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IMG_6891.JPGFonte das Imagens: Própria.

 

Ontem falei do Outono e... Falar do Outono sem falar em Trás-os-Montes e mais especificamente em Pitões das Júnias é um autêntica falta de sensibilidade para com esta estação.

 

Pitões das Júnias, no concelho de Montalegre, não está na moda, por isso não confundamos as coisas. Aliás, se alguma vez esteve na moda foi no âmbito da etnologia e da antropologia sobretudo no estudo e na abordagem às aldeias comunitárias.  Sobre uma delas debrucei-me em tempos, Tourém.O próprio nome da aldeia ainda hoje é alvo de um grande debate, pois não é fácil perceber a sua origem.

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Pitões das Júnias é a aldeia mais alta do Barroso e encontra-se no Parque Natural da Peneda-Gerês. Apesar da proximidade com Espanha, não deixa de ser uma aldeia perdida do interior, uma aldeia esquecida e que tem, graças ao turismo, conseguido manter-se de forma a que não se torne apenas mais uma recordação do passado. A abordagem a Pitões também não pode ficar circunscrita só a um artigo (cá voltaremos), apesar da dimensão da aldeia e da sua população de pouco mais de 150 habitantes. Pitões é mais que uma aldeia, e quando chegamos a Pitões é fácil sentir essa diferença. Pitões é a história de um povo que numa região inóspita lutou contra as adversidades de um clima rigoroso e contra a distância dos grandes centros e isso reconhece-se ainda hoje nos rostos daquelas gentes - gente forte, dura mas de uma humildade e carinho singulares. A própria génesa das aldeias comunitárias nasce dessa necessidade de união e partilha face aos diferentes desafios.

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Entre o rio, a "Pala da Vaca" e os "Cornos de Pitões" (Cornos da Fonte Fria), como são chamadas pelos locais as elevações que "protegem" a aldeia e que contribuem para uma imagem pitoresca sobretudo ao amanhecer e durante o crespúsculo. A vista da aldeia a partir do cemitério é algo que fica para sempre na nossa memória. Daí podemos rever o nosso circuito dentro da aldeia e imaginarmo-nos nós também como parte da mesma. O forno comunitário/Ecomuseu, as fontes com uma água cristalina, a Igreja e as diferentes casas são de uma beleza indescritível e não faltam relatos desta riqueza em livros e também na web, sobretudo daqueles que lá vivem, e não daqueles que, como eu, só lá vão de vez em quando.

 

Também não é incomum encontrarmo-nos com amigos de 4 patas, sejam bois ou enormes cães que nos abordam com um olhar inquiridor mas rapidamente se deixam contagiar pelas nossas festas.

 

Entre os "Prados do Lima", os "cornos" e os ribeiros podemos encontrar verdadeiros dias de descanso, considero até que é um dos locais perfeitos para fugir do mundo e reflectir. Contudo não nos deixemos enganar, pois não perdemos a ligação com a vida e com as pessoas, a outra grande riqueza desta aldeia. Em Pitões apodemos perder a carteira com algum dinheiro e rapidamente toda uma aldeia se mobiliza para encontrar o proprietário da mesma, mesmo que este já se encontre em Lisboa com a memória da "Cascata" ainda bem presente nos seus pensamentos.

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Mas voltaremos a Pitões para descobrir mais um dos segredos deste nosso país. Por agora repousemos entre um clareira rodeada de carvalhos e estudemos este interessante percurso recomendado pelo ICNF. Depois, abramos os nosso cesto de piquenique porque a fome já aperta. Ao que sei está rechedado de enchidos e licores da região...

 

Finalmente, e como Pitões se encontra num Parque Natural, nada como recordar o Código de Conduta e Boas Práticas que deve ser interiorizado por todos os visitantes das áreas protegidas.

 

Bom fim-de-semana...

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O Outono... O Pointer... E as Memórias...

por Robinson Kanes, em 16.11.17

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Fonte das Imagens: Própria. 

 

Já deixei aqui bem patente a minha paixão pelo Outono. Por lá disse que "o Outono dá cor às nossas telas, inspiração à nossa música, faz-nos dançar com as folhas e gentilmente sentir o chão ao pousarmos e a esvoaçarmos novamente, como as aves que partem para destinos mais quentes. O Outono é arte e não é por acaso que existem lugares neste Portugal e não só, onde o Outono é a época mais bonita do ano: pensem no Douro, no Alentejo ou então vamos até à Toscânia ou deixemo-nos prender pela paisagem de Santorini enquanto bebemos um café grego (aquilo para mim é café turco, mas pronto) e admiramos os telhados azuis. O Outono é talvez a mais poderosa e artística estação nos países do mediterrâneo".

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O Outono lembra-me sempre um dos meus grandes amigos, o Nilo. O Nilo é Pointer Inglês "cá de casa", um caçador nato  que não faz mal a uma mosca mas que por isso não perde todos os instintos. A propósito disso, o Outono lembra-me também a época de caça (embora não seja caçador) e todo o movimento que em tempos a mesma provocava, sobretudo em zonas mais rurais. Lembro-me da azáfama junto de tabernas e largos de vilas e aldeias... Dos restaurantes típicos cheios de caçadores e de todo aquele convívio em torno de uma actividade que, independentemente do que possamos pensar da mesma, animava, e de que maneira, aqueles locais.

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Retomando ao Nilo, só posso recordar esta força da Natureza que é capaz de sair às sete da manhã de casa, começar a correr e só parar às sete da tarde e continuar como se nada tivesse acontecido. Costumamos brincar e dizer que esta raça e outras similares têm uma baixa esperança de vida porque vivem tão intensamente essa mesma vida que é impossível um coração aguentar tantos anos de energia ao máximo. Encontrar o Nilo parado é um verdadeiro desafio, pelo que é necessário possuir características de fotógrafo da "National Geographic" e esperar pacientemente que o dono dos campos pare, nem que seja para respirar...

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Um outro aspecto do Outono que me encata é o musgo nos muros, sobretudo nos muros de pedra. Regressar depois do Verão e ver o musgo seco a ganhar cor no granito é dos espectáculos mais bonitos que a natureza nos proporciona. Muitos de nós desconhecemos a quantidade de vidas que este fenómeno permite que existam e, de facto. é algo único. Existe quem o queira arrancar, nós deixamo-lo estar, afinal, nos muros de pedra, a melhor tinta é a própria natureza e na Primavera, os lagartos aplaudem este ecossistema quando deixam a hibernação e procuram os primeiros raios de sol.

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Atenção... Acho que consegui encontrar o Nilo parado...

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 Bom Outono... E tanto que se fala no Natal quando ainda falta tanto para o mesmo, talvez o melhor presente seja um copo de sol outonal...

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 Fonte das Imagens: Própria.

 

Já por aqui confessei que ninguém é perfeito e o meu gosto por música italiana é a prova cabal... Também já admiti que custa gostar da miríade de músicas que todos os dias são despejadas nas rádios e nos tops (confesso que já nem sigo), no entanto, vão existindo excepções...

 

Uma delas é a Giorgia (estranhamente pouco conhecida em Portugal), mas que canta com uma intensidade e uma entrega pouco comuns em cantoras mainstream. Não é apenas uma senhora bonita, é uma voz forte e perfeita que atrai a nossa atenção assim que a escutamos ao longe, ou numa viagem a Itália quando a ouvimos na rádio.

 

 

O último sucesso e que ecoa pela sua terra-natal é a música "Scelgo ancora te", uma música para nos fazer sonhar e claro... Amar... Amar enquanto percorremos Itália e ao nosso lado temos a companhia de quem nos faz pensar que no meio de tantos acontecimentos maus, a sorte do destino também nos dá autênticos bónus e numa probabilidade infíma de oportunidades, eis que... Haverá momento melhor que escutar esta música enquanto do outro lado, os olhos e o sorriso de outrem se perdem na imensidão do Tirreno? Talvez o título da música - "E mesmo assim te escolho" - seja sem dúvida um resumo do que poderia pensar nesses momentos.

 

A Giorgia... A Giorgia tem sido uma companhia não muito recente, mas que tem melhorado na voz ano após ano, desde que a ouvi pela primeira vez com "Ora Basta". Recomendo, sobretudo para ouvirem com quem gostam enquanto preparam um jantar romântico à segunda-feira, quando quase toda a gente se afoga num sentimento de "Blue Monday". Resulta, vão por mim... Iniciem esse momento com "Per Fare A Meno Di Te".

Pensar...  Cada vez mais um privilégio de poucos num relógio que teima em ter mais de 24 horas! "Pensar" é talvez algo que comece a fazer falta e nada melhor que um livro com o mesmo nome, o "Pensar" de Vergílio Ferreira que não é mais que uma colectânea de pequenos e grandes pensamentos que, de tão actuais que são, levam-nos a pensar que as inquietações só mudaram de nome... Um livro que não é para ser lido de uma vez, posto que os 676 pensamentos devem ser efectivamente pensados e digeridos. É um bom desafio, ler um ou dois por dia... Destaco apenas três, que de um certo modo chamaram a minha atenção:

 

IMG_20171020_102834.jpg91 Este é o tempo do insólito, do vigário, do capricho, da mentira, da falsificação, do cheque sem cobertura, da banha-da-cobra. Não temos um estalão para nada (...) Hoje tudo é possível porque nada é possível. Hoje a verdade não se demora até ser mentira mas uma e outra se convertem mutuamente e são ambas válidas na sua mútua referência , sendo a mentira a verdade e ao contrário. Hoje é o tempo dos aventureiros, do medíocre, do sagaz da esperteza, que é a inteligência da astúcia. Hoje é o tempo do curandeiro, do endireita, do bruxo, do vidente,do profeta, do prestidigitador. Hoje é o tempo de se ser estúpido porque o inteligente não há razão para não ser mais estúpido do que ele. Hoje é o tempo de todos os caminhos estarem desimpedidos porque não é possível um sistema alfandegário. Hoje é o tempo de todos os contrabandos porque não há razão para um sistema fiscal. Hoje é o tempo da noite para todos os gatos terem a mesma identidade. Hoje é o tempo de tudo ser o tempo de. Hoje é o tempo de tudo, portanto de nada. Hoje é o tempo de se não ser. Levanta em ti, se puderes, o que te resta de homem, para seres alguma coisa.

-//-

381 Fala baixo. Não te esfalfes a falar alto. Deixa que os outros se esfalfem até ficarem calados. Falar alto é compensar o que em ideias é baixo. E essa é a compensação dos que escutam. Não te esforçes a falar alto. Serás ouvido quando os outros se esfalfarem e já não tiverem voz. Como o que se ouve num recinto depois que o comício acabou.

-//-

466 Rápidos correm os dias, os anos. Não deixes. Nem isso é verdade. Vive intensamente cada dia, cada hora, repara no seu escoar e verás como são lentos. É por isso que quando guardamos um "minuto de silêncio" pela morte de alguém, aquilo nunca mais acaba...

 

 

 

 

Pensar, sobretudo depois de mais uma semana trágica, é algo que se impõe... Talvez neste momento vagueie naquele rosto que contempla o Tirreno e por aí me fique, será isso que me traz força energia para digerir muito do que vou vendo...

 

Bom fim-de-semana...

 

P.S: Esta semana não poderia deixar de agradecer à Maria Araújo, à C.S., à Mami e a todos os outros que no seu espaço correram o risco de perder todos os leitores ao mencionarem este espaço. Agradeço-vos muito, a vocês e a todos os outros que já o fizeram, a Maria por exemplo, é outro caso... Espero não me estar a esquecer de ninguém, mas mesmo que me esqueça é com uma profunda alegria que vos acolho aqui (mesmo aqueles que por aqui passarem com opinião diferente). São vocês a força motriz deste espaço e isso... Bem, isso vale mais que qualquer comunicação... Vale mais que qualquer favor ou qualquer "empurrão"...  Obrigado por existirem e por fazerem com que este espaço ainda exista, são vocês os grandes pilares.

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 Fonte da Imagem: Própria.

O tempo que vivi em Barcelona tende a vir ao meu encontro todos os dias... Não me vou debruçar sobre o referendo catalão que interessa apenas a meia-dúzia, mesmo que alimentado por um clima de pós-verdade que nos diz o contrário. Também não vou falar do facto de viverem tantos portugueses em Barcelona, mas os meus grandes amigos terem sido espanhóis, franceses, marroquinos, ingleses e de outras tantas nacionalidades. 

 

Ausiàs March é uma rua (Carrer em catalão) no centro de Barcelona, bem perto da  "Plaça de Tetuan" e de uma breve caminhada pelo Arco do Triunfo até ao "Parc de la Ciutadella". É um saltinho daí ao mar... E claro, até Barceloneta, onde muitos amigos residiam e onde as tapas têm um sabor diferente. Voltarei mais vezes a este tema, com diferentes experiências, mas hoje, e posto que o fim-de-semana está aí tão perto, vou focar-me em algumas sugestões que me chegam desses tempos.

 

Uma delas passa por uma das bandas que mais gosto e que, por sinal, me foi sugerida por um grande amigo inglês que também viveu em Espanha, aliás, já viveu um pouco por todo o mundo e "agora" regressou à terra natal.

 

 

A "Barcelona Gispy Balkan Orchestra", também conhecida por "Barcelona Gipsy Klezmer Orchestra" é uma dádiva para o ouvido tal é a mescla de sonoridades, o encontro de culturas e a voz de Sandra Giao, a vocalista. A banda, nascida em 2012, conta espanhóis, um grego, um italiano, um ucraniano, um sérvio e um francês - facilmente já conseguimos ter uma ideia do que estes senhores são capazes.

 

Imaginem que, numa só banda, podemos viajar pela música "Klezmer", pelo Jazz Manouche/Gipsy Jazz (Jazz Cigano), pela música romena, por diferentes sons da europa de leste e dos balcãs sem esquecer as influências de Espanha, América do Sul e Médio-Oriente! Parece muito para uma jovem banda, mas o modo como conciliam tantas influências numa música belíssima é de facto fascinante - hoje mesmo estarão a actuar em Barcelona! Este artigo tem sido acompanhado com algumas das jóias destes senhores, "Shalom Alechem" e "Djelem Djelem" uma das minhas preferidas e companheira de viagens pelos balcãs...

 

Finalmente, uma leitura: se é de Ausiàs March que falamos, o poeta medieval valenciano, considerado um dos grandes do Século de Ouro Valenciano, nada como dar uma vista de olhos por uma poesia trovadoresca e variar um pouco as leituras. Fica o poema "Busquen las gentes fiestas con alegría":

 

Busquen las gentes fiestas con alegría,
alabando a Dios, entremezclando deportes;
que plazas, calles y deleitosos jardines
se llenen con los relatos de grandes gestas;
y vaya yo los sepulcros buscando,
interrogando a las almas condenadas,
que me responderán, pues no están acompañadas
sino por mí en su perenne lamento.

 

Cada cual busca y quiere a su semejante;
por esto no me agrada el trato con los vivos.
Al imaginar mi estado, se tornan esquivos;
como de hombre muerto, de mí toman espanto.
El rey ciprio, prisionero de un hereje,
no es a mis ojos desventurado,
pues lo que quiero jamás será logrado;
de mi deseo médico alguno podrá curarme.

 

Como Prometeo, a quien el águila come el hígado
y siempre brota de nuevo la carne,
y jamás termina el pájaro de devorar;
más fuerte dolor que éste me tiene asediado,
pues un gusano me roe el pensamiento,
otro el corazón, y de roer no cesan,
y su trabajo no podrá interrumpirse
sino con aquello que es imposible de lograr.

 

Y si la muerte no me infiriese la ofensa
-alejándome de tan placentera visión-,
no le agradecería que vista de tierra
mi desnudo cuerpo, quien no piensa perder
el placer, pues tan sólo imagina
que mis deseos no pueden cumplirse;
y si mi postrera hora ha llegado,
término tendrá también el bien amar.

 

Y si en el cielo me quiere Dios albergar,
amén de verle, para cumplir mi deseo
será preciso que allá me sea dicho
que mi muerte vos tenéis a bien llorar,
arrepintiéndoos de que por vuestra poca merced
muriese un inocente, mártir por amaros:
pues el cuerpo del alma separaría
si en verdad creyese que de ello os doleríais.

 

Lirio entre cardos, vos sabéis y yo sé
que bien puede morirse por amor;
si creéis que en tal dolor me hallo,
no os excederéis, poniendo en ello plena fe.

 

Bom fim-de-semana...

 

 

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 Fonte das Imagens: Própria.

 

Não é novo que um mês em Istambul me deixou agarrado àquela cidade e ao próprio país. Também por aqui já abordei um sentir da cidade de todas as culturas...

 

Se podemos falar de sugestões, nada como uma leitura por Orhan Pamuk, sobretudo do seu penúltimo livro "Uma Estranheza em Mim". Pamuk é o cronista de Istambul na primeira pessoa e foi também graças a escritor que me foi possível compreender a dinâmica desta cidade, fora dos livros de história e sociologia, bem para lá de Sultanahamet ou Galata... O que parece um livro sem fim e que lentamente vai contar a história do vendedor de boza (Mevlut Karatas) sem grande entusiasmo, transporta-nos para as ruas dos "novos" bairros pobres que contribuiram para que entre 1969 e anos mais recentes a cidade aumentasse de 3 para 13 milhões de habitantes. Mas a história começa numa aldeia Anatólia Central e é aí que vamos sendo levados pontualmente numa espécie de contraste com a própria Istambul, ou entre a Turquia profunda e a Turquia mais cosmopolita.

 

Não é de todo um livro inacessível, aliás, é uma lição de história, cultura, antropologia, urbanismo e até felicidade... Com especial interesse nessa última área, encontrei aí um bom exemplo de estudo, embora seja pouco ou nada mencionado nas criticas que vi à obra, por norma sempre pesadas e que tendem a afastar leitores mais cépticos - aliás, em música, literatura, pintura e outras artes nunca entendi esta forma europeia de complexificar tanto as coisas que a dita democratização das artes parece uma miragem. Não se assustem, assim que começarem a ler não vão querer parar e o discurso é simples, é mais fácil compreender o livro que as análises ao mesmo. 

 

IMG_20170904_091802.jpgPode também parecer "tolo", mas a par das peripécias que envolvem o casamento de Mevlut, não consegui deixar de pensar na prática do "casamento e fuga" também alvo da etnologia no contexto da comunidade piscatória da Nazaré. É Istambul no seu dia-a-dia, da pressão do Estado, das máfias "bondosas" que acabam por comandar os submundos e os destinos de muitos, é a felicidade com pouco, mas com fortes alicerces na família (primos), nos amigos (Ferhat) e naqueles que encontramos dia-a-dia - interessante a relação que Mevlut acabará por ter com o " Santo Guia". É um relato realista, sem qualquer fantasia mas também sem qualquer necessidade de adensar a tristeza. Discordo quando a obra é tida como uma "novela trágica"... Só de um sofá numa confortável cidade europeia podemos tecer tal afirmação...

 

 É a realidade aqui tão bem escrita e que me transporta para aquele mês em que vi muito do que nestas páginas é apresentado. Como eu, chego à conclusão que no misto de tristeza e encanto com Istambul, também Mevlut é um apaixonado pela mesma.

 

 

É envolvente como, com o livro a meio, e ainda antes de fecharmos os olhos, nos deitamos na nossa cama e temos a sensação de ouvir lá fora a personagem de Mevlut a apregoar "Boooooooo-zaaaaaaaa". Experimentem e deixem a noite alta chegar e ouçam o som da vossa cidade, vila ou aldeia...

 

Finalmente, uma nota musical para me lembrar esta cidade: os "Light in Babylon", uma banda turca de Istambul com várias influências, ou não fosse Istambul uma mescla de povos e culturas. Não sou confesso adepto da voz da vocalista, contudo, não deixa de ser um banda que me atrai pelos temas explorados, pelas letras e sobretudo pelos ritmos árabes, turcos e judaicos. Uma das minhas composições preferidas tem o nome da cidade: "Istambul".

 

 

É uma das companhias para alguns crespúsculos e sobretudo para recordar terras distantes ou, como Mevlut, percorrer os diferentes bairros de Istambul. A encontrar o vendedor de boza - coisa rara - e a descobrir naqueles olhos as inquietações do seu dia-a-dia que só era, apesar do cansaço e árduo trabalho, enriquecido com a venda desta iguaria. Talvez as ruas de Istambul sejam perfeitas para isso, talvez sejam um misto de inquietação e paz que nos transporta para outra dimensão enquanto um simit nos alimenta o estômago e a alma.

 

Deixo mais uma das músicas que aprecio desta banda, 

  

 

 Boa Semana...

 

Boza: bebida tradicional asiática à base de trigo fermentado, de consistência grossa, cor amarelo-torrado e de baixa graduação.

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Não Acabem com o Verão por Decreto!

por Robinson Kanes, em 30.08.17

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 Fonte da Imagem: Própria

 

Existe algo que ultimamente me tem consumido o pensamento e que se prende com o facto de se decretarem inícios de época e o seu contrário, nomeadamente, os fins de época. Se do ponto de vista administrativo, de gestão e até de marketing e vendas pode fazer o todo sentido, quando a questão já passa para a vida e mentalidade de todos nós as coisas tendem a agravar-se.

 

Desde finais de Agosto, sempre que falo de Verão no presente, sou olhado como se D.Afonso Henriques tivesse, hoje mesmo, chegado às portas de al-Lixbûnâ e proferido as seguintes palavras: “caro Egas Moniz, vamos lá conquistar o castelo aos mouros ou não?”. Praticar Falcoaria e Tiro com Arco já me têm valido comentários a remeter para os tempos da construção da Catedral de Reims, no entanto, parece que o Verão já lá vai e todo o espírito alegre e festivo (por vezes até em excesso) se dissipa a 31 de Agosto. Essa apologia ouve-se diariamente, por exemplo... experimentem ouvir rádio durante uma manhã de inícios de Setembro. Por aqui até já existem artigos a falar do Natal! Sim, do Natal!

 

Usufruir de férias em Setembro ou Outubro chega a ser encarado como uma espécie de segundas férias e pode gerar comentários do género: “outra vez de férias?” ou "este não faz nada, ricas vidas". Ir à praia em Setembro, mesmo que debaixo de temperaturas mais quentes que em Agosto é visto como uma aventura somente acessível a residentes de Trondheim em férias pelo sul da Europa. "Mas a maioria dos portugueses volta ao trabalho em Setembro" – dirão alguns – de facto, mas também, de férias ou não, não precisamos de deixar de viver num espírito, diria... mais luminoso e descontraído e não falo daquelas práticas massivas de Verão como as modas típicas da silly season.

 

Decretam-se, nas nossas cabeças, épocas e... quer queiramos quer não, tal acaba por ter implicações no nosso dia-a-dia, inclusive no das organizações empresariais. Tomemos como exemplo a hotelaria - uma das principais queixas da hotelaria, sobretudo daquela mais próxima do conceito de férias/lazer, passa por olhar a sazonalidade como um mal menor e aceitar, sem questionar muitas vezes, as baixas taxas de ocupação fora dos meses de Verão. Baixamos os braços, porque tendemos a pensar que simplesmente é assim... ou que os mercados no exterior pensam como nós, ou seja, que fora do Verão não há mercado e dinamizá-lo é um desperdício de recursos.

 

Também recentemente, numa deslocação a Castilla Y León, dei com a imagem que coloco a colorir este texto e que no fundo reflecte bem o espírito de um povo que vive para todos os dias e efectivamente sabe viver. Todas as nações têm defeitos e apesar do momento que Espanha atravessa não é por isso que não deixa de ser uma economia pujante, muito também por culpa do seu espírito e mentalidade – sim, caros compatriotas, não vão ao baú procurar o discurso ensaiado de que o nosso país é pequeno e sempre será assim - estamos numa era globalizada. Se não somos pequenos para copiar modas de países como os Estados Unidos, também não podemos dizer que somos pequenos quando é a nossa cabeça a tomar uma atitude.

 

São temperaturas na ordem dos 34º e indivíduos com um ar cabisbaixo, tudo acabou e toda a alegria se diluiu nessa data macabra que é o 31 de Agosto. Não vamos pensar na época Natalícia, onde mais uma vez o espírito vai ficar alegre e até vamos ficar mais solidários por obrigação. Até lá, temos os meses de Outubro, Novembro e até uma parte de Dezembro para continuar a sorrir e, num país como Portugal e consoante os anos, a desfrutar do sol. Porque temos de nos agasalhar sob dias quentes de Setembro ou Outubro, quando nos dias chuvosos de Agosto andamos de t-shirt e calções? Agasalhar... pode ser também extensível ao nosso espírito.

 

E recordem-se que, enquanto andamos sempre a dizer mal do Outono (talvez a época mais bonita do ano) muitos são aqueles, de outros países, que pagam milhares para ver as vindimas no Douro e em Azeitão, ou para visitar as nossas Aldeias Históricas, ou simplesmente para usufruírem das nossas esplanadas, da nossa gastronomia e até daquilo que se tende a perder -  a nossa cultura como portugueses, como povo lutador mas sempre com um sorriso no rosto e não colado à “saudade triste e ingrata” que nos foi ilegalmente vendida e da qual parecemos ter uma espécie de contrato de fidelização vitalício.

 

Deixe o queixume e se está de folga ou fim de semana, aproveite as esplanadas e a praia do Portinho da Arrábida que esperam por si (estive lá na sexta-feira rodeado, somente... por estrangeiros), saia que as noites estão quentes. Ao invés do "Thank God it's Friday", parta no espírito do "Happy Monday" para mais uma semana de trabalho... mesmo que o seu “chefe” seja daqueles mais difíceis... lembre-se que comportamento, gera sempre comportamento... use isso a seu favor e deixe também de viver por épocas e viva todos os dias.

 

Texto originalmente publicado a 06/10/2016

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"Dinner in the Sky"? Prefiro "In the Tree".

por Robinson Kanes, em 22.08.17

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Fonte das Imagens: http://www.redwoodstreehouse.co.nz/photo-gallery/

 

Uma das "últimas" tendências na área dos eventos e até do turismo é o "Dinner in the Sky", ou seja, "Jantar no Céu". Não estou a falar de uma reedição da "Última Ceia" mas agora com palco nas alturas e muito menos no "Cenáculo", em pleno Monte Sião. Também ninguém vai trair o organizador do jantar, é mesmo um jantar numa plataforma suspensa e suportado por gruas com chefs famosos a servirem. 

 

Pessoalmente não é uma iniciativa que aprecie, mesmo que digam que é moderno. Além de que... Se alguém beber bastante corre o risco de cair (não acontece, estarão presos).

 

No entanto, para comer nas alturas, um dos locais/iniciativas que mais me encantou foi recomendado por um colega austríaco na Nova Zelândia, mais precisamente em Warkworth, Auckland. O resultado é fazer a refeição nas árvores, uma espécie de regressar às origens mas de uma forma bem mais conseguida e bem mais ecológica que a anterior. Estou a falar da "Reedwoods Treehouse", um conceito de restauração extremamente interessante. Também é nas alturas, mas bastante mais natural e humano. 

 

Saborear uma refeição ou celebrar uma festa no meio da floresta, tendo para isso de atravessar uma plataforma de madeira entre as árvores e entrar num "ninho" é algo de singular. Actualmente, a "Reedwoods Treehouse" ainda só pode ser utilizada para eventos privados mas é sem dúvida um ideia excelente e que poderia ser transposta para as nossas florestas. Quando nos queixamos que a floresta está ao abandono, pode ser uma forma de rentabilizar um espaço garantindo, contudo, o equílibrio com a natureza. Ainda me lembro, quando apresentei esta ideia a um investidor e a duas câmaras, a perplexidade de todos. Embora não fosse algo novo a reacção foi esta: "acha que somos macacos para comer em árvores?". Tivesse eu falado de um jantar suspenso por gruas mas que tem mais visibilidade talvez tivesse tido mais sorte.

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O conceito é fantástico, ecológico e de extremo bom gosto criando uma experiência inesquecível. Com Portugal a ser o foco do turismo internacional, bem podemos ter uma forma de fazer o mesmo chegar a locais mais recônditos e menos conhecidos e com isso desenvolver um turismo sustentável e com reais impactes positivos no local. Além disso, a estrutura foi construída em apenas 66 dias! Quando falamos em "Turismo para Todos" não nos podemos esquecer de incluir no "todos" os que cá estão sob pena de cometermos erros que outros já se arrependeram e agora se encontram a corrigir.

 

Se ser macaco é isto, pois bem, trepemos às àrvores e aproveitemos este espaço!

 

Querem saber como tudo começou? Sigam esta ligação e vejam como uma campanha de marketing acabou por dar origem a este espaço.

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Abençoado Agosto e Bendito Vento!

por Robinson Kanes, em 11.08.17

 

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  Fonte das Imagens: Própria.

 

O português tem um problema crónico: nunca, mas mesmo nunca, irá dizer... Estou bem! 

 

No Inverno é porque não chove! Vem a chuva... É porque não faz sol. É porque está calor e na sua senda consumista acredita que tem de vir o frio para se vestir de acordo com a estação. Vem o frio... É porque está frio! Por acaso, no Verão não se importa que o país seque. Desde que o calor esteja no pico, queremos lá saber que meio-mundo esteja a morrer à sede, que não faltem caipirinhas e água do mar na praia! E como é Verão e a silly season está aí a queimar muitas mentes o principal inimigo passou a ser... O fogo? Não, já ninguém quer ouvir falar de incêndios... Mas em Abrantes está o pânico! E? Espero que não morra ninguém, caso contrário ao invés de querermos inflacionar listas de mortos vamos querer é eliminar as mesmas só para não tirar o brilho às férias...

 

Mas o drama, o verdadeiro horror, a tragédia (gostaram do momento Artur Albarran?) dos herdeiros de Viriato é o vento! Maldito Éolo que ainda vives no Império Romano a atormentar estes lusitanos cuja principal preocupação são os teus ventos! 

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Adoro uma boa chuva de Verão e o vento, desde que não se ande sempre a dizer na comunicação social que vai continuar (os incendiários agradecem), também me é agradável. Além de que não é preciso ir para os trópicos ou até para o Algarve para assistir a profissionais de alto gabarito a fazerem acrobacias aproveitando aquele sobre o qual quase toda a gente, por estes dias, decidiu descarregar a sua frustração. Além disso... Sempre se partilham umas fotografias mal tiradas.

 

Posto isto, a minha sugestão para estes dias de fim de semana é simples: ponham-se ao vento e voem! Voar também faz bem!

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Até porque afinal, a verdade é esta: enquanto muitos de vós se refugiam no conforto de um espaço fechado com medo de uma brisa, ainda há quem aproveite, e bem, o Bóreas das nortadas!

 

Bom fim de semana...

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Pela Cordoama, Barriga e Castelejo...

por Robinson Kanes, em 03.08.17

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 Fonte das Imagens: Própria.

 

Apesar de ser Verão e as praias se encherem de cor e festa, a verdade é que existem praias que são mais belas longe desta época... Três delas situam-se lado-a-lado, bem perto de Vila do Bispo: a Praia do Castelejo a leste, a Praia da Cordoama ao centro e a Praia da Barriga a oeste. É interessante como não nos cansamos de percorrer esta costa, como cada praia é uma descoberta, cada penhasco um desafio e o oceano o nosso companheiro mais fiel e que se vai transformado quilómetro a quilómetro.

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Comecemos pela Cordoama, uma praia com extenso areal e ideal para a prática de desportos náuticos (sobreutdo surf) e também para a prática de parapente, mas pouco recomendável para crianças ou pessoas que não queiram arriscar no mar devido à ondulação. À semelhança da Praia da Barriga é ideal para observar as escarpas e contemplar o oceano. No entanto, a Cordoama e o Castelejo têm uma particularidade: são divididas por uma colina e é daí que se consegue ter também uma das melhores vistas da Costa Vicentina. É um local icónico e que permite, por vezes, apreciar de cima verdadeiras acrobacias aquáticas ou então aéreas devido à prática de parapente. A Cordoama não se pode considerar uma praia romântica nem das mais belas da Costa Vicentina, mas é sem dúvida um ponto obrigatório, quanto mais não seja para deixarmos que os ventos que acompanham o atlântico nos purifiquem.

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A Praia da Barriga é ideal para ser o ponto de partida para uma caminhada até à Cordoama e depois ao Castelejo na maré-baixa. É conhecida sobretudo pelos praticantes de surf e bodyboard.

 

Finalmente, a jóia da coroa destas praias, a Praia do Castelejo: além da ondulação forte oferece ainda um contraste singular entre o negro xisto e a areia dourada a que se junta a Pedra da Laje que pela sua semelhança a um castelo é apontada como a responsável pelo nome da praia. Uma das outras mais-valias deste local é o Trilho Ambiental do Castelejo e que ainda integra uma área de Rede Natura 2000! Circular e com apenas 3,5km é obrigatório percorrer o mesmo, seja a pé ou de bicicleta. Apesar de não ir dar à praia, é possível fazer um piquenique junto ao lago antes de se abandonar o trilho, até porque os cheiros do Castelejo não nos deixarão fugir sem pisarmos aquelas areias. Mais informação sobre o trilho aqui.

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E como estamos no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina não deixem de consultar e levar convosco o Código de Conduta e Boas Práticas.

 

 

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La Dolce Vita!

por Robinson Kanes, em 21.07.17

 

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 Fonte da Imagem: http://www.hotel-r.net/hu/dolcevita

 

Uma sexta-feira e está na hora de entrar no fim de semana com um ritmo menos acelerado, até porque esta semana os artigos foram bastante sérios... 

 

Poderia sugerir coisas tranquilizadoras mas não me parece que os "Olhos de Água" de Alves Redol ou mais uma leitura de "Crónica de Uma Morte Anunciada" de Gabriel Garcia Marquéz possam acalmar o espírito, apesar de terem sido as minhas leituras desta semana. Provavelmente senti-me na pele de um dos gémeos Vicario ("Crónica de uma Morte Anunciada") quando escrevi o artigo de terça-feira. No entanto, este fim de semana pede algo tranquilo...

 

A minha sugestão (e sim, sei que nasci muitos anos depois para me interessar por estas coisas) é o filme "La Dolce Vita" de Frederico Fellini, com Marcelo Mastroiani, Anita Ekberg e a bela Anouk Aimée. Filme italiano, se possível para ver sem legendas e com tempo, pois tem a duração de quase três horas.

 

É um filme ao estilo de Fellini e que conta a história de uma semana na vida Marcello Rubinni, um jornalista de revistas cor-de-rosa, que procura a felicidade na bela Roma. Aborda sobretudo a questão da vulgaridade, dos valores, da felicidade camuflada das elites artísticas e financeiras, das diferentes personagens (mulheres) na vida de Marcello e como isso, para o mesmo, é uma total demonstração das dificuldades em realizar essa felicidade. Neo-Realista, é um filme que conquistou uma Palma de Ouro em Cannes e deu lugar ao "nascimento" do conceito paparazzo. Foi também um filme censurado em muitos países e pela própria Igreja Católica, aliás, o início do filme deixa logo antever esse sentimento. Quem viu "Cinema Paradiso" vai-se recordar de algumas cenas... Abaixo deixo dois vídeos que marcaram o filme, aliás, a cena na "Fontana di Trevi" tornou-se uma referência! Vide o vídeo abaixo:

Uma curiosidade: consta que Anita Ekberg não teve qualquer problema em passar horas na água a filmar esta cena, por sua vez, Marcello Mastroiani lamentou-se profundamente por diversas vezes e só a Vodka o fez aguentar a água fria.

 

Finalmente a banda sonora, do grande Nino Rota, é também uma referência... Sobretudo para os amantes do estilo e que o colocam ao lado de Morricone e Piovanni como um dos meus preferidos. Deixo-vos também uma sonoridade, é impossível não reconhecer este som...

É a sugestão ideal para reflectir e pensar se "La Dolce Vita" não é algo tão simples, mas que continuamos a ignorar do alto da nossa pseudo-importância e da nossa ânsia de viver numa lógica de egoísmo, influência e até de nos sentirmos perdidos no nosso mundo que julgamos controlar. No que depender de mim, mal ou bem, procurarei sempre "La Dolce Vita".

 

Bom fim de semana...

 

Dois artigos que merecem a leitura dos comentários, aqui e aqui. Obrigado a todos.

 

 Cena Final de "La Dolce Vita" - Quem vir o filme vai perceber o impacte da mesma.

 

 

 

 

 

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