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Porque Ainda é Inverno...

por Robinson Kanes, em 23.02.17

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De facto, embora a Primavera já espreite, os dias já estejam mais longos... ainda é Inverno.

 

Esta estação é uma espécie de mal-amada, o mês do frio, da escuridão, da tristeza, da chuva e até, associado a depressões e morte.

 

O Inverno não ostenta os dias longos do Verão, nem as cores mais fortes da primavera e, muito menos, os finais de tarde outonais. Mas, na verdade, o Inverno também tem a sua cor, o seu calor especial e acolhedor que nos atrai e não nos faz procurar uma sombra. O Inverno tem até, e por pouco, a sua silly season - ou o Natal e o Ano Novo são hoje em dia o quê? Ou o Carnaval ao frio com gente desnuda?

 

O Inverno ensina-nos muito, ou não fosse a estação que limpasse os desastres e o lixo deixados pelo Outono Quem nos varreria as folhas, limparia e carregaria de nutrientes os campos deixados por tão bela época? A Primavera é uma espécie de oportunista face à situação que lhe calhou, pois é ela que aproveita todos os três meses de trabalho anteriores e explode em finais de Março num sem número de cores e vida que nos fazem sair de casa e apanhar alergias. Diria até, que o Inverno é uma espécie de assessor da Primavera mas que fica com o trabalho todo, esta só sobe ao palco e encanta quem por ela venha a passar.

 

Diz-se também que o Inverno é um mês de solidão, eu acredito que é uma oportunidade de estarmos mais próximos, de vivermos mais, na rua e em casa, com aqueles que nos dizem algo... talvez no Inverno procuremos mais os grandes centros comerciais ou os locais com muita gente (de preferência fechados), mas... provavelmente é aí que a solidão mais é sentida.

 

Camus dizia que não existia sol sem sombra e que, portanto, seria preciso conhecer a sombra. Talvez o Inverno seja essa sombra que é preciso conhecer, talvez o Inverno seja essa sombra que é preciso transformar em sol... em luz de Inverno...

 

Fonte da Imagem: Própria

 

E que melhor banda sonora para um dia de Inverno? E bem a propósito, com um Carnaval daqueles...

 

 

 

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E Porque Ainda é Outono...

por Robinson Kanes, em 24.11.16

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 Fonte: Própria

 

 Na verdade, muitos apontam a ausência de luz e o tempo mais frio como causa de depressões - umas mais agudas, outras mais “contemporâneas”.

 

Mas o Outono é sem dúvida a época das cores: imaginem o verde, o castanho, o azul, até a luz solar ganha uma outra entoação particular, tal como o som que emana da chuva. Uma chuva gentil, triste também. Será? Experimentem a raiva da chuva de Inverno e depois falem-me da chuva outonal.

 

Pobre Outono que surge no final do Verão e nem um aplauso recebe por limpar os exageros da silly-season ou então por ser o início de um novo período, quer de trabalho, quer de desafios ou até de conquistas. Não dizem que os amores de Verão não duram mais que a estação? Os do Outono são talvez os mais resistentes. O Outono é o varredor e até o Inverno é mais apreciado, pois apenas apanha as folhas que o Outono deixou e no hemisfério norte ainda tem o Natal para o coroar.

 

O Outono dá cor às nossas telas, inspiração à nossa música, faz-nos dançar com as folhas e gentilmente sentir o chão ao pousarmos e a esvoaçarmos novamente, como as aves que partem para destinos mais quentes. O Outono é arte e não é por acaso que existem lugares neste Portugal e não só, onde o Outono é a época mais bonita do ano: pensem no Douro, no Alentejo ou então vamos até à Toscânia ou deixemo-nos prender pela paisagem de Santorini enquanto bebemos um café grego (aquilo para mim é café turco, mas pronto) e admiramos os telhados azuis. O Outono é talvez a mais poderosa e artística estação nos países do mediterrâneo.

 

Pensemos no Outono de Vivaldi, onde este entra com toda a pompa e circunstância por trazer a luz que o Inverno vai apagar, por nos inundar de cores. Um privilégio e a música isso o revela.

 

O Verão apenas se estende no Grand Canal (imaginem Veneza nessa altura) e absorve o que de bom todas as outras estações lhe deixaram, não vive o desafio da conquista e exala em toda a sua expressão numa musicalidade tranquila e de paz.

 

O Inverno vem com toda a sua força. Senão vejamos o som do violino a alternar com o suspense das demais cordas. É forte, poderoso e transporta-nos para uma guerra entre a luz e as trevas revelando contudo toda a sua suavidade e delicadeza de quem tem de lutar pela luz na escuridão.

 

Mas o Outono é a mais airosa das estações, na sonoridade, no glamour e romantismo com que entra em cena, à descoberta e trazendo uma vontade única de desafiar a herança do Verão. Em Novembro quase que se deixa finar. Muitos são aqueles que encaram até o Inverno como a incapacidade do Outono para segurar a luz e a força do Verão. Mas, se ouvirmos as notas finais de Vivaldi, vamos perceber que é simplesmente o adormecer de uma época dourada cuja duração no tempo tem de ser controlada sob pena de não resistir à gula da Terra e dos seus Seres. E é nessa alegria que se despede e dá lugar ao Inverno.

 

Já agora, cá fica a banda sonora...

 

 

 

 

 

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