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O Grande Inspirador de Marcelo!

por Robinson Kanes, em 21.11.17

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Marcelo não fugiu à tradição e lá tratou de condecorar, mal chegou a Belém, os amigos e talvez aqueles que foram sustentando a sua presença por aí, uma espécie de pagamento por muitos almoços. Todavia, Marcelo Rebelo de Sousa esqueceu-se de condecorar o seu grande mentor e precursor na arte de aparecer a todo o custo em todo os lugares mesmo que seja para trazer uma mão cheia de nada: o emplastro! E convenhamos, até o emplastro é cata-vento, pois não aparece só nos jogos do Futebol Clube do Porto. Estranhamente, condecora futebolistas mas não condecora heróis que salvam um país das chamas, não condecora tantos outros anónimos quando se diz o Presidente de todos os portugueses, discurso esse que, mais recentemente, foi alterado para os portugueses (os que nele votam) e os distraidos (os que nele não votam) ...

 

Acredito, no entanto, que a "Ordem do Mérito" tem de ser atribuida ao "emplastro". E porquê? Sobretudo porque está a nascer mais uma profissão com grande futuro. Claramente não podemos apelidar a mesma de "emplastrista", como muitos já fizeram. Não é "fashion" e não gera "likes". Que tal "Show Off Segment Leader" ou "Selfie Key Account Manager"?

 

Esta actividade está tão desenvolvida que até já existem duas vertentes interessantes: o que vive de se mostrar ao lado dos outros e o que vive de aparecer ao lado dos outros, há diferenças. O primeiro é uma espécie de "Senior Show Off Leader" ou então "Head of Selfie Sticks" o outro é... Enfim, eu sei o nome que lhe posso chamar em inglês mas prefiro não o fazer.

 

O primeiro é aquele que, mesmo involuntariamente, é perseguido por tudo e por todos para tirar uma "selfie". Estamos perante uma espécie de pai natal dos centros comerciais em que as crianças fazem fila para aparecer e consequentemente serem fotografadas ao lado do mesmo. O objectivo das crianças? Uma foto com o pai natal! O objectivo dos adultos? Tirar uma fotografia junto àquele indivíduo e passar a mensagem de que "também" se é importante, mesmo que na verdade não se passe de um lambe-botas aproveitador que não mostra trabalho mas mostra um sorriso ao lado de alguém conhecido. Já estou a pensar em inventar para mim uma personagem - vou fingir-me de indivíduo que fez fortuna a vender espinhas de perca na Tanzânia e que tem agora um negócio de gindungo no Lesoto. Até aqui é simples, paga-se uma campanha, apareço nos locais certos, isto será o que me vai custar menos, depois basta aparecer e começar a cobrar por cada fotografia com a minha pessoa! É preciso financiar a actividade, ao contrário de muitos, o Robinson não é apologista de um "Estado Papá". Alpinistas não faltam. Ainda vou ter um "pivot", imparcial e de Telejornal de canal generalista, a apelar que votem um dia em mim para Presidente da República. Será isso ou uma pequena questão de tempo até alguém dizer que sou eu o padrinho dos portugueses. Não se admirem, existem jornalistas  que o fizeram, todavia, não será de admirar quando também fizeram, e fazem, a apologia de um indivíduo, já falecido, que enganou um sem número de pessoas com empresas fachada.

 

Não esqueçamos o segundo: este é o que aparece sempre junto aos outros, aquele que precisa de estar sempre rodeado de alguém. Existem indivíduos que passam os dias em conferências, seminários, encontros da terceira idade, matinés dançantes, torneios de xinquilho e jogos de futebol das distritais a tirar fotografias. De dois em dois minutos lá vem uma fotografia no palco das redes socias, fotografias tiradas nas piscinas municipais de Cabeceiras de Basto ou na mercearia "O Emigrante" em Virtudes. Convenhamos que isto tem de ser lucrativo, caso contrário estariam a desenvolver outra actividade ou a trabalhar. Estes são uma espécie de Chief Executive Officer (CEO) de uma indústria de papalvos que, ou aparece enquanto outros fazem aquilo que estes dizem fazer, ou vivem somente disso mesmo, de aparecer. E convenhamos, quando aparecemos muito, podemos dizer tudo e mais alguma coisa que somos sempre levados a sério, mesmo quando num dia dizemos uma coisa e no outro o seu contrário. Até no LinkedIn já existem especialistas em... LinkedIn. Estes debitam fotografias com este e com aquele e recomendam os outros a fazer o mesmo de modo a serem atractivos para o mercado... Reparem que não escrevi mercado de trabalho por achar que o conceito de "trabalho" não entra na equação.

 

Entretanto, Lili Caneças e Jô Caneças celebraram já um cessar-fogo temporário pois contam formar uma união para manifestarem o seu descontentamento por aquilo a que acusam de abuso do poder presidencial, posto que a Constituição não permite que o Presidente da República apareça em mais de 5 publicações semanais da chamada imprensa "cor-de-rosa" e em mais de 1500 fotografias ao lado de alguém. 

 

Convidámos tanta gente inútil para estar na "Web Summit" (felizmente por lá passaram também indivíduos de destaque) que nos esquecemos de convidar o "emplastro", pois é ele o grande guru de uma das profissões mais lucrativas em Portugal e bem mais rentável que o "robot Sophia". Aliás, seguidores do "aparecer" não faltaram também neste evento, onde muita gente saiu de lá com selfies mas poucos com ideias... E as boas ideias até andaram por lá...

 

 Fonte das Imagens:

Imagem 01: Semanário Sol

Imagem 02: https://static.noticiasaominuto.com/stockimages/1920/naom_52f68835adf8f.jpg 

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Horta Osório e um Alpinista: Veja as diferenças.

por Robinson Kanes, em 02.11.17

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Fonte da Imagem: http://brobible.com/life/article/limo-driver-make-a-wish/

 

Aeroporto de Lisboa, Setembro de 2017...

 

Encontrávamo-nos nas chegadas à espera do shuttle para nos levar ao parque de estacionamento quando reparamos que atrás de nós surge o banqueiro António Horta Osório. Discreto, o mesmo saiu do aeroporto e dirigiu-se para um veículo que o esperava. Ao reparar que Horta Osório se aproximava, o motorista, um senhor já com alguma idade, sai disparado da viatura. Horta Osório, contudo, chega primeiro, abre a mala do carro, coloca a sua bagagem e ainda abre a porta a quem o acompanhava cumprimentando amavelmente o motorista...

 

Reparámos naquela atitude e lembro-me de ter dito à minha miúda: "estás a ver porque é que privilegio ter relações com o topo ou então com as bases da pirâmide social?". Lembro-me também que a mesma se riu divertidamente e disse que lá estava eu com o meu mau-feitio.

 

Mas na verdade... Poucos minutos depois surge um outro indivíduo, ainda jovem nos seus 30 anos. Não tivesse eu conhecimento do corporate diria que era mais um indivíduo de baixa linha quem nem chefia intermédia seria... Todavia, apresentava aquele ar "pimpão" muito típico actualmente e que pensa que chegar ao aeroporto é coisa de novo-rico. O nosso vendedor, de repente, vê um táxi a chegar e corre na direcção deste (a "gentleman never run"). Chegando perto do motorista que já conhecia, solta um:

-Isto é que é serviço, hein...

 

Nunca percebi o porquê do ar gingão e aquele movimento do abanar-se ser uma coisa tão nossa, parecemos uma gelatina em forma de indivíduo... estúpido? Ou então ficamos parecidos com aqueles cães que se colocavam nas chapeleiras dos carros e que abanavam o pescoço como se estivessem a ouvir música numa qualquer matiné dançante na Associação de Pensionistas, Reformados e Idosos do Samouco.

 

Cumprimentaram-se, o motorista genuínamente feliz por ver tal personagem e eis que, ainda na fase dos cumprimentos, o outro indivíduo lhe dá um toque, olha para as malas e aponta para a bagageira numa espécie de "olha lá, somos amigos mas tu és motorista, eu sou vendedor e apesar de ainda não ter pago o fato, sei que estás aqui para me servir, por isso anda, vá".

 

Lembro-me de ter apreciado a situação e ter olhado para a minha miúda e ter dito: "estás a ver porque é que privilegio ter relações com o topo ou então com as bases da pirâmide social? Aquele meio, meio-baixo da tabela causa-me confusão, pronto". Novamente uma gargalhada e eis que diz:

 

-Realmente, não sirvas a quem serviu nem peças a quem pediu... 

 

Sou levado para um episódio que um dia me contaram acerca de um colégio conhecido da nossa praça onde, aquando de um jantar de gala, foi solicitado aos empregados de mesa que servissem o Director do mesmo e com toda a pompa e circunstância, embora fosse um buffet. Na verdade, o que sucedeu, é o que o indivíduo em questão recusou ser servido, levantou-se e tratou de abastecer o seu prato. Até aqui nada de novo, o problema foi quando professores e educadores estagiários (estagiários, é importante sublinhar) tiveram de ser servidos porque se recusaram a levantar, tal era o grau de importância que já julgavam ter.

 

P.S: é um artigo elitista? É!... Ou talvez não...

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 Fonte da Imagem: https://www.moviepitcher.com/what-is-a-good-pitch/

 

Caro A.,

 

Espero que esta email o encontre muito bem (sim, o email foi enviado hoje mesmo).

 

Após ter recebido o vosso email a solicitar que, mais uma vez, colocasse os meus dados na vossa base de dados, admito que não fui capaz de conter algo que já me tem vindo a consumir há muito...

 

Da M. tenho a dizer o pior, talvez por isso, quando poderia ter sido vosso cliente não o fui e um dia lá voltarei e colocarei no lixo o cartão que um dia me enviou com uma pomposa carta a apresentar os seus serviços, posso garantir-lhe. Questionar-se-á do porquê desta minha afirmação, vejamos com alguns exemplos:

 

Sempre que vos contacto nunca obtenho qualquer resposta, mesmo quando são posições em que me encaixo - regra basilar, nunca se deixa um cliente sem resposta mesmo que o contactemos só para afirmar que temos muita gente na nossa base de dados que até cedemos pontualmente. Mas não fiquemos por aqui, já estive nas vossas instalações por uma vez, onde um consultor (e pelo discurso autoritário que usava a falar dos outros colegas, acredito que ambiciona uma posição de chefia na vossa organização - embora tenha de corrigir a postura) efectuou uma entrevista exploratória, por certo para cumprir os objectivos. Fui incitado a candidatar-me sempre, mas... Sempre que contactado, nunca tive qualquer retorno. Espero também que internamente informe esse colaborador de que a chefia não é ele... É um discurso deveras deselegante.

 

Tenho exemplos, bem perto da minha pessoa, que atestam o ridículo a que Vossas Excelências se sujeitam: uma das vossas consultoras (uma júnior, também com grande ambição, pelo menos a arrogância de má chefia já tem), chama um sénior com nome no mercado, mas que não chegou pela via do networking. Sei que actualmente alguém que seja realmente bom e não peça emprego a este e àquele não vale nada, nomeadamente face àquele que se poupa a isso e mais que garantir que faz um bom trabalho, procura garantir uma boa rede de amigos, perdão contactos, que o vão colocando aqui e acolá, mesmo que seja um inútil incompetente e que ande sempre a saltar até encontrar um lugar onde goze de impunidade ou encaixe numa organização tão "standardizada" que os processos disfarçam a incompetência... Acredito que foi isso que a mesma pensou ao mostrar alguma arrogância e que, perante um CV brilhante, se dá ao luxo de não apontar o mesmo salientando que o "forte deste" eram as línguas e menosprezar a procura de emprego sem ser por via dos abençoados contactos... Esse indivíduo é responsável hoje pelo recrutamento e recusa trabalhar convosco. 

 

Também me parece de mau tom, depois de ignorar um CV durante meses não dando retorno ao candidato que, de repente, com o candidato no estrangeiro, um consultor contacte o profissional (também sénior) e lhe peça com toda a urgência para falarem. Estando em viagem, o mesmo pediu um dia e eis que... Esse dia nunca mais veio porque o consultor desapareceu do mapa. Isto não é profissionalismo e, mesmo com grandes volumes de trabalho, não pode acontecer. Também esse sénior explora, entre outras, a área dos recursos humanos e não trabalha convosco. O que o vosso consultor não sabe, é que para a posição que o mesmo desesperadamente queria contratar, essa mesma pessoa foi contratada por uma Vossa concorrente e não muito longe de vós. Escusado será dizer-lhe que vão perder um cliente em breve...

 

Mais recentemente, uma candidatura foi por vós ignorada. Depois de "mil e uma" tentativas de contacto com o consultor, este responde que a pessoa não reúne o perfil indicado. Segundo o anúncio publicado, tudo apontava para pelo menos merecer um contacto, mas a Vossa arrogância e falta de nível dos vossos "profissionais" ultrapassa tudo. Esse indivíduo, com nome na praça (não na praça do LinkedIn ou dos seminários vazios de conteúdo, mas das multinacionais de topo) pediu imediatamente a retirada dos dados pessoais da V/base de dados. Mas o pior estaria para vir, pois semanas mais tarde voltou a ser contactado (por outro consultor, igualmente desesperado - penso que seja importante reverem esta parte, dão muito nas vistas quando o vosso cliente não quer os vossos candidatos e vos obriga a procurar aqueles que provavelmente não são amigos dos consultores). O contacto era para essa mesma posição - o desespero era tal que até os dados que anteriormente haviam sido confidenciais foram revelados ao candidato. Recordem também, que já tinha sido pedida a eliminação dos dados, isso incorre numa situação grave. Contudo, a pessoa em causa acedeu em enviar o CV e disponibilizar-se para uma entrevista, mesmo sem tempo para tal e após ter mencionado o vosso flop. A verdade é que na M. devem trabalhar fantasmas, que desaparecem, que ficam incontactáveis por email, telefone ou até telemóvel... O vosso Consultor simplesmente desapareceu do mapa. Eu teria vergonha de ter uma equipa assim, deduzo que seja a mão-de-obra barata a causar isto ou a má selecção de candidatos (estranho, numa organização que recruta para outros)... Dirão que é cultural e a minha formação e experiência não vão por aí... Também é cultural o real desleixo nacional e o desenrasque... Vejam onde estivemos e estamos com este período de crise, é cultural... Mas querer continuar estúpido não é cultural em país nenhum do mundo. 

 

Portugal é um país pequeno onde tudo se sabe, até os favores que são prestados a amigos (não é novo, nem tem de ser grave, mas existem situações que ultrapassam tudo) e na M. não faltam esse tipo de procedimentos em alguns dos consultores, prejudicando claramente os clientes! Por este e por outros motivos A., só me apraz dizer que não acredito minimamente neste email que, para mim, não passa de marketing que não tem expressão na realidade. Infelizmente, e talvez por orgulho, não peço nem nunca pedirei trabalho a ninguém e talvez seja isso que me faz continuar no mercado à procura... Talvez ainda não tenha encontrado esse emprego, mas orgulho-me de viver e poder ser transparente, pois será isso que me garantirá ter imparcialidade e profissionalismo de modo a pautar a minha actuação com a maior competência e sem interferências ou pressões que prejudicam a minha organização ou os clientes da mesma. E lamento informar, mas não estou desesperado à procura de emprego... E o A. e os seus consultores?

 

Com os Melhores Cumprimentos,

"Robinson Kanes"

 

P.S: não é raro, e aqui não é só a M., ver indivíduos que pouco ou nada fazem nas organizações onde estão (ou melhor, fazem sobretudo no smartphone e nas redes sociais a dinamizar contactos) a assumirem claramente que basta contactar ou esperar que o consultor amigo os contacte com uma oferta (alguns gabam-se diariamente disso)... Os outros enviam CV, porque têm de trabalhar e porque têm ética e honra, mas esses caem no "black hole" dos recursos humanos e não têm margem para dedicar 90% do seu tempo ao networking e 10% ao trabalho. São esses que eu procuro, são esses que me dão garantias de fazer um bom trabalho... 

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Sapo em Modo "It is Leclerc"...

por Robinson Kanes, em 13.10.17

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 Fonte da Imagem: http://alloallo.wikia.com/wiki/File:Leclerc.jpg

 

É impressão minha, ou com as novas alterações aos comentários (bem conseguidas), e enquanto não nos habituamos, andamos todos numa espécie de:

 

 

Em relação aos critérios de destaque...

 

 

 Agora sim... Bom fim-de-semana... Com algum humor...

 

P.S: "rasurando as palavras mérito e qualidade do meu dicionário". 

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Fonte da Imagem: Própria. 

 

Mas uma natureza medíocre jamais fará algo de grande, seja a um particular, seja a uma cidade.

Platão, in "República"

 

 

E Portugal continua a viver debaixo de uma intensa nuvem de fumo que parece até cortar a visão aos seus cidadãos...

 

Os fogos continuam a deflagrar! Na verdade, agora até podem deflagrar porque não estamos na burocratizada época de incêndios, por isso o impacte mediático é curto. Aliás, até podemos aproveitar a onda e vender o produto "Turismo Incendiário" para combater a sazonalidade. Fosse esta época tão quente como foi em alguns países e provavelmente muitos membros do Governo e o próprio Presidente da República já tinham sido chamados a responder onde está o "doa a quem doer", sob pena de serem pendurados numa varanda em Belém e São Bento. Mas os fogos também são uma mais-valia, que o diga o Presidente da Câmara de Pedrogão Grande que utilizou os mesmos (e o dinheiro do povo), para fazer campanha eleitoral. A verdade é que cometeu um crime, mas a diferença é que Isaltino Morais tem uma máquina melhor que a Comissão Nacional de Eleições no espaço mediático - um vende bem a promover-se, o outro beneficia do quase anónimato.

 

Contudo, apraz-me perguntar: podemos chamar de profissional e competente quem, vendo que o panorama climático não iria mudar, decidiu baixar a guarda perante uma calamidade que já se adivinhava? Há mais de 40 anos que os erros se têm vindo a repetir, Pedrogão (pelo grau de violência) seria o ponto de viragem. Todavia, não passaram três meses e os erros infantis de gente medíocre voltaram a repetir-se! Reduziram-se os meios, fecharam-se postos de vigia e fechou-se os olhos ao cataclismo. Os olhos só se voltaram a abrir porque alguns indivíduos vieram para a comunicação social, denunciar a incompetência e a imbecilidade de quem está à frente desta matéria, caso contrário, continuaria tudo na mesma - aliás, o próprio inapto Secretário de Estado com a pasta da protecção civil, veio dizer ontem que muitos meios seriam reactivados por causa das notícias dos últimos dias! Por causa das notícias, que mexem com a popularidade e não por uma necessidade! O país é gerido numa lógica de popularidade, mas sem um país, também não existirá popularidade...

 

E porque é que em muitas situações os meios aéreos só entram quando o fogo já atingiu dimensões incontroláveis? Não percebo de incêndios, é apenas a visão de quem está a ver o seu país a ser destruido por um vasto conjunto de indivíduos podres e que contaminam tudo o que ainda de bom subsiste, mas os meios aéreos não atingem o ponto maior de eficácia nos primeiros momentos do incêndio?

 

Entretanto o país arde... Mas o fogo dos portugueses já está mais focado no futebol... Desde que não ardam estádios, o resto pode arder e alguns vão assim assistindo ao fim de um país! Até os defensores do separatismo catalão, tiraram hoje o dia para se debruçarem sobre o futebol, excepto alguns que andam a dizer que a Catalunha é uma não questão para Portugal, mas até vão aplaudir uma hipótética declaração de independência in loco

 

Na verdade, a corrida ao melhor lugar na fotografia, levou a uma irresponsabilidade grotesca que terá consequências no médio-longo prazo. Não importa ser bom, importa estar nos grupos certos, nos meios certos e conhecer as pessoas certas... E aqui, é extensível a tantas outras áreas deste país... Talvez seja verdade o que alguns dizem: temos aquilo que merecemos - a ser verdade, que arda tudo e limpe de vez este povo do mapa, sobretudo o sentimento de impunidade e a incompetência camuflada de discursos e imagens bonitas... 

 

Porque não é passando o Natal em Pedrogão sob os holofotes mediáticos (óptima estratégia para aparecer numa época que politicamente tem pouca expressão nos media e passar a imagem do pai caridoso - estratégia muito comum em regimes ditatoriais) que os problemas das populações se resolvem: a prova é de que não foram coletes, nem donativos e muito menos selfies que evitaram um Setembro e um Outubro negros.

 

E para que não nos esqueçamos até ao Natal:

Um Elogio ao Dr. Vasco e à D. Lidia

O Fogo que Fala

O Fogo que nos Continua a Queimar

Chegou de Avioneta a Cobardia de um Povo

Caramba, Nunca Mais Morrem Pessoas nos Incêndios destes Dias

Sr Presidente, Não Somos Nada Bons

Pensamentos da Malta do Bairro Sobre Exames, Incêndios, Corrupção e Cegueira Colectiva

O Fogo do Inferno e as Chamas da Irresponsabilidade e da Vergonha

Fires in Portugal: Our heros are not hust Football or TV Stars!

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"Ter de Ser é Ter de Morrer".

por Robinson Kanes, em 10.10.17

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Fonte da Imagem: Própria.

 

Ontem escrevi sobre a morte, aliás, penso que escrevi sobre a vida... Tentei rondar algumas das minhas inquietações, colocando o "nós" perante a morte como um não "nós", como um nada, pelo menos enquanto humanos. Procurei, com base numa abordagem mais literária e cientifica, trazer a importância do Homem no quadro do seu destino e de como este ainda não percebeu a enorme responsabilidade que lhe foi atribuida, mesmo tendo chegado à conclusão que não é possível delegar a mesma num ser superior para lá de toda e qualquer possível interpretação.

 

Ao reler o texto de ontem fui novamente à procura Levinas (que também serviu de base), mais precisamente ao seu "Deus, a Morte e o Tempo". Voltei a Levinas, talvez depois de reler nos meus apontamentos a sua interpretação do "ter de ser é ter de morrer", frase que resume a primeira parte do meu texto de ontem. Mas Levinas vai mais longe e coloca-nos perante a realidade de que "a fuga diante  da morte é que atesta a própria morte". Será que ao não fugirmos da morte viveremos mais? Será essa uma forma de protelar a nossa morte e viver um dia-a-dia mais tranquilo? Mas será também esse o caminho mais correcto, o de fechar numa gaveta essa realidade que pode ser o próximo instante?

 

Os antigos, e algumas sociedades ainda hoje convivem bem com a morte, mas a esse contexto está agarrado um outro factor que é uma profunda fé (maior parte das vezes) em algo sobrenatural. O homem medieval do ocidente lidava muito bem com a morte, recebia-a tranquilamente e tudo se cumpria num ritual minuciosamente preparado. No entanto, este não tinha dúvidas de que seria recebido nos céus... Aliás, todo o trabalho de fuga ao "inferno" era realizado muito antes de forma a evitar o castigo divino - hoje, no entanto, percebemos que também foi enganado por uma estrutura religiosa.

 

Fui relendo mais umas páginas, cruzando anteriores leituras com a actual e no fundo a conclusão foi óbvia: "a morte não é, então, o acabar de uma duração feita de dias e de noites, mas uma possibilidade sempre aberta". É uma fuga constante, de facto, mesmo que não demos conta dela, é o facto dessa possibilidade existir, mesmo que não pensemos nela, daí o nosso choque com a morte fora da "idade para a mesma", talvez influenciados por aquilo que, mais uma vez, Levinas diz e que se resume no seguinte: "fugimos à morte mantendo-nos ao pé das coisas e interpretando-nos a partir das coisas da vida quotidiana". É talvez essa fuga com motivos distractores que nos fecha neste círculo - fugimos sem ter sequer consciência disso, mas estamos nessa fuga constante. Será também essa fuga e permanência perto das coisas da vida que permitem a própria vida como a conhecemos.

 

Mais uma vez, penso que esta reflexão faz-nos pensar no tipo de vida que queremos, naquilo que ambicionamos e nos guia no quotidiano. Talvez isso, apesar de ser uma covarde fuga, nos permite encetar caminhos mais claros, justos e com uma enorme responsabilidade perante nós, perante os outros e a sociedade em geral... Podemos pensar nisto e, no fundo, conservar alguma esperança, pois "não podemos ignorar o nada da morte, mas também não o podemos conhecer". Por estas palavras, Levinas tentará criar aqui uma atenuante ao estado "negro" dessa condição humana e abrir caminho para uma certa fé/esperança, cabendo a cada um interpretá-la de diferentes formas e com isso estabelecer um caminho de vida que lhe permita ser feliz e permitir que os outros também o sejam... Mesmo que sem fé em algo para lá da morte...

 

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Um Elogio ao Dr. Vasco e à D. Lídia...

por Robinson Kanes, em 28.09.17

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 Eva Gonzalès, Une loge aux Italiens (Museu d'Orsay)

Fonte da Imagem: Própria

 

Felizmente, mais que os heróis das redes sociais, mais do que os sentimentalistas de blogs, mais que os solidários da televisão e das artes, existem anónimos que fazem a diferença, aliás, são eles que fazem a diferença, os outros só aparecem.

 

É também por serem anónimos que não vou revelar mais da identidade destas duas pessoas que vou elogiar (elogiar, em Portugal? Não, não perdi a cabeça, não lhes pedi nenhum favor e não quero ganhar nada com isto), até porque os mesmos não iriam querer essa exposição. Estamos perante uma história verídica.

 

O Dr. Vasco, eu sei que não sou pessoa de tratar outros por títulos e o Dr. Vasco nunca fez questão que eu o fizesse - no entanto, existem pessoas que fazem questão de ser tratadas pelo título e outras cuja educação, respeito, ética, profissionalismo e postura nos fazem automaticamente assumir o título, mesmo que, academicamente nem fossem dignos de tal, o que não é o caso. O Dr. Vasco e a D. Lídia são um casal anónimo que não fala, não escreve e muito menos procura protagonismo com causas solidárias, contudo, o Dr. Vasco e a D. Lídia tiveram num Verão, uma viagem na ordem dos 3000-3500 euros agendada para fora das nossas fronteiras.

 

Ao verem o país a arder, sobretudo a sua região, o Dr. Vasco e a D. Lídia decidiram negociar com a agência e doar todo o dinheiro para a causa dos incêndios! Obviamente que não foi através de associações. Segundo o Dr. Vasco e a D. Lídia não se sentiam bem consigo próprios pelo facto de andarem a passear por aqui e por acolá deixando para trás um país em chamas, por sinal o seu. Não se sentiam bem por verem indivíduos conhecidos com o coração nas mãos enquanto bebiam um refresco em algumas das praças mais belas do mundo.

 

Uma história simples que não precisa de mais floreados e cujo testemunho o tive na primeira pessoa... Um exemplo de cidadania, demonstrativa de que, para além do folclore mediático os verdadeiros heróis são anónimos e andam espalhados por esse país fora. Cabe-nos a nós, demais anónimos, encontrá-los, valorizá-los e exaltá-los ao invés de perdermos muito do nosso tempo a bater palmas a indivíduos ocos e patrocinados pelo compadrio político e/ou mediático. No vosso dia-a-dia, inclusive, não faltam esses anónimos, hoje elogiem-nos, dêem-lhes um abraço e convidem-nos para tomar um café.

 

P.S: e praticamente em Outubro, ainda estamos à espera das responsabilidades ou de desenvolvimentos visíveis acerca dos incêndios do Verão... "Doa a quem doer"... Mais importante que passar um Natal mediático em Pedrogão é a justiça!

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 Fonte da Imagem: Bruce Beattie - Daytona Beach News Journal

 

O tema não é novo, mas repete-se... E como se repete continua tão actual como aquando da primeira polémica espoletada acerca do mesmo.

 

Sempre que estamos perante um atentado terrorista assistimos à divulgação de imagens (quantas vezes não são as mesmas repetidas atá à exaustão) de pessoas feridas, mortas, em pânico, completamente aterrorizadas e, em alguns casos, até à divulgação do próprio atentado a ter lugar (Charlie Hebdo foi um dos melhores exemplos). Se a sede de vendas aqui ainda encontra uma "descupabilização", o que dizer quando os perpetradores do terror fazem um balanço do ataque e promovem a causa?

 

Pretendo com isto dizer, e em Barcelona a cena repetiu-se, que um dos grandes cúmplices do terrorismo - porque espalhar o medo é terrorismo, não é só pressionar um gatilho - poderão ser os media. O alegado vídeo do Daesh a reinvindicar o ataque foi repetido mil e uma vezes por esse mundo fora e Portugal não foi excepção. Será que não basta "uma" notícia a informar que o Daesh (ou outro movimento) reinvindicou o ataque e voltou a ameaçar? E será que estes vídeos são muitas vezes confirmados, sobretudo do ponto de vista da origem? Não me é de todo difícil colocar um vídeo igual a muitos outros do Daesh a circular na internet.

 

É aqui que também pretendo chegar... Ainda me recordo de ver os vídeos da ETA, do Hezbollah, do IRA e de outros tantos movimentos, onde o foco do mesmo passava por indivíduos que difundiam uma mensagem; mas hoje os videos são mais elaborados e coloridos com imagens que são retiradas dos próprios media. Não só estamos a alimentar a propaganda com conteúdos mas também a divulgar a mesma. Se eu sair à rua com uma suástica no braço arriscarei, por certo, algumas consequências menos boas, contudo, divulgar o ódio e o terror continua a ser um crime que passa impune sob a capa da liberdade de informação - seja de forma propositada ou negligente. 

 

Finalmente, uma nota para o actual Presidente da República Portuguesa e que me ficou retida aquando dos atentados de Barcelona: dizer que nunca morreu tanta gente, nem existiram tantos atentados terroristas como hoje, sobretudo na Europa, revela um desconhecimento da História, sobretudo a mais recente.

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https-::ofpof.com:merak:meslekten-sogutan-musteri-

Fonte da Imagem: https-//ofpof.com/merak/meslekten-sogutan-musteri-tipleri

(artigo publicado originalmente a 13/10/2016, hoje reeditado, após a constante leitura, sobretudo na blogosfera, de autênticos ataques a quem trabalha, por norma, por pessoas que atrás de um monitor descarregam a sua frustração nos outros com o "patrocinio" do "Sapo", tentando sobrepor-se e colocar-se em "bicos de pés face" àqueles que acrescentam algo na sociedade. Como na sociedade, também na blogosfera também nas redes sociais temos o comportamento provinciano que dá grande sentido à expressão popular "não sirvas a quem serviu, nem peças a quem pediu").

 

 

Em Portugal existem algumas elites que, em meu entender, merecem um forte agradecimento - um agradecimento que vai para além do reconhecimento por intermédio de falsas manobras publicitárias.

 

Refiro-me aos políticos, aos directores de grandes empresas, àquele amigo que nos arranjou um bom trabalho mesmo sem termos competências para o mesmo, aos futebolistas, àqueles bloggers que se querem julgar mais que os outros seres da sociedade? Não! As personagens desta peça são outras.

 

Prefiro mencionar os empregados de mesa, os empregados de limpeza (inclui aqueles senhores que nos limpam os vidros e aquelas senhoras que aguentam a nossa falta de higiene e cuidado quando almoçamos no shopping, por muito que passemos a mensagem de que somos todos limpinhos...), as pessoas que nos limpam as ruas e os operacionais de super e hipermercados e que dão o melhor de si para que a nossa vida seja mais agradável e sem percalços.

 

Dirão: “e? Isso qualquer um faz!”. É um facto, então porque não fazem vocês? Direi eu... E se eu vos disser (imaginemos que a alguns bloggers, utilizando esta comunidade como exemplo) que o "texto" que têm nos destaques não vale rigorosamente nada e revela um sentimento de inferioridade atroz camuflado por uma necessidade de se colocar em bicos de pés perante quem não se pode defender? Lamento, ser blogger não é diferente de limpar uma retrete... Lamento mesmo e mais uma vez, não... Não somos assim tão importantes. 

 

Já tive oportunidade de viajar , de conhecer diferentes abordagens e perceber que, se não temos os melhores empregados de mesa do mundo e talvez o melhor atendimento ao cliente nas grandes superfícies não andamos muito longe da perfeição. Não vou nomear cidades europeias nem fora da Europa sob pena de ser injusto com muito boa gente que também dá o seu melhor além fronteiras.

 

Mas o paradoxo atinge o seu expoente máximo de... estupidez (perdoem-me o termo) quando “desancamos” (inclusive online) aquele simpático senhor que nos serviu um saboroso café, mas por lapso lá se esqueceu da colher ou porque trouxe o pacote de açúcar e nós nem tomamos o café com açúcar. No entanto, elogiamos (porque aí já é no estrangeiro) aquele antipático senhor que nos atirou um prato para cima da mesa, não se esforçou em compreender a nossa língua, não nos cumprimentou, ficou de mão estendida à espera de gratificação e ainda nos tratou com algum desprezo . Não fica bem dizer que as coisas correm mal quando estamos fora do nosso país, porque é importante ter uma história fascinante para contar.

 

O reconhecimento necessita de ter a sua origem no cliente, que insiste em não reconhecer muitos destes trabalhadores. Isso pode ser até um grande passo para o reconhecimento por parte dos líderes das organizações empresariais. E não basta espalhar com palavras e textos vagos que temos admiração pela pessoa que trabalha muito e só aufere €550.00 por mês. Vamos lá, até a "Miss Universo" consegue melhor e com sorte ainda são os impostos desses €550.00 que permitem a muitos estar aqui a escrever.

 

A grande maioria não é a mais bem remunerada, mas mesmo assim têm uma capacidade de sorrir e de nos envolver emocionalmente no processo de compra . Sejamos honestos, sorrisos e um total envolvimento não é muito comum.

 

Atentemos nos indivíduos que, por vezes até auferem um vencimento superior e ocupam posições com maior destaque mas que, ao invés do título de assistente de loja ou vendedor, têm o de Sales Assistant ou Account Manager - neste campo existem centenas de exemplos que poderia mencionar, sobretudo de supervisores e directores incapazes de resolver situações perante o cliente e que só são devidamente soluccionadas pelo colaborador da linha da frente - o soldado raso que dá o corpo às balas, utilizando aqui uma metáfora militar.

  

Importa não ver estes indivíduos como sacos de boxe como muitas vezes tenho presenciado – discussões inúteis, desprezo, sobranceria e até um assustador sentimento de superioridade (ou melhor, vontade de) em relação a estes - esquecemos que são pessoas e cujo trabalho muitas vezes até é bem mais honroso que o nosso e não podemos descurar que operacionalmente fazem um esforço que muitos de nós não faríamos... ou não conseguiríamos. E lá diz o povo novamente: "não peças a quem pediu, nem sirvas a quem serviu". Permitam-me também usufruir da minha liberdade e defender-me (suportado em Orwell) dizendo que "se a liberdade significa alguma coisa, será sobretudo o direito de dizer às outras pessoas o que elas não querem ouvir".  

 

Eles estão a fazer o trabalho que lhes compete? Sim, mas também elogiamos um médico quando ele nos avalia e nos receita uns comprimidos para a nossa doença - afinal também é pago para isso a não ser que se trate de um espécie de João Semana.

 

Da próxima vez que a nossa postura seja a de estar mal com a vida, estar mal connosco próprios ou questionarmos o porquê de termos sido castigados pelos deuses tal qual Sísifo, vamos agradecer e elogiar aqueles que nos servem com um sorriso no rosto e, mesmo perante o nosso estado depressivo ou agressivo, vão servir-nos aquele fantástico Bacalhau com Natas. Aquele bacalhau que nos vai fazer tão bem depois de uma manhã em que a vontade de enfrentar um processo judicial por ter eliminado alguém da face da terra nunca esteve tão presente. Ninguém tem de adivinhar se uma "coca-cola" ou "ice-tea" é com limão ou sem limão. Meus caros, vocês não são a Rainha de Inglaterra... Eu sei que gostariam de ser, mas não são e também não têm valores nem classe para o ser. Talvez sejam vocês, que se tiverem chefias ou clientes que criticam o vosso trabalho, não lidam bem com a crítica e acumulam frustração atrás de frustação.

 

Os mais casmurros dirão, como o fez Ehrenreich numa visão mais individualista, que agradecer, por exemplo, pode ser algo egoísta em prol do nosso próprio bem-estar. A resposta, nesse âmbito, é simples: se o nosso bem-estar gerar o bem-estar de outrem, porque não? A força maior está naquilo que Robert Emmons defende, ou seja, que a gratidão assenta no facto de reconhecermos a nossa ligação ou até mesmo dependência em relação a alguém ou ao trabalho desse alguém. Esse talvez seja um exercício difícil para quem quer ser ouvido, mas não quer ouvir, preferindo assim o debitar de alarvidades. Além disso, dizer bem não pode ser só quando queremos algo de quem dizemos bem ou somos pagos para o fazer.

 

Mas a senhora da limpeza hoje estava de mau humor! Soa a cliché, mas a resposta óbvia é: comportamento gera comportamento e sempre somos humanos... temos emoções. No dia em que todos esquecermos isso então já não podemos falar em Humanidade e será absolutamente necessário partir no encalço de um novo conceito.

 

 

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O "Lapa" do Posto de Combustível...

por Robinson Kanes, em 06.09.17

scarface.jpg

 Fonte da Imagem: http://www.movies.ie/wp-content/uploads/2017/03/scarface.jpg

 

Lapa

Grande pedra ou laje que, ressaindo de um rochedo, forma debaixo de si um abrigo

Gruta ou galeria originada por erosão; furna

Molusco gastrópode, de concha univalve, pertencente à família dos PAtelídeos, utilizado na alimentação, que aparece com muita frequência preso aos rochedos do litoral, e que, quando grande, é denominado laparão

Pessoa importuna; maçador

Bofetada

lapa in Dicionário infopédia da Língua Portuguesa com Acordo Ortográfico [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2017. [consult. 2017-09-05 18:51:37]. Disponível na Internet:

 

Sempre preferi lapa a emplastro. Além de ser mais saborosa, adoro arroz de lapas. A lapa é um petisco dos deuses e a figura de emplastro lembra-me sempre indivíduos com dores ou uma figura desdentada e com uma grande pancada.

 

Mas a verdade é que andam por aí umas lapas - ou mesmo laparões- bem estranhas e, por sinal, bem espertas.

 

Começa esta história quando, ao mudar de direcção para um posto de combustível, quase atropelo um indivíduo que se arrastava na entrada de acesso ao mesmo. Não havia passadeira e o mesmo estava escondido por arbustos. Confesso que levava alguma velocidade, o suficiente para o atropelar e lhe causar danos. Sim, basta ir a 40 ou até menos para o fazer.

 

Abro a porta para abastecer... Mas eis que aquele indivíduo de meia-idade, de aspecto algo descuidado e com um caminhar cómico à Cantinflas ou de quem acabou de sair de uma festa bem regada, passa junto a mim e, muito baixinho, solta um “deves estar cheeeeeiiiinho de pressa”.

 

Fiquei com o “cheeeeeiiinho” para mim e continuei a abastecer. Não vendo reacção, aquela personagem digna de programas de fim-de-semana à tarde vira-se para trás e solta mais um “deves estar cheeeeeiiiinho de pressa”. Ignorei, estava num bom dia, aliás, era bem cedo e sou um indivíduo calmo demais para começar o dia a distribuir chapadas. Além disso não sou violento e não procuro agredir indivíduos quando existem câmeras por todo o lado.

 

Não contente com as provocações e, tendo percebido que a miúda do Robinson estava na fila para o pagamento (viu-a abandonar o veículo), colocou-se atrás da mesma, já dentro da área de pagamento e eis que destila mais um pouco do seu veneno com um:

-está cheeeeeeeiiiinho de pressa o seu amiguinho.

 

"Amiguinho", "cheeeeeeeiiiiinho" e um "empurrãoziiiiiiiinho" para a valeta? 

 

Mas, quem conhece a miúda do Robinson, sabe que pode estar a decorrer um bombardeamento que ela simplesmente caminha tranquilamente entre as bombas até encontrar um abrigo chamando para o mesmo todos os que fogem na direcção errada. Perdeu-se um colosso na diplomacia...

 

Eis que senão quando, vem mais uma provocação:

 

- Anda com muita pressa, deve ir a algum lado o engravatadinho, tá cheeeeeiiiinho de pressa.

 

Por acaso nesse dia estava de gravata, e se me tivesse dito isso a mim tinha cometido ali um crime! Não por isso, mas a expressão “engravatadinho”! Lembra-me sempre aquele indivíduo cinzento, desagradado com a vida e sempre apoquentado com o crédito do carro mas que se liberta depois de umas cervejas assim que sai do trabalho.

 

Segundo a miúda do Robinson, o senhor, que por acaso até era parecido com o Chalana, ficou por aí. Embora eu não acredite...

 

Em suma, a história ficaria por aqui e não teria qualquer interesse, se é que tem, se alguém não nos tivesse dito que naquela zona era comum existirem indivíduos que viviam de subsídios ou de sabe-se lá do quê (este é um piscar de olhos ao André Ventura), a provocarem subtilmente outros indivíduos com o intuito de fazer os mesmos "perder a cabeça" e consequentemente partirem para a agressão. Tendo lugar a agressão são chamadas as autoridades que levantam o auto que irá ter continuidade até acabar em tribunal com um pedido de indemnização por parte dos “lesados”. Por norma, escolhem sempre locais com muita gente e com videovigilância.

 

E é assim que um indivíduo calmo e tranquilo fica metido numa grande alhada e perante a luta interior pela qual também o Condenado de Vitor Hugo teve de passar. Eu sei que não é fácil mas, por vezes, ignorar é o melhor remédio...

 

Scarface? Al Pacino? Sempre!

 

Actualização a 09 de Setembro de 2017 - 19h:20m 

 

Muitos Parabéns para:

 

Ana Walgode - Vice-Campeã Mundial em Solo Dance Sénior

Beatriz Sousa - Vice-Campeã Mundial de "Solo Dance Júnior" - Patinagem

José Cruz - Vice-Campeão Mundial de "Solo Dance Dance Júnior" - Patinagem - era o anterior campeão.

Pedro Algode - Medalha de Bronze em Patinagem Artística

Ricardo Pinto - Campeão Mundial de Patinagem Artística

 

Muitos parabéns para a Selecção Nacional de Hóquei em Patins que continua no Mundial da Modalidade, lutando contra o abandono a que este desporto, onde éramos os melhores, tem sido deixado.

 

Parabéns ao Rui Costa e ao Nélson Oliveira que continuam a dar o seu melhor na "Vuelta".

 

Porque desporto não é só futebol... E porque não... Parabéns a todos aqueles que hoje fizeram algo por alguém...

 

 

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