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Granada Ofensiva!

por Robinson Kanes, em 03.07.17

 

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Fonte da Imagem: https://www.defense.gov/Photos/Essay-View/CollectionID/13138/

 

Os lugares mais sombrios do inferno são reservados àqueles que se mantêm neutros em tempos de crise moral.

Dante Alghieri in “A Divina Comédia” (Inferno)

 

Dada a delicadeza do assunto e temendo que o mesmo fosse ofuscado por um outro assunto bem mais importante para os cidadãos portugueses, a flatulência, só hoje decidi falar do roubo de material militar de instalações militares de alta segurança.

 

Instalações militares de alta segurança presumem, hoje em dia, a existência de vários meios de segurança: segurança permanente, rondas, outros tipos de vigia apeada ou por intermédio de torres, sensores de calor, videovigilância, vedações (de preferência electrificadas) e outros meios bem mais complexos.

 

Ora... Posto isto, será que é crime o assalto a este tipo de instalações? Para mim, o verdadeiro crime é permitir que não exista segurança permanente! É também permitir que não exista qualquer tipo de videovigilância, sobretudo em vídeo, e permitir que meia-dúzia de larápios assaltem mais facilmente um paiol nacional do que uma mercearia em Vilar Formoso! 

 

Crime é um país como Portugal ter tantos oficiais superiores! Como diz o povo e bem "quanto mais gente a mandar mais desorganização"! Crime é termos Ministros da Defesa que, ou são formados em Jornalismo ou em Direito e com sorte até em Educação de Infância! A defesa é uma área demasiado sensível para estar entregue só a militares mas também é demasiado sensível para estar entregue a indivíduos cuja única experiência militar que tiveram foi a jogar Risco ou então, que os tempos são outros, a jogar Playstation! Estes factos e o alheamento da estrutura militar da vida dos cidadãos tem levado a uma descredibilização total das entidades militares que são encaradas como uma elite sem utilidade...

 

Crime é estarmos mais preocupados com a reputação do que propriamente com os cidadãos! Com alguma experiência em comunicação percebo o trabalho que tem de ser feito nesta área. Todavia, tenho mais experiência com pessoas e aí o meu outro lado diz-me que encomendar estudos de popularidade ao invés de nos focarmos na procura de factos e de apoio às populações é o mesmo que, depois de uma grave tragédia como a de Pedrogão Grande, rirmos todos nas caras daqueles que morreram e até fazer um concerto solidário como forma de camuflar a triste realidade de um povo que é reactivo (se isso permitir  ter os seus 15 minutos de fama) e pouco pro-activo! Penso que, por vezes, nos esquecemos da herança da República de Platão e não atendemos ao alerta deste quando nos disse que "uma natureza medíocre  jamais fará algo de grande, seja a um particular, seja a uma cidade", efectivamente, os resultados do descurar desse alerta estão à vista! Foi preciso a NATO alertar as nossas estruturas políticas, inclusive o principal responsável pelas Forças Armadas - o Presidente da República - para percebermos a diferença entre um assalto a uma caixa multibanco em Torres Vedras e um assalto a um paiol cujas consequências para a segurança nacional e internacional podem ser nefastas!

 

Enquanto governarmos para votos e para um clientelismo que não pára de crescer, bem podemos continuar a pensar que estamos na cauda da Europa! Cauda da Europa em termo de tacanhez e provincianismo, porque geograficamente estamos no centro do Mundo! 

 

Mas... Crime é não passar uma semana em que não exista um escândalo (e pensar que nem um terço é do conhecimento público)! São Ministros e Secretários de Estado que se vendem por um bilhete de futebol, ou é a gestão danosa de um banco público, ou são as falhas na protecção civil, ou é o assalto, perdão... Passeio... A um paiol de alta segurança, ou é a distribuição de favores e atribuição de cargos públicos a indivíduos sem competência e sem mérito, ou é o silenciamento e criação de autênticas ditaduras em câmaras municipais, ou é corrupção no INEM, ou é... Ou é... Ou é... E quando os resultados não aparecem e é mais importante um casamento de um presidente de um clube de futebol, ou a barriga de alguém que não deve ter muito que fazer ou até um estúpido discurso sobre flatuência que prevalecem... Pois permitam-me dizer que todos concordamos com isso e no fundo não somos diferentes de um qualquer corrupto ou de um qualquer criminoso que lesa a sua pátria!

 

Chegado ao fim deste texto só me recordo de um amigo, ofical subalterno, que um dia ousou perguntar a um oficial superior o porquê da vigiância dos monumentos nacionais estar entregue a empresas privadas de segurança e cujo desagrado foi tal por parte da alta patente que por pouco não foi assentar praça para as Selvagens!

 

 

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13 de Maio é Dia de "Regime Sunset Party"!

por Robinson Kanes, em 09.05.17

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Fonte da Imagem: Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkien

 

Quer-me parecer que no dia 13 de Maio alguém para os lados do Vimieiro e outro alguém para os lados do Rio de Janeiro terão motivos de sobra para montar uma psicadélica no túmulo e dançar. Dançar qual festa underground em Reiquejavique ou Copenhaga! Untz... Untz... Untz... (imaginem esta batida a acompanhar o resto das minhas palavras). 

 

É verdade, o Professor Marcelo (o Caetano) e o Professor Salazar mal sabiam que após 43 anos do golpe militar que fez cair o regime ditatorial iriam ter um dia inteiramente dedicado aos próprios... E logo no "Maio, Maduro Maio", imortalizado por Zeca Afonso.

 

O 13 de Maio arrisca-se a ser a celebração dos três pilares que a história e os críticos celebraram como as bases do regime: Fátima, Futebol e Fado! Senão vejamos: o Benfica (o antigo clube do regime para muitos) arrisca-se a ser campeão nacional já no dia 13 de Maio! E quando o Benfica é campeão, o país entra em modo de feriado, aliás, só a expectativa de ser já está a parar a nobre nação! E pára literalmente... Até eu parei quando a comitiva do ano passado foi recebida em festa na Câmara Municipal de Lisboa em hora de ponta. Quem estava a trabalhar teve de ficar debaixo de um calor intenso na rotunda do Marquês de Pombal cerca de uma hora à espera que passasse um autocarro! Isto será festa para durar umas duas semanas e aumentar dramaticamente a taxa de natalidade do país.

 

O dia 13 de Maio também será o mote para a visita do Papa Francisco e para a celebração do centenário das aparições de Fátima! A classe política já lá está para o beija-mão e o país vai parar. Não entendo é todo o aparato, pois nem em cimeiras da Nato vi tanto exercício de segurança. A BMW é que não se fez rogada e já “ofereceu” uma viatura para a GNR fazer publicidade! Com 10 milhões a ver, só em Portugal, fora no resto do mundo, é o investimento em marketing mais lucrativo do ano. Eu faria o mesmo!

 

Mas o dia 13 de Maio também pode ser um dia para festejar um outro “F” e não é o Fado. O Fado agora é só para alguns e trocou a “tasca” pelos grandes palcos, pelos vestidos de estilita e jóias caras, logo, perdeu esse estatuto. Algum fado já parece mais Pop e Soul do que propriamente a canção tradicional que qualquer um canta desde que diga "Aiiiiiiiiieeeen Mooooooooouuuuurariaaaaaaa". Já dizia Fernando Farinha na sua Canção de Lisboa, "O fado é chique".

 

Agora, e como alguém da nossa praça já o disse, o outro “F” são os Festivais ou “Fest” como se convencionou chamar. Até o mais típico festival português apanha com o “Fest”, ou não duvidem que a existir, ainda teríamos um “Coirato Portugal Fest” (eu sei que é courato, mas é como o touro e toiro para os aficionados).

 

Mas, em minha opinião, o terceiro “F” é o Facebook - que engloba aqui outras redes sociais. Tivessem Marcelo (o Caetano) e Salazar conhecido Mark Zuckerberg, o Facebook teria sido o substituto perfeito da PIDE e com sede em Portugal, na Rua António Maria Cardoso, em Lisboa, e não em Menlo Park na Califórnia. Imaginem como a PIDE seria desnecessária pois voluntariamente os cidadãos fariam chegar as informações a quem os quisesse controlar, além de que, viveriam uma vida que julgavam ser em plena liberdade mas com os constrangimentos de fazer uma vida para os outros de modo a não serem ostracizados pela turba. Mais que controlar cidadãos era importante controlar a exposição. Um trabalho bem mais fácil, em meu entender.

 

Acredito que os dois professores estarão também satisfeitos pelo facto do Presidente da República ter sido uma pessoa do regime anterior, embora os portugueses, sobretudo os críticos do regime, só conheçam a imagem construída no pós-revolução. Acresce a este um sem número de indivíduos que hoje tem destaque na vida pública portuguesa e bebeu muito do regime ditatorial.

 

Em suma, tivessem aqueles dois governantes pensado bem e trocado o “F” do fado pelo “F” do Facebook e ainda hoje seriamos um país a viver numa ditadura, assim, vivemos em várias... menos mal...

 

(Actualização: 09/05/20167 12:00 GMT)

Graças aos poucos que ainda se dedicam a ler-me, venho a informar que se junta mais um "F": o de Festival da Canção! Em suma, já montei a tenda no Poço do Bispo e pode ser que apareçam alguns fantasmas para entrar nesta "Sunset Party", até o DJ vai ter aquela voz de rádio dos anos 50)

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