que muita gente pode ir durante a semana, mas os fins de semana acabam por ser preenchidos com esse "passatempo".

No teu caso, e estando tu mal, acredita que eu era o primeiro a dar-te lugar.
Imagem de perfil

De Nay a 16.01.2017 às 15:21

Ora que belos temas ;)

Essa dos vizinhos cheira-me a vingança e alguém que não gosta de animais...agora pode-se levantar acusações assim, só porque sim.
Ainda bem que não vivo em prédios ;)

Quanto a isso da prioridade enerva-me profundamente o abuso, de todo o bom português.
Das famílias inteiras que levam as crianças, da filha que leva a mãe idosa para passar à frente, da grávida que ninguém vê que é....
Não há uso de bom senso e de civismo, é aproveitar tudo da maneira mais abusiva e egocêntrica...vergonha!
Imagem de perfil

De Robinson Kanes a 16.01.2017 às 15:37

Sim. Não senti que fosse vingança, pois o mesmo disse que há muita gente que tem medo de cães... é uma razão parva, mas... enfim.

A prioridade, penso que é mais um daqueles casos em que uma maioria silenciosa anda a suportar os comportamentos de uma minoria esperta. E casos desses não faltam.
Imagem de perfil

De Nay a 16.01.2017 às 15:54

O melhor que já vi até agora foi de uma senhora que pede licença para passar à frente, o senhor pergunta-lhe porquê com grande espanto.
A senhora muito ofendida, começa a falar alto a dizer "ora porque estou grávida"
Senhor diz "peço desculpa mas não dá para ver, por isso perguntei"
A grávida "mas está a duvidar de mim é? Se quiser mostro-lhe a caderneta da gravidez"
O senhor na maio descontracção diz-lhe "Oh minha senhora não estou a duvidar de si, passe lá à frente mas para a próxima não se esqueça de trazer a barriga!"

Opah desataram todos a rir e a mulher não sabia onde havia de se "pôr"...agora diz-me lá que necessidade é que uma mulher, ainda que grávida, mas sem barriga tem de passar à frente?!?!
Pesa-lhe o quê? Dói-lhe o quê?
Enfim!!
Imagem de perfil

De Robinson Kanes a 16.01.2017 às 16:07

Por norma quem precisa até nem pede... tenho presenciado que é o bom senso de outros que se apercebe da situação e actua.
Em relação à senhora que estava grávida... pois bem que poderia estar, mas se não conseguiu justificar sequer uma hipotética dor ou desconforto, está-me a querer parecer que era mais um ataque de um "queue jumper".
Imagem de perfil

De Maria a 16.01.2017 às 15:54

Bom, tendo estado grávida por 3 vezes, usei algumas vezes as prioridades. E com eles pequenos também.
Creio que tem de haver um bom senso, de quem usufrui da prioridade e de quem está na fila. Chegou a acontecer-me, com barrigão enorme, pedir prioridade (em caixas prioritárias) e olharem-me com desconfiança. Tal como chegou a acontecer estar cheia de dores mas não pedir prioridade para não me estar a chatear. E sim, por vezes uma grávida de 8/9 meses tem de ir às compras sozinha, ou mesmo com um filho pequeno atrelado. (E por vezes uma grávida de 4 ou 5 meses pode ter contracções ou dores desconfortáveis).
No caso da criança sentada no carrinho, se estiver sossegada, não vejo qual a necessidade de prioridade. Agora se estiver num daqueles dias chatos de birras, bem, aí não há carrinho que valha!
Portanto, cada caso é um caso. Se eu for com o marido e filhos, na maior parte das vezes
a) optamos por ir ao final do dia, em que o supermercado está mais vazio
b) ele sai da linha de caixas com os miúdos e eu fico a fazer o pagamento

Por vezes ficar um de fora não é viável, simplesmente porque os miúdos têm vontades, quer o pai, quer a mãe, não sabe qual quer....
Depois podem até dizer: os miúdos não têm necessidade de ir às compras! Concordo, mas o facto é que se nunca os levarmos, perdemos uma oportunidade de os ensinarmos a viver em sociedade, resistir às tentações do markting para crianças, aprenderem a gerir o dinheiro... (contra mim falo, normalmente não os levo comigo porque me quero despachar mais rapidamente, no entanto sinto que é uma experiência social que pode ter o seu valor para eles, o aprender a comparar preços, escolher produtos, etc.).

Por fim resta dizer: mas quem é que gosta de cogumelos enlatados?
Imagem de perfil

De Robinson Kanes a 16.01.2017 às 16:12

Todos devem ter direito a levar os filhos a um supermercado, isso é ponto assente. Aqui o grande problema prende-se com os abusos constantes por parte de pessoas que vivem das "discriminações positivas". A educação é tudo, e no seu caso, pelo que li, isso esteve sempre latente... mostrou respeito pelos outros, quando sentiu necessidade e actuou de acordo...

Bem, as birras... isso é outra longa história :-)

Penso que ainda vamos ter aqui uma empresa de enlatados a repudiar este nosso repto "contra" os cogumelos de lata :-)
Imagem de perfil

De Maria Mocha a 16.01.2017 às 17:55

Concordo. Acho que tens um ponto de vista lúcido. Há situações aberrantes.
Imagem de perfil

De HD a 16.01.2017 às 18:47

A cidadania e os direitos cívicos têm sido ajustados à conveniência dos mais poderosos...

Não, não consigo comer borrachas enlatadas looool
Imagem de perfil

De Robinson Kanes a 16.01.2017 às 20:07

ahahahahaha

A primeira frase dá que pensar...
Imagem de perfil

De Kikas a 16.01.2017 às 21:56

Esta nova lei das prioridades nas filas vai ser usada e abusada por todos aqueles que nunca foram cívicos sem a lei aprovada! O civismo não se "compra" com leis.
Imagem de perfil

De Robinson Kanes a 17.01.2017 às 09:18

Penso que é um dos males da nossa sociedade... o civismo... as leis podem ajudar a moldar um comportamento mas para isso a sociedade tem de já ter uma bagagem que, a meu ver, ainda falta a muitos cidadãos.
Imagem de perfil

De O ultimo fecha a porta a 16.01.2017 às 22:36

Esta nova lei veio baralhar e complicar as "prioridades".
Imagem de perfil

De Robinson Kanes a 17.01.2017 às 09:20

Ser prioritário arrisca-se a passar a ser um estatuto para muitos.

Comentar


Pág. 1/2



Mais sobre mim

foto do autor



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.


Mensagens

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D

Pesquisar

  Pesquisar no Blog






Copyrighted.com Registered & Protected 
CRD7-BFJD-IWHB-ZXDB