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Fonte da Imagem: Própria

 

Amanhã andarei ausente, ou melhor, vou andar noutras paragens deste mundo que é a blogolândia...

 

Também não irei estar agarrado ao ferro! Contudo, nem só o ferro nos inspira, pelo que aponto para algumas sugestões a ter em conta para o fim de semana e para a semana!

 

Terminada a obra "Uma Fenda na Muralha" de Alves Redol,  pergunto: como é que com tanto filme já realizado, ainda não se fez um filme baseado nesta obra? O argumento está praticamente feito e a mestria de Redol é latente. Se este livro chega a Hollywood temos filme para óscares, bem melhor que o "Perfect Storm" de Wolfgang Petersen. Foi esse o motivo que me fez arrancar  para a "Barca dos Sete Lemes", também de Redol. Deixei a Nazaré com o arrais "Zé Diabo" de "Uma Fenda na Muralha" e rumei ao não menos árduo Ribatejo! Ao cabo de 100 páginas, posso dizer que não me arrependo minimamente, ou não fosse o neo-realismo uma das minhas correntes de eleição. O modo como Redol olha para estas gentes é de uma proximidade e carácter etnológico surpreendentes. Num discurso simples mas aritisticamente talhado faz-nos questionar e admirar uma realidade que não tem assim tantos anos e não é diferente de muitas que encontramos nos dias de hoje.

 

Para um passeio, porque não a Praia de Vale Figueiras, a Praia da Arrifana ou até a Praia da Amoreira? Sigam os artigos já publicados clicando nas mesmas.

 

Uma música para o fim de semana? Talvez inspirado pelo filme que vou sugerir, recomendo o albúm "La Sublime Porte - Voix d'Istambul" de Jordi Savall. A música otomana, arménia e judaíca conjugam-se em notas e ritmos que nos vão transportar para a época em que o Palácio de Topkapi (Istambul) era um dos mais movimentados e a sua corte uma das mais poderosas do mundo! É de facto uma obra fascinante e que nos faz crescer, aprender e sonhar! Perfeito seria ficar numa das varandas do palácio a contemplar o Bósforo e a ouvir estas sonoridades...

 

Finalmente, um filme! Cinema turco, "Babam ve Oglum / Meu Pai e Meu Filho": devo dizer-vos que é um filme que me encantou desde o início porque nos leva de Istambul para Izmir e traz-me saudades daqueles 30 dias em que fui turco. No entanto, o filme  de Çagan Irmak começa trágicamente com uma morte no parto e leva-nos à Turquia dos anos 70-80, e dos seus golpes militares. Do filho que regressa a casa do pai e que agora traz também consigo o seu próprio filho! A luta e o reencontro entre pai, filho e neto, bem como algumas pequenas passagens que nos dão algumas lições de vida na relação entre parentes tão próximos. É claríssimo ao longo do filme alma turca, sobretudo daqueles que vivem fora de Istambul, da aspereza (muitas vezes exterior apenas) dos homens e da sensibilidade, carinho e doçura das mulheres daquela região, as gargalhadas de Nuran são um dos melhores exemplos. Mais não conto, vejam por vocês próprios, o filme existe com legendas em inglês se procurarem por aí... Uma nota para a banda sonora que deu o prémio de revelação do ano 2006 nos "World Soundtrack Awards" a Evanthia Reboutsika.

 

Bom fim de semana ou Bom trabalho...

 

Uma nota do disco "La Sublime Porte - Voix d'Istambul"

 (Aguarda Resolução de Problemas por parte do Sapo)

O trailer em inglês de "Babam ve Oglum"

(Aguarda Resolução de Problemas por parte do Sapo) 

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Istambul... Minha Princesa...

por Robinson Kanes, em 02.01.17

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Atravessando o Bósforo até ao Mar de Marmara

 

 As notícias de Istambul, aliás, da própria Turquia não param de chegar. São os Golpes de Estado, são os atentados, é o ódio contra tudo o que é turco. Não se faz um Je suis Istambul, afinal quem é que quer saber da Turquia para alguma coisa? Acham que os meus amigos vão ficar mais meus amigos por isso? Só resulta se for em Cannes, aí sim, Je suis Cannes, é bem mais pomposo.

 

No caso de Istambul (Ankara e Bursa também), só quem nunca lá colocou um pé, ou viveu lá, pode olhar para os turcos como gente "sem rei nem roque", como gente louca e sem qualquer lugar numa sociedade actual.

 

Lembro-me da minha primeira chegada àquela metrópole de 13 milhões de habitantes e de ter perguntado ao motorista que me trazia do aeroporto de Atatürk e ao "assistente" que o acompanhava: "vocês aqui não têm receio dos constantes ataques, por exemplo, do Daesh ou do PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão)?". Com um sorriso nos lábios, desdenhoso até, numa primeira abordagem, e em tom de risada me responderam tranquilamente que "nunca! nós aqui trabalhamos, temos de alimentar as nossas famílias e não tememos os terroristas, não temos tempo para isso.". 

 

Presumi, pura e simplesmente, que se riam de mim e do meu hipotético medo de tudo e de todos e da paralisia perante a realidade do Mundo - o engomadinho ocidental protegido na sua concha, que se julga muito forte, mas assim que coloca o pé em solo turco se agacha ao primeiro barulho que ouve na rua (sobretudo após uma onda de atentados que havia varrido a cidade dias antes).

 

A conversa prolongou-se - experimentem conduzir em Istambul, todos os locais podem ficar distantes em segundos e a viagem de Atatürk a Sultanahmet pode ser uma aventura de horas - e percebi, mais uma vez, a realidade de um povo que vive para o trabalho, que se organiza e se apoia mutuamente, que acorda cedo e se deita tarde e que não sabe a diferença entre semana e fim-de-semana. Um povo que trabalha arduamente, nem sempre nas melhores condições e que, mesmo assim, consegue, após uns minutos de conversa, ter um sorriso bem rasgado nos lábios... 

 

É esse sentimento de luta diária, de coragem e garra, que me fez, dias após a minha primeira partida, e depois de um atentando à bomba, cujo rebentamento foi exactamente no mesmo sítio onde tinha estado sentado a comer um Kebab (obrigado BBC pelas imagens), engolir em seco e pensar - "aposto que, ao cabo de 2 horas, a cidade já levava a sua vida normal, como se não baixasse os braços perante essa luta que enceta ao longo de anos.".

 

É o dia-a-dia de uma cidade que sempre foi um ponto de encontro de culturas, de convulsões e de uma história, que a tornam hoje, no rosto dos seus habitantes, capaz de enfrentar qualquer desafio. Não há tempo para chorar os mortos e sufocar as redes sociais com lamúrias egoístas... é preciso enterrá-los, homenageá-los e voltar a viver.

 

Fonte da Imagem: Própria (o indivíduo da imagem não sou eu, é bom esclarecer)

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