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O Grande Inspirador de Marcelo!

por Robinson Kanes, em 21.11.17

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Marcelo não fugiu à tradição e lá tratou de condecorar, mal chegou a Belém, os amigos e talvez aqueles que foram sustentando a sua presença por aí, uma espécie de pagamento por muitos almoços. Todavia, Marcelo Rebelo de Sousa esqueceu-se de condecorar o seu grande mentor e precursor na arte de aparecer a todo o custo em todo os lugares mesmo que seja para trazer uma mão cheia de nada: o emplastro! E convenhamos, até o emplastro é cata-vento, pois não aparece só nos jogos do Futebol Clube do Porto. Estranhamente, condecora futebolistas mas não condecora heróis que salvam um país das chamas, não condecora tantos outros anónimos quando se diz o Presidente de todos os portugueses, discurso esse que, mais recentemente, foi alterado para os portugueses (os que nele votam) e os distraidos (os que nele não votam) ...

 

Acredito, no entanto, que a "Ordem do Mérito" tem de ser atribuida ao "emplastro". E porquê? Sobretudo porque está a nascer mais uma profissão com grande futuro. Claramente não podemos apelidar a mesma de "emplastrista", como muitos já fizeram. Não é "fashion" e não gera "likes". Que tal "Show Off Segment Leader" ou "Selfie Key Account Manager"?

 

Esta actividade está tão desenvolvida que até já existem duas vertentes interessantes: o que vive de se mostrar ao lado dos outros e o que vive de aparecer ao lado dos outros, há diferenças. O primeiro é uma espécie de "Senior Show Off Leader" ou então "Head of Selfie Sticks" o outro é... Enfim, eu sei o nome que lhe posso chamar em inglês mas prefiro não o fazer.

 

O primeiro é aquele que, mesmo involuntariamente, é perseguido por tudo e por todos para tirar uma "selfie". Estamos perante uma espécie de pai natal dos centros comerciais em que as crianças fazem fila para aparecer e consequentemente serem fotografadas ao lado do mesmo. O objectivo das crianças? Uma foto com o pai natal! O objectivo dos adultos? Tirar uma fotografia junto àquele indivíduo e passar a mensagem de que "também" se é importante, mesmo que na verdade não se passe de um lambe-botas aproveitador que não mostra trabalho mas mostra um sorriso ao lado de alguém conhecido. Já estou a pensar em inventar para mim uma personagem - vou fingir-me de indivíduo que fez fortuna a vender espinhas de perca na Tanzânia e que tem agora um negócio de gindungo no Lesoto. Até aqui é simples, paga-se uma campanha, apareço nos locais certos, isto será o que me vai custar menos, depois basta aparecer e começar a cobrar por cada fotografia com a minha pessoa! É preciso financiar a actividade, ao contrário de muitos, o Robinson não é apologista de um "Estado Papá". Alpinistas não faltam. Ainda vou ter um "pivot", imparcial e de Telejornal de canal generalista, a apelar que votem um dia em mim para Presidente da República. Será isso ou uma pequena questão de tempo até alguém dizer que sou eu o padrinho dos portugueses. Não se admirem, existem jornalistas  que o fizeram, todavia, não será de admirar quando também fizeram, e fazem, a apologia de um indivíduo, já falecido, que enganou um sem número de pessoas com empresas fachada.

 

Não esqueçamos o segundo: este é o que aparece sempre junto aos outros, aquele que precisa de estar sempre rodeado de alguém. Existem indivíduos que passam os dias em conferências, seminários, encontros da terceira idade, matinés dançantes, torneios de xinquilho e jogos de futebol das distritais a tirar fotografias. De dois em dois minutos lá vem uma fotografia no palco das redes socias, fotografias tiradas nas piscinas municipais de Cabeceiras de Basto ou na mercearia "O Emigrante" em Virtudes. Convenhamos que isto tem de ser lucrativo, caso contrário estariam a desenvolver outra actividade ou a trabalhar. Estes são uma espécie de Chief Executive Officer (CEO) de uma indústria de papalvos que, ou aparece enquanto outros fazem aquilo que estes dizem fazer, ou vivem somente disso mesmo, de aparecer. E convenhamos, quando aparecemos muito, podemos dizer tudo e mais alguma coisa que somos sempre levados a sério, mesmo quando num dia dizemos uma coisa e no outro o seu contrário. Até no LinkedIn já existem especialistas em... LinkedIn. Estes debitam fotografias com este e com aquele e recomendam os outros a fazer o mesmo de modo a serem atractivos para o mercado... Reparem que não escrevi mercado de trabalho por achar que o conceito de "trabalho" não entra na equação.

 

Entretanto, Lili Caneças e Jô Caneças celebraram já um cessar-fogo temporário pois contam formar uma união para manifestarem o seu descontentamento por aquilo a que acusam de abuso do poder presidencial, posto que a Constituição não permite que o Presidente da República apareça em mais de 5 publicações semanais da chamada imprensa "cor-de-rosa" e em mais de 1500 fotografias ao lado de alguém. 

 

Convidámos tanta gente inútil para estar na "Web Summit" (felizmente por lá passaram também indivíduos de destaque) que nos esquecemos de convidar o "emplastro", pois é ele o grande guru de uma das profissões mais lucrativas em Portugal e bem mais rentável que o "robot Sophia". Aliás, seguidores do "aparecer" não faltaram também neste evento, onde muita gente saiu de lá com selfies mas poucos com ideias... E as boas ideias até andaram por lá...

 

 Fonte das Imagens:

Imagem 01: Semanário Sol

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 Fonte da Imagem:https://s3-eu-west-1.amazonaws.com/static.wetek.com/storage/events/597f0206-77d4-40df-a5cd-5c6925fc7e5d-websummitlisbon2017.jpg

 

Eventos como a "Web Summit" são, para mim, uma mais-valia para Portugal. São bons para a própria marca "Portugal", para o turismo e todos os seus actores e acima de tudo animam uma cidade que não deixa de ser uma das mais belas do Mundo. Com tantas criticas à mesma, seria interessante perceber os custos vs retorno desta face ao tão aplaudido Festival Eurovisão da Canção, por exemplo.

 

Discutir tecnologia é hoje fundamental. Não tenhamos dúvidas que o futuro passa por aqui e é importante desmistificar (contra a vontade de alguns) que não estamos perante nenhum "bicho de sete cabeças". Todavia, reconheço, que todos estes eventos (salvo algumas situações) são um mero encontro de profissionais e cujo retorno é sempre difícil de quantificar. Políticos e organizadores atiram números de milhões para o ar, mas na realidade, nunca temos contas certas, e neste campo, o Estado é responsável até porque financia, também com milhões, este evento. Eu sei que é aborrecido estragar a festa, mas quem já trabalhou com americanos, alemães e outras tantas nacionalidades sabe que o discurso é sempre interessante, mas os números têm de aparecer no papel e no terreno! Podemos falar de consumos de copos de água e cafés, do número de audiovisuais e afins, mas o que queremos são mesmo os números e os resultados concretos.

 

A "Web Summit", mais que um evento com resultados, é marketing e networking. Do ponto de vista do marketing é positivo, como também é necessário dar imagem ao mercado, ou não fosse a organização especialista em transmitir a ideia às organizações (sobretudo startups) que são convidadas e especiais, mas depois têm de pagar cerca de €1.500 para serem efectivamente tão especiais e dignas de convite. Do ponto de vista do networking também, todavia o foco nesta questão (apontada pela maioria como o ponto fundamental do evento) tira protagonismo à discussão de temas relevantes e ao desenvolvimento de estratégias para o futuro.

 

É neste sentido que, na "Web Summit", ficou também por esclarecer, apesar de ter sido abordado, como é que o mundo se vai preparar para toda esta revolução na robótica e que inclui a Inteligência Artificial (IA). Quais serão os reais impactes nas pessoas, nos negócios e nos países menos desenvolvidos? Eu sei que estamos perante um encontro na área das tecnologias da informação, mas não falar das pessoas... Como é que vamos conviver com este futuro que, para muitos, é visto com optimismo e para outros com grande pessimismo, enquanto a grande maioria não pensa nisso enquanto se diverte a brincar com o cão robot e não tem paciência para um cão de carne e osso. Interessante os risos e a satisfação quando um robot se vira para os humanos e lhes diz que o emprego destes tem os dias contados mas não lhes oferece uma solução... Mas a maioria aplaude. Aplaude até não ter emprego e passar a ser a personagem de um romance-catástrofe.

 

Não sou contra a IA, no entanto, defendo que esta merece uma grande discussão! Não só ao nível da ética mas também das consequências positivas e negativas que trará e, como já referi num outro artigo, comparar esta revolução com a primeira Revolução Industrial é no mínimo patético e revela um total desconhecimento do passado e do presente. Como é que enquadramos esta realidade nos desafios do presente e do futuro? Aqui, estamos perante um enorme  buraco negro em que ninguém arrisca entrar e já nem vamos falar da quase ausência da questão da responsabilidade social - não chega ter Al Gore a lançar desafios... É preciso agarrá-los. A lógica da sensibilização de cada um de nós tem limites, todavia, as mentalidades não se mudam somente com conselhos.

 

Fiquei também com a sensação que a "Web Summit" é um acontecimento político. À boa maneira portuguesa, a presença dos políticos do costume (Presidente da República - que até deixou a questão da água para segundo plano - e Primeiro Ministro incluídos) demonstra o ainda peso do Estado e a propaganda que grassa nestes meios. Até tivemos um presidente de câmara, Fernando Medina, que acompanhou todo o evento, mais parecia a "Web Medina", mas depois disse não ter conhecimento de um jantar no Panteão (um dos momentos altos da conferência), chegando mesmo a estar contra o mesmo.

 

Desta feita até foi bom, porque "apagou" a questão da legionella num hospital público, causando amnésia ao Presidente da República que encarou este facto como único, esquecendo o que aconteceu em Alverca em tempos recentes. Neste âmbito, também foi interessante assistir à presença de João Vasconcelos (ex Secretário de Estado da Indústria) como se ainda ocupasse um cargo de Estado (estando presente inclusive em alguns dos certames oficiais e diplomáticos) após ter sido demitido, perdão, se ter demitido devido ao escândalo com as viagens pagas pela GALP e cujo inquérito ainda decorre. Pelo campanha de comunicação em torno deste indivíduo, então no LinkedIn e em alguns "media" é bem latente que ter saído do Governo foi a melhor coisa que lhe poderia ter acontecido. José Régio escreveu "Há Mais Mundos", eu escreveria "Há Mais Isaltinos".

 

Mais uma vez, passou-se a imagem que Portugal é Lisboa... Tirando um evento de surf na Ericeira, num país pequeno como o nosso não ficaria mal alargar o âmbito da conferência. Contudo, a ideia com que fiquei, e aqui baseio o meu relato somente naquilo que vou ouvindo, é que a "Web Summit" é uma coisa, os portugueses são outra... O português comum é totalmente arredado deste evento não só por falta de informação concreta, bem como pela apresentação dos resultados... Volta a questão do empowerment e da crónica estupidez nacional de não gostar muito de passar a informação toda capacitando assim os outros. Em muitos com quem falei, encontrei a ideia de que a "Web Summit" é um evento elitista, quando não o deveria ser, e muito menos me parece que seja essa a ideia de Paddy Cosgrave. Na verdade, não é por andarmos de t-shirt e calças de ganga que a nossa mentalidade se torna mais cool ou moderna. Não é por se trocar o fato, a gravata e o golfe, por um polo, umas sapatilhas e surf que deixamos de ser aquele executivo labrego e nos transformamos no mais atractivo CEO do mundo.

 

Finalmente, algumas provocações: no país da tecnologia, não é de estranhar que durante os incêndios esta tenha falhado redondamente? No país da tencologia, não é de estranhar que muitas das inovações portuguesas (inclusive na área dos incêndios) não tenham a devida projecção? No país da tecnologia ainda discutimos jantares no Panteão nacional como se a nossa independência estivesse em causa e esquecemos o que realmente tem travado o nosso desenvolvimento? No país da tecnologia, porque é que ainda continuamos com uma mentalidade obsoleta? Porque a tecnologia altera hábitos mas não muda mentalidades.

 

Esperemos por 2018 e finalmente por bons resultados... Porque também isso leva o seu tempo e em relação à "Web Summit" quero continuar optimista. Venha a próxima edição...

 

Uma nota: ainda a propósito do famoso jantar, pede-se aos humoristas nacionais (muitos deles tão inteligentes que julgam viver num universo acima daqueles que ainda os sustentam)  que tenham em atenção o facto de personalidades como Camões, Vasco da Gama, D. Nuno Álvares Pereira, Pedro Álvares Cabral, Afonso de Albuquerque e o Infante D. Henrique (destes quatro últimos nem ninguém se lembrou) não se encontrarem sepultados no Panteão. Na Igreja de Santa Engrácia encontram-se somente os cenotáfios destes. No país da tecnologia e de gente que domina a praça pública e se diz tão evoluída já deveriam saber isso...

 

 

 

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Portugal em Guerra!

por Robinson Kanes, em 16.10.17

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 Fonte da Imagem:https://media4.s-nbcnews.com/j/newscms/2017_41/2190226/ss-171015-portugal-wildfires-2_0ef31990e760314bd502a730570f4ded.nbcnews-ux-1024-900.jpg

 

Portugal ostenta orgulhosamente (sem aspas) o título de ser o país mais seguro do mundo. Um país onde o terrorismo não ataca, enaltecendo isso como uma forma de captar mais visitantes que fogem de outros destinos mais ameaçados... No entanto, o que Portugal está a esquecer, é que foi provavelmente o país do mundo que mais ataques terroristas sofreu este ano! Poderá ser porque para muitos portugueses o turismo português continua a ser Lisboa, Porto e Algarve e enquanto esses territórios não forem atacados... Se pensarmos bem, só nesta época de incêndios já morreram mais pessoas que em muitos ataques terroristas!

 

Um país que está quase seis meses em chamas, com a maioria das ignições a ocorrerem ao fim do dia, à noite e de madrugada, só pode estar a ser alvo de terrorismo! Um país que arde diariamente e com autoridades incapazes sequer de prestar socorro às populações é um país que já não existe, aliás, é um país sem Governo e completamente abandonado apenas seguro por pequenas bolsas de resistência. São populações e operacionais que parecem soldados abandonados em combate, a desesperar até à última gota de água antes de serem derrotados sem piedade por um inimigo que, ao contrário do que possamos pensar, pouco tem de invisível. É um país onde entregamos a vida de milhares de homens a um sem número de incompetentes que os comandam (e conheço alguns que não foi por mérito que chegaram a posições de comando), é um país onde preferimos um abraço e uma selfie alicerçados num discurso folclórico a verdadeiras acções no terreno, é um triste orgulho patriótico que é incapaz de criar sinergias com o país vizinho no que a esta matéria diz respeito é, finalmente, um país onde o dizer que vamos fazer e esboçar cinicos sorrisos é mais importante que o fazer.

 

Estamos perante um país, onde os nossos votos vão para aqueles que nos fazem sonhar que daqui a um mês já nos podemos endividar e gastar mais dinheiro num dia que um alemão em 10 anos! É um país onde o conceito de "empowerment" não pode ser accionado e, de facto, muitos também não o querem conhecer. Estamos perante um país que arde, onde o colapso existiu e não é capaz de assegurar a protecção do seu território e dos seus cidadãos. Continuaremos a enterrar a cabeça na areia, uns porque já não acreditam (e quando um cidadão não acredita, deixa de ser um cidadão e passa a ser um vassalo, um escravo) e outros porque só poderão despertar quando o fogo lhes invadir o apartamento e os consumir, a eles e aos filhos e sobretudo, para um bom português, aos bens!

 

Estes incêndios demonstraram, mais uma vez, a incompetência reinante, o compadrio e o desinteresse de um povo que, apesar de puxar pela sua génese no futebol, pouco tem de tempos idos e prefere enterrar-se no seu umbigo até sufocar. Um povo que se une pela selecção mas logo a seguir é capaz de atropelar tudo e todos por uns miseráveis cêntimos!

 

O jardim à beira-mar plantado tornou-se num campo de morte e destruição, deixou de ser verde e passou a ser negro... Negro no chão, negro no céu e negro na mentalidade. Em tempos escrevi um texto e fiz um apelo para que muitos nos visitassem e vissem os nossos verdadeiros heróis, que não são aqueles que a nacional tacanhez apregoa mas sim aqueles que encontramos em muitas ruas, todavia, hoje diria que já tenho vergonha que baste pelo que não venham àquele que um dia foi o mais belo país do mundo, até porque neste momento, mais parece um país em guerra!

 

Se hoje me perguntarem, independentemente dos moralistas do costume, se tenho vergonha de ser português... Tenho muita vergonha de ser português! Quem não a tiver não é português, um português de uma estirpe capaz de se levantar e lutar em solidariedade com o seu concidadão! Sim, hoje tenho vergonha de ter um país alicerçado em partidos/autoridades/instituições/boys  cujo interesse é o poder pelo poder e um povo que assobia para o lado, talvez porque prefere o servilismo de ser alimentado por estes aparelhos a lutar e a exigir efectivamente um país melhor. 

 

Nota: Em Vigo, Espanha, as chamas invadiram a cidade... Até quando é que os incêndios continuarão a não ser tratados como terrorismo? A propósito dos fogos na Galiza alguém por lá, com responsabilidades governativas disse que os mesmos têm “atividade incendiária homicida” e que “fogos que vêm de Portugal”! Em tempos relatei por aqui uma conversa que tive com um espanhol em Plasência, acerca do medo que os espanhóis tinham dos fogos em Portugal...

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 Fonte da Imagem: Própria.

 

Foi a partir deste espaço que o incêndio foi comandado e em que se viveram os difíceis momentos da gestão de informação referente às fatalidades. Foi igualmente neste espaço que foi recebido o Senhor Presidente da República, para além de outras entidades que visitaram o PCO na noite do dia 17 e madrugada do dia 18 de junho.

Das audições efetuadas por esta CTI foi unânime a opinião, manifestada por operacionais, autarcas, agentes de proteção civil entre outros testemunhos, de que o PCO estava permanentemente superlotado, desorganizado, desorientado, descoordenado, com autoridades políticas a intervirem também nas decisões operacionais. A comunicação social estava em peso e muito próxima do PCO. O comando e coordenação da operação era obrigado a intervalar o seu trabalho para realizar briefings às diferentes autoridades e entidades que ali se deslocaram. E as comunicações não fluíam, atendendo também à localização do PCO e às falhas detetadas no SIRESP (...) O comando de uma operação de socorro não pode ser prejudicado por estas circunstâncias, como parece ter acontecido em vários momentos.

(pág. 130)

 

E o circo das "selfies" e dos coletes pomposos instalado e a interferirem nas operações prejudicando o trabalho dos especialistas, tudo a favor da popularidade. Neste âmbito a comunicação é fundamental mas foi severamente condicionada pelo folclore mediático...

 

É, contudo, excecional que tenha havido uma decisão do COS, 2.o CONAC Albino Tavares às 04h56 de 18 de junho, ordenando ao Chefe Sala do CDOS de Leiria que os operadores de telecomunicações não deveriam registar mais informações na fita de tempo no SADO acerca dos alertas que ali recebiam. A partir daquela hora todos os alertas deveriam ser comunicados ao PCO por telefone, e só após validação do mesmo, seriam ou não inseridos na fita do tempo do SADO. O 2.o CONAC, no decorrer da sua audição junto desta CTI, justificou a sua decisão com o excesso de informação que era produzida a partir do CDOS de Leiria.

Este procedimento contraria o SGO, bem como toda a doutrina instituída relacionada com o funcionamento do SADO, que impõe que as todas as situações críticas devem, até de forma intempestiva, ficar registadas no sistema, independentemente da determinação operacional associada. Esta determinação do COS pode subtrair à fita do tempo do SADO informações que poderiam ser importantes para a compreensão dos acontecimentos na noite de 17 para 18. Pode até admitir-se que, para além das falhas de comunicação provocados pela rede SIRESP, pudessem ter havido pedidos de ajuda veiculadas através de chamadas efetuadas para o PCO mas que não teriam sido registadas.

Por este motivo, as informações registadas podem ter impedido que se conheça completamente o que se passou naquele período de tempo, introduzindo uma exceção no procedimento de que deveria ter sido executado de forma inquestionável. (pág. 132)

 

Porque se manda "desligar" a "caixa negra" das operações? Partiu do operacional nomeado ou partiu de outrem? Estamos perante algo que pode ser considerado um crime que visa ocultar provas.

 

Vale a pena referir que, no decorrer da operação de combate, houve Comandantes de sector que referiram nunca terem sido contactados pelo PCO. A dimensão do incêndio, as dificuldades de comunicação, os resultados dramáticos em termos de vidas humanas e o ambiente gerado pelo congestionamento nas instalações do PCO permitem talvez justificar aqueles comportamentos, embora se entenda que sem coordenação e sem orientação não é possível executar a ação de comando. (pág. 132)

 

Sem comentários...

 

Importa referir ainda que, como órgão diretor no âmbito de uma operação de socorro, o PCO tem a obrigação de dar nota pública do ponto de situação da ocorrência de forma regular. Constatou- se que a autoridade operacional não o fez nas primeiras 30 horas da ocorrência. A autoridade política assumiu, em parte, essa função. Esta, no seu âmbito, desempenha naturalmente o seu papel, mas não menos importante nestes acontecimentos, é o papel da autoridade operacional, que deve conduzir a gestão da informação operacional de emergência nos diversos escalões, com o objetivo de fornecer, proactivamente, informação técnica e operacional, oportuna e precisa, aos órgãos de comunicação social e aos cidadãos.

 

Idem

 

Constata-se assim que num intervalo de 3 horas, entre as 19h30 e as 22h30, o incêndio teve três COS, o que por si só não traduz uma decisão errada. Mas a questão é que estes ajustamentos coincidiram com a fase mais crítica da operação de socorro, pelo que não é garantido que nestas passagens de comando, ainda que cara a cara, alguma informação mais critica não tenha sido desvalorizada ou perdida. (pág. 137)

Esperava-se que a estrutura do Comando Nacional, recentemente reforçada, daria garantias de acompanhamento e funcionamento do CNOS para o número de ocorrências que se verificavam no país. Sublinhe-se que mais de 95% das ocorrências foram acompanhadas e resolvidas pelos respetivos Comandos Distritais. A presença ativa do Comandante Nacional teria todo o sentido pelo facto de se estar perante uma das piores catástrofes com que o País alguma vez foi confrontado. (pág. 138)

 

Casa onde todos mandam... 

 

há relatos testemunhais que referem a existência de uma fila de trânsito que se terá formado na EN 236-1, no troço entre o nó com o IC 8 e o cruzamento para Várzea/Vila Facaia, em momento não determinado mas não muito tempo depois das 20h00, coincidindo com a fuga a partir das aldeias a leste da EN 236-1. Este congestionamento terá dificultado a progressão do trânsito para sul e tido eventualmente consequências fatais para algumas das pessoas que se encontravam na EN 236-1 a tentar fugir às chamas, e que acabaram por tomar o sentido inverso na direção de Castanheira de Pera. A este respeito o relatório da GNR é completamente omisso, apesar de terem sido ouvidas várias testemunhas civis no âmbito do inquérito. (pág. 143)

 

Porque não estão esses testemunhos no relatório da GNR?

 

Muito embora a atuação da GNR pareça, de acordo com as informações recolhidas, ter sido a correta, dentro de todos os condicionalismos, nomeadamente de comunicações, e tendo em conta a excecionalidade da situação, fica por apurar até que ponto o corte do acesso ao IC 8, terá tido alguma influência no relatado congestionamento de trânsito na EN 236-1 entre o cruzamento com estrada Várzea/Vila Facaia e o nó com o IC 8. Fica também por apurar a aparente contradição sobre o relato de não haver trânsito naquela via entre as 20h00 e as 20h15, e os relatos que referem a existência de um congestionamento de trânsito. Finalmente fica por apurar porque razão, perante a rápida aproximação da frente de fogo, não foi feito o corte da EN 236-1 na direção Figueiró dos Vinhos – Castanheira de Pera. A justificação de não haver ordens do COS nesse sentido, contrasta com a descrição de que os cortes de estrada foram essencialmente tomados por livre iniciativa dos militares da GNR, de acordo com a sua perceção do risco para a circulação do trânsito. (pág. 144)

 

Este parágrafo levanta imensas questões e contrariedades sobre as quais uma investigação criminal se deveria debruçar. Demasiadas pontas soltas que não podem ficar sem resposta, pois foi aqui que se deu uma tragédia de grandes proporções e que levou à morte de muitos cidadãos.

 

Mais para diante, estão as propostas, com toda a certeza um tema futuro... De Pedrogão e de outras ocorrências ficam as mortes pelo desleixo, sobretudo de quem comanda, pelo folclore político e por uma enorme falta de competência e sentimento de impunidade que teimam em grassar, sobretudo no sector público. A todos aqueles que combateram com o que sabiam e podiam, sobretudo os que não estiveram em posições de comando, uma grande agradecimento...

 

 

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Fonte da Imagem: Própria. 

 

o Sistema Nacional de Defesa da Floresta Contra Incêndios carece de uma forte incorporação de conhecimento. Muitas das decisões são tomadas apenas com base em conhecimento empírico e baseadas em perceções normalmente questionáveis

 

Incompetência! Inaptidão para o cargo. Falamos do território nacional, de património natural e edificado, de pessoas e bens, de animais...

 

A Escola Nacional de Bombeiros, integralmente financiada por recursos públicos, deverá ser integrada no sistema educativo nacional, transformando-se numa escola profissional e orientando a sua ação prioritariamente para perfis profissionais acreditados. A oferta atual de cursos de curta e muito curta duração, deverá ser avaliada e eventualmente reformulada, explorando as modalidades de ensino a distância. (pág. 19)

 

Porque já não o é? Ainda por cima suportada integralmente por todos nós?

 

A sociedade portuguesa tem um distanciamento cultural em relação à floresta que urge ultrapassar. Por esse motivo, Portugal regista um elevadíssimo número de ignições por ano, valor que é seis vezes superior ao registado em Espanha e 19 vezes superior ao da Grécia. (pág. 22)

 

A culpa também é nossa...

 

No período 2000-2016 os custos de prevenção variaram, no entanto, muito pouco: entre os três períodos, entre 23 a 25 milhões de euros por ano. Os custos com a supressão, porém, aumentaram naqueles três períodos de 65,9 para 69,5 e para 78,1 milhões de euros por ano, destacando-se a importância dos meios aéreos de combate que variaram naquele período entre 50% e 65% do custo total de supressão. (pág. 37)

 

Para aqueles que defendem que a prevenção tem tido um aumento no investimento face ao combate...

 

A causa da ignição inicial associada ao incêndio de Pedrogão Grande não consta ainda do Sistema de Gestão de Informação de Incêndios Florestais (SGIF). O relatório circunstanciado da GNR datado de 26 de julho refere que teve origem na linha elétrica, por contacto ou descarga, a qual observámos estar muito próxima da copa das árvores; o ponto de ignição situa-se num troço da linha de média tensão que numa extensão de 500 m estava desprovido de faixa de proteção. (pág. 61)

 

Atentemos no "teve origem na linha elétrica, por contacto ou descarga, a qual observámos estar muito próxima da copa das árvores". A tese de acidente continua a ter validade? Fica a questão.

 

O EUMETSAT assinala uma descarga elétrica positiva na região por volta das 14h45 sendo de notar que os registos de raios detetados pelo IPMA não incluem a descarga que originou o fogo de Góis nem aquelas observadas em fase mais adiantada do incêndio de Pedrogão Grande. (pág. 62)

De acordo com os testemunhos existentes a propagação inicial do fogo foi tímida e a sua intensidade inicial muito reduzida, apresentando no caso de Regadas Cimeiras chamas com tamanho aproximado de 20 cm. (pág. 64)

 

Contradições e a confirmação de que o fogo só atingiu uma maior "força" horas mais tarde. Não foi imediato.

 

A existência de maquinaria pesada propriedade das câmaras municipais ou protocoladas para sua utilização (como é o caso das máquinas da Associação de Desenvolvimento Regional da Serra do Açor – ADESA) é muito valorizada, quer para ações de beneficiação de caminhos e/ou de faixas de gestão de combustíveis, quer para apoio ao combate a incêndios florestais.

Existem equipas de sapadores florestais em todos os concelhos. Estas equipas são utilizadas, mas apenas em vigilância, primeira intervenção e rescaldo. (pág. 102) 

À exceção da REN e EDP, o cumprimento do PMDFCI pelas restantes entidades é considerado relativamente baixo. (pág. 103)

 

Nem tudo é mau e afinal, uns dos que são apontados como os maus da fita em muitas situações, até são os que cumprem a lei. No entanto, a ignição de Pedrogão coloca algumas questões nesta matéria.

 

Refira-se o caso de Pedrógão-Grande que não tem o plano aprovado, apesar de ter procedido ao planeamento das faixas de gestão de combustível. Este planeamento (gestão combustível) não pode ser negligenciado, sendo por isso considerado na presente análise. (pág. 104)

 

Voltamos a ter o presidente de câmara vítima em xeque...

 

Os técnicos apontam a necessidade de preparar as populações para ocorrências como a de Pedrogão, através de um trabalho pedagógico continuado e dirigido.

Metade dos técnicos acha que faltaram meios no incêndio de Pedrogão e que houve falhas de coordenação. Há críticas também à falta de formação dos bombeiros e ao facto de os comandantes não serem escolhidos em função das suas competências. Houve críticas também de descoordenação no PCO.

Houve igualmente críticas às falhas de comunicação, sobretudo por motivos organizacionais. Apesar das críticas ao dispositivo de combate, a maioria dos técnicos considera que as condições foram excecionais em termos de meteorologia e de comportamento do incêndio. (pág. 114)

 

Mais uma vez o empowerment e educação das populações não está a ser feito. Mais uma vez a questão das nomeações por factores que não são as competências a justificar o compadrio. Contudo, existe o reconhecimento de que foi uma situação atípica.

 

O briefing do dia 14 de junho deu conta do agravamento da situação meteorológica a partir do dia 16 e culminando nos dias 17 e 18, com previsões do aumento da temperatura máxima do ar e diminuição da humidade relativa (e sem recuperação noturna no interior do país), aliás como se veio a verificar. Muito significativamente, apontou para “instabilidade no interior, mais provável a partir do dia 17 com trovoada e aguaceiros”. Em Portugal o apoio à decisão baseado na informação pirometeorológica está subdesenvolvido, pese embora o manancial de informação atualmente disponível e que procede de várias fontes. Além do IPMA há que referir o European Forest Fire Information System e o serviço “Mapas e Dados Meteorológicos e Florestais”, disponibilizado pelo Instituto Dom Luiz e apoiado pela ANPC e ICNF. (pág. 120)

 

A informação existe, não existem indivíduos ou os que existem não possuem competência para interpretar a mesma.

 

Na descrição da situação meteorológica pode-se ler no 4o parágrafo do referido CTO, sublinhado e a bold no comunicado técnico “entre os dias 16 e 18, a temperatura máxima poderá atingir valores entre 40 e 43 o C nas regiões do interior...” associado a ventos moderados e a humidades abaixo dos 30%. Sem dúvida que se estaria na presença de um quadro em que era expectável tempo quente e seco com permanência de condições favoráveis à eventual ocorrência e propagação de incêndios florestais.

Sabe-se também que estávamos em plena fase Bravo, em que os meios disponíveis e a capacidade instalada é francamente menor do que a prevista e planeada para a fase Charlie. Contudo não deixa de ser estranho que em sede de determinações operacionais, de acordo com o ponto 4 do já referido CTO, o único meio de reforço pré-posicionado para o quadro previsto fosse o Grupo de Ataque Ampliado (GRUATA) da Força Especial de Bombeiros (FEB), na base de apoio logístico (BAL) de Castelo Branco. (pág. 122)

 

Sem comentários...

 

deduzindo-se que por isso a probabilidade de novas ocorrências deveria ser igualmente baixa. Este racional é reforçado no documento de resposta à senhora Ministra onde se reafirma que: “... dado que na zona de Pedrógão não ocorriam incêndios há 10 anos, por este facto a zona não era historicamente relevante.”Além de não haver rigor factual na afirmação, a não ocorrência de incêndios numa série de anos não deverá constituir fundamento para aliviar o planeamento operacional e a prevenção.

Ou seja, para cada dia, para cada mês ou para cada ano que passa sem que um território, caracterizado por elevado risco de incêndio florestal, seja fustigado pelo fogo, conduz a um aumento gradual de risco de incêndio, situação que aconselharia a redobrar a atenção relativa a novos incêndios. Por este motivo, medidas de ajustamento operacional, antecipando cenários, teriam tido todo o sentido, se orientadas para o interior norte do distrito de Leiria, bem como para os distritos de Castelo Branco e de Coimbra.(pág. 123)

Amadorismo, incompetência, negligência... Como é possível que indivíduos com tamanha responsabilidade apresentem justificações e pareceres destes...

 

Na fita de tempo é referido que às 18h18 é acionado o H03-Kamov para este teatro de operações, o que nunca veio a acontecer como se comprova pelo relatório de controlo missão diário desta aeronave, já que à mesma hora foi mobilizado para São Miguel Rio Torto, concelho de Abrantes, distrito de Santarém, onde efetuou sete descargas e onde esteve em missão até ao final do dia. Assim conclui-se que entre 16h03/16h10 e as 17h58/18h06, um período de cerca de duas horas na fase mais crítica do incêndio, não esteve nenhum meio aéreo a operar no incêndio de Pedrógão Grande, nem em ATI nem em ATA. Precisamente no início da fase de ataque ampliado, na qual os meios deveriam ser diferenciados, esta operação ficou desprovida de qualquer meio aéreo.(pág. 128)

 

Sem Comentários...

 

Continua...

 

 

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É licito concluir, portanto, que houve subavaliação e excesso de zelo na análise da fase inicial do incêndio de Pedrógão Grande, que contribuíram para que o ataque inicial não conseguisse debelar o avanço do fogo. (...) No caso de Pedrógão Grande, quando tecnicamente se passou à fase de ataque ampliado, dever-se-ia ter alterado o comportamento do combate. Contudo, entre as 16h00 e as 18h00, numa fase crítica do incêndio, não houve intervenção de meios aéreos. Este período abrange já um primeiro momento de ataque ampliado sem a presença de qualquer meio aéreo. (págs. 12 e 13)

 

Ao contrário do que disse o Primeiro-Ministro, afinal as falhas já não foram só no início do incêndio... Está a esquecer-se da prenvenção e desta fase...

 

Poder-se-á recordar que as medidas de gestão de combustível em redor das vias de comunicação e em volta dos aglomerados populacionais não tinham sido cumpridas. A promiscuidade entre casas e árvores nestes aglomerados, por incúria ou falta de recursos económicos dos proprietários, cria situações de enorme risco junto às habitações. Nas vias de comunicação, as obrigações das entidades gestionárias e/ou concessionárias não tinham sido cumpridas de acordo com as determinações legais. (pág. 14)

 

Vamos continuar a ter pena dos presidentes de câmara?

 

O PCO voltou a emigrar, já no dia 19, para Avelar (Ansião). O seu funcionamento, para além dos aspetos técnicos referidos, foi nos primeiros dias perturbado pela presença excessiva de autoridades e elementos de órgãos da comunicação social. Situação que se deveria evitar, pois a função de comando exige total concentração. (pág. 15)

 

O folclore dos senhores do colete, bem como o folclore de altas entidades governativas (Presidente da República e Primeiro-Ministro não são excepção) acabou por ser também responsável por uma maior ineficácia dos meios. Uma coisa é estar a apoiar, outra coisa é atrapalhar. O populismo tem destas coisas, desta vez as selfies foram um entrave. Interessante que pouco se falou sobre este tema...

 

Nestes dois mega-incêndios, as falhas de comunicações do SIRESP foram sendo colmatadas transitoriamente com o recurso às redes móveis públicas e à ROB. Estas redes permitiram superar pontualmente as ineficiências da rede SIRESP funcionando como redes redundantes. A rede SIRESP está baseada em tecnologia ultrapassada (quando comparada com as tecnologias 3G e 4G). Representou, quando foi introduzida, um enorme avanço em relação à fragmentação passada. Mas não acompanhou a evolução vertiginosa que as tecnologias de comunicação sofreram nos últimos anos. (pág. 15)

 

A culpa não foi do SIRESP, mas andamos a pagar milhões para ter um sistema de comunicações obsoleto que até é superado por sistemas ao dispor de qualquer cidadão. Sendo um sistema obsoleto, não tendo culpa na tragédia... Quem adjudicou tal sistema?

 

no que respeita ao incêndio de Pedrógão Grande, e para além das excecionalidades meteorológicas atrás referidas, não houve pré-posicionamento de forças, nem análise da evolução da situação com base na informação meteorológica disponível. A partir do momento em que foi comunicado o alerta do incêndio, não houve a perceção da gravidade potencial do fogo, não se mobilizaram totalmente os meios que estavam disponíveis e os fenómenos meteorológicos extremos acabaram por conduzir o fogo, até às 03h00 do dia 18 de junho, a uma situação perfeitamente incontrolável. (pág. 15)

 

O que é preciso mais?

 

Continua...

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 Fonte da Imagem: Própria.

 

Esta semana a grande sugestão  que todo e qualquer português com idade para votar ou fazer algo pelo seu país deve ler (e se não souber peça para lhe lerem) é o "Relatório de Análise e apuramento dos factos relativos aos incêndios que ocorreram em Pedrogão Grande, Castanheira de Pera, Ansião, Alvaiázere, Figueiró dos Vinhos, Arganil, Góis, Penela, Pampilhosa da Serra, Oleiros e Sertã, entre 17 e 24 de Junho de 2017" - basta descarregar o mesmo aqui. Deve fazê-lo porque os media deveriam fazer o seu papel que era informar, mas cuidado com as análises e as selecções a gosto que são feitas...

 

Hoje e amanhã, como cidadão (sem conhecimento técnico e sem vontade de influenciar o que quer que seja) vou ter este espaço aberto onde colocarei vários excertos da minha leitura com alguns comentários. Contudo, reafirmo, leiam todos o relatório e tirem as vossas conclusões.

 

A questão que se coloca é a seguinte: no século XXI, com o avanço do conhecimento nos domínios da gestão da floresta, da meteorologia preventiva, da gestão do fogo florestal, das características físicas e da ocupação humana do território, como é possível que continuem a existir acontecimentos como os dramáticos incêndios da zona do Pinhal Interior que tiveram lugar no verão de 2017? (pág. 7)

 

É a pergunta que todos colocam e ninguém responde, porque?

 

A desadequação entre as funções desempenhadas por cada um dos diversos agentes e as respetivas qualificações e competências é um dos graves problemas que impede a solução de muitos dos problemas existentes em torno dos incêndios florestais (e) teremos de orientar a atuação para a adoção de forças especializadas, com elevado nível de qualificação, destinadas à resolução destas problemáticas, o que não se coaduna com amadorismos. (pág. 8)

 

Gente a mais, despesa a mais, amadorismo a mais e trabalho a menos, jobs for the boys... Aqui a culpa não é do raio...

 

Em Espanha, por exemplo, qualquer incêndio de amplitude significativa tem um Diretor, que é um técnico florestal experimentado na gestão da floresta e do fogo. Esse perfil profissional, também iniciado em Portugal mas adotado de forma distinta, é pouco solicitado, conduzindo a que as operações de combate a incêndios tenham um carácter estritamente quantitativo, em redor da mobilização de homens, viaturas, aviões ou helicópteros, apimentados com os relatos artificialmente empolados da responsabilidade de alguns órgãos da comunicação social. (págs. 8 e 9)

 

Temos o meios e os profissionais, mas provavelmente, estes não terão os amigos certo. O perigoso poder dos media a ser apontado como influenciador na tomada de decisões. Não vi isto em nenhum website noticioso.

  

Recorde-se, desde logo, que a autoridade florestal nacional mudou seis vezes de figurino institucional nos últimos vinte anos. Para uma instituição que se manteve estável durante mais de um século, nada de bom haveria a esperar desta evolução tortuosa. (pág. 9)

 

Responsáveis políticos desta e de outras épocas?

 

A área de faixas de gestão de combustível, incluídas nos Planos Municipais de Defesa da Floresta Contra Incêndios, dos 11 municípios afetados pelos incêndios de Pedrogão Grande e Góis, atingem a extensão de 31 712,09 ha. No período de 2012 a 2017, apenas foram executados cerca de 19%, de acordo com a informação cartográfica recolhida. O maior constrangimento apontado foi a falta de cumprimento da legislação ao nível das faixas de rede secundária (50 m em volta das edificações, 10 m para cada lado da rede viária e 100 m à volta dos aglomerafos populacionais), comprometendo transversalmente proprietários privados e as entidades gestoras das infraestruturas públicas e privadas. (pág. 12)

 

Os Presidentes de Câmara e outros que se fizeram de vítimas durante todo este processo, onde estão para responder a esta questão? Podem responder agora, que as autárquicas já foram e a demagogia já não é necessária.

 

As condições atmosféricas então vigentes determinaram no dia 16 de junho um alerta especial de perigo de incêndio florestal em nível Amarelo para todo o território por parte do CNOS. Estava- se ainda na fase Bravo (15 de maio a 30 de junho) e não tinha sido tomada decisão alguma para eventualmente antecipar a fase Charlie (normalmente de 1 de julho a 30 de setembro). Face às condições instaladas e previstas, a avaliação que deve ser feita relativamente à prontidão das atividades de pré-supressão de incêndios é francamente negativa, uma vez que:

  •  Os postos de vigia para deteção de incêndios mais próximos da ocorrência de Pedrógão Grande não estavam ainda ativos;

  •  não havia vigilância móvel armada nem pré-posicionamento de meios de combate em local estratégico, à exceção dos sapadores florestais.

    Nesta situação, e perante os avisos e alertas meteorológicos, estavam criadas as condições para que um eventual incêndio florestal se desenvolvesse, explorando as condições físicas, meteorológicas e de insuficiente prontidão das forças de proteção civil. A antecipação da fase crítica do DECIF poderia ter permitido a deteção mais precoce dos fogos nascentes e certamente teria tido implicações nos resultados do combate aos incêndios.

    É manifesta a rigidez dos procedimentos e recursos disponíveis para a pré-supressão e supressão a incêndios em Portugal, indicando deficiências na perceção do risco e impedindo uma resposta efetiva à evolução temporal do potencial de incêndios ao longo do ano. Note-se que Portugal não dispõe de operacionais especializados em meteorologia aplicada a incêndios, com acompanhamento permanente (em tempo real) das condições e dos incêndios ativos.

 

Negligência atroz de todos os responsáveis por esta área, inclusive políticos! O que estes palavras nos dizem é que existia conhecimento da situação de gravidade e nada foi feito... Quem é/são os responsáveis? As lágrimas no dia da(s) tragédia(s) foram somente o choro de criminosos que ficaram cara-a-cara com os estragos do crime. Este facto é de uma gravidade extrema!

 

Continua...

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Mas uma natureza medíocre jamais fará algo de grande, seja a um particular, seja a uma cidade.

Platão, in "República"

 

 

E Portugal continua a viver debaixo de uma intensa nuvem de fumo que parece até cortar a visão aos seus cidadãos...

 

Os fogos continuam a deflagrar! Na verdade, agora até podem deflagrar porque não estamos na burocratizada época de incêndios, por isso o impacte mediático é curto. Aliás, até podemos aproveitar a onda e vender o produto "Turismo Incendiário" para combater a sazonalidade. Fosse esta época tão quente como foi em alguns países e provavelmente muitos membros do Governo e o próprio Presidente da República já tinham sido chamados a responder onde está o "doa a quem doer", sob pena de serem pendurados numa varanda em Belém e São Bento. Mas os fogos também são uma mais-valia, que o diga o Presidente da Câmara de Pedrogão Grande que utilizou os mesmos (e o dinheiro do povo), para fazer campanha eleitoral. A verdade é que cometeu um crime, mas a diferença é que Isaltino Morais tem uma máquina melhor que a Comissão Nacional de Eleições no espaço mediático - um vende bem a promover-se, o outro beneficia do quase anónimato.

 

Contudo, apraz-me perguntar: podemos chamar de profissional e competente quem, vendo que o panorama climático não iria mudar, decidiu baixar a guarda perante uma calamidade que já se adivinhava? Há mais de 40 anos que os erros se têm vindo a repetir, Pedrogão (pelo grau de violência) seria o ponto de viragem. Todavia, não passaram três meses e os erros infantis de gente medíocre voltaram a repetir-se! Reduziram-se os meios, fecharam-se postos de vigia e fechou-se os olhos ao cataclismo. Os olhos só se voltaram a abrir porque alguns indivíduos vieram para a comunicação social, denunciar a incompetência e a imbecilidade de quem está à frente desta matéria, caso contrário, continuaria tudo na mesma - aliás, o próprio inapto Secretário de Estado com a pasta da protecção civil, veio dizer ontem que muitos meios seriam reactivados por causa das notícias dos últimos dias! Por causa das notícias, que mexem com a popularidade e não por uma necessidade! O país é gerido numa lógica de popularidade, mas sem um país, também não existirá popularidade...

 

E porque é que em muitas situações os meios aéreos só entram quando o fogo já atingiu dimensões incontroláveis? Não percebo de incêndios, é apenas a visão de quem está a ver o seu país a ser destruido por um vasto conjunto de indivíduos podres e que contaminam tudo o que ainda de bom subsiste, mas os meios aéreos não atingem o ponto maior de eficácia nos primeiros momentos do incêndio?

 

Entretanto o país arde... Mas o fogo dos portugueses já está mais focado no futebol... Desde que não ardam estádios, o resto pode arder e alguns vão assim assistindo ao fim de um país! Até os defensores do separatismo catalão, tiraram hoje o dia para se debruçarem sobre o futebol, excepto alguns que andam a dizer que a Catalunha é uma não questão para Portugal, mas até vão aplaudir uma hipótética declaração de independência in loco

 

Na verdade, a corrida ao melhor lugar na fotografia, levou a uma irresponsabilidade grotesca que terá consequências no médio-longo prazo. Não importa ser bom, importa estar nos grupos certos, nos meios certos e conhecer as pessoas certas... E aqui, é extensível a tantas outras áreas deste país... Talvez seja verdade o que alguns dizem: temos aquilo que merecemos - a ser verdade, que arda tudo e limpe de vez este povo do mapa, sobretudo o sentimento de impunidade e a incompetência camuflada de discursos e imagens bonitas... 

 

Porque não é passando o Natal em Pedrogão sob os holofotes mediáticos (óptima estratégia para aparecer numa época que politicamente tem pouca expressão nos media e passar a imagem do pai caridoso - estratégia muito comum em regimes ditatoriais) que os problemas das populações se resolvem: a prova é de que não foram coletes, nem donativos e muito menos selfies que evitaram um Setembro e um Outubro negros.

 

E para que não nos esqueçamos até ao Natal:

Um Elogio ao Dr. Vasco e à D. Lidia

O Fogo que Fala

O Fogo que nos Continua a Queimar

Chegou de Avioneta a Cobardia de um Povo

Caramba, Nunca Mais Morrem Pessoas nos Incêndios destes Dias

Sr Presidente, Não Somos Nada Bons

Pensamentos da Malta do Bairro Sobre Exames, Incêndios, Corrupção e Cegueira Colectiva

O Fogo do Inferno e as Chamas da Irresponsabilidade e da Vergonha

Fires in Portugal: Our heros are not hust Football or TV Stars!

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Para Onde Vai o Meu Dinheiro?

por Robinson Kanes, em 04.10.17

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Fonte da Imagem: https://www.forbes.com/forbes/welcome/?toURL=https://www.forbes.com/sites/laurashin/2015/02/26/44-ways-to-make-more-money/&refURL=https://www.google.pt/&referrer=https://www.google.pt/

Para Onde Vai o Meu Dinheiro?

 

Esta é a pergunta que muitos de nós fazemos, contudo, também é uma pergunta para a qual nem sempre encontramos resposta.

 

Alguém, que não aguentou presenciar muitas das coisas que se passam na Assembleia da República, disse um dia algo como isto: "se o povo soubesse o que ali se passa rapidamente aí acorria e pegava fogo a tudo". Na verdade, quantos de nós sabemos para onde vai o nosso dinheiro, mesmo que numa estimativa muito "caseira"? Poucos, muito poucos.

 

Foi neste sentido que decidi partilhar a iniciativa "Where Does My Money Go?" que visa, embora de uma forma ainda pouco detalhada, alertar e informar os contribuintes do Reino Unido das despesas realizadas com os seus impostos. Basicamente, e segundo os promotores da iniciativa, o objectivo passa simplesmente por procurar promover a transparência e o engagement dos cidadãos numa lógica de visualização e análise da informação dos gastos públicos no Reino Unido. 

 

Talvez se, a nós portugueses, nos dissessem com clareza para onde vai o nosso dinheiro e também cada um de nós procurasse saber essa informação, fosse possível ter uma melhor aplicação dos nossos impostos ou então, muito provavelmente face a um primeiro impacte da informação, fosse criado um clima de guerra civil... É um longo caminho, pois quantos de nós têm realmente interesse em saber onde são aplicados os seus impostos? E quando as próprias instituições públicas não cumprem a lei nem as directivas do Tribunal de Contas e infringem claramente as regras não sendo transparentes na divulgação das despesas? Está em cada um de nós ser mais activo e assim exercer também o papel fiscalizador nestas matérias... Porque o dinheiro é nosso e é um bem escasso.

 

E a vocês? Interessa-vos realmente saber onde é investido o dinheiro dos vossos impostos? Se sim, como exercem esse dever?

 

P.S: por cá existe o http://www.base.gov.pt, tenho é dúvidas que seja assim tão frequentado pelos cidadãos. Aconselho a consulta, foi aí que já encontrei algumas situações, no mínimo, ultrajantes para o erário público (lembram-se de ter falado de uma situação aquando dos incêndios?). Não é um espaço perfeito, muitos contratos e adjudicações directas permanecem omissas.

 

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 Fonte da Imagem:http://www.dailyherald.com/storyimage/DA/20170930/news/309309987/AR/0/AR-309309987.jpg&updated=201709300118&MaxW=800&maxH=800&noborder

 

Se há país pelo qual nutro grande simpatia é Espanha, e a região da Catalunha tem, também para mim, um valor especial. Não irei falar do referendo nem de todas as peripécias acerca do mesmo, até porque já se falou tudo. Actualmente, é fundamental ter opinião sobre tudo mesmo que não se saiba nada... Muitos dos comentadores de bancada (incluam aqui a minha pessoa) e não só, olham para a Catalunha como Barcelona, esquecem-se é da dimensão da região e da importância de outras cidades. É o que dá passar uns dias em Barcelona, ou fazer um excursão até Montserrat e achar que se conhece uma região inteira.

 

Mas o referendo da Catalunha teve em Portugal fervorosos adeptos e já nem vou falar numa certa extrema esquerda que adora o caos para se instalar nele e trocar de nome com os porcos, numa alusão à "A Quinta dos Animais" de Orwell. Como é estranho ver que os portugueses estão (ou alguns que querem que os portugueses estejam) tão interessados no referendo em Espanha e pouco interessados com o que se passa em Portugal. De facto, é uma forma de ocultar uma mentalidade provinciana fornecendo-lhe uma capa de cosmopolitismo: eu português, cidadão do mundo mas tacanho como aquando de 1143. E porque digo isto? Porque enquanto andamos (até a imprensa) interessados em fazer campanha pela independência da Catalunha esquecemos que:

 

- Para as eleições autárquicas o número de violações à lei foi elevado e a Comissão Nacional de Eleições não tem mãos a medir, punições?

 

-Ainda nas eleições autárquicas temas o protagonismo de candidatos que têm/tiveram problemas com a lei e chegaram inclusive a prejudicar-nos a todos. Votamos nesses que nos defraudaram em milhões, mas defendemos a prisão e queremos distância daquele que roubou uma peça de fruta de um hipermercado. O concelho mais desenvolvido do país, ou pelo menos um deles, mostrou que a corrupção e as máfias são uma coisa boa. Dá que pensar o conceito de desenvolvimento em Portugal...

 

-Tivemos um Presidente da República (eu sei que não ganho pontos com isto, sobretudo nesta plataforma, talvez tenha de começar a fazer elogios ao mesmo) que esta semana dividiu os portugueses em dois: os distraidos e os que gostam dele. Fica sempre bem ao Presidente que se diz de todos os portugueses. Esse mesmo presidente que, mais uma vez, fez chantagem com o povo e dividiu os portugueses nos que votam e nos que não votam. Parece-me que um especialista da área e o defensor máximo da Constituição tem de fazer reciclagem nesta matéria. Marcelo por vezes parece deslizar ao seu passado anterior a 1974...

 

-Tivemos um Primeiro-Ministro criminoso (e não estou a falar de José Sócrates) que, e com a conivência da lei, travou um caso judicial, o célebre caso das escutas que, segundo o Ministério Público, se revestia de crimes de extrema gravidade para o país e para o Estado Democráctico. Também pactuou com o crime quando "ignorou" um parecer da Procuradoria Geral da República que dizia, mais ou menos desta forma, que esta legislação permitia que alguns interesses instalados se perpetuassem mesmo lesando ao mais alto nível o Estado Democrático. Se isto não é ser criminoso, o que será? Pouco falado foi também este caso...

 

- A investigação à Caixa Geral de Depósitos, prometida pelo Primeiro-Ministro, continua por fazer. Dos incêndios e da prevenção, pouco ou nada se sabe (o povo merece ser informado), dos donativos, todos "sacudiram água do capote", como se  ninguém soubesse o cancro são muitas instituições sociais, associações e ONG em Portugal. Talvez no Natal se volte a falar dos incêndios quando o folclore já prometido pelo nosso Presidente da República tiver lugar.

 

- Por acaso alguém sabe do Partido Comunista e do Bloco de Esquerda? Não os tenho visto... E no fundo, ondem andam também os outros? Um deles anda mais preocupado com a Catalunha, para ocultar desaires nas eleições - afinal as licenciaturas em teatro têm aplicação prática na política.

 

Mas o mais importante é o referendo na Catalunha, isso sim, deve tirar o sono aos portugueses. Não é por querer mostrar que estou muito interessado num referendo inconstitucional na Catalunha que varro para debaixo do tapete o meu provincianismo. Até ficamos espantados e veiculamos notícias de cargas policiais que, supostamente, chocaram o Mundo. Não chocaram nada! Violou-se claramente a lei e foi preciso restablecer a mesma! Atacar violentamente uma autoridade no cumprimento do dever não é um crime, mas proteger a lei já é? Em muitas situações estivemos perante um bando de arruaceiros a desafiar a autoridade policial e um outro sem número de cidadãos a tentar evitar que os muitos agitadores o fizessem... Mas, mais uma vez, a comunicação social foca-se apenas num dos lados e num pseudo-poder (ou retiro o "pseudo") que é um clube de futebol a tomar partido por uma independência e a ter um destaque como se de um grande movimento revolucionário se tratasse. O futebol, esse símbolo de boas práticas...

 

Finalmente: e se a Madeira, os Açores ou até o Algarve decidirem ser independentes? Também vamos ser assim tão defensores dessas causas? E por acaso, não estarão os portugueses esquecidos de Olivença? Tanto folclore em torno da independência da Catalunha, mas a questão de Olivença continua sem ser resolvida desde o Congresso de Viena em 1815 onde a própria Espanha reconheceu a soberania portuguesa sobre aquela área. Sugiro sim um referendo a Olivença e aí talvez tenhamos a surpresa ao perceber que quem lá habita não quer fazer parte de Portugal. 

 

Falar e querer ver o caos nos outros é fácil, desde que não nos toquem nas feridas e assim possamos ir alimentando a decadência disfarçada de prosperidade... Pelo menos para alguns... 

 

Finalmente, fazer o que nos apetece sem ter consequências dos actos não é Democracia... Tem outro nome e não é Democracia, mas é melhor não o dizer, sob pena de ferir susceptibilidades e despertar paradoxos de pensamento.

 

Boa semana...

 

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