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 Fonte da Imagem: Própria.

 

Foi a partir deste espaço que o incêndio foi comandado e em que se viveram os difíceis momentos da gestão de informação referente às fatalidades. Foi igualmente neste espaço que foi recebido o Senhor Presidente da República, para além de outras entidades que visitaram o PCO na noite do dia 17 e madrugada do dia 18 de junho.

Das audições efetuadas por esta CTI foi unânime a opinião, manifestada por operacionais, autarcas, agentes de proteção civil entre outros testemunhos, de que o PCO estava permanentemente superlotado, desorganizado, desorientado, descoordenado, com autoridades políticas a intervirem também nas decisões operacionais. A comunicação social estava em peso e muito próxima do PCO. O comando e coordenação da operação era obrigado a intervalar o seu trabalho para realizar briefings às diferentes autoridades e entidades que ali se deslocaram. E as comunicações não fluíam, atendendo também à localização do PCO e às falhas detetadas no SIRESP (...) O comando de uma operação de socorro não pode ser prejudicado por estas circunstâncias, como parece ter acontecido em vários momentos.

(pág. 130)

 

E o circo das "selfies" e dos coletes pomposos instalado e a interferirem nas operações prejudicando o trabalho dos especialistas, tudo a favor da popularidade. Neste âmbito a comunicação é fundamental mas foi severamente condicionada pelo folclore mediático...

 

É, contudo, excecional que tenha havido uma decisão do COS, 2.o CONAC Albino Tavares às 04h56 de 18 de junho, ordenando ao Chefe Sala do CDOS de Leiria que os operadores de telecomunicações não deveriam registar mais informações na fita de tempo no SADO acerca dos alertas que ali recebiam. A partir daquela hora todos os alertas deveriam ser comunicados ao PCO por telefone, e só após validação do mesmo, seriam ou não inseridos na fita do tempo do SADO. O 2.o CONAC, no decorrer da sua audição junto desta CTI, justificou a sua decisão com o excesso de informação que era produzida a partir do CDOS de Leiria.

Este procedimento contraria o SGO, bem como toda a doutrina instituída relacionada com o funcionamento do SADO, que impõe que as todas as situações críticas devem, até de forma intempestiva, ficar registadas no sistema, independentemente da determinação operacional associada. Esta determinação do COS pode subtrair à fita do tempo do SADO informações que poderiam ser importantes para a compreensão dos acontecimentos na noite de 17 para 18. Pode até admitir-se que, para além das falhas de comunicação provocados pela rede SIRESP, pudessem ter havido pedidos de ajuda veiculadas através de chamadas efetuadas para o PCO mas que não teriam sido registadas.

Por este motivo, as informações registadas podem ter impedido que se conheça completamente o que se passou naquele período de tempo, introduzindo uma exceção no procedimento de que deveria ter sido executado de forma inquestionável. (pág. 132)

 

Porque se manda "desligar" a "caixa negra" das operações? Partiu do operacional nomeado ou partiu de outrem? Estamos perante algo que pode ser considerado um crime que visa ocultar provas.

 

Vale a pena referir que, no decorrer da operação de combate, houve Comandantes de sector que referiram nunca terem sido contactados pelo PCO. A dimensão do incêndio, as dificuldades de comunicação, os resultados dramáticos em termos de vidas humanas e o ambiente gerado pelo congestionamento nas instalações do PCO permitem talvez justificar aqueles comportamentos, embora se entenda que sem coordenação e sem orientação não é possível executar a ação de comando. (pág. 132)

 

Sem comentários...

 

Importa referir ainda que, como órgão diretor no âmbito de uma operação de socorro, o PCO tem a obrigação de dar nota pública do ponto de situação da ocorrência de forma regular. Constatou- se que a autoridade operacional não o fez nas primeiras 30 horas da ocorrência. A autoridade política assumiu, em parte, essa função. Esta, no seu âmbito, desempenha naturalmente o seu papel, mas não menos importante nestes acontecimentos, é o papel da autoridade operacional, que deve conduzir a gestão da informação operacional de emergência nos diversos escalões, com o objetivo de fornecer, proactivamente, informação técnica e operacional, oportuna e precisa, aos órgãos de comunicação social e aos cidadãos.

 

Idem

 

Constata-se assim que num intervalo de 3 horas, entre as 19h30 e as 22h30, o incêndio teve três COS, o que por si só não traduz uma decisão errada. Mas a questão é que estes ajustamentos coincidiram com a fase mais crítica da operação de socorro, pelo que não é garantido que nestas passagens de comando, ainda que cara a cara, alguma informação mais critica não tenha sido desvalorizada ou perdida. (pág. 137)

Esperava-se que a estrutura do Comando Nacional, recentemente reforçada, daria garantias de acompanhamento e funcionamento do CNOS para o número de ocorrências que se verificavam no país. Sublinhe-se que mais de 95% das ocorrências foram acompanhadas e resolvidas pelos respetivos Comandos Distritais. A presença ativa do Comandante Nacional teria todo o sentido pelo facto de se estar perante uma das piores catástrofes com que o País alguma vez foi confrontado. (pág. 138)

 

Casa onde todos mandam... 

 

há relatos testemunhais que referem a existência de uma fila de trânsito que se terá formado na EN 236-1, no troço entre o nó com o IC 8 e o cruzamento para Várzea/Vila Facaia, em momento não determinado mas não muito tempo depois das 20h00, coincidindo com a fuga a partir das aldeias a leste da EN 236-1. Este congestionamento terá dificultado a progressão do trânsito para sul e tido eventualmente consequências fatais para algumas das pessoas que se encontravam na EN 236-1 a tentar fugir às chamas, e que acabaram por tomar o sentido inverso na direção de Castanheira de Pera. A este respeito o relatório da GNR é completamente omisso, apesar de terem sido ouvidas várias testemunhas civis no âmbito do inquérito. (pág. 143)

 

Porque não estão esses testemunhos no relatório da GNR?

 

Muito embora a atuação da GNR pareça, de acordo com as informações recolhidas, ter sido a correta, dentro de todos os condicionalismos, nomeadamente de comunicações, e tendo em conta a excecionalidade da situação, fica por apurar até que ponto o corte do acesso ao IC 8, terá tido alguma influência no relatado congestionamento de trânsito na EN 236-1 entre o cruzamento com estrada Várzea/Vila Facaia e o nó com o IC 8. Fica também por apurar a aparente contradição sobre o relato de não haver trânsito naquela via entre as 20h00 e as 20h15, e os relatos que referem a existência de um congestionamento de trânsito. Finalmente fica por apurar porque razão, perante a rápida aproximação da frente de fogo, não foi feito o corte da EN 236-1 na direção Figueiró dos Vinhos – Castanheira de Pera. A justificação de não haver ordens do COS nesse sentido, contrasta com a descrição de que os cortes de estrada foram essencialmente tomados por livre iniciativa dos militares da GNR, de acordo com a sua perceção do risco para a circulação do trânsito. (pág. 144)

 

Este parágrafo levanta imensas questões e contrariedades sobre as quais uma investigação criminal se deveria debruçar. Demasiadas pontas soltas que não podem ficar sem resposta, pois foi aqui que se deu uma tragédia de grandes proporções e que levou à morte de muitos cidadãos.

 

Mais para diante, estão as propostas, com toda a certeza um tema futuro... De Pedrogão e de outras ocorrências ficam as mortes pelo desleixo, sobretudo de quem comanda, pelo folclore político e por uma enorme falta de competência e sentimento de impunidade que teimam em grassar, sobretudo no sector público. A todos aqueles que combateram com o que sabiam e podiam, sobretudo os que não estiveram em posições de comando, uma grande agradecimento...

 

 

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 Fonte da Imagem: Bruce Beattie - Daytona Beach News Journal

 

O tema não é novo, mas repete-se... E como se repete continua tão actual como aquando da primeira polémica espoletada acerca do mesmo.

 

Sempre que estamos perante um atentado terrorista assistimos à divulgação de imagens (quantas vezes não são as mesmas repetidas atá à exaustão) de pessoas feridas, mortas, em pânico, completamente aterrorizadas e, em alguns casos, até à divulgação do próprio atentado a ter lugar (Charlie Hebdo foi um dos melhores exemplos). Se a sede de vendas aqui ainda encontra uma "descupabilização", o que dizer quando os perpetradores do terror fazem um balanço do ataque e promovem a causa?

 

Pretendo com isto dizer, e em Barcelona a cena repetiu-se, que um dos grandes cúmplices do terrorismo - porque espalhar o medo é terrorismo, não é só pressionar um gatilho - poderão ser os media. O alegado vídeo do Daesh a reinvindicar o ataque foi repetido mil e uma vezes por esse mundo fora e Portugal não foi excepção. Será que não basta "uma" notícia a informar que o Daesh (ou outro movimento) reinvindicou o ataque e voltou a ameaçar? E será que estes vídeos são muitas vezes confirmados, sobretudo do ponto de vista da origem? Não me é de todo difícil colocar um vídeo igual a muitos outros do Daesh a circular na internet.

 

É aqui que também pretendo chegar... Ainda me recordo de ver os vídeos da ETA, do Hezbollah, do IRA e de outros tantos movimentos, onde o foco do mesmo passava por indivíduos que difundiam uma mensagem; mas hoje os videos são mais elaborados e coloridos com imagens que são retiradas dos próprios media. Não só estamos a alimentar a propaganda com conteúdos mas também a divulgar a mesma. Se eu sair à rua com uma suástica no braço arriscarei, por certo, algumas consequências menos boas, contudo, divulgar o ódio e o terror continua a ser um crime que passa impune sob a capa da liberdade de informação - seja de forma propositada ou negligente. 

 

Finalmente, uma nota para o actual Presidente da República Portuguesa e que me ficou retida aquando dos atentados de Barcelona: dizer que nunca morreu tanta gente, nem existiram tantos atentados terroristas como hoje, sobretudo na Europa, revela um desconhecimento da História, sobretudo a mais recente.

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É Tudo Uma Questão de Nervos...

por Robinson Kanes, em 06.04.17

 

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Fonte da Imagem: http://www.cbsnews.com/news/chemical-nerve-agents-a-very-toxic-and-horrible-way-to-die/

 

Um serão em família bem planeado... pai e mãe chegam dos empregos, ele prepara o jantar, ela dá banho aos miúdos. Brinca-se, pensa-se em como pagar o empréstimo da casa, diz-se mal dos amigos e chega a hora do jantar.

 

Entre chamadas de “João anda para a mesa” ou “Matilde, deixa a internet”, todos se sentam à mesa e começam a jantar. Cheira a comida oriental, uma receita que o pai retirou de um blogue. Uma ideia dos amigos e que, segundo ele, é uma receita de um país atrasado e de Terceiro Mundo.

 

A cidade está alegre, é Verão, ouvem-se crianças a brincar na rua, o vizinho do lado a chegar e aquela família a jantar com os últimos raios de sol a inundarem a cozinha daquele T3 nos arredores de Lisboa.

 

Pelo meio fala-se de futebol e do Ronaldo, fala-se do carro novo que já está decidido, dos detalhes do empréstimo e da escola dos miúdos. João exige umas sapatilhas novas, todos os amigos têm.

 

De repente, um estrondo... a mãe levanta-se, vai ver. Só os cães ladram, as crianças na rua continuam a brincar. O sol em Lisboa é mágico e inunda a praceta de uma cor de fim de tarde que contrasta com o cinzento esverdeado dos prédios.

 

A televisão ligada corta o diálogo, deixou-se de falar do melhor penteado e da figura pública mais bem vestida e chegam as notícias do mundo. O Pai diz - Não há paciência, merda para esses árabes! – e desliga a televisão.

 

É nesse momento que o som das crianças na praceta também se desliga, é também nesse momento que João começa a tossir. Os músculos do rosto contraem de tal modo que o João fica desfigurado num rosto digno de uma tela de Goya no seu período mais negro. Cai ao chão e apresenta convulsões que o fazem babar o ladrilho e urinar as calças que a avó com tanto carinho lhe deu. Agarra o pescoço, luta com os seus braços ainda pequenos, mas em vão...

 

Os pais acorrem em pânico, não conseguem perceber o que se passa, a linha de emergência está ocupada... Matilde, até então em choque, contorce-se na cadeira, agarra-se ao peito, o coração deixa de bater e os pulmões contraem-se de tal modo que nenhum oxigénio circula. Asfixia, cai perto de João que jaz já cadáver perante a falência respiratória. O seu rosto de menino transformou-se num retrato dantesco, as suas pupilas transformadas em mínimas esferas e o rosto com um olhar de horror, transformaram-no num pedaço de tragédia humana. A mãe vem gritar para a janela e vê os corpos das crianças que brincavam na rua no chão e amortalhados entre saliva e urina. Os pais, em pânico na praceta, choram e agridem os tripulantes das primeiras ambulâncias a chegar ao local.

 

No apartamento, de joelhos e em lágrimas, os pais sentem-se perdidos no mundo, João de 10 anos e Matilde de 8, foram vítimas de um ataque com agente nervoso. O cheiro da urina dá lugar a um cheiro pesado a insecticida... a um cheiro a morte.

 

Um dia pode ser na sua casa... com os seus filhos... os ataques com armas químicas são crimes de guerra, são verdadeiros crimes contra a Humanidade! Humanidade, significa que são contra si. Já foi ver se os seus filhos estão bem?

 

 

(Os ataques com armas químicas não são recentes. Sobretudo na Síria não é nada de novo, em 2013 não morreram 100 pessoas como no último ataque conhecido... morreram 1300 pessoas e o mundo virou a cara. Ao longo destes últimos anos o cenário tem-se repetido e penso... não aprendemos nada com a memória plástica que nos deixou Pablo Picasso com o seu Guernica.)

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Marcelonite Aguda!

por Robinson Kanes, em 28.12.16

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 El Greco, A Cura do Homem Cego (Gemäldegalerie Alte Meister)

 

Esta época de Natal fez-me passar mais tempo em casa de familiares e, como tal, o acesso à informação televisiva foi maior (infelizmente).

 

Na verdade, e não querendo focar-me na questão política, não é isso que venho aqui abordar, sou só eu que sinto que existe uma “Marcelomania” nos media nacionais?

 

Confesso que não quis chegar aqui e debitar matéria ao acaso, pelo que aproveitei a disposição e parti em busca de matéria por outros meios de comunicação para além da televisão.

 

De facto, pessoas como as Kardashians encontraram um rival à altura: o nosso Presidente da República. Deduzo que o tempo de antena de Marcelo é superior ao destas e... reparem que os Estados Unidos são um país bem maior.

 

Tive oportunidade de reparar que o senhor comenta tudo, desde as fotografias do ano em semanários, aparece na capa da “Caras” – grande órgão de informação – comenta a morte do gato da D. Matilde que vive no Samouco, comenta uma rixa popular em Sendim, sem esquecer de sugerir a ceia de Natal e a bucha ideal para qualquer montador de andaimes. Denoto que comenta também o facto de existir muita gente que coloca xarope nas panquecas ao invés de doce ou mel.

 

Também reparei, juntando toda a matéria recolhida, que existe uma máquina poderosa de comunicação, paga pelos contribuintes, a dar azo a toda esta patologia... pois, até a mais “inocente” visita a um hospital à meia-noite foi seguida por um batalhão de jornalistas... e não é que cerca da meia-noite, no dia de consoada, nessa mesma visita "informal" a um hospital central, ainda por lá estava o Director Geral de Saúde... contudo, para mim, o melhor ficou guardado para o fim, com aquele beijo a uma agente da PSP.

 

Falamos de Trump, mas fomos nós os primeiros a ter um Presidente Pop (como já li ser apelidado) que utilizou os media (ou foi utilizado) como ninguém para atingir um objectivo... apesar de tudo, mal ou bem, Trump ainda deu ideias.

 

Ao pensar neste estado de coisas, só me consigo recordar de um dos pensamentos de Vergílio Ferreira... na obra Pensar e que dizia o seguinte:

 

Fala baixo, não te estafes a falar alto, deixa que os outros se esfalfem até ficarem calados. Falar alto é compensar o que em ideias é baixo. E essa é a compreensão dos que escutam. Não te esforces a falar alto. Serás ouvido quando os outros se esfalfarem e já não tiverem voz. Como o que se ouve num recinto depois que o comício acabou.

 

Temo que o nosso Presidente da República esteja a esquecer o essencial e a acompanhar uma tendência com repercussões nefastas a longo prazo.  Estamos perante o “não importa o que faço, o que importa é aparecer”. Para um povo descuidado de cidadania, a estratégia é brilhante... mas para o país... aguardemos para ver se não estaremos perante mais um mau exemplo de Liderança camuflado por uma cegueira colectiva.

 

Fonte da Imagem: Própria

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Mais Letal que um Comando!

por Robinson Kanes, em 22.11.16

COMANDOS-2.jpg

 

O que é que pode ser mais letal que um Comando (e não é de televisão)? Os media e um coro de indivíduos que usa e abusa da liberdade para achincalhar aqueles que estão na mó de baixo.

 

Seria interessante perceber porque se tem dado tanta importância a duas mortes nos Comandos, ocorridas no Verão e já nem se aborda a corrupção que grassa na Força Aérea e outras instituições... ou por exemplo, de dois Secretários de Estado que vendem a alma ao diabo a troco de bilhetes para o futebol e, depois de descobertos (depois de... descobertos), declaram ter a intenção pagar os custos de tamanho regabofe.  A integridade é reposta como se essa mesma integridade estivesse nos custos e não nos actos.

 

Será que se eu assaltar uma ourivesaria, for capturado e depois prometer o reembolso das peças escapo à justiça ou ao julgamento das populações?

 

Se existiu crime, mesmo que por negligência, deverá ser investigado e punido. Incluo a questão relacionada com o Regimento de Comandos.

 

É raro o dia que não circule uma notícia que permita o mau julgamento por parte dos cidadãos... a "última moda" é ir contado os recrutas que desistem dos cursos... é uma tropa de elite, as desistências são muitas vezes a regra, não a excepção. O desconhecimento dos factos é assustador...

 

No entanto, só quem nunca entrou no quartel da Carregueira é que pode afirmar que os Comandos não se respeitam como camaradas. Estamos a falar de uma força de elite e operacional - activa para a defesa do país e das populações a qualquer momento. Estamos a falar de homens que não hesitarão em dar a vida por nós, mesmo que debaixo do nosso achincalhamento.

 

Onde estavam os críticos quando os nossos Comandos estavam e continuam a estar, por exemplo, no Afeganistão como força de paz? E os louvores desse trabalho? Visitem o quartel da Carregueira e vejam os louvores que as instituições internacionais e até forças armadas congéneres concederam a estes homens... estão patentes nas paredes... bem como a “memória” pelos camaradas que se perdem...

 

Onde estão os cidadãos que não hesitam uma boa pancadaria virtual para defender uma Cristina Ferreira (nada tenho contra a senhora) ou um Pedro Dias mas protelam esta destruição pública daqueles que morrem a lutar por esses mesmos cidadãos? Ou porque é que os cidadãos não se questionam do porquê dos monumentos nacionais serem guardados por empresas de segurança privada e não por militares?

 

Os criminosos devem ser punidos, mas nunca se confunda uma instituição com um ou mais comportamentos, até porque muitas vezes determinadas falhas ocorrem devido a problemas estruturais.

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Trump Não! Não Gosta de Democracia?

por Robinson Kanes, em 11.11.16

 

donald-trump.png

 

 

Todos falam do Sr. Trump, e eu? O facto de estar fora de Portugal tem-me ajudado a ver este episódio sem a influência da nossa fraca comunicação social e dos comentadores do costume, já repararam que são sempre os mesmos?...

 

Antes, gostaria de dar voz a Lenine (e nem partilho das convicções do mesmo) quando disse que “a liberdade é um bem tão precioso que tem de ser controlado”. Neste momento vejo o mundo democrático a aplaudir essa afirmação... paradoxal? Lenine deve estar a sorrir...

 

Os americanos votaram e ganhou um presidente. Nós não somos ninguém para falar de política interna norte-americana – prestamos mais atenção à política americana que à nossa política interna. Mas aqui voltaremos.

 

Os media (e não só nos EUA) que mostraram uma parcialidade em relação à eleição de Trump e que tentaram inclusive orientar o sentido de voto do povo americano para Hillary Clinton foram derrotados – mas não foram derrotados numa espécie de batalha única – Trump, num dos momentos mais delicados da sua carreira, foi vendido por estes mesmos media como um empresário de sucesso e como um dos melhores empreendedores e business man dos Estados Unidos.  À época, Trump arriscava falir e tinha sido "diagnosticado" pela banca americana somente como um nome demasiado grande para cair, apesar do fiasco em termos de gestão.

 

Trump usou e foi exaltado pelos media e foi uma criação destes. Não vamos esquecer que em Portugal também temos o nosso Trump - Marcelo Rebelo de Sousa deveu a sua eleição a anos de exaltação nos media. Ainda se lembram do “se Marcelo disse é porque é” ou do “Marcelo afirma, acontece” mesmo que os discursos fossem vazios? Vimos jornalistas a fazerem campanha pelo actual Presidente da República que só foi derrotado pela abstenção. Sim, Marcelo sem apresentar soluções na campanha eleitoral e até ao longo de uma vida de comentador utilizou o show off a seu favor e conseguiu (não nutria simpatia pelos demais candidatos e não pretendo defender ninguém em detrimento de outrem).

 

Finalmente uma nota: não devemos questionar se Trump é uma boa ou má escolha, no entanto temos de pensar que se Trump venceu:

 

  1. A política, ou melhor, os políticos actuais estão descredibilizados e não é só nos Estados Unidos, está para rebentar uma bolha poítica?
  2. A sociedade está despedaçada em muitos sectores e palas nos olhos como ideologias de esquerda e de direita já não resolvem problemas financeiros, sociais, militares, territoriais, políticos e ambientais;
  3. O populismo ganha terreno e já vimos como isso acaba, ou caso contrário não falámos de História na escola;
  4. Orwell ainda está tão actual como quando escreveu a Quinta dos Animais;
  5. Estamos demasiado focados em gadgets e inovação tecnológica (o que é óptimo) e menos no lado humano e social, o resultado está aí.
  6. Comunicação e media – quando se pensava que os media estavam a perder terreno eis que estes se mostram mais fortes que nunca confundindo-se informação com publicidade e as duas com propaganda.
  7. A Califórnia já está com pensamentos separatistas.

 

São provocações que nos devem fazer pensar... quanto ao senhor Trump, goste ou não, tenho de dizer, como todos os que defendem a Democracia, que se não estão contentes podem sempre solicitar um regime ditatorial e não cair no paradoxo que têm caído nos últimos dias ao defenderem a Liberdade e a Democracia por um lado e pelo outro a desejarem a cabeça de Trump servida numa travessa.

 

P.S: faleceu Leonard Cohen... não era o maior admirador, mas reconheço o enorme talento!

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