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Fonte da Imagem: https://ultimaker.com/en/stories/43969-volkswagen-autoeuropa-maximizing-production-efficiency-with-3d-printed-tools-jigs-and-fixtures

 

Trabalhar na Autoeuropa passou a significar que estamos perante uma elite de desgraçados que trabalham numa das empresas com um salário médio acima, e passo a redundância, da média nacional - também tenho noção que, como empresa que é, tem os seus problemas e não é um local perfeito.

 

Trabalhar aos Sábados, aliás, alguns Sábados, e receber várias compensações por isso já é mau... Afinal, nem todos têm uma vida regalada como outros indivíduos que não sabem durantes meses o que é um fim-de-semana e se desdobram em tentar encontrar quem lhes tome conta dos filhos porque simplesmente não podem pagar a creche dos mesmos - porque o salário mal dá para viver e porque não existem benefícios quaisquer associados ao trabalho ao fim de semana e, em alguns casos, até por turnos - não estou com isto a defender que pelo facto de alguns serem altamente explorados os outros também tenham de ser.

 

Esses e outros regalados trabalhadores, que aturam, sobretudo na margem sul e não só, a estupidez daqueles que não querem abdicar do fim de semana e descarregam nestes as frustrações da semana, deverão agora, através dos seus impostos, apoiar os pobres trabalhadores da Autoeuropa. Eu acho bem, que isto de trabalhar fins de semana sem compensação não é para todos, só para privilegiados! Não vou culpar a administração da Autoeuropa - fosse eu o CEO da mesma e concordava imediatamente com a decisão, além de que a meta desta passa por atingir os objectivos de produção e manter a sobrevivência de milhares de pessoas ... No entanto, porque é que os portugueses têm de pagar mais um luxo (pois já pagam muitos, sobretudo no sector público) a trabalhadores do sector privado que decidiram que trabalhar ao Sábado é crime! É crime e uma falta de respeito pela vida familiar... Pelo menos até os Sábados serem pagos a dobrar e a triplicar e trazerem também outras regalias... Aí deixa de ser penoso...

 

Porquê esta cedência do Governo, mesmo que nos digam que é uma prática normal - que afinal não é assim tão comum? E porquê mais uma temática em que o comentador do reino, vulgo Presidente da República, procurou fugir... Há assuntos que incomodam Marcelo... E cada vez são mais, já não é só o Grupo Espírito Santo e Angola.

 

Sempre me ensinaram que o papel dos Estados é fomentar o investimento, não é garantir a sobrevivência eterna das empresas, ou de sindicatos com interesses que não passam pela manutenção do tecido empresarial nacional - Será que deveria ter tirado um curso na Universidade Pyongyang? Deste modo também podemos falar de captação de investimento, todavia, fazer as reformas estruturais é um assunto que teima em não ver a luz do dia, até lá, vão-se esbanjando os impostos dos contribuintes a troco de votos e interesses partidários. Depois da Azambuja, vislumbro o fecho de Palmela, e honestamente, é talvez algo que a administração da AutoEuropa deva começar a pensar, talvez após isso e com níveis de desemprego assustadores na região de Setúbal, já por si fragilizada, muitos possam perceber que o mundo está a mudar e 10 milhões não têm de se sacrificar só para que alguns mantenham privilégios que não lembram a ninguém!

 

Em relação à classe política... Pense-se mais no país e menos em votos... Em relação a este povo... Pense-se mais nos problemas estruturais e menos nos decotes das meninas da Fórmula 1.

 

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 Fonte: http://www.brostrick.com/celebrity-news/movies-reviews/best-goodfellas-quotes-and-gifs/

 

Andava-se pelo apogeu do Programa de Estágios Profissionais na Admnistração Local (PEPAL), tinha acabado o curso e havia passado por um estágio não remunerado numa instituição pública. Entre outros empregos lá me candidatei a alguns estágios PEPAL. Estes estágios eram sobretudo em Câmaras Municipais, como o próprio nome indica. Eu gosto de lhes chamar os estágios EPAL, porque só metem água, uma piada mal conseguida, eu sei.

 

O primeiro foi numa Câmara da margem sul do Tejo. Um bom Curriculum Vitae (CV) e uma entrevista com três senhoras, entre elas a Vice-Presidente da Câmara, que fizeram o frete de me ter ali para cumprir calendário, aliás, a mim e a outros. Acredito que aqui terei boicotado a minha contratação, afinal disse que o concelho que se queria aproximar de Lisboa precisava de intervenções profundas, sobretudo ao nível das mentalidades e em promoção, caso contrário continuaria fora do mapa. Até apresentei ideias, mas sempre com gargalhadas e comentários "ahahah fora do mapa, enfim" a ecoarem pela sala.

Nem fiquei mal colocado, fiquei entre os cinco primeiros, mas com aquelas médias em que um CV fraco tem uma entrevista tão boa que dos lugares de baixo rapidamente contorna os outros todos... Quem já esteve em concursos públicos viciados, percebe o que digo. E sim, talvez me tenha excedido... É que dizer a um político, cuja câmara é vizinha da capital, que o seu município não está no mapa... E será que uma das senhoras, algo matrafona, terá reparado que quando a vi, a minha primeira expressão foi de susto?

 

Mais tarde as coisas mudaram, pois existiam muitas impuganções, e já começámos a ver concursos em que se contratava um Engenheiro Civil, mas com a condição de ter tirado um curso de cozinha na escola "Y" e um outro curso de decorador de interiores na escola "X", sem esquecer alguns anos de experiência no sector público. Assim seria mais justo... Afinal, pessoas com este leque de qualificações não faltam.  

 

Um outro entre uns cinco concursos, dos outros desisti depois de perceber que era tempo perdido, foi num munícipio ribatejano. Uma excelente avaliação curricular, uma entrevista que correu muito bem e mais de dois meses para receber a tão desejada resposta. Contacto daqui, contacto dali... Consegui finalmente falar com uma das pessoas (por sinal, a que tinha menos peso na hierarquia) que se lembrou imediatamente de mim - ah, o "Robinson"! - e focou que não me haviam esquecido e que eu até tinha sido a pessoa que mais tinha agradado mas que "você sabe, estas coisas, mas gostamos tanto de si, mas nestas coisas, você sabe não é?". A partir desse dia nunca mais me candidatei a qualquer concurso público, mais tarde percebi que também não tinha perfil para trabalhar no sector, e como diz o povo, acabam por existir males que nos chegam por bem.

 

P.S: Menti! Também me candidatei a uma instituição pública (em Évora) sim, mas por candidatura espontânea (ainda sabem o que é?) e até fui chamado e escolhido. Escolhido até me terem dito que não existiam os fundos necessários. Semanas mais tarde surgia um anúncio para a posição, mas a solicitar competências e habilitações que nada tinham a ver com a mesma... A título de exemplo, uma espécie de posição para jardineiro, mas com a obrigatoriedade de ter um curso de enfermagem. Ah! E também fui a uma entrevista na TAP (um concurso que me haviam dito já estar fechado mas mesmo assim lá fui) mas depois de ver tantos pilotos e outros funcionários a entrarem a espaços nas salas onde decorria o recrutamento acabei por desistir também... E não digam que sou má pessoa, até dei boleia a uma menina que queria ir para a Gare do Oriente e que, por sinal, era namorada de um cavalheiro que era... piloto. Nada contra a menina, até me pareceu boa pessoa. Era uma menina muito aplicada e amigo do próximo pois até me disse que tinha manuais de procedimentos e processos relativos à posição para a qual se estava a candidatar e que me dispensava os mesmos se eu desejasse...

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O Grande Inspirador de Marcelo!

por Robinson Kanes, em 21.11.17

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Marcelo não fugiu à tradição e lá tratou de condecorar, mal chegou a Belém, os amigos e talvez aqueles que foram sustentando a sua presença por aí, uma espécie de pagamento por muitos almoços. Todavia, Marcelo Rebelo de Sousa esqueceu-se de condecorar o seu grande mentor e precursor na arte de aparecer a todo o custo em todo os lugares mesmo que seja para trazer uma mão cheia de nada: o emplastro! E convenhamos, até o emplastro é cata-vento, pois não aparece só nos jogos do Futebol Clube do Porto. Estranhamente, condecora futebolistas mas não condecora heróis que salvam um país das chamas, não condecora tantos outros anónimos quando se diz o Presidente de todos os portugueses, discurso esse que, mais recentemente, foi alterado para os portugueses (os que nele votam) e os distraidos (os que nele não votam) ...

 

Acredito, no entanto, que a "Ordem do Mérito" tem de ser atribuida ao "emplastro". E porquê? Sobretudo porque está a nascer mais uma profissão com grande futuro. Claramente não podemos apelidar a mesma de "emplastrista", como muitos já fizeram. Não é "fashion" e não gera "likes". Que tal "Show Off Segment Leader" ou "Selfie Key Account Manager"?

 

Esta actividade está tão desenvolvida que até já existem duas vertentes interessantes: o que vive de se mostrar ao lado dos outros e o que vive de aparecer ao lado dos outros, há diferenças. O primeiro é uma espécie de "Senior Show Off Leader" ou então "Head of Selfie Sticks" o outro é... Enfim, eu sei o nome que lhe posso chamar em inglês mas prefiro não o fazer.

 

O primeiro é aquele que, mesmo involuntariamente, é perseguido por tudo e por todos para tirar uma "selfie". Estamos perante uma espécie de pai natal dos centros comerciais em que as crianças fazem fila para aparecer e consequentemente serem fotografadas ao lado do mesmo. O objectivo das crianças? Uma foto com o pai natal! O objectivo dos adultos? Tirar uma fotografia junto àquele indivíduo e passar a mensagem de que "também" se é importante, mesmo que na verdade não se passe de um lambe-botas aproveitador que não mostra trabalho mas mostra um sorriso ao lado de alguém conhecido. Já estou a pensar em inventar para mim uma personagem - vou fingir-me de indivíduo que fez fortuna a vender espinhas de perca na Tanzânia e que tem agora um negócio de gindungo no Lesoto. Até aqui é simples, paga-se uma campanha, apareço nos locais certos, isto será o que me vai custar menos, depois basta aparecer e começar a cobrar por cada fotografia com a minha pessoa! É preciso financiar a actividade, ao contrário de muitos, o Robinson não é apologista de um "Estado Papá". Alpinistas não faltam. Ainda vou ter um "pivot", imparcial e de Telejornal de canal generalista, a apelar que votem um dia em mim para Presidente da República. Será isso ou uma pequena questão de tempo até alguém dizer que sou eu o padrinho dos portugueses. Não se admirem, existem jornalistas  que o fizeram, todavia, não será de admirar quando também fizeram, e fazem, a apologia de um indivíduo, já falecido, que enganou um sem número de pessoas com empresas fachada.

 

Não esqueçamos o segundo: este é o que aparece sempre junto aos outros, aquele que precisa de estar sempre rodeado de alguém. Existem indivíduos que passam os dias em conferências, seminários, encontros da terceira idade, matinés dançantes, torneios de xinquilho e jogos de futebol das distritais a tirar fotografias. De dois em dois minutos lá vem uma fotografia no palco das redes socias, fotografias tiradas nas piscinas municipais de Cabeceiras de Basto ou na mercearia "O Emigrante" em Virtudes. Convenhamos que isto tem de ser lucrativo, caso contrário estariam a desenvolver outra actividade ou a trabalhar. Estes são uma espécie de Chief Executive Officer (CEO) de uma indústria de papalvos que, ou aparece enquanto outros fazem aquilo que estes dizem fazer, ou vivem somente disso mesmo, de aparecer. E convenhamos, quando aparecemos muito, podemos dizer tudo e mais alguma coisa que somos sempre levados a sério, mesmo quando num dia dizemos uma coisa e no outro o seu contrário. Até no LinkedIn já existem especialistas em... LinkedIn. Estes debitam fotografias com este e com aquele e recomendam os outros a fazer o mesmo de modo a serem atractivos para o mercado... Reparem que não escrevi mercado de trabalho por achar que o conceito de "trabalho" não entra na equação.

 

Entretanto, Lili Caneças e Jô Caneças celebraram já um cessar-fogo temporário pois contam formar uma união para manifestarem o seu descontentamento por aquilo a que acusam de abuso do poder presidencial, posto que a Constituição não permite que o Presidente da República apareça em mais de 5 publicações semanais da chamada imprensa "cor-de-rosa" e em mais de 1500 fotografias ao lado de alguém. 

 

Convidámos tanta gente inútil para estar na "Web Summit" (felizmente por lá passaram também indivíduos de destaque) que nos esquecemos de convidar o "emplastro", pois é ele o grande guru de uma das profissões mais lucrativas em Portugal e bem mais rentável que o "robot Sophia". Aliás, seguidores do "aparecer" não faltaram também neste evento, onde muita gente saiu de lá com selfies mas poucos com ideias... E as boas ideias até andaram por lá...

 

 Fonte das Imagens:

Imagem 01: Semanário Sol

Imagem 02: https://static.noticiasaominuto.com/stockimages/1920/naom_52f68835adf8f.jpg 

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Recursos Humanos: "Jobs for the Boys".

por Robinson Kanes, em 07.11.17

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Fonte da Imagem: http://www.npr.org/2016/11/15/502250244/to-make-the-godfather-his-way-francis-ford-coppola-waged-a-studio-battle

 

 

Deve ter cuidado. Ser um homem honesto é perigoso. 

Mario Puzo, in "O Padrinho"

 

 

Há muito tempo, remeti esta carta a um Director de Recursos Humanos para Portugal de uma multinacional:

 

Bom dia, Estimado C.,

 

Espero que este meu email o encontre bem, e escrevo em português porque sei que domina a língua como ninguém. Poderia fazê-lo em francês, mas porque não utilizar a língua do país em que está.

 

Este meu email,vem no seguimento de uma apresentação que vi sua onde mostrou a importância de detectar talento na "X" e a sua visão sobre essa área, gostei imenso da parte da "servidão" em relação à chefia, sobretudo porque sempre tive uma relação aberta com as minhas chefias e isso sempre foi interessante, não fossem muitas delas estrangeiras. Mas enfim, os portugueses gostam de servos e aí eu não me encaixo.

 

Espero também que o rigor de recrutamento da "X" seja esse que aponta. Sabe, não sou adepto do networking e muito menos do personal branding e se tenho LinkedIn foi porque começou como trabalho e lá foi ficando. Para mim não, mas entendo a importância que as redes sociais têm em termos de mercado, talvez por isso as trabalhe, mas não me deixe contagiar, sim não tenho uma vida propriamente feliz para lá expor. Digamos que networking em termos de RH é o novo nome para "cunha/compadrio" espero que perceba o que digo. Perdoe-me, mas sou daqueles que acredita no trabalho e mais do que em competências técnicas (muitas vezes empoladas), acredita nas competências "soft" ou se quiser "sociais".

 

Sim, também já me candidatei várias vezes à "X" via "black hole" dos HR, o recrutamento online por candidatura espontânea, ou seja, aquele em que acreditamos que um dia alguém vai olhar para a nossa candidatura mas... "nunca" olha.

 

A minha questão é simples: não sendo adepto de networking pessoal, nem de grandes favores deste e daquele, como é que é possível nos dias de hoje ser reconhecido no mercado de trabalho? Sobretudo porque já poderia ter um CV ainda melhor se tivesse cedido à tentação dos favores.

 

Espero também, que nessa sua leitura, os seus colaboradores também um dia possam olhar para o meu CV e dizer: "bem, este indivíduo merece pelo menos uma oportunidade".

 

Um Abraço,

 

"Robinson Kanes"

 

 

A verdade é que tive uma resposta bastanto positiva, pois o C. respondeu-me e pediu-me uma data e hora para agendarmos uma reunião. Todavia, o C. copiou o responsável de recrutamento daquela organização, a típica chefia intermédia portuguesa. A partir desse ponto as coisas alteraram-se, a resposta tardou e só foi obtida com o seguimento que fiz a posteriori. Dois dias depois, pelas 14h, recebo finalmente um email do responsável de recrutamento que me faculta um número de telemóvel e me pede para falarmos às 15h... Deduzi que a reunião presencial ficara sem efeito e que quem estava ao comando era agora o indivíduo que me contactava e assim com aquele espaço temporal, varria a situação para debaixo do tapete. Aliás, a forma como agendou o contacto era claramente para boicotar a reunião. Por sinal, acedi ao email antes das 15h. Vamos chamar-lhe E.

 

O E., estava no perfil de LinkedIn como se tendo formado numa área e ter começado a carreira pela porta grande numa outra totalmente diferente. Confesso que pensei de imediato que iria falar com a pessoa errada, e assim foi... Estas coisas cheiram-se.

 

Perante as minhas questões a resposta que obtive foi "oh Robinson desculpe, eu recebo muitos CV por dia, acho que tenho tempo para ler algum? Agora só referências ou contactos, não tenho tempo para ver CV e alguém com a experiência que você já tem se não o fizer ninguém o chama". Sempre pensei que o screening fosse uma das principais funções de um recrutador, mas pelos vistos não, as relações públicas (privadas?) são agora uma das suas mais extensas funções. Mas este indivíduo foi mais longe: "o mercado é assim, ou você se adapta ou já era, sem contactos que o coloquem aqui e acolá nunca vai arranjar emprego. Tem de pensar que os amigos são quem melhor o conhece e melhor o pode ajudar" ou então pode sempre abordar no LinkedIn e pedir-me! Muitos não fazem isso, mas eu faço muito, vejo os contactos que a pessoa tem também e nunca se sabe".

 

Finalmente, questionei: "então e as ofertas que colocam no V/site?". A resposta foi de que não havia tempo para olhar para as mesmas. Ainda pensei porque é que se faziam campanhas para atrair talento para aquela organização (até porque a mesma se gaba da transparência e por ser óptima a atrair talento), mas apercebi-me que estava a falar com um corrupto e não iria mudar a opinião do mesmo.

 

A conversa ficou por ali, até porque o E. já tinha em mente dar um salto para uma outra organização empresarial, algo que acabei por saber semanas depois. A verdade é que desisti daquela conversa, era uma luta que não faria sentido, pelo que, optei por boicotar as marcas vendidas pela organização. Vem este texto bem a propósito de mais uma recente notícia em que o interesse, neste caso do país, é posto em causa, quando os amigos são os preferidos para ocupar cargos de responsabilidade, e assim vai a ANPC (Autoridade Nacional de Protecção Civil).

 

Lembram-se da carta aberta que enviei a um director-geral de uma empresa de recursos humanos? Tive resposta. Uma resposta cordial, acompanhada com um pedido de desculpas (corporativo e pessoal) e com uma promessa do próprio em iniciar uma investigação interna para detectar estas más práticas que, segundo o mesmo, não vão de modo nenhum ao encontro do que é defendido na organização. Por motivos óbvios, não colocarei aqui a resposta completa sob pena de deixar transparecer a organização em causa.

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 Fonte da Imagem: https://www.moviepitcher.com/what-is-a-good-pitch/

 

Caro A.,

 

Espero que esta email o encontre muito bem (sim, o email foi enviado hoje mesmo).

 

Após ter recebido o vosso email a solicitar que, mais uma vez, colocasse os meus dados na vossa base de dados, admito que não fui capaz de conter algo que já me tem vindo a consumir há muito...

 

Da M. tenho a dizer o pior, talvez por isso, quando poderia ter sido vosso cliente não o fui e um dia lá voltarei e colocarei no lixo o cartão que um dia me enviou com uma pomposa carta a apresentar os seus serviços, posso garantir-lhe. Questionar-se-á do porquê desta minha afirmação, vejamos com alguns exemplos:

 

Sempre que vos contacto nunca obtenho qualquer resposta, mesmo quando são posições em que me encaixo - regra basilar, nunca se deixa um cliente sem resposta mesmo que o contactemos só para afirmar que temos muita gente na nossa base de dados que até cedemos pontualmente. Mas não fiquemos por aqui, já estive nas vossas instalações por uma vez, onde um consultor (e pelo discurso autoritário que usava a falar dos outros colegas, acredito que ambiciona uma posição de chefia na vossa organização - embora tenha de corrigir a postura) efectuou uma entrevista exploratória, por certo para cumprir os objectivos. Fui incitado a candidatar-me sempre, mas... Sempre que contactado, nunca tive qualquer retorno. Espero também que internamente informe esse colaborador de que a chefia não é ele... É um discurso deveras deselegante.

 

Tenho exemplos, bem perto da minha pessoa, que atestam o ridículo a que Vossas Excelências se sujeitam: uma das vossas consultoras (uma júnior, também com grande ambição, pelo menos a arrogância de má chefia já tem), chama um sénior com nome no mercado, mas que não chegou pela via do networking. Sei que actualmente alguém que seja realmente bom e não peça emprego a este e àquele não vale nada, nomeadamente face àquele que se poupa a isso e mais que garantir que faz um bom trabalho, procura garantir uma boa rede de amigos, perdão contactos, que o vão colocando aqui e acolá, mesmo que seja um inútil incompetente e que ande sempre a saltar até encontrar um lugar onde goze de impunidade ou encaixe numa organização tão "standardizada" que os processos disfarçam a incompetência... Acredito que foi isso que a mesma pensou ao mostrar alguma arrogância e que, perante um CV brilhante, se dá ao luxo de não apontar o mesmo salientando que o "forte deste" eram as línguas e menosprezar a procura de emprego sem ser por via dos abençoados contactos... Esse indivíduo é responsável hoje pelo recrutamento e recusa trabalhar convosco. 

 

Também me parece de mau tom, depois de ignorar um CV durante meses não dando retorno ao candidato que, de repente, com o candidato no estrangeiro, um consultor contacte o profissional (também sénior) e lhe peça com toda a urgência para falarem. Estando em viagem, o mesmo pediu um dia e eis que... Esse dia nunca mais veio porque o consultor desapareceu do mapa. Isto não é profissionalismo e, mesmo com grandes volumes de trabalho, não pode acontecer. Também esse sénior explora, entre outras, a área dos recursos humanos e não trabalha convosco. O que o vosso consultor não sabe, é que para a posição que o mesmo desesperadamente queria contratar, essa mesma pessoa foi contratada por uma Vossa concorrente e não muito longe de vós. Escusado será dizer-lhe que vão perder um cliente em breve...

 

Mais recentemente, uma candidatura foi por vós ignorada. Depois de "mil e uma" tentativas de contacto com o consultor, este responde que a pessoa não reúne o perfil indicado. Segundo o anúncio publicado, tudo apontava para pelo menos merecer um contacto, mas a Vossa arrogância e falta de nível dos vossos "profissionais" ultrapassa tudo. Esse indivíduo, com nome na praça (não na praça do LinkedIn ou dos seminários vazios de conteúdo, mas das multinacionais de topo) pediu imediatamente a retirada dos dados pessoais da V/base de dados. Mas o pior estaria para vir, pois semanas mais tarde voltou a ser contactado (por outro consultor, igualmente desesperado - penso que seja importante reverem esta parte, dão muito nas vistas quando o vosso cliente não quer os vossos candidatos e vos obriga a procurar aqueles que provavelmente não são amigos dos consultores). O contacto era para essa mesma posição - o desespero era tal que até os dados que anteriormente haviam sido confidenciais foram revelados ao candidato. Recordem também, que já tinha sido pedida a eliminação dos dados, isso incorre numa situação grave. Contudo, a pessoa em causa acedeu em enviar o CV e disponibilizar-se para uma entrevista, mesmo sem tempo para tal e após ter mencionado o vosso flop. A verdade é que na M. devem trabalhar fantasmas, que desaparecem, que ficam incontactáveis por email, telefone ou até telemóvel... O vosso Consultor simplesmente desapareceu do mapa. Eu teria vergonha de ter uma equipa assim, deduzo que seja a mão-de-obra barata a causar isto ou a má selecção de candidatos (estranho, numa organização que recruta para outros)... Dirão que é cultural e a minha formação e experiência não vão por aí... Também é cultural o real desleixo nacional e o desenrasque... Vejam onde estivemos e estamos com este período de crise, é cultural... Mas querer continuar estúpido não é cultural em país nenhum do mundo. 

 

Portugal é um país pequeno onde tudo se sabe, até os favores que são prestados a amigos (não é novo, nem tem de ser grave, mas existem situações que ultrapassam tudo) e na M. não faltam esse tipo de procedimentos em alguns dos consultores, prejudicando claramente os clientes! Por este e por outros motivos A., só me apraz dizer que não acredito minimamente neste email que, para mim, não passa de marketing que não tem expressão na realidade. Infelizmente, e talvez por orgulho, não peço nem nunca pedirei trabalho a ninguém e talvez seja isso que me faz continuar no mercado à procura... Talvez ainda não tenha encontrado esse emprego, mas orgulho-me de viver e poder ser transparente, pois será isso que me garantirá ter imparcialidade e profissionalismo de modo a pautar a minha actuação com a maior competência e sem interferências ou pressões que prejudicam a minha organização ou os clientes da mesma. E lamento informar, mas não estou desesperado à procura de emprego... E o A. e os seus consultores?

 

Com os Melhores Cumprimentos,

"Robinson Kanes"

 

P.S: não é raro, e aqui não é só a M., ver indivíduos que pouco ou nada fazem nas organizações onde estão (ou melhor, fazem sobretudo no smartphone e nas redes sociais a dinamizar contactos) a assumirem claramente que basta contactar ou esperar que o consultor amigo os contacte com uma oferta (alguns gabam-se diariamente disso)... Os outros enviam CV, porque têm de trabalhar e porque têm ética e honra, mas esses caem no "black hole" dos recursos humanos e não têm margem para dedicar 90% do seu tempo ao networking e 10% ao trabalho. São esses que eu procuro, são esses que me dão garantias de fazer um bom trabalho... 

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https-::ofpof.com:merak:meslekten-sogutan-musteri-

Fonte da Imagem: https-//ofpof.com/merak/meslekten-sogutan-musteri-tipleri

(artigo publicado originalmente a 13/10/2016, hoje reeditado, após a constante leitura, sobretudo na blogosfera, de autênticos ataques a quem trabalha, por norma, por pessoas que atrás de um monitor descarregam a sua frustração nos outros com o "patrocinio" do "Sapo", tentando sobrepor-se e colocar-se em "bicos de pés face" àqueles que acrescentam algo na sociedade. Como na sociedade, também na blogosfera também nas redes sociais temos o comportamento provinciano que dá grande sentido à expressão popular "não sirvas a quem serviu, nem peças a quem pediu").

 

 

Em Portugal existem algumas elites que, em meu entender, merecem um forte agradecimento - um agradecimento que vai para além do reconhecimento por intermédio de falsas manobras publicitárias.

 

Refiro-me aos políticos, aos directores de grandes empresas, àquele amigo que nos arranjou um bom trabalho mesmo sem termos competências para o mesmo, aos futebolistas, àqueles bloggers que se querem julgar mais que os outros seres da sociedade? Não! As personagens desta peça são outras.

 

Prefiro mencionar os empregados de mesa, os empregados de limpeza (inclui aqueles senhores que nos limpam os vidros e aquelas senhoras que aguentam a nossa falta de higiene e cuidado quando almoçamos no shopping, por muito que passemos a mensagem de que somos todos limpinhos...), as pessoas que nos limpam as ruas e os operacionais de super e hipermercados e que dão o melhor de si para que a nossa vida seja mais agradável e sem percalços.

 

Dirão: “e? Isso qualquer um faz!”. É um facto, então porque não fazem vocês? Direi eu... E se eu vos disser (imaginemos que a alguns bloggers, utilizando esta comunidade como exemplo) que o "texto" que têm nos destaques não vale rigorosamente nada e revela um sentimento de inferioridade atroz camuflado por uma necessidade de se colocar em bicos de pés perante quem não se pode defender? Lamento, ser blogger não é diferente de limpar uma retrete... Lamento mesmo e mais uma vez, não... Não somos assim tão importantes. 

 

Já tive oportunidade de viajar , de conhecer diferentes abordagens e perceber que, se não temos os melhores empregados de mesa do mundo e talvez o melhor atendimento ao cliente nas grandes superfícies não andamos muito longe da perfeição. Não vou nomear cidades europeias nem fora da Europa sob pena de ser injusto com muito boa gente que também dá o seu melhor além fronteiras.

 

Mas o paradoxo atinge o seu expoente máximo de... estupidez (perdoem-me o termo) quando “desancamos” (inclusive online) aquele simpático senhor que nos serviu um saboroso café, mas por lapso lá se esqueceu da colher ou porque trouxe o pacote de açúcar e nós nem tomamos o café com açúcar. No entanto, elogiamos (porque aí já é no estrangeiro) aquele antipático senhor que nos atirou um prato para cima da mesa, não se esforçou em compreender a nossa língua, não nos cumprimentou, ficou de mão estendida à espera de gratificação e ainda nos tratou com algum desprezo . Não fica bem dizer que as coisas correm mal quando estamos fora do nosso país, porque é importante ter uma história fascinante para contar.

 

O reconhecimento necessita de ter a sua origem no cliente, que insiste em não reconhecer muitos destes trabalhadores. Isso pode ser até um grande passo para o reconhecimento por parte dos líderes das organizações empresariais. E não basta espalhar com palavras e textos vagos que temos admiração pela pessoa que trabalha muito e só aufere €550.00 por mês. Vamos lá, até a "Miss Universo" consegue melhor e com sorte ainda são os impostos desses €550.00 que permitem a muitos estar aqui a escrever.

 

A grande maioria não é a mais bem remunerada, mas mesmo assim têm uma capacidade de sorrir e de nos envolver emocionalmente no processo de compra . Sejamos honestos, sorrisos e um total envolvimento não é muito comum.

 

Atentemos nos indivíduos que, por vezes até auferem um vencimento superior e ocupam posições com maior destaque mas que, ao invés do título de assistente de loja ou vendedor, têm o de Sales Assistant ou Account Manager - neste campo existem centenas de exemplos que poderia mencionar, sobretudo de supervisores e directores incapazes de resolver situações perante o cliente e que só são devidamente soluccionadas pelo colaborador da linha da frente - o soldado raso que dá o corpo às balas, utilizando aqui uma metáfora militar.

  

Importa não ver estes indivíduos como sacos de boxe como muitas vezes tenho presenciado – discussões inúteis, desprezo, sobranceria e até um assustador sentimento de superioridade (ou melhor, vontade de) em relação a estes - esquecemos que são pessoas e cujo trabalho muitas vezes até é bem mais honroso que o nosso e não podemos descurar que operacionalmente fazem um esforço que muitos de nós não faríamos... ou não conseguiríamos. E lá diz o povo novamente: "não peças a quem pediu, nem sirvas a quem serviu". Permitam-me também usufruir da minha liberdade e defender-me (suportado em Orwell) dizendo que "se a liberdade significa alguma coisa, será sobretudo o direito de dizer às outras pessoas o que elas não querem ouvir".  

 

Eles estão a fazer o trabalho que lhes compete? Sim, mas também elogiamos um médico quando ele nos avalia e nos receita uns comprimidos para a nossa doença - afinal também é pago para isso a não ser que se trate de um espécie de João Semana.

 

Da próxima vez que a nossa postura seja a de estar mal com a vida, estar mal connosco próprios ou questionarmos o porquê de termos sido castigados pelos deuses tal qual Sísifo, vamos agradecer e elogiar aqueles que nos servem com um sorriso no rosto e, mesmo perante o nosso estado depressivo ou agressivo, vão servir-nos aquele fantástico Bacalhau com Natas. Aquele bacalhau que nos vai fazer tão bem depois de uma manhã em que a vontade de enfrentar um processo judicial por ter eliminado alguém da face da terra nunca esteve tão presente. Ninguém tem de adivinhar se uma "coca-cola" ou "ice-tea" é com limão ou sem limão. Meus caros, vocês não são a Rainha de Inglaterra... Eu sei que gostariam de ser, mas não são e também não têm valores nem classe para o ser. Talvez sejam vocês, que se tiverem chefias ou clientes que criticam o vosso trabalho, não lidam bem com a crítica e acumulam frustração atrás de frustação.

 

Os mais casmurros dirão, como o fez Ehrenreich numa visão mais individualista, que agradecer, por exemplo, pode ser algo egoísta em prol do nosso próprio bem-estar. A resposta, nesse âmbito, é simples: se o nosso bem-estar gerar o bem-estar de outrem, porque não? A força maior está naquilo que Robert Emmons defende, ou seja, que a gratidão assenta no facto de reconhecermos a nossa ligação ou até mesmo dependência em relação a alguém ou ao trabalho desse alguém. Esse talvez seja um exercício difícil para quem quer ser ouvido, mas não quer ouvir, preferindo assim o debitar de alarvidades. Além disso, dizer bem não pode ser só quando queremos algo de quem dizemos bem ou somos pagos para o fazer.

 

Mas a senhora da limpeza hoje estava de mau humor! Soa a cliché, mas a resposta óbvia é: comportamento gera comportamento e sempre somos humanos... temos emoções. No dia em que todos esquecermos isso então já não podemos falar em Humanidade e será absolutamente necessário partir no encalço de um novo conceito.

 

 

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Na Vanguarda da Indústria 4.0

por Robinson Kanes, em 16.08.17

 

Captura de ecrã 2017-07-25 às 185840-2.jpg

 

Fonte da Imagem: indeed.pt

Captura e Edição da Imagem: Própria

 

 

Perante a entrada na "4ª Revolução Industrial" ou  "Indústria 4.0" (agora convecionou-se chamar as novidades ou as mudanças sociais desta forma como se toda e qualquer alteração ou evolução fosse uma nova versão de software) existem organizações que já se assumem como seguidoras do novo modelo. Algumas até já procuram autênticas máquinas e cyborgs, contudo, ainda 100% humanos... O futuro está aí e existem organizações que já estão na vanguarda.

 

P.S: não sei se foi uma máquina que escreveu, eu sugeriria "admitem-se máquinas".

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A Falta de Nível de um Consultor de RH...

por Robinson Kanes, em 13.07.17

 

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 Fonte da Imagem: https://onepeterfive.com/francis-references-the-dubia-some-see-only-black-white/ 

 

Ontem, enquanto celebrava o novo emprego de um amigo, eis que sou confrontado com a seguinte história e que dispensa quaisquer comentários da minha parte a não ser que existem pessoas que deveriam ser proíbidas de trabalhar com pessoas e, para além disso, o perigo que as "cunhas" e a falta de soft skills de um ou mais colaboradores podem ter numa organização e, sobretudo neste caso, nas organizações a quem prestam serviços.

 

Escritório de uma multinacional, o Frederico (nome fictício) recebe uma chamada:

 

-Estou, daqui é o Andrade da Mike & Recruitment (nome fictício, e os Andrades que não me levem a mal por ter escolhido este nome para tal personagem), queria falar consigo porque ainda não me pagou o valor da sua substituição.

 

Vejamos: o Frederico (que trabalha nas compras) foi contactado pelo consultor responsável pela sua contratação há oito meses. Esse mesmo consultor, que agora tem em mãos o recrutamento do novo indivíduo contacta a pessoa que vai ser substituída e solicita-lhe o pagamento de um serviço que ainda não foi concretizado. Começamos bem... 

 

O Frederico responde:

-Ouça lá Andrade, então mas você está-me a pedir o valor de um serviço que só é pago após a realização do mesmo? Além disso, dentro dos candidatos que você tem mandado nenhum se aproveita, alguns nem habiliações nem experiência têm e não foi isso que nós pedimos. Até já coloquei um anúncio num website de empregos e os candidatos são bem melhores.

 

O Andrade, um pouco atrapalhado mas sempre no estilo irritante-gingão muito característico de algumas personagens do corporate nacional, diz:

 

-Pois, tem razão. Pois é eh eh eh.... Olhe lá Frederico então e vai trabalhar para onde?

 

Vou trabalhar para a Carrega Paletes (nome fictício) - Responde o Frederico.

 

E num momento de magia, de toda e qualquer importância e... Ressabiamento, o Andrade atira com esta.

 

-Xiiiiii, epá para a Carrega Paletes? Eu sei que você vai para lá, mas aquilo é muito mau, eles são nossos clientes e não são nada bons pagadores. Xiiiiiiiii para onde você vai.

 

O resto da conversa pouco interessa, no entanto, penso que o Andrade ao invés de dar prioridade aos amigos no recrutamento, deveria ter em conta que NUNCA se diz mal de um cliente, sobretudo quando estamos perante dois clientes que talvez sejam dos que mais recrutam em Portugal (falta de nível, falta de profissionalismo ou falta de sentido de vendas?). Além disso, sendo que o Frederico trabalha e vai trabalhar na área das compras (como chefia), quer-me parecer que Mike & Recruitment vai ter um grande problema em voltar a ter a Carrega Paletes como cliente e, até com sorte, a actual organização do Frederico. Mas do Andrade existem mais histórias... Sobretudo no conluio que tem com um dos seus colegas de trabalho na contratação de uma rede de amigos que tem total prioridade, independentemente das habilitações e experiêcia, face a candidatos bem mais merecedores de uma oportunidade. Mas para isso estará lá o Frederico...

 

Boa sorte "Frederico" e obrigado pela permissão que me deste para partilhar esta história.

 

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As Férias de um Condenado….

por Robinson Kanes, em 05.07.17

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Andrea Mantegna - São Sebastião (Museu do Louvre)

Fonte da Imagem: Própria

 

Quem nunca reparou que na fauna lusitana, em certos territórios, sempre que alguém vai de férias é como se tivesse cometido um crime de lesa-pátria? Experimentem ir de férias fora dos meses de Julho e Agosto e preparem-se para sentirem na pele a dor e a ostracização laboral e agora social!

 

Independentemente da opinião que tenha do Primeiro Ministro de Portugal, esta abordagem não visa tecer juízos do mesmo, mas nomeadamente de uma situação em particular: as férias. Não vou também tecer comentários em relação ao timming em que as mesmas ocorreram mas sim à quase impossibilidade de muitos hoje tirarem férias sob pena de serem destruídos pelos colegas... Pelo menos até os colegas irem de férias... Será interessante perceber se, em Julho e Agosto, quando estivermos de papo para o ar a fritar e a tirar fotos aos pés com o mar em fundo( que é uma coisa sempre digna de ser ver) nos vamos lembrar que o Primeiro-Ministro vai estar a trabalhar...

 

Isto leva-me a muitas conversas que fui tendo com vários indivíduos, porque de facto, para muitos começa a tornar-se um pesadelo tirar férias! Para os outros, quando vamos de férias nunca é uma boa altura! Para alguns ir de férias é deixar o caminho aberto para que venha daí uma a duas semanas em que os colegas vão apontar as culpas de tudo o que possa correr mal ao ausente! Chegar das férias é outra tortura, pois temos que criar um processo defensivo de todos os ataques feitos naqueles dias. Confesso que nunca me deixei abalar por essa situação, no entanto, são cada vez mais os casos em que as pessoas se sentem culpadas por irem de férias!

 

Poderão existir várias explicações:

  • o nosso egoísmo e uma espécie de umbiguismo - "ai aquele malandro que foi de férias e agora tenho de levar com o trabalho dele" - no entanto, esquecemo-nos que também nós teremos de gozar férias e ao malandro calhará esse ónus.
  • a nossa herança de sermos "mulheres de soalheiro" - "aquele está sempre de férias, não faz nada todo o ano e nós ficamos aqui a trabalhar, mas deixa que eu digo-lhe, quando chegar que se amanhe".
  • a inveja - "olha agora, aquele vai de férias e eu aqui a trabalhar, não sei de onde é que vem o dinheiro".
  • maldade - "vai de férias e deixou tudo por fazer, deixa que quando o patrão souber. Olha diz ao X que ninguém sabe disso, liguem-lhe, está de férias que atenda".

Existem pessoas que entram em depressão por irem de férias! Honestamente, isso para mim de férias tem pouco. As férias fazem bem, ajudam-nos a desligar do trabalho de outras coisas que é necessário desligar! As férias promovem o convívio familiar, o tempo com amigos e além disso são (ou devem ser) uma fonte de bem estar e aprendizagem! A paragem faz falta e o retorno no bem-estar e na motivação é latente e consequentemente com impactes positivos no trabalho, sobretudo no trabalho em equipa... Em equipa...

 

E quem nunca foi de férias em Setembro e teve de ouvir o típico "outra vez", como se toda a gente fosse de férias em Julho e Agosto e aquele preguiçoso metesse mais uns dias em Setembro! Quem assim pensar, sugiro que procure um novo emprego, ou abra os olhos para o mundo. Tudo isto recorda-me aqueles indivíduos que não conseguem conceber que uma larga camada da população trabalha ao fim de semana e que o empregado de mesa (que lhes atura o mau feitio) ou o senhor do posto de combustível não estão ali por passatempo.

 

Bom trabalho, e se for caso disso, boas férias.

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 Fonte da Imagem: Própria.

 

Como vê a malta do bairro, iletrada e sem visão, a vida pública e o status quo? Permitam-nos, mas temos de sair cedo de casa e chegar tarde para auferir os 557 euros que conseguimos naquele trabalho onde fomos escolhidos pelo nosso mérito, pelo que, perdoem-nos algumas falhas. Nós não temos voz porque preferimos ficar agarrados aos nossos valores e não pretendemos ser “boa onda”.

 

O Exame Nacional de português não vai ser repetido. Dizem que serão encontrados os culpados. Digamos que é o mesmo que colocar um vídeo com conteúdo sexual da Kim Kardashian na internet e ao fim de um mês procurar encontrar todos aqueles que fizeram o download! Ao fazer isto, o Ministério da Educação, sim... O Ministério da Educação está a dizer aos futuros trabalhadores e líderes deste país que tudo é permitido desde que não se seja descoberto ou que o aparato seja tanto que não justifique uma intervenção radical. Liderar pelo exemplo diz-se muito por aí... Diz-se...

A malta do bairro dá os parabéns por estarmos a ensinar aos nossos jovens que o crime compensa! Depois admirem-se de se candidatarem a um concurso público e o selecionado ser da família de Carlos César e nem ter passado pelas provas que vocês passaram.

 

O Governo (este e muitos outros) tem sido um grande defensor da protecção civil... Não! Tem sido um grande defensor do SIRESP. Adquirir um sistema ao dobro do preço do espanhol, altamente falível e envolver alguns amigos que trabalham pro bono (sempre pro bono, como se existissem almoços grátis...) é o que está a dar... E o Tribunal de Contas até discordou, mas afinal quem é o Tribunal de Contas neste país? Uma espécie de Presidente da República que fala pouco, mas quando fala toca realmente na ferida, a diferença é que ninguém o ouve - dizem que não é afectuoso na abordagem - além disso, o debate sobre quem teve culpa nos fogos passou a assentar no SIRESP... Enquanto for o SIRESP não se pensam nos verdadeiros culpados. Mais uma vez, compram-se umas antenas e diz-se que as coisas estão a funcionar bem e problema resolvido...

 

Ainda a propósito de amigos e festa, parabéns pela mediocridade de um povo que vibra mais com flatulência do que com situações realmente sérias. E como é bom vê-los pelas ruas, pelo digital, pela rádio e pela televisão a usarem um termo como se sentissem alemães de Lubeck que acabaram de chegar às Canárias! Não foi só o Direito, os Esgotos, a corrupção e a Fábrica da Louça de Sacavém que herdámos do tempo dos Romanos, também foi o “Pão e o Circo”. Desde que nos sejam impingidas certas figuras a toda a hora e se passe a imagem de que é cool, estamos no caminho certo para gozar com a nossa própria cara, mas sem darmos por isso... Numa coisa um certo indivíduo tinha razão quando por outras palavras disse isto: "meus grandes palermas, vocês comem tudo o que vos dão, desde que meia-dúzia de pseudo-celebridades e jornalistas a soldo digam que eu sou cool".

 

 A conversa e imagens estupidificantes sobre flatulência revelam a inteligência de muito boa gente. A malta do bairro é iletrada, deve ser por isso que não compreende este aparato... Perdoem-nos, não andámos nas melhores escolas nem tivemos a melhor educação para alcançar tal patamar de inteligência!

 

Finalmente... Sempre gostámos dos concertos solidários. Faz-se um espectáculo que ajuda sempre à imagem dos artistas e todos pagamos a factura dos estragos mas não exigimos que os responsáveis pelos estragos se sentem numa sala de audiências. É uma espécie de juntar o útil ao agradável, senão veja-se: vamos cantar e dançar a um preço simpático, colocamos umas fotos para mostrar que lá estivemos e, além de sermos muito solidários, mostramos que somos malta muito vanguardista.... Além disso, o donativo é uma espécie de penitência pela nossa cegueira colectiva face aos principais assuntos da nação. É como queimar uma vela em Fátima ou deixar uns trocos na caixa das esmolas e nem procurarmos saber para onde vai o dinheiro. A intenção está lá e é o que importa! Estou redimido!

 

Agora a malta do bairro vai trabalhar, esta noite houve uma rusga e ninguém dormiu, o “Beto Mãozinhas” voltou a roubar duas laranjas da mercearia do “Inácio” e arrisca-se a ser condenado a uns bons anos na prisão. Bem lhe disse a mãe um dia: “vai à escola, não estudes muito, escolhe os amigos certos e depois aprende a estar na sociedade”. Soubesse o Beto quão sábias tinham sido aquelas palavras e nada disto teria acontecido... E logo o “Beto”, que não é capaz de dizer um palavrão sobre flatulência e sentir-se importante com isso... Coisa pouco inteligente...

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