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Da Bordeira ao Amado...

por Robinson Kanes, em 14.07.17

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 Fonte das Imagens: Própria

 

De volta à Costa Vicentina, imaginem deixar a Praia de Vale Figueiras e fazerem uns meros 16km para sul, pela EN268 e depois pela Estrada da Praia e chegarem à Praia da Bordeira, também conhecida como Praia da Carrapateira pela proximidade com a Carrapateira e por também ser aí a foz da Ribeira com o mesmo nome. Podem sempre fazer o percurso a pé ou de bicicleta que são apenas 11km.

 

Nesta zona, depois de uma visita pelas localidades da Bordeira e da Carrapateira, nada como seguir em direcção à praia e a partir daí fazer o caminho da Estrada da Praia até à Praia do Amado. Deixem o carro e peguem na bicicleta ou vão a pé, pois serão dos 3,5km mais bonitos e pitorescos que algum dia farão! Recomendo vivamente e é não-negociável, além de que têm passadiços com miradouros que vos permitem ir descansando.

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É neste troço que começamos a sentir a Costa Vicentina verdadeiramente, onde rocha e mar tendem a ser mais austeros e a trazerem-nos já um pouco dos cheiros do Cabo de S. Vicente.

 

Após a Praia da Bordeira, surge-nos a Praia da Zimbreirinha, e é aqui que as portas se abrem para um mundo novo, para todo o expoente da Costa Vicentina e para um local encantadoramente inóspito. Ao longe ainda conseguimos observar a Arrifana, como se a paisagem insistisse em manter diante dos nossos olhos tão belo lugar. Infelizmente, já não é possível apreciar o Portinho da Zimbreirinha e o seu ancoradouro pelafita devido a uma derrocada.

 

Como é bom caminhar ou pedalar e observar as diferentes cores da rocha e do mar que alterna entre o verde água e o azul escuro das águas profundas. Como é bom sentir o vento do atlântico, suave mas ao mesmo tempo com força suficiente para nos fazer respeitar aquele mar donde outrora arriscamos sair em pequenas cascas de noz à conquista do Mundo! Lembro-me agora dos "Navegadores" de Sophia:

 

Esses que desenharam os mapas da surpresa

Contornando os cabos e dando nome às ilhas

E por entre brilhos espelhos e distâncias

Por entre aéreas brumas irisadas

Em extáticas manhãs solenes e paradas

No breve instante eterno surpreenderam

O arcaico sorrir do mar recém criado

Andresen, Sophia de Mello Breyner "Navegadores", Poemas Dispersos

 

De regresso a terra, voltar à caminhada ou sentir aquele vento enquanto nos deslocamos de bicicleta, é algo mágico mas também um verdadeiro postal. O difícil vai ser fazer o caminho sem parar de 50m em 50m.

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Um dos pontos altos deste passeio é a Praia do Portinho do Forno que, além de ser um pequeno porto e o mas antigo da Carrapateira, é também um ponto de encontro para os entusiastas do Todo-o-Terreno (TT), motorizado ou não. Não é incomum vermos pequenos grupos de praticantes de BTT, jipes ou motas de TT. Todavia, aqui podemos parar e contemplar a paisagem imaginando tempos passados em que os barcos atracavam e se carregavam os burros que deveriam levar o resultado da faina para a lota da Carrapateira. Também é aqui que o "puzzle" de diferentes tonalidades da água torna este lugar tão especial. Podem sempre aproveitar e beber um refresco ou até almoçar no restaurante que aí se encontra. 

IMG_3385.jpgE como o caminho se faz caminhando, nada como continuar um percurso que já não queremos que acabe, até porque já vemos a Praia do Amado ao fundo e ficamos com aquele misto de encanto e fadiga mas em que percebemos que afinal não estamos assim tão cansados e queremos que o momento não termine. Uma das formas de prolongar o mesmo será trazer um bom piquenique, ou como se utiliza no Brasil, um convescote. A oportunidade de apreciar uma refeição leve num local destes, nem em muitos dos melhores restaurantes do mundo! 

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Levantemo-nos pois e sigamos em direcção à riqueza geológica e faunística da Praia do Amado, sem esquecer a flora que a tornam num dos locais mais importantes ao nível da preservação de habitats! Um outro habitat muito importante é o dos surfistas, pois é considerada uma das melhores praias a nível europeu para a prática desta modalidade. Esta já é uma praia mais movimentada, pois é escolhida por muitos veraneantes e por empresas de animação turística.

 

Cansados? Porque não voltar para trás e voltar a fazer o mesmo caminho? Eu fá-lo-ia, além de que o fim de semana, para quem o goza, está mesmo aí à porta! Não deixem de ir à Carrapateira e à Bordeira, são duas localidades fantásticas, de boas gentes e que vos proporcionam uma experiência singular onde o campo convive pacificamente e numa harmonia singular com o mar.

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Como estão no Parque Natural do Sudoeste Alenteja e Costa Vicentina, não se esqueçam do "Código de Conduta e Boas Práticas"pois estão num Parque Natural. Pode ser descarregado aqui.

 

Bom fim de semana. Voltarei na terça-feira!

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A Praia de Vale Figueiras.

por Robinson Kanes, em 04.07.17

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Fonte das Imagens: Própria 

 

Como o prometido é devido, porque é Verão e porque depois da Arrifana fiquei de fazer um piquenique, eis que me encontro convosco na Praia de Vale Figueiras!

 

Para lá chegarmos, nada como deixar a Arrifana e voltar à estrada que vem de Aljezur (N120) e virar para onde diz Vila do Bispo e Sagres entrando na N268! Seguindo essa estrada, após uns 4km encontraremos uma placa que diz Vale Figueiras e nada como seguir por uma estrada alcatroada até chegarmos a uma estrada de terra batida e novamente, mais perto da praia, voltarmos ao alcatrão. Também é um percurso que pode ser feito de bicicleta, todavia, já estamos a falar de 22km e de um regresso com uma inclinação por terra batida. Contudo, podem sempre aventurar-se pela estrada municipal 1003-1, sobretudo se vierem da Arrifana, são só 14km mas... Com mais aventura.

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Típica praia da Costa Vicentina, liga à Praia do Penedo, uma outra praia de beleza ímpar! Nesta praia podemos encontrar, sobretudo em época baixa, muitos praticantes de modalidades aquáticas, sobretudo surf e bodyboard e percorrer os quase 3km de praia (inclui Praia do Penedo) numa harmonia perfeita entre a terra e o mar. Para os amantes das bicicletas, sobretudo BTT, como já referi, é também um desafio interessante e a chegada à praia é qualquer coisa de fantástico, pois saímos de pequenos montes e até chegarmos ao meio do areal temos a sensação de estar a atravessar uma porta que nos fará entrar num mundo imenso onde a areia erve de palco para a observação de uma grande parte da costa... Inclusive a Arrifana.

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É um óptimo local para se estar e levar o piquenique. A Praia de Vale Figueiras não é uma praia muito frequentada e as vistas, bem como a própria envolvência tornam-na o local perfeito para estenderem a manta e com a vossa cara-metade, apreciarem ao longe a Arrifana. É também um óptimo local para recuperar energias antes de entrarem nas grandes falésias que ornamentam a costa até Sagres! Para quem tem animais, é também o local perfeito para um passeio, desde que apanhem os dejectos!

 

Como estão no Parque Natural do Sudoeste Alenteja e Costa Vicentina, não se esqueçam do "Código de Conduta e Boas Práticas"pois estão num Parque Natural. Pode ser descarregado aqui.

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Os Drones - Um Dia o Avião Vem Abaixo!

por Robinson Kanes, em 27.06.17

 

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Fonte de Imagem: Própria

 

Já fui praticante de "airsoft", ou seja, uma modalidade em que uns indivíduos sem muito que fazer se vestem de militares e com armas e equipamentos também militares (réplicas) se dedicam a andar aos tiros com pequenos projécteis de plástico. Alguns andam aos tiros porque sim, outros aprendem estratégia no terreno e outros levam as coisas tão a sério que trazem Damasco para um pinhal qualquer em Azeitão. Para praticar "airsoft", existe a "obrigação" de estar federado, de ter as armas pintadas com uma cor fluorescente nas pontas (eu não tinha, podem atacar-me) e ainda, sempre que se realize uma actividade, informar as autoridades e/ou pedir autorização aos proprietários dos terrenos ou infraestruturas. Imaginem andarem tranquilamente por uma aldeia e aparecerem uns 40 indivíduos vestidos de militares com armas que são iguais à reais. Porque não existe uma legislação eficaz para os drones?

 

Não vou falar dos drones para utilização profissional mas sim dos drones para uma utilização lúdica. Em meu entender, os drones padecem de um dos grandes problemas da actualidade: as leis não conseguem acompanhar as "inovações" tecnológicas (porque não acompanham é outra temática). Actualmente, o mundo está à espera (e não é só Portugal, é mesmo o mundo) que um avião aterre mais depressa e fique feito em bocados para tomar medidas. Existem drones que conseguem atingir os 2000m de altítude! Associado a isto, acontece que um drone é um óptimo invasor de privacidade e transformado em arma de ataque é fatal!

 

Confesso que é preciso debater o que pode ser feito: registo? Proibição para fins não autorizados? Limitar o espaço? Obedecer a regras como já obedecem os aviões de rádio-controlo que têm espaços próprios para a prática da actividade? E fora das áreas controladas dos aeroportos, como é que fazemos uma fiscalização eficaz?

 

Estamos perante um tema mais sério do que parece e a liberdade associada ao consumo desenfreado de brinquedos tecnológicos começa a chocar com outras liberdades e questões anexas bem mais importantes... Assumo que detesto estar a ser sobrevoado por drones, mas por vezes lá tenho de aceitar. Sugiro que quem gosta de ver o que é voar se dedique à observação de aves...

 

Além disso, do ponto de vista do terrorismo, não será o drone uma arma das mais eficazes? Um drone bem equipado pode fazer "maravilhas"! Se eu não posso levar um frasco com meio quilo de mel, ou uma lâmina de barbear num voo, porque é que se permitem veículos aéreos não tripulados a circular impunemente nos céus? E as responsabilidades? Se um indivíduo que passa uma tarde de domingo com o filho a brincar com um drone e faz um avião despenhar-se no Tejo, até onde vai a responsabilidade do mesmo?

 

São questões que importa responder e colmatar com a maior brevidade possível até porque... Acontecimentos recentes demonstraram bem o que o protelar de decisões importantes pode provocar!

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Vamos Limpar a Lagoa de Albufeira?

por Robinson Kanes, em 26.06.17

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Bem pertinho de Sesimbra, a poucos quilómetros da praia do Meco, existe a maior zona húmida da Península de Setúbal!

 

Para terem uma ideia, a Lagoa de Albufeira encontra-se classificada como Zona de Protecção Especial (ZPE), como sítio da Rede Natura 2000 (http://www.icnf.pt/portal/naturaclas/cart) e, a Lagoa Pequena é ainda considerada Zona Húmida de Importância Internacional pela Convenção de Ramsar (http://www.ramsar.org).

 

"A Lagoa da Albufeira encontra-se num sistema dunar, no seguimento da arriba fóssil da Costa da Caparica e tem uma área aproximada de 155 ha, apresentando uma forma alongada e sendo constituída por duas áreas lagunares denominadas por Lagoa Grande e Lagoa Pequena. Ambas estão ligadas por um canal estreito e sinuoso, designado por Bico dos Corvos.

A Lagoa Grande está separada do mar por uma barreira arenosa. No equinócio da Primavera é, em geral, aberta artificialmente uma barra única. No Inverno, durante temporais fortes, a barra pode abrir naturalmente. Nas zonas do litoral existe uma área de dunas. As margens da lagoa têm declives relativamente suaves, mais acentuados na zona norte. Uma boa parte do espelho de água da lagoa está livre de vegetação. 

 

A montante da lagoa encontra-se uma zona palustre formada por uma mancha relativamente extensa de caniçal, designada por Lagoa da Estacada. Actualmente esta zona está separada da Lagoa Pequena por um dique e é alimentada essencialmente pela ribeira da Apostiça. Junto ao dique desenvolve-se uma mancha de salgueiros e alguns choupos.

 

A rodear praticamente toda a lagoa encontra-se um vasto pinhal, onde se destacam o Pinheiro-manso (Pinus pinea), o Pinheiro-bravo (Pinus pinaster) e alguns Eucaliptos (Eucalyptus globulus) e Sobreiros (Quercus suber). Por vezes existe algum estrato arbustivo. Os terrenos agrícolas surgem normalmente nos terrenos de vale de cheia das ribeiras que desaguam na lagoa: ribeira de Aiana, Ferraria e Apostiça.". (Fonte: Espaço Interpretativo da Lagoa Pequena).

 

A esta riqueza única, associa-se ainda a avifauna, mas disso voltarei a falar neste espaço.

 

Aproveitem o Verão para fazer algo pelo ambiente, passem uma manhã muito divertida e com impacte directo na natureza, eu não faltarei. Deixem-se também envolver num ambiente descontraído e onde haverá espaço para o convívio. Se a praia for a vossa preferência, isso não será desculpa porque a Praia (de Mar) da Lagoa é mesmo ali ao lado. 

 

Finalmente, deixo-vos também uma sugestão: a mata que rodeia a lagoa é vastíssima, levem piquenique, espaços não faltam! Para os mais aventureiros, a bicicleta também é uma óptima opção para passar um dia inesquecível!

 

 

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Fonte das Imagens: Própria. 

 

Um dos monumentos que mais se destaca na paisagem lisboeta, sobretudo a oriente, é a Igreja de Santa Engrácia, mais conhecida por Panteão Nacional (desde 1916) - Panteão Nacional, por aí se encontrarem os túmulos de algumas das mais importantes figuras da nação: Almeida Garrett, João de Deus, Manuel de Arriaga, Sidónio Pais, Guerra Junqueiro, Teófilo Braga, Óscar Carmona, Aquilino Ribeiro, Humberto Delgado, Amália Rodrigues, Sophia de Mello Breyner Andresen e Eusébio.

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A história da Igreja de Santa Engrácia é interessante também na medida em que é a originária da expressão "obras de Santa Engrácia". A história tem início em 1568, aquando da intenção, por parte da Infanta D. Maria, de construir esta igreja. Contudo, em 1681 a igreja foi arrasada por uma tempestadade que obrigou à sua reconstrução no ano seguinte. Todavia, os trabalhos demoraram tanto tempo que só ficaram efectivamente concluídos em 1966.

 

É celebre também uma outra "história", e que até está contemplada nos registos paroquiais: o "Desacato de Santa Engrácia". Conta a história que um cristão-novo, Simão Pires Solis, em 1630, roubou o relicário da igreja e foi denunciado ao Santo Ofício, acabando por ser condenado à fogueira! Conta ainda a história que, antes de morrer e ao passar junto à igreja, lhe lançou uma maldição: "É tão certo morrer inocente como as obras nunca mais acabarem!“. Na verdade, Simão sempre declarou a sua inocência e só mais tarde o verdadeiro assaltante foi conhecido. Simão deambulava pela zona à noite mas nunca dissera o porquê devido ao facto de se ter enamorado por uma jovem freira do Mosteiro de Santa Clara com a qual pretendia fugir. Interessante a história de amor que indirectamente acaba por ter neste monumento uma justa homenagem à paixão entre um cristão-novo e uma noviça.

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O monumento em si, é de uma beleza sem igual, não só pela inspiração na Igreja de São Pedro (Roma), como também pelo Barroco (destaque para os mármores coloridos) e pelas vistas que permite sobre a cidade e arredores. Subir ao terraço é um verdadeiro gáudio - até lá podemos apreciar o interior da Igreja e culminar a subida com as vistas exteriores... Aqui, e penso que a mártir Santa Engrácia não se importará que nos percamos, qual Simão Pires Solis e a sua amada, podemos sempre envolver-nos em apaixonados beijos e juras de amor enquanto apreciamos uma das mais belas vistas da cidade com a nossa cara-metade... Não fosse Lisboa uma cidade romântica.

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Se forem à Terça-Feira ou ao Sábado, não se esqueçam também de sentir uma das mais antigas e tradicionais feiras da cidade: a Feira da Ladra.

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 Para mais informações, como horários, localização e preços, podem consultar o website do monumento aqui.

 

Bom fim-de-semana!

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Lisboa: O Museu Nacional de Arqueologia.

por Robinson Kanes, em 14.06.17

 

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Fonte das Imagens: Própria. 

 

Por aqui continua-se a falar de Lisboa...

 

Depois da azáfama da festa e das peripécias com taxistas, parece-me interessante focar um espaço que, apesar de se encontrar numa localização singular, é ainda ignorado por muitos: o Museu Nacional de Arqueologia.

 

O Museu Nacional de Arqueologia fica localizado no Mosteiro dos Jerónimos, uma pequena porta entre a Igreja dos Jerónimos e o Museu de Marinha. Não é um museu grande, sobretudo para quem já esteve em museus do género por esse mundo fora, no entanto, é o nosso Museu Nacional de Arqueologia e que conta já com mais de um século de existência. Este museu, fundado em 1893 por José Leite de Vasconcelos, se não é maior, é pela dificuldade do espaço, mas também pela dispersão dos artefactos arqueológicos e, não negarei, por um lento reconhecimento dos achados arqueológicos em Portugal. 

 

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Imaginem que podem começar a vossa viagem pelo Paleolítico, passando pelo Mesolítico (destaque para o “Esqueleto Humano de S. Romão”), Neolítico (destaque para o “Enterramento Colectivo do Escoural”), Calcolítico, Idade do Bronze, Idade do Ferro (destaque para a “Necrópole do Olival do Senhor dos Mártires”), Civilização Romana, Período Visigótico, Período Islâmico e terminar na Idade Média (destaque para a “Cabeceira de Sepultura”)... Imaginem como podem percorrer milhares de anos num pequeno espaço mas com uma riqueza sem igual! Mesmo os menos entusiastas vão gostar porque não obriga a grandes horas encerrados num museu. 

 

Finalmente, uma nota particular para as "Antiguidades Egípcias"! Regressem aos séculos daquela civilização e apreciem o “Barco Votivo”, as “Máscaras Funerárias” e, como não poderia deixar de ser, os dois Sarcófagos (“Sarcógafo de Irtieru” e “Sarcófago Pabasa”). Sinto que ainda são muitos os que se fascinam com a arte inerente aos sarcófagos mas se sentem tristes por nunca ter visto nenhum, pensando que só nos grandes museus da Europa ou no Egipto se encontram estas peças! Pois aqui, podem matar a vossa curiosidade, merece bem a pena!

 

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Além do serviço educativo, este museu conta também com uma forte componente de investigação que o torna um dos mais importantes no contexto internacional.

 

Este é dos museus que mais surpreende, não só pelo desconhecimento de alguns, pois ao estar entre a Igreja dos Jerónimos e o Museu de Marinha não é fácil sobressair, mas também pela riqueza e lição de história que ali se encontra. No entanto, estar localizado no Mosteiro dos Jerónimos também tem uma sua mais-valia, na medida em que tem a honra de ter a sua casa numa espaço único no mundo!

 

É a ideia perfeita para uma manhã! Podem começar com um pequeno almoço em Belém - e há mais pastelarias para além dos tradicionais “Pastéis de Belém” – caminhar um pouco junto ao rio e ao Padrão dos Descobrimentos, aproveitar a feira de antiguidades nos jardins de Belém (1º Domingo de cada mês e com algumas relíquias interessantes, sobretudo literárias) e terminar com a visita ao museu.

 

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Aproveitem, até porque dia 21 de Junho inaugura  a exposição “LOULÉ. Territórios, Memórias, Identidades”. Estão ainda a decorrer as exposições “Religiões da Lusitânia. Loquuntur saxa”, “Lusitânia dos Flávios. A propósito de Estácio e das Silvas” e “Um Museu, tantas coleções ! Testemunhos da Escravatura. Memória Africana”. Genial, não?

 

Podem saber mais sobre estas exposições, sobre a colecção permanente, contactos, preços, horários e dias de entrada livre no website do museu em   http://www.museuarqueologia.pt

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É Santo António e Lisboa é Portuguesa!

por Robinson Kanes, em 12.06.17

 

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 Fonte da Imagem: Própria

 

Aí está a noite de Santo António (quem quiser até tem banda sonora lá em baixo)! Um pouco por todo o país já se festeja este santo casamenteiro e folião! No entanto, vou focar a minha atenção em Lisboa, perdoem-me aqueles que vão estar em Pádua ou em Setúbal - em Setúbal, o Santo António também é um gáudio e sem padrinhos “famosos” que não fazem mais que figura de parvos de um lado para o outro, mas sim com madrinhas que cantam e dão vida ao desfile na Avenida Luísa Todi.

 

As festas de Lisboa têm a duração de um mês, no entanto, é a noite de Santo António o ponto alto das festividades. Pessoalmente, também é a noite em que não vou aos “santos”.

 

Mas como eu adoro esta época, a capital mais bonita do mundo fica toda engalanada, é devolvida aos seus e deixa de ser, por um mês, aquela metrópole do sul para ser mais uma cidade com um toque popular e mediterrânico. As marchas vão percorrer a avenida, bela herança de Leitão de Barros e António Ferro, porque as marchas são obra dos tempos da ditadura, uma forma de valorizar a nação portuguesa, mas sobretudo a cidade de Lisboa. Espanta-me até, como muitos críticos de tudo o que é anterior a 1974 se deixem contagiar por esta vida e por todo espírito que se estende por cada bairro e abracem esta causa com fervor.

 

O Santo António por aqui é festejado com vinho e sangria, deixam-se as boas garrafas e compra-se vinho barato ou daquele que está no fundo do barril... Comem-se as sardinhas no pão, como manda a tradição, assa-se o “chóriço” e o “córato” e as bifanas tendem a cheirar e a saber a sardinha. Caldo verde não é tradição, pelo menos por estas bandas, ao contrário das festas em Lisboa, mas são-no os peixinhos do rio e até os ovos mexidos com tudo o que houver no mercado.

 

Chego a comparar esta época ao Natal, só que com aquela alegria única e verdadeira - sem presentes, sem fretes com familiares que nem nos dizem muito e com o sol a despedir-se só lá para perto das dez da noite. As noites quentes e a lua reflectida nas águas do Tejo fazem o resto. Depois é a música! De preferência música marialva ou popular. É nestas alturas que fico a conhecer os novos talentos da música pimba e consigo ouvir uma música do Toy até ao fim. Cante-se o fado alegre e deixe-se o triste para o Natal. Ai Cristo, que celebramos com tanto formalismo o teu nascimento, mas é o Santo António que nos faz perder a cabeça e entrar na verdadeira festa. Ou então é o profano que se mascarou de religioso... E o profano sempre é mais genuíno e próximo do homem do que o religioso.

 

Nestes dias não entram por aqui as tradições gourmet, os pães com todas as sementes e mais algumas ficam à porta! Também à porta ficam as bifanas sem gordura e fininhas com molho de mel e mostarda de Provence em cama de pão pita de Mikonos. Quem quiser molho ponha mostarda do Aldi! A sardinha? A sardinha é com cabeça e come-se toda! Tenho conhecimento de algumas tendências (tendências!!!) que até tiram a pele à sardinha. Faz-me impressão como é que com tanta formação em paladar, nutrição, chique food, nouvelle cuisine e "cozinha armante"  se tirem as peles à sardinha!

 

As festas de Lisboa ainda são uma herança do antigo regime, de facto, e é desse modo que também são um reforço de uma identidade que se tende a perder na cidade, pois não sou daqueles que coloca tudo o que foi feito anteriormente num caixão, o solda a chumbo e o tapa com betão armado. Lisboa é lisboeta... É alfacinha!

 

Deixemos, para o mal e para o bem, que seja a nossa tradição a vingar, pelo menos nestes dias. Não sejas francesa minha Lisboa, tu és Portuguesa e é assim que tens de continuar... É disso que o teu verdadeiro povo gosta e os turistas também! Carne no pão com molhos estranhos há em todo o lado, mas o sabor da tua bifana só em Marvila e o cheiro da tua sardinha só em Alfama. E até mesmo em Xabregas ou na Graça, em Sapadores ou em Chelas o teu cheiro e o teu sabor não se podem encontrar em mais algum lado. Acho que nem no Parque das Nações, é o que me dizem... Até o cheiro a urina em Santos é diferente do cheiro a urina em Sevilha ou em Roma!

 

É Santo António e o acordeão já entoa as marchas para mais logo!

 

Nota: Não é grande coisa, mas haver festa há! É por isso que os artigos desta semana serão dedicados inteiramente à capital mais bonita do Mundo: Lisboa!

 

 

 

 

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A Vila e a Praia da Arrifana.

por Robinson Kanes, em 09.06.17

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 Fonte das Imagens: Própria

 

Para quê fugir de Aljezur? Lembram-se aqui? A comida é boa, as pessoas são simpáticas e o ambiente é óptimo. Por isso, porque não descobrir um dos tesouros de Portugal e do Mundo? A cerca de 10km fica a Praia da Arrifana. A Praia da Arrifana é considerada uma daquelas praias que vai estar na moda, espero, no entanto, que a Capacidade de Carga (ver definição abaixo) seja acautelada.

 

De Aljezur à Praia da Arrifana o caminho, por bicicleta, a pé ou de carro é fantástico. A pé conseguimos caminhar mais perto do mar e refrescar o corpo com a brisa marítima. Para ser perfeito nada como fazer o percurso da Praia do Monte Clérigo, onde podemos apreciar a Praia da Amoreira (ver hiperligação acima) noutra perspectiva, e seguir em direcção à Arrifana. No total são cerca de 15km que podem ser reduzidos para metade se o automóvel ficar no Monte Clérigo.

 

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De carro vamos pelo campo e aí refrescamos o olhar com a companhia do gado e de cães pastores que por ali deambulam e nos fazem parar para umas "festas". Além disso, posto que a panorâmica é mais limitada, alimentamos a expectativa da chegada.

 

Chegamos à Arrifana e temos a sensação de estar a sentir o Mediterrâneo, que já não fica longe. O atlântico ali tem outra força, muito por culpa da baía que protege a praia de ventos e ondas mais tenebrosos. É também nesta povoação que se encontra a famosa “Pedra da Agulha”, localizada no topo sul da praia. A vila piscatória é isso mesmo, uma fotografia viva do mediterrâneo.

 

Mas... Chegar à Arrifana e não sentir o cheiro a peixe grelhado é o mesmo que ir a Lisboa e não comer um pastel de nata ou visitar os Jerónimos. O cheiro dos sargos, do carapau da costa, do pargo e dos robalos fazem as delícias de quem gosta de comer um bom peixe. Façam amizades, comprem até o peixe, sobretudo em época baixa, e acabem a degustar uma destas iguarias na casa de algum pescador...

 

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Mas antes vamos à praia e, mais que sentir as águas cristalinas que chegam a fazer lembrar as Caraíbas (só que estas mais bonitas), é fundamental apreciar a panorâmica da praia. Uma verdadeira beleza! Rapidamente se percebe porque é que a natureza decidiu criar tal refúgio natural.

 

Mas caminhemos mais um pouco pela povoação e vamos chegar à Fortaleza da Arrifana (datada de 1635).Paremos e respiremos antes de entrar... É que somos imediatamente transportados para outra dimensão e para uma das mais belas vistas do mundo! Contemplemos, apreciemos a Ponta da Atalaia (onde se encontra um valiosíssimo Ribat Muçulmano (com um cemitério com 900 anos de valor inigualável) e a Praia de Vale Figueira (lá iremos).

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É impossível não ficar de pé a sentir a brisa marítima no rosto. É impossível deixarmos que os nossos olhos não tomem o controlo da nossa vontade e vagueiem perdidos pelo horizonte. A fortaleza envolve-nos também com a sua história de luta contra o mar e contra o desprezo de muitos durante anos a fio, desde a Marinha ao Ministério das Finanças e um sem número de entidades que não lhe reconheceram o valor histórico. Hoje está recuperada e, mais uma vez, é um miradouro e uma infraestrutura de valor singular. Cada pedra, cada rocha que a sustém é uma prova viva da luta da rocha contra o mar.

 

O mar lá em baixo, as vistas de cortar a respiração continuam a fazer-nos deambular e, nem mesmo, o cheiro do sargo grelhado nos afasta desse isolamento uno com a natureza. Deixamos que em nós os versos de Sophia se entranhem no espírito e nessa comunhão com o mar:

 

As ondas quebravam uma a uma

Eu estava só com a areia e com a espuma

Do mar que cantava só para mim.

 

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As gaivotas chamam a nossa atenção, é preciso assar o sargo. Paramos no restaurante que se encontra junto à fortaleza e provamos um branco alentejano. Abastecidos de frescura e do sabor do Alentejo, percorremos caminho até perto do pequeno porto de abrigo. É aí que nos espera o peixe grelhado e a companhia inesquecível que farão deste dia, mais um dia especial e único.

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Notas:

  • Capacidade de Carga Turística: Segunto a Organização Mundial de Turismo, a Capacida de Carga Turística é o número máximo de pessoas que podem visitar determinado local turístico, sem afectar o meio físico, económico ou sociocultural e sem reduzir de forma inaceitável a qualidade da experiência dos visitantes.
  • Nunca esqueçam o "Código de Conduta e Boas Práticas"pois estão num Parque Natural. Pode ser descarregado aqui.
  • Interessante e precioso documento acerca do "Ribat Muçulmano" pode ser descarregado aqui.

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Granada. O Fim da Conquista...

por Robinson Kanes, em 07.06.17

 

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Fonte das Imagens: Própria 

 

Recebendo as chaves de Granada, os Reis Católicos avançaram para a cidade - embora tenham esperado que esta fosse pacificada – encontrado pelo caminho uma recepção de prisioneiros cristãos visivelmente abatidos pelo cativeiro e que acolheram os reis de Castela e Aragão em sorrisos e lágrimas. Os reis eram acompanhados por Cidi Yahye (lembram-se dele?), já com o nome cristão de Don Pedro de Granada Vanegas e com a missão de ser o responsável pelos mouros da cidade e do reino.

 

Interessante é o relato de Agápida aquando do desfile dos reis católicos, chegando mesmo a apelidar os monarcas de seres sobrenaturais. Também interessante é o mesmo relato que aponta para a ostentação do clero que quase ofuscava a dos monarcas tal o brilho dos diamantes e riquezas transportadas pelos seus membros.

 

Após D. Fernando ter agradecido a Deus na Mesquita Central, entretanto consagrada como Catedral, o cortejo seguiu até ao Alhambra entrando pela Porta da Justiça. Segundo os cronistas, Boabdil solicitou que jamais alguém entrasse pela porta (Puerta de La Alhambra) por onde este havia deixado ocomplexo pela última vez. Esta sua vontade foi respeitada. Ainda hoje esta porta não é acessível, sendo apenas um monumento comemorativo.

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Terminava assim a Conquista de Granada que, segundo Frei António Agápida, teve a mesma duração do cerco de Tróia. Terminava também o domínio dos Mouros em Espanha, 778 anos após a derrota do rei Visigodo Rodrigo nas margens do Guadalete.

 

Termina também esta aventura, pelo que subo novamente ao Alhambra e contemplo mais uma vez a “vega” de Granada, o Albaicín e toda a cidade no seu fervor, esse fervor que não se perdeu com a passagem dos séculos. Contemplo a Serra Nevada e aprecio o belíssimo complexo que é o Alhambra. Recordo os meus encontros com o Zagal, com Boabdil e com todos aqueles que me acolheram dentro daquelas muralhas. Passeio pelas salas onde o Zagal me tratou como um rei, onde partilhamos as nossas semelhanças culturais e de sangue onde, fosse hoje, talvez encontrasse alguém que pudesse ser um bom conselheiro para uma escalada de tensão entre o mundo árabe e o mundo ocidental. Talvez com a maturidade dos séculos fosse possível encontrar uma solução.

 

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Sinto agora os cheiros do Alhambra e vou descer à cidade para também prestar a minha homenagem na Catedral e na Capela Real aos Reis Católicos. Com a noite a cair passo a Calle Navas, conhecida pelos restaurantes e tabernas, mas demasiado turística, isso faz-me recuar e entrar no "La Cueva", em plena Calle Reyes Católicos. Sento-me junto aos presuntos que decoram aquele espaço e aí aprecio umas fatias desse diamante fumado acompanhado de uma Alhambra enquanto espero pela Paella. Entre o barulho infernal (tão típico e tão bom de Espanha) fico a olhar aquelas gentes e o convívio que envolve todo aquele espaço... Penso em como o sangue de dois povos corre nas veias daquele povo e daquela cidade, de como isso, ao contrário do que se apregoa, é que torna tudo mais perfeito, mais genuíno e sem dúvida mais belo.

 

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Para os recém-chegados a esta aventura:


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http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/el-zegri-e-ronda-18287

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Aljezur, o Estuário e a Praia da Amoreira...

por Robinson Kanes, em 02.06.17

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Fonte das Imagens: Própria 

 

E porque o tempo convida e... Porque vem aí o fim-de-semana, para alguns... Que tal uma ida à praia? Apanhar sol e passar o dia junto ao mar, que tal? Não!

 

Praia, natureza (não que praia não o seja) e cultura podem conjugar-se perfeitamente. Existe um lugar em Portugal (entre outros) onde é possível conseguir tudo isso num raio de 10km! 

 

Que tal ir a Aljezur e subir ao Castelo? Apreciar ao longe aquele altaneiro monumento e daí contemplarmos o nascer do sol quais sentinelas medievais! Não vão ficar arrependidos porque terão de imediato uma vista para o que se segue e que acabará por preencher o resto do dia. E recordem-se, fica apenas a 60 km de Vila Nova de Milfontes, a 8 km da Praia da Carriagem (lembram-se?) e a 32 km de Lagos!

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Depois da História e de uma viagem pelos tempos medievais, nada como descer pelo castelo e de bicicleta (preferencialmente) rumar à Praia da Amoreira. São apenas uns 7 km!

 

O automóvel é opção e ir a pé também! No entanto, o estacionamento é condicionado e além disso perdem o encanto da estrada que ladeia o estuário-lagunar da Foz da Ribeira de Aljezur. Chegando cedo, é possível aproveitar para avistar a fauna e observar a flora. Para mim é um santuário, na medida em que permite avistar algumas das aves que mais me encantam: a Garça-Real Cinzenta (e que bonita que é) e o Guarda-Rios! Encontram outras como a Galinha-de-Água e também alguns mamíferos como a lontra (boa sorte com esta). Apreciem também as formações rochosas, as lagoas, o sapal, as dunas (apelidadas de “medos da Amoreira” pelos locais) e as arribas. É um local lindíssimo onde os binóculos são recomendados.

 

Se deixarem que a hora de almoço se cruze no vosso caminho, porque não um piquenique? Ali mesmo à beira da estrada, mas com vista para o estuário e para os pastos, onde o gado bovino da região acrescenta mais uma cor à mescla de contrastes!

 

Depois do almoço, nada como um passeio na praias, ribeirinha e litoral, sem esquecer a passagem pela rocha do “treme-treme” onde poderão encontrar vários pescadores de cana na mão à espera dos sargos tão característicos daquela costa. Podem sempre tentar negociar a compra de um ou dois. Confesso, no entanto, que não é de todo o meu peixe predilecto.

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Depois do passeio e da digestão, nada como um mergulho no mar e deixar que o fim do dia chegue para contemplar as cores do crepúsculo... Ali mesmo, sentados na areia. Se estiverem acompanhados, namorem. Namorem muito porque o local a isso convida! E porque não surpreender a vossa cara-metade com uma bebida refrescante no bar que dá apoio à praia e que é um local simpático com uma vista panorâmica sobre a mesma. 

 

Fosse eu, e no fim do dia voltaria ao estuário, pois é a melhor altura do dia para observar as aves! É a hora da Garça-Real... E que encanto é observar tão nobre e portentosa ave!

 

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A entrada na noite pode ser passada junto da fogueira (cuidado com o local onde se dedicam a acender a mesma) a grelhar os sargos, ou então num café tradicional de Aljezur entre uns petiscos da terra e um bom vinho. Mesmo que o vinho não seja grande coisa, nestas alturas e nestes locais tem sempre um sabor especial... Talvez pela companhia. Juntem-lhe uns percebes, um queijo, ou uns bichos (camarões) e têm o momento perfeito! Sugiro que escolham o café menos apetecível e paguem uma rodada a quem lá estiver.

 

Quando deixarem este paraíso, podem sempre atestar o automóvel (se for o vosso meio de transporte) nas bombas de gasolina que ficam à saída da vila para quem vem do sul, sempre ajudam os bombeiros.

 

E nunca se esqueçam! Estão numa área de Parque Natural (Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina) por isso é fundamental a leitura do “Código de Conduta e Boas Práticas” que pode ser descarregado aqui.

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Bom Fim de Semana...

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