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 Fonte das Imagens: Própria.

 

Não é novo que um mês em Istambul me deixou agarrado àquela cidade e ao próprio país. Também por aqui já abordei um sentir da cidade de todas as culturas...

 

Se podemos falar de sugestões, nada como uma leitura por Orhan Pamuk, sobretudo do seu penúltimo livro "Uma Estranheza em Mim". Pamuk é o cronista de Istambul na primeira pessoa e foi também graças a escritor que me foi possível compreender a dinâmica desta cidade, fora dos livros de história e sociologia, bem para lá de Sultanahamet ou Galata... O que parece um livro sem fim e que lentamente vai contar a história do vendedor de boza (Mevlut Karatas) sem grande entusiasmo, transporta-nos para as ruas dos "novos" bairros pobres que contribuiram para que entre 1969 e anos mais recentes a cidade aumentasse de 3 para 13 milhões de habitantes. Mas a história começa numa aldeia Anatólia Central e é aí que vamos sendo levados pontualmente numa espécie de contraste com a própria Istambul, ou entre a Turquia profunda e a Turquia mais cosmopolita.

 

Não é de todo um livro inacessível, aliás, é uma lição de história, cultura, antropologia, urbanismo e até felicidade... Com especial interesse nessa última área, encontrei aí um bom exemplo de estudo, embora seja pouco ou nada mencionado nas criticas que vi à obra, por norma sempre pesadas e que tendem a afastar leitores mais cépticos - aliás, em música, literatura, pintura e outras artes nunca entendi esta forma europeia de complexificar tanto as coisas que a dita democratização das artes parece uma miragem. Não se assustem, assim que começarem a ler não vão querer parar e o discurso é simples, é mais fácil compreender o livro que as análises ao mesmo. 

 

IMG_20170904_091802.jpgPode também parecer "tolo", mas a par das peripécias que envolvem o casamento de Mevlut, não consegui deixar de pensar na prática do "casamento e fuga" também alvo da etnologia no contexto da comunidade piscatória da Nazaré. É Istambul no seu dia-a-dia, da pressão do Estado, das máfias "bondosas" que acabam por comandar os submundos e os destinos de muitos, é a felicidade com pouco, mas com fortes alicerces na família (primos), nos amigos (Ferhat) e naqueles que encontramos dia-a-dia - interessante a relação que Mevlut acabará por ter com o " Santo Guia". É um relato realista, sem qualquer fantasia mas também sem qualquer necessidade de adensar a tristeza. Discordo quando a obra é tida como uma "novela trágica"... Só de um sofá numa confortável cidade europeia podemos tecer tal afirmação...

 

 É a realidade aqui tão bem escrita e que me transporta para aquele mês em que vi muito do que nestas páginas é apresentado. Como eu, chego à conclusão que no misto de tristeza e encanto com Istambul, também Mevlut é um apaixonado pela mesma.

 

 

É envolvente como, com o livro a meio, e ainda antes de fecharmos os olhos, nos deitamos na nossa cama e temos a sensação de ouvir lá fora a personagem de Mevlut a apregoar "Boooooooo-zaaaaaaaa". Experimentem e deixem a noite alta chegar e ouçam o som da vossa cidade, vila ou aldeia...

 

Finalmente, uma nota musical para me lembrar esta cidade: os "Light in Babylon", uma banda turca de Istambul com várias influências, ou não fosse Istambul uma mescla de povos e culturas. Não sou confesso adepto da voz da vocalista, contudo, não deixa de ser um banda que me atrai pelos temas explorados, pelas letras e sobretudo pelos ritmos árabes, turcos e judaicos. Uma das minhas composições preferidas tem o nome da cidade: "Istambul".

 

 

É uma das companhias para alguns crespúsculos e sobretudo para recordar terras distantes ou, como Mevlut, percorrer os diferentes bairros de Istambul. A encontrar o vendedor de boza - coisa rara - e a descobrir naqueles olhos as inquietações do seu dia-a-dia que só era, apesar do cansaço e árduo trabalho, enriquecido com a venda desta iguaria. Talvez as ruas de Istambul sejam perfeitas para isso, talvez sejam um misto de inquietação e paz que nos transporta para outra dimensão enquanto um simit nos alimenta o estômago e a alma.

 

Deixo mais uma das músicas que aprecio desta banda, 

  

 

 Boa Semana...

 

Boza: bebida tradicional asiática à base de trigo fermentado, de consistência grossa, cor amarelo-torrado e de baixa graduação.

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Quando os Porcos Não Se Distinguem dos Homens...

por Robinson Kanes, em 24.08.17

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A Marcha do Cavalo de Tróia sobre Tróia - Giovanni Domenico Tiepolo (National Gallery)

Fonte da Imagem: Própria.

 

 

Há temas que não merecem a nossa atenção, contudo, não merecem a nossa atenção até envolverem aqueles que representam os cidadãos. Posto que o Ministério da Educação entrou em campo de lápis azul no caso dos manuais de actividades da Porto Editora, não poderia deixar passar esta situação em claro.

 

Sinto-me como um animal preso numa quinta incendiada, com vista para o atlântico e, como animal nessa quinta, a aperceber-me de que "dos porcos para os homens, dos homens para os porcos, e novamente dos porcos para os homens" começa a ser "impossível distingui-los uns dos outros". Foi assim que Orwell, em a "A Quinta dos Animais", tão bem soube definir a sociedade da época e que não parece ter evoluído muito deste então. Até me espanta que o livro acima esteja no Plano Nacional de Leitura face a muito do que se tem assistido.

 

A ditadura é tal que já não se pode ser menino nem menina, no entanto, não é raro o dia em que não vejamos um coro de vozes a exaltar a "homossexualidade" (é só um exemplo)... Dizem que é uma defesa da causa e que lutam contra a diferença. Quando não quero ser reconhecido procuro não andar em bicos de pés a chamar a atenção para a minha pessoa. Queremos liberdade sexual e vincar a diferença sob a capa da igualdade, depois andamos a discutir que entre meninos e meninas não há diferenças?

 

Como é que vamos fazer em relação às casas-de-banho? Vamos retirar o urinol do WC dos cavalheiros? Vamos distribuir pensos higiénicos para o sexo masculino (alguns bem precisavam de facto)? Também vamos obrigar os meninos a brincar com bonecas (e há muitos que brincam, eu brinquei muito com a Barbie e com o Ken quando ia visitar uma das minhas primas)? As coisas acontecem naturalmente e não é crime nenhum ver uma "miúda" a andar de skate, no entanto, quando começamos a impor comportamentos as coisas começam a tornar-se mais sérias, sobretudo se esses comportamentos visarem uma larga maioria (quando esta não provoca dolo nos demais) que só comete o erro de simplesmente existir!  Mas deixo uma outra questão: vamos fechar os retalhistas de vestuário que têm uma secção para meninos e meninas? Não aprendemos nada com a história do "Happy Meal".

 

Porque é que andamos a dizer mal da Porto Editora e a corroer o negócio da mesma com "não-problemas" e, por exemplo, no caso do Ministério da Educação, não andamos preocupados com dirigentes corruptos, professores que facilitam a passagem de alunos (já ninguém se lembra dos exames?), professores com meia-dúzia de anos de casa que se dão ao luxo de saírem do país por dois anos para passear, voltarem e terem um lugar à disposição (perto de casa) estando à espera de um filho e consequentemente com uma "baixa" a caminho, prejudicando alunos e outros colegas? Não é que seja a pior coisa do mundo, mas aqueles que estão anos à espera de colocação e muitas vezes ficam sem trabalho por causa destes indivíduos? E as bolsas e os apoios aos livros? Andei numa faculdade onde sabíamos sempre quando as bolsas eram pagas, tal era o desfile de vaidade dos "pobres" bolseiros. Quantos portugueses beneficiam de apoios sem merecer os mesmos no que toca a educação? Vivemos na época do elemento distractor, mas começa a ser demais.

 

Estas são as perguntas que os portugueses querem ver respondidas e não o "Index" a promover a existência de uma só "religião" e de uma só forma de ver as coisas só porque meia-dúzia de indivíduos exerce mais pressão que 10 milhões... Os extremos tocam-se e... Se noutros regimes se promove a diferença, noutros promove-se a igualdade de uma forma que quem for diferente arrisca-se a acabar num auto-de-fé.

 

Um destes dias ainda vamos perceber que distinguir cidadania de opressão deveria ser punível por lei, vamos perceber também que não é o indíviduo isolado que assim pensa, até porque Nietzsche dizia e bem que "a loucura é rara nos indivíduos - mas é a regra, no grupos, nos partidos, nos povos, nas épocas"... Como é estranho que num país onde grassa a corrupção, o favorecimento ilícito, o terrorismo interno (incêndios e não só), os desvios à ética e a ausência de planos estruturais para o país, ninguém procura leis que não estabeleçam diferenças nessas temáticas... A igualdade é muito importante, desde que o pensamento dos outros seja igual ao meu... 

 

 

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Sexta-feira, o dia já conhecido pela actividade que me há-de acompanhar toda a vida: passar-a-ferro.

 

Lamento não ter texto sobre uma cidade onde vivi três meses e que foi alvo de um atentado, mas confesso (do ponto de vista pessoal) que não sigo a loucura dos "bicos de pés", vulgo hashtags... Posto que, quando a poeira assentar e termos percebido um pouco o que se passou, vou voltar ao assunto. Espero que as "Madres-Teresa de Calcutá" aproveitem também para partilhar fotos com os cadáveres dos mais de 50 civis que morreram esta semana na Síria "por engano" e durante um ataque da coligação. Eu sei que dizer que se esteve ou está em Barcelona é mais cool, mas Damasco é logo a seguir a Ankara e além disso tem uma história milenar.

 

Hoje pensava falar de uma zona de praia e de mar, mas a revolta que por aqui vai com os incêndios é maior e não pretendo ser mais um a dizer que está muito preocupado com a temática ao mesmo tempo que tira uma foto a beber uma caipirinha no Algarve ou num outro destino qualquer.

 

Deste modo, esta semana deixo também a música de lado e parto para os livros: "A Farsa" de Raúl Brandão e a personagem de "Candidinha" fazem-nos querer matar tal figura logo de início e, sobretudo no fim da obra, quase que nos sentimos vingados com a morte do filho. Deixo que leiam este livro de desencanto com o mundo, ódio e ambição bem pincelada de tristeza, em suma, um expressionismo e neo-romantismo bastante característicos da obra de Raúl Brandão.

 

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Fonte da Imagem: Própria 

 

E como os temas estão fortes, revisito também Gabriel Garcia Márquez (parece que ando em maratona com o génio) e o seu "Outono do Patriarca". Sem entrar em grandes revelações, é interessante a leitura na medida em que é um retrato fiel de muitos ditadores e marca a literatura de uma época (apesar da obra estar bastante actual) que se debateu também nesta matéria - nomes como Miguel Angel Asturias ou Augusto Roa Bastos são bons exemplos. Garcia Márquez é conhecido pelas suas descrições violentas, mas aqui tem um toque especial, pois no fundo é um relato com espaço para toda a imaginação e espelho do real do autor sobressairem num máximo esplendor. Provavelmente ainda voltarei a este livro para a semana.

 

E um filme? Imaginem que numa só pelicula conseguem ter Sean Connery, Michael Caine (uma vénia), Robert Redford (idem), Gene Hackman (idem), Dirk Bogarde (de "Morte em Veneza"), Antonhy Hopkins (outra vénia), Edward Fox, Ryan O'Neil (gostei dele em "Barry Lindon"), James Caan,  Lawrence Olivier  e um outro sem número de estrelas.

 

Se gostarem do género, somem o facto de ser um filme de guerra, baseado numa conhecida operação militar da 2ª Guerra Mundial, nomeadamente a "Operação Market Garden" (e também no livro de Cornelius Ryan)!

 

Quem já andou pela Holanda e não ficou só por Amesterdão decerto passou pela icónica ponte de Arnhem - é aí que a missão falha redondamente para o lado dos aliados, que animados pela "vitória" na Normandia tentam entrar na Alemanha pela Holanda conquistando várias pontes.

 

O filme realizado por Richard Attenborough tem o nome de "A Bridge too Far". O nome ficou famoso, pois na realidade, o Tenente-General "Boy" Browning (interpretado por Dirk Bogarde no filme) virou-se para um optimista General Montgomery e disse que os aliados tentaram ir longe demais, neste caso, uma ponte longe demais. Se gostaram de Anthropoid, que já teve por aqui um artigo, vão adorar este. Aposto também que, ao fim de 3 horas de filme, vão assobiar durante muitos dias a banda sonora de John Addison. Com estes actores e com mais uma lição de história, não tenho dúvidas que o fim-de-semana ou a semana têm tudo para ser mais animados... Ideal para o pós-ferro e para quem sabe que já não se assiste a um bom filme de guerra desde "O Resgate do Soldado Ryan".

 

E não me acusem de ser saudosista ou velho! Em 1977, penso que ainda nem os meus pais se tinham conhecido.

 

Bom fim-de-semana...

 

P.S: A ponte de Arnhem tem agora o nome de "Ponte John Frost" em homenagem ao Tenente-Coronel John Frost que esteve à frente das tropas aerotransportadas que defenderem a ponte naquele fatídico mês de setembro. Esta personagem é interpretada no filme por Anthony Hopkins (uma vénia).

 

Actualização a 19/08: Se repararam, tive o meu momento à Jorge Jesus no último parágrafo quando escrevi "defenderem" ao invéms de "defenderam".

 

 

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"Friday I'm In Love"...

por Robinson Kanes, em 28.07.17

 

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 Fonte da Imagem: Própria

 

Aí está o fim de semana e com ele o delírio daqueles que trabalham cinco dias para viverem um e deprimirem a partir das 13 horas do segundo...

 

Por aqui deixo uma pergunta, já foram a Tourém? Então nada como ir até ao artigo de ontem, pode ser uma óptima sugestão para vos encher de boas energias ao invés de lastimarem a infelicidade de terem um trabalho e ainda terem tempo de descanso...

 

O tema dos incêndios também tem sido uma tónica cá por casa, pelo que será necessário descomprimir antes que me sejam colocadas as malas à porta. Na leitura não será,  pois por aqui continua-se a reler Gabriel Garcia Márquez e o seu "Amor Nos Tempos de Cólera". Quem viu o filme e gostou, após ler o livro vai mudar de opinião em relação ao primeiro. Mas... Apesar de arrebatadores e geniais, os livros de Garcia Márquez não são propriamente os que nos colocam mais felizes...

 

Por tudo isto, lembrei-me da banda sonora desta semana: "The Cure" - aquele rock com um sotaque british bem vincado na voz de Roberth Smith, o vocalista da banda nascida nos anos 70 e que sobreviveu aos ricos anos 80 e ainda conseguiu atingir o apogeu nos anos 90! É a banda ideal para ouvir enquanto se conduz na cidade enquanto outros, fechados nos seus automóveis, apresentam a tradicional cara de atum. Destaco três músicas que estão incluídas no "Best Of" mais "recente" da banda - três porque não poderia esquecer "Friday I'm In Love"! As outras duas são "Why Can't Be You" (adoro além de que é das melhores para andar no trânsito - ver no final do artigo ) e "Mint Car" (ideal para filas longas - idem).

 

 

Um filme? Poderia pensar em vários mas talvez opte por uma produção francesa de Yann Samuell com Guillaume Canet e a belle Marion Cotillard. O filme é "Jeux d'enfants" ("Love Me if you Dare", em inglês). Uma história de amor, mais leve e mais animada que decorre em torno de um jogo, ideal para quem gosta de amores difíceis, e com alguns apontamentos mais sérios onde destaco a questão da morte e de levarmos a enganadora vida perfeita ao lado de quem não amamos... No final, uns conseguem corrigir o erro e viver o seu grande amor, outros nem por isso. Abaixo fica o trailler para os apaixonados.

 

 

Bom fim de semana e até terça-feira.

 

Abaixo as outras duas sugestões dos "The Cure".

 

"Why Can't Be You"

 

 "Mint Car"

 

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Fonte da Imagem: Própria

 

Amanhã andarei ausente, ou melhor, vou andar noutras paragens deste mundo que é a blogolândia...

 

Também não irei estar agarrado ao ferro! Contudo, nem só o ferro nos inspira, pelo que aponto para algumas sugestões a ter em conta para o fim de semana e para a semana!

 

Terminada a obra "Uma Fenda na Muralha" de Alves Redol,  pergunto: como é que com tanto filme já realizado, ainda não se fez um filme baseado nesta obra? O argumento está praticamente feito e a mestria de Redol é latente. Se este livro chega a Hollywood temos filme para óscares, bem melhor que o "Perfect Storm" de Wolfgang Petersen. Foi esse o motivo que me fez arrancar  para a "Barca dos Sete Lemes", também de Redol. Deixei a Nazaré com o arrais "Zé Diabo" de "Uma Fenda na Muralha" e rumei ao não menos árduo Ribatejo! Ao cabo de 100 páginas, posso dizer que não me arrependo minimamente, ou não fosse o neo-realismo uma das minhas correntes de eleição. O modo como Redol olha para estas gentes é de uma proximidade e carácter etnológico surpreendentes. Num discurso simples mas aritisticamente talhado faz-nos questionar e admirar uma realidade que não tem assim tantos anos e não é diferente de muitas que encontramos nos dias de hoje.

 

Para um passeio, porque não a Praia de Vale Figueiras, a Praia da Arrifana ou até a Praia da Amoreira? Sigam os artigos já publicados clicando nas mesmas.

 

Uma música para o fim de semana? Talvez inspirado pelo filme que vou sugerir, recomendo o albúm "La Sublime Porte - Voix d'Istambul" de Jordi Savall. A música otomana, arménia e judaíca conjugam-se em notas e ritmos que nos vão transportar para a época em que o Palácio de Topkapi (Istambul) era um dos mais movimentados e a sua corte uma das mais poderosas do mundo! É de facto uma obra fascinante e que nos faz crescer, aprender e sonhar! Perfeito seria ficar numa das varandas do palácio a contemplar o Bósforo e a ouvir estas sonoridades...

 

Finalmente, um filme! Cinema turco, "Babam ve Oglum / Meu Pai e Meu Filho": devo dizer-vos que é um filme que me encantou desde o início porque nos leva de Istambul para Izmir e traz-me saudades daqueles 30 dias em que fui turco. No entanto, o filme  de Çagan Irmak começa trágicamente com uma morte no parto e leva-nos à Turquia dos anos 70-80, e dos seus golpes militares. Do filho que regressa a casa do pai e que agora traz também consigo o seu próprio filho! A luta e o reencontro entre pai, filho e neto, bem como algumas pequenas passagens que nos dão algumas lições de vida na relação entre parentes tão próximos. É claríssimo ao longo do filme alma turca, sobretudo daqueles que vivem fora de Istambul, da aspereza (muitas vezes exterior apenas) dos homens e da sensibilidade, carinho e doçura das mulheres daquela região, as gargalhadas de Nuran são um dos melhores exemplos. Mais não conto, vejam por vocês próprios, o filme existe com legendas em inglês se procurarem por aí... Uma nota para a banda sonora que deu o prémio de revelação do ano 2006 nos "World Soundtrack Awards" a Evanthia Reboutsika.

 

Bom fim de semana ou Bom trabalho...

 

Uma nota do disco "La Sublime Porte - Voix d'Istambul"

 (Aguarda Resolução de Problemas por parte do Sapo)

O trailer em inglês de "Babam ve Oglum"

(Aguarda Resolução de Problemas por parte do Sapo) 

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Fonte da Imagem: Própria 

 

É sexta-feira e lá vou ter de regressar ao ferro. Levantar pesos e ser o rei do ginásio? Não! Ser mesmo o rei do ferro de engomar! Três calças, umas 6 camisas, duas t-shirts, duas toalhas de mesa, guardanapos e mais umas coisas. Lamento... Não passo roupa interior e por vezes nem lençóis! Há vida para além do ferro...

 

E, como sempre que passo a ferro, surgem-me sempre algumas ideias. Por exemplo, e sabendo vós que me considero mediterrânico por excelência (excepto no trabalho), vou ter a companhia de um dos meus guilty pleasures, nomeadamente música italiana (eu sei, não se pode ser perfeito)! Tenho um gosto especial por música italiana e espanhola... Decidi assim que, quem me vai acompanhar vai ser a napolitana e giríssima Simona Molinari! Destaco duas músicas, até porque uma delas tem outro dos meus artistas de eleição, o norte-americano Peter Cincotti. A primeira, "Dr Jekyll Mr Hyde" (2013), um dueto super animado e que convida à dança e a muitos sorrisos! A outra, "Egocentrica" (2019), vincadamente actual e com a voz de Molinari  em todo o seu esplendor. Esta senhora é um espanto!

 

Como vem aí o fim de semana, e como o Verão não é só praia, porque não uma leitura? Actualmente encontro-me a ler "Uma Fenda na Muralha" de Alves Redol. Ao fim de 179 páginas, posso dizer que me fez reencontrar o espírito da Nazaré e voltar a sentir uma paixão especial por aquele lugar! A Nazaré, do ponto de vista etnológico teve um grande significado para mim, sobretudo por influência do grande Professor Trindade e da forma espectacular (ou este não fosse nazareno) com que falava daquela sociedade matriarcal! Lançou, aliás, um livro “A Nazaré dos Pescadores – Identidade e Transformação de uma Comunidade Marítima”. Foi o Professor Trindade que me apresentou a obra de Jan Brogger, "Pescadores e pés-calçados", uma viagem a mundo real e duro daquela comunidade! Mas voltemos a Alves Redol que, nesta obra, nos transporta para a luta e vida dos "embarcadiços", do medo, do pânico e dos desafios em terra... O neo-realismo português no seu expoente máximo e de uma intensidade apaixonante, ou não fosse um filho de Vila Franca de Xira! A ler, sem dúvida... Até nos dá lições de liderança, que tanto se fala, mas tanto escasseia:

 

Mais do que os outros, menos no medo para fora, porque para dentro todos os homens são iguais. Quando digo «vamos à vante!» apetece-me dizer «vamos para terra» […] Ser arrais é bom, mas sem esta coisa danada de não poder chamar um camarada para junto de mim e dizer-lhe também o que sinto.

Alves Redol, in   "Uma Fenda na Muralha"

 

Bom fim de semana...

 

Ah! A Simona...

Simona Molinari e Peter Cincotti - Dr. Jekyll Mr. Hyde

 Simona Molinari - Egocentrica

 

 

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