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Balde de Helicóptero com Água Fria...

por Robinson Kanes, em 24.01.18

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 Fonte da imagem: http://www.concordmonitor.com/getattachment/25ec3997-1bcd-43dc-8c6f-b50e490549ec/RayFire-cm-100717-ph1

 

Vivemos num país caricato... Um país onde, por muito espírito positivo que se tenha (e eu tenho), é difícil conseguir manter o mesmo ao longo do dia... 

 

Os mesmos responsáveis políticos que deixam helicópteros apodrecer por falta de manutenção ou por não fiscalizarem a mesma... Os mesmos responsáveis políticos que dizem que o uso de helicópteros tem de ser limitado para não aumentar despesas e custos de manutenção... Os mesmos responsáveis políticos que preferem deixar hectares de floresta arder e pessoas e animais morrerem até fazer levantar um helicóptero... São os mesmos que agora defendem o uso destes aparelhos para andar na caça à multa! Nunca fui apologista do termo, até porque só é multado quem não cumpre as regras de trânsito, no entanto, é de estranhar como as prioridades são assustadoramente desenhadas por estes indivíduos.

 

Estes políticos são os mesmos que recusam projectos que contemplam drones na vigilância de florestas mas depois dizem que não falta investimento e vontade para a utilização de drones na vigilância das estradas, subentenda-se vigilância como forma de detectar contra-ordenações. Estes políticos são os mesmos que deixam quartéis à mercê de larápios e ainda se dão ao luxo de contratar empresas de segurança privada para assegurarem a defesa de instalações militares... Instalações militares... Estranho... Estes políticos são também os mesmos que compraram helicópteros para a Força Aérea mas onde praticamente metade não voa por falta de dinheiro para a manutenção... São os mesmos que têm helicópteros Puma parados e desactivados sob a justificação de que não podem ser utilizados em incêndios, mas depois, vemos helicópteros exactamente iguais a operar em França, Espanha, Itália e outros tantos países...

 

A prioridade de um Governo deixou de ser a defesa directa dos seus cidadãos e passou a ser a punição por meio de coimas daqueles que ousam prevaricar na estrada. Nada tenho contra a fiscalização das estradas, volto a reforçar, mas é de estranhar que um país arda por falta de meios mas estes cresçam como cogumelos quando se fala de multas de trânsito. Será que o valor das multas que daí possam advir vai ser investido em equipamentos de Protecção Civil? Será que a Protecção Civil deve ser utilizada na fiscalização de contra-ordenações de trânsito?

 

Ainda esta semana alguém voltou a chamar Mário Centeno de "Cristiano Ronaldo das Finanças"... Mas ao que sei... Cristiano Ronaldo não chegou a melhor jogador de futebol do mundo à custa do sofrimento e morte de muitos (existe quem lhe prefira chamar cativações) e sempre faz uso da cabeça, mais que não seja para marcar golos... 

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Do Jogo da Ética e da Corrupção...

por Robinson Kanes, em 11.07.17

 

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 Varvara Stepanova - Jogadores de Bilhar (Museu Thyssen-Bornemisza)

Fonte da Imagem: Própria

 

 

A “recente” polémica em torno da demissão de três Secretários de Estado tem levado a uma discussão que ainda tende a ser rara em Portugal, sobretudo porque vivemos num país onde aceitar prendas, almoços, “luvas” e favorecimentos tende a ser entendido como uma espécie de “todos o fazem porque é que não hei-de eu fazer?” ou, como tenho ouvido, “se não for assim nunca mais!”. Esta abordagem é, por muitos, apontada como um dos cancros da nossa sociedade.

 

Ao nível dos negócios é estranho como é que a tão banalizada expressão “não existem almoços grátis” tende a não querer entrar na mente de gestores, políticos ou até meros colaboradores da base da pirâmide. É óbvio que podemos ter uma grande simpatia por alguém e querermos com isso fortalecer a mesma juntando o útil ao agradável mas isto não é coisa que aconteça por sistema. Existe sempre um objectivo concreto, real e palpável! Recordo-me de quantas vezes estive com clientes e paguei o almoço/jantar do meu bolso! Penso que muitos deles ainda hoje não o sabem, mas aquele momento era um momento de verdadeira confraternização! Também existiram outros que não, mas aí estava explícito um objectivo claro: aumentar vendas e criar uma relação de benefício mútuo entre fornecedor e cliente! Além do mais, por muito bons que sejamos a avaliar as coisas, não nos podemos esquecer que “em nada o homem está, ainda hoje tão perto do macaco como no que diz respeito aos negócios” e não sou eu que o digo mas Elias Canetti. Cair na tentação académica e de muitos pseudo-gurus da liderança e do comportamento, de que o mundo é perfeito, é enterrar a cabeça na areia.

 

Para mim, a ética é algo que deve ser discutido para lá da Academia! Se por um lado temos organizações que têm regulamentos de trust & compliance, também é um facto que muitos de nós não estamos a assimilar esse comportamento. Se a ética advém de directivas morais – que variam inclusive de cultura para cultura - a sua quebra é a abertura para uma consequente quebra de confiança e, sem confiança, as sociedades não se desenvolvem, os negócios não ocorrem e todo o desenvolvimento e consequente retorno se tornam mais complicados, ou seja, sem ética não há confiança!

 

Pegando na temática recente, e nestes exemplos em concreto, algumas questões suscitaram-me curiosidade:

 

  1. O valor em causa: de facto podemos estabelecer patamares de “prendas”, mas... Estando a aceitar uma “prenda” pessoal não estamos a abrir portas para um certo comprometimento? Independentemente do valor, corrupção é corrupção! A lei é cega quando julga alguém que rouba 1 milhão ou apenas mil euros. É um roubo. Porque é que com a temática da corrupção tendemos a desvalorizar pequenos valores/favores? À mulher de César não basta ser é preciso parecer e neste campo mais que nunca é preciso parecer adquirindo uma postura inquebrável. Além de que a corrupção nem sempre envolve valores monetários ou patrimoniais. O valor não desvaloriza a nocividade do acto!

 

  1. A devolução: ultimamente temos assistido a uma caminhada perigosa e que, no longo prazo, pode simplesmente abrir portas para a "legalização" de determinados crimes. Refiro-me à restituição de um valor, por exemplo. O facto de restituirmos um valor não impede que não se tenha cometido um crime ou uma afronta ética! O facto da minha pessoa devolver algo que não deveria ter sido aceite, sobretudo se fui descoberto, não me deve tornar inocente!

 

  1. A aceitação por parte de muitos cidadãos deste tipo de práticas: de facto, são muitos os cidadãos que não se incomodam com este tipo de práticas. Muitos porque não veem mal nisso e outros que, com toda a certeza, já praticaram fraudes. Como já muitos fazem em algumas áreas, vamos assumir que em Portugal corromper deve ser uma prática aceite? Vamos lutar contra isso? Ou vamos cair no desleixo e ir ao encontro de Stuart Mill quando nos diz que “uma pessoa pode causar mal a outros não apenas pelas suas acções, mas também pela sua inacção, e em qualquer dos casos ela é justamente responsável perante eles pelo agravo”.

Vamos continuar a assobiar para o lado e a fazer de conta que nada acontece?

 

Em relação aos seus governantes, em Portugal, os cidadãos continuam muito focados nas questões financeiras e o impacte que as mesmas têm no dia-a-dia dos portugueses (mais poder de compra, melhores salários, menos impostos...), todavia, mais que uma boa notícia na taxa de IRS é o comportamento dos outros cidadãos e dos políticos, pois efectivamente uma falha em valores básicos da democracia e atropelos éticos podem ter custos bem mais elevados para o erário público (todos nós) do que um simples aumento na taxa de IRS! Estranho que alguns dos partidos que mais apregoam a estas questões bebam agora desta cartilha e estejam em profundo silêncio.

 

Não entremos no círculo do “mas não fiz nada de ilegal”, pois essa tende a ser a capa para que se cometam as maiores atrocidades...

 

Finalmente, e para não tornar tudo tão pesado fica a questão que Steinbeck, através da personagem Ethan Hawley coloca em O Inverno do Nosso Descontentamento: “Um homem deve viver guiado pelos seus princípios ou deixar-se arrastar?”.

 

 

 

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