Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Trovatore_1985-s.jpg

 Fonte: http://www.thirteen.org/13pressroom/press-release/great-performances-at-the-met-il-trovatore/

 

Ontem tive a notícia de que o mundo da música ficou mais pobre... Fui confrontado com a morte do siberiano Dmitri Hvorostovsky, o grande barítiono russo que não resistiu a dois anos e meio de luta contra um tumor cerebral.

 

Dmitri Hvorostovsky é uma jóia russa e isso ficou bem patente nas condolências prestadas pela presidência do seu país. De Hvorostovsky só posso recordar algumas árias de grandes óperas, uma delas a "Di Provenza il Mar Il Suol" da "La Traviata",ópera de Verdi que já abordei aqui, onde desempenhou o papel do pai de Alfredo, o Sr. Giorgio Germont. Deixo aqui uma dessas interpretações, é belo... E porque não dedicarem uma parte do fim-de-semana à "La Traviata?

 

E como hoje é dia 24 de Novembro, celebra-se também o aniversário da morte de outro senhor da música... O tanzaniano Farrokh Bulsara que em 1991 nos deixava um dia após ter assumido a doença (HIV). Para muitos, este nome é estranho, mas se vos falar em Freddy Mercury já é possível que conheçam... Por isso, depois de uma triste "La Traviata" e de chorarmos a morte de Violetta, nada como apreciar os "Princes of the Universe" dos "Queen"... Afinal acabamos todos por ser principes neste universo infinito... Gosto especialmente da sonoridade deste tema e claro, da guitarrada a solo do Brian May, o grande guitarrista da banda... 

 

Finalmente, tenho de falar num livro de Ludgero Santos e que não é fácil encontrar em livrarias... Falo do "Perfume da Savana"... Sei que muito já se falou deste livro por aqui, pelo que vos dispenso a descrição do enredo. Aponto, contudo, que só alguém com uma grande vivência em África poderia escrever tal livro... Muito se escreve de África mas poucos terão experenciado e conseguido colocar em livro ou documentário aquilo que Ludgero Santos nos descreve... Ludgero é um guia de uma África única e de tempos passados que marcaram gerações de negros e brancos... A coroar tudo isto, a capacidade de Ludgero em descrever o amor e em criar uma daquelas histórias que nos prendem e que nem sempre acabam como desejamos...

 

Desconheço se estamos a falar de ficção ou de realidade, mas a sensação com que fico é que estamos quase num relato na primeira pessoa. Obrigado Ludgero.

 

IMG_20171124_083415.jpg

Fonte: Própria.

 

 Bom fim-de-semana...

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Com Lenine, Estaline e Tchaikovsky...

por Robinson Kanes, em 10.11.17

IMG_20171110_090509.jpgFonte da Imagem: Própria.

 

Por estes dias "celebrou-se" o aniversário da revolução soviética pelo que, embora tenha muitas questões em relação à mesma, não podemos negar que nos ficou comouma marca histórica que não pode ser apagada, mesmo que esse fosse o modus operandi, aliás, continua a ser, de uma esquerda mais radical. Foi isto que me deu a ideia para criar este artigo que já vai sendo de sugestões para o fim-de-semana e para a semana...

 

good_bye_lenin-521077390-large.jpg

 A primeira prende-se com Vladimir Ilyich Ulyanov, mais conhecido por Lenine. Mas não vos vou falar do estadista mas sim de um filme que é um dos relatos ficcionais mais brilhantes da história do cinema: o filme alemão "Good bye Lenin!" ou como é conhecido em Portugal, "Adeus Lenine!". Para muitos é uma comédia, para mim é um drama, sobretudo se escutarmos atentamente a banda sonora (Yann Tiersen) e nos deixarmos envolver na história. É o relato de uma mulher, comunista fervorosa que após um coma de 8 meses em 1989, desperta já em 1990 numa Alemanha unificada, onde já não existe divisão. Para evitar futuros ataques cardíacos, o filho, um anti-comunista, tudo fará para proporcionar no apartamento de Berlim uma encenação de como a Alemanha de Leste continua activa e o comunismo não caiu. O grande desafio vai ser, num país que abre os braços ao capitalismo, tudo fazer para parar a história. Um filme alemão dos mais brilhantes do século XXI e um dos meus preferidos onde política e família desempenham um papel ímpar e digno de apreciação. Este filme foi galardoado com um Goya, um César e tantos outros prémios. 

(Fonte da Imagem:http://www.wartburg.edu/2017/01/24/wartburgs-german-film-series-continues-with-good-bye-lenin/)

 

 

 

 

De Lenine, vamos até Estaline onde "A Vida Privada de Estaline", de Lilly Marcou merece o meu destaque. Uma daquelas biografias que não nos cansam, mesmo que descritas com minúcia. Mostra-nos sobretudo o homem com um carácter mais humano e familiar contra o homem que vive na obcessão da traição e que o fazia eliminar todos aqueles que julgava serem potenciais traidores, inclusive alguns dos que lhe eram mais queridos. Fala da eliminação de Trotsky e de como se aproximava daqueles que, pelos quais, não nutria grande simpatia e afastava quem já não lhe pudesse acrescentar nada de novo aos seus planos como foi o caso de Kamenev, após o assassintato de Trótski.

É um livro nada tendencioso e que não teme em elogiar, quando assim tem de ser, o monstro que, segundo muitos, exterminou mais seres-humanos que o próprio Hitler. Interessante será observar a relação deste com a mãe.

 

Finalmente, temos de abrir espaço para um génio e para um dos mais belos concertos para violino: Pyotr Ilyich Tchaikovsky e o "Concerto para Violino em Ré Maior Op. 35". Para mim é uma obra-prima e talvez um dos mais belos concertos alguma vez compostos! É daqueles registos clássicos que ouvimos vezes sem fim e que para os intérpretes é um desafio e tanto na medida em que é conhecido pela sua dificil execução. Cá por casa é presença habitual e já me tem valido alguns comentários do género "não ouves mais nada?". Estreado em Viena tem a particularidade de ter sido dedicado a Leopold Auer que se recusou a interpretar o mesmo, recaindo uma segunda dedicatória em Adolf Brodsky. Composto em 1878 na Suiça é talvez a expressão da depressão que o afectou então a propósito do divórcio com Antonina Miliukova! Para os que não apreciam música clássica, não tenho a mínima dúvida que serão os 35 minutos musicais mais preciosos que poderão escutar, o primeiro andamento (Allegro Moderato) será o suficiente para vos conquistar. Não faltam intérpretes a percorrer a obra do autor, por cá, Valeriy Sokolov é um deles, no entanto rapidamente encontramos vários em registo de disco ou nos canais online.

 

É um concerto inspirador e uma presença constante em momentos mais tenebrosos mas também naqueles momentos em que são necessários decisões com impacte em larga escala. Não gosto de entrar neste tipo de rótulos mas é sem dúvida uma das 10 músicas para ouvir antes de morrer. Deixo-vos numa interpretação feminina de Julia Fischer com a Orquestra da Radio France.

 

Bom fim-de-semana e... Sonhem...

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

De Léon, o Profissional aos Ratoneiros...

por Robinson Kanes, em 27.10.17

1*cQ3z3DWc3rw5uc9cstN3tA.jpeg

Fonte da Imagem: https://cdn-images-1.medium.com/max/1600/1*cQ3z3DWc3rw5uc9cstN3tA.jpeg

 

 

Como prometido a um habitual seguidor e posto que a imagem coloriu um dos meus artigos esta semana, uma das minhas sugestões vai passar por um filme: "Léon, o Profissional". Este é um filme com Jean Reno, Natalie Portman (e que prodígio já ali estava) e Gary Oldman. Não sendo um dos meus realizadores preferidos, só Luc Besson conseguiria inesperadamente  transformar um filme de pura acção com corruptos e pistoleiros, num drama singular.

 

Não desenvolvendo muito do filme, assistir a Jean Reno no papel de um assassino profissional mas que no fundo não passa de um ingénuo indivíduo é algo fantástico - Léon mata para o seu "padrinho" (Tony, um mafioso) que lhe "guarda" todo o dinheiro e faz com que Léon carregue uma vida miserável. Léon nada conhece do mundo, mas é um apaixonado por filmes musicais dos anos 40 e 50, bebe copos de leite quando outros bebem Vodka e ainda cuida de uma planta como muitos de nós não cuidam de um ser-humano. É interessante este lado de Léon que se irá reflectir na relação que terá com Mathilda (Natalie Portman).

 

É Mathilda que mudará a vida de Léon e também acabará por ver a sua altamente marcada por este... Aliás, Léon morrerá a salvar a sua protegida e a vingar a morte dos cuidadores desta e especialmente do seu irmão. Todo o filme tem uma carga dramática, a relação de ambas as personagens é deveras interessante, e na chamada "versão do realizador", Besson chega a explorar uma certa paixão entre o assassino e a menina de 12 anos - o público não gostou e os cortes impuseram-se, mas eu aconselho essa versão. A isto, acresce aquele que me encantou na primeira vez que vi um filme e, sendo eu à época, um miúdo de 10 anos, jamais conseguiria apanhar mais que isso - Gary Oldman. Reparem quando este fala de Beethoven e Mozart depois de ter morto uma família inteira e o célebre grito (que afinal foi um improviso para fazer Besson rir um pouco) "bring me everyone" que acabou por ficar no filme original - surge no minuto 1:44 do trailer. Um filme onde os bons não ganham sempre...

 

Considerado por muitos digno de figurar na lista dos melhores filmes de sempre, é uma fita que à primeira vista pode parecer mais um "dirty harry style" mas consegue agarrar-nos de uma forma nem sempre normal nestes argumentos. Talvez por essa surpresa tenha gerado tantas paixões.

 

Para ler, e já que andamos pelo lado de lá do Atlântico, nada como visitar o escritor do Mississipi, William Faulkner. Escolhi "Os Ratoneiros", último livro do autor que deu origem ao filme com o mesmo nome e com Steve Mcqueen no papel do destemido Boon. Nos Estados Unidos dos anos 20, Boon, um ratoneiro (ladrão) e empregado da família, convence Lucius a roubar o carro do avô e com Ned viajam até Memphis vivendo um sem número de aventuras que são uma tremenda descoberta para todos. Estamos perante uma viagem para o desconhecido, cheia de peripécias e onde a amizade é sempre posta à prova. Gosto particularmente de Boon que terá também um final interessante com uma das personagens que não mencionei aqui, por motivos óbvios. E porque não associarem o filme ao livro e debruçarem-se sobre os dois? Vai ser impossível não gostarem de Boon e do "tolo" Ned.

 

IMG_20171027_093241.jpg

Fonte da Imagem: Própria.

 

 

Se Steve Mcqueen não for suficiente, talvez a banda sonora de John Barry o seja... Histórias diferentes, também para diferentes estados de espírito... Duas grandes obras, uma da literatura e outra do cinema...

 

Por fim... Uma outra sugestão... Apaixonem-se...

 

Bom fim-de-semana... 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

IMG_8737.JPG

 Fonte das Imagens: Própria.

 

Já por aqui confessei que ninguém é perfeito e o meu gosto por música italiana é a prova cabal... Também já admiti que custa gostar da miríade de músicas que todos os dias são despejadas nas rádios e nos tops (confesso que já nem sigo), no entanto, vão existindo excepções...

 

Uma delas é a Giorgia (estranhamente pouco conhecida em Portugal), mas que canta com uma intensidade e uma entrega pouco comuns em cantoras mainstream. Não é apenas uma senhora bonita, é uma voz forte e perfeita que atrai a nossa atenção assim que a escutamos ao longe, ou numa viagem a Itália quando a ouvimos na rádio.

 

 

O último sucesso e que ecoa pela sua terra-natal é a música "Scelgo ancora te", uma música para nos fazer sonhar e claro... Amar... Amar enquanto percorremos Itália e ao nosso lado temos a companhia de quem nos faz pensar que no meio de tantos acontecimentos maus, a sorte do destino também nos dá autênticos bónus e numa probabilidade infíma de oportunidades, eis que... Haverá momento melhor que escutar esta música enquanto do outro lado, os olhos e o sorriso de outrem se perdem na imensidão do Tirreno? Talvez o título da música - "E mesmo assim te escolho" - seja sem dúvida um resumo do que poderia pensar nesses momentos.

 

A Giorgia... A Giorgia tem sido uma companhia não muito recente, mas que tem melhorado na voz ano após ano, desde que a ouvi pela primeira vez com "Ora Basta". Recomendo, sobretudo para ouvirem com quem gostam enquanto preparam um jantar romântico à segunda-feira, quando quase toda a gente se afoga num sentimento de "Blue Monday". Resulta, vão por mim... Iniciem esse momento com "Per Fare A Meno Di Te".

Pensar...  Cada vez mais um privilégio de poucos num relógio que teima em ter mais de 24 horas! "Pensar" é talvez algo que comece a fazer falta e nada melhor que um livro com o mesmo nome, o "Pensar" de Vergílio Ferreira que não é mais que uma colectânea de pequenos e grandes pensamentos que, de tão actuais que são, levam-nos a pensar que as inquietações só mudaram de nome... Um livro que não é para ser lido de uma vez, posto que os 676 pensamentos devem ser efectivamente pensados e digeridos. É um bom desafio, ler um ou dois por dia... Destaco apenas três, que de um certo modo chamaram a minha atenção:

 

IMG_20171020_102834.jpg91 Este é o tempo do insólito, do vigário, do capricho, da mentira, da falsificação, do cheque sem cobertura, da banha-da-cobra. Não temos um estalão para nada (...) Hoje tudo é possível porque nada é possível. Hoje a verdade não se demora até ser mentira mas uma e outra se convertem mutuamente e são ambas válidas na sua mútua referência , sendo a mentira a verdade e ao contrário. Hoje é o tempo dos aventureiros, do medíocre, do sagaz da esperteza, que é a inteligência da astúcia. Hoje é o tempo do curandeiro, do endireita, do bruxo, do vidente,do profeta, do prestidigitador. Hoje é o tempo de se ser estúpido porque o inteligente não há razão para não ser mais estúpido do que ele. Hoje é o tempo de todos os caminhos estarem desimpedidos porque não é possível um sistema alfandegário. Hoje é o tempo de todos os contrabandos porque não há razão para um sistema fiscal. Hoje é o tempo da noite para todos os gatos terem a mesma identidade. Hoje é o tempo de tudo ser o tempo de. Hoje é o tempo de tudo, portanto de nada. Hoje é o tempo de se não ser. Levanta em ti, se puderes, o que te resta de homem, para seres alguma coisa.

-//-

381 Fala baixo. Não te esfalfes a falar alto. Deixa que os outros se esfalfem até ficarem calados. Falar alto é compensar o que em ideias é baixo. E essa é a compensação dos que escutam. Não te esforçes a falar alto. Serás ouvido quando os outros se esfalfarem e já não tiverem voz. Como o que se ouve num recinto depois que o comício acabou.

-//-

466 Rápidos correm os dias, os anos. Não deixes. Nem isso é verdade. Vive intensamente cada dia, cada hora, repara no seu escoar e verás como são lentos. É por isso que quando guardamos um "minuto de silêncio" pela morte de alguém, aquilo nunca mais acaba...

 

 

 

 

Pensar, sobretudo depois de mais uma semana trágica, é algo que se impõe... Talvez neste momento vagueie naquele rosto que contempla o Tirreno e por aí me fique, será isso que me traz força energia para digerir muito do que vou vendo...

 

Bom fim-de-semana...

 

P.S: Esta semana não poderia deixar de agradecer à Maria Araújo, à C.S., à Mami e a todos os outros que no seu espaço correram o risco de perder todos os leitores ao mencionarem este espaço. Agradeço-vos muito, a vocês e a todos os outros que já o fizeram, a Maria por exemplo, é outro caso... Espero não me estar a esquecer de ninguém, mas mesmo que me esqueça é com uma profunda alegria que vos acolho aqui (mesmo aqueles que por aqui passarem com opinião diferente). São vocês a força motriz deste espaço e isso... Bem, isso vale mais que qualquer comunicação... Vale mais que qualquer favor ou qualquer "empurrão"...  Obrigado por existirem e por fazerem com que este espaço ainda exista, são vocês os grandes pilares.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Pelo Passeig Lluís Companys até à Torre Agbar...

por Robinson Kanes, em 13.10.17

IMG_0933.JPG

Fonte das Imagens: Própria.

 

A semana passada falei de Barcelona e dos tempos que fixei residência em Ausiàs March - esta semana não resisti em lá voltar.

 

Uma das minhas caminhadas matinais (sim, e nocturnas) passava por descer o "Passeig de Sant Joan" e atravessar os jardins e o Arco do Triunfo pelo "Passeig de Lluís Companys". Era interessante sentir o pulsar da cidade numa das suas zonas mais nobres e também menos antigas, um pulsar estranhamente calmo, sobretudo em relação ao centro oeste. Na verdade, e deixemo-nos de poesia, era muitas vezes um mero acesso até chegar ao "Parc de la Ciutadella" ou até ao mar, ou quase sempre para voltar atrás e seguir pela "Avigunda Meridional" até chegar à "Avigunda Diagonal", perto da Torre Agbar onde combinava com a minha miúda os encontros ao fim de tarde, bem perto da multinacional onde a mesma trabalhava...

 

A Torre Agbar, que de dia não é mais que um "mamarracho", mas ao cair da noite, com todas as suas cores pintava toda aquela paixão. Gostava disso e reconheço que dava outro encanto àquele momento que, muitas vezes, sem a presença daquela torre, seria num local que parecia um estaleiro - durante muito tempo, a zona envolvente esteve em obras.

IMG_0936.JPG

Era bom fazer aquele caminho, mesmo que depois tivesse de voltar atrás, não sei explicar... Talvez fosse uma espécie de Sísifo a punir-me pelo erro futuro de recusar viver naquela cidade, acreditanto mais uma vez que poderia trazer algo de novo ao meu país... Ainda hoje consigo vislumbrar a Torre Agbar ao longe e encarar a mesma como uma estrela-guia para um futuro próximo.

IMG_1188.jpg

Voltando ao meu percurso, também era aqui que ficava encandeado pelo sol de fim de tarde que ali projecta uma linha cujos raios se estendem pela cidade até ao final do "Passeig Saint Joan" e me fazia por vezes sentar e ligar o Ipod. Aproveitava para queimar algum tempo, até continuar o meu caminho... De facto, muitas vezes era acompanhado pela "Barcelona Gipsy Balkan Orchestra" (que aqui já falei), e desse tempo recordo-me sobretudo destas duas bandas sonoras daqueles momentos: o "Lule Lule" e  "Cigani Ljubiat Pesnji". Esta última, fundamental para um dia ter conhecido os Mossos d'Esquadra, depois de me ter motivado para jogar futebol com uns indivíduos que monopolizavam a relva junto aos "Jardins Fontserè i Mestre"... Ainda me lembro de ter dito que só estávamos a fazer uma "rabia" e chegar à conclusão que o melhor seria ficar calado e esperar que os locais se entendessem com a autoridade.

 

Se como eu não puderem ir a Barcelona por estes dias, nada como aproveitar as sugestões musicais e encontrar o jardim mais próximo de vós, e porque não, libertarem-se um pouco num jogo de futebol, ou com os sons da natureza, das pessoas e da vida, ou então lerem o Relatório aos Incêndios de Pedrogão Grande e Góis...

 

Bom fim-de-semana...

 

 

As bandas sonoras...

 

Bacelona Gipsy Balkan Orchestra - Lule Lule

 

 

Barcelona Gipsy Balkan Orchestra - Cigani Ljubiat Pesnji (sem dúvida, uma das minhas preferidas)

 

 

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Um Retiro no Zavial com "Sem Olhos em Gaza"...

por Robinson Kanes, em 29.09.17

IMG_3565.jpg

Fonte das Imagens: Própria 

 

As Liberdades particulares - e não há liberdade que não seja particular - são sempre condicionadas por alguma forma de escravatura geral.

Aldous Huxley, in "Sem Olhos em Gaza"

 

Sempre que ando pelo Barlavento Algarvio, existe um lugar que nunca falha, seja na aurora de um novo dia ou já durante o crespúsculo: a Praia do Zavial.

 

Perto da Praia da Ingrina, é um lugar onde fora da época alta, sobretudo nos meses de Abril, Maio, Setembro e Outubro, podemos afastar-nos do mundo ou do bulício das cidades e encontrar aqui um retiro, quem sabe até mesmo antes de um almoço ou de um jantar no restaurante que serve a praia. Um livro, a companhia de crianças que aproveitam a última luz para jogar futebol na praia quase vazia, os surfistas a conquistar as ondas e a areia em comununhão com o mar são o cenário ideal que não é raro por ali encontrar.

 

É uma praia tranquila, sobretudo para quem não a frequenta no Verão, e além disso é o local perfeito para relaxar depois de um dia a percorrer Sagres e as Praias de Vila do Bispo. Falei de livros e recordo-me que durante a minha última passagem por aquelas areias, acabei a tarde com dois capítulos do "Sem Olhos em Gaza" de Aldous Huxley.

 

Quem estiver a pensar que é um livro sobre a Faixa de Gaza, pode colocar o mesmo de parte - o título é inspirado num poema de John Milton ("Samson Agonistes"), mais precisamento no verso "sem olhos em Gaza, no moinho com os escravos". A escolha deste autor não é casual e basta conhecer um pouco da biografia de Milton para o perceber.

IMG_20170929_090458.jpg

Mais uma vez, é um Huxley desiludido com o mundo (as peripécias desenrolam-se entre finais do século XIX e primeiros 35 anos do século XX), olhando à volta e vendo, sobretudo na média e alta sociedade, uma total ausência de valores e uma crise apática com o meio envolvente. É um desalento já notado em "Regresso ao Admirável Mundo Novo", é um Antonhy (personagem principal) preocupado, mas contudo perdido no meio da futilidade da época, de um pai mais preocupado com detalhes linguísticos do que com a tristeza do mundo; são amigos intelectuais, mas com essa mesma intelectualidade virada para o superflúo ou para vidas vazias de conteúdo - "há que distinguir entre conhecer e experimentar. Verdade conhecida não é a mesma que verdade experimentada. Devia haver duas palavras distintas".

 

É uma cegueira colectiva, conceito que os comentários ao livro, muitas vezes e bem, colocam como pano de fundo da obra. Uma nota para a mãe de Antonhy, que no livro tem um papel especial, embora a sua presença seja já sempre com base num passado, posto que esta já se encontra morta. Talvez seja essa ausência uma mais-valia para o livro...

 

Como em quase toda a obra de Huxley, pelo menos dentro daquilo que já me foi permitido ler ("Admirável Mundo Novo", "Regresso ao Admirável Mundo Novo", "A Ilha", "Férias em Crome", "Céu e Inferno", "Os Demónios de Loudon", "Sem Olhos em Gaza) encontro a actualidade assustadoramente bem descrita e decomposta. Termino com mais uma passagem: "Apenas os bárbaros entre nós,  sabem o que são. Os civilizados têm consciência  do que podem ser e são por isso incapazes de saber, o que,  para fins práticos e sociais, realmente são - esqueceram-se de como extrair da sua experiência atómica total, uma personalidade".

 

São as minhas sugestões para estes dias... Bom fim-se-semana...

Autoria e outros dados (tags, etc)

 

IMG_5077.jpg

 Fonte das Imagens: Própria.

 

Não é novo que um mês em Istambul me deixou agarrado àquela cidade e ao próprio país. Também por aqui já abordei um sentir da cidade de todas as culturas...

 

Se podemos falar de sugestões, nada como uma leitura por Orhan Pamuk, sobretudo do seu penúltimo livro "Uma Estranheza em Mim". Pamuk é o cronista de Istambul na primeira pessoa e foi também graças a escritor que me foi possível compreender a dinâmica desta cidade, fora dos livros de história e sociologia, bem para lá de Sultanahamet ou Galata... O que parece um livro sem fim e que lentamente vai contar a história do vendedor de boza (Mevlut Karatas) sem grande entusiasmo, transporta-nos para as ruas dos "novos" bairros pobres que contribuiram para que entre 1969 e anos mais recentes a cidade aumentasse de 3 para 13 milhões de habitantes. Mas a história começa numa aldeia Anatólia Central e é aí que vamos sendo levados pontualmente numa espécie de contraste com a própria Istambul, ou entre a Turquia profunda e a Turquia mais cosmopolita.

 

Não é de todo um livro inacessível, aliás, é uma lição de história, cultura, antropologia, urbanismo e até felicidade... Com especial interesse nessa última área, encontrei aí um bom exemplo de estudo, embora seja pouco ou nada mencionado nas criticas que vi à obra, por norma sempre pesadas e que tendem a afastar leitores mais cépticos - aliás, em música, literatura, pintura e outras artes nunca entendi esta forma europeia de complexificar tanto as coisas que a dita democratização das artes parece uma miragem. Não se assustem, assim que começarem a ler não vão querer parar e o discurso é simples, é mais fácil compreender o livro que as análises ao mesmo. 

 

IMG_20170904_091802.jpgPode também parecer "tolo", mas a par das peripécias que envolvem o casamento de Mevlut, não consegui deixar de pensar na prática do "casamento e fuga" também alvo da etnologia no contexto da comunidade piscatória da Nazaré. É Istambul no seu dia-a-dia, da pressão do Estado, das máfias "bondosas" que acabam por comandar os submundos e os destinos de muitos, é a felicidade com pouco, mas com fortes alicerces na família (primos), nos amigos (Ferhat) e naqueles que encontramos dia-a-dia - interessante a relação que Mevlut acabará por ter com o " Santo Guia". É um relato realista, sem qualquer fantasia mas também sem qualquer necessidade de adensar a tristeza. Discordo quando a obra é tida como uma "novela trágica"... Só de um sofá numa confortável cidade europeia podemos tecer tal afirmação...

 

 É a realidade aqui tão bem escrita e que me transporta para aquele mês em que vi muito do que nestas páginas é apresentado. Como eu, chego à conclusão que no misto de tristeza e encanto com Istambul, também Mevlut é um apaixonado pela mesma.

 

 

É envolvente como, com o livro a meio, e ainda antes de fecharmos os olhos, nos deitamos na nossa cama e temos a sensação de ouvir lá fora a personagem de Mevlut a apregoar "Boooooooo-zaaaaaaaa". Experimentem e deixem a noite alta chegar e ouçam o som da vossa cidade, vila ou aldeia...

 

Finalmente, uma nota musical para me lembrar esta cidade: os "Light in Babylon", uma banda turca de Istambul com várias influências, ou não fosse Istambul uma mescla de povos e culturas. Não sou confesso adepto da voz da vocalista, contudo, não deixa de ser um banda que me atrai pelos temas explorados, pelas letras e sobretudo pelos ritmos árabes, turcos e judaicos. Uma das minhas composições preferidas tem o nome da cidade: "Istambul".

 

 

É uma das companhias para alguns crespúsculos e sobretudo para recordar terras distantes ou, como Mevlut, percorrer os diferentes bairros de Istambul. A encontrar o vendedor de boza - coisa rara - e a descobrir naqueles olhos as inquietações do seu dia-a-dia que só era, apesar do cansaço e árduo trabalho, enriquecido com a venda desta iguaria. Talvez as ruas de Istambul sejam perfeitas para isso, talvez sejam um misto de inquietação e paz que nos transporta para outra dimensão enquanto um simit nos alimenta o estômago e a alma.

 

Deixo mais uma das músicas que aprecio desta banda, 

  

 

 Boa Semana...

 

Boza: bebida tradicional asiática à base de trigo fermentado, de consistência grossa, cor amarelo-torrado e de baixa graduação.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Quando os Porcos Não Se Distinguem dos Homens...

por Robinson Kanes, em 24.08.17

IMG_8748.jpg

A Marcha do Cavalo de Tróia sobre Tróia - Giovanni Domenico Tiepolo (National Gallery)

Fonte da Imagem: Própria.

 

 

Há temas que não merecem a nossa atenção, contudo, não merecem a nossa atenção até envolverem aqueles que representam os cidadãos. Posto que o Ministério da Educação entrou em campo de lápis azul no caso dos manuais de actividades da Porto Editora, não poderia deixar passar esta situação em claro.

 

Sinto-me como um animal preso numa quinta incendiada, com vista para o atlântico e, como animal nessa quinta, a aperceber-me de que "dos porcos para os homens, dos homens para os porcos, e novamente dos porcos para os homens" começa a ser "impossível distingui-los uns dos outros". Foi assim que Orwell, em a "A Quinta dos Animais", tão bem soube definir a sociedade da época e que não parece ter evoluído muito deste então. Até me espanta que o livro acima esteja no Plano Nacional de Leitura face a muito do que se tem assistido.

 

A ditadura é tal que já não se pode ser menino nem menina, no entanto, não é raro o dia em que não vejamos um coro de vozes a exaltar a "homossexualidade" (é só um exemplo)... Dizem que é uma defesa da causa e que lutam contra a diferença. Quando não quero ser reconhecido procuro não andar em bicos de pés a chamar a atenção para a minha pessoa. Queremos liberdade sexual e vincar a diferença sob a capa da igualdade, depois andamos a discutir que entre meninos e meninas não há diferenças?

 

Como é que vamos fazer em relação às casas-de-banho? Vamos retirar o urinol do WC dos cavalheiros? Vamos distribuir pensos higiénicos para o sexo masculino (alguns bem precisavam de facto)? Também vamos obrigar os meninos a brincar com bonecas (e há muitos que brincam, eu brinquei muito com a Barbie e com o Ken quando ia visitar uma das minhas primas)? As coisas acontecem naturalmente e não é crime nenhum ver uma "miúda" a andar de skate, no entanto, quando começamos a impor comportamentos as coisas começam a tornar-se mais sérias, sobretudo se esses comportamentos visarem uma larga maioria (quando esta não provoca dolo nos demais) que só comete o erro de simplesmente existir!  Mas deixo uma outra questão: vamos fechar os retalhistas de vestuário que têm uma secção para meninos e meninas? Não aprendemos nada com a história do "Happy Meal".

 

Porque é que andamos a dizer mal da Porto Editora e a corroer o negócio da mesma com "não-problemas" e, por exemplo, no caso do Ministério da Educação, não andamos preocupados com dirigentes corruptos, professores que facilitam a passagem de alunos (já ninguém se lembra dos exames?), professores com meia-dúzia de anos de casa que se dão ao luxo de saírem do país por dois anos para passear, voltarem e terem um lugar à disposição (perto de casa) estando à espera de um filho e consequentemente com uma "baixa" a caminho, prejudicando alunos e outros colegas? Não é que seja a pior coisa do mundo, mas aqueles que estão anos à espera de colocação e muitas vezes ficam sem trabalho por causa destes indivíduos? E as bolsas e os apoios aos livros? Andei numa faculdade onde sabíamos sempre quando as bolsas eram pagas, tal era o desfile de vaidade dos "pobres" bolseiros. Quantos portugueses beneficiam de apoios sem merecer os mesmos no que toca a educação? Vivemos na época do elemento distractor, mas começa a ser demais.

 

Estas são as perguntas que os portugueses querem ver respondidas e não o "Index" a promover a existência de uma só "religião" e de uma só forma de ver as coisas só porque meia-dúzia de indivíduos exerce mais pressão que 10 milhões... Os extremos tocam-se e... Se noutros regimes se promove a diferença, noutros promove-se a igualdade de uma forma que quem for diferente arrisca-se a acabar num auto-de-fé.

 

Um destes dias ainda vamos perceber que distinguir cidadania de opressão deveria ser punível por lei, vamos perceber também que não é o indíviduo isolado que assim pensa, até porque Nietzsche dizia e bem que "a loucura é rara nos indivíduos - mas é a regra, no grupos, nos partidos, nos povos, nas épocas"... Como é estranho que num país onde grassa a corrupção, o favorecimento ilícito, o terrorismo interno (incêndios e não só), os desvios à ética e a ausência de planos estruturais para o país, ninguém procura leis que não estabeleçam diferenças nessas temáticas... A igualdade é muito importante, desde que o pensamento dos outros seja igual ao meu... 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

v1.bjsyNDQ4NTI7ajsxNzQxNzsxMjAwOzIwNDg7MTAyNA.jpeg

 Fonte da Imagem: 

https://resizing.flixster.com/nXNgr6pPY6nAdrcfh6SY2-n77nQ=/2048x1024/v1.bjsyNDQ4NTI7ajsxNzQxNzsxMjAwOzIwNDg7MTAyNA

 

Sexta-feira, o dia já conhecido pela actividade que me há-de acompanhar toda a vida: passar-a-ferro.

 

Lamento não ter texto sobre uma cidade onde vivi três meses e que foi alvo de um atentado, mas confesso (do ponto de vista pessoal) que não sigo a loucura dos "bicos de pés", vulgo hashtags... Posto que, quando a poeira assentar e termos percebido um pouco o que se passou, vou voltar ao assunto. Espero que as "Madres-Teresa de Calcutá" aproveitem também para partilhar fotos com os cadáveres dos mais de 50 civis que morreram esta semana na Síria "por engano" e durante um ataque da coligação. Eu sei que dizer que se esteve ou está em Barcelona é mais cool, mas Damasco é logo a seguir a Ankara e além disso tem uma história milenar.

 

Hoje pensava falar de uma zona de praia e de mar, mas a revolta que por aqui vai com os incêndios é maior e não pretendo ser mais um a dizer que está muito preocupado com a temática ao mesmo tempo que tira uma foto a beber uma caipirinha no Algarve ou num outro destino qualquer.

 

Deste modo, esta semana deixo também a música de lado e parto para os livros: "A Farsa" de Raúl Brandão e a personagem de "Candidinha" fazem-nos querer matar tal figura logo de início e, sobretudo no fim da obra, quase que nos sentimos vingados com a morte do filho. Deixo que leiam este livro de desencanto com o mundo, ódio e ambição bem pincelada de tristeza, em suma, um expressionismo e neo-romantismo bastante característicos da obra de Raúl Brandão.

 

IMG_20170818_090504.jpg

Fonte da Imagem: Própria 

 

E como os temas estão fortes, revisito também Gabriel Garcia Márquez (parece que ando em maratona com o génio) e o seu "Outono do Patriarca". Sem entrar em grandes revelações, é interessante a leitura na medida em que é um retrato fiel de muitos ditadores e marca a literatura de uma época (apesar da obra estar bastante actual) que se debateu também nesta matéria - nomes como Miguel Angel Asturias ou Augusto Roa Bastos são bons exemplos. Garcia Márquez é conhecido pelas suas descrições violentas, mas aqui tem um toque especial, pois no fundo é um relato com espaço para toda a imaginação e espelho do real do autor sobressairem num máximo esplendor. Provavelmente ainda voltarei a este livro para a semana.

 

E um filme? Imaginem que numa só pelicula conseguem ter Sean Connery, Michael Caine (uma vénia), Robert Redford (idem), Gene Hackman (idem), Dirk Bogarde (de "Morte em Veneza"), Antonhy Hopkins (outra vénia), Edward Fox, Ryan O'Neil (gostei dele em "Barry Lindon"), James Caan,  Lawrence Olivier  e um outro sem número de estrelas.

 

Se gostarem do género, somem o facto de ser um filme de guerra, baseado numa conhecida operação militar da 2ª Guerra Mundial, nomeadamente a "Operação Market Garden" (e também no livro de Cornelius Ryan)!

 

Quem já andou pela Holanda e não ficou só por Amesterdão decerto passou pela icónica ponte de Arnhem - é aí que a missão falha redondamente para o lado dos aliados, que animados pela "vitória" na Normandia tentam entrar na Alemanha pela Holanda conquistando várias pontes.

 

O filme realizado por Richard Attenborough tem o nome de "A Bridge too Far". O nome ficou famoso, pois na realidade, o Tenente-General "Boy" Browning (interpretado por Dirk Bogarde no filme) virou-se para um optimista General Montgomery e disse que os aliados tentaram ir longe demais, neste caso, uma ponte longe demais. Se gostaram de Anthropoid, que já teve por aqui um artigo, vão adorar este. Aposto também que, ao fim de 3 horas de filme, vão assobiar durante muitos dias a banda sonora de John Addison. Com estes actores e com mais uma lição de história, não tenho dúvidas que o fim-de-semana ou a semana têm tudo para ser mais animados... Ideal para o pós-ferro e para quem sabe que já não se assiste a um bom filme de guerra desde "O Resgate do Soldado Ryan".

 

E não me acusem de ser saudosista ou velho! Em 1977, penso que ainda nem os meus pais se tinham conhecido.

 

Bom fim-de-semana...

 

P.S: A ponte de Arnhem tem agora o nome de "Ponte John Frost" em homenagem ao Tenente-Coronel John Frost que esteve à frente das tropas aerotransportadas que defenderem a ponte naquele fatídico mês de setembro. Esta personagem é interpretada no filme por Anthony Hopkins (uma vénia).

 

Actualização a 19/08: Se repararam, tive o meu momento à Jorge Jesus no último parágrafo quando escrevi "defenderem" ao invéms de "defenderam".

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

"Friday I'm In Love"...

por Robinson Kanes, em 28.07.17

 

IMG_7229.JPG

 Fonte da Imagem: Própria

 

Aí está o fim de semana e com ele o delírio daqueles que trabalham cinco dias para viverem um e deprimirem a partir das 13 horas do segundo...

 

Por aqui deixo uma pergunta, já foram a Tourém? Então nada como ir até ao artigo de ontem, pode ser uma óptima sugestão para vos encher de boas energias ao invés de lastimarem a infelicidade de terem um trabalho e ainda terem tempo de descanso...

 

O tema dos incêndios também tem sido uma tónica cá por casa, pelo que será necessário descomprimir antes que me sejam colocadas as malas à porta. Na leitura não será,  pois por aqui continua-se a reler Gabriel Garcia Márquez e o seu "Amor Nos Tempos de Cólera". Quem viu o filme e gostou, após ler o livro vai mudar de opinião em relação ao primeiro. Mas... Apesar de arrebatadores e geniais, os livros de Garcia Márquez não são propriamente os que nos colocam mais felizes...

 

Por tudo isto, lembrei-me da banda sonora desta semana: "The Cure" - aquele rock com um sotaque british bem vincado na voz de Roberth Smith, o vocalista da banda nascida nos anos 70 e que sobreviveu aos ricos anos 80 e ainda conseguiu atingir o apogeu nos anos 90! É a banda ideal para ouvir enquanto se conduz na cidade enquanto outros, fechados nos seus automóveis, apresentam a tradicional cara de atum. Destaco três músicas que estão incluídas no "Best Of" mais "recente" da banda - três porque não poderia esquecer "Friday I'm In Love"! As outras duas são "Why Can't Be You" (adoro além de que é das melhores para andar no trânsito - ver no final do artigo ) e "Mint Car" (ideal para filas longas - idem).

 

 

Um filme? Poderia pensar em vários mas talvez opte por uma produção francesa de Yann Samuell com Guillaume Canet e a belle Marion Cotillard. O filme é "Jeux d'enfants" ("Love Me if you Dare", em inglês). Uma história de amor, mais leve e mais animada que decorre em torno de um jogo, ideal para quem gosta de amores difíceis, e com alguns apontamentos mais sérios onde destaco a questão da morte e de levarmos a enganadora vida perfeita ao lado de quem não amamos... No final, uns conseguem corrigir o erro e viver o seu grande amor, outros nem por isso. Abaixo fica o trailler para os apaixonados.

 

 

Bom fim de semana e até terça-feira.

 

Abaixo as outras duas sugestões dos "The Cure".

 

"Why Can't Be You"

 

 "Mint Car"

 

Autoria e outros dados (tags, etc)


Mais sobre mim

foto do autor



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.


Mensagens

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D

Pesquisar

  Pesquisar no Blog



subscrever feeds




Copyrighted.com Registered & Protected 
CRD7-BFJD-IWHB-ZXDB