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Programas de Televisão, Tragédias e o Presidente!

por Robinson Kanes, em 22.01.18

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 Fonte da Imagem: https://www.reddit.com/r/startrek/comments/1cry2q/finally_an_hd_picard_facepalm_image_from_the_tng/

 

 

Pois é... Chego sempre atrasado a tudo, e aqui só me posso basear no que fui ouvindo aqui e acolá e durante escassas olhadelas para os monitores do ginásio.

 

Marcelo Rebelo de Sousa não deve estar nada contente com a SIC, depois da tragédia de um certo Sábado em Tondela, onde mais uma vez, o mais importante não foram a tragédia nem as vítimas, mas sim o Presidente da República - os momentos de glória de Marcelo junto dos media sofreram um revés. Marcelo a acordar para ir a Tondela... Marcelo a tomar o pequeno-almoço antes de ir a Tondela... Marcelo decerto já sabe o que provocou o incêndio em Tondela... Marcelo a abastecer o carro da presidência na área de serviço de Aveiras... Marcelo dentro do carro presidencial a sorrir... Marcelo dentro do carro presidencial a escabichar os dentes, depois de ter comido um pão com carne assada, e enquanto pensa nas vítimas de Tondela. Marcelo no WC a aproveitar para ler mesmo quando se desloca a cenários de catástrofe... Tinhamos tema para uma semana, no entanto...

 

Quando este, no seu lado de "pseudo-papi da nação" já julgava ser tema para mais umas semanas a explorar uma tragédia, eis que a SIC decide lançar um programa importado dos Estados Unidos e que nos remete uma coisa para a qual os portugueses não perdoam: os filhos! Quantos não conhecemos que são capazes de dizimar a população inteira do planeta só para que o filho realize o desejo de ir à Eurodisney? Ou então, quantos não conhecemos que são capazes de manter um prédio anos a fio em guerra só para que o filho grite, corra e seja mal educado? Quantos não conhecemos que utilizam os filhos, com o discurso do "ai são as crianças" para camuflarem outras vontades mais egoístas?

 

A grande revolta dos portugueses a seguir à interrupção do jogo entre o Estoril e o Futebol Clube do Porto e às guerras futebolísticas, focou-se agora num programa de televisão, altamente montado para as audiências e com muito que se lhe diga em termos de fidedignidade. Incêndios? Quedas de árvores que matam às dúzias? Corrupção? Financiamento dos partidos? Tancos? Mais corrupção? Reformas estruturais da administração pública? Não! Um programa de televisão! Voltando a Marcelo, começo a chegar à conclusão que, a televisão que o criou um presidente é a mesma que ainda vai apagar um presidente - ainda vamos ver um concorrente de algum reality show chegar a presidente... Não é difícil, basta achar que tem opinião de tudo, não se comprometer com nada, dizer que lê muito e que aos Domingos até vai à Igreja.

 

Com tantos maus-tratos a crianças, com tantos crimes de sangue contra crianças, contra tantas crianças com fome, com tantos pais que não hesitam em destruir e desrepeitar quem os rodeia e tanto silêncio nesta matéria, acabo por estranhar como é que de repente a ira nacional se voltou para estas bandas... 

 

Soubesse o que sabe hoje, aquando dos incêndios, por certo António Costa tinha tratado de garantir que ainda teríamos um programa cuja temática seria a educação de árbitros e presidentes de clubes futebol em termos de português e economia paralela - era sucesso garantido e ninguém tinha falado no caos que se abateu em Portugal.

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IMG_7160.jpgExemplares de "Talas", o registo administrativo e buriocrático da aldeia (um pequeno e simpres resumo do que eram, encontra-se aqui) - Museu Nacional de Etnologia.

Fonte da Imagem: Própria

 

 

Rio de Onor foi outrora uma aldeia transmontana que, pela sua sociedade comunal, apaixonou um sem número de investigadores, nomeadamente, com o intuito de perceber e contribuir para o esclarecimento do seu modelo de organização comunitária (4) e do conceito de closed corporate community (Wolf, 1955). Estes conceitos e estudos encaixaram em comunidades de montanha, com um enorme património colectivo, na altura somente tendo como base a agricultura e o pastoreio e os seus respectivos constrangimentos, nomeadamente a organização do território (5) , as culturas, a assembleia de vizinhos (órgão de gestão e controlo), os direitos e obrigações e homogeneidade ocupacional, promovendo uma democracia participativa e igualitária assente no isolamento e no arcaísmo, aliás, conceitos muitos explorados pelos estudiosos deste tipo de comunidades, não só na Península Ibérica, mas também por toda a Europa.

 

Deste modo, Rio de Onor formava duas comunidades semelhantes entre si, e cada uma bastante homogénea. A Portuguesa com raízes mais intactas e a espanhola mais “modernizada” também por culpa das convulsões políticas em Espanha (Dias, 1953: 79).

 

Tendo em conta o lado português, a organização comunitária era assente em famílias  sendo o conjunto das diversas famílias, os vizinhos. A família tinha como base estrutural a casa - terá sido do conceito de domesticidade que se terá chegado à organização de vizinhos, ou seja, a casa abriu e deu lugar a uma lógica de reciprocidade. No entanto, e tendo em conta o conceito de família e casa, encontramos aqui uma situação que agradaria aos clássicos da Economia, sobretudo para Mill e Malthus: em Rio de Onor os casamentos eram tardios de modo a evitar famílias numerosas cujo apetite seria superior à capacidade de produção das agricola e pecuária (idem) (6). Esta situação, contudo, viria a ser invertida com o progresso  técnico que permitiu um melhor aproveitamento das terras. Todavia, nem todas as “novas” famílias poderiam participar no conselho, embora com margem para serem ajudadas por este. Não participando na definição dos destinos da terra, estas famílias quase com toda a certeza ficariam em situações de grande dependência, para além da simples marginalização que foi defendida por muitos autores.

 

Um outro pilar da organização era o conselho, ou seja, a organização de todos os participantes na propriedade colectiva integral: “até princípios do séc. XX, o conselho era a organização social que permitia a todos os habitantes comunitários de Rio de Onor fazer face aos múltiplos problemas da sua economia de povos [criadores de gado]” (Dias, 1953: 81). A propriedade colectiva era de todos, no entanto, foi alvo de uma organização rígida com regras e leis, direitos e deveres, onde não foram esquecidas as medidas coercivas através de um sistema de penas.

 

Estamos aqui perante uma alternativa política de democracia participativa. O conselho tinha também intervenção na propriedade privada, aliás muitos dos trabalhos nestas propriedades também estavam sujeitos à regulamentação do conselho. A propriedade colectiva encontrava-se dividida em terras de pastagem (monte); terras de sementeira (rocadas) e os coutos (lameiros e prados de erva).

 

Uma nota, somente para um exemplo de coesão social e solidariedade, que era o facto dos coutos, apesar de se encontrarem matricialmente em nome de alguns vizinhos cujos encargos eram por estes suportados, estavam à mercê da comunidade/conselho (7). O conselho era liderado com base num diuunvirato anual, não existindo eleições, que foram substituídas por um sistema de rotação cíclica (8). Existe ainda uma espécie de solidariedade entre mordomos, pois a cada  mudança de mandato, os mordomos antigos passavam as talas (9) aos novos detentores do cargo, procurando resolver no dia da passagem do testemunho, todos os assuntos pendentes, para que os novos pudessem começar o novo ano livre de encargos (10).

 

Continua...

 

_________________________________________________ 

(4) Um dos maiores exemplos foi a monografia de Jorge Dias, que em 1948 já havia feito o mesmo para a aldeia de Vilarinho da Furna.
(5) Daqui sobressai o conceito de open field (Hoffman, 1975) e a sua origem medieval assente ainda numa espécie de sociedade feudal.

(6) Esta questão era tão levada a sério que os filhos mais novos não casavam de modo a garantir o controlo da natalidade familiar, o que em muitos casos levava a que três gerações partilhassem a mesma casa (extended family) (Dias, 1953). Jorge Dias dá-nos também um exemplo em que a economia familiar foi garantida após uma sucessão de mortes repentinas, que levaram a que somente ficassem dois irmãos. Estes de modo a garantirem uma linhagem e aqui Dias não aborda, mas também uma economia familiar e comunal sustentável, acordaram que somente um se casaria, garantido essa mesma estabilidade económica. Um deles casou e viveram todos no mesmo lar, pois era necessário ter uma mulher em casa. Mais tarde com a saída de muitos jovens, nomeadamente para o serviço militar esta situação foi sendo menos frequente.

(7) Dias, reforçando a questão da coesão aqui descrita, alertava já em 1953, que mediante o facto dos proprietários dos coutos exigirem os seus direitos sobre os mesmos, a organização sucumbiria.

(8) Nesta prática, todos os vizinhos eram obrigados a desempenhar o cargo de mordomo. A alteração deu-se segundo Dias, pelo facto de anteriormente existirem reclamações de alguns dos vizinhos que contestavam outros que eram eleitos várias vezes, em detrimento de outros que não eram nunca.

(9) Varas de madeira, onde se gravavam (de acordo com os fins a que se destinavam) a navalha, secções de intervalos iguais, correspondendo cada uma à casa de um vizinho. Cada tala correspondia a diferentes assuntos, nomeadamente rebanhos; fenos; eleições; multas; etc.

(10) A título de curiosidade, as multas eram pagas em vinho, pelo que antes de cada sessão do conselho se perguntava quem queria vinho. Em caso de resposta afirmativa, eram consultadas as talas dos devedores que deveriam pagar a sua dívida.

 

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Uma Estranha Forma de Contemplar o Pénis...

por Robinson Kanes, em 15.01.18

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O Escravo Moribundo, Michelangelo di Lodovico Buonarroti Simoni - Victoria & Albert Museum 

Fonte da Imagem: Própria.

 

 

Pois é...

 

Depois de muitos anos de desporto outdoor, decidi que o ginásio poderia ser um bom complemento ao mesmo e até, quiçá, me poderia permitir poupar algum tempo. Devo admitir, que uma das coisas boas é essa, e à noite ou pela manhã, sair de banho tomado depois de uma hora de exercício físico é algo que me tem ajudado - menos blog, mais ginásio. Eu sei, e já o disse que vocês são importantes, mas o tempo não dá para tudo e viver mais fora do digital (sobretudo a nível pessoal, pois a nível profissional até me atrai) é uma das minhas prioridades.

 

Nunca tinha frequentado um ginásio, sou um homem saudável e sempre achei que estar fechado numa gaiola a fazer desporto não era para mim. Também já tinha ouvido todas as histórias possíveis de ir ao ginásio - sexo nos balneários entre eles e elas e eles e eles e elas e elas e eles todos com elas todas e elas com eles todos e eles com elas todas... E os habituais indivíduos que soltam roncos que ecoam por todo o ginásio, ou simplesmente, aqueles que adoram mostrar a musculatura e trocar olhares com as senhoras enquanto tentam passar a ideia de que cavalheirismo é um homem suado, de fato-treino ou calções por cima de leggings e com corpo de armário a levantar meia dúzia de ferros só porque sim. Só falta esperar pelas senhoras à saída e piscar-lhes o olho enquanto ajeitam o boné à "50 Cent" e mostram as suas sapatilhas altamente coloridas (e foleiras) que davam para alimentar uma família em África durante 5 anos. 

 

Mas a este tema voltarei mais tarde, ainda ando a sondar comportamentos...

 

Admito que me custa falar disto, mas... Estava eu, no ginásio que frequento, a vir da área dos duches quando entro na zona dos cacifos e vejo um indivíduo a tirar os boxers. Até aí nada de novo, eu também fiz o mesmo e todos o fazem... No entanto, quando me sento, vejo o indivíduo a contemplar o seu pénis enquanto mexe no smartphone. Até aí...

 

O problema é quando começa a acariciar o pénis (sem largar o smartphone - e sim, é possível) e o vejo a olhar para mim. Admito que virei costas e voltei à minha vida, ainda pensei que pudesse pensar que eu era palerma porque levo um cabide na mala para pendurar a roupa e assim não a vincar... Sim, eu sei, mas enfim...

 

Todavia, a saga continuou ( e não, não fiquei a contemplar o indivíduo a mexer no pénis) com movimentos a tornarem-se mais... Intensos? Isto sempre acompanhado de um sorriso de quem contemplava aquele espectáculo e dizia "ah maravilha! Olha-me para isto!". Durou cerca de 5 minutos até ao momento em que calcei as botas e vi o indivíduo a dirigir-se para a zona dos duches enquanto parecia trotar e ao mesmo tempo contemplar o seu pénis já erecto a abanar-se qual macho feliz por caminhar entre outros machos, orgulhoso da sua virilidade, em direcção ao duche.

 

Devo admitir que não sei se é normal, mas que existem formas interessantes de praticar o culto do corpo, existem!

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Autor: Anónimo. 

Fonte da Imagem: Própria.

Já muito se havia falado, aquando dos incêndios, que o Estado havia falhado e que não poderia garantir um dos seus pilares fundamentais: a defesa do seu território e dos seus habitantes. No entanto, ainda podíamos falar de Estado.

 

Por estes dias, os portugueses descobriram que afinal o Estado não existe, perceberam que são meros animais de quinta governados por porcos. As leis de financiamento dos partidos, que já não são uma questão nova (não são, nada disto é novo), continuam a ser actualizadas e a não ser esquecidas numa gaveta, ao contrário do que acontece com temas que envolvem a defesa, a segurança, a saúde e um outro sem número de interesses bem mais importantes para um Estado Democrático.

 

Muitas vezes, recordo alguém que abandonou a vida de deputado e disse que se os portugueses soubessem o que se fazia naqueles corredores e naquele hemiciclo, subiam as escadarias e incendiavam aquele espaço com os respectivos frequentadores habituais lá dentro.

 

As várias leis de financiamento e "encobrimento" das actividades partidárias têm sido um dos maiores crimes que são cometidos em Portugal. O legislar à porta fechada - muito democrático - o retirar conteúdos de actas - muito democrático também - é uma das provas cabais da falta de transparência destes processos. Neste aspecto toda a representação parlamentar é criminosa e espanta-me que os auto-intitulados partidos do povo e das minorias como o Partido Comunista e o Bloco de Esquerda sejam sempre os primeiros a consentir e a legitimar estas mesmas leis. Será que o povo para estes partidos são aqueles que têm cartões de militante? Discutir esta situação seria desvendar um dos maiores embustes da actividade partidária nacional... Outro embuste é discordar de uma lei mas votar a favor, sobretudo quando nos beneficia: Catarina Martins, só assinou aquilo que toda a gente sabe mas ainda ninguém do Bloco de Esquerda tinha sido claro a afirmar:o Bloco de Esquerda não é uma alternativa a nada, bem pelo contrário!

 

Os partidos, os deputados e muitos governantes, mostraram aos portugueses que o Estado Democrático não existe e que no fundo, dar liberdade para se falar é indiferente quando aqueles que defendem a transparência e as instituições democráticas não são ouvidos... A diferença entre não ser ouvido ou ser poribido de falar é ténue... Aliás, a primeira é mais eficiente, pois quando somos proibidos de falar, tendemos a quebrar a regra ou a fugir para terras mais seguras e aí continuar a fazer ouvir a nossa voz... Já quando podemos exercer a nossa liberdade de expressão mas ninguém nos ouve é mais fácil silenciar um povo e a contestação. 

 

Portugal substituiu uma ditadura por outra e com o consentimento de todos os cidadãos! Nesse aspecto, foi um golpe de mestre, pois se antes tinhamos cidadãos oprimidos e cuja repressão aumentava o desejo de revolta, hoje temos cidadãos que tranquilmente seguem na dança da morte quais figuras da "Danse Macabre" que decoram a igreja de Saint Orien em Meslay-le-Grenet, França. Um pequeno apontamento: de facto o 25 de Abril nem foi feito pelo povo mas sim por militares do quadro que, perante a escassez de milicianos, não quiseram colocar os pés em África e entregar-se a uma possível morte.

 

Portugal é o país onde alguém que à frente de uma instituição de solidariedade é destruído na praça pública, mas que protela a resolução dos problemas estruturais ao mais alto nível da governação e que aplaude a compra de 10% dos activos de um banco por parte da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa num negócio pouco claro e cujo poder político teima em não abordar. É o mesmo país que censura as finanças em Espanha por quererem prender um jogador de futebol português - pensando que anda por terras lusas e ainda goza com a autoridade - porque fugiu aos seus deveres como cidadão. É um país que se ergue e não descansa enquanto não vê o sangue de alguém que escreveu meia dúzia de alarvidades num acórdão mas não critica a sentença em si, a consequência do processo! Todavia, é um povo que aceita a corrupção numa governação que, apesar do que tira, distribuiu pequenas migalhas e procura estar em tudo qual Estado paternalista. 

 

É o país que consente que o cartão partidário se alimente do seu suor e do seu esforço.

 

Em Portugal, 2017, deveria ter sido um ano de mudança, não só pelos escândalos e por todas as tragédias que tiveram lugar, no entanto, temo que 2017 venha a ser o ano em que Portugal chegou à conclusão que o Estado Democrático não existe e que já não é o país que não se governa e não se deixa governar, mas sim o país de casca polida mas podre por dentro que aguarda com rasgado sorriso pelo colapso. Por norma, nestes países de gingões cujo labreguismo é disfarçado pelo show-off, a longo-prazo, estas coisas pagam-se caro...

 

Espero que 2018, finalmente, traga cidadãos... É o que mais falta faz... Feliz Ano Novo...

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Paisagens de 2017 - Os Sobreviventes

por Robinson Kanes, em 28.12.17

 

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Fonte das Imagens: Própria. 

 

Na zona Centro do país, antes das visitas e dos populismos políticos, foi o inferno que reinou. Este inferno, consumiu, entre outros animais, as crias (deste ano) de muitas aves de presa. Ficou comprometida a reprodução de 2017 e, devido à falta de habitat, muito provavelmente a reprodução dos anos vindouros... Chamei-lhes os sobreviventes... As aves de presa que ficaram e que continuam a transformar os céus num dos mais belos espéctáculos do mundo!

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A nossa paixão pelas aves de presa fez-nos percorrer, com alguma angústia, alguns dos santuários afectados pelos grandes incêndios de 2017. O cenário foi desolador, todavia, apesar da tragédia causada pelos humanos e até pela própria natureza, estas aves continuam a sobrevoar os céus ignorando a nossa presença, procurando alimento enquanto nos proporcionam um espectáculo singular.

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Porque a protecção da natureza continua a não dar votos, resta-nos esperar que perante a nossa inacção, estas senhoras dos céus continuem bravamente a garantir a sua sobrevivência. Por aqui, no que depender de nós, lá estaremos para as ajudar nessa dura caminhada.

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Continuação de Boas Festas...

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Sobre o "Slow Blogging"...

por Robinson Kanes, em 26.12.17

 

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Uma velha senhora lendo, Rembrandt Harmenszoon van Rijn - Rijksmuseum

Fonte: própria.

 

 

O Slow Blogging é uma espécie de prática, não lhe vou chamar tendência e muito menos movimento, inspirada no "movimento" slow food (com tantos "especialistas" em culinária e gastronomia por aqui, não percebo o facto de não existirem blogs em Portugal que abordem a temática...).

 

No fundo, e de uma forma simples e genérica, o que o movimento slow food (comida leve, comida lenta, comida... realmente comida) diz é que a fast food é nociva para as tradições locais e para os hábitos de consumo alimentares.

 

Acredito que é fácil de perceber, depois desta pequena abordagem, o porquê da analogia com o conceito de slow blogging. Um outro aspecto que pode ajudar a esta discussão é o "Slow Blog Manifesto" que encontrei mencionado num artigo do "New York Times" e que apontava esta prática como uma rejeicção do imediato, do "já". Segundo o autor, Todd Sieling, é uma espécie de "afirmação de que nem todas as coisas que merecem a nossa leitura são escritas de forma rápida e instantânea" e claro, muito menos por questões de tráfego. Não estamos a falar de uma pessoa que vive na sua caverna nos Himalaias, estamos a falar de um consultor na área das tecnologias da informação. 

 

De facto, é possível viver no mundo dos blogs sem querer atrair mais e mais seguidores ou transformar o blog numa espécie de prolongamento do "facebook". A propósito deste tema, uma frase de Barbara Ganley, do blog "(the new) bgblogging" resume bem a questão: "Blog to reflect, Tweet to connect.” Blogar para reflectir, tweetar para ligar". Além disso, de forma genuína, ninguém consegue alimentar um blog com "mil" artigos diários...

 

Estando a par destas novidades, até porque foi um artigo da m-M que me alertou para estas questões, procurei e vou procurando saber mais e encontrei um outro espaço o Dine & Dish onde a Kristen mencionava uma questão interessante e com a qual me identifiquei de imediato: Kristen diz que está interessada sobretudo nas relações, nos leitores que lhe enviam emails, que deixam comentários e acima de tudo partilham também um pouco de si.

 

Finalmente, e também aqui partilho da mesma opinião, Kristen acaba por mencionar que pode não ter milhões de visualizações, mas conseguiu construir um sem número de relações que são bem mais importantes. Penso que está aqui um dos segredos.

 

Espero que o espírito do Natal por aí ainda perdure...

 

 

 

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Feliz Natal...

por Robinson Kanes, em 22.12.17

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 Fonte da Imagem: Própria

 

"O Natal parece-me ser um tempo festivo necessário; precisamos de uma época em que possamos lamentar as falhas das nossas relações humanas: é a festa do fracasso, triste mas consoladora.

Graham Greene, in "Viagens com a Minha Tia"

 

 

Eis que está para breve o grande dia... 

 

Fui criado em ambiente católico, com todas as tradições e... No final, acabei a acreditar em cada pessoa, em cada animal, em cada pedra, em cada árvore... Em suma, em cada átomo. Contudo, existem momentos que são celebrados com intensidade, e o Natal é um deles. Esta ano, por vários motivos, o Natal será celebrado mesmo no Natal... Sim, de facto devo ser o único português com capacidade de se auto-sustentar que ainda não comprou uma única prenda, não fez a árvore de Natal e nem sequer pensou em nada relacionado com o Natal - Que tristeza, que indivíduo cinzento -  de facto, nunca me senti tão infeliz... Ou não. Sim, hoje será o dia de fazer a árvore, mais logo.

 

Temo, contudo, que nos dias 24 e 25 até venha a viver o Natal com mais intensidade. Temo que a histeria colectiva que se inicia em finais de Outubro leve as pessoas a chegarem cansadas a esta época e a encararem o 26 como um "já foi", venha o Ano Novo... Sim, depois entrarão no 2 em depressão colectiva até uma próxima celebração ou um feriado com ponte. De que valeu todo o empenho e stress que passou?

 

Por aqui, ficaremos ausentes, quiçá, até ao dia 26. Também este espaço fará a sua paragem e aproveitará para se reformular. Não vamos mudar o layout nem ter redes sociais para atrair mais seguidores, vamos continuar a apostar naquilo que tem feito a diferença: o conteúdo.

 

Ter um blog não comercial leva a que o empenho tenha de ser maior, leva a que a relação com todos os visitantes seja sempre o fundamental e, acima de tudo, que as discussões sejam bem pensadas e acima de tudo bem estruturadas e com um certo grau de avaliação. Obriga a uma relação especial com cada um de vós que não passe apenas pelo "obrigado" ou pelo "sim, claro, abraço". Obriga a que esteja com todos e que acompanhe também muitos dos que me acompanham, não por uma questão de "pagamento de visitas e comentários", mas sim por uma questão de querer mesmo seguir e explorar. Já tenho perdido seguidores, em alguns casos, por não corresponder com comentários em troca, mas prefiro essa honestidade a somente debitar meia dúzia de palavras retiradas da fornada que vai abastecer todos os outros espaços. Além disso, tenho de admitir que não sou obrigado a gostar dos blogs de todos os que me seguem - falei nestes últimos pontos, sobretudo numa lógica de quem também tem o seu espaço.

 

Não faz sentido falar de uma relação de reciprocidade e de acompanhamento mútuo se acabo apenas a centrar a questão no meu espaço. Gosto de ler muitos outros espaços, ler com calma, trocar e debater ideias com todo o entusiasmo. Além disso, tenho de admitir que há vida para além do blog, e tem de haver, e aqui perdoem-me... Mas tem de merecer uma maior alocação de tempo.

 

Deste modo, e por respeito aos que me vão aturando com muita paciência, acredito que o devo fazer... Por isso, talvez esteja a cair aqui uma certa tendência de "slow blogging", com menos artigos, mas com mais conteúdo. Um blog com mais estrutura, mais estudo dos temas abordados, mais trabalho por parte do próprio responsável por este estabelecimento. Isto não é trabalho, não tem de ser cansativo para ninguém e, acima de tudo, deve primar por um sem número de valores que já perceberam que são inerentes a este espaço. Menos é mais, sempre ouvi dizer, e o facto de não andarmos sedentos de protagonismo e reconhecimento, talvez seja um bom incentivo para desacelerar. E honestamente, acredito, pelo menos num blog não comercial, que não é necessário perder a cabeça nem criar conteúdos só para reter "clientes".

 

"Slow blogging", talvez venha a ser o próximo artigo, já depois do Natal. Sim, não vamos falar como foi o Natal e o que recebemos ou então falar do novo ano logo a 25 como se esta época fosse uma espécie de plano de trabalho por etapas. Em trabalho faz todo o sentido, na nossa vida pessoal, nunca! 

 

Desejo a todos um Feliz Natal, sobretudo genuíno e com todas as coisas boas que o ser-humano deve/deveria transportar... Independentemente da religião ou de qualquer outra convicção. O Natal não tem de ter um presépio, uma história bem encenada e uma árvore de Natal para ser um momento singular! Sejam vocês o Natal!

 

Feliz Natal,

 

 

 

 

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Mas Ela não Queria Atravessar...

por Robinson Kanes, em 13.12.17

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(Editado a partir do original publicado a 07 de Novembro de 2016 e que me veio à memória após alguns comentários no artigo de ontem e depois de mais um caso em que a "solidariedade" se mistura com a "voracidade"). 

 

Num destes dias, em mais uma reunião de executivos na Taberna dos Cabrões (ela existe mesmo e fica no Montijo) dei comigo a discutir uma matéria interessante ligada ao personal branding.

 

Não fui o palestrante (quem me dera colocar aqui uma foto em cima do balcão com um headset e um led screen por detrás com a minha imagem e umas garrafas de vinho tinto ribatejano vazias) até porque naquele contexto não tinha curriculum para tal e já vão perceber porquê.

 

À mesa, algumas personagens que decidem os destinos de algumas vidas num raio de 50 metros da dita Taberna: o Sr. António (reformado da indústria transformadora), o Sr. Fernando (idem), o David (o anfitrião e um Chief Happiness Officer nato), o Sr. Lucas (comunista convicto), o Sr. Lima (agricultor) e o Zé dos Canivetes (ninguém sabe muito bem o que ele faz, mas consta que se dedica a uns trabalhos de construção civil), o Sr. Matos (um antigo funcionário das finanças), o Sr. Vasco (trabalhador numa herdade ribatejana) e o Sr. Zé (forcado). Denotem que nenhum deles gosta que os trate por “Senhor”.

 

Na verdade, todos eles, inclusive eu, temos inquietações sobre a arte do personal branding. No entanto, a temática foi mais longe e nisto o Sr. Fernando começa a explanar sobre a “mania das importâncias” e os impactes nessa prática. Chegados à conclusão que naquela cidade ribatejana não faltavam exemplos, a tertúlia chegou às redes sociais e... imagine-se ao LinkedIn!

 

Só eu tinha LinkedIn, aliás não estranho, sendo aquele grupo tão especial, só veio mostrar mais uma vez que as pessoas que mais admiro e que mais se pautam pela competência e capacidade de trabalho não têm LinkedIn.

 

Posto que as conversas são como as cerejas, chegámos à “solidariedade”, tão em voga nas redes sociais. É bom ser “solidário” e além disso esse rótulo ajuda a desbloquear alguns entraves no mercado de trabalho e até nas influências, não sejamos ingénuos.

 

Recordo-me agora das várias partilhas a que tenho assistido nesta rede com actos de perfeita “solidariedade”: é aquele sem-abrigo que convidamos para almoçar, aquele indivíduo bagageiro com ar de pobrezinho ao qual pagamos um bilhete de avião como gorjeta de hotel para ir visitar a família ou então, uma fotografia junto de umas crianças sorridentes que não fazem a mínima ideia do que estão ali a fazer. Parece-me bem e louvável, mas não há tip sem selfie, senão depois como é que eu me promovo nas redes sociais?

 

Até que ponto muitas destas histórias são realidade? Ou sendo, até que ponto são forçadas? Não há limites para o personal branding? É um reflexo do nosso tempo, aliás é por isso que em breve vou iniciar um curso na área da antropologia que procura explicar o porquê da necessidade de fazer posts. De tudo o que leio e já tive oportunidade de observar e estudar, penso já ter algumas respostas.

 

Todavia, dirão os mais críticos: “ouça lá Robinson, se não falar disso, ninguém irá saber, certo?”. Errado talvez, na medida em que nem sempre o apoio/ajuda/intervenção junto de outrem justifica uma imediata “mediatização” da minha pessoa. Alguns dos actos mais nobres que já vi serem realizados não tiveram publicidade e se no fundo queremos mudar o mundo, já deveríamos ficar contentes com o sorriso que daí pode advir. Aliás, o Marketing Social também aí tem uma palavra a dizer em relação a tais limites.

 

Não estaremos a cair no erro daquela história popular em que, a uma turma do ensino primário, é solicitado que façam uma boa acção e aquando da avaliação, três dos alunos dizem ter ajudado a mesma “velhinha” a atravessar a rua. Perante o espanto da professora (três pessoas!) estes respondem que a dita senhora não queria atravessar, daí tal necessidade de reforços. Há quem vá mais longe e com a publicidade do acto crie uma associação que apoia velhinhas que desejam atravessar a rua, garantindo assim, que no futuro todas as refeições serão à base de ostras e camarão. Até haverá espaço para os "herdeiros da parada" iniciarem o seu percurso profissional a "ajudar" os outros.

 

Confesso que penso nisso de um modo que visa a ideia em como corremos o risco, até nestas áreas mais sensíveis de criar um efeito perverso e camuflado de intenção e denote-se que não critico o meio mas sim o fim. É cada vez mais ténue a linha que separa o egoísmo da reciprocidade e da benevolência e isso pode ser perigoso. O mesmo seria extensível a outras áreas, inclusive os recursos humanos, que a meu ver nunca tiveram um lote de candidatos tão solidários, competentes e capazes como hoje... ou um lote tão vasto de profissionais de marketing pessoal e outro talvez ainda mais vasto de propagandistas.

 

“Mas há gente boa”, dirão uma vez mais aqueles cépticos. Claro que há! E ainda bem! Por exemplo o Sr. Fernando que, praticamente sem reforma, todos os dias alimenta o cão abandonado que lhe apareceu à porta, ou o Zé dos Canivetes que teve vergonha de dizer que gastou 30 euros numa campanha do Banco Alimentar (podia ter escolhido melhor, eu sei) ou finalmente do David, que além de oferecer requintadas “ginjinhas” aos visitantes, oferece tamanha boa disposição que transforma um momento de tristeza num fim de tarde de riso e boa disposição (e a culpa não é da ginja).

 

Algumas curiosidades:

Personal Branding: espécie de "eu é que sou bom" ou "olhem para o que eu digo que faço e coloco nas redes sociais, mas não falem com quem trabalha comigo,  a não ser que seja um amigo";

Chief Happiness Officer: uma moda para mostrar que somos muito amigos das pessoas, nada mais;

Tip: gorgeta, mas reparem lá se tip não é muito mais in?

Post: hoje ninguém escreve "comentário", é só por isso.

Selfie: sou eu, estão a ver que sou eu? Sou mesmo eu! Eu estive lá...O que é que lá fiz? Não sei, mas estive lá, vejam!

 

 

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Beber um Copo no Hospital!

por Robinson Kanes, em 09.12.17

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 O Violinista Feliz, Gerad van Honthorst - Rijksmuseum

Fonte: própria.

 

Quando estamos com amigos, uma das poucas coisas que nos passa pela cabeça é ir tomar um copo ao hospital. No entanto, em França pode ser uma realidade.

 

Um dos exemplos mais falados foi o "Bar à Vin" criado num dos hospitais do Centro Hospitalar de Clermont-Ferrand, nomeadamente, numa das infraestruturas destinadas a cuidados paliativos e geriátricos. Segundo os responsáveis, esta iniciativa, destinada a doentes, amigos e familiares, visa atenuar os efeitos dos tratamentos paliativos que podem durar semanas ou meses. Sendo a vida, o foco principal destes profissionais, nada como garantir que a mesma, mesmo nestes momentos mais difíceis é aproveitada. É ir mais longe na medicina e trazer variáveis como as emoções e garantir um nível de satisfação e bem-estar a quem já pouco espera da vida... Além disso, paliativos não é sinónimo de "vegetal".

 

Mais do que discutir se o vinho faz bem ou mal à saúde é, com a correcta supervisão, promover qualidade de vida àqueles que se encontram numa situação em que já não podem esperar muito da mesma. É promover também o bem-estar, o diálogo - beber é um acto social - e acima de tudo ir mais longe e não cair no erro de continuar a limitar o acesso a coisas que no fundo, já não mudarão o infeliz diagnóstico de todos aqueles que aí se encontram. 

 

Sobre esta temática, deixo-vos uma entrevista de Catherine Le Grand-Sébille ao "Libération"  e onde a investigadora e autora do estudo "Fins de vie" desmistifica algumas questões que ainda se podem colocar acerca do consumo de álcool em ambiente hospitalar.

 

A presença do "vinho" nos hospitais não é nova, aliás, chegaram a ser uma espécie de remédio para o bem-estar dos pacientes durante séculos. Até em Portugal o vinho do Porto tem várias histórias associadas aos benefícios deste para a cura de algumas doenças, inclusive da peste, mas isto são, sobretudo, histórias que foram sendo contadas e com difícil constatação cientifica. Todavia, não é incomum encontrar histórias, relatos e testemunhos de hospitais que produziam vinho e também o consumiam internamente, sobretudo em França.

 

Por cá continuamos a falar de paliativos, com os especialistas do costume... A falar... A falar... Mas estes continuam a ser uma espécie de ante-câmara da morte, muitas vezes, com pior aspecto que a própria morte... Afinal, os últimos dias de um paciente não têm de ser um autêntico martírio só porque preferimos fazer outsourcing do nosso sofrimento e fechá-lo também num quarto deprimente...

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 Fonte: http://www.brostrick.com/celebrity-news/movies-reviews/best-goodfellas-quotes-and-gifs/

 

Andava-se pelo apogeu do Programa de Estágios Profissionais na Admnistração Local (PEPAL), tinha acabado o curso e havia passado por um estágio não remunerado numa instituição pública. Entre outros empregos lá me candidatei a alguns estágios PEPAL. Estes estágios eram sobretudo em Câmaras Municipais, como o próprio nome indica. Eu gosto de lhes chamar os estágios EPAL, porque só metem água, uma piada mal conseguida, eu sei.

 

O primeiro foi numa Câmara da margem sul do Tejo. Um bom Curriculum Vitae (CV) e uma entrevista com três senhoras, entre elas a Vice-Presidente da Câmara, que fizeram o frete de me ter ali para cumprir calendário, aliás, a mim e a outros. Acredito que aqui terei boicotado a minha contratação, afinal disse que o concelho que se queria aproximar de Lisboa precisava de intervenções profundas, sobretudo ao nível das mentalidades e em promoção, caso contrário continuaria fora do mapa. Até apresentei ideias, mas sempre com gargalhadas e comentários "ahahah fora do mapa, enfim" a ecoarem pela sala.

Nem fiquei mal colocado, fiquei entre os cinco primeiros, mas com aquelas médias em que um CV fraco tem uma entrevista tão boa que dos lugares de baixo rapidamente contorna os outros todos... Quem já esteve em concursos públicos viciados, percebe o que digo. E sim, talvez me tenha excedido... É que dizer a um político, cuja câmara é vizinha da capital, que o seu município não está no mapa... E será que uma das senhoras, algo matrafona, terá reparado que quando a vi, a minha primeira expressão foi de susto?

 

Mais tarde as coisas mudaram, pois existiam muitas impuganções, e já começámos a ver concursos em que se contratava um Engenheiro Civil, mas com a condição de ter tirado um curso de cozinha na escola "Y" e um outro curso de decorador de interiores na escola "X", sem esquecer alguns anos de experiência no sector público. Assim seria mais justo... Afinal, pessoas com este leque de qualificações não faltam.  

 

Um outro entre uns cinco concursos, dos outros desisti depois de perceber que era tempo perdido, foi num munícipio ribatejano. Uma excelente avaliação curricular, uma entrevista que correu muito bem e mais de dois meses para receber a tão desejada resposta. Contacto daqui, contacto dali... Consegui finalmente falar com uma das pessoas (por sinal, a que tinha menos peso na hierarquia) que se lembrou imediatamente de mim - ah, o "Robinson"! - e focou que não me haviam esquecido e que eu até tinha sido a pessoa que mais tinha agradado mas que "você sabe, estas coisas, mas gostamos tanto de si, mas nestas coisas, você sabe não é?". A partir desse dia nunca mais me candidatei a qualquer concurso público, mais tarde percebi que também não tinha perfil para trabalhar no sector, e como diz o povo, acabam por existir males que nos chegam por bem.

 

P.S: Menti! Também me candidatei a uma instituição pública (em Évora) sim, mas por candidatura espontânea (ainda sabem o que é?) e até fui chamado e escolhido. Escolhido até me terem dito que não existiam os fundos necessários. Semanas mais tarde surgia um anúncio para a posição, mas a solicitar competências e habilitações que nada tinham a ver com a mesma... A título de exemplo, uma espécie de posição para jardineiro, mas com a obrigatoriedade de ter um curso de enfermagem. Ah! E também fui a uma entrevista na TAP (um concurso que me haviam dito já estar fechado mas mesmo assim lá fui) mas depois de ver tantos pilotos e outros funcionários a entrarem a espaços nas salas onde decorria o recrutamento acabei por desistir também... E não digam que sou má pessoa, até dei boleia a uma menina que queria ir para a Gare do Oriente e que, por sinal, era namorada de um cavalheiro que era... piloto. Nada contra a menina, até me pareceu boa pessoa. Era uma menina muito aplicada e amigo do próximo pois até me disse que tinha manuais de procedimentos e processos relativos à posição para a qual se estava a candidatar e que me dispensava os mesmos se eu desejasse...

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