Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Feliz Natal...

por Robinson Kanes, em 22.12.17

IMG_4725.jpg

 Fonte da Imagem: Própria

 

"O Natal parece-me ser um tempo festivo necessário; precisamos de uma época em que possamos lamentar as falhas das nossas relações humanas: é a festa do fracasso, triste mas consoladora.

Graham Greene, in "Viagens com a Minha Tia"

 

 

Eis que está para breve o grande dia... 

 

Fui criado em ambiente católico, com todas as tradições e... No final, acabei a acreditar em cada pessoa, em cada animal, em cada pedra, em cada árvore... Em suma, em cada átomo. Contudo, existem momentos que são celebrados com intensidade, e o Natal é um deles. Esta ano, por vários motivos, o Natal será celebrado mesmo no Natal... Sim, de facto devo ser o único português com capacidade de se auto-sustentar que ainda não comprou uma única prenda, não fez a árvore de Natal e nem sequer pensou em nada relacionado com o Natal - Que tristeza, que indivíduo cinzento -  de facto, nunca me senti tão infeliz... Ou não. Sim, hoje será o dia de fazer a árvore, mais logo.

 

Temo, contudo, que nos dias 24 e 25 até venha a viver o Natal com mais intensidade. Temo que a histeria colectiva que se inicia em finais de Outubro leve as pessoas a chegarem cansadas a esta época e a encararem o 26 como um "já foi", venha o Ano Novo... Sim, depois entrarão no 2 em depressão colectiva até uma próxima celebração ou um feriado com ponte. De que valeu todo o empenho e stress que passou?

 

Por aqui, ficaremos ausentes, quiçá, até ao dia 26. Também este espaço fará a sua paragem e aproveitará para se reformular. Não vamos mudar o layout nem ter redes sociais para atrair mais seguidores, vamos continuar a apostar naquilo que tem feito a diferença: o conteúdo.

 

Ter um blog não comercial leva a que o empenho tenha de ser maior, leva a que a relação com todos os visitantes seja sempre o fundamental e, acima de tudo, que as discussões sejam bem pensadas e acima de tudo bem estruturadas e com um certo grau de avaliação. Obriga a uma relação especial com cada um de vós que não passe apenas pelo "obrigado" ou pelo "sim, claro, abraço". Obriga a que esteja com todos e que acompanhe também muitos dos que me acompanham, não por uma questão de "pagamento de visitas e comentários", mas sim por uma questão de querer mesmo seguir e explorar. Já tenho perdido seguidores, em alguns casos, por não corresponder com comentários em troca, mas prefiro essa honestidade a somente debitar meia dúzia de palavras retiradas da fornada que vai abastecer todos os outros espaços. Além disso, tenho de admitir que não sou obrigado a gostar dos blogs de todos os que me seguem - falei nestes últimos pontos, sobretudo numa lógica de quem também tem o seu espaço.

 

Não faz sentido falar de uma relação de reciprocidade e de acompanhamento mútuo se acabo apenas a centrar a questão no meu espaço. Gosto de ler muitos outros espaços, ler com calma, trocar e debater ideias com todo o entusiasmo. Além disso, tenho de admitir que há vida para além do blog, e tem de haver, e aqui perdoem-me... Mas tem de merecer uma maior alocação de tempo.

 

Deste modo, e por respeito aos que me vão aturando com muita paciência, acredito que o devo fazer... Por isso, talvez esteja a cair aqui uma certa tendência de "slow blogging", com menos artigos, mas com mais conteúdo. Um blog com mais estrutura, mais estudo dos temas abordados, mais trabalho por parte do próprio responsável por este estabelecimento. Isto não é trabalho, não tem de ser cansativo para ninguém e, acima de tudo, deve primar por um sem número de valores que já perceberam que são inerentes a este espaço. Menos é mais, sempre ouvi dizer, e o facto de não andarmos sedentos de protagonismo e reconhecimento, talvez seja um bom incentivo para desacelerar. E honestamente, acredito, pelo menos num blog não comercial, que não é necessário perder a cabeça nem criar conteúdos só para reter "clientes".

 

"Slow blogging", talvez venha a ser o próximo artigo, já depois do Natal. Sim, não vamos falar como foi o Natal e o que recebemos ou então falar do novo ano logo a 25 como se esta época fosse uma espécie de plano de trabalho por etapas. Em trabalho faz todo o sentido, na nossa vida pessoal, nunca! 

 

Desejo a todos um Feliz Natal, sobretudo genuíno e com todas as coisas boas que o ser-humano deve/deveria transportar... Independentemente da religião ou de qualquer outra convicção. O Natal não tem de ter um presépio, uma história bem encenada e uma árvore de Natal para ser um momento singular! Sejam vocês o Natal!

 

Feliz Natal,

 

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Não Acabem com o Verão por Decreto!

por Robinson Kanes, em 30.08.17

AAEAAQAAAAAAAAdCAAAAJDg3NDU3M2YyLWU1OWEtNDM3MS05N2 

 Fonte da Imagem: Própria

 

Existe algo que ultimamente me tem consumido o pensamento e que se prende com o facto de se decretarem inícios de época e o seu contrário, nomeadamente, os fins de época. Se do ponto de vista administrativo, de gestão e até de marketing e vendas pode fazer o todo sentido, quando a questão já passa para a vida e mentalidade de todos nós as coisas tendem a agravar-se.

 

Desde finais de Agosto, sempre que falo de Verão no presente, sou olhado como se D.Afonso Henriques tivesse, hoje mesmo, chegado às portas de al-Lixbûnâ e proferido as seguintes palavras: “caro Egas Moniz, vamos lá conquistar o castelo aos mouros ou não?”. Praticar Falcoaria e Tiro com Arco já me têm valido comentários a remeter para os tempos da construção da Catedral de Reims, no entanto, parece que o Verão já lá vai e todo o espírito alegre e festivo (por vezes até em excesso) se dissipa a 31 de Agosto. Essa apologia ouve-se diariamente, por exemplo... experimentem ouvir rádio durante uma manhã de inícios de Setembro. Por aqui até já existem artigos a falar do Natal! Sim, do Natal!

 

Usufruir de férias em Setembro ou Outubro chega a ser encarado como uma espécie de segundas férias e pode gerar comentários do género: “outra vez de férias?” ou "este não faz nada, ricas vidas". Ir à praia em Setembro, mesmo que debaixo de temperaturas mais quentes que em Agosto é visto como uma aventura somente acessível a residentes de Trondheim em férias pelo sul da Europa. "Mas a maioria dos portugueses volta ao trabalho em Setembro" – dirão alguns – de facto, mas também, de férias ou não, não precisamos de deixar de viver num espírito, diria... mais luminoso e descontraído e não falo daquelas práticas massivas de Verão como as modas típicas da silly season.

 

Decretam-se, nas nossas cabeças, épocas e... quer queiramos quer não, tal acaba por ter implicações no nosso dia-a-dia, inclusive no das organizações empresariais. Tomemos como exemplo a hotelaria - uma das principais queixas da hotelaria, sobretudo daquela mais próxima do conceito de férias/lazer, passa por olhar a sazonalidade como um mal menor e aceitar, sem questionar muitas vezes, as baixas taxas de ocupação fora dos meses de Verão. Baixamos os braços, porque tendemos a pensar que simplesmente é assim... ou que os mercados no exterior pensam como nós, ou seja, que fora do Verão não há mercado e dinamizá-lo é um desperdício de recursos.

 

Também recentemente, numa deslocação a Castilla Y León, dei com a imagem que coloco a colorir este texto e que no fundo reflecte bem o espírito de um povo que vive para todos os dias e efectivamente sabe viver. Todas as nações têm defeitos e apesar do momento que Espanha atravessa não é por isso que não deixa de ser uma economia pujante, muito também por culpa do seu espírito e mentalidade – sim, caros compatriotas, não vão ao baú procurar o discurso ensaiado de que o nosso país é pequeno e sempre será assim - estamos numa era globalizada. Se não somos pequenos para copiar modas de países como os Estados Unidos, também não podemos dizer que somos pequenos quando é a nossa cabeça a tomar uma atitude.

 

São temperaturas na ordem dos 34º e indivíduos com um ar cabisbaixo, tudo acabou e toda a alegria se diluiu nessa data macabra que é o 31 de Agosto. Não vamos pensar na época Natalícia, onde mais uma vez o espírito vai ficar alegre e até vamos ficar mais solidários por obrigação. Até lá, temos os meses de Outubro, Novembro e até uma parte de Dezembro para continuar a sorrir e, num país como Portugal e consoante os anos, a desfrutar do sol. Porque temos de nos agasalhar sob dias quentes de Setembro ou Outubro, quando nos dias chuvosos de Agosto andamos de t-shirt e calções? Agasalhar... pode ser também extensível ao nosso espírito.

 

E recordem-se que, enquanto andamos sempre a dizer mal do Outono (talvez a época mais bonita do ano) muitos são aqueles, de outros países, que pagam milhares para ver as vindimas no Douro e em Azeitão, ou para visitar as nossas Aldeias Históricas, ou simplesmente para usufruírem das nossas esplanadas, da nossa gastronomia e até daquilo que se tende a perder -  a nossa cultura como portugueses, como povo lutador mas sempre com um sorriso no rosto e não colado à “saudade triste e ingrata” que nos foi ilegalmente vendida e da qual parecemos ter uma espécie de contrato de fidelização vitalício.

 

Deixe o queixume e se está de folga ou fim de semana, aproveite as esplanadas e a praia do Portinho da Arrábida que esperam por si (estive lá na sexta-feira rodeado, somente... por estrangeiros), saia que as noites estão quentes. Ao invés do "Thank God it's Friday", parta no espírito do "Happy Monday" para mais uma semana de trabalho... mesmo que o seu “chefe” seja daqueles mais difíceis... lembre-se que comportamento, gera sempre comportamento... use isso a seu favor e deixe também de viver por épocas e viva todos os dias.

 

Texto originalmente publicado a 06/10/2016

Autoria e outros dados (tags, etc)

Abençoado Agosto e Bendito Vento!

por Robinson Kanes, em 11.08.17

 

IMG_4464.JPG

  Fonte das Imagens: Própria.

 

O português tem um problema crónico: nunca, mas mesmo nunca, irá dizer... Estou bem! 

 

No Inverno é porque não chove! Vem a chuva... É porque não faz sol. É porque está calor e na sua senda consumista acredita que tem de vir o frio para se vestir de acordo com a estação. Vem o frio... É porque está frio! Por acaso, no Verão não se importa que o país seque. Desde que o calor esteja no pico, queremos lá saber que meio-mundo esteja a morrer à sede, que não faltem caipirinhas e água do mar na praia! E como é Verão e a silly season está aí a queimar muitas mentes o principal inimigo passou a ser... O fogo? Não, já ninguém quer ouvir falar de incêndios... Mas em Abrantes está o pânico! E? Espero que não morra ninguém, caso contrário ao invés de querermos inflacionar listas de mortos vamos querer é eliminar as mesmas só para não tirar o brilho às férias...

 

Mas o drama, o verdadeiro horror, a tragédia (gostaram do momento Artur Albarran?) dos herdeiros de Viriato é o vento! Maldito Éolo que ainda vives no Império Romano a atormentar estes lusitanos cuja principal preocupação são os teus ventos! 

IMG_4491.JPG

Adoro uma boa chuva de Verão e o vento, desde que não se ande sempre a dizer na comunicação social que vai continuar (os incendiários agradecem), também me é agradável. Além de que não é preciso ir para os trópicos ou até para o Algarve para assistir a profissionais de alto gabarito a fazerem acrobacias aproveitando aquele sobre o qual quase toda a gente, por estes dias, decidiu descarregar a sua frustração. Além disso... Sempre se partilham umas fotografias mal tiradas.

 

Posto isto, a minha sugestão para estes dias de fim de semana é simples: ponham-se ao vento e voem! Voar também faz bem!

IMG_4470.JPG

Até porque afinal, a verdade é esta: enquanto muitos de vós se refugiam no conforto de um espaço fechado com medo de uma brisa, ainda há quem aproveite, e bem, o Bóreas das nortadas!

 

Bom fim de semana...

IMG_4643.JPG

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

SOS EMIGRAGOSTO

por Robinson Kanes, em 10.08.17

NaDvD.jpg

 Fonte da Imagem:http://minhoemfesta.pt/história/dedicado-todos-os-emigrantes-que-estão-de-partida-o-minho-em-festa-deseja-boa-viagem

 

Num país onde dizer que um cigano (sublinho, um) não pagou impostos ou cometeu um crime é considerado racismo e extensívo a toda a uma comunidade! Num país onde dizer que um imigrante (volto a sublinhar um) não quer trabalhar é considerado xenofobia e ódio a todos os imigrantes! E quem é que protege os emigrantes que cometeram o pecado de serem portugueses e regressam em Agosto e até Julho?

 

Comecemos com uma banda sonora que está lá em baixo para vos acompanhar na leitura deste texto.

 

As redes sociais, os media, associações, que não sei bem do que vivem e o que fazem, e alguns "partidos" políticos agitam-se contra comentários isolados, muitas vezes fundamentados e confirmados por toda uma comunidade mas não defendem os emigrantes, vulgo "emigras" ou "avecs", que nos visitam em Agosto! Aliás, defendem desde que tenham adquirido "papel comercial" do BES!

 

Foi por isso que decidi criar a SOS EMIGRAGOSTO, uma associação que defende todos os emigrantes que regressam à sua terra natal no Verão! Defendemos o direito a falar um "francês de Alcochete"; a vestir roupas novas compradas em Salamanca, Ciudad Rodrigo, Vilar Formoso, Badajoz ou Elvas; a utilizar vernáculo nacional intercalado com um francês de Île-de-France e a utilizar carros carregados de presuntos, bacalhau e chouriços! Defendemos também o tuning german style, ou os vidros escurecidos à Lausanne nas viaturas automóveis com matrículas estrangeiras! Defendemos o direito aos churrascos carregados de entremeadas, sardinhas e entrecosto bem regados com vinho Cachinhos ou Almocreve! Defendemos a gasosa, o Joy e o Frutol! Defendemos a "música pimba"! Defendemos os tradicionais "eile na arretou toute suite ele tinha era que arretar", "vien ici Maria, vien a ton pére sua mula dum..." ou então o "un pain prá moi e outro aqui pó me colega".

 

Muitos dirão: essa raça emigra vem para cá exibir carros novos, muitos até são alugados, e vem também mostrar que está bem na vida com roupas novas e a pagar jantares a torto e a direito mas depois, na casa da porteira, é só sopinha! Digam-me lá, o que é que fazem os portugueses que vivem no nosso país o ano inteiro? Estes ao menos fazem-no em Agosto e estão no seu direito, começo a pensar que muitos sentem que o protagonismo lhes está a ser retirado. E não vão a Espanha fazer perguntas, pois aquilo que vocês dizem dos emigrantes é o mesmo que os espanhóis pensam de nós.

 

Para o mal ou para o bem, os emigrantes trazem vida a muitas aldeias e até cidades, essa é a realidade. Trazem vida e jovens para as ruas, animam as aldeias e acima de tudo animam também a economia local. Não se esqueçam que muitos deles ainda fazem investimentos na terras que os viram partir e outros continuam a enviar remessas de dinheiro. Também não tratemos mal os que partiram porque não os soubemos acolher no seu próprio país, porque quer queiramos quer não, a vontade de muitos é voltar. Temos o discurso (com o qual concordo) de sermos muito receptivos com os imigrantes, mas somos os primeiros a expulsar os portugueses lá para fora... E em muitos casos, mesmo lá fora, não peçam ajuda a um português sob pena de ficarem com a impressão que são mais bem acolhidos pelos nacionais desse país...

 

Não tenhamos asco de ver os restaurantes cheios de emigrantes ou as lojas cheias de indivíduos sedentos de gastarem o dinheiro ganho durante o ano. Deixemos que as ruas e os bailaricos se encham de gente bem disposta que vem à procura das suas raízes. Alguns são parvos? Alguns comem com as mãos mesmo que estejam no "Darwin"? E então, quem é que em casa não come o franguinho com as mãos? Quem é que quando abre a boca não mostra o bolo alimentar qual almôndega gigante? Quem é que não fica com os queixos besuntados com o molho das sardinhas? Nos Santos Populares não vejo outra coisa e não são emigrantes...

 

Deixem-nos andar por aí que  ao menos a economia mexe e algumas terras também. Deixemos que invadam o nosso espaço e que dinamizem as nossas praias fluviais enquanto vamos todos mendigar um lugar nos areais do Algarve... Deixemos que o direito a não ter cara de atum seja uma realidade! Não há mal nenhum em invadirem o nosso pequenino mundo, não abram só as fronteiras territoriais, abram também as fronteiras da vossa cabeça...

 

A SOS EMIGRAGOSTO está cá para defender todos os emigrantes que queiram entupir as fronteiras do Caia e de Vilar Formoso, de Tui a Vila Real de Santo António estamos cá para vos apoiar! Mesmo nos voos low-cost em Charlles de Gaulle, Lyon, Basileia ou Dusseldorf estamos lá para vos apoiar! Não são só os estrangeiros que recebemos de "braços abertos".

 

Emigrante que escutas Graciano Saga ou Alizée na tua viagem de regresso à Pátria, a SOS EMIGRAGOSTO está contigo! 

 

P.S: só agora é que reparei que escrevi extensível ao invés de extensivo.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Pela Cordoama, Barriga e Castelejo...

por Robinson Kanes, em 03.08.17

IMG_3403.jpg

 Fonte das Imagens: Própria.

 

Apesar de ser Verão e as praias se encherem de cor e festa, a verdade é que existem praias que são mais belas longe desta época... Três delas situam-se lado-a-lado, bem perto de Vila do Bispo: a Praia do Castelejo a leste, a Praia da Cordoama ao centro e a Praia da Barriga a oeste. É interessante como não nos cansamos de percorrer esta costa, como cada praia é uma descoberta, cada penhasco um desafio e o oceano o nosso companheiro mais fiel e que se vai transformado quilómetro a quilómetro.

IMG_3400.jpg

Comecemos pela Cordoama, uma praia com extenso areal e ideal para a prática de desportos náuticos (sobreutdo surf) e também para a prática de parapente, mas pouco recomendável para crianças ou pessoas que não queiram arriscar no mar devido à ondulação. À semelhança da Praia da Barriga é ideal para observar as escarpas e contemplar o oceano. No entanto, a Cordoama e o Castelejo têm uma particularidade: são divididas por uma colina e é daí que se consegue ter também uma das melhores vistas da Costa Vicentina. É um local icónico e que permite, por vezes, apreciar de cima verdadeiras acrobacias aquáticas ou então aéreas devido à prática de parapente. A Cordoama não se pode considerar uma praia romântica nem das mais belas da Costa Vicentina, mas é sem dúvida um ponto obrigatório, quanto mais não seja para deixarmos que os ventos que acompanham o atlântico nos purifiquem.

IMG_3419.jpg

A Praia da Barriga é ideal para ser o ponto de partida para uma caminhada até à Cordoama e depois ao Castelejo na maré-baixa. É conhecida sobretudo pelos praticantes de surf e bodyboard.

 

Finalmente, a jóia da coroa destas praias, a Praia do Castelejo: além da ondulação forte oferece ainda um contraste singular entre o negro xisto e a areia dourada a que se junta a Pedra da Laje que pela sua semelhança a um castelo é apontada como a responsável pelo nome da praia. Uma das outras mais-valias deste local é o Trilho Ambiental do Castelejo e que ainda integra uma área de Rede Natura 2000! Circular e com apenas 3,5km é obrigatório percorrer o mesmo, seja a pé ou de bicicleta. Apesar de não ir dar à praia, é possível fazer um piquenique junto ao lago antes de se abandonar o trilho, até porque os cheiros do Castelejo não nos deixarão fugir sem pisarmos aquelas areias. Mais informação sobre o trilho aqui.

IMG_3428.jpg

E como estamos no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina não deixem de consultar e levar convosco o Código de Conduta e Boas Práticas.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

As Férias de um Condenado….

por Robinson Kanes, em 05.07.17

IMG_0817.jpg

Andrea Mantegna - São Sebastião (Museu do Louvre)

Fonte da Imagem: Própria

 

Quem nunca reparou que na fauna lusitana, em certos territórios, sempre que alguém vai de férias é como se tivesse cometido um crime de lesa-pátria? Experimentem ir de férias fora dos meses de Julho e Agosto e preparem-se para sentirem na pele a dor e a ostracização laboral e agora social!

 

Independentemente da opinião que tenha do Primeiro Ministro de Portugal, esta abordagem não visa tecer juízos do mesmo, mas nomeadamente de uma situação em particular: as férias. Não vou também tecer comentários em relação ao timming em que as mesmas ocorreram mas sim à quase impossibilidade de muitos hoje tirarem férias sob pena de serem destruídos pelos colegas... Pelo menos até os colegas irem de férias... Será interessante perceber se, em Julho e Agosto, quando estivermos de papo para o ar a fritar e a tirar fotos aos pés com o mar em fundo( que é uma coisa sempre digna de ser ver) nos vamos lembrar que o Primeiro-Ministro vai estar a trabalhar...

 

Isto leva-me a muitas conversas que fui tendo com vários indivíduos, porque de facto, para muitos começa a tornar-se um pesadelo tirar férias! Para os outros, quando vamos de férias nunca é uma boa altura! Para alguns ir de férias é deixar o caminho aberto para que venha daí uma a duas semanas em que os colegas vão apontar as culpas de tudo o que possa correr mal ao ausente! Chegar das férias é outra tortura, pois temos que criar um processo defensivo de todos os ataques feitos naqueles dias. Confesso que nunca me deixei abalar por essa situação, no entanto, são cada vez mais os casos em que as pessoas se sentem culpadas por irem de férias!

 

Poderão existir várias explicações:

  • o nosso egoísmo e uma espécie de umbiguismo - "ai aquele malandro que foi de férias e agora tenho de levar com o trabalho dele" - no entanto, esquecemo-nos que também nós teremos de gozar férias e ao malandro calhará esse ónus.
  • a nossa herança de sermos "mulheres de soalheiro" - "aquele está sempre de férias, não faz nada todo o ano e nós ficamos aqui a trabalhar, mas deixa que eu digo-lhe, quando chegar que se amanhe".
  • a inveja - "olha agora, aquele vai de férias e eu aqui a trabalhar, não sei de onde é que vem o dinheiro".
  • maldade - "vai de férias e deixou tudo por fazer, deixa que quando o patrão souber. Olha diz ao X que ninguém sabe disso, liguem-lhe, está de férias que atenda".

Existem pessoas que entram em depressão por irem de férias! Honestamente, isso para mim de férias tem pouco. As férias fazem bem, ajudam-nos a desligar do trabalho de outras coisas que é necessário desligar! As férias promovem o convívio familiar, o tempo com amigos e além disso são (ou devem ser) uma fonte de bem estar e aprendizagem! A paragem faz falta e o retorno no bem-estar e na motivação é latente e consequentemente com impactes positivos no trabalho, sobretudo no trabalho em equipa... Em equipa...

 

E quem nunca foi de férias em Setembro e teve de ouvir o típico "outra vez", como se toda a gente fosse de férias em Julho e Agosto e aquele preguiçoso metesse mais uns dias em Setembro! Quem assim pensar, sugiro que procure um novo emprego, ou abra os olhos para o mundo. Tudo isto recorda-me aqueles indivíduos que não conseguem conceber que uma larga camada da população trabalha ao fim de semana e que o empregado de mesa (que lhes atura o mau feitio) ou o senhor do posto de combustível não estão ali por passatempo.

 

Bom trabalho, e se for caso disso, boas férias.

Autoria e outros dados (tags, etc)

O Talento Também Tem 4 Patas - "Pata 1/2"

por Robinson Kanes, em 17.01.17

IMG_7656.jpg

Estávamos na aurora do Verão, todos tiram férias nessa época. O próprio país molda-se, como se todos os trabalhadores portugueses o fizessem. Daqui, podemos tirar uma conclusão: aumento do revenue em determinados sectores e outros que ficam paralisados quase três meses, só porque se tem a ideia de que o país está parado e, portanto, esperemos por Setembro.

 

Como é do Verão e de férias que falamos, ainda são muitos os portugueses, e não só, que nunca se esquecem do subsídio, da praia, de visitar a família, de vestir coisas que não vestiriam de outro modo se não vissem determinados indivíduos por demais vezes utilizá-las e assim seguir a tendência, a chamada silly season (infelizmente, pois o Verão tem tanto para dar). Todavia, ainda são muitos os que se olvidam dos seus animais de estimação e dão mais valor a um par de chinelos de praia que aos primeiros. Vou centrar as minhas palavras nos cães.

 

Ter sido criado entre a cidade e o campo, cedo percebi que Verão era sinónimo de cães abandonados - últimos dias de Junho e começavam estes a vaguear pelas ruas. Os tempos são outros, agora os cães já não são “coisas” e os donos já não são “proprietários” mas sim tutores, no entanto... o abandono continua.

 

Numa terça-feira de Junho, e com o carro cheio de cães, decidi que não seria má ideia lavar o mesmo. Na verdade... não o lavei, tendo em conta que dou comigo a ver uma pequena cadela “pastora alemã” (um ponto fraco para mim) a vaguear numa rotunda movimentada e inclusive, a perceber que os automóveis são simpáticos e velozes mas também aleijam. Não resisti e fui recolher a mesma. Escusado será dizer que tinha um problema para resolver (veterinário, alimentação, alojamento e, talvez o único verdadeiro problema, porque o resto não é de todo assim tão penoso, arranjar um tutor).

 

IMG_7643.jpg

As explicações... pois encontrava-me num posto de abastecimento de combustível, foram várias - pelo menos após eu e dois agentes da autoridade (aos quais agradeço a boleia e as pernas a mais que eu) termos perseguido um indivíduo que estranhamente me pareceu o “tutor” da cadela, mas sem chip, não há como provar - as explicações: “vêm aí as férias”; “foi abandonada para aí, é normal”; “já foi atropelada e tudo”; "era ele, eu aposto que foi ele"... e por aqui ficaria, não fossem os portugueses especialistas no acto de emitir pareceres.

 

Quando chega o Verão esquecemos que são estes amigos que aturam, ao longo de todo o ano, o nosso stress laboral, são eles que nos ajudam também a ultrapassá-lo, são eles que em alguns casos, até nos acompanham para o trabalho, são eles que nos fazem sorrir quando o mundo parece estar de um lado e nós do outro e, infelizmente e cobardemente, são eles que veem a raiva de muitos ao "chefe" orientada para eles e pagam no pêlo, literalmente, esse comportamento.

 

Em suma, tive em mãos uma cadela que, em dois dias aprendeu a sentar, a deitar, a entrar e a ficar na crate (caixa), reaprendeu a sorrir (sim, eles sorriem), aprendeu que a água é uma coisa boa (vide foto), aprendeu a não fazer necessidades em casa e por fim, erro cá de casa, aprendeu subtilmente a dar pequenas indicações do que quer... influências do auto-proclamado rei do espaço que também é um Pastor Alemão. Este é perito em descobrir animais selvagens feridos e em muitos casos protegidos por lei, cadáveres e afins, o que significa: mais expediente. Como ser-humano, o meu respeito é enorme, sobretudo porque tenho noção que levei um pouco mais de tempo a aprender as mesmas coisas, como praticamente todos nós. Além disso, e tendo em conta o trabalho com a mesma, pareceu-me que estava ali uma profissional certificada bem mais depressa que eu. 

 

Podemos ter os filhos mais queridos do mundo, os pais mais fantásticos, os amigos e os cônjuges perfeitos mas ninguém, mesmo ninguém, todos os dias, quando deixamos a vida profissional, nos recebe com tamanha festa e euforia como os cães. Isso é inegável e... se têm dúvidas, arranjem um cão.

 

Finalmente lembrem-se, também gostariam de se dedicar 100% a uma empresa/pessoa durante quase uma vida e chegarem a um dia e ninguém vos abrir a porta?

 

Continua...

 

P.S: A propósito desta temática vide também: http://curiosidadefeminina78.blogs.sapo.pt/sobre-pessoas-estupidas-61534

 

Fonte das Imagens: Própria.

Autoria e outros dados (tags, etc)


Mais sobre mim

foto do autor



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.


Mensagens

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D

Pesquisar

  Pesquisar no Blog



subscrever feeds




Copyrighted.com Registered & Protected 
CRD7-BFJD-IWHB-ZXDB