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Uma Questão de Bananas

por Robinson Kanes, em 30.09.16

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Tenho, ao longo dos últimos anos, cometido a loucura de me observar a mim próprio, como ser humano, e estabelecer um contraponto com os animais. Foi seguindo esta “filosofia” que fui ao encontro dos estudos de Yerkes com os seus chimpanzés.

 

Denotei que um dos estudos se baseou em isolar um membro de um grupo de chimpanzés e, consequentemente, isolar também o chefe do grupo. Sim... pensávamos nós que tínhamos inventado a hierarquia e que isso era obra dos poderosos ou de  mentes humanas sábias.

 

Todavia... chegámos tarde e somente herdámos isso de outras espécies - hierarquia é uma construção social sim, mas começou noutras espécies. Estão a imaginar que afinal o primeiro Talent Acquisition Manager pode ter sido um pato? Ou até, que o pai da expressão Specialist Sales Manager possa ter sido um chimpanzé do Burundi? E o primeiro Chief Executive Officer (CEO), que afinal não foi um rico capitalista mas, quem sabe, um dragão de komodo um pouco mais forte que simplesmente disse: “interessante peça de caça, mas vamos estabelecer já a divisão do profit consoante a hierarquia da organização, ou seja, eu fico com 51%”. Eu sei que os dragões de komodo não são propriamente os “bichos” mais simpáticos à face da terra, mas alguns CEO’s também não. Imagino um frémito latente nas guerras de títulos entre alguns colaboradores das organizações empresariais e não só, bem capaz de acalmar as tensões por uns tempos. Afinal, o Talent Acquisition Manager só vai querer ser o responsável pela selecção do pessoal e, o Specialist Sales Manager, provavelmente ficará agradado com o título de vendedor.

 

Bom não é? Deste modo não somos aparentados com chimpanzés. Mas, a realidade é que somos mesmo e, numa época em que andamos tão auto-centrados, tendemos a esquecer as grandes vitórias ou grandes lições do quotidiano. Quantos de nós reconhecem diariamente aquela pessoa que está ao nosso lado?

 

Quantos de nós, ao invés de estarmos a pensar em como podemos recolher os louros da conquista “x”, esquecemos que ao lado pode estar alguém ao mesmo nível ou até "abaixo" e que nos pode ajudar? Iria mais longe, ao invés de andarmos sempre a chatear o nosso supervisor (e em culturas como a nossa, muitos são até os supervisores que promovem essa prática) com questões e até uma certa bajulação, simplesmente não olhamos para os nossos colegas? Bajular um “chefe” pode ser óptimo, sobretudo na era do networking, do personal branding e em situações não operacionais em que, devido às exigências do mercado, não é possível aferir dos meios mas sim dos resultados, ou seja, aquilo que é visível.

 

E os chimpanzés entram onde, Robinson?

Nos chimpanzés não é diferente. No estudo de Yerkes, o primeiro chimpanzé foi ensinado a manobrar um mecanismo bastante complicado (criado para aquele fim) e que permitiria a obtenção de bananas. O chimpanzé, de volta ao grupo e com o novo utensílio, percebeu que a sua descoberta resultou num grupo de pares a tentarem roubar as suas bananas tão inteligentemente capturadas. Os demais, nem sequer atentaram no modo como este as conseguia. Onde é que já vimos isto?
No entanto, ao “chefe” foi ensinado o mesmo processo, todavia quando este foi reintroduzido, as coisas desenrolaram-se de modo diferente – os outros chimpanzés, ao invés de roubarem as bananas, observaram-no com o maior interesse e começaram a imitá-lo.

 

Vou ser rápido, até porque os dois leitores que vão ler aquilo que escrevo (um deles sou eu) irão fazê-lo antes de dormir e não pretendo que a leitura fique a meio.

 

Duas conclusões: não é mito nenhum que, ao nosso lado, estão aqueles que podem realmente promover a nossa aprendizagem e sucesso, neste ou naquele projecto e, sem que seja necessário hostilizar. Lembrem-se que no Contrato Social, Rousseau já  alertava para o facto de que "a maior parte dos reis que a história celebra, nunca foram educados para reinar". Provavelmente, a pessoa do lado não é um competidor, é uma mais-valia, para mim e para a organização.

 

Segundo, não é só no “chefe” que reside a sabedoria ou a quem devemos toda e qualquer admiração (independentemente dos interesses subjacentes). Poupemos tal indivíduo a algum trabalho de modo a que este se foque nas suas prioridades. Mas, também aqui uma ressalva importante – o exemplo de quem lidera. Atenção supervisores, managers, CEO’s - o vosso exemplo é visto e pode ser assimilado pelos demais, para o bem e para o mal.

 

 

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