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A Uber dos Mortos...

por Robinson Kanes, em 23.11.17

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Fonte da Imagem: Própria. 

 

Se fosse hoje, a versão da música dos Ghostbusters (Caça-Fantasmas), da autoria de Ray Parker Jr. seria algo como:

 

Se queres fazer um jantar de gala...

Quem é vais chamar?

O Panteão Nacional!

 

Se ao centro de Lisboa queres chegar, mas não queres um taxista que te leve a Cascais...

Quem é que vais chamar?

A Uber!

 

Se o teu amigo ou familiar morreu e queres enterrá-lo ou cremá-lo...

Quem é que vais chamar?

A UMER!

 

A UMER! Pois é, empacotar os nossos entes queridos agora está ao alcance de uma "app" (https://www.umer.mobi) termo porreiraço para aplicação. Até porque aplicação dá sempre aquela sensação de que estamos a falar de bricolage e se não formos alemães ou esmerados pais de familia americanos é provável que o impacte seja fraco.

 

Quando ouvi falar da UMER há algum tempo ainda pensei que era mais uma daquelas coisas que nascem e morrem no dia a seguir mas... A verdade, é que a "app" dos mortos continua activa e de boa saúde. Imaginem o vosso ente querido a quinar e toda aquela papelada que é preciso preencher além de termos de encontrar a melhor cama possível, uma espécie de IKEA mas sem o "monte você mesmo"? É aborrecido e além disso, tal como com alguns taxistas, estamos sempre sujeitos a ser também enganados por alguns abutres do ramo.

 

Mas a UMER resolve o problema, basta puxarmos do nosso smartphone e tratamos logo ali do serviço. Aliás, UMER em russo, significa algo como "morrer" e o próprio slogan da aplicação é: a aplicação que o ajuda se alguém morrer, ou algo como isto Приложение, которое помогает, если кто-то UMER. Tendo em conta alguns comportamentos a que tenho assistido, o UMER em Portugal fazia sucesso e... Quantos não davam para que um simples clique praticamente fizesse desaparecer os tão amados pais ou amigos? Já viram quão bom pode ser ao não permitir que as férias sejam interrompidas? Quem é que quer deixar os areais do Algarve para chorar os amigos ou enterrar os pais? Cada vez menos! Aposto que a próxima inovação da UMER será o imediato envio de uma mensagem via "whatsapp" com o texto: "o Valdemar morreu, Deus o tenha. Se quiser aparecer na cremação informamos que terá lugar no cemitério de Carnide pelas 16h:30m, o dress code é casual death. Mais informamos que temos o serviço de florista, carpideiras do Trocadero, estacionamento e transfer para convidados. Não hesite em contactar-nos".

 

Também já estou a imaginar a UMER a fazer promoções ou a dinamizar, qual "Bookingdos jazigos, um segmento "genius" para os clientes mais fiéis. Ainda vamos ter os caça funerais sempre à procura do desconto. Imaginem uma pastelaria em que um velho diabético cheio de problemas cardíacos ao empaturrar-se de bolas de berlim e galões cai e morre ali mesmo... Primeiro tirar-se-ão as "selfies" enquanto se simulam manobras de RCP - isso é fundamental - depois todos se irão agarrar ao smartphone na tentativa de serem os primeiros a fazer a reserva... Isto até alguém que ainda vive no século XIX se lembrar de dizer: "então e ninguém ajuda o velho, ele ainda respira! Liguem para o 112". Preparem-se é para ouvir é que afinal "não está nada vivo, está é mal morto!". Ninguém vai querer perder a oportunidade, acreditem.

 

Para o caso de ser comigo, aviso já que quero um funeral ao estilo de Nova Orleães e pretendo ser colocado num local onde todas as noites existam jantaradas e festas... A morada para pagamento das respectivas contas pode ser a Rua do Enxofre Lote 23, Casal do Ò Diabo, 2039-428 Lagameças.

 

A todos uma boa morte...

 

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Perigo! Zona de "Selfies"...

por Robinson Kanes, em 09.11.17

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 Fonte da imagem: https://www.diyphotography.net/a-fatal-month-for-selfie-photographers-why-is-it-so-dangerous/

 

Numa época em que tudo é vendável, em que é possível vender um fio de cabelo, uma falsa imagem ou até, como uma actriz brasileira de 43 anos, utilizar um outdoor para publicitar a virgindade a troco de estabilidade financeira, será importante perceber se, numa Era em que atingimos o ex-libris máximo da troca de informação e da exposição, não devemos começar também a estimular o nosso espírito crítico acerca de tudo aquilo que nos rodeia, seja bom ou seja mau - uma espécie de contraste ao Admirável Mundo Novo sem nos sentirmos uma espécie de “Sr. Selvagem”.

 

Ainda me recordo do desvio de um avião há mais de dois anos, onde temos um pirata do ar que, procurando exposição e “dar nas vistas” (não me vou debater sobre problemas de carácter psicológico), desvia um avião do Egipto para o Chipre, somente porque tem uma carta para a antiga mulher. Ao que sei, no Egipto existe aquilo a que podemos chamar os CTT locais, ou até empresas de distribuição ao estilo UPS ou DHL. Mas porque não desviar um avião? 

 

Soubesse eu isto, e quando frequentava o ciclo, tinha desviado a carreira 18 para ir entregar a casa da Madalena aquela carta de amor cheia de erros... Mas tremendamente apaixonada, pelo menos até ter conhecido a Maria no dia seguinte ou a Luísa do 9ºano na semana que viria depois.

 

A isto, junto aqueles indivíduos que depois de um avião ter aterrado com os motores em chamas estão mais preocupados em filmar o momento e levar os bens do que propriamente evacuar o mesmo o mais rápido possível! Casos destes não faltam. E o que é que devemos fazer numa situação de pânico ou terror? Fugir? Ajudar quem possa necessitar? Não! Fotografar ou até filmar e de preferência com a nossa face sempre presente, com direito a relato e com aqueles sons típicos de esforço e sofrimento. Só me lembro de um indivíduo durante a época de incêndios em Portugal, numa auto-estrada rodeada de chamas, a passar a imagem de que estava perante o medo da morte e em pânico, mas a conduzir de telemóvel em riste e a emitir verbalmente o seu pânico! Eu vou morrer, mas vou morrer com estilo! Aliás, se morrer é que isto vai ter visualizações que nunca mais acabam!

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 Fonte da Imagem:http://www.newsdon.com/a-panic-picnic-of-bengaluru-students/

 

Mais uma vez, a informação e o modo como tudo é empolado e espalhado a uma velocidade incrível permite que este tipo de comportamentos se continue a repetir, a causar impacte e até desculpabilizar o autor em muitas situações. Aliás, embora acabasse também com a morte do piloto, tivemos o horror de assistir à queda de um avião nos Alpes onde o factor “impacte mediático” teve um grande papel na tomada de decisão do suicida/homicida.

 

Mas se tudo isto é chocante, mais chocante é a destreza que um indivíduo pode ter para, em pleno sequestro aéreo - e agora coloco a questão “medo instalado” a funcionar – onde um outro indivíduo de origem árabe diz ter um cinto de explosivos e, tendo em conta acontecimentos recentes, não mostra qualquer ressentimento em morrer e matar - convidar este último para uma fotografia, vulgo selfie ou selfie vulgo fotografia, deixo ao cuidado do leitor a interpretação desta troca.

 

Que dirão os amigos destes indivíduos, isto se o "SD card" se salvar. Elogios pela bravura e pela coragem ou elogios por ser tão negligente que por um dia de fama coloca em risco a sua vida e até de outros?  No caso de um sequestro aéreo eu sugiro que o Ideal passa por termos uns pilotos decapitados para dar mais humor a uma situação que já por si era uma verdadeira comédia. Aliás, eu próprio, antes de levantar dinheiro no multibanco, já olho em volta no sentido de perceber se algum larápio vai explodir e roubar a ATM. Posso sempre abordá-lo para uma fotografia, vulgo selfie e com sorte fico com os meus minutos de fama e quiçá até apareça num canal regional da Hungria ou do Kiribati e me torne popular no facebook.

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Fonte da imagem: https://disciplesofhope.wordpress.com/2016/02/19/if-not-yet-warned-then-remember-to-avoid-dangerous-selfies/

 

Também em recente contacto com uma força policial portuguesa, soube que estão a ser distribuídos "iPads" aos agentes para situações que envolvam reféns tal é a eficácia e a facilidade com que, com esses instrumentos, se chega aos sequestradores. Cuidado com os snippers, porque assim que colocarem a cabeça ou o resto do corpo a jeito o melhor atirador da polícia “saca-vos” uma foto e aí não há como fugir - atingido em cheio! Já estou a imaginar os negociadores a pedirem aos raptores para mostrarem só a cabeça que é para a foto e lá vem o sequestrador com um sorriso notty para a posteridade.

 

Será interessante, agora que temos acesso a galáxias de informação, termos alguma cautela com o que valorizamos, sob pena de nós próprios também estarmos a colocar as nossas vidas em risco, sobretudo quando uma vida vale menos que uma selfie ou um post no facebook. Não podemos ser quadrados nem cinzentos, no entanto, também não podemos cair no ridículo de valorizar actos, situações ou momentos que são a realidade vivida e que envolvem outros, que naquele mesmo momento, naquele local ,muitas vezes ou lutam pela vida ou simplesmente perderam a esperança de voltar a ver os seus.

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Capacete à Prova de Chatos!

por Robinson Kanes, em 03.10.17

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 Fonte das Imagens: http://hochurayu.com

 

E era agora que eu começava a falar como os indivíduos das tele-vendas: "cansado de ouvir os outros a conversar? Farto de ter de encarar colegas de trabalho que só falam dos filhinhos, viagens a Marrazes ou ao Samouco e futebol? Desesperado por querer trabalhar e não suportar a voz da Tininha da contabilidade ou o constante catarro do Alves? Agora já se pode ver livre de todos os grafonolas, chatos e vozinhas irritantes que deambulam à sua volta!"

 

Seria mais ou menos isto se vos quisesse vender o "Helmfon"! O "Helmfon" é um capacete à prova de chatos, vulgo sarnas, e que foi desenvolvido por um atelier de design ucraniano, o Hochu Rayu. Eu, habituado a ambientes altamente barulhentos, devo dizer que sentiria uma grande diferença, contudo, também não consigo entrar num escritório onde só se ouve o ar condicionado e pessoas com cara de pargo na bancada a movimentarem-se nas cadeiras - eu sei, assim nunca me vou safar por cá...

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Mas de facto, este produto despertou-me a curiosidade, sobretudo porque nos transporta para aquela série de desenhos-animados, os "Jetsons". Este capacete consegue bloquear todo o ruído à nossa volta e além disso permite-nos levar a expressão "ficaste cá com uma cabeça" ao seu sentido mais literal. De um modo mais sério, o capacete, além de permitir o conforto do utilizador, também não incomoda os indivíduos que estão à volta, sendo totalmente insonorizado para o exterior. Segundo os criadores deste produto, o objectivo é permitir a concentração, algum espaço (quem conhece a realidade de alguns open-space e da disposição dos call-center sabe do que falo) e consequentemente eliminar efeitos distractores facilitando a concentração do utilizador com consequentes resultados na produtividade.

 

Melhor! O capacete é personalizável (eu adoraria ter um do Olaf) e inclui um sistema de som com microfone, colunas e até um espaço para colocar o smartphone! Imaginem também que podem fazer uma skype conference ou mesmo uma conference call e ainda ver e editar fotografias!

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Confesso que me causa alguma estranheza, e acredito que ao entrar num local repleto de utilizadores deste produto teria a sensação de ter sido atirado para as páginas do "Admirável Mundo Novo" de Huxley. No entanto, é uma inovação extremamente interessante e que acredito que a muitos iria dar uma grande ajuda no dia-a-dia laboral.

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 Fonte da Imagem:http://www.dailyherald.com/storyimage/DA/20170930/news/309309987/AR/0/AR-309309987.jpg&updated=201709300118&MaxW=800&maxH=800&noborder

 

Se há país pelo qual nutro grande simpatia é Espanha, e a região da Catalunha tem, também para mim, um valor especial. Não irei falar do referendo nem de todas as peripécias acerca do mesmo, até porque já se falou tudo. Actualmente, é fundamental ter opinião sobre tudo mesmo que não se saiba nada... Muitos dos comentadores de bancada (incluam aqui a minha pessoa) e não só, olham para a Catalunha como Barcelona, esquecem-se é da dimensão da região e da importância de outras cidades. É o que dá passar uns dias em Barcelona, ou fazer um excursão até Montserrat e achar que se conhece uma região inteira.

 

Mas o referendo da Catalunha teve em Portugal fervorosos adeptos e já nem vou falar numa certa extrema esquerda que adora o caos para se instalar nele e trocar de nome com os porcos, numa alusão à "A Quinta dos Animais" de Orwell. Como é estranho ver que os portugueses estão (ou alguns que querem que os portugueses estejam) tão interessados no referendo em Espanha e pouco interessados com o que se passa em Portugal. De facto, é uma forma de ocultar uma mentalidade provinciana fornecendo-lhe uma capa de cosmopolitismo: eu português, cidadão do mundo mas tacanho como aquando de 1143. E porque digo isto? Porque enquanto andamos (até a imprensa) interessados em fazer campanha pela independência da Catalunha esquecemos que:

 

- Para as eleições autárquicas o número de violações à lei foi elevado e a Comissão Nacional de Eleições não tem mãos a medir, punições?

 

-Ainda nas eleições autárquicas temas o protagonismo de candidatos que têm/tiveram problemas com a lei e chegaram inclusive a prejudicar-nos a todos. Votamos nesses que nos defraudaram em milhões, mas defendemos a prisão e queremos distância daquele que roubou uma peça de fruta de um hipermercado. O concelho mais desenvolvido do país, ou pelo menos um deles, mostrou que a corrupção e as máfias são uma coisa boa. Dá que pensar o conceito de desenvolvimento em Portugal...

 

-Tivemos um Presidente da República (eu sei que não ganho pontos com isto, sobretudo nesta plataforma, talvez tenha de começar a fazer elogios ao mesmo) que esta semana dividiu os portugueses em dois: os distraidos e os que gostam dele. Fica sempre bem ao Presidente que se diz de todos os portugueses. Esse mesmo presidente que, mais uma vez, fez chantagem com o povo e dividiu os portugueses nos que votam e nos que não votam. Parece-me que um especialista da área e o defensor máximo da Constituição tem de fazer reciclagem nesta matéria. Marcelo por vezes parece deslizar ao seu passado anterior a 1974...

 

-Tivemos um Primeiro-Ministro criminoso (e não estou a falar de José Sócrates) que, e com a conivência da lei, travou um caso judicial, o célebre caso das escutas que, segundo o Ministério Público, se revestia de crimes de extrema gravidade para o país e para o Estado Democráctico. Também pactuou com o crime quando "ignorou" um parecer da Procuradoria Geral da República que dizia, mais ou menos desta forma, que esta legislação permitia que alguns interesses instalados se perpetuassem mesmo lesando ao mais alto nível o Estado Democrático. Se isto não é ser criminoso, o que será? Pouco falado foi também este caso...

 

- A investigação à Caixa Geral de Depósitos, prometida pelo Primeiro-Ministro, continua por fazer. Dos incêndios e da prevenção, pouco ou nada se sabe (o povo merece ser informado), dos donativos, todos "sacudiram água do capote", como se  ninguém soubesse o cancro são muitas instituições sociais, associações e ONG em Portugal. Talvez no Natal se volte a falar dos incêndios quando o folclore já prometido pelo nosso Presidente da República tiver lugar.

 

- Por acaso alguém sabe do Partido Comunista e do Bloco de Esquerda? Não os tenho visto... E no fundo, ondem andam também os outros? Um deles anda mais preocupado com a Catalunha, para ocultar desaires nas eleições - afinal as licenciaturas em teatro têm aplicação prática na política.

 

Mas o mais importante é o referendo na Catalunha, isso sim, deve tirar o sono aos portugueses. Não é por querer mostrar que estou muito interessado num referendo inconstitucional na Catalunha que varro para debaixo do tapete o meu provincianismo. Até ficamos espantados e veiculamos notícias de cargas policiais que, supostamente, chocaram o Mundo. Não chocaram nada! Violou-se claramente a lei e foi preciso restablecer a mesma! Atacar violentamente uma autoridade no cumprimento do dever não é um crime, mas proteger a lei já é? Em muitas situações estivemos perante um bando de arruaceiros a desafiar a autoridade policial e um outro sem número de cidadãos a tentar evitar que os muitos agitadores o fizessem... Mas, mais uma vez, a comunicação social foca-se apenas num dos lados e num pseudo-poder (ou retiro o "pseudo") que é um clube de futebol a tomar partido por uma independência e a ter um destaque como se de um grande movimento revolucionário se tratasse. O futebol, esse símbolo de boas práticas...

 

Finalmente: e se a Madeira, os Açores ou até o Algarve decidirem ser independentes? Também vamos ser assim tão defensores dessas causas? E por acaso, não estarão os portugueses esquecidos de Olivença? Tanto folclore em torno da independência da Catalunha, mas a questão de Olivença continua sem ser resolvida desde o Congresso de Viena em 1815 onde a própria Espanha reconheceu a soberania portuguesa sobre aquela área. Sugiro sim um referendo a Olivença e aí talvez tenhamos a surpresa ao perceber que quem lá habita não quer fazer parte de Portugal. 

 

Falar e querer ver o caos nos outros é fácil, desde que não nos toquem nas feridas e assim possamos ir alimentando a decadência disfarçada de prosperidade... Pelo menos para alguns... 

 

Finalmente, fazer o que nos apetece sem ter consequências dos actos não é Democracia... Tem outro nome e não é Democracia, mas é melhor não o dizer, sob pena de ferir susceptibilidades e despertar paradoxos de pensamento.

 

Boa semana...

 

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Fonte da Imagem: AP Photo/Binsar Bakkara

 

Vivemos no século XXI, temos tudo à nossa disposição, desde a tecnologia ao conhecimento, somos todos o máximo. Nunca, como hoje, tivemos tanto material para não ler aquilo que dá título a este artigo, mas...

 

Segundo a "Survival", 10 membros de uma tribo amazona foram massacrados por exploradores de ouro - o famoso mineral que vale tanto como um seixo mas ao qual atribuímos um valor inexplicável. Estamos a falar de tribos que ainda não têm contacto com a nossa sociedade e que vão sendo cada vez mais pequenas. Para que se tenha uma ideia, um quinto da população foi dizimada e podemos falar em genocídio! Esta não é uma temática nova na Amazónia, bem pelo contrário, e o governo de Michel Temer não é o melhor amigo dos índios - não podemos esquecer as ligação aos lobbies agro-industriais. Neste momento, a justiça brasileira abriu um inquérito e está a investigar, tendo já sido detidos dois indivíduos, contudo, continuamos a seguir o espírito de Cortés ou o dos "pacíficos" exploradores portugueses. Interessante... Como hoje ainda vemos com simpatia e fraternidade a evangelização forçada.

 

O vídeo abaixo fala um pouco deste povo... Importa lembrar que o governo federal nega a existência destas tribos e existem Organizações-Não-Governamentais (ONG) que promovem campanhas sob a capa da protecção mas que visam prejudicar e eliminar estas tribos...

 

 

Um outro episódio vem daquela que já foi denominada de capital mundial dos orangotangos: a Floresta de Tripa, terra natal do Orangotango da Sumatra. Este tema não é novo, mas continua a ser ignorado por muitos que a Indonésia é o principal destruidor de floresta do mundo! Os orangotangos vão ser dizimados, maioritariamente, por culpa daquele que surgiu como alternativa ao óleo alimentar convencional. Aquele que foi tão apregoado em dietas e que seria mais saudável que o anterior, mas saudável apenas para as nossas cozinhas... O óleo de palma, pouco tem de saudável para os outros animais, e a sua disseminação está a levar ao fim do Orangotango da Sumatra e até de outras espécies. As causas? Desflorestação que pode ser por abate de árvores, incêndios ou utilização de pesticidas e outras agentes quimicos que levam à destruição da flora e da fauna!

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Fonte da Imagem: https://www.worldwildlife.org/species/sumatran-orangutan

 

Mas a nossa amabilidade não se fica por aqui, quando os orangotangos não são presos e encarcerados até morrerem, são abatidos quando procuram comida e as mães morrem a proteger os filhos que são roubados para serem vendidos como animais de estimação! Actualmente, estima-se que existam 6,600 exemplares destes animais distribuidos por duas ilhas, Sumatra e Bornéu! A Floresta de Tripa (em alto risco de desaparecer) é somente uma parte do Ecossistema Leuser com 2.6 milhões de hectares e o único local da terra onde orangotangos, tigres, rinocerontes e elefantes vivem em harmonia num estado selvagem!

 

Deixo-vos com um vídeo do qual todos nos devíamos envergonhar. As imagens podem chocar, pelo que, quem não se quiser envergonhar e assistir, simplesmente não clique, embora a realidade seja para ser vista...

  

Algumas Notas:

 

Notícia no New York Times:

https://www.nytimes.com/2017/09/10/world/americas/brazil-amazon-tribe-killings.html?ncid=edlinkushpmg00000313

 

Notícia no website da Survival, responsável do alerta para o mundo:

https://www.survivalinternational.org/news/11810?ncid=edlinkushpmg00000313

 

Algumas ONG, que lutam contra a extinção dos orangotangos:

 

Save the Orangutan

http://savetheorangutan.org/

 

Sumatran Orangutan Conservation Program

http://sumatranorangutan.org

 

International Animal Rescue

https://www.internationalanimalrescue.org

 

 

 

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 Fonte da Imagem: AP Photo/Uttam Saikia

 

 

A fatalidade faz-nos invisíveis.

Gabriel García Márquez, in "Crónica de uma Morte Anunciada"

 

Enquanto o foco da atenção mundial se concentra nas cheias de Houston (nada contra) e nos 20 anos da morte de uma Princesa, parece que existe algo que anda a passar ao lado da actualidade. De facto, é do conhecimento público que só nos lembramos da Ásia quando falamos de viagens ou quando queremos imitar as pseudo-celebridades em destinos exóticos, todavia, rapidamente nos esquecemos do que é viver longe de um resort 365 dias por ano nessas regiões. Há períodos próprios para sermos apaixonadamente étnicos.

 

As monções sazonais já provocaram cerca de 1200 mortos e estão a afectar cerca de 50 milhões de pessoas na Índia, Nepal Paquistão e Bangladesh. Mortes provocadas por deslizamentos de terras, picadas de cobra - é verdade, morre-se de picadas de cobra - desmoronamentos de edifícios e afogamentos são as principais causas. Na Índia, nem o Parque Natural Kaziranga escapou, contando-se até ao momento cerca de 250 animais mortos entre rinocerontes, veados e um tigre de bengala - a primeira foto fala por si!

 

Todavia, no nosso pequeno mundo, andamos preocupados com séries televisivas, com princesas defuntas e opiniões de humoristas com carácter vinculativo. "Menos mal" que dos Estados Unidos sempre nos cheguem notícias do Texas, mas até algumas delas servem para bater em Donald Trump e na Primeira-Dama, ou até para nos assustarem com o preço da gasolina. O Texas pode desaparecer do mapa, a gasolina é que não pode aumentar. Alguém ontem falava do "jornalixo", não andará longe, pelo menos em muitas redacções... 

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Fonte da Imagem: AP Photo/Manish Paudel

 

Pior que as mais recentes actualizações, serão também aquelas que nunca saberemos pelos media que actualizam cada passe de um defesa da selecção nacional, mas não actualizarão o número de vítimas quando as águas descerem e as lamas forem removidas... A realidade, é que a época das monções acontece todos os anos... E todos os anos morrem milhares de pessoas naquela região, mas todos os anos são mais importantes a "época de transferências" e as contratações do Real Cascalheiro de Frielas ou do Solteiros e Casados de Muge do que um sem número de seres-humanos, fauna e flora... Mas também não será de admirar, no que depender dos cidadãos, uma tragédia bem "menor" que matou mais de seis dezenas de pessoas e feriu ainda mais de duas centenas vai passar impune...

 

A globalização pode ser uma realidade, mas existem países cujas cabeças dos cidadãos, instituições e media insistem no provincianismo bacoco que nem Verney e os seus pares conseguiram vencer. Antes de falarmos de isolacionismo na Coreia do Norte, seria prudente pensarmos em nós...

 

Finalmente, confesso que, depois de pensar que após a primeira foto já nada me espantaria, a segunda imagem fez-me engolir em seco ao ver o sorriso destes homens e destes jovens - quando por cá choramos simplesmente porque não encontramos aquele par de sapatos que tanto queremos, ou porque amanhã não estão 35º mas estão 30º, ou simplesmente porque a isso chamamos stress e entramos em depressão porque ainda não fizemos as malas para a próxima viagem e caos maior, até estamos de férias. Faz-me questionar onde estará a pobreza, se em Mumbai ou se em Lisboa, Porto ou outra qualquer cidade portuguesa.

 

Hoje esperava publicar um texto e sugestões literárias e musicais (ficará para segunda-feira), mas efectivamente não posso ficar indiferente a tantas palas (voluntárias?) nos olhos...

 

Bom fim-de-semana...

 

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Fonte da Imagem: Própria 

Muito se tem falado do Turismo, mas pouco se sabe sobre a dinâmica do mesmo. Uma classe que se julga urbana vê diferentes nacionalidades a deambularem pela rua e já se considera especialista em Turismo e, como qualquer português (estou aqui neste rol) opina sobre aquilo que não sabe e porque toda a gente fala nisso ao ponto da discussão sobre turismo se centrar em Lisboa ou Porto ou numa tendência que gera likes e visualizações.

 

Quando temos um jornal generalista de grande tiragem a fazer a distinção entre turista e "viajante", colocando ambos lado-a-lado e apenas baseado na questão se um tira fotos e se o outro planeia, já temos uma falácia de monta. Quando temos "especialistas" em viagens a olhar para o turismo como um conjunto de selfies ou uma lista de locais a visitar temos também um problema, sobretudo quando a mensagem dos mesmos tem eco. Turismo não é andar à boa-vida e será um conceito ao qual voltarei.

 

Mas vejamos:

 

Turista, de um modo breve, é um conceito definido teoricamente e com mais expressão em 1937, nomeadamente no âmbito da Sociedade das Nações, e que definia o turista como o indivíduo que passa no mínimo 24 horas fora do seu país. De facto, ao longo dos anos, esta definição foi sofrendo várias alterações até ser enquandrada num conceito mais abrangente, nomeadamente o de visitante, mas já lá iremos. Deste modo, o turista é um visitante que pernoita pelo menos uma noite num alojamento colectivo ou privado no local visitado. Uma nota para o facto de já não ser colocada a questão se é ou não fora do país de origem e para a dificuldade em definir o que é propriamente "pernoitar" e alguns tipos de alojamento.

 

Deste modo, o conceito de turista é uma ramificação de um conceito mais amplo, como já referi, nomeadamente o de Visitante e cuja definição é a de um indivíduo que viaja para um local fora do seu ambiente habitual por menos de 12 meses e que não exerce uma actividade remunerada no local que visita. Ou seja, o foco aqui é temporal, nomeadamente a deslocação que não pode ser superior a 12 meses e ainda a questão remuneratória. Podemos também questionar as motivações e o conceito de "ambiente habitual", mas isso é um tema mais extenso e a ser debatido de futuro.

 

O conceito de visitante, engloba ainda um outro conceito, nomeadamente o de Visitante do Dia, até há bem pouco tempo denominado de Excursionista. O Visitante do Dia não é mais que todo e qualquer visitante que não passa uma noite num alojamento colectivo ou privado do local visitado.

 

Finalmente, para chegarmos à conclusão que um Viajante não é propriamente um turista e nem se relacionam no estudo do turismo. Neste caso, o visitante (englobando aqui os conceitos de turista e visitante do dia) faz parte de um sistema bem maior e que começa, aí sim no viajante. Contudo, um viajante pode ser alguém que se desloca por um qualquer motivo, por exemplo, um refugiado é um viajante, ou até um estudante. Licínio Cunha, considerado um dos grandes estudiosos portugueses nesta área, define viajante como “(...) toda a pessoa que viaja entre dois ou mais locais, qualquer que seja o modo ou o meio da sua deslocação” (Cunha, 2009:17). 

 

Deste modo, temos aqui um conjunto de definições que nos ajudam a entender alguns dos diferentes actores e a compreender um pouco esta realidade que já não é nova mas que actualmente (no caso português) é um tema em extenso debate.

 

 Alguma bibliografia para ajudar à compreensão do tema:

 

  • Cunha, Licínio (2009[2001]) Introdução ao Turismo. Lisboa: Editorial Verbo.
  • Cunha, Licínio (2010) A Definição e o Âmbito do Turismo: um aprofundamento necessário. ReCiL - Repositório Científico Lusófona. Acedido a 28/08/2017 no endereço: http://recil.grupolusofona.pt/bitstream/handle/10437/665/A%20Defini%C3%83%C2%A7%C3%83%C2%A3o%20e%20o%20%C3%83%E2%80%9Ambito%20do%20Turismo.pdf?sequence=1
  • http://www2.unwto.org 

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"Dinner in the Sky"? Prefiro "In the Tree".

por Robinson Kanes, em 22.08.17

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Fonte das Imagens: http://www.redwoodstreehouse.co.nz/photo-gallery/

 

Uma das "últimas" tendências na área dos eventos e até do turismo é o "Dinner in the Sky", ou seja, "Jantar no Céu". Não estou a falar de uma reedição da "Última Ceia" mas agora com palco nas alturas e muito menos no "Cenáculo", em pleno Monte Sião. Também ninguém vai trair o organizador do jantar, é mesmo um jantar numa plataforma suspensa e suportado por gruas com chefs famosos a servirem. 

 

Pessoalmente não é uma iniciativa que aprecie, mesmo que digam que é moderno. Além de que... Se alguém beber bastante corre o risco de cair (não acontece, estarão presos).

 

No entanto, para comer nas alturas, um dos locais/iniciativas que mais me encantou foi recomendado por um colega austríaco na Nova Zelândia, mais precisamente em Warkworth, Auckland. O resultado é fazer a refeição nas árvores, uma espécie de regressar às origens mas de uma forma bem mais conseguida e bem mais ecológica que a anterior. Estou a falar da "Reedwoods Treehouse", um conceito de restauração extremamente interessante. Também é nas alturas, mas bastante mais natural e humano. 

 

Saborear uma refeição ou celebrar uma festa no meio da floresta, tendo para isso de atravessar uma plataforma de madeira entre as árvores e entrar num "ninho" é algo de singular. Actualmente, a "Reedwoods Treehouse" ainda só pode ser utilizada para eventos privados mas é sem dúvida um ideia excelente e que poderia ser transposta para as nossas florestas. Quando nos queixamos que a floresta está ao abandono, pode ser uma forma de rentabilizar um espaço garantindo, contudo, o equílibrio com a natureza. Ainda me lembro, quando apresentei esta ideia a um investidor e a duas câmaras, a perplexidade de todos. Embora não fosse algo novo a reacção foi esta: "acha que somos macacos para comer em árvores?". Tivesse eu falado de um jantar suspenso por gruas mas que tem mais visibilidade talvez tivesse tido mais sorte.

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O conceito é fantástico, ecológico e de extremo bom gosto criando uma experiência inesquecível. Com Portugal a ser o foco do turismo internacional, bem podemos ter uma forma de fazer o mesmo chegar a locais mais recônditos e menos conhecidos e com isso desenvolver um turismo sustentável e com reais impactes positivos no local. Além disso, a estrutura foi construída em apenas 66 dias! Quando falamos em "Turismo para Todos" não nos podemos esquecer de incluir no "todos" os que cá estão sob pena de cometermos erros que outros já se arrependeram e agora se encontram a corrigir.

 

Se ser macaco é isto, pois bem, trepemos às àrvores e aproveitemos este espaço!

 

Querem saber como tudo começou? Sigam esta ligação e vejam como uma campanha de marketing acabou por dar origem a este espaço.

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A Corrida às "Hashtags". O Exemplo de Barcelona...

por Robinson Kanes, em 21.08.17

 

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Cabeça Abstracta - Joaquín Torres Garcia (Familia Maslach, in Museu Picasso/Málaga)

Fonte da Imagem: Própria

 

 

Hashtag: espécie de Santo Graal da comunicação, necessidade de ser visto, isco

in Dicionário da Real Academia de Letras e Ciências de Alhos Vedros

 

Hashtag: também chamado de "estou em bicos de pés" ou definição do sentimento de "estou aqui, olhem para mim, sou alguém".

in Dicionário da Real Academia de Letras e Artes de Vila das Aves

 

Hashtag: inventa qualquer coisa e tenta que cole e não te preocupes com o resultado.

in Dicionário do Real Sport Clube de Massamá, modalidade de Zumba.

 

Mal sai uma notícia e logo toda a gente parece estar em cima do acontecimento. De repente, temos todos opinião sobre algo que ainda nem temos a certeza se aconteceu. Aliás, eu acredito que existem pessoas que já têm textos ultracongelados para tudo, pois ainda nem existe a dita notícia e já existem mil e uma opiniões - liga-se o forno a 180º, espera-se 5 minutos e sai um comentário sobre a queda de uma árvore. Mas esteve lá? Já viu mais dados? Não! Só viu o título da notícia que saiu no website da CMTV ou no facebook de outrem enquanto estava a "trabalhar". 

 

É extraordinário, e pegando no exemplo de Barcelona, que ocorra um atentado às cinco horas e às cinco horas e cinco minutos já existam especialistas, "comentadeiros" (escalão sem valor, no qual me incluo na vertente blogista) e um sem número de pessoas que disparam em todas as direcções. Por "sorte", não eram fake news, caso contrário teria acontecido o que acontece sempre: apaga-se o comentário ou desaparece-se do mapa por uns dias ou horas para sermos esquecidos e mais tarde voltarmos à carga... Deve ser aborrecido dizer "eu até ouvi o estrondo" e depois vir a saber-se que não houve estrondo nenhum e a existir ocorreu a uns 100km! 

 

Temos também as vítimas do costume... Aqueles que lá estavam? Não, aqueles que desejariam estar para colorir melhor um testemunho que lhes permita dizer que estão ou estiveram lá, ou, no mínimo, dizer que estão a sofrer muito e que nem vão sair de casa, que Barcelona está um caos, mesmo que estejam em Sabadell ou Lleida. Seguindo um comentário que já tinha deixado, ainda vou ver indivíduos a correrem atrás destes veículos assassínos ao invés de fugirem dos mesmos só para conseguirem um ferimento e poderem partilhar a experiência nas redes sociais! Até acho que acabei de descobrir a fórmula para acabar com o terrorismo, deixem-me fazer o meu personal branding, vulgo, gabarolice pessoal! Imaginem um terrorista a dizer a outro: "aí não, está muita gente com smartphones ainda activam a bomba antes de nós só para tirarem uma selfie, vamos para aquela esquina que não está lá ninguém, isso é que vai ser uma explosão".

 

Existem sempre aqueles que, não estando no local, querem tomar parte na tragédia, mesmo que estejam bem longe e só, mais uma vez, se apercebam que aconteceu algo porque viram na televisão ou alguém lhes disse... Se a polícia não fecha logo a área, não vão faltar indivíduos a tentar que os rostos fiquem com marcas de pneu ou poeira que adveio de uma eventual explosão. Antigamente eram os "mirones" e os "fiscais", hoje já temos uma postura mais interactiva e não nos basta olhar, há que tomar parte na tragédia e dizer isso ao mundo. Também podemos sempre ir ajudar mas não dar um passo sem registar o momento para mais tarde "partilhar".

 

Outro pormenor está relacionada com o o facto do coro dos testemunhos e solidariedade vir sempre de locais fantásticos e com classe, mas quando em outros locais do planeta rebentam corpos todos os dias ninguém parece muito preocupado em partilhar. Também não existe muita paciência para aqueles que se martirizam mais que as próprias vítimas com o típico discurso do "estou tão mal, poderia lá estar". Eu também poderia ter estado em Nagasaki ou até há mais tempo a fazer festas a um T-Rex mesmo antes de cair um asteróide na terra. Afinal chegamos à conclusão que não estamos solidários, estamos é cheios de medo e angústia porque poderia ter acontecido connosco. Meus amigos, isso não se chama solidariedade, chama-se "umbiguismo".

 

Estamos na Era em que primeiro se comenta e se tem uma opinião e depois se lê, vê ou ouve a notícia... É que enquanto reunimos dados para fundamentar uma opinião estamos a perder minutos preciosos e a deixar que as hashtags dos outros ganhem terreno. E não, vocês não são assim tão importantes, meus caros. 

 

Desejem é que nunca tenham de ouvir o som da guerra ao vosso lado bem como sentir o cheiro a morte... Se desejarem tanto isso, experimentem se tiverem coragem fora da cadeira ou do sofá e voltem para contar a história - talvez voltem, mas nem queiram falar disso... O silvo de uma explosão é das coisas que nunca mais se esquecem...

 

Finalmente uma nota: Sr. Presidente e Sr. Primeiro Ministro, existiu em tempos um estadista, ministro do reino que, perante a inércia do seu rei, disse: "é preciso enterrar os mortos e cuidar dos vivos" (há quem diga que foi o Marquês da Alorna ao invés do Marquês de Pombal). De facto, chorar os mortos traz votos e popularidade e sempre dá para mais uns minutos na televisão. O trabalho não dá e cuidar dos vivos muito menos... Mas consigo compreender, naquela época não era preciso enganar ninguém para conquistar votos porque o poder estava assegurado ao contrário do que sucede hoje em dia, que a sensação de poder é a mesma, mas é preciso ir atirando pão para a praça.  

 

Espero também que a preocupação de Vossas Excelências com o terrorismo não seja somente numa lógica externa, pois ver dois estadistas a tomar café nas ruas de Barcelona tentando fazer passar uma falsa consternação com os acontecimentos lá fora, enquanto vão permitindo que o terrorismo mantenha o próprio país em chamas é, no mínimo, caricato. Chamar a atenção em Barcelona foi das melhores hashtags que já vi. Citando alguém que não foi, mas lutou por ser estadista: se fosse comigo, "obviamente demitia-os" por traição à pátria. Para um de vós, esta expressão já não é nova, apesar de ninguém ousar falar de como era a vida do próprio antes de 1974.

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 Fonte da Imagem: 

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Sexta-feira, o dia já conhecido pela actividade que me há-de acompanhar toda a vida: passar-a-ferro.

 

Lamento não ter texto sobre uma cidade onde vivi três meses e que foi alvo de um atentado, mas confesso (do ponto de vista pessoal) que não sigo a loucura dos "bicos de pés", vulgo hashtags... Posto que, quando a poeira assentar e termos percebido um pouco o que se passou, vou voltar ao assunto. Espero que as "Madres-Teresa de Calcutá" aproveitem também para partilhar fotos com os cadáveres dos mais de 50 civis que morreram esta semana na Síria "por engano" e durante um ataque da coligação. Eu sei que dizer que se esteve ou está em Barcelona é mais cool, mas Damasco é logo a seguir a Ankara e além disso tem uma história milenar.

 

Hoje pensava falar de uma zona de praia e de mar, mas a revolta que por aqui vai com os incêndios é maior e não pretendo ser mais um a dizer que está muito preocupado com a temática ao mesmo tempo que tira uma foto a beber uma caipirinha no Algarve ou num outro destino qualquer.

 

Deste modo, esta semana deixo também a música de lado e parto para os livros: "A Farsa" de Raúl Brandão e a personagem de "Candidinha" fazem-nos querer matar tal figura logo de início e, sobretudo no fim da obra, quase que nos sentimos vingados com a morte do filho. Deixo que leiam este livro de desencanto com o mundo, ódio e ambição bem pincelada de tristeza, em suma, um expressionismo e neo-romantismo bastante característicos da obra de Raúl Brandão.

 

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Fonte da Imagem: Própria 

 

E como os temas estão fortes, revisito também Gabriel Garcia Márquez (parece que ando em maratona com o génio) e o seu "Outono do Patriarca". Sem entrar em grandes revelações, é interessante a leitura na medida em que é um retrato fiel de muitos ditadores e marca a literatura de uma época (apesar da obra estar bastante actual) que se debateu também nesta matéria - nomes como Miguel Angel Asturias ou Augusto Roa Bastos são bons exemplos. Garcia Márquez é conhecido pelas suas descrições violentas, mas aqui tem um toque especial, pois no fundo é um relato com espaço para toda a imaginação e espelho do real do autor sobressairem num máximo esplendor. Provavelmente ainda voltarei a este livro para a semana.

 

E um filme? Imaginem que numa só pelicula conseguem ter Sean Connery, Michael Caine (uma vénia), Robert Redford (idem), Gene Hackman (idem), Dirk Bogarde (de "Morte em Veneza"), Antonhy Hopkins (outra vénia), Edward Fox, Ryan O'Neil (gostei dele em "Barry Lindon"), James Caan,  Lawrence Olivier  e um outro sem número de estrelas.

 

Se gostarem do género, somem o facto de ser um filme de guerra, baseado numa conhecida operação militar da 2ª Guerra Mundial, nomeadamente a "Operação Market Garden" (e também no livro de Cornelius Ryan)!

 

Quem já andou pela Holanda e não ficou só por Amesterdão decerto passou pela icónica ponte de Arnhem - é aí que a missão falha redondamente para o lado dos aliados, que animados pela "vitória" na Normandia tentam entrar na Alemanha pela Holanda conquistando várias pontes.

 

O filme realizado por Richard Attenborough tem o nome de "A Bridge too Far". O nome ficou famoso, pois na realidade, o Tenente-General "Boy" Browning (interpretado por Dirk Bogarde no filme) virou-se para um optimista General Montgomery e disse que os aliados tentaram ir longe demais, neste caso, uma ponte longe demais. Se gostaram de Anthropoid, que já teve por aqui um artigo, vão adorar este. Aposto também que, ao fim de 3 horas de filme, vão assobiar durante muitos dias a banda sonora de John Addison. Com estes actores e com mais uma lição de história, não tenho dúvidas que o fim-de-semana ou a semana têm tudo para ser mais animados... Ideal para o pós-ferro e para quem sabe que já não se assiste a um bom filme de guerra desde "O Resgate do Soldado Ryan".

 

E não me acusem de ser saudosista ou velho! Em 1977, penso que ainda nem os meus pais se tinham conhecido.

 

Bom fim-de-semana...

 

P.S: A ponte de Arnhem tem agora o nome de "Ponte John Frost" em homenagem ao Tenente-Coronel John Frost que esteve à frente das tropas aerotransportadas que defenderem a ponte naquele fatídico mês de setembro. Esta personagem é interpretada no filme por Anthony Hopkins (uma vénia).

 

Actualização a 19/08: Se repararam, tive o meu momento à Jorge Jesus no último parágrafo quando escrevi "defenderem" ao invéms de "defenderam".

 

 

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