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Retratos de Inverno - Neve

por Robinson Kanes, em 09.02.18

 

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Fonte das Imagens: Própria 

 

Numa semana em que o negro da morte e da poluição andou um pouco por aí, é importante regressar ao branco... Ao branco, à palidez de algo vazio, algo puro, e onde tudo pode renascer.

 

Admito que a neve em excesso não me fascina, nunca fui adepto de destinos de neve e só consigo apreciar a mesma quando ainda conseguimos ver um pouco da folhagem das árvores ou então quando bem lá de cima, vimos as montanhas cobertas por um manto branco com um pico aqui e acolá. O contraste entre o verde ou o castanho com a neve, esse sim, é deveras encantador.

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Além de que existe algo que se aproxima da magia e do som único que é o pisar de folhas... O som do pisar da neve, aquele "rac rac rac" que nos anuncia a chegada de alguém, por norma bem encasacado e encolhido, mas também com um sorriso no rosto ou então desejoso de partilhar o aquecimento numa conversa entre uma bebida quente e um bolo... Quiçá um chocolate quente e um pastel de nata, ou então um "Glühwein" acompanhado de um Trdelník ou da sua versão húngara, o "Kürtőskalács".

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A neve lembra o Natal, sobretudo no pólo norte, mas lembra também dificuldades, sobretudo quando em excesso. Lembra também bons momentos passados na rua, com um frio que não lembra a ninguém, mas onde a brincadeira impera. A neve recorda-me sempre a imagem do Alhambra com a Serra Nevada ao fundo, com os seus cumes com neve e com aquelas nuvens que vão escurecendo a pouco e pouco até se tornarem ameaçadoras e descarregarem a sua força na cidade.

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Recorda-me o contraste dos campos de alfazema e de como de um enorme manto branco surge toda aquela cor que nos apaixona quando percorremos a Provença e nos socorremos de um Calisson "Le Roy René" para retemperar forças.

Aquando da neblina, falei de Alberto Caeiro e dos "Poemas Inconjuntos"... Pois também na sua falta de conjunto, surgiu "A Neve Pôs Uma Toalha Calada Sobre Tudo":

 

 

A neve pôs uma toalha calada sobre tudo.
Não se sente senão o que se passa dentro de casa.
Embrulho-me num cobertor e não penso sequer em pensar.
Sinto um gozo de animal e vagamente penso,
E adormeço sem menos utilidade que todas as ações do mundo.

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"

 

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Talvez, ao contrário do que nos dizia Caeiro, a neve coloque em nós um pano branco que nos faça também descolorar todo um pensamento e do zero criar novas raízes, novos caminhos desobstruídos, novos desafios e deixar que o cobertor apodreça entre o gelo do Inverno, e depois, o calor do Verão.

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Como muitas aves que percorrem e perfuram a neve em busca de alimento, pois que, também possamos sair à rua e encontrar na neve algum alimento para o sorriso, para a brincadeira e para as memórias, até porque esta época não precisa de calor para ser perfeita, quando podemos fazer um enorme Carnaval a brincar na neve...

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 Bom fim-de-semana,

 

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Retratos de Inverno - Neblina Matinal

por Robinson Kanes, em 02.02.18

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 Fonte das Imagens: Própria.

 

 

Entre as palavras que mais ouvimos estão estas duas: neblina matinal. Raros são os boletins meteorológicos que deixam a neblina matinal para trás... No entanto, se para uns é uma forma de tornar o despertar mais difícil, para outros é uma daquelas coisas que nos faz saltar da cama e percorrer os campos a pé ou em duas rodas! Equipamento térmico de ciclismo vestido, sapatilhas de encaixe calçadas, travões afinados e aí vamos nós! Ou então sempre podemos calçar as botas, vestir uma camisola quente, umas calças confortáveis e admirar a natureza ainda mais perto.

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Quem é que não se recordará de, ao fazer estes percursos singulares, dos poemas de Fernando Pessoa sob o heterónimo de Alberto Caeiro? Quem não será um "guardador de rebanhos" ou aquele que Pessoa tenta descrever em "Hoje de Manhã Saí muito Cedo?"

 

Hoje de manhã saí muito cedo,
Por ter acordado ainda mais cedo
E não ter nada que quisesse fazer...

Não sabia por caminho tomar
Mas o vento soprava forte, varria para um lado,
E segui o caminho para onde o vento me soprava nas costas.

Assim tem sido sempre a minha vida, e
assim quero que possa ser sempre —
Vou onde o vento me leva e não me
Sinto pensar.

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"

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A neblina matinal é inspiradora... Não tem de ser triste... Não tem de ser o início de uma constipação, mesmo que as nossas narinas sintam o aroma e o frio que rapidamente se dissipa se deixarmos que o nosso pensamento se funda na manhã e na paisagem. Deixemos que aquela humidade que nos gela os ossos seja o ar condicionado de um corpo quente em fusão com a natureza. Poderei estar lírico, mas talvez as palavras de Vergílio Ferreira, no seu Conta-Corrente façam sentido quando diz que "a vida é feita, bem o sabemos, de pequenos nadas que é o que mais conta para o nada que somos no fácil e correntio".

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Nestas manhãs, os cheiros são sempre diferentes, são sempre mais puros e mais intensos, é comum pela manhã ou ao final da tarde, mas esta humidade faz levantar da terra todo o seu aroma, todo o seu sabor até. O solo fica macio, por vezes os pés ou as rodas da bicicleta enterram-se na areia e como é bom ter de limpar toda aquela lama depois de um percurso por entre caruma, folhas, lama e tudo aquilo que encontramos nestas pequeninas mas tão inspiradoras viagens. 

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Bom fim de semana... De preferência, com muita neblina...

 

 

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De Montjuïc te Contemplo...

por Robinson Kanes, em 31.01.18

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Fonte das Imagens: Própria.

 

 

Saimos do bulício da cidade, da multiculturalidade do Raval e da multidão do Port Vell e subimos a Montjuïc ou "Monte de Jove"... Barcelona tem daqui uma das mais belas vistas - não terá sido por acaso que, desde os momentos pré-históricos, muitos povos se foram aqui estabelecendo. Por este monte, por exemplo, passaram os romanos que aqui ergueram o monumento a "Jove", daí o outro nome desta elevação.

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Quando subimos via "Passeig Josep Carner" - zona de "Drassanes" - a primeira imagem com que ficamos é arrebatadora: os "Jardins Mirador", onde se encontra o "Mirador de L'Alcaide", dão-nos uma vista única do Porto, da zona central e litoral da cidade. Mas não nos fiquemos por aqui, ganhemos forças e subamos até ao "Castell de Montjuïc", uma fortaleza do século XVII, um autêntico mirador de 360º da cidade e onde até os entusiastas da aviação podem observar o movimento no "El Prat". Podem dar uma vista de olhos pela interessante história deste espaço no website cultural do "Ajuntament" de Barcelona. Os que gostam de estudar a Guerra Civil têm aqui uma óptima fonte de conhecimento que inclui fotografias singulares dos bombardeamentos da aviação italiana e das peripécias (menos felizes) que tiveram lugar naquela fortaleza - recomendo vivamente. Admito que subir toda aquela colina de bicicleta e acabar no "Castell" era uma das coisas que mais satisfação me dava durante aqueles tempos em Barcelona.

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E se é de desporto que falamos, não poderemos deixar de falar do "Anella Olímpico", ou "Anel Olimpico", nascido aquando dos Jogos Olímpicos de Barcelona e que hoje inclui o "Estádio Olímpico Lluís Companys", o "Palau Sant Jordi" as fantásticas piscinas "Bernat Picornell" e a "Torre Calatrava", uma torre de telecomunicações projectada pelo mesmo arquitecto que projectou também a Gare do Oriente, Santiago Calatrava. Não é o mais fascinante que vamos encontrar, mas é algo que encontramos no caminho.

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Mas Montjuïc não é apenas um espaço com belas vistas ou com um cariz histórico-cultural, é também um lugar onde a Natureza por si só conquista todos aqueles que por aí passeiam ou fazem desporto - com intervenção humana, o Jardim Botânico é o mais emblemático, até porque as suas origens remontam a uma antiga lixeira.

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Depois de deixar a Carrer Ausiàs March de bicicleta, Montjuïc era o local ideal para preencher um dia de actividades onde não poderia faltar uma refeição ao ar-livre. Um local singular onde se conjugava a natureza, a história, a cultura e o desporto, sem esquecer todo um entorno paisagístico único! E se é de cultura que falamos, também é aí que encontramos a "Fundação Joan Miró" - não sou entusiasta do artista, mas as referências daqueles com quem privei eram óptimas. A par do "Poble Espanyol", foram dois espaços que nunca visitei - o último sempre o encarei como uma espécie de "Portugal dos Pequenitos" pois é o espaço onde podemos encontrar, em miniatura, alguns dos lugares mais belos de Espanha. Esta construção ainda é parte do que restou da Exposição Mundial de 1929 e que teve lugar naquela cidade. Mas já estamos a descer com uma vista espectacular sobre a zona de Llobregat. É por aí que encontramos o  "Museu Nacional de Arte da Catalunha".

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Este Museu, mesmo para quem não aprecia, merece no mínimo uma caminhada pelo seu exterior. Situado no "Palau de Montjuïc", é edificio classicicista (erguido para a Exposição Mundial de 1929) e que apresenta uma das mais belas colecções de românico do mundo - em termos de dimensão, é considerada a mais completa. Além da parte arquitectónica, nomeadamente o Salão do Trono e a Cúpula, sem dúvida que a visita às secções de arte românica e gótica são fundamentais, vejam as "Carpideiras". Claro que não poderia deixar passar um dos meus pintores de eleição como El Greco ("São João Baptista e S. Francisco de Assis", Tintoretto, Zurbarán,. Caliari, Tiepolo ou Tiziano que estão incluídos na colecção "Cambó" (uma nobre família Catalã) - por pouco me esquecia, mas tenho de me ajoelhar, também podemos encontrar nesta colecção pinturas de Rubens e Goya! E se pensarmos que estes e muitos outros também se encontram na colecção "Thyssen-Bornemisza"? Uma verdadeira "barrigada" de pintura que tornará qualquer dia mais especial e onde nem falta Canaletto.

 

Sei que já estou a ir longe, mas não poderia deixar de falar no acervo de pintura moderna que nos faz querer regressar, na eventualidade do nosso cérebro já não conseguir processar correctamente, perante tantas obras-primas. Não deixem passar o "Auto-Retrato" de Esquível, o espectauclar "Auto-Retrato" de Sorolla, as esculturas de Meunier e Rodin, a "Santa Madalena" e as paisagens de Jubany entre um sem número de obras que apaixonam até os menos entusiastas.

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Anoitece, regresso agora, na minha imaginação, depois de descer pela escadaria do museu com a bicicleta na mão, passo pela "Fonte Mágica" que emana as suas luzes mágicas (à noite e pontualmente) enquanto me preparo para fazer à estrada em direcção à "Plaça Espanya", não sem antes passar pelos pavilhões da "FIRA"... Decido se vou pela "Gran Via de les Corts Catalanes" ou desço a "Avinguda del Mistral" até ao "Raval" onde me posso encontrar com a Helena e o Felip e passar o resto da noite em boa companhia, entre uma ou outra cerveja e uma boa "escalivada".

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Pelo Port Vell até Drassanes...

por Robinson Kanes, em 14.12.17

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Fonte das Imagens: Própria 

Já lá vão uns tempos sem recordar a "minha" Barcelona. Recordo-me de Barceloneta, da minha morada em Ausiàs March, do percurso do Passeig Lluís Company até à Torre Agbar sem esquecer a Ciutadella e os momentos bem regados no Port Olímpic. Hoje, e posto que deixei Barceloneta no último artigo, continuo a caminhar junto ao mar percorrendo o Port Vell (Porto Velho)...

 

O Port Vell, para mim, é mais que um espaço comercial, alvo de algumas obras de modernização que levaram à construção do Oceanário e do Maremágnum (centro comercial). Daqui, e enquanto caminhamos junto ao mar, assistimos ao movimento do porto de Barcelona enquanto vislumbramos Montjuic cada vez mais perto. É um óptimo passeio para o fim de tarde e se possível nada como fugir do movimento frenético da Rambla de Mar e seguir até ao fim do molhe.

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Todavia, as grandes atracções, para mim, além da paisagem natural, são o antigo edifício neoclássico da alfândega e o Museu Marítimo de Barcelona que ocupa o local onde se encontravam as "Reales Atarazanas" o grande arsenal da coroa de Aragão! Quem aprecia o mar e arquitectura tem aqui um espaço de visita obrigatória e que, no fundo, nos transporta para outras épocas num local calmo e pacíficio longe do sempre espectacular bulício de Barcelona, sobretudo no "Passeig de Colom". É também aqui que Cristovão Colombo, do alto do seu pedestal de 60 metros (construído para a Exposição Universal de 1888 e que celebrava a descoberta da América) contempla a cidade e o mar. Além das figuras históricas, são os leões, na base, que me fascinam...

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Deixando uma azáfama mais turística, entramos na zona de "Drassanes". Drassanes não é mais que o sinónimo das "Reales Atarazanas" e era o nome catalão para as mesmas: "Drassanes Reials de Barcelona".

 

É por detrás do Museu, num bairro extremamente interessante e onde me aconselhavam a não ir à noite que encontrei mais um dos meus recantos preferidos da cidade. Encontramos por aqui todas as culturas num pequeno bairro nas traseiras do Museu Marítimo... Já estamos no "Raval".

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Ao percorrermos as ruas percebemos que as influências africanas e do médio-oriente estão presentes, não só nos IMG_1428.jpgrostos mas também no vestuário e, especialmente no aromas e nos mercados... É impossível não nos deixarmos contagiar pelo cheiro a boa comida e seguir o mesmo até encontrarmos um lugar, que nem sempre é o mais atraente, mas que nos faz sentar e apreciar aquele recanto multicultural da cidade... Não foram poucas as vezes que por lá deambulei também durante a noite, e nunca senti receio ou fui alvo de qualquer abordagem mais hostil. 

 

É também caminhando por estas ruas, presas entre a Avinguda del Paral·lel e a Avinguda de les Drassanes, que, em pleno "Raval" iremos encontrar um pequeno, mas peculiar, mosteiro românico beneditino de finais do século IX - o Mosteiro de "Sant Pau del Camp". É um espaço singular, com uma igreja em cruz grega de apenas uma nave. O movimento de culturas nas ruas que ladeiam o mosteiro é apreciável e encantador. 

 

Será pois, aquecendo o meu corpo, pois para lá de Montjuic o sol já se despede, que ficarei por aqui a saborear uma "shorba baidha" (sopa branca) e a apreciar a companhia de um argelino e de um catalão que me vai contando a história do Raval e do seu passado de má fama...

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O Verdadeiro Natal no Striezelmarkt...

por Robinson Kanes, em 28.11.17

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 Fonte das Imagens: Própria.

 

Uma das imagens mais belas que se pode ter da Saxónia e que me fazem recordar as minhas deslocações e estadas em Berlim é o "Striezelmarkt" de Dresden, ou seja, o Mercado de Natal local. Todavia, acredito que a melhor entrada na Saxónia não será via Berlim, mas sim pela Boémia com a primeira paragem alemã na pitoresca Bad Schandau mesmo junto ao Elba.

 

Não vou falar de Dresden, para mim, a cidade mais bonita e romântica da Alemanha, mas sim do seu Mercado de Natal. Os Mercados de Natal da Alemanha são dos mais genuínos e interessantes que podemos conhecer e aqui, admito, que somos (portugueses) claramente ultrapassados na forma de celebrar o Natal.

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O "Striezelmarkt" remonta a 1434 e tinha a duração de apenas um dia. Este mercado visava apenas venda de carne, segundo as as leis de Frederico II, Princípe da Saxónia. O nome advém da palavra "Striezel" que é uma espécie de pão típico de Natal e também conhecido por "Stollen". Caminhar pela Altmarkt com uma caneca de Glühwein (vinho tinto aquecido com canela, cravinho, laranja ou limão e açúcar) numa das mãos e na outra com uma Lebkuchen (um espécie de bolo de mel e com um sabor a gengibre que... hum...) pode ser um dos passeios mais interessantes que vão ter nas vossas vidas. Dresden é uma cidade romântica e das poucas fora do Mediterrâneo que me apaixonam, mas sem dúvida que um Natal a dois não pode nem deve dispensar um passeio junto ao Elba e pela Altmarkt. Amigos alemães que não me enviem Lebkuchen no Natal têm de aturar o mau feitio do Robinson.

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Com a maior pirâmide "Erzgebirge" do mundo (14,62m) e o maior arco de Natal do mundo (13,5m de largura), neste mercado é impossível resistir às bancas que vendem somente produtos natalícios, desde a comida a peças de atesanato com especial destaque para os brinquedos. Também as "barraquinhas" são decoradas com extremo bom gosto e que tornam quase impossível não relembrar os tempos de criança... Eu diria até que voltamos a ser crianças. Quem diria também que há 72 anos esta cidade foi arrasada por um dos mais terríveis bombardeamentos da história e um dos grandes desastres cometidos pelos aliados que não olharam a meios e mataram um sem número de civis (250 000 foi a contagem inicial, que agora aponta para 25 000) de forma absolutamente desnecessária e ainda hoje um tema tabu quando se fala na Segunda Guerra Mundial, pois são muitos os que defendem que se tratou de um crime de guerra.

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Cachecol, gorro, e uma caminhada bem abraçados e aconhegados com a nossa paixão, tornarão todo e qualquer momento neste mercado inesquecíveis e nem o frio da Saxónia será capaz de quebrar a vontade de conviver na rua entre amigos de longa data ou recém-amigos que connosco, sem medo do gelo, partilham momentos singulares e inesquecíveis.

 

Toda a cidade é uma festa, mesmo antes, se viermos da Estação vamos encontrar também um enorme Mercado de Natal, e atravessando o Elba encontramos, logo a seguir à Estátua do Cavaleiro de Ouro (Augusto, o Forte - Rei da Polónia e Grão Duque da Lituânia) mais um mercado que não nos deixa ficar quietos e onde podemos saborear um sem número de produtos locais, aqui, com forte enfoque nas carnes.

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Apesar do frio, o melhor local para saborear estes petiscos é mesmo junto ao Elba, sem necessidade de voltarmos a atravessar a ponte. De noite ou de dia, e muitas vezes com um frio cortante, podemos contemplar o "Brühlsche Terrasse", mais conhecida como as "Varandas da Europa" e a "Kunstakademie" (Academia de Belas Artes) sem esquecer a imponente "Hofkirche" e a "Semperoper", a ópera de Dresden e visita obrigatória para um concerto ou mesmo para uma ópera! Acreditem que merece bem a pena assistir, nem que seja a um concerto da Orquestra Estatal de Dresden.

 

Olhando à minha volta e assistindo a mais uma loucura colectiva, que de Natalícia tem pouco, saberia bem caminhar por entre bonecos de madeira, cheiro a lareiras e a vinho quente enquanto colava os meus lábios e os aquecia na minha alemã numa qualquer barraquinha do "Striezelmarkt"... 

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Por aqui, voltaremos para a semana... Boa Semana e antes do Natal vivam os vossos e todos aqueles que vos rodeiam... Todos os dias....

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Na Rota do Trancão...

por Robinson Kanes, em 22.11.17

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Fonte das Imagens: Própria. 

 

O Rio Trancão é um dos rios mais conhecidos de Portugal, sobretudo por causa da poluição. É um rio que nasce na Póvoa da Galega (concelho de Mafra) e desagua em Sacavém (concelho de Loures).

 

O que talvez muitos de nós não saibamos é a importância história deste rio: foi nas margens deste que se deu a Batalha de Sacavém, o primeiro embate entre as tropas de D. Afonso Henriques e os Mouros aquando da conquista de Lisboa. Também foi por este rio que muitas materiais (sobretudo a pedra) foram transportados para as obras de construção do Convento de Mafra. Este foi também, até ao século XIX, a linha de abastecimento de Lisboa que assim recebia os produtos da zona saloia. Ainda hoje o imaginário desta época está presente nos grupos folclóricos saloios. Em qualquer festival de folclore saloio vão reparar que o rio estará sempre presente nas vestes (o pescador), nas danças e na própria música.

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Hoje, a Foz do Trancão, particularmente, é um espaço de lazer e desporto onde podemos praticar desporto ou simplesmente contemplar o Tejo. No entanto, uma das rotas mais interessantes do Trancão é aquela que liga Granja (freguesia de Vialonga, concelho de Vila Franca de Xira) a Sacavém, passando pelo bela lezíria de Loures com os seus campos agricolas muito férteis.

 

A bicicleta é sem dúvida o parceiro ideial, afinal o caminho é longo, todavia também pode ser feito a pé, aliás, uma parte desse caminho é "Caminho de Fátima" e "Caminho de Santiago". Lembro-me da primeira vez que fiz este percurso, ainda à descoberta e com uma bicicleta "amadora", a minha BERG. Talvez tenha sido, aliás, o meu primeiro percurso BTT a doer e onde fiquei a perceber que uma bicicleta cheia de lama é um transtorno.

 

Mas todo este percurso coloca-nos numa Lisboa onde é possível atravessar pequenos montes e vales junto ao curso de um rio observando campos agrícolas, pequenas quintas, e uma riqueza faunística singular, sobretudo dominada por aves de estuário, ou não fosse o Trancão um afluente do Tejo. Podemos também encontrar alguns equinos que deambulam pelas margens do Trancão enquanto dividem o seu espaço com as garças. 

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É difícil imaginar os barcos de mercadores a cruzarem este rio, sobretudo se nos sentarmos na relva junto ao chamado "Parque Tejo". O crescimento urbanístico torna difícil essa memória e a poluição não nos deixa perceber como foi um dia possível por ali tomar um banho. De facto, hoje o rio está mais limpo devido ao forte investimento feito na sua limpeza, sobretudo aquando da "EXPO 98", no entanto, o forte assoreamento também não ajuda.

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E na verdade, muitos de nós já atravessámos este rio, nomeadamente quando entramos em Lisboa pela A1 ou até mesmo pela estrada nacional 10 em Sacavém.

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O Mosteiro de Santa Maria das Júnias...

por Robinson Kanes, em 20.11.17

IMG_6875.JPG Fonte das Imagens: Própria.

 

Como prometido, teria de voltar a Pitões das Júnias. O espaço de um artigo, que pode ser lido aqui, é pequeno para a grandeza desta aldeia, "perdida" no concelho de Montalegre e onde o Gerês termina a sua conquista de vales e montes e abraça o Barroso. 

 

Não podemos falar de Pitões sem mencionar o Mosteiro que aí se encontra perdido e em ruínas. Não defendendo que o mesmo esteja em ruinas, de facto, é um marco e uma imagem inesquecível, um pouco ao nível do que encontramos no Convento do Carmo, que não precisa de obras para ser imponente e apetecível. Todavia, e segundo a Câmara Municipal de Montalegre, já existe um projecto para reabilitar o mesmo... Fantástico, não é?

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O Mosteiro encontra-se, na maioria das publicações, datado no pré-românico, mais precisamente no século IX. Todavia, as investigações mais recentes apontam para o século XII - com alguma precisão para o ano de 1147. Acerca da história deste mosteiro, inicialmente Beneditino, sugiro este artigo do Instituto de Estudos Medievais da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.  

 

Com uma planta trapezoidal, é um mosteiro românico mas com um claustro já com alguns apontamentos góticos, pelo que não nos devemos deixar enganar pelos arcos de volta perfeita, mais românicos. À semelhança de muitos destes espaços, a evolução do mesmo esteve sempre lado-a-lado com a História e respectivamente com a arquitectura da época. Desde então as grandes mudanças deram-se sobretudo ao nível social, primeiramente com a absorção dos Beneditinos pela Ordem de Cister e já em 1834 com a extinção do mesmo por arrasto da extinção das ordens religiosas. Passou a ser paróquia e a ter outras utilidades e hoje, no dia 15 de Agosto ainda é alvo da romaria dos habitantes de Pitões e aldeias vizinhas.

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Chegar ao mosteiro é entrar num cenário digno de filme ou, como alguém no artigo sobre Pitões apontou, encontrar uma terra encantada. Atravessar os campos, sempre com uma vista soberba para o rio e para as montanhas a sul, acompanhar o ritmo da fauna e seguir os lameiros é, sem dúvida, a melhor porta de entrada para o vale em que encontramos estas ruinas e percebemos como o homem e a natureza são capazes de viver e criar em harmonia. Para mim, este é sem dúvida um dos melhores locais para a realização de um piquenique ou até para nos deixarmos cair no chão e esperar que o sol nos aqueça o rosto ou a chuva nos lave de todas as inquietações.

 

Com o som da água, pela ribeira que passa mesmo ao lado do mosteiro, em sintonia perfeita com os pássaros e um "barulho silencioso" de todo aquele vale, diria que estamos no mais perfeito dos romances. Disse acima que é um local perfeito para um piquenique, e diria até, que é o local perfeito para acompanhar os amantes que naquele encanto natural podem viver a sua paixão eterna em perfeita simbiose com o meio-envolvente. Um dos locais mais românticos no Gerês, é sem dúvida o Mosteiro de Santa Maria das Júnias.

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 Para os mais curiosos, sugiro algumas publicações acerca do mosteiro, da aldeia e até da própria região:

 

BARROCA, Mário Jorge – “Mosteiro de Santa Maria das Júnias – Notas para o estudo da sua evolução arquitectónica”, in Revista da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, II série, vol. 11, Porto, 1994, pp. 417-443.

BORRALHEIRO, Rogério – Montalegre - Memórias e História – Montalegre: Barrosana, E.M., 2005.

COUCHERIL, Maur - Routier des Abbayes Cisterciennes du Portugal - Paris: Fondation Calouste Gulbenkian,  Centre Cultural Portugais, 1986.

GUERREIRO, Manuel Viegas - Pitões das Júnias. Esboço de monografia etnoigráfica - Lisboa, 1981.

MARTINS, Clara Joana - Mosteiro de Pitões das Júnias. Um caso de obstinação, in Revista Descobrir, nº 0, Lisboa, 1995, pp.110-115.

VASCONCELOS, Joaquim - A Arte Românica em Portugal, Publicações Dom Quixote: Lisboa, 1992.

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Barceloneta, Onde Fica o Coração...

por Robinson Kanes, em 08.11.17

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 Fonte das Imagens: Própria.

 

Do Port Olímpic caminhamos facilmente junto ao mar pelo passeio marítimo. Este é talvez um dos melhores programas entre o bulício de uma moderna metrópole e o azul do mediterrâneo, isto, enquanto observamos as crianças de diferentes origens e nacionalidades no "Parc de la Barceloneta". E é aí, ao chegar a Barceloneta que o ar tem outro cheiro, que uma diferente Barcelona olha para nós e nos apela a deixar o mar apesar do convite dos bares mais turísticos.

 

Barceloneta não é um bairro muito antigo, percebe-se pela arquitectura. Nasceu no século XVIII quando os habitantes da "La Ribera" foram expulsos por Filipe IV que ordenou a construção da "Ciutadella". Foi, e é ainda, um bairro típico de pescadores e operários (uma dos ambientes que gosto de frequentar), todavia, bem diferente daquele que era antes da modernização de que foi alvo aquando dos Jogos Olímpicos em 92.

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Lembro-me de Barceloneta que, segundo alguns, inspirou Cervantes numa passagem de D. Quixote, e sentir inveja de ver muitos dos meus amigos morarem naquele bairro - denote-se que estava a viver em Ausiàs Marc, pelo que não me poderia queixar, pelo contrário. Barceloneta é o expoente máximo da cultura mediterrânica em Barcelona (apesar de ser um bairro recente), dos cheiros, das conversas, da vida e contrastes que nos fazem indagar se estamos no norte de África, ou num qualquer bairro do sul de Itália. Mas não comparemos, Barceloneta é diferente. Foi lá que aprendi a cozinhar alguns petiscos senegaleses, foi lá que descobri uma forma low-cost e eficaz de polir faróis, foi também naqueles recantos que, entre peixe frito e outras tapas únicas me foi possível conhecer grandes indivíduos.

 

É também aqui que fica o "La Bombeta", um pequeno restaurante e sempre apinhado de gente e que acabava por ser o escape aos restaurantes caros e tremendamente turísticos do "Passeig Joan de Borbó". Aliás, como qualquer bairro, para se encontrar boa comida e... bons amigos, o ideal é sempre ir para o centro, neste caso, alguns dos mais especiais encontram-se perto do "Mercat de la Barceloneta", uma óptima alternativa à carérrima e descaracterizada "Boqueria". Basta seguir pela "Carrer de la Maquinista" que é também onde se encontra o "La Bombeta". Nem cinco minutos são a pé e sempre é possível recordar os bombardeamentos da aviação alemã durante a "Guerra Civil" através da inúmeras placas que se encontram espalhadas. Também é aí que temos uma imagem tipicamente mediterrânica, com habitantes locais à conversa e crianças ainda a brincar na rua - uma raridade - bem mesmo em frente na "Plaça de Pompeu Gener". E depois de tantos recantos, perceberemos que o "La Bombeta" nem é o melhor de todos...

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Neste pequeno bairro conquistado ao mar, existe também espaço para apreciar o património que vai para além das construções civis, refiro-me sobretudo à "Església de Sant Miquel del Port", uma igreja barroca que vibra, quando em Setembro, Barceloneta é um palco de festa com cortejos e uma animação no bairro e nas praias. É totalmente impossível não ficar contagiado pelas danças e folia daqueles dias. Penso que só em Andaluzia conseguem isso de mim, até porque não sou de danças, mas este foi um dos locais onde não consegui resistir.

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Uma outra nota de destaque é o edifício e o próprio "Museu de História da Catalunha", já na direcção do "Port Vell". Este museu é interessante, pois além de contar a história da Catalunha desde a época pré-história é bastante interactivo, os miúdos adoram-no e os adultos apaixonam-se pelo restaurante no piso superior com um terraço e umas vistas únicas para o "Port Vell".

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Recordo agora com saudade a praia depois de umas animadas conversas entre vinho e comida em alguns dos pequenos recantos de Barceloneta... Recordo aquele momento que nos fins de tarde outonais tinha para mim um encanto especial, mais do que no Verão onde os turistas e os próprios habitantes da cidade preenchem o espaço até à exaustão. Recordo o dia em que tirei algumas destas fotografias, um dia em que vesti a pele de turista e não senti nem um terço das emoções que se têm como habitante...

Barcelona é especial e se admito que o meu coração ainda hoje está naquela cidade, por certo está bem guardado num qualquer local de Barceloneta, possivelmente numa das varandas à espera que o resto do corpo o encontre um dia.

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Fonte das Imagens: Própria.

 

Mesmo junto ao local do meu nascimento, bem no centro de Lisboa, onde o Saldanha se agiganta enfrentando a rotunda do Marquês, onde o Sheraton oculta a Maternidade Alfredo da Costa, encontra-se uma das jóias do património nacional que é de todos nós: a Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves.

 

Também conhecida por "Casa Malhoa", pois deveu-se ao pintor a ordem para a execução do projecto do arquitecto Norte Júnior, bem nos alvores do século XX, mais precisamente em 1904-05! Aliás, o Prémio Valmor, logo após a sua construção, demonstra o carácter arquitectónico de extremo encanto deste espaço que viria também a ser o atelier do artista!

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Estamos perante uma relíquia no centro de Lisboa, sobretudo numa zona cosmopolita, onde os altos edifícios modernos e as "Avenidas Novas" quase a tornam oculta ao olhar dos transeuntes. Todavia, a majestade não se perde e permite que no meio de muitos gigantes e cinzentos prédios, a Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves se resguarde do futuro e lance uma aura que a protege do bulício citadino. 

 

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A casa, contudo, é conhecida hoje por este nome, pois em 1932 foi adquirida por Anastácio Gonçalves um coleccionador de arte  que por vontade expressa a deixou, após a sua morte em 1965, ao Estado Português. O espólio é tal que, segundo a Direcção Geral do Património Cultural, conta com 3.000 obras de arte divididas em três núcleos: pintura portuguesa dos séculos XIX e XX, porcelana chinesa e mobiliário português e estrangeiro. Conta também com património de ourivesaria civil e sacra, pintura europeia, escultura portuguesa, cerâmica europeia, têxteis, numismática, medalhística, vidros e relógios de bolso de fabrico suíço e francês, sem esquecer alguns desenhos, aguarelas e pequenos artefactos pertencentes ao espólio do pintor Silva Porto. Genial!

 

Como confesso admirador de pintura, além da arquitectura, esta é para mim um dos pontos fortes do espaço e que nos leva por uma viagem sem igual pela pintura portuguesa do periodo romântico (Tomás da Anunciação, Vieira Portuense, Miguel A. Lupi e Alfredo Keil) e Naturalista (Marques de Oliveira e Silva Porto). O atelier é um gáudio no que à obra do pintor Silva Porto concerne! Mas se pensam que ficamos por aqui, juntem-lhe também nomes como José Malhoa, João Vaz e claro, Columbano Bordalo Pinheiro - três nomes que por si só valem já a visita!

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Estamos perante uma riqueza primorosa e que vai surpreender aqueles que ainda desconhecem um dos mais belos recantos de Lisboa. Diria até que nos sentimos a regressar àquela época e ficamos a sentir e a ouvir uma Lisboa diferente, sem os automóveis e os ruidos modernos, mas sim uma Lisboa antiga e, sobretudo à época e naquele local, de um glamour ímpar.

 

Mas se é de sons que falamos, também aqui se realizam, além de conferências e seminários, alguns recitais! E como é deleitável estar num local destes e poder desfrutar de um concerto de música clássica, por exemplo. Mesmo para quem não gosta, acredito que seja uma experiência única, como a que teve lugar no dia 04 de Outubro e que contou com a "Ludovice Ensemble" a interpretar obras de Sebastien Bach, Handel, Telemann, Vivaldi e outros.

 

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 Túlia Passando Sobre o Cadáver do Pai - Columbano Bordalo Pinheiro (estudo). A tela final encontra-se no Museu Nacional de Arte Contemporânea.

 

Se em Lisboa ainda existem espaços capazes de nos fazer viajar no tempo, sobretudo num tempo não muito distante, a Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves é um deles! Acredito que naquele atelier, onde Malhoa se inspirou, não nos faltará vontade de trajar à época e dançar, cantar ou simplesmente contemplar, para lá dos lindissímos vitrais, uma Lisboa de outros tempos...

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 Lugar do Prado (Santa Marta-Minho) - António da Silva Porto

 

E no final, porque não descer pela Avenida Fontes Pereira de Melo e terminar com um piquenique no Parque Eduardo VII ou no Jardim Amália Rodrigues? No entanto, admito... O meu maior desejo é mandar colocar mesas naquele atelier e convidar todos aqueles pintores! Ali, reunidos a degustar um óptimo almoço, a dissecar diferenças e inovações entre o ontem e hoje, seria sem dúvida um dos dias mais perfeitos da vida de qualquer um de nós... Tudo isto, sem esquecer uma pintura final, com todos os comensais à mesa, não como "Os Bêbados" de Malhoa, mas como o "Grupo do Leão" de Columbano ao som de uma das melodias de Keil (que também pintava, como poderemos aferir no espaço da casa).

 

 

Para mais informações, podem sempre consultar o website do espaço.

Bom fim-de-semana...

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 Fonte das Imagens: Própria.

 

 

Os encontros com a minha miúda perto da Torre Agbar fizeram-me desviar caminho e deixar para trás um outro percurso que não era raro fazer durante aqueles tempos por Barcelona. Tantas e tantas vezes chegou a ser feito a dois ou mesmo com um pequeno grupo de amigos.

 

De facto, quando o desvio pela "Avinguda Meridiana" não se impunha, a entrada pelo "Parc de la Ciutadella" assumia a preferência, sobretudo como uma travessia, em direcção ao "Port Olímpic" ou às "Platjias de la Mar Bella" ou da "Nova Icària". Este parque, mais uma vez abençoado por aquela luz solar que vem do lado do mar tem na sua cascata monumental a grande atracção, obviamente, sem esquecer o "ZOO", e alguns edifícios de interesse como o "Castell dels Tres Dragons", o próprio Parlamento e as "Cavalariças da Guardia Urbana" que faziam delirar a minha miúda mas que infelizmente, nem sempre estão abertas ao público.

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É um local encantador sempre povoado de gente bem disposta e ponto de passagem para muitos praticantes de desporto que por ali deambulam pela manhã ou ao fim da tarde. Nos primeiros dias, admito que a subida à cascata monumental funcionava como uma espécie de ritual que foi desaparecendo com o tempo e com a pressa, muitas vezes, de chegar ao destino. Era lá em cima, depois de subir as escadas, que contemplava aquele espaço e me sentia cidadão de Barcelona.

 

Agradava-me, naquele parque, a mistura de atracções e diferentes funções que o mesmo adquiria - além da componente natural, tinha as componentes cultural, desportiva, política e claro o jardim zoológico. Era uma pequena cidade sustentável... Aliás, o parque encontra-se naquela que foi a antiga cidadela de Barcelona e ainda hoje conserva vários testemunhos da Exposição Mundial de 1888 - a Cascata Monumental tem a mão de Gaudí entre outros, e os próprios Jardins de Fontserè são uma homenagem àquele que os projectou, nomeadamente Josep Fontserè. Com parques tão belos espalhados pelo mundo fora, este não é excepção.

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Mas toda esta magia, era apenas parte do caminho que terminava no "Port Olímpic" e cuja estrela-guia era assegurada pelas torres da MAPFRE e do Hotel Arts.  Não posso esquecer "Platijas de Nova Icaria" e "Somorrostro" e bons momentos vividos naquelas areias. Apreciar todo aquele mar, passear entre os veleiros e beber algo nas noites quentes (e frias) daquela cidade era sem dúvida um júbilo, apesar dos preços praticados. Assumo, no entanto, que sentia sempre a chamada de Barceloneta, que fica um pouco mais adiante.

 

Recordo-me de grandes fins de tarde naquele porto a discutir política, a monarquia espanhola, o porquê dos espanhóis adorarem Portugal e os portugueses nem sempre gostarem dos espanhóis, o porquê de ser mais bem tratado em Espanha do que em Portugal (mas aí não era só eu) e acima de tudo de sentir um convívio verdadeiro onde as cervejas eram acompanhadas por temas que escapavam à tradicional gabarolice e onde a amizade era realmente verdadeira. 

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Considerava aquele porto como o meu espaço "in" na cidade, sobretudo pelo mar e pela companhia. Todavia, onde nós gostávamos mesmo de estar, de rir e conversar, era sem dúvida nos recantos de Barceloneta, mas essa será uma recordação para mais tarde.

 

Na minha memória, sentado num desses bancos de cimento junto à marina, vejo agora os aviões a fazer a aproximação à pista de "El Prat". Gostaria de estar num deles, para ali, onde o mediterrâneo também une culturas, sentir o pulsar daquela cidade e daqueles amigos... Acompanha-me um compositor contemporâneo nascido em Barcelona, Federico Mompou, talvez para me fazer sentir, também eu... "un pájaro triste".

 

 

 

Grácies Barcelona...

 

 

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