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De Montjuïc te Contemplo...

por Robinson Kanes, em 31.01.18

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Fonte das Imagens: Própria.

 

 

Saimos do bulício da cidade, da multiculturalidade do Raval e da multidão do Port Vell e subimos a Montjuïc ou "Monte de Jove"... Barcelona tem daqui uma das mais belas vistas - não terá sido por acaso que, desde os momentos pré-históricos, muitos povos se foram aqui estabelecendo. Por este monte, por exemplo, passaram os romanos que aqui ergueram o monumento a "Jove", daí o outro nome desta elevação.

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Quando subimos via "Passeig Josep Carner" - zona de "Drassanes" - a primeira imagem com que ficamos é arrebatadora: os "Jardins Mirador", onde se encontra o "Mirador de L'Alcaide", dão-nos uma vista única do Porto, da zona central e litoral da cidade. Mas não nos fiquemos por aqui, ganhemos forças e subamos até ao "Castell de Montjuïc", uma fortaleza do século XVII, um autêntico mirador de 360º da cidade e onde até os entusiastas da aviação podem observar o movimento no "El Prat". Podem dar uma vista de olhos pela interessante história deste espaço no website cultural do "Ajuntament" de Barcelona. Os que gostam de estudar a Guerra Civil têm aqui uma óptima fonte de conhecimento que inclui fotografias singulares dos bombardeamentos da aviação italiana e das peripécias (menos felizes) que tiveram lugar naquela fortaleza - recomendo vivamente. Admito que subir toda aquela colina de bicicleta e acabar no "Castell" era uma das coisas que mais satisfação me dava durante aqueles tempos em Barcelona.

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E se é de desporto que falamos, não poderemos deixar de falar do "Anella Olímpico", ou "Anel Olimpico", nascido aquando dos Jogos Olímpicos de Barcelona e que hoje inclui o "Estádio Olímpico Lluís Companys", o "Palau Sant Jordi" as fantásticas piscinas "Bernat Picornell" e a "Torre Calatrava", uma torre de telecomunicações projectada pelo mesmo arquitecto que projectou também a Gare do Oriente, Santiago Calatrava. Não é o mais fascinante que vamos encontrar, mas é algo que encontramos no caminho.

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Mas Montjuïc não é apenas um espaço com belas vistas ou com um cariz histórico-cultural, é também um lugar onde a Natureza por si só conquista todos aqueles que por aí passeiam ou fazem desporto - com intervenção humana, o Jardim Botânico é o mais emblemático, até porque as suas origens remontam a uma antiga lixeira.

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Depois de deixar a Carrer Ausiàs March de bicicleta, Montjuïc era o local ideal para preencher um dia de actividades onde não poderia faltar uma refeição ao ar-livre. Um local singular onde se conjugava a natureza, a história, a cultura e o desporto, sem esquecer todo um entorno paisagístico único! E se é de cultura que falamos, também é aí que encontramos a "Fundação Joan Miró" - não sou entusiasta do artista, mas as referências daqueles com quem privei eram óptimas. A par do "Poble Espanyol", foram dois espaços que nunca visitei - o último sempre o encarei como uma espécie de "Portugal dos Pequenitos" pois é o espaço onde podemos encontrar, em miniatura, alguns dos lugares mais belos de Espanha. Esta construção ainda é parte do que restou da Exposição Mundial de 1929 e que teve lugar naquela cidade. Mas já estamos a descer com uma vista espectacular sobre a zona de Llobregat. É por aí que encontramos o  "Museu Nacional de Arte da Catalunha".

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Este Museu, mesmo para quem não aprecia, merece no mínimo uma caminhada pelo seu exterior. Situado no "Palau de Montjuïc", é edificio classicicista (erguido para a Exposição Mundial de 1929) e que apresenta uma das mais belas colecções de românico do mundo - em termos de dimensão, é considerada a mais completa. Além da parte arquitectónica, nomeadamente o Salão do Trono e a Cúpula, sem dúvida que a visita às secções de arte românica e gótica são fundamentais, vejam as "Carpideiras". Claro que não poderia deixar passar um dos meus pintores de eleição como El Greco ("São João Baptista e S. Francisco de Assis", Tintoretto, Zurbarán,. Caliari, Tiepolo ou Tiziano que estão incluídos na colecção "Cambó" (uma nobre família Catalã) - por pouco me esquecia, mas tenho de me ajoelhar, também podemos encontrar nesta colecção pinturas de Rubens e Goya! E se pensarmos que estes e muitos outros também se encontram na colecção "Thyssen-Bornemisza"? Uma verdadeira "barrigada" de pintura que tornará qualquer dia mais especial e onde nem falta Canaletto.

 

Sei que já estou a ir longe, mas não poderia deixar de falar no acervo de pintura moderna que nos faz querer regressar, na eventualidade do nosso cérebro já não conseguir processar correctamente, perante tantas obras-primas. Não deixem passar o "Auto-Retrato" de Esquível, o espectauclar "Auto-Retrato" de Sorolla, as esculturas de Meunier e Rodin, a "Santa Madalena" e as paisagens de Jubany entre um sem número de obras que apaixonam até os menos entusiastas.

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Anoitece, regresso agora, na minha imaginação, depois de descer pela escadaria do museu com a bicicleta na mão, passo pela "Fonte Mágica" que emana as suas luzes mágicas (à noite e pontualmente) enquanto me preparo para fazer à estrada em direcção à "Plaça Espanya", não sem antes passar pelos pavilhões da "FIRA"... Decido se vou pela "Gran Via de les Corts Catalanes" ou desço a "Avinguda del Mistral" até ao "Raval" onde me posso encontrar com a Helena e o Felip e passar o resto da noite em boa companhia, entre uma ou outra cerveja e uma boa "escalivada".

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Pelo Port Vell até Drassanes...

por Robinson Kanes, em 14.12.17

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Fonte das Imagens: Própria 

Já lá vão uns tempos sem recordar a "minha" Barcelona. Recordo-me de Barceloneta, da minha morada em Ausiàs March, do percurso do Passeig Lluís Company até à Torre Agbar sem esquecer a Ciutadella e os momentos bem regados no Port Olímpic. Hoje, e posto que deixei Barceloneta no último artigo, continuo a caminhar junto ao mar percorrendo o Port Vell (Porto Velho)...

 

O Port Vell, para mim, é mais que um espaço comercial, alvo de algumas obras de modernização que levaram à construção do Oceanário e do Maremágnum (centro comercial). Daqui, e enquanto caminhamos junto ao mar, assistimos ao movimento do porto de Barcelona enquanto vislumbramos Montjuic cada vez mais perto. É um óptimo passeio para o fim de tarde e se possível nada como fugir do movimento frenético da Rambla de Mar e seguir até ao fim do molhe.

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Todavia, as grandes atracções, para mim, além da paisagem natural, são o antigo edifício neoclássico da alfândega e o Museu Marítimo de Barcelona que ocupa o local onde se encontravam as "Reales Atarazanas" o grande arsenal da coroa de Aragão! Quem aprecia o mar e arquitectura tem aqui um espaço de visita obrigatória e que, no fundo, nos transporta para outras épocas num local calmo e pacíficio longe do sempre espectacular bulício de Barcelona, sobretudo no "Passeig de Colom". É também aqui que Cristovão Colombo, do alto do seu pedestal de 60 metros (construído para a Exposição Universal de 1888 e que celebrava a descoberta da América) contempla a cidade e o mar. Além das figuras históricas, são os leões, na base, que me fascinam...

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Deixando uma azáfama mais turística, entramos na zona de "Drassanes". Drassanes não é mais que o sinónimo das "Reales Atarazanas" e era o nome catalão para as mesmas: "Drassanes Reials de Barcelona".

 

É por detrás do Museu, num bairro extremamente interessante e onde me aconselhavam a não ir à noite que encontrei mais um dos meus recantos preferidos da cidade. Encontramos por aqui todas as culturas num pequeno bairro nas traseiras do Museu Marítimo... Já estamos no "Raval".

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Ao percorrermos as ruas percebemos que as influências africanas e do médio-oriente estão presentes, não só nos IMG_1428.jpgrostos mas também no vestuário e, especialmente no aromas e nos mercados... É impossível não nos deixarmos contagiar pelo cheiro a boa comida e seguir o mesmo até encontrarmos um lugar, que nem sempre é o mais atraente, mas que nos faz sentar e apreciar aquele recanto multicultural da cidade... Não foram poucas as vezes que por lá deambulei também durante a noite, e nunca senti receio ou fui alvo de qualquer abordagem mais hostil. 

 

É também caminhando por estas ruas, presas entre a Avinguda del Paral·lel e a Avinguda de les Drassanes, que, em pleno "Raval" iremos encontrar um pequeno, mas peculiar, mosteiro românico beneditino de finais do século IX - o Mosteiro de "Sant Pau del Camp". É um espaço singular, com uma igreja em cruz grega de apenas uma nave. O movimento de culturas nas ruas que ladeiam o mosteiro é apreciável e encantador. 

 

Será pois, aquecendo o meu corpo, pois para lá de Montjuic o sol já se despede, que ficarei por aqui a saborear uma "shorba baidha" (sopa branca) e a apreciar a companhia de um argelino e de um catalão que me vai contando a história do Raval e do seu passado de má fama...

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Barceloneta, Onde Fica o Coração...

por Robinson Kanes, em 08.11.17

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 Fonte das Imagens: Própria.

 

Do Port Olímpic caminhamos facilmente junto ao mar pelo passeio marítimo. Este é talvez um dos melhores programas entre o bulício de uma moderna metrópole e o azul do mediterrâneo, isto, enquanto observamos as crianças de diferentes origens e nacionalidades no "Parc de la Barceloneta". E é aí, ao chegar a Barceloneta que o ar tem outro cheiro, que uma diferente Barcelona olha para nós e nos apela a deixar o mar apesar do convite dos bares mais turísticos.

 

Barceloneta não é um bairro muito antigo, percebe-se pela arquitectura. Nasceu no século XVIII quando os habitantes da "La Ribera" foram expulsos por Filipe IV que ordenou a construção da "Ciutadella". Foi, e é ainda, um bairro típico de pescadores e operários (uma dos ambientes que gosto de frequentar), todavia, bem diferente daquele que era antes da modernização de que foi alvo aquando dos Jogos Olímpicos em 92.

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Lembro-me de Barceloneta que, segundo alguns, inspirou Cervantes numa passagem de D. Quixote, e sentir inveja de ver muitos dos meus amigos morarem naquele bairro - denote-se que estava a viver em Ausiàs Marc, pelo que não me poderia queixar, pelo contrário. Barceloneta é o expoente máximo da cultura mediterrânica em Barcelona (apesar de ser um bairro recente), dos cheiros, das conversas, da vida e contrastes que nos fazem indagar se estamos no norte de África, ou num qualquer bairro do sul de Itália. Mas não comparemos, Barceloneta é diferente. Foi lá que aprendi a cozinhar alguns petiscos senegaleses, foi lá que descobri uma forma low-cost e eficaz de polir faróis, foi também naqueles recantos que, entre peixe frito e outras tapas únicas me foi possível conhecer grandes indivíduos.

 

É também aqui que fica o "La Bombeta", um pequeno restaurante e sempre apinhado de gente e que acabava por ser o escape aos restaurantes caros e tremendamente turísticos do "Passeig Joan de Borbó". Aliás, como qualquer bairro, para se encontrar boa comida e... bons amigos, o ideal é sempre ir para o centro, neste caso, alguns dos mais especiais encontram-se perto do "Mercat de la Barceloneta", uma óptima alternativa à carérrima e descaracterizada "Boqueria". Basta seguir pela "Carrer de la Maquinista" que é também onde se encontra o "La Bombeta". Nem cinco minutos são a pé e sempre é possível recordar os bombardeamentos da aviação alemã durante a "Guerra Civil" através da inúmeras placas que se encontram espalhadas. Também é aí que temos uma imagem tipicamente mediterrânica, com habitantes locais à conversa e crianças ainda a brincar na rua - uma raridade - bem mesmo em frente na "Plaça de Pompeu Gener". E depois de tantos recantos, perceberemos que o "La Bombeta" nem é o melhor de todos...

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Neste pequeno bairro conquistado ao mar, existe também espaço para apreciar o património que vai para além das construções civis, refiro-me sobretudo à "Església de Sant Miquel del Port", uma igreja barroca que vibra, quando em Setembro, Barceloneta é um palco de festa com cortejos e uma animação no bairro e nas praias. É totalmente impossível não ficar contagiado pelas danças e folia daqueles dias. Penso que só em Andaluzia conseguem isso de mim, até porque não sou de danças, mas este foi um dos locais onde não consegui resistir.

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Uma outra nota de destaque é o edifício e o próprio "Museu de História da Catalunha", já na direcção do "Port Vell". Este museu é interessante, pois além de contar a história da Catalunha desde a época pré-história é bastante interactivo, os miúdos adoram-no e os adultos apaixonam-se pelo restaurante no piso superior com um terraço e umas vistas únicas para o "Port Vell".

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Recordo agora com saudade a praia depois de umas animadas conversas entre vinho e comida em alguns dos pequenos recantos de Barceloneta... Recordo aquele momento que nos fins de tarde outonais tinha para mim um encanto especial, mais do que no Verão onde os turistas e os próprios habitantes da cidade preenchem o espaço até à exaustão. Recordo o dia em que tirei algumas destas fotografias, um dia em que vesti a pele de turista e não senti nem um terço das emoções que se têm como habitante...

Barcelona é especial e se admito que o meu coração ainda hoje está naquela cidade, por certo está bem guardado num qualquer local de Barceloneta, possivelmente numa das varandas à espera que o resto do corpo o encontre um dia.

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Incêndios: Espanha nas Ruas, Portugal no Sofá.

por Robinson Kanes, em 17.10.17

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Fonte da Imagem: http://www.antena3.com/noticias/sociedad/en-galicia-permanecen-sin-control-siete-incendios-en-situacion-2_2017101759e5ab300cf2e892aa27b566.html

 

Em dia de luto nacional, tenho a sensação que metade ou mais dos cidadãos portugueses não sabe o que significa uma bandeira a meia-haste. Seria interessante que todos percebessem o real significado do luto nacional, quanto mais não fosse para pararem e pensarem... Guardar 10 minutos ou mais do nosso dia para pararmos, desligarmos e reflectirmos é cada vez mais um luxo ou, segundo muitos, uma parvoíce... Tenho todo o gosto em ser parvo (parvus-parvi: pequeno) se isso for ter consciência que sou um ser humano não diferente dos outros todos. Na Era "me" entendo que muitos não compreendam o que acabei de escrever...

 

Em Portugal, país onde somos todos o máximo, continuamos com a cabeça enterrada na areia e não existe a humildade governantiva de assumir um erro e pedir desculpas. Alguém falhou os módulos de "liderança inspiradora", por certo, e também alguém sabe que os estudos de popularidade "martelados" serão capazes de influenciar um povo que continuará a perpetuar a sensação de impunidade de quem tudo acha que pode fazer. Enganem-se os portugueses que pensam que ao votarem estão a eleger alguém que vos represente, pelo contrário, estão a dar poder a outrem para que faça o que bem entender... Basta passar os olhos pelas leis que definem a governação - isto para aferir da importância de sermos cidadãos e principal supervisor de toda e qualquer actividade pública.

 

Por cá, já estamos no momento do espectáculo com as pseudo-celebridades a publicarem mensagens e a gravarem vídeos nas redes sociais perante tamanho choque. É que isto de ser solidário ou estar chocado com qualquer coisa é bom, desde que tenha projecção nos media, caso contrário não merece a pena - a propósito, ainda ontem num velório, tive oportunidade de ver uma das pseudo-celebridades (ligada à música e que anda sempre em campanhas para ajudar as criancinhas e os pobrezinhos com o irmão) completamente fria e tentando espectacularizar, perante o espanto dos presentes, a morte daquele que nos tinha ali trazido. Mas em Portugal luta-se, ou faz que se luta, no conforto do sofá, a partilhar fotografias, ou a arriscar morrer queimado dentro de um carro enquanto se filma a tragédia a troco de uns momentos de fama... E obviamente, também a escrever textos como este. Desliguem a televisão e a internet e procurem aqueles que combateram os fogos por estes dias, aqueles cidadãos, bombeiros e não bombeiros, que fizeram tudo para acabar com esta calamidade e deem um abraço a essas gentes, sem partilhas e selfies, mas apenas com as emoções verdadeiras que nos tornam melhores humanos! Os heróis são esses e não os heróis covardes que depois da tempestade, espreitam, saem do seu canto e se juntam às celebrações...

 

Todavia, em Espanha, as coisas têm sido diferentes - o povo saiu à rua, exigiu responsabilidades e obrigou a um esforço das autoridades na justificação das suas acções e a estarem próximas das populações. Em Espanha não se anda à procura de raios nem de tempestades e claramente já se assumiu que existe mão-humana nos incêndios. Em Espanha existe uma preocupação extrema com a questão natural/ambiental e com a situação económica das populações e empresas, as pessoas assim o exigem, porque esperam resultados concretos e não um abraço ou uma fotografia com Rajoy ou com Filipe VI. Em Espanha, até os media estão sob o jugo da população e de entidades reguladoras que já pediram demissões pelo facto de muitas coberturas aos incêndios serem tendenciosas ou desprovidas de tudo aquilo que deve ser o jornalismo! Em Espanha já se pensam em alterações ao Código Penal. Em Espanha até pelo "fim dos fogos" em Portugal se manifestaram, isso deveria envergonhar-nos!

 

... Em Portugal, apenas se pede que se saia à rua e se faça alguma coisa acerca do referendo da Catalunha, ou para pedir progressões automáticas de carreira (mesmo que não se faça nada para o merecer), ou para ir para a praia, porque isto de exigir um país digno desse nome, dá muito trabalho não traz "likes" e carros topo de gama na garagem. Que venha a febre do Natal bem depressa, para não nos dar tempo de pensar no essencial...

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Pelo Passeig Lluís Companys até à Torre Agbar...

por Robinson Kanes, em 13.10.17

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Fonte das Imagens: Própria.

 

A semana passada falei de Barcelona e dos tempos que fixei residência em Ausiàs March - esta semana não resisti em lá voltar.

 

Uma das minhas caminhadas matinais (sim, e nocturnas) passava por descer o "Passeig de Sant Joan" e atravessar os jardins e o Arco do Triunfo pelo "Passeig de Lluís Companys". Era interessante sentir o pulsar da cidade numa das suas zonas mais nobres e também menos antigas, um pulsar estranhamente calmo, sobretudo em relação ao centro oeste. Na verdade, e deixemo-nos de poesia, era muitas vezes um mero acesso até chegar ao "Parc de la Ciutadella" ou até ao mar, ou quase sempre para voltar atrás e seguir pela "Avigunda Meridional" até chegar à "Avigunda Diagonal", perto da Torre Agbar onde combinava com a minha miúda os encontros ao fim de tarde, bem perto da multinacional onde a mesma trabalhava...

 

A Torre Agbar, que de dia não é mais que um "mamarracho", mas ao cair da noite, com todas as suas cores pintava toda aquela paixão. Gostava disso e reconheço que dava outro encanto àquele momento que, muitas vezes, sem a presença daquela torre, seria num local que parecia um estaleiro - durante muito tempo, a zona envolvente esteve em obras.

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Era bom fazer aquele caminho, mesmo que depois tivesse de voltar atrás, não sei explicar... Talvez fosse uma espécie de Sísifo a punir-me pelo erro futuro de recusar viver naquela cidade, acreditanto mais uma vez que poderia trazer algo de novo ao meu país... Ainda hoje consigo vislumbrar a Torre Agbar ao longe e encarar a mesma como uma estrela-guia para um futuro próximo.

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Voltando ao meu percurso, também era aqui que ficava encandeado pelo sol de fim de tarde que ali projecta uma linha cujos raios se estendem pela cidade até ao final do "Passeig Saint Joan" e me fazia por vezes sentar e ligar o Ipod. Aproveitava para queimar algum tempo, até continuar o meu caminho... De facto, muitas vezes era acompanhado pela "Barcelona Gipsy Balkan Orchestra" (que aqui já falei), e desse tempo recordo-me sobretudo destas duas bandas sonoras daqueles momentos: o "Lule Lule" e  "Cigani Ljubiat Pesnji". Esta última, fundamental para um dia ter conhecido os Mossos d'Esquadra, depois de me ter motivado para jogar futebol com uns indivíduos que monopolizavam a relva junto aos "Jardins Fontserè i Mestre"... Ainda me lembro de ter dito que só estávamos a fazer uma "rabia" e chegar à conclusão que o melhor seria ficar calado e esperar que os locais se entendessem com a autoridade.

 

Se como eu não puderem ir a Barcelona por estes dias, nada como aproveitar as sugestões musicais e encontrar o jardim mais próximo de vós, e porque não, libertarem-se um pouco num jogo de futebol, ou com os sons da natureza, das pessoas e da vida, ou então lerem o Relatório aos Incêndios de Pedrogão Grande e Góis...

 

Bom fim-de-semana...

 

 

As bandas sonoras...

 

Bacelona Gipsy Balkan Orchestra - Lule Lule

 

 

Barcelona Gipsy Balkan Orchestra - Cigani Ljubiat Pesnji (sem dúvida, uma das minhas preferidas)

 

 

 

 

 

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 Fonte da Imagem: Bruce Beattie - Daytona Beach News Journal

 

O tema não é novo, mas repete-se... E como se repete continua tão actual como aquando da primeira polémica espoletada acerca do mesmo.

 

Sempre que estamos perante um atentado terrorista assistimos à divulgação de imagens (quantas vezes não são as mesmas repetidas atá à exaustão) de pessoas feridas, mortas, em pânico, completamente aterrorizadas e, em alguns casos, até à divulgação do próprio atentado a ter lugar (Charlie Hebdo foi um dos melhores exemplos). Se a sede de vendas aqui ainda encontra uma "descupabilização", o que dizer quando os perpetradores do terror fazem um balanço do ataque e promovem a causa?

 

Pretendo com isto dizer, e em Barcelona a cena repetiu-se, que um dos grandes cúmplices do terrorismo - porque espalhar o medo é terrorismo, não é só pressionar um gatilho - poderão ser os media. O alegado vídeo do Daesh a reinvindicar o ataque foi repetido mil e uma vezes por esse mundo fora e Portugal não foi excepção. Será que não basta "uma" notícia a informar que o Daesh (ou outro movimento) reinvindicou o ataque e voltou a ameaçar? E será que estes vídeos são muitas vezes confirmados, sobretudo do ponto de vista da origem? Não me é de todo difícil colocar um vídeo igual a muitos outros do Daesh a circular na internet.

 

É aqui que também pretendo chegar... Ainda me recordo de ver os vídeos da ETA, do Hezbollah, do IRA e de outros tantos movimentos, onde o foco do mesmo passava por indivíduos que difundiam uma mensagem; mas hoje os videos são mais elaborados e coloridos com imagens que são retiradas dos próprios media. Não só estamos a alimentar a propaganda com conteúdos mas também a divulgar a mesma. Se eu sair à rua com uma suástica no braço arriscarei, por certo, algumas consequências menos boas, contudo, divulgar o ódio e o terror continua a ser um crime que passa impune sob a capa da liberdade de informação - seja de forma propositada ou negligente. 

 

Finalmente, uma nota para o actual Presidente da República Portuguesa e que me ficou retida aquando dos atentados de Barcelona: dizer que nunca morreu tanta gente, nem existiram tantos atentados terroristas como hoje, sobretudo na Europa, revela um desconhecimento da História, sobretudo a mais recente.

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Granada. O Fim da Conquista...

por Robinson Kanes, em 07.06.17

 

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Fonte das Imagens: Própria 

 

Recebendo as chaves de Granada, os Reis Católicos avançaram para a cidade - embora tenham esperado que esta fosse pacificada – encontrado pelo caminho uma recepção de prisioneiros cristãos visivelmente abatidos pelo cativeiro e que acolheram os reis de Castela e Aragão em sorrisos e lágrimas. Os reis eram acompanhados por Cidi Yahye (lembram-se dele?), já com o nome cristão de Don Pedro de Granada Vanegas e com a missão de ser o responsável pelos mouros da cidade e do reino.

 

Interessante é o relato de Agápida aquando do desfile dos reis católicos, chegando mesmo a apelidar os monarcas de seres sobrenaturais. Também interessante é o mesmo relato que aponta para a ostentação do clero que quase ofuscava a dos monarcas tal o brilho dos diamantes e riquezas transportadas pelos seus membros.

 

Após D. Fernando ter agradecido a Deus na Mesquita Central, entretanto consagrada como Catedral, o cortejo seguiu até ao Alhambra entrando pela Porta da Justiça. Segundo os cronistas, Boabdil solicitou que jamais alguém entrasse pela porta (Puerta de La Alhambra) por onde este havia deixado ocomplexo pela última vez. Esta sua vontade foi respeitada. Ainda hoje esta porta não é acessível, sendo apenas um monumento comemorativo.

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Terminava assim a Conquista de Granada que, segundo Frei António Agápida, teve a mesma duração do cerco de Tróia. Terminava também o domínio dos Mouros em Espanha, 778 anos após a derrota do rei Visigodo Rodrigo nas margens do Guadalete.

 

Termina também esta aventura, pelo que subo novamente ao Alhambra e contemplo mais uma vez a “vega” de Granada, o Albaicín e toda a cidade no seu fervor, esse fervor que não se perdeu com a passagem dos séculos. Contemplo a Serra Nevada e aprecio o belíssimo complexo que é o Alhambra. Recordo os meus encontros com o Zagal, com Boabdil e com todos aqueles que me acolheram dentro daquelas muralhas. Passeio pelas salas onde o Zagal me tratou como um rei, onde partilhamos as nossas semelhanças culturais e de sangue onde, fosse hoje, talvez encontrasse alguém que pudesse ser um bom conselheiro para uma escalada de tensão entre o mundo árabe e o mundo ocidental. Talvez com a maturidade dos séculos fosse possível encontrar uma solução.

 

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Sinto agora os cheiros do Alhambra e vou descer à cidade para também prestar a minha homenagem na Catedral e na Capela Real aos Reis Católicos. Com a noite a cair passo a Calle Navas, conhecida pelos restaurantes e tabernas, mas demasiado turística, isso faz-me recuar e entrar no "La Cueva", em plena Calle Reyes Católicos. Sento-me junto aos presuntos que decoram aquele espaço e aí aprecio umas fatias desse diamante fumado acompanhado de uma Alhambra enquanto espero pela Paella. Entre o barulho infernal (tão típico e tão bom de Espanha) fico a olhar aquelas gentes e o convívio que envolve todo aquele espaço... Penso em como o sangue de dois povos corre nas veias daquele povo e daquela cidade, de como isso, ao contrário do que se apregoa, é que torna tudo mais perfeito, mais genuíno e sem dúvida mais belo.

 

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Para os recém-chegados a esta aventura:


http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/aben-hacen-e-zahara-17518

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/el-zegri-e-ronda-18287

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/salobrena-e-a-morte-de-aben-hacen-19240

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/cordoba-o-quartel-general-cristao-19524

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/malaga-o-inicio-das-hostilidades-20973

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/malaga-o-desastre-e-a-capitulacao-21257

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/da-serra-nevada-e-das-alpujarras-se-22619

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/granada-cada-vez-mais-perto-23369

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/o-alcazaba-do-alhambra-e-a-inspiracao-24720

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/a-conversa-com-o-zagal-na-sala-dos-25527

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/ainda-com-o-zagal-o-palacio-e-o-26537

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/um-lanche-com-o-zagal-no-generalife-27602

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/entre-os-ataques-de-muza-e-as-facanhas-28754

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/granada-o-capricho-da-rainha-em-zubia-e-29976

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/granada-a-decisao-da-rendicao-e-a-31735

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/a-historia-de-muza-e-os-tumultos-em-33531

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/o-dia-da-rendicao-de-granada-35050

http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/granada-entre-a-despedida-de-boabdil-e-37910

 

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Fonte das Imagens: Própria 

 

Com os estandartes de Castela a destacarem-se no Alhambra, os reis católicos iniciaram a sua procissão em direcção a Granada. Pelo caminho encontraram Boabdil que, num acto de submissão, desceu do seu cavalo e tentou beijar as maõs aos Reis Católicos. Contudo, em sinal de respeito estes recusaram. Como sinal de reconhecimento, Isabel de Castela entregou a Boabdil o seu filho, Ahmed que estava refém das tropas castelhanas até então.

 

Boabdil era um derrotado, toda uma cultura e um povo eram derrotados, pelo que, amargamente, se virou para os soberanos de Castela entregando-lhes as chaves, tendo proferido as seguintes palavras: " estas chaves são as últimas relíquias do império árabe em Espanha. Tuas são, oh rei! As nossas conquistas, o nosso reino, a nossa pessoa! Tal é a vontade de Deus. Recebe-nos com a clemência que nos prometeste  e que de ti esperamos". 

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Recebendo a garantia por parte de Fernando de Castela, que até abriu portas para uma amizade entre ambos, Boabdil seguiu o seu caminho em direcção às Alpujarras. Na última colina, que permitia ver a cidade de Granada, as tropas de Boabdil detiveram-se e olharam pela última vez a cidade que havia sido a capital daquele extenso império. Segundo Agápida, nunca a mesma lhes tinha parecido tão bela e grandiosa. Mesmo Boabdil, após contemplar aquela imagem pela última vez, desatou num choro que fez a sua mãe,a sultana Aixa la Horra, surpreendida com a debilidade deste, interpelá-lo dizendo-lhe que "bem fazes em chorar como uma mulher, o que não soubeste defender como homem".

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 Este local, onde Boabdil chorou, ainda hoje é conhecido pelos espanhóis como "o último suspiro do morto".

 

Entretanto em Granada, como apreciador de Kafka, convido a que assistam ao contraste entre a alegria dos conquistadores espanhóis e a tristeza dos conquistados árabes. Na "La Taberna de Kafka", no Realejo,somos brindados com um carinho especial pelo anfitrião e ficamos a conhecer os vinhos espanhóis acompanhados pelas tapas granadinas que são uma autêntica referência em toda a Espanha. As de bacalhau, são uma surpresa interessante. Penso em Boabdil, mais uma vez, como sofreu e como a sua inconstância levou à queda do reino. Penso nos heróis de Castela e nos de Granada...

 

 

... Retempero forças para subir novamente ao Alhambra e assistir à entrada triunfante dos Reis Católicos naquele complexo. Provavelmente irei pela Gran Via de Colón e aproveitarei para apreciar a beleza dos edifícios enquanto chegado ao fim desta, contemplo a estátua à Rainha Isabel.

 

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O Dia da Rendição de Granada...

por Robinson Kanes, em 11.05.17

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Fonte das Imagens: Própria

 

Com a morte do lendário Muza, esta aventura começa a aproximar-se dos seus momentos finais. (Sugiro que vão ao fim do texto e "liguem" a Banda Sonora).

 

No Pátio dos Leões, em pleno Alhambra, a azáfama aumenta, sobretudo porque, temendo mais tumultos, Boabdil acelerou a entrega da cidade aos Reis Católicos.

 

A última noite da família real naquele Palácio sem igual foi de dolorosas lamentações, lamentações que se estenderam a toda a cidade enquanto dentro das muralhas se despiam as salas do complexo, se embalavam os tesouros e, no fundo, se embalavam também séculos de história, de cultura e de momentos sem igual. Era o fim do Reino de Granada.

 

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A família real abandonou a cidade antes de Boabdil, por um dos bairros menos movimentados de Granada, pois não se queria colocar esta à mercê do regozijo do inimigo e dos mercadores. Relatos da época sugerem que as esposas de Boabdil choravam e lamentavam aquela sorte e que só a mãe deste, a sultana Ayxa la Horra, não exteriorizou qualquer mágoa e se manteve firme, apesar do semblante carregado. As crónicas da época relatam o momento da saída, com as sentinelas da cidade a abrirem portas, enquanto derramavam lágrimas pela sorte que havia calhado a estas e à família real que agora se dirijia em direcção à nova morada nas Alpujarras.

 

No dia da rendição da cidade, Boabdil encarregou Yusuf Aben Comixa do protocolo da entrega do Alhambra. Segundo Irving, baseado no relato de Agápida, Boabdil ainda se dirigiu ao Comandante do Destacamento de Castela e Leão e proferiu as seguintes palavras: "ide senhor e tomai posse daquelas fortalezas que Alá outorgou aos vossos poderosos Soberanos, como castigo pelos nossos pecados". Após estas palavras abandonou a cidade.

 

Do lado de Castela, o regozijo aumentou aquando do desfraldar das bandeiras na Torre da Vela, em pleno Alhambra. O estandarte daquela cruzada e também o estandarte com a cruz de Santiago tomavam agora conta do Alhambra e consequentemente de toda a cidade, de todo o reino.

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Deixando a nossa cerveja Alhambra e umas tapas de pão com presunto ibérico na Plaza San Miguel Bajo, podemos continuar a nossa caminhada pela Calle Santa Isabel la Real. Aí paramos para olhar Mosteiro com o mesmo nome, seguindo depois para a Plaza de S.Nicolás. É aí que encontramos o Miradouro com o mesmo nome... O miradouro que poderá relembrar-nos a agonia, a tristeza, a impotência e a dor que terão sentido os habitantes do Albaicín ao verem ser retirados os seus estandartes do Palácio de Alhambra. Nas nossas costas, a Igreja de S. Salvador em plena Plaza de la Santíssima Trinidad e do nosso lado esquerdo, ladeando o Alhambra o Sacromonte.

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Sentamo-nos a admirar a paisagem e a relembrar esses tempos... Sentamo-nos com os Palácios Nazaríes e a Serra Nevada em frente e ouvimos uma guitarra espanhola a percorrer os acordes dos Concertos de Aranjuez, dos Recuerdos de Alhambra ou, com sorte, a acompanhar um Andaluz a beber as letras de Agustin Lara e do seu Granada... Granada, tierra soñada por mi, mi cantar se vuelve gitano cuando es para ti, mi cantar hecho de fantasia, mi cantar, flor de melancolia que you te vengo a dar...

 

 

 

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A História de Muza e os Tumultos em Granada

por Robinson Kanes, em 02.05.17

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 Fonte das Imagens: Própria

 

Com a irrevogável decisão da rendição, Muza, perante o conselho, assumiu que jamais seria condescendente com tal decisão. Admitiu a severidade dos reis católicos e jamais consentiu entregar a sua fé e o seu reino a tais soberanos. As suas palavras - "não temamos a morte; muito pior serão os saques, a profanação das nossas mesquitas, a ruina dos nossos lares e a violação das nossas mulheres e filhas" - pouco eco fizeram. Abandonou o conselho atravessando o Pátio dos Leões, sem sequer dirigir palavra aos que acompanhavam. Armou-se dos pés à cabeça, escolheu o seu melhor cavalo e a sua melhor armadura e saiu da cidade pela Porta de Elvira sem nunca mais se saber do mesmo. 

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Contudo, esta é a versão dos historiadores árabes, pois, segundo Frei António Agápida, nessa mesma tarde, um grupo de cavaleiros andaluzes, que cavalgava nas margens do Genil, afirmou ter visto um cavaleiro mouro, completamente armado, com a viseira fechada montando um formoso cavalo e com uma lança em riste a correr na direcção destes. De início, e dada a força dos andaluzes, estes nunca pensaram que esse cavaleiro os atacasse, contudo, com o desenvolver da passada, cedo perceberam que o risco aumentava, pelo que se deram a conhecer e lançaram avisos de que não hesitariam em atacar.

 

O cavaleiro, esse, não acatou nenhum dos avisos e com a sua lança matou de imediato um dos cavaleiros. Puxando da sua cimitarra, continuou a espalhar o pânico e a matar outros cavaleiros, ignorando algumas feridas que já lhe atravessavam o corpo. Muza conseguiu matar metade da guarnição de cavaleiros andaluzes até o seu cavalo ter caído por terra ao ser atingido por uma lança. 

 

Já com Muza no chão, e admirados por tal valentia, os cavaleiros tentaram poupar a vida deste. De joelhos, com

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uma adaga de Fez, Muza não desistiu de lutar. Vendo, contudo, que não teria hipóteses nem forças para ir mais além e, não querendo cair prisioneiro dos cristãos, atirou-se ao rio e afundou-se com o peso da sua armadura sendo arrastado pelas águas do Genil. Mais uma vez, Muza vinha mostrar de que sangue era feito e fazer-nos compreender que, se mais cedo tivesse entrado na guerra, talvez o desfecho pudesse ser diferente.

 

Entretanto em Granada, no dia 25 de Novembro de 1491 (aproximadamente um ano depois seria descoberto o continente americano por Cristóvão Colombo), era assinado o tratado de rendição. Todavia, nos primeiros dias de Dezembro, um motim levou a que muitos se armassem e estivessem dispostos a lutar pela defesa do reino, ameaçando Boabdil que se refugiou no Alhambra, qual prisioneiro do seu próprio povo.

 

Só a sua saída, dizendo ao povo que era o máximo responsável pela situação do reino, exprimindo o seu arrependimento face à insurgência contra o pai e assumindo o pesado fardo que Alá lhe dera fez acalmar os seus súbditos. Reconheceu que assinara a rendição para salvar o seu povo da fome e da guerra e que agora iria abandonar a cidade e caminhar em direcção ao seu exílio.

 

Às portas da cidade os Reis Católicos aguardavam o dia para entrarem naquela majestosa cidade. O Alhambra esperava por estes soberanos que teriam de lidar com o temperamento e sagacidade dos habitantes da cidade e sobretudo do Albaícin.

 

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Ainda hoje, as ruas deste bairro albergam uma verdadeira atmosfera árabe, de calor, de vida e de recantos únicos onde conseguimos imaginar as discussões daqueles que desejavam a rendição face aos que queriam dar a vida pela cidade. Podemos voltar atrás e seguir Boabdil pelas ruelas procurando encontrar seguidores para a sua intentona contra o pai e contra o tio. Também podemos entrar pelo Noroeste, pela Plaza del Triunfo, atravessando a Puerta de Elvira, seguindo o Carril de la Lona, recuperando o fôlego no Mirador com o mesmo nome e com uma vista para o centro da cidade. Subindo mais um pouco, quiçá entre umas tapas e uma cerveja Alhambra possamos encontrar, na Plaza San Miguel Bajo, Boabdil a confraternizar com o seu povo após uma visita ao Palácio de Dar-al-Horra.

 

A paragem nessa praça, com gente simpática, vai permitir, não só sentir a força e o espírito de Granada, mas também refrescar o corpo para a subida até S. Nicolás, o miradouro de excelência para o Alhambra e para a Serra Nevada.

 

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