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Uma Moca(ada) no João Quadros.

por Robinson Kanes, em 25.07.17

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Fonte da Imagem: https://static6.businessinsider.com/image/595bc1afd084cc817f8b6ac5-1454/snapshot20170704112537.jpg

Moca:

1. Cacete com uma maça na extremidade, clava, cacheira

2. Zombaria, mentirola, peta, coloquial tolice (Brasil)

3. Coloquia entorpecimento ou euforia induzida por drogas ou álcool, pedrada, ganza

4. Variedade arábica de café oriunda de Moca

5.Regionalismo estúpido, bruto (gosto desta)

6. De origem obscura.

moca in Dicionário infopédia da Língua Portuguesa com Acordo Ortográfico [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2017. [consult. 2017-07-24 17:41:28]. Disponível na Internet:

 

Confesso que escrevi este artigo sugestionado por um indivíduo que comentou o artigo de ontem e... Também porque me encontrava sem ideias, admito.

 

Um artigo recente de João Quadros fez um ataque cerrado ao ciclismo. Como não conheço o indivíduo em questão nem nunca li nada do mesmo, procurei saber algumas informações, pelo que os meus comentários cingir-se-ão ao artigo em si e não à pessoa, embora o mesmo o tenha feito em relação aos ciclistas. Também não vou fazer o discurso do "racismo", da "discriminação" e da "xenofobia" dizendo que toda uma classe se sente ofendida e repudia tais palavras.

 

Após ler o artigo, cheguei a pensar que o mesmo era humorístico, tendo em conta o passado do indivíduo que o escreveu. Contudo, comecei a perceber que de humorístico e sarcástico até tinha pouco e que exprimia um sentimento real. A ser humorístico, também é interessante perceber que até já no humor a ditadura do politicamente correcto impera e na incapacidade/medo para atacar desportos como o futebol, por exemplo,optou-se por atacar o ciclismo, que sempre é uma modalidade menos seguida e com adeptos mais contidos. Interessante para um ferrenho adepto de um clube de futebol (que até fez parte da comissão de honra de uma candidatura à presidência de um clube) e que um dia disse: " Prefiro destruir os poderosos do que pôr as pessoas a rirem-se da profunda tragédia dos outros". Falar dos podres futebolísticos em Portugal pode granjear-nos ódios que não queremos...

 

Também me quer parecer que um grande adepto do ciclismo não se cinge, nem procura cingir o escândalo do doping - que é passado - a Lance Armstrong. Armstrong foi sem dúvida um dos mais importantes, até pelos títulos que conquistou, mas admito que fiquei mais chocado com os testes positivos de Ivan Basso, Jan Ullrich, Vinokourov, Manuel Beltrán, Floyd Landis e de Alberto Contador! A par de José Azevedo eram as minhas estrelas! Lamento que alguém que se declarou um fervoroso adepto não tenha nomeado qualquer um destes. Até porque Armstrong sempre foi acusado de doping desde que ganhou o seu primeiro Tour, ou seja, já nem deveria ser novidade... Quem gosta de ciclismo e sempre foi adepto de Armstrong deveria saber...

 

Dizer que o doping trouxe um total descrédito ao ciclismo e que os ciclistas são um bando de drogados é no mínimo o ressentimento de alguém que nunca deve ter conseguido andar de bicicleta sem "rodinhas" (aqui sou eu a fazer humor). E os outros desportos, aqueles que o mesmo senhor tanto defende e tanto aprecia? Será até que João Quadros gosta de desporto? Pela imagem descontraída, demasiado descontraída (também podíamos fazer piadinhas de mau gosto), que apresenta no seu artigo de opinião acredito que goste, tem é um problema mal resolvido com o ciclismo. Sugiro a João Quadros que tome umas "drogas" como o mesmo lhe gosta de chamar e tente subir a Sra. da Graça, em Mondim de Basto ou o Alpe D'Huez - estranhei não ter mencionado esta subida quando tentou fazer a piada do triciclo para ursos. Será que João Quadros também sabe o ridículo que é utilizar animais num circo e que também são utilizadas "drogas"? Talvez não queira saber sob pena de se perderem alguns convites no Natal para ir ao circo no Parque das Nações.

 

Além disso, não sei que tipo de drogas conhece João Quadros, mas a utilização de drogas não passa somente pelo momento de pura explosão e loucura - a Eritropoietina (EPO) visa estimular o processo de Eritropoiese que não é mais que provocar o aumento de glóbulos vermelhos e com isso o rendimento do atleta. Não há "loucura"! Seria bom informar-se e perceber que também se pode apreciar a natureza sem estar drogado, sim é possível.

 

Uma outra nota, mas acerca de ciclismo:  esta modalidade vai para além das corridas de estrada, nem todos os ciclistas bebem muita água e não são só as farmacêuticas que produzem substâncias dopantes - que preconceito vindo de alguém tão esclarecido.

 

Também é interessante o foco do Sr. João Quadros no "Boom Festival" e o passar ao lado de outros festivais com "um festival de música", quando falou de consumo de drogas. Será que se referisse alguns festivais poderia ofender os patrocinadores, aqueles que lhe permitem trabalhar em media com dimensão nacional? Será que também o humor está "agarrado", entrando na linguagem cool do comentador, ao politicamente correcto, ao lobby e ao medo pouco rebelde de ser colocado na rua? Cada vez mais vejo que não é só a independência dos media que está em causa, mas também a do humor.

 

E porque ainda falamos de "drogas", porque foi interessante o modo como João Quadros ligou o doping ao estar "agarrado" à cocaina, que dizer de alguns mundos em que João Quadros se movimenta? Aliás, é o próprio que assume ter feito grandes negócios enquanto esteve na "tropa". Cinema, artes, cultura, televisão, futebol... São mundos isentos de drogas, eu vos garanto!

 

É interessante como hoje em dia somos politicamente correctos mas nos tentamos mostrar tão isentos e politicamente incorrectos que a maioria das pessoas até acredita que é verdade (uma das piores formas de manipulação)... Não podemos é cair no erro de procurar imediatamente a desonestidade que gerou um acto honesto, como diria Steinbeck. Por falar em desonestidade, esperava um artigo sobre a atitude de Peter Sagan para com Mark Cavendish - para alguém, como João Quadros, que passou pela área da gestão, mesmo que a correr, teria muito a dizer. Ainda por cima Cavendish de _ _ _ _ _ _ _ _ _ é a minha alcunha velocipédica...

 

Não é que João Quadros, tal como eu, tenha grande importância, mas quando as palavras fazem eco, temos de estar preparados para as consequências...

 

Este texto foi humorístico e politicamente correcto... Ou não... 

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O "Tour de France".

por Robinson Kanes, em 24.07.17

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Fonte da Imagem:  Tour de France 2017 - 19/07/2017 - Etape 17 - La Mure / Serre Chevalier (183 km) - France © ASO/Pauline BALLET

 

Como adepto incondicional de ciclismo, não podia deixar passar esta oportunidade de me focar na última etapa do Tour de France que não foi mais que a volta da consagração do suspeito do costume, o "queniano branco" como lhe chamam: Chris Froome.

 

O Tour, à semelhança do Giro e da Vuelta, são as corridas mais disputadas e mais importantes no círcuito mundial de ciclismo de estrada. Focando-me no Tour, é um verdadeiro espectáculo que ocorre em França e com uma comunicação e espírito que se estendem por todo o globo - li em tempos que o Tour é a prova desportiva com mais assistência do mundo! Do mundo, significa que tem mais assistência que o Mundial de Futebol ou até que os Jogos Olímpicos! Julho, em França, é conhecido como o mês do Tour!

 

Se por cá estas provas servem para ocupar um pequeno espaço nos media quando não existe mais nada para abordar, em França e em muitos outros países são um verdadeiro gáudio para aqueles que gostam de ciclismo e não só! Mesmo aqueles que não gostam não negam a satisfação de verem as belíssimas paisagens de França, alguns até seguem as etapas somente por isso.

 

Este ano o Tour deu-nos algumas lições, nomeadamente a que foi perpetrada pelo eslovaco Peter Sagan e que, com tanto pseudo-guru da gestão, da liderança e da motivação sempre interessados em forçar aquilo que não é possível e que chega a ser patético, quase ninguém a transportou para o que acontece no nosso dia-a-dia, profissional e não só. Mas disso voltarei a falar. 

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Fonte da Imagem: Tour de France 2017 - 23/07/2017 - Etape 21 - Montgeron / Paris Champs-Elysées (103 km) - France - Christopher FROOME (TEM SKY) © ASO/Alex BROADWAY 

 

Ao longo dos anos, o Tour também nos tem dado uma lição que em Portugal ainda não recebemos, ou preferimos não receber: é aquela que nos diz que não é só de futebol que vive um país, sobretudo na sua componente desportiva. Fora dessa componente, o Tour é uma autêntica campanha de promoção turística de França, como o é o Giro para Itália e a Vuelta para Espanha. Penso que, apesar da dimensão, Portugal podia aproveitar mais a sua "Volta", até porque a "Volta ao Algarve" é uma prova com cada vez mais reputação. E pode ser que possamos também aprender a lição de que não precisamos de ter nomes ou slogans noutras línguas para chegar ao sucesso... Tour, Vuelta e Giro disso são exemplos.

 

Parabéns Chris Froome e parabéns aos portugueses em prova: Tiago Machado pela Katusha-Alpecin (77º da geral) e José Azevedo, o Director-Geral da equipa com o mesmo nome.

 

Uma nota final para o aumento da pressão e das iniciativas tendo em vista a inclusão de mulheres no Tour e em outras provas do calendário internacional.

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 Fonte da Imagem: Tour de France 2017 - 23/07/2017 - Les Chmps pour elles - Paris Champs-Elysées © ASO/Thomas MAHEUX

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Girolamo de Santa Croce - A Adoração do Menino (Gemäldegalerie Alte Meister)

Fonte da Imagem: Própria.

 

No seguimento do artigo de ontem, ao qual podem aceder aqui, e onde os contributos de muitos comentadores foram valiosíssimos, procurarei hoje ver as coisas de um outro ponto de vista, até porque a temática é complexa.

 

Foquemo-nos numa questão: porque é que não trabalhamos a questão da maternidade/paternidade, ou aliás, a impossibilidade da mesma no sentido de mentalização dos indivíduos para esse facto? Com isto não estou a dizer que não se desenvolvam demais abordagens. Porque é que o foco não passa por uma mentalização das pessoas para as suas limitações? Porque é que noutros campos vamos por aí e no caso da geração de um filho fugimos mais à questão?

 

É assim tão grave que um indivíduo conviva com o facto de não poder ter um filho? Dou um exemplo: são muitos os casos que conheci de pessoas que passaram pelos maiores martírios fisícos e psicológicos só para conseguirem ter um filho e muitas vezes por pura pressão social! Parece que nos tempos actuais é proibido dizer "não tenho filhos porque biologicamente não sou capaz e vivo bem com isso" e nem menciono aqueles que não os têm por opção. Porque é que não existe um trabalho desse lado e continua a impor-se uma lógica do "ter filhos a todo o custo". Será que se a abordagem fosse mais por aí teriamos tanta gente a investir dinheiro, anos de vida e um sem número de emoções para conseguir ter um filho? Alguém, aos comentários do artigo de ontem focou o egoísmo... Será um egoísmo da sociedade e de cada indivíduo? O artigo presente, pretende sobretudo ir pela questão do "é assim tão complicado aceitarmo-nos como somos?".

 

É uma questão complexa, sobretudo quando leio e vejo argumentos de indivíduos que na praça pública defendem (quase obrigando) que devemos ter filhos, pois estes serão o garante da sustentabilidade da Segurança Social e que é egoísmo não os ter! Um deles até é o proprietário de uma empresa de brinquedos com nome na mesma praça. São esses mesmos indivíduos que não falam de adopção, por exemplo.

 

Estamos a fazer de tudo para promover um mercado de venda ou negociação de bebés mas continuamos a não exigir leis mais facilitadoras da adopção. É aqui que pecam aqueles (auto-intituados vanguardistas) que acusam os "anti-barrigas de aluguer" de estarem presos a rituais ancestrais e de serem egoístas. Eu, sem me colocar de um lado e de outro, digo sempre... Cuidado, sobretudo quando a pretexto do que é novo, colocamos todo um passado no caixote do lixo. Até porque uma das marcas maiores de ancestralidade é a geração de um filho - quantas mulheres não eram ostracizadas ou até mortas por não conseguirem gerar uma criança?

 

Além de que, se queremos falar de egoísmo importa referir, mais uma vez, que o mundo já tem gente a mais e sempre podemos encontrar muitas crianças sem pai nem mão à espera de uma oportunidade para serem crianças... Mas talvez seja mais interessante ver as mesmas subnutridas, feridas ou mortas na televisão enquanto a todo o custo tentamos ter aquele filho que tem de ser "nosso"! Mas aí já estamos a ser vanguardistas... 

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A Nova "Trend": Barrigas de Aluguer.

por Robinson Kanes, em 19.07.17

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 Adoração do Menino - Filippino Lippi (Galleria degli Uffizi)

Fonte da Imagem: Própria

 

Falar de incêndios já não é cool. E quando o tema já não vende revistas, jornais ou visualizações nada como ir buscar temas que vendem muito, nomeadamente a homossexualidade e agora as trendy "barrigas de aluguer". Homossexualidade, para mim, é um tema gasto, perdoem-me mas qualquer dia até me sinto mal por ser heterossexual. Ou sou eu, ou então algo se passa, dos muitos amigos(as) que tenho com uma orientação sexual diferente da minha não me recordo de perdermos muito tempo a falar do tema.

 

Mas as "barrigas de aluguer"... Primeiro, é triste perceber que foi preciso um jogador de futebol "comprar filhos na Amazon" para de repente toda a gente se lembrar que esta prática existe. Caríssimos, é uma prática com séculos e ninguém descobriu a pólvora, aliás, um dos empreendimentos mais bem sucedidos da História, o Cristianismo, começou com uma "barriga de aluguer".

 

Mas tanto se fala de "barrigas de aluguer"... Pelo que, voltemos aos moralistas do politicamente correcto, sempre a defender a liberdade e ao que diriam se encararmos essa prática como a venda de seres-humanos? A verdade é simples e crua: estamos a mercantilizar seres-humanos! Podemos concordar ou não, mas aí temos de ter muito cuidado quando apregoamos leis morais, éticas e humanas, mas depois defendemos esta prática. 

 

Vejamos também outra questão e que alguém por aí (alguém a quem nem dou grande importância, mais foi exímio na análise) falou, que é a questão dos impostos? Ora, se existe uma compra, como é que são calculados os impostos? Como é que eu, que tenho um estabelecimento onde vendo bifanas e Sumol de Ananás, fico quando tenho de pagar dezenas de taxas e quem vende crianças não está sujeita a impostos? Mas é uma criança, um bebé, como é que se pode falar de impostos, questionarão! Todavia, não temos pejo em defender o comércio de seres-humanos que só não é tráfico porque, em alguns casos, já se encontra legislado. Não é diferente da criação de leis que regulem o tráfico de droga, e aí passamos a ter um mercado legal... Mas é "trendy". Até nos damos ao luxo de atacar as pessoas que vão buscar filhos a África, no entanto, já achamos bem se forem por encomenda e full extras. Ficamos chocados com a mulher que vende o corpo por sexo, mas não ficamos tão chocados se vender o feto...

 

Hoje é "trendy" mercantilizar seres-humanos e sob a capa do "trendy" têm sido cometidas algumas atrocidades que nos fazem estar a atravessar uma crise de valores e de comportamentos, mas mais que isso a sofrer de uma espécie de arregimentação pela incapacidade de aliar o bem da liberdade à virtude da tolerância. E aí, Huxley rapidamente nos demonstrou que o resultado desse arregimentação só poderia ser uma grande infelicidade! Eu só espero que comece a ser "trendy" criticar a corrupção e a injustiça, aí sim, deixarei de ser um indivíduo fora de moda.  

 

Finalmente, algumas questões que irei abordar amanhã: nesta sociedade do ter, doa a quem doer e custe o que custar, não estaremos demasiado focados na importância do ter ao invés de nos focarmos na mentalização do não ter? Do saber viver sem ter? Poderão também dizer que é egoísmo da minha parte, mas quem é o egoísta? Não faltam crianças em dificuldades no mundo inteiro e se formos por aí, há muito que superámos a capacidade de carga do planeta, pelo que se dispensam mais seres-humanos, já em 1798 Malthus o dizia no seu "Ensaio Sobre o Princípio da População". Passaram mais de 200 anos e ainda nos custa pensar nisto... Além de que, por muito que não queiramos ver, cientificamente, a sobrepopulação é uma das grandes ameaças ao futuro da Humanidade.

 

 

 "Trendy": algo que está na moda. Algo que é forçoso que esteja na moda...

 

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Sr. Presidente, Não Somos Nada Bons!

por Robinson Kanes, em 18.07.17

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Fonte da Imagem: https://imagens.publicocdn.com/imagens.aspx/598837?tp=KM&db=IMAGENS&w=823

 

É fácil a voz da grandeza, quando a pequenez está calada.

Vergílio Ferreira, in "Rápida a Sombra"

 

 

Por estes dias o Sr. Presidente da República anunciou ao mundo que nós, portugueses, somos mesmo muito bons!

 

Proferir estas palavras com meio país a arder é sem dúvida um momento ideal para reforçar a alma lusitana que se encontra a banhos e pouco interessada com o que se passa no resto do país. A grande "vantagem" de Alijó e Almeida é que não existiram mortos e como não existiram mortos não há problema! Em Portugal, para se "abrir os olhos", é sempre necessário para cima de 50 mortos, no mínimo.  

 

Talvez enquanto estivesse no México, o Sr. Presidente não estivesse em Alijó intoxicado pelo fumo como eu estive ou não tivesse sentido a nuvem de fumo que já se sentia quando se entrava em Espanha por Calvos! Calvos, Sr. Presidente, são 176km! Talvez enquanto estivesse no México a falar de alegrias não se deparasse com o desespero, mais uma vez, das populações. De facto, Portugal é um país de gente maravilhosa mas que continua a não compreeender, por exemplo, como é que somos o único país do sul da Europa que não tem meios-aéreos de combate a incêncios afectos à Força Aérea! Interessante... Pois somos também aquele que tem maior número de área queimada. Também ninguém consegue perceber porque é que tarda a decidir-se acerca da responsabilidade na gestão dos donativos no incêndio de Pedrogão... Há muitos abutres da "solidariedade" interessados em gerir este bolo riquíssimo, afinal são 13 milhões e sempre estas reuniões devem ser mais concorridas do que as pequenas reuniões municipais e nacionais do "choradinho" de fundos para os pobres com a malta do "social"! E denotem... Não sou eu que lhes atribuo este estatuto, são os próprios que gostam de dizer que são do... Social!

 

Interessante é também o discurso dos mais velhos, e aqui perdoem-me os politicamente correctos, que dizem que no "tempo do Salazar e do padrinho do actual Presidente da República não se viam tantos incêndios, mas depois do Verão Quente de 1975 nunca mais pararam"!. Não me venham dizer que são só as alterações climáticas! Eu nem vivi esses tempos...

 

Somos realmente muito bons, só ainda não descobrimos como é que podemos sobreviver sem andar sempre a reboque da máquina do Estado e de como responsabilizar o Estado por falhar nos seus deveres primordiais para com todos nós. Ou talvez perceba, porque a única coisa que faz com que os estudantes (o futuro do país) se revoltem nas Universidades é um aumento de 10 euros nas propinas e que pode significar menos uma noite de cervejas à conta do erário público. E nunca é de bom tom não ter acesso a uma bolsa quando se quer ir de carro novo para a Universidade.

 

Por enquanto o país vai ardendo, mas não se salvam pessoas, animais, árvores, infraestruturas e todo um país com minutos de silêncio, discursos, comentários e homenagens protocolares! O país também não se salva com a hipocrisia partidária que hoje defende uma coisa, amanhã já defende outra porque afinal... Afinal, por muito que nos doa, é a ânsia de poder que domina o actual sistema partidário e os portugueses são somente marionetas que sustentam esse sistema mas pouco obtêm dele. Talvez por isso, quando alguém mete o dedo na ferida e denuncia as tranches de dinheiro que continuam a ser enviadas para muitos indivíduos que poderiam trabalhar e obedecer à lei, mas não o fazem, sejam imediatamente criticadas... Afinal, enquanto o dinheiro chegar também não se revoltarão... Nisto também somos muito bons, Sr. Presidente.

 

Pessoas, animais, árvores, infraestruturas e todo um país, salvam-se sim com acções no terreno, sobretudo preventivas. Pois somos muito bons efectivamente, mas todos temos os nossos limites de paciência! Até porque o fogo não abranda com um beijinho nem com um afecto e muito menos com propaganda a fazer lembrar tempos idos...

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A Falta de Nível de um Consultor de RH...

por Robinson Kanes, em 13.07.17

 

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 Fonte da Imagem: https://onepeterfive.com/francis-references-the-dubia-some-see-only-black-white/ 

 

Ontem, enquanto celebrava o novo emprego de um amigo, eis que sou confrontado com a seguinte história e que dispensa quaisquer comentários da minha parte a não ser que existem pessoas que deveriam ser proíbidas de trabalhar com pessoas e, para além disso, o perigo que as "cunhas" e a falta de soft skills de um ou mais colaboradores podem ter numa organização e, sobretudo neste caso, nas organizações a quem prestam serviços.

 

Escritório de uma multinacional, o Frederico (nome fictício) recebe uma chamada:

 

-Estou, daqui é o Andrade da Mike & Recruitment (nome fictício, e os Andrades que não me levem a mal por ter escolhido este nome para tal personagem), queria falar consigo porque ainda não me pagou o valor da sua substituição.

 

Vejamos: o Frederico (que trabalha nas compras) foi contactado pelo consultor responsável pela sua contratação há oito meses. Esse mesmo consultor, que agora tem em mãos o recrutamento do novo indivíduo contacta a pessoa que vai ser substituída e solicita-lhe o pagamento de um serviço que ainda não foi concretizado. Começamos bem... 

 

O Frederico responde:

-Ouça lá Andrade, então mas você está-me a pedir o valor de um serviço que só é pago após a realização do mesmo? Além disso, dentro dos candidatos que você tem mandado nenhum se aproveita, alguns nem habiliações nem experiência têm e não foi isso que nós pedimos. Até já coloquei um anúncio num website de empregos e os candidatos são bem melhores.

 

O Andrade, um pouco atrapalhado mas sempre no estilo irritante-gingão muito característico de algumas personagens do corporate nacional, diz:

 

-Pois, tem razão. Pois é eh eh eh.... Olhe lá Frederico então e vai trabalhar para onde?

 

Vou trabalhar para a Carrega Paletes (nome fictício) - Responde o Frederico.

 

E num momento de magia, de toda e qualquer importância e... Ressabiamento, o Andrade atira com esta.

 

-Xiiiiii, epá para a Carrega Paletes? Eu sei que você vai para lá, mas aquilo é muito mau, eles são nossos clientes e não são nada bons pagadores. Xiiiiiiiii para onde você vai.

 

O resto da conversa pouco interessa, no entanto, penso que o Andrade ao invés de dar prioridade aos amigos no recrutamento, deveria ter em conta que NUNCA se diz mal de um cliente, sobretudo quando estamos perante dois clientes que talvez sejam dos que mais recrutam em Portugal (falta de nível, falta de profissionalismo ou falta de sentido de vendas?). Além disso, sendo que o Frederico trabalha e vai trabalhar na área das compras (como chefia), quer-me parecer que Mike & Recruitment vai ter um grande problema em voltar a ter a Carrega Paletes como cliente e, até com sorte, a actual organização do Frederico. Mas do Andrade existem mais histórias... Sobretudo no conluio que tem com um dos seus colegas de trabalho na contratação de uma rede de amigos que tem total prioridade, independentemente das habilitações e experiêcia, face a candidatos bem mais merecedores de uma oportunidade. Mas para isso estará lá o Frederico...

 

Boa sorte "Frederico" e obrigado pela permissão que me deste para partilhar esta história.

 

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Uma Real Instituição Portuguesa: O "Kleenex"!

por Robinson Kanes, em 10.07.17

 

IMG_20170508_131511.jpgFonte das Imagens: Própria

 

Kleenex é uma marca de lenços de papel e toalhitas refrescantes, no entanto, tal como o "Kispo" ou o "Pronto" ficou associada a uma prática ou a um produto.

 

Contudo, ao contrário dos anteriores, o "Kleenex" foi mais longe e passou a uma Real Instituição deste nosso Portugal. Se por um lado o avanço na tecnologia automóvel atirou o "Kleenex" para fora dos tabliers e das chapeleiras dos automóveis, por outro não permitiu que este desaparecesse do nosso território. E que saudades tenho eu de me assoar ou limpar a um "Kleenex" empoeirado e amarelado do sol.

 

Mas onde anda o "Kleenex"? Anda por todo o lado, não só nos Hotspots das necessidades de última hora de qualquer português mas também na beira de qualquer estrada nacional ou até nos locais onde a cópula dentro de automóveis é a atracção principal. Quem é que nunca, num qualquer passeio pelo campo ou pela praia, não deu de caras com um "Kleenex"? Ou pelo menos com o cheiro que exala de algum? Como é bom ver o nosso ambiente povoado por estes seres, é de facto um demonstração de cidadania ao mais alto nível.

 

O "Kleenex" surge, por norma, já usado e apresenta-se num jeito amarrotado! Por vezes apresenta uma mescla de cores que varia entre o acastanhado, o amarelado e até o negro (localidades onde os chocos com tinta grelhados são uma iguaria, preparem-se...). Os nossos espaços públicos estão cheios destes lenços e não difícil perceber o local onde podemos baixar as calças e defecar sem que isso tenha consequências de maior. Ou então perceber que estamos no local perfeito para estacionar o carro e proceder a um sem número de marotices dentro do automóvel. Sempre indaguei do romantismo do sexo dentro de um automóvel... Talvez porque não dê a importância devida a automóveis, não consiga experimentar a sensação mágica de fazer amor e ver as estrelas a brilhar num encatamento de anjos e pedais, de gemidos apaixonados de prazer e uma alavanca de travão de mão ou até de uma "árvore mágica". Honestamente, acredito que despersonaliza um pouco as coisas mas... Como existem portugueses que passam mais tempo dentro do automóvel a olhar para o mesmo e para a reacção dos demais do que propriamente com a família em convívio prefiro não esmioçar a questão...

 

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Neste sentido, quero fazer neste espaço a justa homenagem ao "Kleenex"! Não sendo nenhuma espécie em vias de extinção é facilmente observável e além disso, sempre que vislumbrarem um casal apeado ou de carro a sair por entre as árvores ou até aqueles indivíduos que saem detrás de uma moita a olhar para todo o lado e a tentar disfarçar um falso à vontade, não hesitem em pegar nos binóculos, pois o "Kleenex" estará lá com toda a certeza à espera da vossa selfie. Contudo, tenham cuidado, na onda de egocentrismo que por aí vai ainda vos pedem pelos direitos de autor pois ninguém tem um "Kleenex" usado mais perfeito que aquele indivíduo. Ainda vou ver debates nas redes sociais acerca de quem tem o melhor "Kleenex" usado! Até estou a ver os gabarolas divididos por modalidades: muco, fezes, sangue, esperma e outros fluidos identificáveis e homologados durante o acto sexual.

 

O lado positivo de tudo isto? Talvez, ao nível da evolução humana e tecnológica, estejamos mais perto de descobrir a função do caixote do lixo.

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As Férias de um Condenado….

por Robinson Kanes, em 05.07.17

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Andrea Mantegna - São Sebastião (Museu do Louvre)

Fonte da Imagem: Própria

 

Quem nunca reparou que na fauna lusitana, em certos territórios, sempre que alguém vai de férias é como se tivesse cometido um crime de lesa-pátria? Experimentem ir de férias fora dos meses de Julho e Agosto e preparem-se para sentirem na pele a dor e a ostracização laboral e agora social!

 

Independentemente da opinião que tenha do Primeiro Ministro de Portugal, esta abordagem não visa tecer juízos do mesmo, mas nomeadamente de uma situação em particular: as férias. Não vou também tecer comentários em relação ao timming em que as mesmas ocorreram mas sim à quase impossibilidade de muitos hoje tirarem férias sob pena de serem destruídos pelos colegas... Pelo menos até os colegas irem de férias... Será interessante perceber se, em Julho e Agosto, quando estivermos de papo para o ar a fritar e a tirar fotos aos pés com o mar em fundo( que é uma coisa sempre digna de ser ver) nos vamos lembrar que o Primeiro-Ministro vai estar a trabalhar...

 

Isto leva-me a muitas conversas que fui tendo com vários indivíduos, porque de facto, para muitos começa a tornar-se um pesadelo tirar férias! Para os outros, quando vamos de férias nunca é uma boa altura! Para alguns ir de férias é deixar o caminho aberto para que venha daí uma a duas semanas em que os colegas vão apontar as culpas de tudo o que possa correr mal ao ausente! Chegar das férias é outra tortura, pois temos que criar um processo defensivo de todos os ataques feitos naqueles dias. Confesso que nunca me deixei abalar por essa situação, no entanto, são cada vez mais os casos em que as pessoas se sentem culpadas por irem de férias!

 

Poderão existir várias explicações:

  • o nosso egoísmo e uma espécie de umbiguismo - "ai aquele malandro que foi de férias e agora tenho de levar com o trabalho dele" - no entanto, esquecemo-nos que também nós teremos de gozar férias e ao malandro calhará esse ónus.
  • a nossa herança de sermos "mulheres de soalheiro" - "aquele está sempre de férias, não faz nada todo o ano e nós ficamos aqui a trabalhar, mas deixa que eu digo-lhe, quando chegar que se amanhe".
  • a inveja - "olha agora, aquele vai de férias e eu aqui a trabalhar, não sei de onde é que vem o dinheiro".
  • maldade - "vai de férias e deixou tudo por fazer, deixa que quando o patrão souber. Olha diz ao X que ninguém sabe disso, liguem-lhe, está de férias que atenda".

Existem pessoas que entram em depressão por irem de férias! Honestamente, isso para mim de férias tem pouco. As férias fazem bem, ajudam-nos a desligar do trabalho de outras coisas que é necessário desligar! As férias promovem o convívio familiar, o tempo com amigos e além disso são (ou devem ser) uma fonte de bem estar e aprendizagem! A paragem faz falta e o retorno no bem-estar e na motivação é latente e consequentemente com impactes positivos no trabalho, sobretudo no trabalho em equipa... Em equipa...

 

E quem nunca foi de férias em Setembro e teve de ouvir o típico "outra vez", como se toda a gente fosse de férias em Julho e Agosto e aquele preguiçoso metesse mais uns dias em Setembro! Quem assim pensar, sugiro que procure um novo emprego, ou abra os olhos para o mundo. Tudo isto recorda-me aqueles indivíduos que não conseguem conceber que uma larga camada da população trabalha ao fim de semana e que o empregado de mesa (que lhes atura o mau feitio) ou o senhor do posto de combustível não estão ali por passatempo.

 

Bom trabalho, e se for caso disso, boas férias.

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Granada Ofensiva!

por Robinson Kanes, em 03.07.17

 

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Fonte da Imagem: https://www.defense.gov/Photos/Essay-View/CollectionID/13138/

 

Os lugares mais sombrios do inferno são reservados àqueles que se mantêm neutros em tempos de crise moral.

Dante Alghieri in “A Divina Comédia” (Inferno)

 

Dada a delicadeza do assunto e temendo que o mesmo fosse ofuscado por um outro assunto bem mais importante para os cidadãos portugueses, a flatulência, só hoje decidi falar do roubo de material militar de instalações militares de alta segurança.

 

Instalações militares de alta segurança presumem, hoje em dia, a existência de vários meios de segurança: segurança permanente, rondas, outros tipos de vigia apeada ou por intermédio de torres, sensores de calor, videovigilância, vedações (de preferência electrificadas) e outros meios bem mais complexos.

 

Ora... Posto isto, será que é crime o assalto a este tipo de instalações? Para mim, o verdadeiro crime é permitir que não exista segurança permanente! É também permitir que não exista qualquer tipo de videovigilância, sobretudo em vídeo, e permitir que meia-dúzia de larápios assaltem mais facilmente um paiol nacional do que uma mercearia em Vilar Formoso! 

 

Crime é um país como Portugal ter tantos oficiais superiores! Como diz o povo e bem "quanto mais gente a mandar mais desorganização"! Crime é termos Ministros da Defesa que, ou são formados em Jornalismo ou em Direito e com sorte até em Educação de Infância! A defesa é uma área demasiado sensível para estar entregue só a militares mas também é demasiado sensível para estar entregue a indivíduos cuja única experiência militar que tiveram foi a jogar Risco ou então, que os tempos são outros, a jogar Playstation! Estes factos e o alheamento da estrutura militar da vida dos cidadãos tem levado a uma descredibilização total das entidades militares que são encaradas como uma elite sem utilidade...

 

Crime é estarmos mais preocupados com a reputação do que propriamente com os cidadãos! Com alguma experiência em comunicação percebo o trabalho que tem de ser feito nesta área. Todavia, tenho mais experiência com pessoas e aí o meu outro lado diz-me que encomendar estudos de popularidade ao invés de nos focarmos na procura de factos e de apoio às populações é o mesmo que, depois de uma grave tragédia como a de Pedrogão Grande, rirmos todos nas caras daqueles que morreram e até fazer um concerto solidário como forma de camuflar a triste realidade de um povo que é reactivo (se isso permitir  ter os seus 15 minutos de fama) e pouco pro-activo! Penso que, por vezes, nos esquecemos da herança da República de Platão e não atendemos ao alerta deste quando nos disse que "uma natureza medíocre  jamais fará algo de grande, seja a um particular, seja a uma cidade", efectivamente, os resultados do descurar desse alerta estão à vista! Foi preciso a NATO alertar as nossas estruturas políticas, inclusive o principal responsável pelas Forças Armadas - o Presidente da República - para percebermos a diferença entre um assalto a uma caixa multibanco em Torres Vedras e um assalto a um paiol cujas consequências para a segurança nacional e internacional podem ser nefastas!

 

Enquanto governarmos para votos e para um clientelismo que não pára de crescer, bem podemos continuar a pensar que estamos na cauda da Europa! Cauda da Europa em termo de tacanhez e provincianismo, porque geograficamente estamos no centro do Mundo! 

 

Mas... Crime é não passar uma semana em que não exista um escândalo (e pensar que nem um terço é do conhecimento público)! São Ministros e Secretários de Estado que se vendem por um bilhete de futebol, ou é a gestão danosa de um banco público, ou são as falhas na protecção civil, ou é o assalto, perdão... Passeio... A um paiol de alta segurança, ou é a distribuição de favores e atribuição de cargos públicos a indivíduos sem competência e sem mérito, ou é o silenciamento e criação de autênticas ditaduras em câmaras municipais, ou é corrupção no INEM, ou é... Ou é... Ou é... E quando os resultados não aparecem e é mais importante um casamento de um presidente de um clube de futebol, ou a barriga de alguém que não deve ter muito que fazer ou até um estúpido discurso sobre flatuência que prevalecem... Pois permitam-me dizer que todos concordamos com isso e no fundo não somos diferentes de um qualquer corrupto ou de um qualquer criminoso que lesa a sua pátria!

 

Chegado ao fim deste texto só me recordo de um amigo, ofical subalterno, que um dia ousou perguntar a um oficial superior o porquê da vigiância dos monumentos nacionais estar entregue a empresas privadas de segurança e cujo desagrado foi tal por parte da alta patente que por pouco não foi assentar praça para as Selvagens!

 

 

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 Fonte da Imagem: Própria.

 

Como vê a malta do bairro, iletrada e sem visão, a vida pública e o status quo? Permitam-nos, mas temos de sair cedo de casa e chegar tarde para auferir os 557 euros que conseguimos naquele trabalho onde fomos escolhidos pelo nosso mérito, pelo que, perdoem-nos algumas falhas. Nós não temos voz porque preferimos ficar agarrados aos nossos valores e não pretendemos ser “boa onda”.

 

O Exame Nacional de português não vai ser repetido. Dizem que serão encontrados os culpados. Digamos que é o mesmo que colocar um vídeo com conteúdo sexual da Kim Kardashian na internet e ao fim de um mês procurar encontrar todos aqueles que fizeram o download! Ao fazer isto, o Ministério da Educação, sim... O Ministério da Educação está a dizer aos futuros trabalhadores e líderes deste país que tudo é permitido desde que não se seja descoberto ou que o aparato seja tanto que não justifique uma intervenção radical. Liderar pelo exemplo diz-se muito por aí... Diz-se...

A malta do bairro dá os parabéns por estarmos a ensinar aos nossos jovens que o crime compensa! Depois admirem-se de se candidatarem a um concurso público e o selecionado ser da família de Carlos César e nem ter passado pelas provas que vocês passaram.

 

O Governo (este e muitos outros) tem sido um grande defensor da protecção civil... Não! Tem sido um grande defensor do SIRESP. Adquirir um sistema ao dobro do preço do espanhol, altamente falível e envolver alguns amigos que trabalham pro bono (sempre pro bono, como se existissem almoços grátis...) é o que está a dar... E o Tribunal de Contas até discordou, mas afinal quem é o Tribunal de Contas neste país? Uma espécie de Presidente da República que fala pouco, mas quando fala toca realmente na ferida, a diferença é que ninguém o ouve - dizem que não é afectuoso na abordagem - além disso, o debate sobre quem teve culpa nos fogos passou a assentar no SIRESP... Enquanto for o SIRESP não se pensam nos verdadeiros culpados. Mais uma vez, compram-se umas antenas e diz-se que as coisas estão a funcionar bem e problema resolvido...

 

Ainda a propósito de amigos e festa, parabéns pela mediocridade de um povo que vibra mais com flatulência do que com situações realmente sérias. E como é bom vê-los pelas ruas, pelo digital, pela rádio e pela televisão a usarem um termo como se sentissem alemães de Lubeck que acabaram de chegar às Canárias! Não foi só o Direito, os Esgotos, a corrupção e a Fábrica da Louça de Sacavém que herdámos do tempo dos Romanos, também foi o “Pão e o Circo”. Desde que nos sejam impingidas certas figuras a toda a hora e se passe a imagem de que é cool, estamos no caminho certo para gozar com a nossa própria cara, mas sem darmos por isso... Numa coisa um certo indivíduo tinha razão quando por outras palavras disse isto: "meus grandes palermas, vocês comem tudo o que vos dão, desde que meia-dúzia de pseudo-celebridades e jornalistas a soldo digam que eu sou cool".

 

 A conversa e imagens estupidificantes sobre flatulência revelam a inteligência de muito boa gente. A malta do bairro é iletrada, deve ser por isso que não compreende este aparato... Perdoem-nos, não andámos nas melhores escolas nem tivemos a melhor educação para alcançar tal patamar de inteligência!

 

Finalmente... Sempre gostámos dos concertos solidários. Faz-se um espectáculo que ajuda sempre à imagem dos artistas e todos pagamos a factura dos estragos mas não exigimos que os responsáveis pelos estragos se sentem numa sala de audiências. É uma espécie de juntar o útil ao agradável, senão veja-se: vamos cantar e dançar a um preço simpático, colocamos umas fotos para mostrar que lá estivemos e, além de sermos muito solidários, mostramos que somos malta muito vanguardista.... Além disso, o donativo é uma espécie de penitência pela nossa cegueira colectiva face aos principais assuntos da nação. É como queimar uma vela em Fátima ou deixar uns trocos na caixa das esmolas e nem procurarmos saber para onde vai o dinheiro. A intenção está lá e é o que importa! Estou redimido!

 

Agora a malta do bairro vai trabalhar, esta noite houve uma rusga e ninguém dormiu, o “Beto Mãozinhas” voltou a roubar duas laranjas da mercearia do “Inácio” e arrisca-se a ser condenado a uns bons anos na prisão. Bem lhe disse a mãe um dia: “vai à escola, não estudes muito, escolhe os amigos certos e depois aprende a estar na sociedade”. Soubesse o Beto quão sábias tinham sido aquelas palavras e nada disto teria acontecido... E logo o “Beto”, que não é capaz de dizer um palavrão sobre flatulência e sentir-se importante com isso... Coisa pouco inteligente...

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