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Girolamo de Santa Croce - A Adoração do Menino (Gemäldegalerie Alte Meister)

Fonte da Imagem: Própria.

 

No seguimento do artigo de ontem, ao qual podem aceder aqui, e onde os contributos de muitos comentadores foram valiosíssimos, procurarei hoje ver as coisas de um outro ponto de vista, até porque a temática é complexa.

 

Foquemo-nos numa questão: porque é que não trabalhamos a questão da maternidade/paternidade, ou aliás, a impossibilidade da mesma no sentido de mentalização dos indivíduos para esse facto? Com isto não estou a dizer que não se desenvolvam demais abordagens. Porque é que o foco não passa por uma mentalização das pessoas para as suas limitações? Porque é que noutros campos vamos por aí e no caso da geração de um filho fugimos mais à questão?

 

É assim tão grave que um indivíduo conviva com o facto de não poder ter um filho? Dou um exemplo: são muitos os casos que conheci de pessoas que passaram pelos maiores martírios fisícos e psicológicos só para conseguirem ter um filho e muitas vezes por pura pressão social! Parece que nos tempos actuais é proibido dizer "não tenho filhos porque biologicamente não sou capaz e vivo bem com isso" e nem menciono aqueles que não os têm por opção. Porque é que não existe um trabalho desse lado e continua a impor-se uma lógica do "ter filhos a todo o custo". Será que se a abordagem fosse mais por aí teriamos tanta gente a investir dinheiro, anos de vida e um sem número de emoções para conseguir ter um filho? Alguém, aos comentários do artigo de ontem focou o egoísmo... Será um egoísmo da sociedade e de cada indivíduo? O artigo presente, pretende sobretudo ir pela questão do "é assim tão complicado aceitarmo-nos como somos?".

 

É uma questão complexa, sobretudo quando leio e vejo argumentos de indivíduos que na praça pública defendem (quase obrigando) que devemos ter filhos, pois estes serão o garante da sustentabilidade da Segurança Social e que é egoísmo não os ter! Um deles até é o proprietário de uma empresa de brinquedos com nome na mesma praça. São esses mesmos indivíduos que não falam de adopção, por exemplo.

 

Estamos a fazer de tudo para promover um mercado de venda ou negociação de bebés mas continuamos a não exigir leis mais facilitadoras da adopção. É aqui que pecam aqueles (auto-intituados vanguardistas) que acusam os "anti-barrigas de aluguer" de estarem presos a rituais ancestrais e de serem egoístas. Eu, sem me colocar de um lado e de outro, digo sempre... Cuidado, sobretudo quando a pretexto do que é novo, colocamos todo um passado no caixote do lixo. Até porque uma das marcas maiores de ancestralidade é a geração de um filho - quantas mulheres não eram ostracizadas ou até mortas por não conseguirem gerar uma criança?

 

Além de que, se queremos falar de egoísmo importa referir, mais uma vez, que o mundo já tem gente a mais e sempre podemos encontrar muitas crianças sem pai nem mão à espera de uma oportunidade para serem crianças... Mas talvez seja mais interessante ver as mesmas subnutridas, feridas ou mortas na televisão enquanto a todo o custo tentamos ter aquele filho que tem de ser "nosso"! Mas aí já estamos a ser vanguardistas... 

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A Nova "Trend": Barrigas de Aluguer.

por Robinson Kanes, em 19.07.17

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 Adoração do Menino - Filippino Lippi (Galleria degli Uffizi)

Fonte da Imagem: Própria

 

Falar de incêndios já não é cool. E quando o tema já não vende revistas, jornais ou visualizações nada como ir buscar temas que vendem muito, nomeadamente a homossexualidade e agora as trendy "barrigas de aluguer". Homossexualidade, para mim, é um tema gasto, perdoem-me mas qualquer dia até me sinto mal por ser heterossexual. Ou sou eu, ou então algo se passa, dos muitos amigos(as) que tenho com uma orientação sexual diferente da minha não me recordo de perdermos muito tempo a falar do tema.

 

Mas as "barrigas de aluguer"... Primeiro, é triste perceber que foi preciso um jogador de futebol "comprar filhos na Amazon" para de repente toda a gente se lembrar que esta prática existe. Caríssimos, é uma prática com séculos e ninguém descobriu a pólvora, aliás, um dos empreendimentos mais bem sucedidos da História, o Cristianismo, começou com uma "barriga de aluguer".

 

Mas tanto se fala de "barrigas de aluguer"... Pelo que, voltemos aos moralistas do politicamente correcto, sempre a defender a liberdade e ao que diriam se encararmos essa prática como a venda de seres-humanos? A verdade é simples e crua: estamos a mercantilizar seres-humanos! Podemos concordar ou não, mas aí temos de ter muito cuidado quando apregoamos leis morais, éticas e humanas, mas depois defendemos esta prática. 

 

Vejamos também outra questão e que alguém por aí (alguém a quem nem dou grande importância, mais foi exímio na análise) falou, que é a questão dos impostos? Ora, se existe uma compra, como é que são calculados os impostos? Como é que eu, que tenho um estabelecimento onde vendo bifanas e Sumol de Ananás, fico quando tenho de pagar dezenas de taxas e quem vende crianças não está sujeita a impostos? Mas é uma criança, um bebé, como é que se pode falar de impostos, questionarão! Todavia, não temos pejo em defender o comércio de seres-humanos que só não é tráfico porque, em alguns casos, já se encontra legislado. Não é diferente da criação de leis que regulem o tráfico de droga, e aí passamos a ter um mercado legal... Mas é "trendy". Até nos damos ao luxo de atacar as pessoas que vão buscar filhos a África, no entanto, já achamos bem se forem por encomenda e full extras. Ficamos chocados com a mulher que vende o corpo por sexo, mas não ficamos tão chocados se vender o feto...

 

Hoje é "trendy" mercantilizar seres-humanos e sob a capa do "trendy" têm sido cometidas algumas atrocidades que nos fazem estar a atravessar uma crise de valores e de comportamentos, mas mais que isso a sofrer de uma espécie de arregimentação pela incapacidade de aliar o bem da liberdade à virtude da tolerância. E aí, Huxley rapidamente nos demonstrou que o resultado desse arregimentação só poderia ser uma grande infelicidade! Eu só espero que comece a ser "trendy" criticar a corrupção e a injustiça, aí sim, deixarei de ser um indivíduo fora de moda.  

 

Finalmente, algumas questões que irei abordar amanhã: nesta sociedade do ter, doa a quem doer e custe o que custar, não estaremos demasiado focados na importância do ter ao invés de nos focarmos na mentalização do não ter? Do saber viver sem ter? Poderão também dizer que é egoísmo da minha parte, mas quem é o egoísta? Não faltam crianças em dificuldades no mundo inteiro e se formos por aí, há muito que superámos a capacidade de carga do planeta, pelo que se dispensam mais seres-humanos, já em 1798 Malthus o dizia no seu "Ensaio Sobre o Princípio da População". Passaram mais de 200 anos e ainda nos custa pensar nisto... Além de que, por muito que não queiramos ver, cientificamente, a sobrepopulação é uma das grandes ameaças ao futuro da Humanidade.

 

 

 "Trendy": algo que está na moda. Algo que é forçoso que esteja na moda...

 

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A Desumanização de Mortos e Vivos.

por Robinson Kanes, em 06.06.17

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 Fonte da Imagem: Própria

 

Inegável... O facto de que quanto mais mortes ocorrem mais insensíveis nos tornamos às mesmas. Procuramos criar mecanismos de defesa de modo a que possamos afastar essa morte de nós, até porque é fugindo dela com elementos distractores, como o quotidiano, que podemos conceber uma vida normal.

 

Será que recusamos essa responsabilidade e queremos afastar-nos desse fardo, do peso desse caixão? Será que Aristóteles teria razão quando dizia que “a morte é morte de alguém e tê-lo sido de alguém não é levada pelo moribundo mas sim pelo sobrevivente”?. Será por isso que fugimos dessa e da nossa própria morte que será herança que outrem nos deposita? O alguém que só existe porque nós existimos?

 

Costumo afirmar que morro sempre um pouco quando perco as pessoas que realmente interferiram na construção do meu ser - as pessoas que, para o bem e para o mal, fizeram aquilo que eu sou. As pessoas que me acompanharam na criação da minha essência, que por elas foi influenciada e não por um qualquer Deus, seja através de uma predestinação, seja pela bondade do mesmo em relação a um livre-arbítrio. Vejo-me um pouco na imagem de Vergílio Ferreira quando nos diz no seu Conta-Corrente (Volume II) que “o homem viveu até hoje pelo que acumulou da humanidade – e viverá amanhã pelo que acumulou de desumanização”.

 

Por vezes sinto que carrego um pouco desses mortos comigo e que provavelmente vivo essa desumanização. Que os sustento a combater a desumanização, ou seja, de não encontrar a minha morte e, no fundo, também a dos outros mesmo antes de morrer. Mas o peso é grande demais e paradoxalmente tendo a perder a guerra...

 

Talvez não seja mais que isso mesmo: a dificuldade, não em encontrar uma nova Humanidade, mas em encontrar uma forma de ser novo perante uma velha Humanidade e, com isso, percorrer o caminho que um dia acabará na desumanidade de uma boca cheia de terra ou um corpo transformado em cinzas.

 

 

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Testemunhas da Perseguição...

por Robinson Kanes, em 21.04.17

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 Rembrandt Harmens Van Rijn, O Sacrifício de Isaac - Pormenor (Alte Pinakothek)

Fonte da Imagem: Própria

 

Não sou Testemunha de Jeová (TJ). Também reconheço que existem coisas que me deixam a pensar no que a este movimento concerne (admito que talvez por alguma falta de informação) e... também conheço muitas TJ e nunca tive nada a apontar às mesmas. Posso ter algumas questões, mas não posso negar a cordialidade, a simpatia e o reconhecimento que já tive por parte deste movimento, aliás, num dos casos até pela cúpula da própria organização a nível mundial!

 

Foi no dia 20 de Abril de 2017, ou seja, ontem, que um tribunal russo sentenciou o fim deste movimento naquele país. Para os mais esquecidos, não foram somente os judeus a serem perseguidos durante o regime Nazi. Durante este regime, também os homossexuais, os ciganos, muitos povos eslavos e outros foram perseguidos. Aliás, um dos alvos foram também as TJ que agora testemunham uma repetição da História... é interessante perceber que a História se repete tantas vezes. Sou obrigado a recorrer-me de um dos mais actuais escritores/pensadores: Aldous Huxley. Este dizia-nos que "talvez a maior lição da História seja que ninguém aprendeu as lições da História". Mais uma vez não aprendemos a lição e vemos a História a repetir-se, sobretudo porque não existe sequer um argumento válido ou sequer uma ameaça de conspiração.

 

Estamos a entrar em terrenos pantanosos, sobretudo quando os já referidos nazis são sempre o bode expiatório. Nunca percebi porque se fala tanto dos Nazis e não se fala do Estalinismo ou até de outros regimes que fariam Kim Jong Un parecer o Peter Pan. Podemos alegar que as TJ são uma comunidade perigosa e com as quais é preciso cautela... mais aí podíamos falar de tantos outros grupos, associações, clubes e outras organizações que. Não vejo nenhuma acção nesse sentido. Podíamos falar da questão das transfusões de sangue, e que, para mim, cabe a cada um decidir o seu destino. No caso português, por exemplo, um juiz pode, tratando-se de um menor, decidir em nome da família.

 

Esta perseguição sem sentido pode abrir portas a outro tipo de perseguição e criar também um case study a ser seguido por outros países. Em nome da liberdade, estamos a perseguir inocentes, quais anos que se seguiram à Queda da Bastilha e que de Liberdade tiveram pouco... ou até demais... 

 

Estamos a perseguir "potenciais criminosos" sem acusação formada e fundamentada... e sempre que isto acontece, o resultado pode ser catastrófico. Espero que os tiroteios em França, não desviem a atenção deste facto...

 

Bom fim de semana e que não continuem a testemunhar retrocessos civilizacionais...

 

Fontes da notícia: www.reuters.com e www.jw.org

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Cabrito à Padeiro na Máquina de Lavar...

por Robinson Kanes, em 17.04.17

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 Fonte das Imagens: http://gray-design.squarespace.com

 

Querida, hoje preparo o jantar, uso o programa para comida delicada?

 

2.jpgEsta pergunta pode acontecer em breve na medida em que, Liora Rozin, da Academia de Artes e Design Bezalel, em Jerusalém, decidiu criar uma embalagem de vácuo à prova de água e que serve para... cozinhar!

 

É simples, chega-se a casa, tira-se a comida do frigorifíco, coloca-se o saco na máquina de lavar roupa e voilà... um manjar dos deuses temperado com Ariel Líquido e um toque de Soflan, para a carne não ficar muito rija.

 

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O segredo para poupar energia e tempo nos fornos tradicionais, segundo os criadores deste produto, é colocar a comida na máquina e escolher um programa de longa duração para tecidos sintéticos! Já estou a imaginar um entrecosto a saber a cuecas DIM (e não são novas) ou então a sulfato de peúga com aroma de suor de camisa de algodão da boutique ciganal.

 

Sim Robinson, isso é tudo muito bonito mas... e os vegetarianos? Esses também são abrangidos, eu respeito todas as religiões! Para os vegetais, nada como um programa de curta duração para tecidos de algodão! Cuidado é com a quantidade de anticalcário que colocam, pode ficar demasiado sensaborão.

 

Não tem nada que saber, além de que os sacos trazem instruções bem claras de como cozinhar aquele pitéu!

 

Agora já não há desculpa para quem não gosta de cozinhar nem de lavar a roupa! Aliás, enquanto vão às compras, até podem deixar a comida a fazer naquelas máquinas de lavar que existem agora espalhadas um pouco por todo o lado, depois é so recolher, estilo take-away.

 

 

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Da "Instamum" à "Depressedmum"...

por Robinson Kanes, em 22.03.17

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 Fonte da Imagem: http://www.shapefit.com/wp-content/uploads/2014/12/smartmag-featured-image-tammy-mom.jpg

 

Estar grávida está na moda, mas quem quiser ser trendy, além da gravidez tem ainda de contar com o facto de os gémeos serem a opção mais in.

 

Mas... vamos focar-nos nas senhoras, porque afinal também existem os pais.

 

Actualmente as mães são umas verdadeiras instamums (Instamães), ou pintemums (pintmães) ou até facemums (facemães). E o que é isto? Mães que são o último grito da gravidez e até do pós-parto, sobretudo nas redes sociais. A pressão social e mediática é tal, que o ideal é aparecer grávida mas com um look de quem passa os dias no ginásio. Uma grávida elegante, sorridente e de bem com a vida. Uma gravidez perfeita sem os percalços habituais é coisa do passado. Estar grávida é cool! Partilhá-lo nas redes sociais ainda é mais cool... desde que não se esteja gorda, flácida ou pouco atraente.

 

Onde é que isto começa? Nas “celebridades”, nas “bloggers” e naquelas amigas que ficam grávidas mas que têm aparência de monitora de aulas de fitness. Daqui às partilhas de corpos elegantes e “photoshopados” (photoshopados? Oh Robinson...) vai um passo, e daqui à pressão para se ser uma instamum vai outro passo, e daqui para chegar à depressão e desejar nunca vir a engravidar novamente vai outro.

 

Mas as coisas até começam bem... aquela “celebridade” com barriga lisa antes e depois do parto surge como a inspiração... o problema surge é quando passamos o nosso tempo a olhar a inspiração - que virtualmente continua inspiradora - e a nossa forma física continua deplorável, aos olhos da instamum. Aos olhos da instamum, porque aos olhos de um indivíduo normal é um físico... normal?

E há instamum que goste de se sentir gorda, sem poder partilhar as fotos da boa forma no facebook, quando a cunhada de cinco em cinco minutos mostra aquele corpo invejável e só pariu há uma semana?

 

A verdade é que existem casos em que a depressão é tal que as senhoras se esquecem do que é uma gravidez e do que é real e não é! Existem situações em que as depressões arrasam o casamento. Deixar que as redes sociais, as opiniões dos grupos de pseudo-amigos contagiem o bem-estar das mães é um passo atrás, inclusive no ser mãe e no ser mulher! Mesmo os pseudo-detentores de opinião não são "ninguém", quando muito... são um canal para ajudar ao nosso pensamento e, ter tempo para pensar, é fundamental. Caso contrário, entraremos na desculpa da falta de tempo, mas aí faço minhas as palavras de Steinbeck quando dizia que a ausência de tempo para pensar era o equivalente ao não ter vontade de pensar.

 

Sejam mães e não queiram ser estrelas, se eu pudesse escolher, era o que eu fazia... e provavelmente não seria o meu filho que faria de mim uma estrela. Deixem de passar horas a fazer scrolling (o típico sobe e desce com as páginas de internet) às outras mães no computador, no tablet ou smartphone e sejam mães!

 

E porque não escolher não querer engravidar? É um direito, e honestamente louvável, tendo em conta que existe gente a mais neste mundo! Digam que sou egoísta mas... analisem os números e veremos quem está a ser mais egoísta na equação.

 

A gravidez é uma escolha, é uma fase e uma das coisas mais normais no reino animal. Estar grávida é a coisa mais normal do mundo! Estar gorda por causa da gravidez, cheia de estrias, flácida, desesperada, cansada, irritada é a coisa mais normal do mundo! Comer doces e milhões de porcarias que nunca se comeriam antes é a coisa mais normal do mundo (se tivermos dinheiro para tal)! E não minhas senhoras, quem já teve filhos não é a única pessoa a saber tudo sobre crianças como também o vosso bebé quando nasce não é lindo. Não é... é feio, cor-de-rosa, a maioria das vezes, mas fica bem dizer “ai que bonito bebé sai ao pai”! Um dia ainda me terão de explicar como é que olham para um bebé com horas e dizem estas coisas! E não, ninguém é perfeito, só serão perfeitas se pagarem a alguém para espalhar que vocês são perfeitas.

 

Em conclusão, minhas senhoras se existir quem não goste das vossas estrias, das vossas peles, da vossa irritação, do vosso mau-humor, honestamente... fizeram um erro de cálculo na escolha do pai e daqueles que vos rodeiam.

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O Mundo Envia-nos Lixo e Nós Damos-lhe Música!

por Robinson Kanes, em 15.03.17

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Fonte das Imagens: Orquesta de Reciclados de Cateura

 

No seguimento de um artigo muito interessante que tive oportunidade de ler (http://quimeraseutopias.blogs.sapo.pt/do-lixo-para-a-boca-38578) e que me chocou profundamente, aproveito esta minha exposição, não só para divulgar o mesmo – posto que a comunicação social em Portugal prefere virar o foco para o futebol e para o fútil – mas também para abordar uma iniciativa que é um verdadeiro exemplo de como se pode sair do lixo... ainda tive esperança de ver aquele artigo em destaque...

 

Cateura, no Paraguai, é a maior lixeira daquele país, aliás, é considerada uma zona inabitável face à degradação que aí se encontra e ao elevadíssimo risco de cheia. Inabitável... mas local de residência para 2500 famílias!

 

0c2f2c_e5e7546a109849b6bc0b23b206f01add.jpgFoi entre esta degradação que um indivíduo encontrou uma forma de criar valor acrescentado... valor acrescentado numa lixeira. Começou por fazer instrumentos com o próprio lixo e o resultado foi que um grupo de crianças completamente esquecidas pela sociedade se transformaram em artistas e deram origem à “Landfil Harmonic” ou, menos sonante mas mais genuíno, a “Orquesta de Reciclados de Cateura”.

 

O lema da orquestra é algo extraordinário e ao mesmo tempo provocador: “O Mundo envia-nos lixo e nós damos-lhe música”. Num só projecto temos uma lição ambiental, uma lição educacional e uma lição social. Do atelier, porque existe um atelier, saem todos os instrumentos feitos à base de... lixo... são esses instrumentos que vão acompanhando um grupo de crianças na sua educação e viagens pelo mundo, crianças perdidas e entregues a uma sorte que... de sorte tem pouco.

 

Lembro-me de ter partilhado esta temática com muita gente (sobretudo da área social e ambiental em Portugal) que, simplesmente, olhou para mim com um desprezo tal que me fez pensar onde estaria a lixeira... se em Cateura, se numa mentalidade triste e tacanha que habita na cabeça de muitos portugueses que se orgulham de ter dado mundos ao Mundo, mas cuja cabeça e visão não vai além do seu pequeno quintal.

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Todo este projecto começou sem apoios do Estado, afinal falamos de pobreza em Portugal, mas não sabemos realmente o que é ser pobre. Hoje, além de vários prémios (inclusive para um documentário) e apoios de vários mecenas esta orquestra é um verdadeiro sucesso. Mas há países onde alguns indivíduos, que se dizem homens e mulheres de terreno, ou os apóstolos da felicidade, cujo suícidio é iminente se ficam sem o relógio de marca, se riem e exclamam: “instrumentos de lixo, que estupidez!”.

 

Talvez a música que nos chegue desta orquestra possa inspirar muitos que andam por aí, numa lixeira diária... e se esquecem que... mesmo com talas nos olhos, cavalos e burros caminham em frente... talvez a inspiração possa vir do texto de Agustina em “Fanny Owen” porque muito provavelmente “ as grandes obras nascem assim: dum sujo porto, entre fezes e urina”.

 

Um pequeno vídeo, resumo da "Orquesta de Reciclados de Cateura"

 

 

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Existe agora, mais uma moda, no LinkedIn, em que os excelentes profissionais que temos por este país e pelo mundo desafiam todos os utilizadores da sua rede, e não só, para algo verdadeiramente profissional e gerador de conclusões importantíssimas para o desenvolvimento das pessoas e das organizações. De facto, quem não tem LinkedIn que crie já uma conta e procure imediatamente ligar-se a estes senhores.

 

Mas o que fazem estes indivíduos? Simples, colocam duas ou mais fotografias e pedem aos demais utilizadores que lhes sugiram aquela que deve surgir numa determinada publicação."Vejam como sou importante, vou aparecer naquela revista que tem mais de... 20 assinaturas".Não é complicado, sobretudo se quisermos escolher algo forçado... já se procurarem algo mais natural, desejo-vos sorte.

 

Temos a versão risonha, altamente bem trabalhada e muitas vezes sem rugas de expressão. Também temos a versão séria, altamente profissional e sempre, mas sempre, com os braços cruzados, ou com as mãos bem juntas.  Existe ainda uma outra opção, nomeadamente, as mãos ligeiramente abertas com as pontas dos dedos a tocarem-se. Temos também, o rosto para o lado e o rosto a encarar quem visualiza. Só não temos é o rosto a trabalhar...

 

A quantidade de pessoas que participa é deveras impressionante. Os palpites são vários, e no fim... aquele indivíduo que quer mostrar ser uma pessoa decidida, valente e com jeito para o negócio, nem maturidade e nem capacidade crítica e analítica tem para escolher a sua própria "imagem". E quando isso acontece... como é que um dia poderá tomar decisões mais difíceis quando nem a sua fotografia para uma publicação sabe escolher. Pelo menos é assim que eu encaro tal tomada de posição.

 

Actualmente, num mundo de tanta exposição, onde é tão difícil separar o menino do coro do gabarola, mas também definir um e outro, sugiro que muitos se escondam, pois já dizia Vergílio Ferreira que “as desgraças não são para se verem, e é por isso que existem as casas de banho”.

 

Em suma, andamos todos a brincar ao profissional, mas o que queremos é um emprego, uns trabalham para isso, outros promovem-se para tal...

 

Fonte da Imagem: https://bossip.com/975637/random-ridiculousness-zoo-employee-dressed-in-gorilla-suit-shot-with-tranquilizer-dart-when-mistaken-for-real-escaped-primate-43081/

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Donald Trump já está a proceder às mudanças que tinha prometido... haja alguém, para o bem ou para o mal, que cumpra aquilo que promete.

 

No entanto, uma das coisas menos boas de Trump abriu portas para uma discussão deveras interessante. Se por um lado temos o discurso contra a imigração de Trump, pelo outro, temos cidades como Los Angeles, New York e até outras de menor dimensão como San Diego a chamarem a si a decisão de não tomarem partido no discurso e política anti-imigração. Assistimos à criação de uma espécie de autonomia que vai ao encontro das suas necessidades e desenvolvimento.

 

À semelhança de outras cidades pelo Mundo, são cada vez mais as cidades que se assumem como verdadeiras nações - cidades-estado fazendo aqui a colagem às cidades-estado gregas da Antiguidade.

 

A vantagem de termos muitas cidades deste género deve-se à proximidade com os cidadãos e com a realidade. Do ponto de vista admnistrativo, social e económico um Governo mais próximo da realidade e especificidades daquilo que administra parece-me ser muito mais eficiente que um poder central, muitas vezes alheio às realidades locais. Existem cidades que, pela sua capacidade de desenvolvimento, conseguem suplantar países... além disso, a reunião de consensos entre as diferentes partes (por exemplo, diferentes presidentes de câmara) torna-se mais fácil, sendo que o foco, mais que a um nível central e político, pode ser mais holístico. Até a própria eleição dos orgãos de governo pode ter como base a associação de cidadãos ou de indivíduos com conhecimento e obra feita e não somente um conjunto de "oportunistas partidários" incubados numa máquina partidária para partirem à conquista de territórios que desconhecem.

 

Podemos dizer que é uma espécie de área metropolitana... pode ser efectivamente, mas não podemos colocar interesses partidários ou lutas pelo poder à frente do desenvolvimento das cidades. O afastamento, por exemplo, face ao poder central, é também uma mais-valia. Contudo, não podemos, como se faz em Lisboa... governar a cidade como uma espécie de catapulta para outros voos.

 

Não podemos chegar ao ponto de cada um estar voltado para si em muitas decisões... muito do caos que se vive na periferia de Lisboa deve-se a essa falta de diálogo e concertação nas políticas de transportes, habitação, ambiente e não só. Cada um por si, e damos por nós numa completa  não-identificação com o meio por parte dos cidadãos.

 

 

Não podemos ter alguém no Montijo, Alcochete, Mafra ou até Vila Franca de Xira a utilizar o diálogo do "tenho que ir a Lisboa" como se isso fosse ir de Vladivostok a Moscovo para resolver um qualquer assunto. Não podemos ter uma espécie de "apatia" face a Lisboa nos subúrbios da cidade, pois na realidade também esses subúrbios são Lisboa. Não precisamos de perder a nossa identidade, aliás, esse afastamento é que tem gerado a perda de identidade por parte de muitas localidades. Nas cidades-estado existe espaço para tudo... se dentro de Lisboa conseguimos ter as áreas de excelência para a vida nocturna, porque não podemos ter a zona rural de Lisboa em Alcochete, ou até Mafra?

 

E as vantagens que podemos retirar na relação dessas cidades-estado com outras regiões? O Mundo está a mudar e as cidades são o futuro... enquanto permanecermos nos nossos pequenos "feudos", leais a uma "coroa" que distribui títulos e riqueza consoante as influências deste ou daquele "nobre", não conseguiremos competir com os nossos parceiros europeus e até, em outras distâncias mais longínquias... e aí, não existirá Web Summit que nos valha, seja qual o país em que esta se estabelecer.

 

Fonte da Imagem: Própria.

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Empreendedorismo Social não é Dádiva.

por Robinson Kanes, em 26.01.17

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Hugues Merle, Uma Mendiga (Museu d'Orsay)

 

 

Ainda existe a tentação, sobretudo em países da Europa do Sul, de que o Empreendedorismo Social tem de estar ligado à dádiva.

 

A própria "promoção" do mesmo ainda assenta na base do chamado apoio aos mais carenciados tendo, em pano de fundo, os seus próprios promotores que não se coíbem de aparecer como os "salvadores do mundo" e que nada auferem em troca pelas suas práticas - na verdade, não é assim. Não existem almoços grátis e na área social também não! Mas porque é que temos receio de falar nisso?

 

Vejamos algumas conclusões de instituições e peritos que suportam estas afirmações... antes que digam que tenho mau feitio.

 

Hockerts, numa visão mais aproximada da Schwab Foundation traz a ideia de que o Empreendedorismo Social assenta em business ventures com propósito social ou seja, “empresas híbridas que estabelecem ligação entre o for-profit e o non-profit bem como as próprias organizações públicas. No entanto, não encaixando em nenhuma destas três esferas” (Mair; Robinson & Hockerts, 2006:5).

 

Na visão de Perrini, inspirada em Laville, existe uma decisão democrática e participativa levando a que os interesses próprios de um ou mais não condenem a actividade principal da empresa social (Perrini & Vurro; 2006: 64). Para Dees a empresa social não é uma empresa de dádiva até pela forma empresarial que pode tomar, mesmo não visando o lucro primordialmente (Dees, 1998:5) .

 

Já o Institute for Social Entrepreneurs (ISE) define o empreendedor social como “um indivíduo que usa o retorno do seu trabalho para prosseguir objectivos sociais e simultaneamente procura um retorno financeiro e social. Pode ser um indivíduo que esteja, ou não, no sector non-profit (ISE, 2002). Aqui, o espectro alarga-se e finalmente a questão financeira é colocada verdadeiramente em cima da mesa, além disso, a definição vai ainda mais longe ao colocar a hipótese da actividade de empreendedorismo social não estar ligada ao non-profit. É esta visão que, em Portugal, ainda assusta muita gente ligada à "causa social".

 

Também a RIPESS, com vasta experiência, sobretudo no campo da Economia Social e Solidária, apresenta uma visão mais clara e enquadrada com o conceito anterior do que é o Empreendedorismo Social. A empresa social apresenta-se como uma empresa que tem, obviamente um fim social. Gera retorno pela venda que faz de bens e serviços ao invés de depender de financiamentos externos e com benefícios que revertem para a missão social, mais que para os accionistas (RIPESS, 2015). Neste campo, a mesma entidade vem também a apontar para a necessidade de esclarecer que as empresas sociais não podem substituir o Estado em serviços essenciais, como não devem ser um meio de absorção de fundos. Tomando como base a definição da própria organização, estas organizações têm de ser capazes de gerar dividendos por si próprias, não excluindo o suporte de outros mecanismos de financiamento, mas tendo sempre como prioridade a venda de bens e serviços que permitam garantir a sustentabilidade das mesmas

 

Neste enquadramento teríamos verdadeiras organizações empresariais com cariz social a actuar num mercado concorrencial com as demais organizações empresariais e equiparadas não só legalmente mas sobretudo fiscalmente.

 

Contudo, uma nota para o facto deste processo permitir que estas organizações não venham a perder a sua vocação social, mas trabalhem para melhores resultados, menor dependência externa e acabem por gerar um afunilamento que levará à exclusão de muitas instituições que são somente sorvedouros de fundos e cuja eficiência não justifica os elevados investimentos realizados pelos Governos, pelas organizações empresariais e sobretudo pela comunidade civil. Os recursos são escassos e muitos deles não estão efectivamente ao serviço de quem mais deles necessita.

 

Perante muitos paradoxos, a que ainda vamos assistindo... teria Vergílio Ferreira razão quando no seu "Em Nome da Terra" dizia a Mónica que "o maior prazer de quem precisa, é haver quem  precise mais"?

 

Para quem quiser saber mais:

  • Perrini, Francesco; Vurro, Clodia (2006), “Social Entrepreneurship: Innovation and Social Change Across Theory and Practice”, em Mair, Johanna; Robinson, Jeffrey e Hockerts, Kai; Hampshire (orgs.), Social Entrepreneurship e New York, Palgrave Macmillan.
  • Dees, J. Gregory; Haas, Peter; Haas, Miriam, (1998), The Meaning of “Social Entrepreneurship, s.l.; s.n.

 

Fonte da Imagem: Própria.

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