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 Fonte das Imagens: Própria.

 

Não é novo que um mês em Istambul me deixou agarrado àquela cidade e ao próprio país. Também por aqui já abordei um sentir da cidade de todas as culturas...

 

Se podemos falar de sugestões, nada como uma leitura por Orhan Pamuk, sobretudo do seu penúltimo livro "Uma Estranheza em Mim". Pamuk é o cronista de Istambul na primeira pessoa e foi também graças a escritor que me foi possível compreender a dinâmica desta cidade, fora dos livros de história e sociologia, bem para lá de Sultanahamet ou Galata... O que parece um livro sem fim e que lentamente vai contar a história do vendedor de boza (Mevlut Karatas) sem grande entusiasmo, transporta-nos para as ruas dos "novos" bairros pobres que contribuiram para que entre 1969 e anos mais recentes a cidade aumentasse de 3 para 13 milhões de habitantes. Mas a história começa numa aldeia Anatólia Central e é aí que vamos sendo levados pontualmente numa espécie de contraste com a própria Istambul, ou entre a Turquia profunda e a Turquia mais cosmopolita.

 

Não é de todo um livro inacessível, aliás, é uma lição de história, cultura, antropologia, urbanismo e até felicidade... Com especial interesse nessa última área, encontrei aí um bom exemplo de estudo, embora seja pouco ou nada mencionado nas criticas que vi à obra, por norma sempre pesadas e que tendem a afastar leitores mais cépticos - aliás, em música, literatura, pintura e outras artes nunca entendi esta forma europeia de complexificar tanto as coisas que a dita democratização das artes parece uma miragem. Não se assustem, assim que começarem a ler não vão querer parar e o discurso é simples, é mais fácil compreender o livro que as análises ao mesmo. 

 

IMG_20170904_091802.jpgPode também parecer "tolo", mas a par das peripécias que envolvem o casamento de Mevlut, não consegui deixar de pensar na prática do "casamento e fuga" também alvo da etnologia no contexto da comunidade piscatória da Nazaré. É Istambul no seu dia-a-dia, da pressão do Estado, das máfias "bondosas" que acabam por comandar os submundos e os destinos de muitos, é a felicidade com pouco, mas com fortes alicerces na família (primos), nos amigos (Ferhat) e naqueles que encontramos dia-a-dia - interessante a relação que Mevlut acabará por ter com o " Santo Guia". É um relato realista, sem qualquer fantasia mas também sem qualquer necessidade de adensar a tristeza. Discordo quando a obra é tida como uma "novela trágica"... Só de um sofá numa confortável cidade europeia podemos tecer tal afirmação...

 

 É a realidade aqui tão bem escrita e que me transporta para aquele mês em que vi muito do que nestas páginas é apresentado. Como eu, chego à conclusão que no misto de tristeza e encanto com Istambul, também Mevlut é um apaixonado pela mesma.

 

 

É envolvente como, com o livro a meio, e ainda antes de fecharmos os olhos, nos deitamos na nossa cama e temos a sensação de ouvir lá fora a personagem de Mevlut a apregoar "Boooooooo-zaaaaaaaa". Experimentem e deixem a noite alta chegar e ouçam o som da vossa cidade, vila ou aldeia...

 

Finalmente, uma nota musical para me lembrar esta cidade: os "Light in Babylon", uma banda turca de Istambul com várias influências, ou não fosse Istambul uma mescla de povos e culturas. Não sou confesso adepto da voz da vocalista, contudo, não deixa de ser um banda que me atrai pelos temas explorados, pelas letras e sobretudo pelos ritmos árabes, turcos e judaicos. Uma das minhas composições preferidas tem o nome da cidade: "Istambul".

 

 

É uma das companhias para alguns crespúsculos e sobretudo para recordar terras distantes ou, como Mevlut, percorrer os diferentes bairros de Istambul. A encontrar o vendedor de boza - coisa rara - e a descobrir naqueles olhos as inquietações do seu dia-a-dia que só era, apesar do cansaço e árduo trabalho, enriquecido com a venda desta iguaria. Talvez as ruas de Istambul sejam perfeitas para isso, talvez sejam um misto de inquietação e paz que nos transporta para outra dimensão enquanto um simit nos alimenta o estômago e a alma.

 

Deixo mais uma das músicas que aprecio desta banda, 

  

 

 Boa Semana...

 

Boza: bebida tradicional asiática à base de trigo fermentado, de consistência grossa, cor amarelo-torrado e de baixa graduação.

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Não Acabem com o Verão por Decreto!

por Robinson Kanes, em 30.08.17

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 Fonte da Imagem: Própria

 

Existe algo que ultimamente me tem consumido o pensamento e que se prende com o facto de se decretarem inícios de época e o seu contrário, nomeadamente, os fins de época. Se do ponto de vista administrativo, de gestão e até de marketing e vendas pode fazer o todo sentido, quando a questão já passa para a vida e mentalidade de todos nós as coisas tendem a agravar-se.

 

Desde finais de Agosto, sempre que falo de Verão no presente, sou olhado como se D.Afonso Henriques tivesse, hoje mesmo, chegado às portas de al-Lixbûnâ e proferido as seguintes palavras: “caro Egas Moniz, vamos lá conquistar o castelo aos mouros ou não?”. Praticar Falcoaria e Tiro com Arco já me têm valido comentários a remeter para os tempos da construção da Catedral de Reims, no entanto, parece que o Verão já lá vai e todo o espírito alegre e festivo (por vezes até em excesso) se dissipa a 31 de Agosto. Essa apologia ouve-se diariamente, por exemplo... experimentem ouvir rádio durante uma manhã de inícios de Setembro. Por aqui até já existem artigos a falar do Natal! Sim, do Natal!

 

Usufruir de férias em Setembro ou Outubro chega a ser encarado como uma espécie de segundas férias e pode gerar comentários do género: “outra vez de férias?” ou "este não faz nada, ricas vidas". Ir à praia em Setembro, mesmo que debaixo de temperaturas mais quentes que em Agosto é visto como uma aventura somente acessível a residentes de Trondheim em férias pelo sul da Europa. "Mas a maioria dos portugueses volta ao trabalho em Setembro" – dirão alguns – de facto, mas também, de férias ou não, não precisamos de deixar de viver num espírito, diria... mais luminoso e descontraído e não falo daquelas práticas massivas de Verão como as modas típicas da silly season.

 

Decretam-se, nas nossas cabeças, épocas e... quer queiramos quer não, tal acaba por ter implicações no nosso dia-a-dia, inclusive no das organizações empresariais. Tomemos como exemplo a hotelaria - uma das principais queixas da hotelaria, sobretudo daquela mais próxima do conceito de férias/lazer, passa por olhar a sazonalidade como um mal menor e aceitar, sem questionar muitas vezes, as baixas taxas de ocupação fora dos meses de Verão. Baixamos os braços, porque tendemos a pensar que simplesmente é assim... ou que os mercados no exterior pensam como nós, ou seja, que fora do Verão não há mercado e dinamizá-lo é um desperdício de recursos.

 

Também recentemente, numa deslocação a Castilla Y León, dei com a imagem que coloco a colorir este texto e que no fundo reflecte bem o espírito de um povo que vive para todos os dias e efectivamente sabe viver. Todas as nações têm defeitos e apesar do momento que Espanha atravessa não é por isso que não deixa de ser uma economia pujante, muito também por culpa do seu espírito e mentalidade – sim, caros compatriotas, não vão ao baú procurar o discurso ensaiado de que o nosso país é pequeno e sempre será assim - estamos numa era globalizada. Se não somos pequenos para copiar modas de países como os Estados Unidos, também não podemos dizer que somos pequenos quando é a nossa cabeça a tomar uma atitude.

 

São temperaturas na ordem dos 34º e indivíduos com um ar cabisbaixo, tudo acabou e toda a alegria se diluiu nessa data macabra que é o 31 de Agosto. Não vamos pensar na época Natalícia, onde mais uma vez o espírito vai ficar alegre e até vamos ficar mais solidários por obrigação. Até lá, temos os meses de Outubro, Novembro e até uma parte de Dezembro para continuar a sorrir e, num país como Portugal e consoante os anos, a desfrutar do sol. Porque temos de nos agasalhar sob dias quentes de Setembro ou Outubro, quando nos dias chuvosos de Agosto andamos de t-shirt e calções? Agasalhar... pode ser também extensível ao nosso espírito.

 

E recordem-se que, enquanto andamos sempre a dizer mal do Outono (talvez a época mais bonita do ano) muitos são aqueles, de outros países, que pagam milhares para ver as vindimas no Douro e em Azeitão, ou para visitar as nossas Aldeias Históricas, ou simplesmente para usufruírem das nossas esplanadas, da nossa gastronomia e até daquilo que se tende a perder -  a nossa cultura como portugueses, como povo lutador mas sempre com um sorriso no rosto e não colado à “saudade triste e ingrata” que nos foi ilegalmente vendida e da qual parecemos ter uma espécie de contrato de fidelização vitalício.

 

Deixe o queixume e se está de folga ou fim de semana, aproveite as esplanadas e a praia do Portinho da Arrábida que esperam por si (estive lá na sexta-feira rodeado, somente... por estrangeiros), saia que as noites estão quentes. Ao invés do "Thank God it's Friday", parta no espírito do "Happy Monday" para mais uma semana de trabalho... mesmo que o seu “chefe” seja daqueles mais difíceis... lembre-se que comportamento, gera sempre comportamento... use isso a seu favor e deixe também de viver por épocas e viva todos os dias.

 

Texto originalmente publicado a 06/10/2016

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"Dinner in the Sky"? Prefiro "In the Tree".

por Robinson Kanes, em 22.08.17

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Fonte das Imagens: http://www.redwoodstreehouse.co.nz/photo-gallery/

 

Uma das "últimas" tendências na área dos eventos e até do turismo é o "Dinner in the Sky", ou seja, "Jantar no Céu". Não estou a falar de uma reedição da "Última Ceia" mas agora com palco nas alturas e muito menos no "Cenáculo", em pleno Monte Sião. Também ninguém vai trair o organizador do jantar, é mesmo um jantar numa plataforma suspensa e suportado por gruas com chefs famosos a servirem. 

 

Pessoalmente não é uma iniciativa que aprecie, mesmo que digam que é moderno. Além de que... Se alguém beber bastante corre o risco de cair (não acontece, estarão presos).

 

No entanto, para comer nas alturas, um dos locais/iniciativas que mais me encantou foi recomendado por um colega austríaco na Nova Zelândia, mais precisamente em Warkworth, Auckland. O resultado é fazer a refeição nas árvores, uma espécie de regressar às origens mas de uma forma bem mais conseguida e bem mais ecológica que a anterior. Estou a falar da "Reedwoods Treehouse", um conceito de restauração extremamente interessante. Também é nas alturas, mas bastante mais natural e humano. 

 

Saborear uma refeição ou celebrar uma festa no meio da floresta, tendo para isso de atravessar uma plataforma de madeira entre as árvores e entrar num "ninho" é algo de singular. Actualmente, a "Reedwoods Treehouse" ainda só pode ser utilizada para eventos privados mas é sem dúvida um ideia excelente e que poderia ser transposta para as nossas florestas. Quando nos queixamos que a floresta está ao abandono, pode ser uma forma de rentabilizar um espaço garantindo, contudo, o equílibrio com a natureza. Ainda me lembro, quando apresentei esta ideia a um investidor e a duas câmaras, a perplexidade de todos. Embora não fosse algo novo a reacção foi esta: "acha que somos macacos para comer em árvores?". Tivesse eu falado de um jantar suspenso por gruas mas que tem mais visibilidade talvez tivesse tido mais sorte.

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O conceito é fantástico, ecológico e de extremo bom gosto criando uma experiência inesquecível. Com Portugal a ser o foco do turismo internacional, bem podemos ter uma forma de fazer o mesmo chegar a locais mais recônditos e menos conhecidos e com isso desenvolver um turismo sustentável e com reais impactes positivos no local. Além disso, a estrutura foi construída em apenas 66 dias! Quando falamos em "Turismo para Todos" não nos podemos esquecer de incluir no "todos" os que cá estão sob pena de cometermos erros que outros já se arrependeram e agora se encontram a corrigir.

 

Se ser macaco é isto, pois bem, trepemos às àrvores e aproveitemos este espaço!

 

Querem saber como tudo começou? Sigam esta ligação e vejam como uma campanha de marketing acabou por dar origem a este espaço.

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Abençoado Agosto e Bendito Vento!

por Robinson Kanes, em 11.08.17

 

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  Fonte das Imagens: Própria.

 

O português tem um problema crónico: nunca, mas mesmo nunca, irá dizer... Estou bem! 

 

No Inverno é porque não chove! Vem a chuva... É porque não faz sol. É porque está calor e na sua senda consumista acredita que tem de vir o frio para se vestir de acordo com a estação. Vem o frio... É porque está frio! Por acaso, no Verão não se importa que o país seque. Desde que o calor esteja no pico, queremos lá saber que meio-mundo esteja a morrer à sede, que não faltem caipirinhas e água do mar na praia! E como é Verão e a silly season está aí a queimar muitas mentes o principal inimigo passou a ser... O fogo? Não, já ninguém quer ouvir falar de incêndios... Mas em Abrantes está o pânico! E? Espero que não morra ninguém, caso contrário ao invés de querermos inflacionar listas de mortos vamos querer é eliminar as mesmas só para não tirar o brilho às férias...

 

Mas o drama, o verdadeiro horror, a tragédia (gostaram do momento Artur Albarran?) dos herdeiros de Viriato é o vento! Maldito Éolo que ainda vives no Império Romano a atormentar estes lusitanos cuja principal preocupação são os teus ventos! 

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Adoro uma boa chuva de Verão e o vento, desde que não se ande sempre a dizer na comunicação social que vai continuar (os incendiários agradecem), também me é agradável. Além de que não é preciso ir para os trópicos ou até para o Algarve para assistir a profissionais de alto gabarito a fazerem acrobacias aproveitando aquele sobre o qual quase toda a gente, por estes dias, decidiu descarregar a sua frustração. Além disso... Sempre se partilham umas fotografias mal tiradas.

 

Posto isto, a minha sugestão para estes dias de fim de semana é simples: ponham-se ao vento e voem! Voar também faz bem!

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Até porque afinal, a verdade é esta: enquanto muitos de vós se refugiam no conforto de um espaço fechado com medo de uma brisa, ainda há quem aproveite, e bem, o Bóreas das nortadas!

 

Bom fim de semana...

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Pela Cordoama, Barriga e Castelejo...

por Robinson Kanes, em 03.08.17

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 Fonte das Imagens: Própria.

 

Apesar de ser Verão e as praias se encherem de cor e festa, a verdade é que existem praias que são mais belas longe desta época... Três delas situam-se lado-a-lado, bem perto de Vila do Bispo: a Praia do Castelejo a leste, a Praia da Cordoama ao centro e a Praia da Barriga a oeste. É interessante como não nos cansamos de percorrer esta costa, como cada praia é uma descoberta, cada penhasco um desafio e o oceano o nosso companheiro mais fiel e que se vai transformado quilómetro a quilómetro.

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Comecemos pela Cordoama, uma praia com extenso areal e ideal para a prática de desportos náuticos (sobreutdo surf) e também para a prática de parapente, mas pouco recomendável para crianças ou pessoas que não queiram arriscar no mar devido à ondulação. À semelhança da Praia da Barriga é ideal para observar as escarpas e contemplar o oceano. No entanto, a Cordoama e o Castelejo têm uma particularidade: são divididas por uma colina e é daí que se consegue ter também uma das melhores vistas da Costa Vicentina. É um local icónico e que permite, por vezes, apreciar de cima verdadeiras acrobacias aquáticas ou então aéreas devido à prática de parapente. A Cordoama não se pode considerar uma praia romântica nem das mais belas da Costa Vicentina, mas é sem dúvida um ponto obrigatório, quanto mais não seja para deixarmos que os ventos que acompanham o atlântico nos purifiquem.

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A Praia da Barriga é ideal para ser o ponto de partida para uma caminhada até à Cordoama e depois ao Castelejo na maré-baixa. É conhecida sobretudo pelos praticantes de surf e bodyboard.

 

Finalmente, a jóia da coroa destas praias, a Praia do Castelejo: além da ondulação forte oferece ainda um contraste singular entre o negro xisto e a areia dourada a que se junta a Pedra da Laje que pela sua semelhança a um castelo é apontada como a responsável pelo nome da praia. Uma das outras mais-valias deste local é o Trilho Ambiental do Castelejo e que ainda integra uma área de Rede Natura 2000! Circular e com apenas 3,5km é obrigatório percorrer o mesmo, seja a pé ou de bicicleta. Apesar de não ir dar à praia, é possível fazer um piquenique junto ao lago antes de se abandonar o trilho, até porque os cheiros do Castelejo não nos deixarão fugir sem pisarmos aquelas areias. Mais informação sobre o trilho aqui.

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E como estamos no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina não deixem de consultar e levar convosco o Código de Conduta e Boas Práticas.

 

 

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La Dolce Vita!

por Robinson Kanes, em 21.07.17

 

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 Fonte da Imagem: http://www.hotel-r.net/hu/dolcevita

 

Uma sexta-feira e está na hora de entrar no fim de semana com um ritmo menos acelerado, até porque esta semana os artigos foram bastante sérios... 

 

Poderia sugerir coisas tranquilizadoras mas não me parece que os "Olhos de Água" de Alves Redol ou mais uma leitura de "Crónica de Uma Morte Anunciada" de Gabriel Garcia Marquéz possam acalmar o espírito, apesar de terem sido as minhas leituras desta semana. Provavelmente senti-me na pele de um dos gémeos Vicario ("Crónica de uma Morte Anunciada") quando escrevi o artigo de terça-feira. No entanto, este fim de semana pede algo tranquilo...

 

A minha sugestão (e sim, sei que nasci muitos anos depois para me interessar por estas coisas) é o filme "La Dolce Vita" de Frederico Fellini, com Marcelo Mastroiani, Anita Ekberg e a bela Anouk Aimée. Filme italiano, se possível para ver sem legendas e com tempo, pois tem a duração de quase três horas.

 

É um filme ao estilo de Fellini e que conta a história de uma semana na vida Marcello Rubinni, um jornalista de revistas cor-de-rosa, que procura a felicidade na bela Roma. Aborda sobretudo a questão da vulgaridade, dos valores, da felicidade camuflada das elites artísticas e financeiras, das diferentes personagens (mulheres) na vida de Marcello e como isso, para o mesmo, é uma total demonstração das dificuldades em realizar essa felicidade. Neo-Realista, é um filme que conquistou uma Palma de Ouro em Cannes e deu lugar ao "nascimento" do conceito paparazzo. Foi também um filme censurado em muitos países e pela própria Igreja Católica, aliás, o início do filme deixa logo antever esse sentimento. Quem viu "Cinema Paradiso" vai-se recordar de algumas cenas... Abaixo deixo dois vídeos que marcaram o filme, aliás, a cena na "Fontana di Trevi" tornou-se uma referência! Vide o vídeo abaixo:

Uma curiosidade: consta que Anita Ekberg não teve qualquer problema em passar horas na água a filmar esta cena, por sua vez, Marcello Mastroiani lamentou-se profundamente por diversas vezes e só a Vodka o fez aguentar a água fria.

 

Finalmente a banda sonora, do grande Nino Rota, é também uma referência... Sobretudo para os amantes do estilo e que o colocam ao lado de Morricone e Piovanni como um dos meus preferidos. Deixo-vos também uma sonoridade, é impossível não reconhecer este som...

É a sugestão ideal para reflectir e pensar se "La Dolce Vita" não é algo tão simples, mas que continuamos a ignorar do alto da nossa pseudo-importância e da nossa ânsia de viver numa lógica de egoísmo, influência e até de nos sentirmos perdidos no nosso mundo que julgamos controlar. No que depender de mim, mal ou bem, procurarei sempre "La Dolce Vita".

 

Bom fim de semana...

 

Dois artigos que merecem a leitura dos comentários, aqui e aqui. Obrigado a todos.

 

 Cena Final de "La Dolce Vita" - Quem vir o filme vai perceber o impacte da mesma.

 

 

 

 

 

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Da Bordeira ao Amado...

por Robinson Kanes, em 14.07.17

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 Fonte das Imagens: Própria

 

De volta à Costa Vicentina, imaginem deixar a Praia de Vale Figueiras e fazerem uns meros 16km para sul, pela EN268 e depois pela Estrada da Praia e chegarem à Praia da Bordeira, também conhecida como Praia da Carrapateira pela proximidade com a Carrapateira e por também ser aí a foz da Ribeira com o mesmo nome. Podem sempre fazer o percurso a pé ou de bicicleta que são apenas 11km.

 

Nesta zona, depois de uma visita pelas localidades da Bordeira e da Carrapateira, nada como seguir em direcção à praia e a partir daí fazer o caminho da Estrada da Praia até à Praia do Amado. Deixem o carro e peguem na bicicleta ou vão a pé, pois serão dos 3,5km mais bonitos e pitorescos que algum dia farão! Recomendo vivamente e é não-negociável, além de que têm passadiços com miradouros que vos permitem ir descansando.

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É neste troço que começamos a sentir a Costa Vicentina verdadeiramente, onde rocha e mar tendem a ser mais austeros e a trazerem-nos já um pouco dos cheiros do Cabo de S. Vicente.

 

Após a Praia da Bordeira, surge-nos a Praia da Zimbreirinha, e é aqui que as portas se abrem para um mundo novo, para todo o expoente da Costa Vicentina e para um local encantadoramente inóspito. Ao longe ainda conseguimos observar a Arrifana, como se a paisagem insistisse em manter diante dos nossos olhos tão belo lugar. Infelizmente, já não é possível apreciar o Portinho da Zimbreirinha e o seu ancoradouro pelafita devido a uma derrocada.

 

Como é bom caminhar ou pedalar e observar as diferentes cores da rocha e do mar que alterna entre o verde água e o azul escuro das águas profundas. Como é bom sentir o vento do atlântico, suave mas ao mesmo tempo com força suficiente para nos fazer respeitar aquele mar donde outrora arriscamos sair em pequenas cascas de noz à conquista do Mundo! Lembro-me agora dos "Navegadores" de Sophia:

 

Esses que desenharam os mapas da surpresa

Contornando os cabos e dando nome às ilhas

E por entre brilhos espelhos e distâncias

Por entre aéreas brumas irisadas

Em extáticas manhãs solenes e paradas

No breve instante eterno surpreenderam

O arcaico sorrir do mar recém criado

Andresen, Sophia de Mello Breyner "Navegadores", Poemas Dispersos

 

De regresso a terra, voltar à caminhada ou sentir aquele vento enquanto nos deslocamos de bicicleta, é algo mágico mas também um verdadeiro postal. O difícil vai ser fazer o caminho sem parar de 50m em 50m.

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Um dos pontos altos deste passeio é a Praia do Portinho do Forno que, além de ser um pequeno porto e o mas antigo da Carrapateira, é também um ponto de encontro para os entusiastas do Todo-o-Terreno (TT), motorizado ou não. Não é incomum vermos pequenos grupos de praticantes de BTT, jipes ou motas de TT. Todavia, aqui podemos parar e contemplar a paisagem imaginando tempos passados em que os barcos atracavam e se carregavam os burros que deveriam levar o resultado da faina para a lota da Carrapateira. Também é aqui que o "puzzle" de diferentes tonalidades da água torna este lugar tão especial. Podem sempre aproveitar e beber um refresco ou até almoçar no restaurante que aí se encontra. 

IMG_3385.jpgE como o caminho se faz caminhando, nada como continuar um percurso que já não queremos que acabe, até porque já vemos a Praia do Amado ao fundo e ficamos com aquele misto de encanto e fadiga mas em que percebemos que afinal não estamos assim tão cansados e queremos que o momento não termine. Uma das formas de prolongar o mesmo será trazer um bom piquenique, ou como se utiliza no Brasil, um convescote. A oportunidade de apreciar uma refeição leve num local destes, nem em muitos dos melhores restaurantes do mundo! 

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Levantemo-nos pois e sigamos em direcção à riqueza geológica e faunística da Praia do Amado, sem esquecer a flora que a tornam num dos locais mais importantes ao nível da preservação de habitats! Um outro habitat muito importante é o dos surfistas, pois é considerada uma das melhores praias a nível europeu para a prática desta modalidade. Esta já é uma praia mais movimentada, pois é escolhida por muitos veraneantes e por empresas de animação turística.

 

Cansados? Porque não voltar para trás e voltar a fazer o mesmo caminho? Eu fá-lo-ia, além de que o fim de semana, para quem o goza, está mesmo aí à porta! Não deixem de ir à Carrapateira e à Bordeira, são duas localidades fantásticas, de boas gentes e que vos proporcionam uma experiência singular onde o campo convive pacificamente e numa harmonia singular com o mar.

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Como estão no Parque Natural do Sudoeste Alenteja e Costa Vicentina, não se esqueçam do "Código de Conduta e Boas Práticas"pois estão num Parque Natural. Pode ser descarregado aqui.

 

Bom fim de semana. Voltarei na terça-feira!

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Fonte da Imagem: Própria

 

Amanhã andarei ausente, ou melhor, vou andar noutras paragens deste mundo que é a blogolândia...

 

Também não irei estar agarrado ao ferro! Contudo, nem só o ferro nos inspira, pelo que aponto para algumas sugestões a ter em conta para o fim de semana e para a semana!

 

Terminada a obra "Uma Fenda na Muralha" de Alves Redol,  pergunto: como é que com tanto filme já realizado, ainda não se fez um filme baseado nesta obra? O argumento está praticamente feito e a mestria de Redol é latente. Se este livro chega a Hollywood temos filme para óscares, bem melhor que o "Perfect Storm" de Wolfgang Petersen. Foi esse o motivo que me fez arrancar  para a "Barca dos Sete Lemes", também de Redol. Deixei a Nazaré com o arrais "Zé Diabo" de "Uma Fenda na Muralha" e rumei ao não menos árduo Ribatejo! Ao cabo de 100 páginas, posso dizer que não me arrependo minimamente, ou não fosse o neo-realismo uma das minhas correntes de eleição. O modo como Redol olha para estas gentes é de uma proximidade e carácter etnológico surpreendentes. Num discurso simples mas aritisticamente talhado faz-nos questionar e admirar uma realidade que não tem assim tantos anos e não é diferente de muitas que encontramos nos dias de hoje.

 

Para um passeio, porque não a Praia de Vale Figueiras, a Praia da Arrifana ou até a Praia da Amoreira? Sigam os artigos já publicados clicando nas mesmas.

 

Uma música para o fim de semana? Talvez inspirado pelo filme que vou sugerir, recomendo o albúm "La Sublime Porte - Voix d'Istambul" de Jordi Savall. A música otomana, arménia e judaíca conjugam-se em notas e ritmos que nos vão transportar para a época em que o Palácio de Topkapi (Istambul) era um dos mais movimentados e a sua corte uma das mais poderosas do mundo! É de facto uma obra fascinante e que nos faz crescer, aprender e sonhar! Perfeito seria ficar numa das varandas do palácio a contemplar o Bósforo e a ouvir estas sonoridades...

 

Finalmente, um filme! Cinema turco, "Babam ve Oglum / Meu Pai e Meu Filho": devo dizer-vos que é um filme que me encantou desde o início porque nos leva de Istambul para Izmir e traz-me saudades daqueles 30 dias em que fui turco. No entanto, o filme  de Çagan Irmak começa trágicamente com uma morte no parto e leva-nos à Turquia dos anos 70-80, e dos seus golpes militares. Do filho que regressa a casa do pai e que agora traz também consigo o seu próprio filho! A luta e o reencontro entre pai, filho e neto, bem como algumas pequenas passagens que nos dão algumas lições de vida na relação entre parentes tão próximos. É claríssimo ao longo do filme alma turca, sobretudo daqueles que vivem fora de Istambul, da aspereza (muitas vezes exterior apenas) dos homens e da sensibilidade, carinho e doçura das mulheres daquela região, as gargalhadas de Nuran são um dos melhores exemplos. Mais não conto, vejam por vocês próprios, o filme existe com legendas em inglês se procurarem por aí... Uma nota para a banda sonora que deu o prémio de revelação do ano 2006 nos "World Soundtrack Awards" a Evanthia Reboutsika.

 

Bom fim de semana ou Bom trabalho...

 

Uma nota do disco "La Sublime Porte - Voix d'Istambul"

 (Aguarda Resolução de Problemas por parte do Sapo)

O trailer em inglês de "Babam ve Oglum"

(Aguarda Resolução de Problemas por parte do Sapo) 

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A Praia de Vale Figueiras.

por Robinson Kanes, em 04.07.17

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Fonte das Imagens: Própria 

 

Como o prometido é devido, porque é Verão e porque depois da Arrifana fiquei de fazer um piquenique, eis que me encontro convosco na Praia de Vale Figueiras!

 

Para lá chegarmos, nada como deixar a Arrifana e voltar à estrada que vem de Aljezur (N120) e virar para onde diz Vila do Bispo e Sagres entrando na N268! Seguindo essa estrada, após uns 4km encontraremos uma placa que diz Vale Figueiras e nada como seguir por uma estrada alcatroada até chegarmos a uma estrada de terra batida e novamente, mais perto da praia, voltarmos ao alcatrão. Também é um percurso que pode ser feito de bicicleta, todavia, já estamos a falar de 22km e de um regresso com uma inclinação por terra batida. Contudo, podem sempre aventurar-se pela estrada municipal 1003-1, sobretudo se vierem da Arrifana, são só 14km mas... Com mais aventura.

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Típica praia da Costa Vicentina, liga à Praia do Penedo, uma outra praia de beleza ímpar! Nesta praia podemos encontrar, sobretudo em época baixa, muitos praticantes de modalidades aquáticas, sobretudo surf e bodyboard e percorrer os quase 3km de praia (inclui Praia do Penedo) numa harmonia perfeita entre a terra e o mar. Para os amantes das bicicletas, sobretudo BTT, como já referi, é também um desafio interessante e a chegada à praia é qualquer coisa de fantástico, pois saímos de pequenos montes e até chegarmos ao meio do areal temos a sensação de estar a atravessar uma porta que nos fará entrar num mundo imenso onde a areia erve de palco para a observação de uma grande parte da costa... Inclusive a Arrifana.

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É um óptimo local para se estar e levar o piquenique. A Praia de Vale Figueiras não é uma praia muito frequentada e as vistas, bem como a própria envolvência tornam-na o local perfeito para estenderem a manta e com a vossa cara-metade, apreciarem ao longe a Arrifana. É também um óptimo local para recuperar energias antes de entrarem nas grandes falésias que ornamentam a costa até Sagres! Para quem tem animais, é também o local perfeito para um passeio, desde que apanhem os dejectos!

 

Como estão no Parque Natural do Sudoeste Alenteja e Costa Vicentina, não se esqueçam do "Código de Conduta e Boas Práticas"pois estão num Parque Natural. Pode ser descarregado aqui.

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Fonte da Imagem: Própria 

 

É sexta-feira e lá vou ter de regressar ao ferro. Levantar pesos e ser o rei do ginásio? Não! Ser mesmo o rei do ferro de engomar! Três calças, umas 6 camisas, duas t-shirts, duas toalhas de mesa, guardanapos e mais umas coisas. Lamento... Não passo roupa interior e por vezes nem lençóis! Há vida para além do ferro...

 

E, como sempre que passo a ferro, surgem-me sempre algumas ideias. Por exemplo, e sabendo vós que me considero mediterrânico por excelência (excepto no trabalho), vou ter a companhia de um dos meus guilty pleasures, nomeadamente música italiana (eu sei, não se pode ser perfeito)! Tenho um gosto especial por música italiana e espanhola... Decidi assim que, quem me vai acompanhar vai ser a napolitana e giríssima Simona Molinari! Destaco duas músicas, até porque uma delas tem outro dos meus artistas de eleição, o norte-americano Peter Cincotti. A primeira, "Dr Jekyll Mr Hyde" (2013), um dueto super animado e que convida à dança e a muitos sorrisos! A outra, "Egocentrica" (2019), vincadamente actual e com a voz de Molinari  em todo o seu esplendor. Esta senhora é um espanto!

 

Como vem aí o fim de semana, e como o Verão não é só praia, porque não uma leitura? Actualmente encontro-me a ler "Uma Fenda na Muralha" de Alves Redol. Ao fim de 179 páginas, posso dizer que me fez reencontrar o espírito da Nazaré e voltar a sentir uma paixão especial por aquele lugar! A Nazaré, do ponto de vista etnológico teve um grande significado para mim, sobretudo por influência do grande Professor Trindade e da forma espectacular (ou este não fosse nazareno) com que falava daquela sociedade matriarcal! Lançou, aliás, um livro “A Nazaré dos Pescadores – Identidade e Transformação de uma Comunidade Marítima”. Foi o Professor Trindade que me apresentou a obra de Jan Brogger, "Pescadores e pés-calçados", uma viagem a mundo real e duro daquela comunidade! Mas voltemos a Alves Redol que, nesta obra, nos transporta para a luta e vida dos "embarcadiços", do medo, do pânico e dos desafios em terra... O neo-realismo português no seu expoente máximo e de uma intensidade apaixonante, ou não fosse um filho de Vila Franca de Xira! A ler, sem dúvida... Até nos dá lições de liderança, que tanto se fala, mas tanto escasseia:

 

Mais do que os outros, menos no medo para fora, porque para dentro todos os homens são iguais. Quando digo «vamos à vante!» apetece-me dizer «vamos para terra» […] Ser arrais é bom, mas sem esta coisa danada de não poder chamar um camarada para junto de mim e dizer-lhe também o que sinto.

Alves Redol, in   "Uma Fenda na Muralha"

 

Bom fim de semana...

 

Ah! A Simona...

Simona Molinari e Peter Cincotti - Dr. Jekyll Mr. Hyde

 Simona Molinari - Egocentrica

 

 

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