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É Carnaval... Ninguém Leva a Mal...

por Robinson Kanes, em 12.02.18

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Fonte da Imagem: https://www.vice.com/da/article/av9za8/why-i-hate-notting-hill-carnival-876

 

 

É Carnaval, ninguém leva a mal... Até já coloquei uma música lá em baixo para acompanhar este artigo... "Hey, hey Amigo Charlie Brown, dir kann keiner trau'n"... Cantem todos!

 

É Carnaval...

 

Ninguém leva a mal que Mário Centeno siga as pisadas de Rocha Andrade, João Vasconcelos e Costa Oliveira e prejudique o erário público a troco de uns bilhetes para a bola...

 

Ninguém leva a mal que exista corrupção desde que a mesma tenha sempre um clube de futebol por trás... Queime-se um ex-Primeiro Ministro, mas nunca o presidente de um clube!

 

Ninguém leva a mal que a segurança do Estado seja posta em causa como foi em Tancos e venha um Chefe de Estado Maior dizer que o assunto está encerrado após meia-dúzia de "desgraçados" terem sido proibidos de sair dos quartéis durante meia dúzia de dias...

 

Ninguém leva a mal que se diga mal do Banco Alimentar Contra a Fome (e eu sou um dos que diz) mas se for "ReFood" já é mais porreiro e sempre abre portas para dinamizar o networking e passar a imagem do solidário... Além disso, o nome é mais pomposo...

 

Ninguém leva a mal que os sindicatos com ligações a partidos, ditos de tabalhadores, estejam a destruir a Autoeuropa...

 

Ninguém leva a mal que em Portugal as concessionários de pontes e auto-estradas façam o que bem entendam e ainda tenhamos de pagar um extra se os lucros não forem os esperados... Mesmo que as estradas e respectivas manutenções estejam mais que pagas...

 

Ninguém leva a mal que Ricardo Araújo Pereira (outro Papa nacional) receba cerca de €15 000 por uma hora em que debita uma mão cheia de nada - inclusive com o público a nem alinhar muito na coisa - mas critique (inclusive Araújo Pereira) o desgraçado do empresário que consegue tirar €2000 por mês, ou então aquele que até ganha milhões mas suporta toda uma economia...

 

Ninguém leva a mal que um povo hospitaleiro e amigo se junte todo e aplauda quando se faz uma critica a alguém, mas quando se faz um elogio ou um reconhecimento sincero desapareça ou faça de conta que nem ouviu...

 

E porque afinal é Carnaval, neste país tropical do sul da Europa, também não se leva a mal que em temas estruturais para o desenvolvimento do país, os partídos não cheguem a acordo, mas quando o tema é o Financiamento dos mesmos, já o consenso é quase total... Sobretudo entre aqueles que criticam o próprio regime...

 

E porque é Carnaval, nunca percebi porque é que um furto de duas laranjas dá prisão e um roubo/desvio/favorecimento de milhões dá termo de identidade e residência, quando dá...

 

E porque é Carnaval, porque é que ninguém sabe explicar bem o perdão fiscal de 125 milhões à Brisa? Isso é que seria um baile carnavalesco...

 

Ninguém leva a mal que o presidente que vai a todas... Afinal... Só vai a quase todas... Existem algumas que foge como o diabo da cruz... Por falar em "diabo", foi preciso Passos Coelho abandonar a presidência do PSD para Marcelo elogiar a obra deste? Sempre é menos arriscado para a propaganda presidencial... Isto é para onde vão os ventos e sempre existe mais uma vitória no futebol para acalmar os ânimos e passar entre os pingos da chuva.

 

Ninguém leva a mal que seja Carnaval e este artigo só sirva para dizer mal... Mesmo que a falar verdade...

 

Bom Carnaval...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Balde de Helicóptero com Água Fria...

por Robinson Kanes, em 24.01.18

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 Fonte da imagem: http://www.concordmonitor.com/getattachment/25ec3997-1bcd-43dc-8c6f-b50e490549ec/RayFire-cm-100717-ph1

 

Vivemos num país caricato... Um país onde, por muito espírito positivo que se tenha (e eu tenho), é difícil conseguir manter o mesmo ao longo do dia... 

 

Os mesmos responsáveis políticos que deixam helicópteros apodrecer por falta de manutenção ou por não fiscalizarem a mesma... Os mesmos responsáveis políticos que dizem que o uso de helicópteros tem de ser limitado para não aumentar despesas e custos de manutenção... Os mesmos responsáveis políticos que preferem deixar hectares de floresta arder e pessoas e animais morrerem até fazer levantar um helicóptero... São os mesmos que agora defendem o uso destes aparelhos para andar na caça à multa! Nunca fui apologista do termo, até porque só é multado quem não cumpre as regras de trânsito, no entanto, é de estranhar como as prioridades são assustadoramente desenhadas por estes indivíduos.

 

Estes políticos são os mesmos que recusam projectos que contemplam drones na vigilância de florestas mas depois dizem que não falta investimento e vontade para a utilização de drones na vigilância das estradas, subentenda-se vigilância como forma de detectar contra-ordenações. Estes políticos são os mesmos que deixam quartéis à mercê de larápios e ainda se dão ao luxo de contratar empresas de segurança privada para assegurarem a defesa de instalações militares... Instalações militares... Estranho... Estes políticos são também os mesmos que compraram helicópteros para a Força Aérea mas onde praticamente metade não voa por falta de dinheiro para a manutenção... São os mesmos que têm helicópteros Puma parados e desactivados sob a justificação de que não podem ser utilizados em incêndios, mas depois, vemos helicópteros exactamente iguais a operar em França, Espanha, Itália e outros tantos países...

 

A prioridade de um Governo deixou de ser a defesa directa dos seus cidadãos e passou a ser a punição por meio de coimas daqueles que ousam prevaricar na estrada. Nada tenho contra a fiscalização das estradas, volto a reforçar, mas é de estranhar que um país arda por falta de meios mas estes cresçam como cogumelos quando se fala de multas de trânsito. Será que o valor das multas que daí possam advir vai ser investido em equipamentos de Protecção Civil? Será que a Protecção Civil deve ser utilizada na fiscalização de contra-ordenações de trânsito?

 

Ainda esta semana alguém voltou a chamar Mário Centeno de "Cristiano Ronaldo das Finanças"... Mas ao que sei... Cristiano Ronaldo não chegou a melhor jogador de futebol do mundo à custa do sofrimento e morte de muitos (existe quem lhe prefira chamar cativações) e sempre faz uso da cabeça, mais que não seja para marcar golos... 

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Programas de Televisão, Tragédias e o Presidente!

por Robinson Kanes, em 22.01.18

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 Fonte da Imagem: https://www.reddit.com/r/startrek/comments/1cry2q/finally_an_hd_picard_facepalm_image_from_the_tng/

 

 

Pois é... Chego sempre atrasado a tudo, e aqui só me posso basear no que fui ouvindo aqui e acolá e durante escassas olhadelas para os monitores do ginásio.

 

Marcelo Rebelo de Sousa não deve estar nada contente com a SIC, depois da tragédia de um certo Sábado em Tondela, onde mais uma vez, o mais importante não foram a tragédia nem as vítimas, mas sim o Presidente da República - os momentos de glória de Marcelo junto dos media sofreram um revés. Marcelo a acordar para ir a Tondela... Marcelo a tomar o pequeno-almoço antes de ir a Tondela... Marcelo decerto já sabe o que provocou o incêndio em Tondela... Marcelo a abastecer o carro da presidência na área de serviço de Aveiras... Marcelo dentro do carro presidencial a sorrir... Marcelo dentro do carro presidencial a escabichar os dentes, depois de ter comido um pão com carne assada, e enquanto pensa nas vítimas de Tondela. Marcelo no WC a aproveitar para ler mesmo quando se desloca a cenários de catástrofe... Tinhamos tema para uma semana, no entanto...

 

Quando este, no seu lado de "pseudo-papi da nação" já julgava ser tema para mais umas semanas a explorar uma tragédia, eis que a SIC decide lançar um programa importado dos Estados Unidos e que nos remete uma coisa para a qual os portugueses não perdoam: os filhos! Quantos não conhecemos que são capazes de dizimar a população inteira do planeta só para que o filho realize o desejo de ir à Eurodisney? Ou então, quantos não conhecemos que são capazes de manter um prédio anos a fio em guerra só para que o filho grite, corra e seja mal educado? Quantos não conhecemos que utilizam os filhos, com o discurso do "ai são as crianças" para camuflarem outras vontades mais egoístas?

 

A grande revolta dos portugueses a seguir à interrupção do jogo entre o Estoril e o Futebol Clube do Porto e às guerras futebolísticas, focou-se agora num programa de televisão, altamente montado para as audiências e com muito que se lhe diga em termos de fidedignidade. Incêndios? Quedas de árvores que matam às dúzias? Corrupção? Financiamento dos partidos? Tancos? Mais corrupção? Reformas estruturais da administração pública? Não! Um programa de televisão! Voltando a Marcelo, começo a chegar à conclusão que, a televisão que o criou um presidente é a mesma que ainda vai apagar um presidente - ainda vamos ver um concorrente de algum reality show chegar a presidente... Não é difícil, basta achar que tem opinião de tudo, não se comprometer com nada, dizer que lê muito e que aos Domingos até vai à Igreja.

 

Com tantos maus-tratos a crianças, com tantos crimes de sangue contra crianças, contra tantas crianças com fome, com tantos pais que não hesitam em destruir e desrepeitar quem os rodeia e tanto silêncio nesta matéria, acabo por estranhar como é que de repente a ira nacional se voltou para estas bandas... 

 

Soubesse o que sabe hoje, aquando dos incêndios, por certo António Costa tinha tratado de garantir que ainda teríamos um programa cuja temática seria a educação de árbitros e presidentes de clubes futebol em termos de português e economia paralela - era sucesso garantido e ninguém tinha falado no caos que se abateu em Portugal.

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A Tunísia de Brahem...

por Robinson Kanes, em 12.01.18

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 Fonte da Imagem: Própria

 

A Tunísia, um país lindíssimo, está de novo num turbilhão interno de contestação. Podemos invocar muitas razões de um lado e de outro. Num país como este, nem sempre é fácil trazer algumas das linhas orientadoras do ocidente no que toca à gestão económica e política. Esta estabilização nunca foi fácil, até porque o aumento de preços e outras medidas que exigem sacrifícios a uma população, já por si pobre, tem consequências... Consequências maiores, sobretudo quando a corrupção volta a ser um dos actores principais – é interessante ver os tunisinos na rua a pedirem o fim da corrupção e nós por cá a acolher a mesma de braços abertos...

 

Aguardemos pelo futuro, até porque ainda temos bem presentes os reflexos da “Revolução de Jasmim” e dos ecos que a mesma teve, mais tarde, em países como Egipto ou Síria.

 

 

Mas é sexta-feira, vésperas de fim-de-semana. Da Tunísia - além das belas paisagens, património e da Medina de Tunes - recordo Anouar Brahem e os sons do seu “oud” que não deixam ninguém indiferente a uma cultura poderosa, antiga e forte.

 

Mais uma vez, este ano, talvez tenha oportunidade de voltar a ouvir tão envolventes sons, quiçá em em Abril, na Fundação Calouste Gulbenkian.

 

Por isso vos sugiro... Atravessem o Mediterrâneo, lentamente... Sem pressa... Para que os sons vos cheguem embalados pelas ondas que chegam e balançam num, nem sempre amigável, choque de culturas.

 

O “oud” de Brahem é mágico, e entre muitos que poderia recomendar, escolho o álbum de 2006, “Le Voyage de Sahar” que ainda esta semana voltei a colocar na leitor e a ouvir, deixando-me navegar, calmamente, entre os gritos da contestação de um povo, mas também da sua força e da sua cultura, tal como Sahar...

 

 

Façam esta viagem... E se tiverem que escolher... “Sur le Fleuve”, “L'Aube”, ou porque não, “Les “Jardins de Ziryab”.

 

Bom fim-de-semana,

 

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Perguntas a Centeno e a Tantos Outros Reis Nus...

por Robinson Kanes, em 06.01.18

 

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Fonte da Imagem: Própria.

 

Em Roma tudo se compra

Juvenal, in "Sátiras"

 

Como é que podemos ter confiança num qualquer político que se vende por um bilhete de futebol (entre muitos, Rocha Andrade, João Vasconcelos e Jorge Costa Oliveira) colocando em causa a sua imagem, o país, a ética, os valores, o Estado e a honra?

 

Como é que podemos acreditar que quem se vende por um bilhete de futebol não se vende por coisas de maior dimensão?

 

Como é que podemos acreditar que um economista se esqueça de uma das máximas da economia, nomeadamente de que não existem almoços grátis?

 

Como é que ainda existem pessoas que acham normal este tipo de situações quando podem ser muitas vezes os interesses dos país em jogo? Por menos, Marcelo Rebelo de Sousa, nos tempos da ditadura, foi corrido da tribuna dos ministros porque ao acompanhar o pai ouviu que aquele espaço era para os ministros e não para os filhos dos mesmos.

 

Porque é que são escândalos atrás de escândalos mas é sempre a mesma coisa - impunemente se vai caminhando?

 

Porque é que se faz um escândalo (e até certo ponto, bem) com a "Raríssimas" (aquela de que já não se fala porque muitos nomes começaram a vir para a Praça Pública) e se fala menos da Fundação "O Século" que imediatamente após buscas teve logo indivíduos que foram constituídos arguidos? Importa lembrar que foi o escândalo que levou a Polícia à Raríssimas, no caso da Fundação "O Século", foi o contrário.

 

Mas também não é de admirar... Se o verdadeiro Cristiano Ronaldo não paga impostos e ainda se dá ao luxo de provocar a justiça espanhola, porque é que o Cristiano Ronaldo das finanças deveria ter vergonha de vender a honra por um bilhete de futebol para si e para o filho...

 

Porque é que o Dia de Reis em Portugal passa completamente ao lado das celebrações natalícias? Será porque ostentar um bolo-rei não provoca (na nossa cabeça) uma grande aceitação social? Será que é por não podermos dizer que fomos às compras adquirir um... bolo-rei?

 

Feliz dia de reis... Mesmo que eles caminhem nus... 

 

 

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Autor: Anónimo. 

Fonte da Imagem: Própria.

Já muito se havia falado, aquando dos incêndios, que o Estado havia falhado e que não poderia garantir um dos seus pilares fundamentais: a defesa do seu território e dos seus habitantes. No entanto, ainda podíamos falar de Estado.

 

Por estes dias, os portugueses descobriram que afinal o Estado não existe, perceberam que são meros animais de quinta governados por porcos. As leis de financiamento dos partidos, que já não são uma questão nova (não são, nada disto é novo), continuam a ser actualizadas e a não ser esquecidas numa gaveta, ao contrário do que acontece com temas que envolvem a defesa, a segurança, a saúde e um outro sem número de interesses bem mais importantes para um Estado Democrático.

 

Muitas vezes, recordo alguém que abandonou a vida de deputado e disse que se os portugueses soubessem o que se fazia naqueles corredores e naquele hemiciclo, subiam as escadarias e incendiavam aquele espaço com os respectivos frequentadores habituais lá dentro.

 

As várias leis de financiamento e "encobrimento" das actividades partidárias têm sido um dos maiores crimes que são cometidos em Portugal. O legislar à porta fechada - muito democrático - o retirar conteúdos de actas - muito democrático também - é uma das provas cabais da falta de transparência destes processos. Neste aspecto toda a representação parlamentar é criminosa e espanta-me que os auto-intitulados partidos do povo e das minorias como o Partido Comunista e o Bloco de Esquerda sejam sempre os primeiros a consentir e a legitimar estas mesmas leis. Será que o povo para estes partidos são aqueles que têm cartões de militante? Discutir esta situação seria desvendar um dos maiores embustes da actividade partidária nacional... Outro embuste é discordar de uma lei mas votar a favor, sobretudo quando nos beneficia: Catarina Martins, só assinou aquilo que toda a gente sabe mas ainda ninguém do Bloco de Esquerda tinha sido claro a afirmar:o Bloco de Esquerda não é uma alternativa a nada, bem pelo contrário!

 

Os partidos, os deputados e muitos governantes, mostraram aos portugueses que o Estado Democrático não existe e que no fundo, dar liberdade para se falar é indiferente quando aqueles que defendem a transparência e as instituições democráticas não são ouvidos... A diferença entre não ser ouvido ou ser poribido de falar é ténue... Aliás, a primeira é mais eficiente, pois quando somos proibidos de falar, tendemos a quebrar a regra ou a fugir para terras mais seguras e aí continuar a fazer ouvir a nossa voz... Já quando podemos exercer a nossa liberdade de expressão mas ninguém nos ouve é mais fácil silenciar um povo e a contestação. 

 

Portugal substituiu uma ditadura por outra e com o consentimento de todos os cidadãos! Nesse aspecto, foi um golpe de mestre, pois se antes tinhamos cidadãos oprimidos e cuja repressão aumentava o desejo de revolta, hoje temos cidadãos que tranquilmente seguem na dança da morte quais figuras da "Danse Macabre" que decoram a igreja de Saint Orien em Meslay-le-Grenet, França. Um pequeno apontamento: de facto o 25 de Abril nem foi feito pelo povo mas sim por militares do quadro que, perante a escassez de milicianos, não quiseram colocar os pés em África e entregar-se a uma possível morte.

 

Portugal é o país onde alguém que à frente de uma instituição de solidariedade é destruído na praça pública, mas que protela a resolução dos problemas estruturais ao mais alto nível da governação e que aplaude a compra de 10% dos activos de um banco por parte da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa num negócio pouco claro e cujo poder político teima em não abordar. É o mesmo país que censura as finanças em Espanha por quererem prender um jogador de futebol português - pensando que anda por terras lusas e ainda goza com a autoridade - porque fugiu aos seus deveres como cidadão. É um país que se ergue e não descansa enquanto não vê o sangue de alguém que escreveu meia dúzia de alarvidades num acórdão mas não critica a sentença em si, a consequência do processo! Todavia, é um povo que aceita a corrupção numa governação que, apesar do que tira, distribuiu pequenas migalhas e procura estar em tudo qual Estado paternalista. 

 

É o país que consente que o cartão partidário se alimente do seu suor e do seu esforço.

 

Em Portugal, 2017, deveria ter sido um ano de mudança, não só pelos escândalos e por todas as tragédias que tiveram lugar, no entanto, temo que 2017 venha a ser o ano em que Portugal chegou à conclusão que o Estado Democrático não existe e que já não é o país que não se governa e não se deixa governar, mas sim o país de casca polida mas podre por dentro que aguarda com rasgado sorriso pelo colapso. Por norma, nestes países de gingões cujo labreguismo é disfarçado pelo show-off, a longo-prazo, estas coisas pagam-se caro...

 

Espero que 2018, finalmente, traga cidadãos... É o que mais falta faz... Feliz Ano Novo...

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Uma Lição dos Tempos de Salazar...

por Robinson Kanes, em 21.12.17

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 Fonte da imagem:http://teatromunicipal.cm-braganca.pt/frontoffice/pages/98?event_id=372

 

Não vivi os tempos de Salazar, no entanto, ouvi muitas histórias de um lado e de outro e no final... A minha conclusão é que as coisas também não são sempre como se contam. O pós 25 de Abril, que ainda hoje na cabeça de muitos está tão actualizado como nos anos de 1974 ou 1975, levou a que poucos ousassem falar bem de uma outra situação anterior a 1974... É estranho, contudo, essa situação, posto que, muitos dos que nos governam hoje em dia, inclusive o Presidente da República, defendiam o regime ditatorial com unhas e dentes, aliás, até almejavam posições de poder no mesmo. Também é interessante que se implemente uma Democracia mas depois exista tanta dificuldade em aceitar o que de bom possa ter ficado para trás...

 

Assim sendo, se podemos ter um Presidente da República que foi apologista de um regime ditatorial, mas agora governa em Democracia, também posso falar bem de alguns episódios acontecidos aquando desse mesmo regime ditatorial. Conto esta história como me contaram, e vindo de quem veio, não tenho a mínima dúvida de que é verdade...

 

Estávamos em Lisboa, o Presidente de uma Câmara Municipal do distrito de Braga acabava de chegar para uma reunião no Ministério, ou seja, para uma reunião com o intuíto de solicitar mais abertura orçamental para o concelho em questão. Este era acompanhado do filho, um miúdo dos seus 11/12 anos.

 

Ambos ficaram num hotel no Rossio e haviam combinado assistir a uma peça de teatro mais tarde. Assim foi, no entanto, à saída do hotel, o pai procura encontrar um taxi que os levasse ao teatro escolhido ou dá a sugestão de fazerem o caminho pela Avenida da Liberdade a pé.

 

Perante este facto, a criança inocente e estupefacta, perguntou ao pai porque é que não chamavam o motorista e seguiam no carro oficial... A resposta não tardou:

 

- Mas tu achas que o carro com o motorista é para quê? O carro é para nos trazer aqui em trabalho e para nos levar de volta para cima! O motorista não é nosso criado para nos andar a levar ao teatro e ninguém tem de pagar para que andemos aqui a passear. O carro é para uso em trabalho!

 

Ainda hoje, esta história é contada com saudade e para ilustrar que nem os regimes anteriores têm de ser 100% pejados de maus episódios e as democracias nem sempre são sistemas onde tudo corre na perfeição. Ainda hoje esta história é recordada como aquela em que Marcelo Rebelo de Sousa, tentanto acompanhar o pai na tribuna ministerial foi imediatamente "posto a andar" por não fazer parte do Governo da época.

 

Numa altura em que se fala tanto de usos e abusos da res publica, talvez a lição do Dr. Avelino nos faça pensar na história que muitos preferem não contar de modo a legitimar as suas ditaduras democráticas. Talvez aí também estejam importantes contributos de como se governa com e para o povo.

 

P.S: qualquer indivíduo que se diga democrático e tenha alguma capacidade racional, perceberá que não estou a fazer a apologia de uma ditatura.

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São perguntas, Senhores, São Perguntas...

por Robinson Kanes, em 19.12.17

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 Fonte: https://www.globalresearch.ca/corruption-in-the-european-union-scandals-in-banking-fraud-and-secretive-ttip-negotiations/5543935

 

Há perguntas que continuam por responder, e que aqui pelo Bairro, de vez em quando, entre tremoços e cervejas lá nos lembramos de perguntar:

 

- Como está a situação das instituições responsáveis pela alimentação dos bombeiros durante os incêndios do Verão passado? Ao que se sabe, não foram raros os casos em que o dinheiro foi para um lado e a comida para o outro.

 

- Por falar em dinheiro, por onde andam os milhões, aqueles muitos milhões, que muitas instituições declararam ter recebido a propósito do incêndio de Pedrogão? Eu sei que é raríssimo prestarem contas ao cêntimo, mas onde andam? Porque é que os envolvidos não falam, inclusive aqueles que deram a cara no espéctáculo realizado na Altice Arena e outros? 

 

- Como é que o ministro Vieira da Silva passa nos pingos da chuva, não dá respostas convicentes e agora é inocente? Há tanta coisa por explicar, como sugerir que as queixas sejam encaminhadas para o Ministério Público e não faça o devido seguimento, quer junto desta instituição, quer dentro do seu próprio ministério! Hoje dizem-nos que um tesoureiro alerta para movimentações bancárias anormais, mas isso não pode ser considerado uma hipotética gestão danosa.

 

- Afinal, o que é que aconteceu em Tancos?

 

- E ninguém questionou o Primeiro Ministo do porquê de, com a conivência da lei, ter travado um caso judicial, o célebre caso das escutas que, segundo o Ministério Público, se revestia de crimes de extrema gravidade para o país e para o Estado Democráctico. Ninguém perguntou porque é que pactuou com o crime quando "ignorou" um parecer da Procuradoria Geral da República que dizia, mais ou menos desta forma, que esta legislação permitia que alguns interesses instalados se perpetuassem mesmo lesando ao mais alto nível o Estado Democrático.

 

- Depois de Marcelo Rebelo de Sousa ter ido a Angola, não só por interesses de Estado, como está a relação do nosso país com aquele Estado? Afinal que lá foi fazer este senhor?

 

- Porque é que a política se continua a imíscuir nos negócios dos privados? Ainda não esquecemos a Altice e a estranha interferência de Governo e partidos de esquerda na Autoeuropa. Além disso, estes dias com a fábrica fechada são os chamados "down days" que acontecem em muitas outras fábricas, não é assim tão normal em indústria! Não entendo o dilema actual!

 

- Onde andam as roupas doadas que continuam a ser vendidas por muitas Instituições de Solidariedade Social?

 

- Porque é que a UBER é ilegal mas continua a actuar sem que sejam tomadas medidas?

 

- Porque é que num país laico, insistentemente temos um Presidente da República a fazer a apologia do catolicismo e que "só" as instituições da Igreja fazem o bem pelo país?

 

-Porque é que o escândalo nas messes da Força Aérea é tão pouco falado? E porque é que perante as acusações que foram feitas de que tais esquemas são praticados por todas as Forças Armadas desde os tempos do antigo regime, não se actua?

 

-E por falar em Tecnoforma? Alguém tem ouvido falar disso?

 

-Porque é que o SAPO destaca sempre os mesmos "blogs", mesmo que custe a fuga de outros bloggers e até de visitantes? Porquê?

 

-Porque é que Portugal continua a ser o país dos apelidos? Basta olhar para a política, para cargos em instituições públicas e mesmo em instituições privadas cuja relação com o Estado é fundamental para a sobrevivência das mesmas.

 

-E afinal. Como é que está a situação da casa comprada abaixo do valor de mercado por Fernando Medina?

 

-Porque é que os "jobs for the boys" são uma real instituição "criminosa" portuguesa e ninguém parece estar interessado? Haverá um "boy" em cada português empregado no público ou até no privado?

 

-Porque é que partidos como o Partido Comunista e o Bloco de Esquerda parecem não existir desde há uns tempos para cá? Ou aliás, existem para sugerir o impossível para os funcionários públicos e para os seus... O resto do país não terá interesse para estes?

 

-Porque é que ainda hoje as palavras do Francisco, do Zibaldone, me fazem tanto sentido:

"Aos que pensam que a corrupção e a evasão fiscal são de pouca monta, só tenho a dizer: por cada pessoa corrompida, há outra que pode aparecer morta por denunciar o crime; por cada pessoa que utiliza cunhas para entrar num emprego, há outra que fica à porta e começa a descrer num sistema que impede a mobilidade social; por cada pessoa que foge aos impostos, há milhões que passam fome ou vêem os seus negócios arruinados pela violência fiscal exercida sobre os mais fracos".

 

-Porque é que a EMEL, uma das empresas mais lucrativas do país - estranho, tratando-se de uma empresa pública de estacionamento - vai receber 4 milhões de Euros do Turismo de Portugal? A EMEL esse grande responsável pelo turismo em Portugal...

 

-Porque é que a propósito dos incêndios de Pedrogão, só temos como arguidos, até agora, devo ressalvar, aqueles que combateram o incêndio? Porque é que o relatório do Ministério da Administração Interna não teve o peso político e mediático que teve o da Comissão Independente?

 

- E onde andam os desenvolvimentos, se é que existem, acerca dos esquemas onde foram apanhados Paulo Portas e o vice-comentador da nação Luis Marques Mendes? O comentador todos sabemos quem é... Comentador de umas coisas e ausente de outras.

 

- Porque é que se criminaliza tanto na praça pública a amizade de José Sócrates com Carlos Santos Silva e e pouco ou nada se fala da grande amizade de Marcelo Rebelo de Sousa com Ricardo Salgado?

 

- Porque é que ser Presidente do INEM significa andar sempre metido em "cambalachos"?

 

São apenas perguntas, Senhores, São apenas perguntas... Eu sei que é mais importante encher um centro comercial e acompanhar a manada, que anda num stress ao invés de calmamente apreciar a época...

 

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Quando a Raridade é Normalidade...

por Robinson Kanes, em 12.12.17

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Fonte da Imagem: http://integritas360.org/2016/02/why-anti-corruption-programmes-fail/ 

 

Esta é aquela parte em que, de garrafa na mão, percorro as ruas aos gritos e digo "eu bem dizia, eu bem dizia"... Senão vejamos:

 

Solidariedade... Uma visão mercantilista do conceito?

ONG, bom ou mau?

Empreendedorismo Social e o Paradoxo do Culto da Personalidade.

Empreendedorismo Social não é Dádiva.

Caritas et Lucrum.

Sr. Presidente, Não Somos Nada Bons

O Social... Os Donativos... E a Mendicidade de Resultados...

 

Raríssimas são as instituições sociais que em Portugal são completamente transparentes! A raridade é a nova normalidade. Não sou só eu que o digo, os acontecimentos falam por si: é a Cáritas que já mostrou uma inclinação para práticas menos claras (interessante que foi um caso que desapareceu do mapa), são instituições que. recebem roupa mas depois a vendem, é o Banco Alimentar Contra a Fome, a AMI e outras tantas instituições que de transparência têm pouco mas continuam a ser instituições com um peso tremendo no país e até onde o próprio Presidente da República que tudo comenta, se encarrega de fazer publicidade mas não de comentar quando as notícias não são de feição.

 

Associações, Misericórdias e outras Instituições Particulares de Acção Social (IPSS) proliferam em Portugal e garantem a ostentação de muitos indivíduos, em muitos casos em clara promíscuidade com o poder político, central e local.

 

Em Portugal a área social e o not for profit são áreas onde o enriquecimento é garantido, basta olhar à volta para se perceber... Porque é que estas áreas não são alvo de controlo mais apertado? Porque é que continuam a ser autênticos poderes? Porque é que se fomenta esta espécie de dádiva mas não se fomenta o empowerment dos cidadãos? Porque é que se utiliza o discurso da morte pela fome quando em Portugal, tal, não é uma realidade? E nem é preciso ir à fome: perde-se a conta às instituições e aos milhões gastos, na história do empreendedorismo e de ajudar os outros a vingar na vida... Mas depois... Face aos milhões investidos quais são os resultados?

 

Não é por mero acaso que existem organizações empresariais que se recusam a trabalhar com a área social! Talvez porque percebem que aqueles que lhes pedem conseguem maiores lucros que os próprios!

 

Alguns dos melhores exemplos são muitas comunidades imigrantes que se ajudam mutuamente e permitem que muitos indivíduos consigam trabalho ou até montar um negócio e a maioria nem quer ouvir falar de instituições que os apoiem... Esses sim, são bons exemplos.

 

Experimentem desenvolver um projecto a título indivídual e vejam se conseguem? Experimentem, em  muitas zonas do país, desenvolver um projecto social ou de cidadania sem pedir autorização (e algo mais) a poderes instalados em associações, munícipios, misericórdias e Igreja... Não vão conseguir, é um mundo fechado e só aberto a alguns! Espantados com a Presidente da Associação Raríssimas? Existem autênticos ditadores na área social, um meio para atingir muitos fins e que nem sempre é o bem-estar do outro... Olhem à vossa volta, mesmo na vossa região, na vossa cidade, vila ou aldeia e vejam quem está à frente desta área... Não tenhamos receio de dizer que a área social em Portugal alimenta máfias muito poderosas e que muitas instituições sociais ou de ajuda ao próxima não passam de grupos de tráfico de influências...

 

Perguntem porque é que alguém como o Ministro Vieira da Silva e outros estão ligados aos orgãos sociais destas instituições? Porque é que um dos próximos da lista era um deputado do PSD? Somem a isto os imensos apoios que esta instituição tem e rapidamente chegarão a uma conclusão... A área social em Portugal tem de ser alvo de uma avaliação profunda, tal como outras tantas áreas, a cultura é uma outra... 

 

Estamos num país onde é mais fácil gerar retorno com a área social e a "ajudar" os pobrezinhos do que a criar valor, emprego e investimento! Tal já diz muito da triste situação em que nos encontramos.

 

Não sejamos ingénuos, são muitos aqueles que já trabalharam e trabalham com a área social e sabem bem como as coisas acontecem... Falar da área social em Portugal é tabu! É tabu porque, no dia em que se olhar para esta área com atenção vamos perceber que milhões e milhões de euros investidos nem um euro de Social Return on Investement (SROI) geraram! Falar da área social em Portugal é mexer com aquilo que mais de podre existe na sociedade, na política e na Igreja... E aqui nem o nosso Presidente escapa...

 

De facto, também existem situações em que o trabalho é bem feito e existe um claro espírito de missão, e a esses voltarei! Mas é por isso mesmo, por existirem esses bons exemplos que nós, cidadãos, devemos exigir um claro escrutínio destas instiuições... Podemos fazer muito, basta que deixemos de participar em actividades e também em deixar de dar donativos. Podemos pressionar o poder central para que feche a torneira que alimenta autênticas oligarquias e sorvedouros do dinheiro dos nossos impostos.

 

Em tempos alguém me dizia... "achas que se fosse uma área com tantas dificuldades quem lá está se perpetuava eternamente e destruía todos aqueles que poderiam assumir o lugar e trazer sangue novo? Já viste alguém que lá esta a pedir para si por não ter que comer?".

 

É Natal, sejamos verdadeiramente solidários e actuemos directamente, porque... Se todos agirmos como verdadeiros cidadãos estas instituições deixarão de ter razão de existir. E para sermos solidários, não precisamos de andar sempre a dizer que o somos... A verdadeira solidariedade não tem publicidade, para isso temos a Responsabilidade Social Corporativa, onde aí até faz sentido... Até porque cansa ouvir um sem número de indivíduos todos os dias a repetirem que já entregaram um saquinho de comida a pobrezinho mas depois, no seu dia-a-dia são autênticos seres desprezíveis para com quem os rodeia.

 

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cap4.jpg

Fonte: http://dypk-portal.com/wp-content/uploads/2015/07/cap4.jpg

 

Já por várias vezes me colocaram a questão do porquê de nunca ceder a uma "cunha" ou a um favorecimento quando se trata de encontrar um emprego e o porquê de fazer disso um "cavalo de batalha", inclusive neste espaço. Já por várias vezes me disseram que estava a ir contra tudo o que é prática e que nunca conseguiria ir longe porque não aceitava favores e também nunca acedi a pedidos do género quando a temática era, e é, o emprego. 

 

Porquê? É a pergunta que aqueles que dizem que estou sozinho nesta caminhada me colocam, mesmo aqueles que gostam de escrever o contrário. A razão é simples, não só me retira a transparência, a independência e a autonomia, como numa grande maioria dos casos é corrupção. Sim, corrupção não é só fugir às finanças, pagar ao funcionário da câmara municipal para passar aquele documento, ver jogos de futebol pagos por uma petrolífera ou ser ilibado num caso de corrupção em que o Ministério Público do meu país diz uma coisa e em Bruxelas alguém diz o contrário.

 

Poderia falar nos valores que me foram incutidos, poderia dizer que lá por casa a ética, os valores e a integridade nesses campos não eram negociáveis. Não estou aqui a ser fundamentalista, ao serviço de outras organizações já tive de me debater com ethical dilemas e seguir caminhos que não eram os mais justos.

 

Mas vou por exemplos...

 

Antes de ter acabado o meu primeiro curso, aceitei um estágio curricular numa instituição pública e que se deveu a um esforço hercúleo da minha parte (só faltou falar com Deus) e quase numa óptica de pagar para trabalhar - basicamente foi isso que aconteceu, porque tudo tem despesas. Aprendi imenso, até porque era uma instituição que se movia e com uma direcção que procurava chegar um pouco mais longe. Três meses passaram, acabei o curso e fiquei mais três meses para aprender, até porque para mim só encontrava mais-valias. Passados então seis meses de trabalho não remunerado (salvo um colega que incluiu no último mês algumas das minhas deslocações nas suas contas) existiu a necessidade de contratar um candidato para o departamento. Perante o meu trabalho, que foi imediatamente reconhecido, fui a jogo com dois indivíduos que já estavam no departamento em regime de prestação de serviços e tinham ali uma oportunidade de passar para um contrato com a instituição ou então abandonar a mesma.

 

Provas dadas, fui considerado ao candidato ideal para o cargo, até porque dos outros ninguém tinha conhecimento de qualquer trabalho realizado a não ser a sensação de impunidade e o dado adquirido de que estando ali, já ninguém os tirava - muito comum por aí. A chefia do departamento estava de acordo e todo um departamento encantado por ter o "puto estagiário" sem amigos aqui e ali a entrar e a mostrar trabalho. Acredito que, para muitos, era sinal de que uma mudança finalmente ía acontecer.

 

Estava tudo a correr bem até que as ordens de cima, nomeadamente de um vereador, deitaram este desejo por terra, porque um dos indivíduos era sobrinho do sobrinho do sobrinho do sobrinho do indivíduo X do amigo do partido Y. Sei ainda hoje que um departamento inteiro lutou por mim sem sucesso, ainda mais quando aquela vaga passou a ter a companhia de outra vaga mas que só abrira para colocar o indivíduo que só tinha a sorte de ser amigo do sobrinho do sobrinho (o resto já vocês sabem). Lembram-se de eu ter dito que eram dois, mas a vaga era uma? Ainda me recordo do desespero do Director do Departamento a assumir que não poderia fazer mais.

 

Foi aí a primeira vez, com pouco mais de 20 anos, que senti a injustiça desse mundo na pele. Foi aí que tive a minha primeira lição de mercado de trabalho, sobretudo no sector público. Mas ainda não tinha sido a maior lição de todas.

 

Uma nota... meses mais tarde, a cúpula do poder dessa instituição viria a cair num escândalo de corrupção e tráfico de influências bastante mediático.

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