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Uma Estranha Forma de Contemplar o Pénis...

por Robinson Kanes, em 15.01.18

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O Escravo Moribundo, Michelangelo di Lodovico Buonarroti Simoni - Victoria & Albert Museum 

Fonte da Imagem: Própria.

 

 

Pois é...

 

Depois de muitos anos de desporto outdoor, decidi que o ginásio poderia ser um bom complemento ao mesmo e até, quiçá, me poderia permitir poupar algum tempo. Devo admitir, que uma das coisas boas é essa, e à noite ou pela manhã, sair de banho tomado depois de uma hora de exercício físico é algo que me tem ajudado - menos blog, mais ginásio. Eu sei, e já o disse que vocês são importantes, mas o tempo não dá para tudo e viver mais fora do digital (sobretudo a nível pessoal, pois a nível profissional até me atrai) é uma das minhas prioridades.

 

Nunca tinha frequentado um ginásio, sou um homem saudável e sempre achei que estar fechado numa gaiola a fazer desporto não era para mim. Também já tinha ouvido todas as histórias possíveis de ir ao ginásio - sexo nos balneários entre eles e elas e eles e eles e elas e elas e eles todos com elas todas e elas com eles todos e eles com elas todas... E os habituais indivíduos que soltam roncos que ecoam por todo o ginásio, ou simplesmente, aqueles que adoram mostrar a musculatura e trocar olhares com as senhoras enquanto tentam passar a ideia de que cavalheirismo é um homem suado, de fato-treino ou calções por cima de leggings e com corpo de armário a levantar meia dúzia de ferros só porque sim. Só falta esperar pelas senhoras à saída e piscar-lhes o olho enquanto ajeitam o boné à "50 Cent" e mostram as suas sapatilhas altamente coloridas (e foleiras) que davam para alimentar uma família em África durante 5 anos. 

 

Mas a este tema voltarei mais tarde, ainda ando a sondar comportamentos...

 

Admito que me custa falar disto, mas... Estava eu, no ginásio que frequento, a vir da área dos duches quando entro na zona dos cacifos e vejo um indivíduo a tirar os boxers. Até aí nada de novo, eu também fiz o mesmo e todos o fazem... No entanto, quando me sento, vejo o indivíduo a contemplar o seu pénis enquanto mexe no smartphone. Até aí...

 

O problema é quando começa a acariciar o pénis (sem largar o smartphone - e sim, é possível) e o vejo a olhar para mim. Admito que virei costas e voltei à minha vida, ainda pensei que pudesse pensar que eu era palerma porque levo um cabide na mala para pendurar a roupa e assim não a vincar... Sim, eu sei, mas enfim...

 

Todavia, a saga continuou ( e não, não fiquei a contemplar o indivíduo a mexer no pénis) com movimentos a tornarem-se mais... Intensos? Isto sempre acompanhado de um sorriso de quem contemplava aquele espectáculo e dizia "ah maravilha! Olha-me para isto!". Durou cerca de 5 minutos até ao momento em que calcei as botas e vi o indivíduo a dirigir-se para a zona dos duches enquanto parecia trotar e ao mesmo tempo contemplar o seu pénis já erecto a abanar-se qual macho feliz por caminhar entre outros machos, orgulhoso da sua virilidade, em direcção ao duche.

 

Devo admitir que não sei se é normal, mas que existem formas interessantes de praticar o culto do corpo, existem!

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O Amor do Homem à sua Enxada...

por Robinson Kanes, em 10.01.18

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Fonte da Imagem: Própria.

Autor: Um apaixonado pela sua enxada.

 

 

Confesso que não tenho que escrever... Como não faço reserva de "artigos", admito... Não tenho que escrever...

 

Todavia, devo admitir que não posso ficar indiferente ao amor que um homem pode sentir pela sua enxada! Se passarem pela N3 e virem uma enxada, não hesitem um segundo e contactem o feliz proprietário da sua tão amada sachola!

 

A isto chamo serviço público e a oportunidade de fazer alguém encontrar a sua "Gioconda" das enxadas. Ainda dizem que tenho mau feitio. Não sei escrever e falta-me inspiração, mas nem sou má pessoa.

 

P.S: quem não tem que escrever inventa destas coisas... Enfim...

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Sapo em Modo "It is Leclerc"...

por Robinson Kanes, em 13.10.17

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 Fonte da Imagem: http://alloallo.wikia.com/wiki/File:Leclerc.jpg

 

É impressão minha, ou com as novas alterações aos comentários (bem conseguidas), e enquanto não nos habituamos, andamos todos numa espécie de:

 

 

Em relação aos critérios de destaque...

 

 

 Agora sim... Bom fim-de-semana... Com algum humor...

 

P.S: "rasurando as palavras mérito e qualidade do meu dicionário". 

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 Hermes de Praxiteles ou Hermes Com o Menino Dioniso - Praxiteles (Museu Arqueológico de Olimpia)

Fonte da Imagem: Própria.

 

Depois de ter pensado nas consequências que poderia ter, sobretudo para a minha intimidade, para a pessoa que comigo vive, para as minhas relações no trabalho, para a minha estabilidade emocional e porque toda a gente se interessa com isso e é fundamental para, finalmente, tirar este peso que carrego:...

 

Dou a conhecer ao mundo que sou heterossexual!

 

Espero deste modo poder conseguir viver num país que preconiza nos seus pontos 1 e 2 do artigo 13º da Constituição que "todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei" e ainda que "ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual.". Quem diria que afinal as questões de dignidade vão para além da orientação sexual...

 

Obrigado a todos os que me têm apoiado ao longo da vida nesta caminhada dura e difícil. Agora que me assumi, espero que outros também o façam e assim possamos libertar espaço para apontar casos de corrupção, terrorismo entre cidadãos, desvios à lei e desrepeito para com outros cidadãos e também nos dedicarmos à reformas estruturais que têm de ser feitas no país. Espero que agora, possamos dar espaço a quem tem de ser ouvido e exaltado pelo bom trabalho que faz. Sim, porque agora que me assumi tudo muda, mesmo que nunca tenha falado do que já fiz de bom, isso não interessa. Agora que assumi a minha sexualidade, espero que me olhem de outra forma, independentemente de todas as outras qualidades que possa ter.

 

 

(aos mais chocados com este acto de verdadeira coragem e reforço de identidade, também faço questão de informar que convivo, e muito, com pessoas de diferentes orientações sexuais, no entanto, há uma coisa com a qual não perdemos muito tempo, nomeadamente a discutir a nossa sexualidade).

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Política Autárquica de "Selfie"...

por Robinson Kanes, em 23.08.17

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 Fonte das Imagens: Própria

 

Depois da grande reportagem da Trafaria TV, da autoria da Maria (sim, simplesmente Maria), acerca de cartazes das autárquicas e do seu conteúdo lascivo, a Robinson TV decidiu também ir à procura de alguns exemplos. A reportagem da Trafaria TV pode ser vista aqui.

 

Os nossos correspondentes encontraram em Ponte de Sor uma equipa jovem, tartarizada (aumentem a imagem, mas não se  choquem) e acima de tudo corajosa, ou alguns dos seus membros não vestissem um blazer azul com quadrados pequenos ou então de estilo liso mas em azul-choque - o bolso no peito também é uma realidade. Escapa o candidato a presidente que apenas se esqueceu de fazer a barba no dia em que tirou a foto para o cartaz de campanha. Neste, surge com um semblante de personagem de um qualquer livro de catequese.

 

"Juntos no rumo certo" é o lema, no entanto, confesso que uma selfie tirada com um telemóvel em tons de dourado me deixa sempre apreensivo, sobretudo quando se apela ao voto popular e se vai viver do erário público.

 

Uma nota: será que é boa ideia votar em candidatos que dizem estar empenhados em satisfazer as necessidades do concelho mas depois adoptam o comportamento humano de estarem auto-centrados a tirar uma foto a si próprios? Acabo por ficar com a sensação de que a modernidade não está no facto de se tirar uma fotografia com um smartphone mas sim no reforço do "eu". Só a definição de selfie já responde a muitas perguntas...

 

Finalmente, pois não sei se é a fotografia que é tratada, se é o brilho do telemóvel, sugiro que o indivíduo de casaco ofuscante consulte o médico, pois aquelas mãos amarelas não auguram nada de bom.

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E se em Ponte de Sor a moda da selfie parece estar a resultar, em Alcochete também já seguem a mesma estratégia, até o verde-água sai da arca de naftalina e vem para a ribalta. Mas Alcochete é terra de gente rija, onde se arregaçam as mangas e enquanto os "busca-tacho" estão mais interessados na fotografia, o candidato a presidente surge de cinzento a olhar para o povo com um olhar que transmite a sua mensagem:  "se pudesse candidatava-me sozinho, mas tenho de levar sempre a caravana atrás". E somos ou não somos um país com uma luz única? Olhem para os olhos deles, que mal se abrem, parecem estar todos a olhar para o mais brilhante lingote de ouro do mundo... Talvez até estejam, pelo menos é essa a expectativa no início de Outubro...

 

 

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Na Vanguarda da Indústria 4.0

por Robinson Kanes, em 16.08.17

 

Captura de ecrã 2017-07-25 às 185840-2.jpg

 

Fonte da Imagem: indeed.pt

Captura e Edição da Imagem: Própria

 

 

Perante a entrada na "4ª Revolução Industrial" ou  "Indústria 4.0" (agora convecionou-se chamar as novidades ou as mudanças sociais desta forma como se toda e qualquer alteração ou evolução fosse uma nova versão de software) existem organizações que já se assumem como seguidoras do novo modelo. Algumas até já procuram autênticas máquinas e cyborgs, contudo, ainda 100% humanos... O futuro está aí e existem organizações que já estão na vanguarda.

 

P.S: não sei se foi uma máquina que escreveu, eu sugeriria "admitem-se máquinas".

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Vai Brincar Com a...

por Robinson Kanes, em 02.08.17

 

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Fonte da Imagem: Própria 

 

Dizem-me muitas vezes, quando estou a ser incomodativo, para ir brincar com... Mas na verdade não o faço porque com isso não se brinca e não sou só eu que o digo!

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Uma Real Instituição Portuguesa: O "Kleenex"!

por Robinson Kanes, em 10.07.17

 

IMG_20170508_131511.jpgFonte das Imagens: Própria

 

Kleenex é uma marca de lenços de papel e toalhitas refrescantes, no entanto, tal como o "Kispo" ou o "Pronto" ficou associada a uma prática ou a um produto.

 

Contudo, ao contrário dos anteriores, o "Kleenex" foi mais longe e passou a uma Real Instituição deste nosso Portugal. Se por um lado o avanço na tecnologia automóvel atirou o "Kleenex" para fora dos tabliers e das chapeleiras dos automóveis, por outro não permitiu que este desaparecesse do nosso território. E que saudades tenho eu de me assoar ou limpar a um "Kleenex" empoeirado e amarelado do sol.

 

Mas onde anda o "Kleenex"? Anda por todo o lado, não só nos Hotspots das necessidades de última hora de qualquer português mas também na beira de qualquer estrada nacional ou até nos locais onde a cópula dentro de automóveis é a atracção principal. Quem é que nunca, num qualquer passeio pelo campo ou pela praia, não deu de caras com um "Kleenex"? Ou pelo menos com o cheiro que exala de algum? Como é bom ver o nosso ambiente povoado por estes seres, é de facto um demonstração de cidadania ao mais alto nível.

 

O "Kleenex" surge, por norma, já usado e apresenta-se num jeito amarrotado! Por vezes apresenta uma mescla de cores que varia entre o acastanhado, o amarelado e até o negro (localidades onde os chocos com tinta grelhados são uma iguaria, preparem-se...). Os nossos espaços públicos estão cheios destes lenços e não difícil perceber o local onde podemos baixar as calças e defecar sem que isso tenha consequências de maior. Ou então perceber que estamos no local perfeito para estacionar o carro e proceder a um sem número de marotices dentro do automóvel. Sempre indaguei do romantismo do sexo dentro de um automóvel... Talvez porque não dê a importância devida a automóveis, não consiga experimentar a sensação mágica de fazer amor e ver as estrelas a brilhar num encatamento de anjos e pedais, de gemidos apaixonados de prazer e uma alavanca de travão de mão ou até de uma "árvore mágica". Honestamente, acredito que despersonaliza um pouco as coisas mas... Como existem portugueses que passam mais tempo dentro do automóvel a olhar para o mesmo e para a reacção dos demais do que propriamente com a família em convívio prefiro não esmioçar a questão...

 

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Neste sentido, quero fazer neste espaço a justa homenagem ao "Kleenex"! Não sendo nenhuma espécie em vias de extinção é facilmente observável e além disso, sempre que vislumbrarem um casal apeado ou de carro a sair por entre as árvores ou até aqueles indivíduos que saem detrás de uma moita a olhar para todo o lado e a tentar disfarçar um falso à vontade, não hesitem em pegar nos binóculos, pois o "Kleenex" estará lá com toda a certeza à espera da vossa selfie. Contudo, tenham cuidado, na onda de egocentrismo que por aí vai ainda vos pedem pelos direitos de autor pois ninguém tem um "Kleenex" usado mais perfeito que aquele indivíduo. Ainda vou ver debates nas redes sociais acerca de quem tem o melhor "Kleenex" usado! Até estou a ver os gabarolas divididos por modalidades: muco, fezes, sangue, esperma e outros fluidos identificáveis e homologados durante o acto sexual.

 

O lado positivo de tudo isto? Talvez, ao nível da evolução humana e tecnológica, estejamos mais perto de descobrir a função do caixote do lixo.

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De Volta ao Cemitério dos Olivais!

por Robinson Kanes, em 13.06.17

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 Fonte da Imagem: Própria

 

Lembram-se de ter falado do Cemitério dos Olivais, da Ilda e do Taxista? Não? Eu ajudo, vejam aqui.

 

Lisboa é uma cidade encantadora, uma cidade de boas gentes, dos Santos Populares – as sardinhas além de congeladas ou serem de Sábado não estavam más – mas é também uma cidade dos taxistas. Quem vier a Lisboa e não acabar numa discussão de trânsito com um “fogareiro” nunca saberá o que é sentir o pulsar da cidade. Ou então, pode sempre entrar num táxi e solicitar uma ida do Parque das Nações a Chelas. É uma experiência muito interessante, pois vão conhecer Paço de Arcos e a sua zona ribeirinha, o Restelo e com sorte ainda dão um pulinho a Belém para passar junto ao MAAT. Eu ainda não tenho uma “selfie” junto ao MAAT pelo que, segundo o parâmetros sociais actuais, não sou um indivíduo culto e com estilo vanguardista.

 

Mas eis que dei comigo, mais uma vez, junto ao Cemitério dos Olivais. Não! Não voltei a encontrar o taxista citado em artigo anterior. Contudo, deparei-me com mais dois indivíduos que me fizeram crer que um dos hot spots da “mijadela” destes profissionais do volante se encontra nos muros do cemitério.

 

Desta feita... Foram dois. O primeiro, com um ar até bastante normal, senhor dos seus 50 anos, vinha numa velocidade considerável. Parou o táxi e, saindo já com a mão na braguilha, subiu ao palco e lá teve o seu momento de alívio. Também tinha aquela camisa típica, aos quadrados e de manga curta. Os taxistas adoram camisas aos quadrados, aqueles bem grandes...

 

Não tardaram uns cinco minutos e... Novamente outro indivíduo. Este um pouco mais forte, mas também pelos seus 50 anos. Disse para mim que não poderia deixar passar mais esta e fotografei. Não o senhor, mas o táxi! Até porque este aferiu da minha presença e a privacidade do mesmo também tem de ser respeitada.

O lado positivo desta segunda “urinadela” foi que o senhor (além da camisa aos quadrados) é daqueles que baixa as calças. Estão a ver aquela imagem da densa pilosidade do pernil e das cuecas brancas de cor estilo ceroula? Ainda bem que os muros são altos, caso contrário, teríamos um motim pelos jazigos.

 

Automobilistas, motoristas de táxi e de outra qualquer viatura... Lisboa também tem o seu hot spot na zona oriental para a tradicional “mijadela à portuguesa”! Fica mesmo nas traseiras do Cemitério dos Olivais, mesmo junto ao Crematório, afinal sempre ajuda a disfarçar os odores mais quentes.

 

Já estou a pensar em fazer reconhecimento perto de outros cemitérios: Alto de S. João, Prazeres, Carnide, Ajuda e Benfica, no sentido de perceber se existe potencial turístico! Quem sabe até possa criar uma “Rota Mictológica” para a observação de taxistas a urinar em cemitérios, um pouco como as cegonhas que fazem os ninhos nos penhascos da Costa Vicentina, coisa única no mundo.

 

Mictologistas, andem atentos...

 

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 Fonte da Imagem: http://streetetiquette.com/wp-content/uploads/2012/11/19c0078.jpg

 

Cidalina , a  personagem de Robinson Kanes que abriu as portas para uma interpretação séria da época pós-modernista.

Odeceixe Mirror

 

Depois de ler "A Entrevista de Emprego, Apoios e os Pretos de Angola" comecei a encarar a pessoa de José Eduardo dos Santos com amizade.

Luaty Beirão

 

 Uma clara intromissão de uma cidadã portuguesa nos assuntos internos angolanos.

Jornal de Angola

 

 

(Caro leitor, desça as escadas e vá até ao fim deste artigo, ligue a banda sonora e deixe ficar ao longo deste capítulo).

 

Comeram a fruta e o balaio que é a Cidalina ficou chão...

 

Dê-me o seu NIF e cartão de cidadão? – Nova interpelação de Cidalina.

 

Fiz o olhar de quem não estava a perceber, pelo que a Cidalina tomou a iniciativa disse que era para ver junto da Segurança Social se eu tinha apoios! Eu respondi que obviamente não recebia apoios e que provavelmente não teria direito aos mesmos nem queria porque, enfim... Cidalina, olhe para o meu currículo, acho que é óbvio...

 

A Cidalina, não contente com a minha expressão facial, acabou por dizer que com apoios é mais fácil para levar o cliente a decidir. Segundo Cidalina Krugman, o método processa-se da seguinte forma: apresentam-se candidatos que custem o mínimo ao cliente, ou seja, não importa se são bons ou maus, mas que possam levar este a ter apoios do Estado. Por sua vez a organização da Cidalina Krugman, que também faz consultoria nessa área, encaixa mais uns euros (esta parte sou eu a deduzir). O que a Cidalina se esquece é que estivermos perante um bom candidato podemos sempre tentar sugerir o mesmo ao cliente e, quem sabe, aumentar o nosso revenue! Uma espécie de upsell! Ganham todos, o cliente contrata um bom profissional, a Cidalina brilha sem perceber como se recruta e o profissional é bem remunerado e não destrói o mercado.

 

Foi aqui, exactamente aqui, qual Professor José Hermano Saraíva, que percebi porque é que naquela empresa existiam tantos indivíduos com deficiência! A responsabilidade social estava presente porque existiam benefícios da Segurança Social com a contratação destes indivíduos. Ou seja, mais uma daquelas organizações que vive de apoios e sem eles já era.

 

Após a brilhante exposição de "como sacar mais dinheiro ao Estado", Cidalina olhava para mim e para o computador, como quem me dizia “isso vem ou não?”.

 

Pedi à Cidalina que me falasse da posição e a Cidalina falou-me da mesma dizendo que era um novo projecto e que andavam à procura de uma pessoa que ajudasse os novos investidores que nada sabiam do negócio (Cidalina tem a certeza que quer um estagiário?). 

 

Fantástica descrição, porque se ficou por isto mesmo, ipsis verbis.

 

No entanto, e numa tentativa de me abraçar neste "tango fatal", de me colocar pressão nas pernas, Cidalina foi mais longe e disse-me que recebia muitos currículos. Currículos de muita gente e com mais experiência. Deixei a Cidalina conduzir a dança qual senhora de meia-idade marota nas matinées dançantes do Mercado da Ribeira, até que percebi que o climax da entrevista ainda não tinha chegado, ao contrário do que eu pensava -  senão que Cidalina tem esta brilhante afirmação:

 

-Sabe, antes colocava-mos um anúncio apareciam dois ou três, agora com aqueles que vieram lá dos pretos, temos centenas de gente muito boa. Até tenho vergonha de lhes dar algumas posições quando os recebo aqui. Sabe que os salários em Portugal são uma porcaria, não sabe? Coitadinhos.

 

Posto que o meu interesse já tinha caído há muito pensava não estar a disfarçar o meu espanto, mas estava, porque a Cidalina continuou:

 

-Temos currículos muito bons, então estes que vieram lá dos pretos são mesmo bons. É uma pena, eles estão todos a voltar. Mas desde que os pretos de Angola os mandaram embora...

 

O meu interior ria-se desalmadamente, penso que nem consegui disfarçar um sorriso ou outro, sobretudo quando Cidalina enfatizou o "vieram lá dos pretos, lá dos pretos". Por outro lado, a veia colonialista da senhora estava bem presente no seu discurso acerca dos “Pretos de Angola”. Também estava presente que, para Cidalina, os "pretos" só existem em Angola e que África é constituida somente por Angola, Moçambique e Cabo Verde, onde Cidalina terá ido passar umas férias...

 

-Pois, e outros que nem lhes pagam! Aquilo lá está mau. Coitados! - Atira o Robinson mais umas cavacas de lenha de pinheiro para a fogueira.

 

Cidalina entusiasma-se e continua a sua dissertação sobre os espoliados pelos pretos de Angola, de como deve ser dificil ir para um país daqueles e vir de lá sem dinheiro  - "Maldita Pretalhada"!

 

Techila nizala zalaya frutas de vontade... Ai Curruuuuuumba!

 

Amanhã, o último capítulo...

 

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