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Fonte das Imagens: Própria. 

 

Depois do pôr do sol na Praia do Beliche existe também, a cerca de 4km, um local onde um outro pôr do sol nos confronta com a imensidão do Universo. Um pôr do sol forte e onde nos sentimos aquele pequeno grão de areia perdido entre milhões de galáxias. Onde reconhecemos, independente do nosso poder que somos aquele pequeno átomo.

 

Estamos em Sagres, ou melhor, na fortaleza que tem o mesmo nome. Localizada na Ponta de Sagres, também denominada de Promontório Sagrado (Promunturium Sacrum), este local vale sobretudo pelo seu entorno natural, pelas vistas únicas e pela voz do mar que nos invade por debaixo da rocha, ora uma vez suave ora outra vez mais forte e agressiva. A prova de riqueza natural e patrimonial está patente na classificação como Monumento Nacional, Zona Especial de Protecção (ZEP), Rede Natura 2000 e ainda como fazendo parte do Parque Natural da Costa Vicentina e Sudoeste Alentejano. Acresce ainda, o facto do Promontório ser Marca do Património Europeu (MPE), distição da União Europeia que visa promover sítios que simbolizam a integração, os ideais e a sua história. 

 

Depois de algumas horas na Praia do Tonel, podemos guardar o fim do dia para seguir as passadas do Infante D. Henrique e gritar ao oceano que se prepare para enfrentar as nossas caravelas em busca de novos mundos. Podemos também apreciar a enseada da Mareta e o Cabo de São Vicente que, ali tão perto, rivalizam no protagonismo com o promontório.

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O que fascina neste local é sobretudo a imensidão e, mesmo desconhecendo a história, muito bem resumida no website do Promontório, é impossível ficar indiferente. Uns falam do seu misticismo, outros falam do contacto com a natureza, eu falaria de uma sensação estranha; talvez da sensação de estarmos numa zona de mudança, numa área em que um sem número de forças naturais terrestres confluem e às quais o nosso corpo e alma não ficam indiferentes. Se quiserem uma banda sonora, nada como entrar na "Câmara Sonora Activada pelo Mar - Voz do Mar" do arquitecto, pintor e escultor Pancho Guedes. Ao início parece-nos mais uma daquelas obras de arte contemporânea sem qualquer sentido, mas só entrando podemos apreciar a magia oferecida pelo autor.

 

Não poderemos esquecer as aves, ou não fosse esta uma zona de rota migratória, sobretudo das aves que viajam de e para o continente africano. Como fanático das aves de rapina, não poderia deixar de mencionar o Grifo (Gyps fulvus), o Milhafre-preto (Milvus migrans), a Águia-cobreira (Circaetus gallicus) e o suspeito do costume: o Falcão-peregrino (Falco peregrinus). A par da área circundante ao Cabo de São Vicente é comum ver estes habitantes a dominar os céus. Sobre isso falei também aqui aquando de um artigo dedicado ao Cabo de São Vicente e à Praia e Fortaleza do Beliche. Ao longo do Promontório existe também informação com as diferentes espécies de aves e de flora que se pode observar.

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Em relação à fortaleza propriamente dita, é uma construção abaluartada com um portal neoclássico. Aí, é também possível visitar os vestígios da "Vila do Infante" (Infante D. Henrique, que faleceria aqui em 1460) anteriores às muralhas setecentistas. Uma nota também para a torre-cisterna, a "rosa-dos-ventos", uma muralha corta-ventos, os restos das antigas habitações e quartéis e a antiga paróquia de Nossa Senhora da Graça. Uma nota particular para as várias intervenções mal sucedidas ou que nem chegaram a sair do papel que percorreram todo o século XX e que actualmente se tentam colmatar com novas intervenções que garantam a autenticidade do espaço.

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A já mencionada "rosa-dos-ventos", é uma das grandes atracções da fortaleza, mas também aquela pela qual muitos passam ao lado. De facto, ainda ninguém conseguiu provar verdadeiramente a sua função, há quem aponte para um "relógio solar" e até para uma construção com carácter esotérico. Ao contrário do que se pensou, durante muitos anos, este espaço não existiria na época do Infante D. Henrique, aliás, mesmo a existência de uma Escola (a "Escola de Sagres") é algo que tem vindo a ser afastado. Já Ayres de Sá afastava essa hipótese dizendo que, a existir, um empreendimento de tal envergadura não poderia ter passado ao lado dos historiadores e cronistas da época.

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Com história ou sem história, com mistérios ou sem eles, de facto estamos perante um lugar único, onde diferentes emoções nos afloram e de onde, com toda a certeza, poderemos sair com a ideia de que estivemos num pequeno canto do mundo; onde realidade humana e natural convivem de braço dado com uma aura indecifrável mas contagiante. Quem sabe, sejamos intrusos no encontro do calor do Levante com a frieza do Oceano.

IMG_3499.jpgAlgumas notas:

 

  1. Como continuamos no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina não deixem de consultar e levar convosco o Código de Conduta e Boas Práticas.
  2. Sugestões bibliográficas sobre a temática:
  • Almeida, João de (1948), Roteiro dos Monumentos Militares Portugueses Volume 3, Lisboa, Edição de Autor.
  • Albuquerque, Luís de (1971), Escola de Sagres, Dicionário de História de Portugal. Dir. de Joel Serrão, Vol. III, Lisboa, Iniciativas Editoriais.
  • Coutinho, Valdemar (1997), Castelos, fortalezas e torres da região do Algarve, Faro, Algarve em Foco Editora. 
  • Guedes, Livio da Costa (1988), Aspectos do reino do Algarve nos séculos XVI e XVII: a descrição de Alexandre Massaii (1621), Lisboa, Arquivo Histórico Militar.
  • Magalhães, Natércia (2008), Algarve - Castelos, Cercas e Fortalezas, Faro, Letras Várias.

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 Fonte das Imagens: Própria.

 

Não é novo que um mês em Istambul me deixou agarrado àquela cidade e ao próprio país. Também por aqui já abordei um sentir da cidade de todas as culturas...

 

Se podemos falar de sugestões, nada como uma leitura por Orhan Pamuk, sobretudo do seu penúltimo livro "Uma Estranheza em Mim". Pamuk é o cronista de Istambul na primeira pessoa e foi também graças a escritor que me foi possível compreender a dinâmica desta cidade, fora dos livros de história e sociologia, bem para lá de Sultanahamet ou Galata... O que parece um livro sem fim e que lentamente vai contar a história do vendedor de boza (Mevlut Karatas) sem grande entusiasmo, transporta-nos para as ruas dos "novos" bairros pobres que contribuiram para que entre 1969 e anos mais recentes a cidade aumentasse de 3 para 13 milhões de habitantes. Mas a história começa numa aldeia Anatólia Central e é aí que vamos sendo levados pontualmente numa espécie de contraste com a própria Istambul, ou entre a Turquia profunda e a Turquia mais cosmopolita.

 

Não é de todo um livro inacessível, aliás, é uma lição de história, cultura, antropologia, urbanismo e até felicidade... Com especial interesse nessa última área, encontrei aí um bom exemplo de estudo, embora seja pouco ou nada mencionado nas criticas que vi à obra, por norma sempre pesadas e que tendem a afastar leitores mais cépticos - aliás, em música, literatura, pintura e outras artes nunca entendi esta forma europeia de complexificar tanto as coisas que a dita democratização das artes parece uma miragem. Não se assustem, assim que começarem a ler não vão querer parar e o discurso é simples, é mais fácil compreender o livro que as análises ao mesmo. 

 

IMG_20170904_091802.jpgPode também parecer "tolo", mas a par das peripécias que envolvem o casamento de Mevlut, não consegui deixar de pensar na prática do "casamento e fuga" também alvo da etnologia no contexto da comunidade piscatória da Nazaré. É Istambul no seu dia-a-dia, da pressão do Estado, das máfias "bondosas" que acabam por comandar os submundos e os destinos de muitos, é a felicidade com pouco, mas com fortes alicerces na família (primos), nos amigos (Ferhat) e naqueles que encontramos dia-a-dia - interessante a relação que Mevlut acabará por ter com o " Santo Guia". É um relato realista, sem qualquer fantasia mas também sem qualquer necessidade de adensar a tristeza. Discordo quando a obra é tida como uma "novela trágica"... Só de um sofá numa confortável cidade europeia podemos tecer tal afirmação...

 

 É a realidade aqui tão bem escrita e que me transporta para aquele mês em que vi muito do que nestas páginas é apresentado. Como eu, chego à conclusão que no misto de tristeza e encanto com Istambul, também Mevlut é um apaixonado pela mesma.

 

 

É envolvente como, com o livro a meio, e ainda antes de fecharmos os olhos, nos deitamos na nossa cama e temos a sensação de ouvir lá fora a personagem de Mevlut a apregoar "Boooooooo-zaaaaaaaa". Experimentem e deixem a noite alta chegar e ouçam o som da vossa cidade, vila ou aldeia...

 

Finalmente, uma nota musical para me lembrar esta cidade: os "Light in Babylon", uma banda turca de Istambul com várias influências, ou não fosse Istambul uma mescla de povos e culturas. Não sou confesso adepto da voz da vocalista, contudo, não deixa de ser um banda que me atrai pelos temas explorados, pelas letras e sobretudo pelos ritmos árabes, turcos e judaicos. Uma das minhas composições preferidas tem o nome da cidade: "Istambul".

 

 

É uma das companhias para alguns crespúsculos e sobretudo para recordar terras distantes ou, como Mevlut, percorrer os diferentes bairros de Istambul. A encontrar o vendedor de boza - coisa rara - e a descobrir naqueles olhos as inquietações do seu dia-a-dia que só era, apesar do cansaço e árduo trabalho, enriquecido com a venda desta iguaria. Talvez as ruas de Istambul sejam perfeitas para isso, talvez sejam um misto de inquietação e paz que nos transporta para outra dimensão enquanto um simit nos alimenta o estômago e a alma.

 

Deixo mais uma das músicas que aprecio desta banda, 

  

 

 Boa Semana...

 

Boza: bebida tradicional asiática à base de trigo fermentado, de consistência grossa, cor amarelo-torrado e de baixa graduação.

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Fonte das Imagens: Própria. 

 

Desde a passagem pela Cordoama que esta temática andava adormecida, pelo que, nada como 15km a caminhar ou a pedalar até ao Cabo de São Vicente (desde a Cordoama), sem esquecer a praia da Ponta Ruiva. Também é possível seguir por estrada, via Vila do Bispo (EM1265 e EN268).

 

O Cabo de São Vicente, além de uma viagem ao nosso passado de navegadores e conquistadores, é também o local onde podemos apreciar um dos melhores crepúsculos da Europa ou despedirmo-nos do farol guardião em direcção ao atlântico profundo. Em tempos, no século IV, foi também um local de peregrinação dos cristãos que visitavam aqui o túmulo de São Vicente (até ser destruído pelos muçulmanos no século XII), daí o nome Cabo de São Vicente. Aliás, S. Vicente e a sua lenda terão grande impacte também na história de Lisboa e justificam o porquê dos Corvos no brasão da cidade, mas isso será outra matéria.

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Convido a que nos abriguemos na fortaleza, não a original mandada erguer por D. João III e terminada por D. Sebastião, mas sim naquela de planta poligonal que foi erguida por D. Filipe III de Espanha, após a anterior ter sido arrasada pelo célebre Francis Drake, um dos mais famosos corsários ingleses que espalhou o terror também no Algarve. Com poucos turistas ao fim do dia, é algo único, sobretudo para aqueles que já trazem o cansaço e o encanto de um passeio pela Costa Vicentina ou pelo Barlavento Algarvio.

 

Uma das atracções deste local, além do sem número de visitantes que aqui acorre em épocas mais turísticas, é sem dúvida a presença de várias aves. Destaco algumas, nomeadamente a Cagarra (calonectris diomedea), o Ganso-Patola (Morus Bassanus) que infelizmente ainda não consegui apreciar,  e a minha paixão, nomeadamente algumas aves de rapina como o Bútio-Vespeiro (pernis apivorus), a Águia-Calçada (aquila pennata), a Águia Cobreira (circaetus gallicus) e os Grifos (gyps fulvus). Devido a número de pessoas que por ali deambulam, nem sempre é fácil observar estes reis dos céus pelo que é necessária alguma cautela a quem ousar procurar locais mais recônditos e potencialmente mais perigosos.

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Mas não é só no Cabo de São Vicente que podemos ter um óptimo final de tarde. Nada como continuar a caminhar e seguir em direcção à Praia do Beliche (ou Belixe) e apreciar daí também o espectáculo crepuscular e com os pés na água, na areia ou então abrigados na sua gruta que atrai imensos visitantes. Em época baixa, ou já com a noite a aproximar-se, é um espectáculo singular! Aproveitem com conta peso e medida e cedam à tentação da massificação... O segredo deste pôr do sol está na paz que se sente e no sentimento de isolamento.

 

Do Cabo de São Vicente a esta praia são somente 3,5km a caminhar, praticamente o mesmo que por estrada, pelo que poderão fazer uma pausa a meio e recuperar forças na Fortaleza do Beliche (ou Belixe) e olhar o promontório que já se começa a perder de braço dado com o oceano. Esta fortaleza, de origem ainda desconhecida, tem um percurso semelhante à Fortaleza de São Vicente, ou seja, também foi atacada por Francis Drake e posteriormente reconstruída por Filipe III de Espanha. Para quem aprecia arquitectura militar de defesa de costa vai apreciar este local e tentar imaginar as "batarias" a disparar rajadas de projectéis acompanhadas pelo fogo da Fortaleza de São Vicente contra as frotas de piratas e corsários. Em dias de sol parece impossível que em águas daquelas, tão duros combates se tenham travado, um pouco à semelhança do que sentimos em Barbate, Cádiz.  Neste monumento existe também uma pequena capela, a Capela de Santa Catarina, embora seja dedicada a Santo António.

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E chegados aqui, sigamos então para a praia, estendamos a toalha, tiremos uns refrescos e umas sandes da mochila e esperemos que o sol se despeça e o cheiro do mar nos traga uma das melhores experiências do mundo... E tudo isto, todo este glamour, a um preço fantástico de zero euros. E sendo que o mesmo é grátis, colaborem reduzindo a vossa pegada ecológica ao máximo.

 

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 Algumas notas:

 

 

  • Sugestões bibliográficas sobre a temática, porque aqui citamos as fontes:

Coutinho, Valdemar (1997), Castelos, fortalezas e torres da região do Algarve, Faro, Algarve em Foco Editora.

Almeida, João de (1948), Roteiro dos Monumentos Militares Portugueses Volume 3, Lisboa, Edição de Autor.

 

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Fonte da Imagem: Própria 

Muito se tem falado do Turismo, mas pouco se sabe sobre a dinâmica do mesmo. Uma classe que se julga urbana vê diferentes nacionalidades a deambularem pela rua e já se considera especialista em Turismo e, como qualquer português (estou aqui neste rol) opina sobre aquilo que não sabe e porque toda a gente fala nisso ao ponto da discussão sobre turismo se centrar em Lisboa ou Porto ou numa tendência que gera likes e visualizações.

 

Quando temos um jornal generalista de grande tiragem a fazer a distinção entre turista e "viajante", colocando ambos lado-a-lado e apenas baseado na questão se um tira fotos e se o outro planeia, já temos uma falácia de monta. Quando temos "especialistas" em viagens a olhar para o turismo como um conjunto de selfies ou uma lista de locais a visitar temos também um problema, sobretudo quando a mensagem dos mesmos tem eco. Turismo não é andar à boa-vida e será um conceito ao qual voltarei.

 

Mas vejamos:

 

Turista, de um modo breve, é um conceito definido teoricamente e com mais expressão em 1937, nomeadamente no âmbito da Sociedade das Nações, e que definia o turista como o indivíduo que passa no mínimo 24 horas fora do seu país. De facto, ao longo dos anos, esta definição foi sofrendo várias alterações até ser enquandrada num conceito mais abrangente, nomeadamente o de visitante, mas já lá iremos. Deste modo, o turista é um visitante que pernoita pelo menos uma noite num alojamento colectivo ou privado no local visitado. Uma nota para o facto de já não ser colocada a questão se é ou não fora do país de origem e para a dificuldade em definir o que é propriamente "pernoitar" e alguns tipos de alojamento.

 

Deste modo, o conceito de turista é uma ramificação de um conceito mais amplo, como já referi, nomeadamente o de Visitante e cuja definição é a de um indivíduo que viaja para um local fora do seu ambiente habitual por menos de 12 meses e que não exerce uma actividade remunerada no local que visita. Ou seja, o foco aqui é temporal, nomeadamente a deslocação que não pode ser superior a 12 meses e ainda a questão remuneratória. Podemos também questionar as motivações e o conceito de "ambiente habitual", mas isso é um tema mais extenso e a ser debatido de futuro.

 

O conceito de visitante, engloba ainda um outro conceito, nomeadamente o de Visitante do Dia, até há bem pouco tempo denominado de Excursionista. O Visitante do Dia não é mais que todo e qualquer visitante que não passa uma noite num alojamento colectivo ou privado do local visitado.

 

Finalmente, para chegarmos à conclusão que um Viajante não é propriamente um turista e nem se relacionam no estudo do turismo. Neste caso, o visitante (englobando aqui os conceitos de turista e visitante do dia) faz parte de um sistema bem maior e que começa, aí sim no viajante. Contudo, um viajante pode ser alguém que se desloca por um qualquer motivo, por exemplo, um refugiado é um viajante, ou até um estudante. Licínio Cunha, considerado um dos grandes estudiosos portugueses nesta área, define viajante como “(...) toda a pessoa que viaja entre dois ou mais locais, qualquer que seja o modo ou o meio da sua deslocação” (Cunha, 2009:17). 

 

Deste modo, temos aqui um conjunto de definições que nos ajudam a entender alguns dos diferentes actores e a compreender um pouco esta realidade que já não é nova mas que actualmente (no caso português) é um tema em extenso debate.

 

 Alguma bibliografia para ajudar à compreensão do tema:

 

  • Cunha, Licínio (2009[2001]) Introdução ao Turismo. Lisboa: Editorial Verbo.
  • Cunha, Licínio (2010) A Definição e o Âmbito do Turismo: um aprofundamento necessário. ReCiL - Repositório Científico Lusófona. Acedido a 28/08/2017 no endereço: http://recil.grupolusofona.pt/bitstream/handle/10437/665/A%20Defini%C3%83%C2%A7%C3%83%C2%A3o%20e%20o%20%C3%83%E2%80%9Ambito%20do%20Turismo.pdf?sequence=1
  • http://www2.unwto.org 

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SOS EMIGRAGOSTO

por Robinson Kanes, em 10.08.17

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 Fonte da Imagem:http://minhoemfesta.pt/história/dedicado-todos-os-emigrantes-que-estão-de-partida-o-minho-em-festa-deseja-boa-viagem

 

Num país onde dizer que um cigano (sublinho, um) não pagou impostos ou cometeu um crime é considerado racismo e extensívo a toda a uma comunidade! Num país onde dizer que um imigrante (volto a sublinhar um) não quer trabalhar é considerado xenofobia e ódio a todos os imigrantes! E quem é que protege os emigrantes que cometeram o pecado de serem portugueses e regressam em Agosto e até Julho?

 

Comecemos com uma banda sonora que está lá em baixo para vos acompanhar na leitura deste texto.

 

As redes sociais, os media, associações, que não sei bem do que vivem e o que fazem, e alguns "partidos" políticos agitam-se contra comentários isolados, muitas vezes fundamentados e confirmados por toda uma comunidade mas não defendem os emigrantes, vulgo "emigras" ou "avecs", que nos visitam em Agosto! Aliás, defendem desde que tenham adquirido "papel comercial" do BES!

 

Foi por isso que decidi criar a SOS EMIGRAGOSTO, uma associação que defende todos os emigrantes que regressam à sua terra natal no Verão! Defendemos o direito a falar um "francês de Alcochete"; a vestir roupas novas compradas em Salamanca, Ciudad Rodrigo, Vilar Formoso, Badajoz ou Elvas; a utilizar vernáculo nacional intercalado com um francês de Île-de-France e a utilizar carros carregados de presuntos, bacalhau e chouriços! Defendemos também o tuning german style, ou os vidros escurecidos à Lausanne nas viaturas automóveis com matrículas estrangeiras! Defendemos o direito aos churrascos carregados de entremeadas, sardinhas e entrecosto bem regados com vinho Cachinhos ou Almocreve! Defendemos a gasosa, o Joy e o Frutol! Defendemos a "música pimba"! Defendemos os tradicionais "eile na arretou toute suite ele tinha era que arretar", "vien ici Maria, vien a ton pére sua mula dum..." ou então o "un pain prá moi e outro aqui pó me colega".

 

Muitos dirão: essa raça emigra vem para cá exibir carros novos, muitos até são alugados, e vem também mostrar que está bem na vida com roupas novas e a pagar jantares a torto e a direito mas depois, na casa da porteira, é só sopinha! Digam-me lá, o que é que fazem os portugueses que vivem no nosso país o ano inteiro? Estes ao menos fazem-no em Agosto e estão no seu direito, começo a pensar que muitos sentem que o protagonismo lhes está a ser retirado. E não vão a Espanha fazer perguntas, pois aquilo que vocês dizem dos emigrantes é o mesmo que os espanhóis pensam de nós.

 

Para o mal ou para o bem, os emigrantes trazem vida a muitas aldeias e até cidades, essa é a realidade. Trazem vida e jovens para as ruas, animam as aldeias e acima de tudo animam também a economia local. Não se esqueçam que muitos deles ainda fazem investimentos na terras que os viram partir e outros continuam a enviar remessas de dinheiro. Também não tratemos mal os que partiram porque não os soubemos acolher no seu próprio país, porque quer queiramos quer não, a vontade de muitos é voltar. Temos o discurso (com o qual concordo) de sermos muito receptivos com os imigrantes, mas somos os primeiros a expulsar os portugueses lá para fora... E em muitos casos, mesmo lá fora, não peçam ajuda a um português sob pena de ficarem com a impressão que são mais bem acolhidos pelos nacionais desse país...

 

Não tenhamos asco de ver os restaurantes cheios de emigrantes ou as lojas cheias de indivíduos sedentos de gastarem o dinheiro ganho durante o ano. Deixemos que as ruas e os bailaricos se encham de gente bem disposta que vem à procura das suas raízes. Alguns são parvos? Alguns comem com as mãos mesmo que estejam no "Darwin"? E então, quem é que em casa não come o franguinho com as mãos? Quem é que quando abre a boca não mostra o bolo alimentar qual almôndega gigante? Quem é que não fica com os queixos besuntados com o molho das sardinhas? Nos Santos Populares não vejo outra coisa e não são emigrantes...

 

Deixem-nos andar por aí que  ao menos a economia mexe e algumas terras também. Deixemos que invadam o nosso espaço e que dinamizem as nossas praias fluviais enquanto vamos todos mendigar um lugar nos areais do Algarve... Deixemos que o direito a não ter cara de atum seja uma realidade! Não há mal nenhum em invadirem o nosso pequenino mundo, não abram só as fronteiras territoriais, abram também as fronteiras da vossa cabeça...

 

A SOS EMIGRAGOSTO está cá para defender todos os emigrantes que queiram entupir as fronteiras do Caia e de Vilar Formoso, de Tui a Vila Real de Santo António estamos cá para vos apoiar! Mesmo nos voos low-cost em Charlles de Gaulle, Lyon, Basileia ou Dusseldorf estamos lá para vos apoiar! Não são só os estrangeiros que recebemos de "braços abertos".

 

Emigrante que escutas Graciano Saga ou Alizée na tua viagem de regresso à Pátria, a SOS EMIGRAGOSTO está contigo! 

 

P.S: só agora é que reparei que escrevi extensível ao invés de extensivo.

 

 

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Na Flor da Rosa com "La Traviata"...

por Robinson Kanes, em 04.08.17

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Fonte das Imagens: Própria. 

 

Dizem que este espaço andou à boa vida por estes dias... É possível, desde que não seja atacado pela silly season ainda se vai tolerando...

 

Esta semana, e posto que ainda se vai relendo o Sr. Garcia Márquez e o seu "Amor em Tempos de Cólera" - Fermina Daza volta a pensar em Florentino Ariza, mas lá acaba por se aproximar mais uma vez de Juvenal Urbino - deixo apenas uma sugestão que combina música e representação: a ópera "La Traviata" de Verdi... Por aqui até costumamos dizer, "Não é que não houvesse, haver havia, mas eram verdis".

 

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E porquê "La Traviata"? Primeiro porque tivemos a experiência de assistir a esta ópera em exterior, mais propriamente no jardim da Pousada do Convento da Flor da Rosa (localidade no concelho do Crato), numa noite quente e onde a companhia "Ópera del Mediterráneo" deu um espectáculo daqueles, sobretudo a Soprano Gema Scabal (Violetta) e o Barítono Carlos Andrade (Giorgio Germont). Falta "Alfredo", mas Vicenç Esteve Madrid poderia ter estado melhor. O facto de se ter realizado no Convento da Flor da Rosa e de ser "La Traviata" não nos fez hesitar um minuto, sobretudo quando já tinhamos visto Rolando Villazón e Anna Netrebko nos papéis de Alfredo e Violetta. O cenário é fascinante, não se nota tanto pseudo-elitismo e o convento fica situado dentro da aldeia - enquanto a ópera se desenrolava sob a luz das estrelas conseguíamos ouvir pontualmente os cães a ladrar e os sinos a tocar - ao invés de prejudicarem a peça, só lhe deram mais força!

 

Mas a "La Traviata"... Adoro esta ópera, apesar de algum dramatismo exagerado, talvez pela inspiração que a mesma tem na obra de Alexandre Dumas Filho, "A Dama das Camélias" (o libretto é de Francesco Maria Piave). No entanto, é também apaixonante na medida em que estreou em 1853 numa das mais belas salas de ópera que conheço, a "La Fenice" (em Veneza) e depois porque tem árias como "Libiamo ne' lieti calici", "Sempre Libera" e "Addio del passato"... Verdadeiramente brilhantes e das quais partilho convosco alguns vídeos. 

 

A história? Tudo começa com um baile em casa de Violetta, uma cortesã mundana, e a quem é apresentado Alfredo, um nobre que se apaixona por esta, mesmo sabendo que existe um amante: o Barão Douphol. Perante a abordagem de Alfredo, Violetta admite sempre ser incapaz de amar pois mais uma vez é uma imoral mundana! A ária "Sempre Libera" vem daí e perante a insistência de Alfredo à qual Violetta acaba por ceder. Acabam ir viver juntos para a casa de campo da cortesã.

 

Será também na casa de campo que Alfredo descobre as dificuldades financeiras de Violetta e secretamente se oferece para as colmatar. Contudo, O Sr. Germont, pai de Alfredo e regressado da Provença, receando ver o seu filho enamorado por uma cortesã de má fama, pede a esta que se afaste do seu amado sob pena da irmã de Alfredo não ser desposada e do nome da família ficar manchado. Violetta acaba por ceder, contra todos os seus desejos, e abandona Alfredo. Já vi isto em qualquer lado...

 

O reencontro dá-se quando Violetta aceita o convite para uma festa em casa da amiga Flora e se faz acompanhar pelo Barão... Nessa festa está também Alfredo que entra em vários desafios com o Barão, quer no jogo (onde o vence) quer depois quando o desafia para um duelo! Este desafio surge porque, a sós com Violetta, Alfredo tenta reaver a sua amada mas esta, satisfazendo o pai de Alfredo, diz amar só e só o Barão! Alfredo humilha e trata Violetta como uma prostituta, chama todos os convidados e atira o dinheiro ganho no jogo para cima desta e sente o repúdio de todos, inclusive do pai que entra em cena já no fim do segundo acto.

 

Violetta abre mais um acto numa Paris que celebra o Carnaval, tísica e esquecida pelos amigos, excepto Grenvil, médico e amigo (mais um toque de Verdi à sociedade da época). É aqui que recebe uma carta do pai de Alfredo e onde este confessa ter falado ao filho do sacrifício de Violetta. Giorgio Germont diz também na carta que Alfredo se encontra a caminho para pedir o seu perdão. Violetta, contudo, teme que Alfredo não chegue a tempo e é aqui que canta "Addio del passato bei sogni ridenti"... Maravilhoso!!! A gravação da albanesa Ermonela Jaho (último vídeo) é um hino!

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Alfredo chega entretanto, acreditando que o amor vencerá a doença mas... Logo após a chegada deste, de Grenvil e de Giorgio Germont, Violetta cai sob os seus braços e morre, não sem antes ter conseguido forças e esperança para acreditar num amor tão poderoso capaz de desafiar o destino cruel.

 

Como muitos lhe chamaram, uma ópera imoral... Eu iria mais longe e diria que é uma ópera romântica e real que aos morais de capote provoca o asco de se reverem em alguns comportamentos. Uma ópera cujo amor vence tudo, mas só não vence a doença. Um amor que não pode escapar ao destino mortal mas tem de escapar ao, muitas vezes, desejo de morte e à moral.   Sobre isso, dizia Ferreira de Castro (in "A Experiência") que "uma moral, qualquer que seja, se, por um lado, se renova, por outro envelhece, e há normas de moralidade colectiva que, com o tempo, revelam toda a sua desumanidade e tornam-se, portanto, imorais".

 

Apesar da morte de Violetta, talvez seja a lição de que o amor por nada deve ser trocado e contra tudo e contra todos deve ser defendido, porque só a morte tem o direito natural de pôr fim a tudo.

 

Bom fim de semana...

 

As três árias para vos contagiar:

 

"Libiamo ne'lieti calici"

 

 

"Sempre Libera"

 

 

 

"Addio del passato"

 

 

 

 

 

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Pela Cordoama, Barriga e Castelejo...

por Robinson Kanes, em 03.08.17

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 Fonte das Imagens: Própria.

 

Apesar de ser Verão e as praias se encherem de cor e festa, a verdade é que existem praias que são mais belas longe desta época... Três delas situam-se lado-a-lado, bem perto de Vila do Bispo: a Praia do Castelejo a leste, a Praia da Cordoama ao centro e a Praia da Barriga a oeste. É interessante como não nos cansamos de percorrer esta costa, como cada praia é uma descoberta, cada penhasco um desafio e o oceano o nosso companheiro mais fiel e que se vai transformado quilómetro a quilómetro.

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Comecemos pela Cordoama, uma praia com extenso areal e ideal para a prática de desportos náuticos (sobreutdo surf) e também para a prática de parapente, mas pouco recomendável para crianças ou pessoas que não queiram arriscar no mar devido à ondulação. À semelhança da Praia da Barriga é ideal para observar as escarpas e contemplar o oceano. No entanto, a Cordoama e o Castelejo têm uma particularidade: são divididas por uma colina e é daí que se consegue ter também uma das melhores vistas da Costa Vicentina. É um local icónico e que permite, por vezes, apreciar de cima verdadeiras acrobacias aquáticas ou então aéreas devido à prática de parapente. A Cordoama não se pode considerar uma praia romântica nem das mais belas da Costa Vicentina, mas é sem dúvida um ponto obrigatório, quanto mais não seja para deixarmos que os ventos que acompanham o atlântico nos purifiquem.

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A Praia da Barriga é ideal para ser o ponto de partida para uma caminhada até à Cordoama e depois ao Castelejo na maré-baixa. É conhecida sobretudo pelos praticantes de surf e bodyboard.

 

Finalmente, a jóia da coroa destas praias, a Praia do Castelejo: além da ondulação forte oferece ainda um contraste singular entre o negro xisto e a areia dourada a que se junta a Pedra da Laje que pela sua semelhança a um castelo é apontada como a responsável pelo nome da praia. Uma das outras mais-valias deste local é o Trilho Ambiental do Castelejo e que ainda integra uma área de Rede Natura 2000! Circular e com apenas 3,5km é obrigatório percorrer o mesmo, seja a pé ou de bicicleta. Apesar de não ir dar à praia, é possível fazer um piquenique junto ao lago antes de se abandonar o trilho, até porque os cheiros do Castelejo não nos deixarão fugir sem pisarmos aquelas areias. Mais informação sobre o trilho aqui.

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E como estamos no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina não deixem de consultar e levar convosco o Código de Conduta e Boas Práticas.

 

 

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O Insulto...

por Robinson Kanes, em 01.08.17

 

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 Fonte da Imagem: http://i.dailymail.co.uk/i/pix/2013/04/23/article-0-1971C156000005DC-883_1024x615_large.jpg 

 

Esta história passa-se num daqueles dias em que não sair de casa é que é o melhor remédio. 

 

Tudo se passou, um destes dias, neste nosso Portugal. Começou numa pequena localidade onde, à saída, voltei com o carro atrás para tirar uma fotografia a um espaço agrícola e residencial bastante interessante, a algo que havia despertado o meu interesse e me fez querer gravar aquele registo para memória futura.

 

Estaria tudo bem até encontrar, muito provavelmente o "Ídolo" da terra, um senhor dos seus sessenta anos que empurrava um carrinho de mão carregado de cebolas - cebolas com bastante bom aspecto, por sinal - e que se sentiu invadido na sua privacidade só pelo simples facto de ter visto uma máquina fotográfica na mão de um forasteiro. Ou somente por ter visto um forasteiro...

 

Eis que, olhando para mim e pensando que eu me encontrava a filmar a celebridade da terra, deixa violentamente o carro da mão na estrada e começa a caminhar em passo apressado e de semblante violento na minha direcção proferindo comentários simpáticos, tais como: "que é que estás a fazer? Pára já de me filmar com essa mer... que eu vou já chamar a guarda".

 

Fui obrigado a responder em tom mais agressivo, pois vi que se fosse com um tom mais suave provavelmente não conseguiria fazer parar o mesmo. Efectivamente, este estacou a uma pequena distância do carro. Utilizei o argumento de que não o fotografava e que estaria à vontade para validar isso na máquina. Expliquei o que estava a fotografar e que até gostava de fotografar "gentes" para consumo interno, mas o "vendedor de cebolas" (fui buscar esta expressão à série "Allô Allô") não estava para fazer amigos e responde a preceito:

 

-Não estavas nada, estavas a filmar-me a mim, andam com essas m.. mas eu parto-te isso tudo, vou chamar a Guarda que vais ver. Até tenho um filho na Guarda vou já chamá-lo que vais ver (pelo meio houve uma ofensa que não consegui compreender mas penso que acaba numa palavra que rima com fruta) fora daqui - A abordagem típica daquele português que não quer sujar as mãos e acha que a autoridade existe para satisfazer os seus caprichos.

 

Voltei novamente a dizer e a apontar o local que fotografava até perceber que o mesmo não queria é que eu andasse a fotografar fosse lá o que fosse e até continuou:

 

-Têm a mania que são espertos, mas são todos uns (palavra que rima com trovões), fora daqui, não queremos cá esta gente!

 

Xenofobia no meu próprio país, que diria a SOS Racismo disto? Percebi que seria uma conversa que tinha de terminar. Além de que, informar que era português e que pagava os meus impostos para uma terra não produtiva continuar no mapa e a acolher aquele indivíduo, seria uma perda de tempo e só iria exaltar os ânimos. No entanto, lá o indivíduo ía proferindo os impropérios e a ameçar-me com a Guarda se eu não deixasse a localidade. Penso que o mesmo só percebeu que era melhor regressar ao seu carrinho de mão quando, mais agressivamente, lhe disse que quem ía chamar a autoridade era eu pois tinha todo o direito de estar ali. Sugeri também que parasse com aquele discurso e que o mesmo não era assim tão importante para ser fotografado por tudo e todos. Fabuloso pensamento daquele indivíduo que acredita que a Guarda existe para o defender de tudo e todos mesmo quando o principal criminoso é o próprio.

 

Tal, também não me demoveu de tirar a fotografia enquanto o indivíduo não se calava. Ao arrancar com o carro ainda passei ao lado do revoltado, que entretanto decidiu seguir para o seu destino, não sem antes proferir mais uns comentários xenófobos contra a minha miúda. 

 

Até percebo que fosse uma zona deprimida, com dificuldades, mas não poderia admitir tais comentários, sobretudo para alguém que respeita todas as culturas e tradições seja onde for. Interessante também que o forasteiro que já defendeu a terra (pois quem lá vive não o faz) foi ofendido e convidado a abandonar a mesma.

 

O lado irónico de tudo isto é que, já longe dessa bela terra e onde também existem boas gentes, vi pela tarde naquela mesma localidade (na televisão de um café a uns bons quilómetros de distância) senhores da idade daquele indivíduo a abraçarem e a aplaudirem a chegada de um político que se está pouco borrifando se as chamas apagam ou não aquela localização do mapa e que só descobriu muito provavelmente que aquela terra existe porque os incêndios andaram lá perto e um qualquer assessor lhe disse que seria de bom tom e mediático passar por ali. 

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"Friday I'm In Love"...

por Robinson Kanes, em 28.07.17

 

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 Fonte da Imagem: Própria

 

Aí está o fim de semana e com ele o delírio daqueles que trabalham cinco dias para viverem um e deprimirem a partir das 13 horas do segundo...

 

Por aqui deixo uma pergunta, já foram a Tourém? Então nada como ir até ao artigo de ontem, pode ser uma óptima sugestão para vos encher de boas energias ao invés de lastimarem a infelicidade de terem um trabalho e ainda terem tempo de descanso...

 

O tema dos incêndios também tem sido uma tónica cá por casa, pelo que será necessário descomprimir antes que me sejam colocadas as malas à porta. Na leitura não será,  pois por aqui continua-se a reler Gabriel Garcia Márquez e o seu "Amor Nos Tempos de Cólera". Quem viu o filme e gostou, após ler o livro vai mudar de opinião em relação ao primeiro. Mas... Apesar de arrebatadores e geniais, os livros de Garcia Márquez não são propriamente os que nos colocam mais felizes...

 

Por tudo isto, lembrei-me da banda sonora desta semana: "The Cure" - aquele rock com um sotaque british bem vincado na voz de Roberth Smith, o vocalista da banda nascida nos anos 70 e que sobreviveu aos ricos anos 80 e ainda conseguiu atingir o apogeu nos anos 90! É a banda ideal para ouvir enquanto se conduz na cidade enquanto outros, fechados nos seus automóveis, apresentam a tradicional cara de atum. Destaco três músicas que estão incluídas no "Best Of" mais "recente" da banda - três porque não poderia esquecer "Friday I'm In Love"! As outras duas são "Why Can't Be You" (adoro além de que é das melhores para andar no trânsito - ver no final do artigo ) e "Mint Car" (ideal para filas longas - idem).

 

 

Um filme? Poderia pensar em vários mas talvez opte por uma produção francesa de Yann Samuell com Guillaume Canet e a belle Marion Cotillard. O filme é "Jeux d'enfants" ("Love Me if you Dare", em inglês). Uma história de amor, mais leve e mais animada que decorre em torno de um jogo, ideal para quem gosta de amores difíceis, e com alguns apontamentos mais sérios onde destaco a questão da morte e de levarmos a enganadora vida perfeita ao lado de quem não amamos... No final, uns conseguem corrigir o erro e viver o seu grande amor, outros nem por isso. Abaixo fica o trailler para os apaixonados.

 

 

Bom fim de semana e até terça-feira.

 

Abaixo as outras duas sugestões dos "The Cure".

 

"Why Can't Be You"

 

 "Mint Car"

 

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"Contrapassear" pelo Exclave de Tourém...

por Robinson Kanes, em 27.07.17

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 Fonte das Imagens: Própria

 

Tourém, a par de Mourão no Alentejo é um dos exclaves de Portugal. Atravessado pelo Rio Salas faz fronteira a norte com Espanha, nomeadamente com os Ayuntamientos de Muíños e Calvos.

 

Tourém, com cerca de 151 habitantes, repousa nas costas do Gerês e é aí que olha para Espanha e se deixa banhar pelo rio que serve de local de descanso e alimentação para pessoas e animais. É um local mítico e que serviu de apoio ao Castelo de Piconha que defendia Portugal de Castela. 

 

De Tourém podemos admirar as suas casas ainda bem preservadas, o seu chão em paralelo e toda uma história de aldeia comunitária que a colocam lado-a-lado com aldeias como Pitões das Júnias, ou até com a mais distante, Rio de Onor. O Forno acaba por ser o grande herdeiro desses tempos, como o é nas demais mencionadas.

 

Chegar a Tourém é chegar ao fim de Portugal, não só pelo facto de estarmos perante uma aldeia raiana mas também por deixarmos para trás os encantos únicos do Gerês e penetrarmos num outro mundo que é o da Galiza com todas as suas tradições e especificidades, muitas delas bem semelhantes às da região do Barroso.

 

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Como Aldeia Raiana, Tourém não escapou ao contrabando, uma temática que ainda cultiva algumas questões mas que é também um produto turístico. Aqui, recomendo o trabalho fotográfico de um investigador da Universidade de Trás-os-Montes, Hugo Costa, que retratou em imagens as histórias de alguns contrabandistas de Tourém com a sua câmera fotográfica. Uma volta pelo "google" e não faltarão exemplos. Para quem gosta de caminhar, porque não experimentar um percurso pedestre da "Rota do Contrabando", mais especificamente  o "Trilho de Tourém" - permite que sejamos contrabandistas por um dia e conhecer toda a aldeia e paisagem envolvente, o download do trilho pode ser feito no website da Câmara Municipal de Montalegre. São 11km mas o percurso é circular e permite contemplar o Forno Comunitário, a Capela de S. Lourenço, o Largo do Outeiro e a Albufeira de Salas. Parar, conversar com quem passa, jogar às damas num qualquer café e fazer festas aos cães que deambulam por aquelas ruas também vai ser uma realidade.

 

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Visitar Tourém é recuar a tempos mais distantes onde o sentimento de comunidade era a maior arma contra o isolamento e contra os duros Invernos daquelas terras distantes... Atravessar a ponte e observar a albufeira e as montanhas circundantes, enquanto observamos o gado a saciar a sede naquelas águas, é como sermos transportados para Alberto Caeiro, para a capa bucólica de Fernando Pessoa.

 

Uma nota para os que gostam de "passarada", aqui não faltam atractivos, na foto consegui captar um Gavião, mas também se podem encontrar, entre outros, o Bútio-vespeiro (Pernis apivorus), Águia-calçada (Aquila pennata), Águia-cobreira (Circaetus gallicus), Peneireiro-vulgar (Falco tinnunculus), Ógea (Falco subbuteo) e a  Águia-d'asa-redonda (Buteo buteo)... E estamos só a falar de aves de presa, imaginem o que não poderão ver mais... O website Aves do Barroso pode ajudar.

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Também prometi que esta semana falaria da Cordoama e do Castelejo mas... Com o país em chamas, falar de praia não é a melhor postura!

 

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