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Fonte das Imagens: Própria. 

 

Desde a passagem pela Cordoama que esta temática andava adormecida, pelo que, nada como 15km a caminhar ou a pedalar até ao Cabo de São Vicente (desde a Cordoama), sem esquecer a praia da Ponta Ruiva. Também é possível seguir por estrada, via Vila do Bispo (EM1265 e EN268).

 

O Cabo de São Vicente, além de uma viagem ao nosso passado de navegadores e conquistadores, é também o local onde podemos apreciar um dos melhores crepúsculos da Europa ou despedirmo-nos do farol guardião em direcção ao atlântico profundo. Em tempos, no século IV, foi também um local de peregrinação dos cristãos que visitavam aqui o túmulo de São Vicente (até ser destruído pelos muçulmanos no século XII), daí o nome Cabo de São Vicente. Aliás, S. Vicente e a sua lenda terão grande impacte também na história de Lisboa e justificam o porquê dos Corvos no brasão da cidade, mas isso será outra matéria.

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Convido a que nos abriguemos na fortaleza, não a original mandada erguer por D. João III e terminada por D. Sebastião, mas sim naquela de planta poligonal que foi erguida por D. Filipe III de Espanha, após a anterior ter sido arrasada pelo célebre Francis Drake, um dos mais famosos corsários ingleses que espalhou o terror também no Algarve. Com poucos turistas ao fim do dia, é algo único, sobretudo para aqueles que já trazem o cansaço e o encanto de um passeio pela Costa Vicentina ou pelo Barlavento Algarvio.

 

Uma das atracções deste local, além do sem número de visitantes que aqui acorre em épocas mais turísticas, é sem dúvida a presença de várias aves. Destaco algumas, nomeadamente a Cagarra (calonectris diomedea), o Ganso-Patola (Morus Bassanus) que infelizmente ainda não consegui apreciar,  e a minha paixão, nomeadamente algumas aves de rapina como o Bútio-Vespeiro (pernis apivorus), a Águia-Calçada (aquila pennata), a Águia Cobreira (circaetus gallicus) e os Grifos (gyps fulvus). Devido a número de pessoas que por ali deambulam, nem sempre é fácil observar estes reis dos céus pelo que é necessária alguma cautela a quem ousar procurar locais mais recônditos e potencialmente mais perigosos.

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Mas não é só no Cabo de São Vicente que podemos ter um óptimo final de tarde. Nada como continuar a caminhar e seguir em direcção à Praia do Beliche (ou Belixe) e apreciar daí também o espectáculo crepuscular e com os pés na água, na areia ou então abrigados na sua gruta que atrai imensos visitantes. Em época baixa, ou já com a noite a aproximar-se, é um espectáculo singular! Aproveitem com conta peso e medida e cedam à tentação da massificação... O segredo deste pôr do sol está na paz que se sente e no sentimento de isolamento.

 

Do Cabo de São Vicente a esta praia são somente 3,5km a caminhar, praticamente o mesmo que por estrada, pelo que poderão fazer uma pausa a meio e recuperar forças na Fortaleza do Beliche (ou Belixe) e olhar o promontório que já se começa a perder de braço dado com o oceano. Esta fortaleza, de origem ainda desconhecida, tem um percurso semelhante à Fortaleza de São Vicente, ou seja, também foi atacada por Francis Drake e posteriormente reconstruída por Filipe III de Espanha. Para quem aprecia arquitectura militar de defesa de costa vai apreciar este local e tentar imaginar as "batarias" a disparar rajadas de projectéis acompanhadas pelo fogo da Fortaleza de São Vicente contra as frotas de piratas e corsários. Em dias de sol parece impossível que em águas daquelas, tão duros combates se tenham travado, um pouco à semelhança do que sentimos em Barbate, Cádiz.  Neste monumento existe também uma pequena capela, a Capela de Santa Catarina, embora seja dedicada a Santo António.

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E chegados aqui, sigamos então para a praia, estendamos a toalha, tiremos uns refrescos e umas sandes da mochila e esperemos que o sol se despeça e o cheiro do mar nos traga uma das melhores experiências do mundo... E tudo isto, todo este glamour, a um preço fantástico de zero euros. E sendo que o mesmo é grátis, colaborem reduzindo a vossa pegada ecológica ao máximo.

 

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 Algumas notas:

 

 

  • Sugestões bibliográficas sobre a temática, porque aqui citamos as fontes:

Coutinho, Valdemar (1997), Castelos, fortalezas e torres da região do Algarve, Faro, Algarve em Foco Editora.

Almeida, João de (1948), Roteiro dos Monumentos Militares Portugueses Volume 3, Lisboa, Edição de Autor.

 

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Não Acabem com o Verão por Decreto!

por Robinson Kanes, em 30.08.17

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 Fonte da Imagem: Própria

 

Existe algo que ultimamente me tem consumido o pensamento e que se prende com o facto de se decretarem inícios de época e o seu contrário, nomeadamente, os fins de época. Se do ponto de vista administrativo, de gestão e até de marketing e vendas pode fazer o todo sentido, quando a questão já passa para a vida e mentalidade de todos nós as coisas tendem a agravar-se.

 

Desde finais de Agosto, sempre que falo de Verão no presente, sou olhado como se D.Afonso Henriques tivesse, hoje mesmo, chegado às portas de al-Lixbûnâ e proferido as seguintes palavras: “caro Egas Moniz, vamos lá conquistar o castelo aos mouros ou não?”. Praticar Falcoaria e Tiro com Arco já me têm valido comentários a remeter para os tempos da construção da Catedral de Reims, no entanto, parece que o Verão já lá vai e todo o espírito alegre e festivo (por vezes até em excesso) se dissipa a 31 de Agosto. Essa apologia ouve-se diariamente, por exemplo... experimentem ouvir rádio durante uma manhã de inícios de Setembro. Por aqui até já existem artigos a falar do Natal! Sim, do Natal!

 

Usufruir de férias em Setembro ou Outubro chega a ser encarado como uma espécie de segundas férias e pode gerar comentários do género: “outra vez de férias?” ou "este não faz nada, ricas vidas". Ir à praia em Setembro, mesmo que debaixo de temperaturas mais quentes que em Agosto é visto como uma aventura somente acessível a residentes de Trondheim em férias pelo sul da Europa. "Mas a maioria dos portugueses volta ao trabalho em Setembro" – dirão alguns – de facto, mas também, de férias ou não, não precisamos de deixar de viver num espírito, diria... mais luminoso e descontraído e não falo daquelas práticas massivas de Verão como as modas típicas da silly season.

 

Decretam-se, nas nossas cabeças, épocas e... quer queiramos quer não, tal acaba por ter implicações no nosso dia-a-dia, inclusive no das organizações empresariais. Tomemos como exemplo a hotelaria - uma das principais queixas da hotelaria, sobretudo daquela mais próxima do conceito de férias/lazer, passa por olhar a sazonalidade como um mal menor e aceitar, sem questionar muitas vezes, as baixas taxas de ocupação fora dos meses de Verão. Baixamos os braços, porque tendemos a pensar que simplesmente é assim... ou que os mercados no exterior pensam como nós, ou seja, que fora do Verão não há mercado e dinamizá-lo é um desperdício de recursos.

 

Também recentemente, numa deslocação a Castilla Y León, dei com a imagem que coloco a colorir este texto e que no fundo reflecte bem o espírito de um povo que vive para todos os dias e efectivamente sabe viver. Todas as nações têm defeitos e apesar do momento que Espanha atravessa não é por isso que não deixa de ser uma economia pujante, muito também por culpa do seu espírito e mentalidade – sim, caros compatriotas, não vão ao baú procurar o discurso ensaiado de que o nosso país é pequeno e sempre será assim - estamos numa era globalizada. Se não somos pequenos para copiar modas de países como os Estados Unidos, também não podemos dizer que somos pequenos quando é a nossa cabeça a tomar uma atitude.

 

São temperaturas na ordem dos 34º e indivíduos com um ar cabisbaixo, tudo acabou e toda a alegria se diluiu nessa data macabra que é o 31 de Agosto. Não vamos pensar na época Natalícia, onde mais uma vez o espírito vai ficar alegre e até vamos ficar mais solidários por obrigação. Até lá, temos os meses de Outubro, Novembro e até uma parte de Dezembro para continuar a sorrir e, num país como Portugal e consoante os anos, a desfrutar do sol. Porque temos de nos agasalhar sob dias quentes de Setembro ou Outubro, quando nos dias chuvosos de Agosto andamos de t-shirt e calções? Agasalhar... pode ser também extensível ao nosso espírito.

 

E recordem-se que, enquanto andamos sempre a dizer mal do Outono (talvez a época mais bonita do ano) muitos são aqueles, de outros países, que pagam milhares para ver as vindimas no Douro e em Azeitão, ou para visitar as nossas Aldeias Históricas, ou simplesmente para usufruírem das nossas esplanadas, da nossa gastronomia e até daquilo que se tende a perder -  a nossa cultura como portugueses, como povo lutador mas sempre com um sorriso no rosto e não colado à “saudade triste e ingrata” que nos foi ilegalmente vendida e da qual parecemos ter uma espécie de contrato de fidelização vitalício.

 

Deixe o queixume e se está de folga ou fim de semana, aproveite as esplanadas e a praia do Portinho da Arrábida que esperam por si (estive lá na sexta-feira rodeado, somente... por estrangeiros), saia que as noites estão quentes. Ao invés do "Thank God it's Friday", parta no espírito do "Happy Monday" para mais uma semana de trabalho... mesmo que o seu “chefe” seja daqueles mais difíceis... lembre-se que comportamento, gera sempre comportamento... use isso a seu favor e deixe também de viver por épocas e viva todos os dias.

 

Texto originalmente publicado a 06/10/2016

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SOS EMIGRAGOSTO

por Robinson Kanes, em 10.08.17

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 Fonte da Imagem:http://minhoemfesta.pt/história/dedicado-todos-os-emigrantes-que-estão-de-partida-o-minho-em-festa-deseja-boa-viagem

 

Num país onde dizer que um cigano (sublinho, um) não pagou impostos ou cometeu um crime é considerado racismo e extensívo a toda a uma comunidade! Num país onde dizer que um imigrante (volto a sublinhar um) não quer trabalhar é considerado xenofobia e ódio a todos os imigrantes! E quem é que protege os emigrantes que cometeram o pecado de serem portugueses e regressam em Agosto e até Julho?

 

Comecemos com uma banda sonora que está lá em baixo para vos acompanhar na leitura deste texto.

 

As redes sociais, os media, associações, que não sei bem do que vivem e o que fazem, e alguns "partidos" políticos agitam-se contra comentários isolados, muitas vezes fundamentados e confirmados por toda uma comunidade mas não defendem os emigrantes, vulgo "emigras" ou "avecs", que nos visitam em Agosto! Aliás, defendem desde que tenham adquirido "papel comercial" do BES!

 

Foi por isso que decidi criar a SOS EMIGRAGOSTO, uma associação que defende todos os emigrantes que regressam à sua terra natal no Verão! Defendemos o direito a falar um "francês de Alcochete"; a vestir roupas novas compradas em Salamanca, Ciudad Rodrigo, Vilar Formoso, Badajoz ou Elvas; a utilizar vernáculo nacional intercalado com um francês de Île-de-France e a utilizar carros carregados de presuntos, bacalhau e chouriços! Defendemos também o tuning german style, ou os vidros escurecidos à Lausanne nas viaturas automóveis com matrículas estrangeiras! Defendemos o direito aos churrascos carregados de entremeadas, sardinhas e entrecosto bem regados com vinho Cachinhos ou Almocreve! Defendemos a gasosa, o Joy e o Frutol! Defendemos a "música pimba"! Defendemos os tradicionais "eile na arretou toute suite ele tinha era que arretar", "vien ici Maria, vien a ton pére sua mula dum..." ou então o "un pain prá moi e outro aqui pó me colega".

 

Muitos dirão: essa raça emigra vem para cá exibir carros novos, muitos até são alugados, e vem também mostrar que está bem na vida com roupas novas e a pagar jantares a torto e a direito mas depois, na casa da porteira, é só sopinha! Digam-me lá, o que é que fazem os portugueses que vivem no nosso país o ano inteiro? Estes ao menos fazem-no em Agosto e estão no seu direito, começo a pensar que muitos sentem que o protagonismo lhes está a ser retirado. E não vão a Espanha fazer perguntas, pois aquilo que vocês dizem dos emigrantes é o mesmo que os espanhóis pensam de nós.

 

Para o mal ou para o bem, os emigrantes trazem vida a muitas aldeias e até cidades, essa é a realidade. Trazem vida e jovens para as ruas, animam as aldeias e acima de tudo animam também a economia local. Não se esqueçam que muitos deles ainda fazem investimentos na terras que os viram partir e outros continuam a enviar remessas de dinheiro. Também não tratemos mal os que partiram porque não os soubemos acolher no seu próprio país, porque quer queiramos quer não, a vontade de muitos é voltar. Temos o discurso (com o qual concordo) de sermos muito receptivos com os imigrantes, mas somos os primeiros a expulsar os portugueses lá para fora... E em muitos casos, mesmo lá fora, não peçam ajuda a um português sob pena de ficarem com a impressão que são mais bem acolhidos pelos nacionais desse país...

 

Não tenhamos asco de ver os restaurantes cheios de emigrantes ou as lojas cheias de indivíduos sedentos de gastarem o dinheiro ganho durante o ano. Deixemos que as ruas e os bailaricos se encham de gente bem disposta que vem à procura das suas raízes. Alguns são parvos? Alguns comem com as mãos mesmo que estejam no "Darwin"? E então, quem é que em casa não come o franguinho com as mãos? Quem é que quando abre a boca não mostra o bolo alimentar qual almôndega gigante? Quem é que não fica com os queixos besuntados com o molho das sardinhas? Nos Santos Populares não vejo outra coisa e não são emigrantes...

 

Deixem-nos andar por aí que  ao menos a economia mexe e algumas terras também. Deixemos que invadam o nosso espaço e que dinamizem as nossas praias fluviais enquanto vamos todos mendigar um lugar nos areais do Algarve... Deixemos que o direito a não ter cara de atum seja uma realidade! Não há mal nenhum em invadirem o nosso pequenino mundo, não abram só as fronteiras territoriais, abram também as fronteiras da vossa cabeça...

 

A SOS EMIGRAGOSTO está cá para defender todos os emigrantes que queiram entupir as fronteiras do Caia e de Vilar Formoso, de Tui a Vila Real de Santo António estamos cá para vos apoiar! Mesmo nos voos low-cost em Charlles de Gaulle, Lyon, Basileia ou Dusseldorf estamos lá para vos apoiar! Não são só os estrangeiros que recebemos de "braços abertos".

 

Emigrante que escutas Graciano Saga ou Alizée na tua viagem de regresso à Pátria, a SOS EMIGRAGOSTO está contigo! 

 

P.S: só agora é que reparei que escrevi extensível ao invés de extensivo.

 

 

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Da Bordeira ao Amado...

por Robinson Kanes, em 14.07.17

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 Fonte das Imagens: Própria

 

De volta à Costa Vicentina, imaginem deixar a Praia de Vale Figueiras e fazerem uns meros 16km para sul, pela EN268 e depois pela Estrada da Praia e chegarem à Praia da Bordeira, também conhecida como Praia da Carrapateira pela proximidade com a Carrapateira e por também ser aí a foz da Ribeira com o mesmo nome. Podem sempre fazer o percurso a pé ou de bicicleta que são apenas 11km.

 

Nesta zona, depois de uma visita pelas localidades da Bordeira e da Carrapateira, nada como seguir em direcção à praia e a partir daí fazer o caminho da Estrada da Praia até à Praia do Amado. Deixem o carro e peguem na bicicleta ou vão a pé, pois serão dos 3,5km mais bonitos e pitorescos que algum dia farão! Recomendo vivamente e é não-negociável, além de que têm passadiços com miradouros que vos permitem ir descansando.

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É neste troço que começamos a sentir a Costa Vicentina verdadeiramente, onde rocha e mar tendem a ser mais austeros e a trazerem-nos já um pouco dos cheiros do Cabo de S. Vicente.

 

Após a Praia da Bordeira, surge-nos a Praia da Zimbreirinha, e é aqui que as portas se abrem para um mundo novo, para todo o expoente da Costa Vicentina e para um local encantadoramente inóspito. Ao longe ainda conseguimos observar a Arrifana, como se a paisagem insistisse em manter diante dos nossos olhos tão belo lugar. Infelizmente, já não é possível apreciar o Portinho da Zimbreirinha e o seu ancoradouro pelafita devido a uma derrocada.

 

Como é bom caminhar ou pedalar e observar as diferentes cores da rocha e do mar que alterna entre o verde água e o azul escuro das águas profundas. Como é bom sentir o vento do atlântico, suave mas ao mesmo tempo com força suficiente para nos fazer respeitar aquele mar donde outrora arriscamos sair em pequenas cascas de noz à conquista do Mundo! Lembro-me agora dos "Navegadores" de Sophia:

 

Esses que desenharam os mapas da surpresa

Contornando os cabos e dando nome às ilhas

E por entre brilhos espelhos e distâncias

Por entre aéreas brumas irisadas

Em extáticas manhãs solenes e paradas

No breve instante eterno surpreenderam

O arcaico sorrir do mar recém criado

Andresen, Sophia de Mello Breyner "Navegadores", Poemas Dispersos

 

De regresso a terra, voltar à caminhada ou sentir aquele vento enquanto nos deslocamos de bicicleta, é algo mágico mas também um verdadeiro postal. O difícil vai ser fazer o caminho sem parar de 50m em 50m.

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Um dos pontos altos deste passeio é a Praia do Portinho do Forno que, além de ser um pequeno porto e o mas antigo da Carrapateira, é também um ponto de encontro para os entusiastas do Todo-o-Terreno (TT), motorizado ou não. Não é incomum vermos pequenos grupos de praticantes de BTT, jipes ou motas de TT. Todavia, aqui podemos parar e contemplar a paisagem imaginando tempos passados em que os barcos atracavam e se carregavam os burros que deveriam levar o resultado da faina para a lota da Carrapateira. Também é aqui que o "puzzle" de diferentes tonalidades da água torna este lugar tão especial. Podem sempre aproveitar e beber um refresco ou até almoçar no restaurante que aí se encontra. 

IMG_3385.jpgE como o caminho se faz caminhando, nada como continuar um percurso que já não queremos que acabe, até porque já vemos a Praia do Amado ao fundo e ficamos com aquele misto de encanto e fadiga mas em que percebemos que afinal não estamos assim tão cansados e queremos que o momento não termine. Uma das formas de prolongar o mesmo será trazer um bom piquenique, ou como se utiliza no Brasil, um convescote. A oportunidade de apreciar uma refeição leve num local destes, nem em muitos dos melhores restaurantes do mundo! 

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Levantemo-nos pois e sigamos em direcção à riqueza geológica e faunística da Praia do Amado, sem esquecer a flora que a tornam num dos locais mais importantes ao nível da preservação de habitats! Um outro habitat muito importante é o dos surfistas, pois é considerada uma das melhores praias a nível europeu para a prática desta modalidade. Esta já é uma praia mais movimentada, pois é escolhida por muitos veraneantes e por empresas de animação turística.

 

Cansados? Porque não voltar para trás e voltar a fazer o mesmo caminho? Eu fá-lo-ia, além de que o fim de semana, para quem o goza, está mesmo aí à porta! Não deixem de ir à Carrapateira e à Bordeira, são duas localidades fantásticas, de boas gentes e que vos proporcionam uma experiência singular onde o campo convive pacificamente e numa harmonia singular com o mar.

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Como estão no Parque Natural do Sudoeste Alenteja e Costa Vicentina, não se esqueçam do "Código de Conduta e Boas Práticas"pois estão num Parque Natural. Pode ser descarregado aqui.

 

Bom fim de semana. Voltarei na terça-feira!

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As Férias de um Condenado….

por Robinson Kanes, em 05.07.17

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Andrea Mantegna - São Sebastião (Museu do Louvre)

Fonte da Imagem: Própria

 

Quem nunca reparou que na fauna lusitana, em certos territórios, sempre que alguém vai de férias é como se tivesse cometido um crime de lesa-pátria? Experimentem ir de férias fora dos meses de Julho e Agosto e preparem-se para sentirem na pele a dor e a ostracização laboral e agora social!

 

Independentemente da opinião que tenha do Primeiro Ministro de Portugal, esta abordagem não visa tecer juízos do mesmo, mas nomeadamente de uma situação em particular: as férias. Não vou também tecer comentários em relação ao timming em que as mesmas ocorreram mas sim à quase impossibilidade de muitos hoje tirarem férias sob pena de serem destruídos pelos colegas... Pelo menos até os colegas irem de férias... Será interessante perceber se, em Julho e Agosto, quando estivermos de papo para o ar a fritar e a tirar fotos aos pés com o mar em fundo( que é uma coisa sempre digna de ser ver) nos vamos lembrar que o Primeiro-Ministro vai estar a trabalhar...

 

Isto leva-me a muitas conversas que fui tendo com vários indivíduos, porque de facto, para muitos começa a tornar-se um pesadelo tirar férias! Para os outros, quando vamos de férias nunca é uma boa altura! Para alguns ir de férias é deixar o caminho aberto para que venha daí uma a duas semanas em que os colegas vão apontar as culpas de tudo o que possa correr mal ao ausente! Chegar das férias é outra tortura, pois temos que criar um processo defensivo de todos os ataques feitos naqueles dias. Confesso que nunca me deixei abalar por essa situação, no entanto, são cada vez mais os casos em que as pessoas se sentem culpadas por irem de férias!

 

Poderão existir várias explicações:

  • o nosso egoísmo e uma espécie de umbiguismo - "ai aquele malandro que foi de férias e agora tenho de levar com o trabalho dele" - no entanto, esquecemo-nos que também nós teremos de gozar férias e ao malandro calhará esse ónus.
  • a nossa herança de sermos "mulheres de soalheiro" - "aquele está sempre de férias, não faz nada todo o ano e nós ficamos aqui a trabalhar, mas deixa que eu digo-lhe, quando chegar que se amanhe".
  • a inveja - "olha agora, aquele vai de férias e eu aqui a trabalhar, não sei de onde é que vem o dinheiro".
  • maldade - "vai de férias e deixou tudo por fazer, deixa que quando o patrão souber. Olha diz ao X que ninguém sabe disso, liguem-lhe, está de férias que atenda".

Existem pessoas que entram em depressão por irem de férias! Honestamente, isso para mim de férias tem pouco. As férias fazem bem, ajudam-nos a desligar do trabalho de outras coisas que é necessário desligar! As férias promovem o convívio familiar, o tempo com amigos e além disso são (ou devem ser) uma fonte de bem estar e aprendizagem! A paragem faz falta e o retorno no bem-estar e na motivação é latente e consequentemente com impactes positivos no trabalho, sobretudo no trabalho em equipa... Em equipa...

 

E quem nunca foi de férias em Setembro e teve de ouvir o típico "outra vez", como se toda a gente fosse de férias em Julho e Agosto e aquele preguiçoso metesse mais uns dias em Setembro! Quem assim pensar, sugiro que procure um novo emprego, ou abra os olhos para o mundo. Tudo isto recorda-me aqueles indivíduos que não conseguem conceber que uma larga camada da população trabalha ao fim de semana e que o empregado de mesa (que lhes atura o mau feitio) ou o senhor do posto de combustível não estão ali por passatempo.

 

Bom trabalho, e se for caso disso, boas férias.

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