Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Málaga: o Desastre e a Capitulação.

por Robinson Kanes, em 21.02.17

IMG_5806.JPG

 

A luta por Málaga continuava e o Castelo de Gibralfaro, apesar dos ataques de artilharia durante dias a fio, resistia sem mostrar fragilidades, tal era a sua imponência e estrutura.

 

Perante tamanhas dificuldades, a estratégia dos cristãos passou por uma conquista torre-a-torre, aproveitando eventuais vulnerabilidades nas estruturas das mesmas. O primeiro a conseguir foi o Conde de Cifuentes, contudo, apesar de ter tomado uma das torres rapidamente, foi alvo de um contra-ataque que matou muitos dos seus soldados e acabou com a demolição da torre pelos mouros. Estas batalhas, apesar dos mouros acabarem fechados nas muralhas da cidade, levaram a algum desânimo nos exércitos de Fernando II e a um sem número de mortos, tal o avanço, quase milimétrico, do exército. Foi necessária a deslocação da rainha e do seu séquito para levantar a moral das tropas e mostrar aos mouros que as hostilidades iriam continuar.

 

A batalha de Málaga, depois do desastre nas montanhas da mesma região, acabaria, talvez, por ser a mais sangrenta de todas. A fome assolava os habitantes da cidade que se viam obrigados a matar os cavalos (fundamentais para a guerra). As batalhas eram diárias, utilizavam-se minas, construíam-se subterrâneos que levavam a encontros bélicos debaixo de terra, cada palmo de terreno era disputado à custa de rios de sangue.

 

IMG_5797.JPG

Fica na memória, um assalto das tropas mouras ao acampamento cristão e que, acabou com milhares de mortos de um lado e de outro. Esta ocorrência levou os cristãos a reconhecer que o seu acampamento estava demasiado próximo da cidade e consequentemente mais vulnerável perante futuros ataques. Fica também nos registos, o envio de tropas, por parte do Zagal, em Guadix, para apoiar el Zegri em Málaga, tropas que foram reprimidas por... Boabdil (em Granada) que assim, continuou a atraiçoar o seu povo e poderá ter contribuído para o fim das esperanças dos mouros de Málaga.

 

El Zegri, todavia, continuava impassível, mesmo com o seu povo a passar fome e a morrer envenenado, pois tudo servia para comer - até peles tostadas ou comidas putrefactas os mouros consumiam. Este apenas escutava uma espécie de profeta e ignorava todos os seus conselheiros. No entanto, o fim das hostilidades acabou com o ataque de el Zegri ao acampamento cristão, tendo o mesmo sido reprimido com tal força que, ao chegar derrotado à cidade, ouviu dos seus habitantes, pedidos para que matasse os filhos destes pois os gritos de fome e de dor já se haviam tornado insuportáveis.

 

El Zegri e Málaga viriam a capitular com o apoio de um comerciante, Alí Dordux, que seria o emissário mouro perante os reisIMG_5836.jpg católicos, embora sempre contra a vontade do primeiro, que assumiu ter capitulado apenas por falta de força bélica.

 

No rescaldo - estranhamente exaltado pelo clérigo Frei Agápida - el Zegri foi preso, os seus Gomerez (Gomaras) foram enviados para Roma como prenda para o Papa Inocêncio III, muitos habitantes foram utilizados como moeda de troca e outros ainda foram vendidos como escravos ou libertados.

 

No final, a questão económica estava bem presente, quer para a coroa, quer para o clero que a acompanhava em toda esta obra que não compreendia, somente, o espalhar da fé e transformar a Mesquita de Málaga numa Catedral.

 

Málaga continua herdeira desses tempos, como já havia referido num outro artigo. As palmeiras, as grandes avenidas e jardins, as pessoas, as construções e o vivir malageño disso são exemplo. Cruzar Málaga ainda é sentir aqueles tempos e... parar numa loja de especiarias (especialmente uma pequena loja familiar no encontro da Avenida Comandante Benitez com a Calle Linaje) ou no "Mercado das Atarazanas" (com uma arquitectura árabe). Em Málaga ainda é possível sentir o cheiro do Norte de África que nos é trazido pelos ventos até àquele ponto da Europa... seja nos seus mercados, seja nas suas ruas ou somente entre umas tapas.

 

Fonte das Imagens: Própria

 

Para quem só agora chegou...

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/aben-hacen-e-zahara-17518

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/el-zegri-e-ronda-18287

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/salobrena-e-a-morte-de-aben-hacen-19240

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/cordoba-o-quartel-general-cristao-19524

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/malaga-o-inicio-das-hostilidades-20973

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Málaga: O Inicio das Hostilidades.

por Robinson Kanes, em 14.02.17

IMG_5776.JPG

 

A Guerra continuava... enquanto os cristãos continuavam a aumentar o seu território com as conquistas de Moclín, Illora, Cambil, Albahar e a forte Veléz-Málaga - onde o Zagal, por pouco, não surpreendeu o Rei Fernando - e outras tantas praças, os mouros debatiam-se internamente pela luta de poder entre o Zagal e Boabdil. Boabdil era o filho de Muley Hacén e que, tinha sobre si, a sina de vir a ser o último rei de Granada. Aliás, foi em Almeria, que o Zagal, quase surpreendeu este último, ainda fiel à coroa de castela.

 

No entanto, um dos episódios mais marcantes da Reconquista deu-se em Málaga. Depois do desastre das montanhas, esta estratégica e riquíssima cidade tornou-se o alvo do assédio cristão. Málaga era um cidade fortemente comercial e quem tinha como alcaíde? Hamet el Zegrí, que contava com a sua tropa de elite, os Gomerez (Gomaras em português). Lembram-se de Ronda?

IMG_5532.JPG

 Hamet el Zegri governava a cidade deste o Castelo de Gibralfaro, o pouco que ainda resta na cidade como testemunho desses tempos. Foi daí que viria a perceber que o Zagal não iria sair de Granada com receio de perder o trono e, foi daí também, que resistiu aos vários assédios dos emissários dos reis católicos para que entregasse a cidade. Neste episódio, o Marquês de Cádiz foi o grande impulsionador das negociações por parte de Castela.

 

Na verdade, el Zegri era um lutador fiel à sua cultura e religião e não cedeu um único passo, ou não fosse Málaga uma das cidades mais bem apetrechadas militarmente. El Zegri era verdadeiramente leal ao seu reino, como poucos, sobretudo em épocas de disputa de poder.

 

Perante as recusas do alcaíde mouro, Fernando II saiu de Antequera e percorreu os vales e montanhas que o separavam de Málaga. Além da forte Artilharia pesada, o rei católico contava agora com apoio por mar, com vários navios que iriam garantir o abastecimento e cercar a cidade, além de, inibirem qualquer apoio muçulmano vindo do Norte de África. Por terra, o acesso a Málaga também não se avizinhava fácil e, atravessar todos aqueles vales e montanhas de Antequera até Málaga foi um dos maiores desafios do exército real.

 

A primeira escaramuça viria a ter lugar quando, el Zegri ao vislumbrar a proximidade do inimigo, fez sair três batalhões que destruíram tudo o que encontraram ao redor da cidade e se envolveram em combate directo com as forças de Castela... as mesmas que viriam a conquistar posições estratégicas no cume das montanhas. Notabilizaram-se os reforços galegos nesta conquista inicial, pois enfrentaram os mouros - com o apoio de Don Hurtado de Mendonza e Garcilazo de la Vega - num terreno extremamente declivoso e difícil. As baixas foram muitas, mas a proeza e coragem do porta estandarte católico, Luis Macedo, foi determinante para a vitória, na medida em que, atravessou sozinho as linhas do inimigo e colocou as armas de castela no topo da montanha.IMG_5830.JPG

 

Málaga era uma cidade airosa, limpa e bela. O relato dos jardins, das suas elegantes palmeiras e até das suas gentes ainda hoje é actual. De facto, os testemunhos são poucos, mas os caminhos até Málaga, sobretudo desde Comares ou Antequera, ainda fazem a delícia dos apaixonados por Andaluzia qu,e procuram chegar à cidade e respirar o ar marítimo numa qualquer sombra com vista privilegiada para o Mediterrâneo.

 

Málaga é, ainda hoje, uma das cidades mais airosas e mais luminosas de Espanha, uma cidade que ainda transmite os cheiros que chegam do Norte de África, mesmo ali à frente. A cultura, tão amada por mouros e católicos é hoje uma das mais-valias da cidade, com um sem número de museus interessantíssimos, ou não contasse com delegações do Hermitage, do Pompidou e do Carmen Thyssen. Mas, a conquista de Málaga, que viria mais tarde a assistir ao nascimento de Picasso, seria dura e sangrenta. Lá voltaremos, pois temos de estar bem protegidos na nossa armadura para podermos ter uma vista privilegiada do Gibralfaro e das duras batalhas que aí se disputaram.

 

Voltarei na próxima segunda-feira... pelo que vos deixo a apreciar o encontro do ar marítimo com o ar da montanha...

 

Fonte das Imagens: Própria.

 

Para os que só agoram chegaram com os seus exércitos:

 

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/aben-hacen-e-zahara-17518

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/el-zegri-e-ronda-18287

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/salobrena-e-a-morte-de-aben-hacen-19240

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/cordoba-o-quartel-general-cristao-19524

 

Autoria e outros dados (tags, etc)


Mais sobre mim

foto do autor



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.


Mensagens

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D

Pesquisar

  Pesquisar no Blog






Copyrighted.com Registered & Protected 
CRD7-BFJD-IWHB-ZXDB