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As Férias de um Condenado….

por Robinson Kanes, em 05.07.17

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Andrea Mantegna - São Sebastião (Museu do Louvre)

Fonte da Imagem: Própria

 

Quem nunca reparou que na fauna lusitana, em certos territórios, sempre que alguém vai de férias é como se tivesse cometido um crime de lesa-pátria? Experimentem ir de férias fora dos meses de Julho e Agosto e preparem-se para sentirem na pele a dor e a ostracização laboral e agora social!

 

Independentemente da opinião que tenha do Primeiro Ministro de Portugal, esta abordagem não visa tecer juízos do mesmo, mas nomeadamente de uma situação em particular: as férias. Não vou também tecer comentários em relação ao timming em que as mesmas ocorreram mas sim à quase impossibilidade de muitos hoje tirarem férias sob pena de serem destruídos pelos colegas... Pelo menos até os colegas irem de férias... Será interessante perceber se, em Julho e Agosto, quando estivermos de papo para o ar a fritar e a tirar fotos aos pés com o mar em fundo( que é uma coisa sempre digna de ser ver) nos vamos lembrar que o Primeiro-Ministro vai estar a trabalhar...

 

Isto leva-me a muitas conversas que fui tendo com vários indivíduos, porque de facto, para muitos começa a tornar-se um pesadelo tirar férias! Para os outros, quando vamos de férias nunca é uma boa altura! Para alguns ir de férias é deixar o caminho aberto para que venha daí uma a duas semanas em que os colegas vão apontar as culpas de tudo o que possa correr mal ao ausente! Chegar das férias é outra tortura, pois temos que criar um processo defensivo de todos os ataques feitos naqueles dias. Confesso que nunca me deixei abalar por essa situação, no entanto, são cada vez mais os casos em que as pessoas se sentem culpadas por irem de férias!

 

Poderão existir várias explicações:

  • o nosso egoísmo e uma espécie de umbiguismo - "ai aquele malandro que foi de férias e agora tenho de levar com o trabalho dele" - no entanto, esquecemo-nos que também nós teremos de gozar férias e ao malandro calhará esse ónus.
  • a nossa herança de sermos "mulheres de soalheiro" - "aquele está sempre de férias, não faz nada todo o ano e nós ficamos aqui a trabalhar, mas deixa que eu digo-lhe, quando chegar que se amanhe".
  • a inveja - "olha agora, aquele vai de férias e eu aqui a trabalhar, não sei de onde é que vem o dinheiro".
  • maldade - "vai de férias e deixou tudo por fazer, deixa que quando o patrão souber. Olha diz ao X que ninguém sabe disso, liguem-lhe, está de férias que atenda".

Existem pessoas que entram em depressão por irem de férias! Honestamente, isso para mim de férias tem pouco. As férias fazem bem, ajudam-nos a desligar do trabalho de outras coisas que é necessário desligar! As férias promovem o convívio familiar, o tempo com amigos e além disso são (ou devem ser) uma fonte de bem estar e aprendizagem! A paragem faz falta e o retorno no bem-estar e na motivação é latente e consequentemente com impactes positivos no trabalho, sobretudo no trabalho em equipa... Em equipa...

 

E quem nunca foi de férias em Setembro e teve de ouvir o típico "outra vez", como se toda a gente fosse de férias em Julho e Agosto e aquele preguiçoso metesse mais uns dias em Setembro! Quem assim pensar, sugiro que procure um novo emprego, ou abra os olhos para o mundo. Tudo isto recorda-me aqueles indivíduos que não conseguem conceber que uma larga camada da população trabalha ao fim de semana e que o empregado de mesa (que lhes atura o mau feitio) ou o senhor do posto de combustível não estão ali por passatempo.

 

Bom trabalho, e se for caso disso, boas férias.

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O Talento Também Tem 4 Patas - "Pata 1/2"

por Robinson Kanes, em 17.01.17

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Estávamos na aurora do Verão, todos tiram férias nessa época. O próprio país molda-se, como se todos os trabalhadores portugueses o fizessem. Daqui, podemos tirar uma conclusão: aumento do revenue em determinados sectores e outros que ficam paralisados quase três meses, só porque se tem a ideia de que o país está parado e, portanto, esperemos por Setembro.

 

Como é do Verão e de férias que falamos, ainda são muitos os portugueses, e não só, que nunca se esquecem do subsídio, da praia, de visitar a família, de vestir coisas que não vestiriam de outro modo se não vissem determinados indivíduos por demais vezes utilizá-las e assim seguir a tendência, a chamada silly season (infelizmente, pois o Verão tem tanto para dar). Todavia, ainda são muitos os que se olvidam dos seus animais de estimação e dão mais valor a um par de chinelos de praia que aos primeiros. Vou centrar as minhas palavras nos cães.

 

Ter sido criado entre a cidade e o campo, cedo percebi que Verão era sinónimo de cães abandonados - últimos dias de Junho e começavam estes a vaguear pelas ruas. Os tempos são outros, agora os cães já não são “coisas” e os donos já não são “proprietários” mas sim tutores, no entanto... o abandono continua.

 

Numa terça-feira de Junho, e com o carro cheio de cães, decidi que não seria má ideia lavar o mesmo. Na verdade... não o lavei, tendo em conta que dou comigo a ver uma pequena cadela “pastora alemã” (um ponto fraco para mim) a vaguear numa rotunda movimentada e inclusive, a perceber que os automóveis são simpáticos e velozes mas também aleijam. Não resisti e fui recolher a mesma. Escusado será dizer que tinha um problema para resolver (veterinário, alimentação, alojamento e, talvez o único verdadeiro problema, porque o resto não é de todo assim tão penoso, arranjar um tutor).

 

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As explicações... pois encontrava-me num posto de abastecimento de combustível, foram várias - pelo menos após eu e dois agentes da autoridade (aos quais agradeço a boleia e as pernas a mais que eu) termos perseguido um indivíduo que estranhamente me pareceu o “tutor” da cadela, mas sem chip, não há como provar - as explicações: “vêm aí as férias”; “foi abandonada para aí, é normal”; “já foi atropelada e tudo”; "era ele, eu aposto que foi ele"... e por aqui ficaria, não fossem os portugueses especialistas no acto de emitir pareceres.

 

Quando chega o Verão esquecemos que são estes amigos que aturam, ao longo de todo o ano, o nosso stress laboral, são eles que nos ajudam também a ultrapassá-lo, são eles que em alguns casos, até nos acompanham para o trabalho, são eles que nos fazem sorrir quando o mundo parece estar de um lado e nós do outro e, infelizmente e cobardemente, são eles que veem a raiva de muitos ao "chefe" orientada para eles e pagam no pêlo, literalmente, esse comportamento.

 

Em suma, tive em mãos uma cadela que, em dois dias aprendeu a sentar, a deitar, a entrar e a ficar na crate (caixa), reaprendeu a sorrir (sim, eles sorriem), aprendeu que a água é uma coisa boa (vide foto), aprendeu a não fazer necessidades em casa e por fim, erro cá de casa, aprendeu subtilmente a dar pequenas indicações do que quer... influências do auto-proclamado rei do espaço que também é um Pastor Alemão. Este é perito em descobrir animais selvagens feridos e em muitos casos protegidos por lei, cadáveres e afins, o que significa: mais expediente. Como ser-humano, o meu respeito é enorme, sobretudo porque tenho noção que levei um pouco mais de tempo a aprender as mesmas coisas, como praticamente todos nós. Além disso, e tendo em conta o trabalho com a mesma, pareceu-me que estava ali uma profissional certificada bem mais depressa que eu. 

 

Podemos ter os filhos mais queridos do mundo, os pais mais fantásticos, os amigos e os cônjuges perfeitos mas ninguém, mesmo ninguém, todos os dias, quando deixamos a vida profissional, nos recebe com tamanha festa e euforia como os cães. Isso é inegável e... se têm dúvidas, arranjem um cão.

 

Finalmente lembrem-se, também gostariam de se dedicar 100% a uma empresa/pessoa durante quase uma vida e chegarem a um dia e ninguém vos abrir a porta?

 

Continua...

 

P.S: A propósito desta temática vide também: http://curiosidadefeminina78.blogs.sapo.pt/sobre-pessoas-estupidas-61534

 

Fonte das Imagens: Própria.

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