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Uma Moca(ada) no João Quadros.

por Robinson Kanes, em 25.07.17

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Fonte da Imagem: https://static6.businessinsider.com/image/595bc1afd084cc817f8b6ac5-1454/snapshot20170704112537.jpg

Moca:

1. Cacete com uma maça na extremidade, clava, cacheira

2. Zombaria, mentirola, peta, coloquial tolice (Brasil)

3. Coloquia entorpecimento ou euforia induzida por drogas ou álcool, pedrada, ganza

4. Variedade arábica de café oriunda de Moca

5.Regionalismo estúpido, bruto (gosto desta)

6. De origem obscura.

moca in Dicionário infopédia da Língua Portuguesa com Acordo Ortográfico [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2017. [consult. 2017-07-24 17:41:28]. Disponível na Internet:

 

Confesso que escrevi este artigo sugestionado por um indivíduo que comentou o artigo de ontem e... Também porque me encontrava sem ideias, admito.

 

Um artigo recente de João Quadros fez um ataque cerrado ao ciclismo. Como não conheço o indivíduo em questão nem nunca li nada do mesmo, procurei saber algumas informações, pelo que os meus comentários cingir-se-ão ao artigo em si e não à pessoa, embora o mesmo o tenha feito em relação aos ciclistas. Também não vou fazer o discurso do "racismo", da "discriminação" e da "xenofobia" dizendo que toda uma classe se sente ofendida e repudia tais palavras.

 

Após ler o artigo, cheguei a pensar que o mesmo era humorístico, tendo em conta o passado do indivíduo que o escreveu. Contudo, comecei a perceber que de humorístico e sarcástico até tinha pouco e que exprimia um sentimento real. A ser humorístico, também é interessante perceber que até já no humor a ditadura do politicamente correcto impera e na incapacidade/medo para atacar desportos como o futebol, por exemplo,optou-se por atacar o ciclismo, que sempre é uma modalidade menos seguida e com adeptos mais contidos. Interessante para um ferrenho adepto de um clube de futebol (que até fez parte da comissão de honra de uma candidatura à presidência de um clube) e que um dia disse: " Prefiro destruir os poderosos do que pôr as pessoas a rirem-se da profunda tragédia dos outros". Falar dos podres futebolísticos em Portugal pode granjear-nos ódios que não queremos...

 

Também me quer parecer que um grande adepto do ciclismo não se cinge, nem procura cingir o escândalo do doping - que é passado - a Lance Armstrong. Armstrong foi sem dúvida um dos mais importantes, até pelos títulos que conquistou, mas admito que fiquei mais chocado com os testes positivos de Ivan Basso, Jan Ullrich, Vinokourov, Manuel Beltrán, Floyd Landis e de Alberto Contador! A par de José Azevedo eram as minhas estrelas! Lamento que alguém que se declarou um fervoroso adepto não tenha nomeado qualquer um destes. Até porque Armstrong sempre foi acusado de doping desde que ganhou o seu primeiro Tour, ou seja, já nem deveria ser novidade... Quem gosta de ciclismo e sempre foi adepto de Armstrong deveria saber...

 

Dizer que o doping trouxe um total descrédito ao ciclismo e que os ciclistas são um bando de drogados é no mínimo o ressentimento de alguém que nunca deve ter conseguido andar de bicicleta sem "rodinhas" (aqui sou eu a fazer humor). E os outros desportos, aqueles que o mesmo senhor tanto defende e tanto aprecia? Será até que João Quadros gosta de desporto? Pela imagem descontraída, demasiado descontraída (também podíamos fazer piadinhas de mau gosto), que apresenta no seu artigo de opinião acredito que goste, tem é um problema mal resolvido com o ciclismo. Sugiro a João Quadros que tome umas "drogas" como o mesmo lhe gosta de chamar e tente subir a Sra. da Graça, em Mondim de Basto ou o Alpe D'Huez - estranhei não ter mencionado esta subida quando tentou fazer a piada do triciclo para ursos. Será que João Quadros também sabe o ridículo que é utilizar animais num circo e que também são utilizadas "drogas"? Talvez não queira saber sob pena de se perderem alguns convites no Natal para ir ao circo no Parque das Nações.

 

Além disso, não sei que tipo de drogas conhece João Quadros, mas a utilização de drogas não passa somente pelo momento de pura explosão e loucura - a Eritropoietina (EPO) visa estimular o processo de Eritropoiese que não é mais que provocar o aumento de glóbulos vermelhos e com isso o rendimento do atleta. Não há "loucura"! Seria bom informar-se e perceber que também se pode apreciar a natureza sem estar drogado, sim é possível.

 

Uma outra nota, mas acerca de ciclismo:  esta modalidade vai para além das corridas de estrada, nem todos os ciclistas bebem muita água e não são só as farmacêuticas que produzem substâncias dopantes - que preconceito vindo de alguém tão esclarecido.

 

Também é interessante o foco do Sr. João Quadros no "Boom Festival" e o passar ao lado de outros festivais com "um festival de música", quando falou de consumo de drogas. Será que se referisse alguns festivais poderia ofender os patrocinadores, aqueles que lhe permitem trabalhar em media com dimensão nacional? Será que também o humor está "agarrado", entrando na linguagem cool do comentador, ao politicamente correcto, ao lobby e ao medo pouco rebelde de ser colocado na rua? Cada vez mais vejo que não é só a independência dos media que está em causa, mas também a do humor.

 

E porque ainda falamos de "drogas", porque foi interessante o modo como João Quadros ligou o doping ao estar "agarrado" à cocaina, que dizer de alguns mundos em que João Quadros se movimenta? Aliás, é o próprio que assume ter feito grandes negócios enquanto esteve na "tropa". Cinema, artes, cultura, televisão, futebol... São mundos isentos de drogas, eu vos garanto!

 

É interessante como hoje em dia somos politicamente correctos mas nos tentamos mostrar tão isentos e politicamente incorrectos que a maioria das pessoas até acredita que é verdade (uma das piores formas de manipulação)... Não podemos é cair no erro de procurar imediatamente a desonestidade que gerou um acto honesto, como diria Steinbeck. Por falar em desonestidade, esperava um artigo sobre a atitude de Peter Sagan para com Mark Cavendish - para alguém, como João Quadros, que passou pela área da gestão, mesmo que a correr, teria muito a dizer. Ainda por cima Cavendish de _ _ _ _ _ _ _ _ _ é a minha alcunha velocipédica...

 

Não é que João Quadros, tal como eu, tenha grande importância, mas quando as palavras fazem eco, temos de estar preparados para as consequências...

 

Este texto foi humorístico e politicamente correcto... Ou não... 

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Girolamo de Santa Croce - A Adoração do Menino (Gemäldegalerie Alte Meister)

Fonte da Imagem: Própria.

 

No seguimento do artigo de ontem, ao qual podem aceder aqui, e onde os contributos de muitos comentadores foram valiosíssimos, procurarei hoje ver as coisas de um outro ponto de vista, até porque a temática é complexa.

 

Foquemo-nos numa questão: porque é que não trabalhamos a questão da maternidade/paternidade, ou aliás, a impossibilidade da mesma no sentido de mentalização dos indivíduos para esse facto? Com isto não estou a dizer que não se desenvolvam demais abordagens. Porque é que o foco não passa por uma mentalização das pessoas para as suas limitações? Porque é que noutros campos vamos por aí e no caso da geração de um filho fugimos mais à questão?

 

É assim tão grave que um indivíduo conviva com o facto de não poder ter um filho? Dou um exemplo: são muitos os casos que conheci de pessoas que passaram pelos maiores martírios fisícos e psicológicos só para conseguirem ter um filho e muitas vezes por pura pressão social! Parece que nos tempos actuais é proibido dizer "não tenho filhos porque biologicamente não sou capaz e vivo bem com isso" e nem menciono aqueles que não os têm por opção. Porque é que não existe um trabalho desse lado e continua a impor-se uma lógica do "ter filhos a todo o custo". Será que se a abordagem fosse mais por aí teriamos tanta gente a investir dinheiro, anos de vida e um sem número de emoções para conseguir ter um filho? Alguém, aos comentários do artigo de ontem focou o egoísmo... Será um egoísmo da sociedade e de cada indivíduo? O artigo presente, pretende sobretudo ir pela questão do "é assim tão complicado aceitarmo-nos como somos?".

 

É uma questão complexa, sobretudo quando leio e vejo argumentos de indivíduos que na praça pública defendem (quase obrigando) que devemos ter filhos, pois estes serão o garante da sustentabilidade da Segurança Social e que é egoísmo não os ter! Um deles até é o proprietário de uma empresa de brinquedos com nome na mesma praça. São esses mesmos indivíduos que não falam de adopção, por exemplo.

 

Estamos a fazer de tudo para promover um mercado de venda ou negociação de bebés mas continuamos a não exigir leis mais facilitadoras da adopção. É aqui que pecam aqueles (auto-intituados vanguardistas) que acusam os "anti-barrigas de aluguer" de estarem presos a rituais ancestrais e de serem egoístas. Eu, sem me colocar de um lado e de outro, digo sempre... Cuidado, sobretudo quando a pretexto do que é novo, colocamos todo um passado no caixote do lixo. Até porque uma das marcas maiores de ancestralidade é a geração de um filho - quantas mulheres não eram ostracizadas ou até mortas por não conseguirem gerar uma criança?

 

Além de que, se queremos falar de egoísmo importa referir, mais uma vez, que o mundo já tem gente a mais e sempre podemos encontrar muitas crianças sem pai nem mão à espera de uma oportunidade para serem crianças... Mas talvez seja mais interessante ver as mesmas subnutridas, feridas ou mortas na televisão enquanto a todo o custo tentamos ter aquele filho que tem de ser "nosso"! Mas aí já estamos a ser vanguardistas... 

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A Nova "Trend": Barrigas de Aluguer.

por Robinson Kanes, em 19.07.17

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 Adoração do Menino - Filippino Lippi (Galleria degli Uffizi)

Fonte da Imagem: Própria

 

Falar de incêndios já não é cool. E quando o tema já não vende revistas, jornais ou visualizações nada como ir buscar temas que vendem muito, nomeadamente a homossexualidade e agora as trendy "barrigas de aluguer". Homossexualidade, para mim, é um tema gasto, perdoem-me mas qualquer dia até me sinto mal por ser heterossexual. Ou sou eu, ou então algo se passa, dos muitos amigos(as) que tenho com uma orientação sexual diferente da minha não me recordo de perdermos muito tempo a falar do tema.

 

Mas as "barrigas de aluguer"... Primeiro, é triste perceber que foi preciso um jogador de futebol "comprar filhos na Amazon" para de repente toda a gente se lembrar que esta prática existe. Caríssimos, é uma prática com séculos e ninguém descobriu a pólvora, aliás, um dos empreendimentos mais bem sucedidos da História, o Cristianismo, começou com uma "barriga de aluguer".

 

Mas tanto se fala de "barrigas de aluguer"... Pelo que, voltemos aos moralistas do politicamente correcto, sempre a defender a liberdade e ao que diriam se encararmos essa prática como a venda de seres-humanos? A verdade é simples e crua: estamos a mercantilizar seres-humanos! Podemos concordar ou não, mas aí temos de ter muito cuidado quando apregoamos leis morais, éticas e humanas, mas depois defendemos esta prática. 

 

Vejamos também outra questão e que alguém por aí (alguém a quem nem dou grande importância, mais foi exímio na análise) falou, que é a questão dos impostos? Ora, se existe uma compra, como é que são calculados os impostos? Como é que eu, que tenho um estabelecimento onde vendo bifanas e Sumol de Ananás, fico quando tenho de pagar dezenas de taxas e quem vende crianças não está sujeita a impostos? Mas é uma criança, um bebé, como é que se pode falar de impostos, questionarão! Todavia, não temos pejo em defender o comércio de seres-humanos que só não é tráfico porque, em alguns casos, já se encontra legislado. Não é diferente da criação de leis que regulem o tráfico de droga, e aí passamos a ter um mercado legal... Mas é "trendy". Até nos damos ao luxo de atacar as pessoas que vão buscar filhos a África, no entanto, já achamos bem se forem por encomenda e full extras. Ficamos chocados com a mulher que vende o corpo por sexo, mas não ficamos tão chocados se vender o feto...

 

Hoje é "trendy" mercantilizar seres-humanos e sob a capa do "trendy" têm sido cometidas algumas atrocidades que nos fazem estar a atravessar uma crise de valores e de comportamentos, mas mais que isso a sofrer de uma espécie de arregimentação pela incapacidade de aliar o bem da liberdade à virtude da tolerância. E aí, Huxley rapidamente nos demonstrou que o resultado desse arregimentação só poderia ser uma grande infelicidade! Eu só espero que comece a ser "trendy" criticar a corrupção e a injustiça, aí sim, deixarei de ser um indivíduo fora de moda.  

 

Finalmente, algumas questões que irei abordar amanhã: nesta sociedade do ter, doa a quem doer e custe o que custar, não estaremos demasiado focados na importância do ter ao invés de nos focarmos na mentalização do não ter? Do saber viver sem ter? Poderão também dizer que é egoísmo da minha parte, mas quem é o egoísta? Não faltam crianças em dificuldades no mundo inteiro e se formos por aí, há muito que superámos a capacidade de carga do planeta, pelo que se dispensam mais seres-humanos, já em 1798 Malthus o dizia no seu "Ensaio Sobre o Princípio da População". Passaram mais de 200 anos e ainda nos custa pensar nisto... Além de que, por muito que não queiramos ver, cientificamente, a sobrepopulação é uma das grandes ameaças ao futuro da Humanidade.

 

 

 "Trendy": algo que está na moda. Algo que é forçoso que esteja na moda...

 

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Uma Real Instituição Portuguesa: O "Kleenex"!

por Robinson Kanes, em 10.07.17

 

IMG_20170508_131511.jpgFonte das Imagens: Própria

 

Kleenex é uma marca de lenços de papel e toalhitas refrescantes, no entanto, tal como o "Kispo" ou o "Pronto" ficou associada a uma prática ou a um produto.

 

Contudo, ao contrário dos anteriores, o "Kleenex" foi mais longe e passou a uma Real Instituição deste nosso Portugal. Se por um lado o avanço na tecnologia automóvel atirou o "Kleenex" para fora dos tabliers e das chapeleiras dos automóveis, por outro não permitiu que este desaparecesse do nosso território. E que saudades tenho eu de me assoar ou limpar a um "Kleenex" empoeirado e amarelado do sol.

 

Mas onde anda o "Kleenex"? Anda por todo o lado, não só nos Hotspots das necessidades de última hora de qualquer português mas também na beira de qualquer estrada nacional ou até nos locais onde a cópula dentro de automóveis é a atracção principal. Quem é que nunca, num qualquer passeio pelo campo ou pela praia, não deu de caras com um "Kleenex"? Ou pelo menos com o cheiro que exala de algum? Como é bom ver o nosso ambiente povoado por estes seres, é de facto um demonstração de cidadania ao mais alto nível.

 

O "Kleenex" surge, por norma, já usado e apresenta-se num jeito amarrotado! Por vezes apresenta uma mescla de cores que varia entre o acastanhado, o amarelado e até o negro (localidades onde os chocos com tinta grelhados são uma iguaria, preparem-se...). Os nossos espaços públicos estão cheios destes lenços e não difícil perceber o local onde podemos baixar as calças e defecar sem que isso tenha consequências de maior. Ou então perceber que estamos no local perfeito para estacionar o carro e proceder a um sem número de marotices dentro do automóvel. Sempre indaguei do romantismo do sexo dentro de um automóvel... Talvez porque não dê a importância devida a automóveis, não consiga experimentar a sensação mágica de fazer amor e ver as estrelas a brilhar num encatamento de anjos e pedais, de gemidos apaixonados de prazer e uma alavanca de travão de mão ou até de uma "árvore mágica". Honestamente, acredito que despersonaliza um pouco as coisas mas... Como existem portugueses que passam mais tempo dentro do automóvel a olhar para o mesmo e para a reacção dos demais do que propriamente com a família em convívio prefiro não esmioçar a questão...

 

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Neste sentido, quero fazer neste espaço a justa homenagem ao "Kleenex"! Não sendo nenhuma espécie em vias de extinção é facilmente observável e além disso, sempre que vislumbrarem um casal apeado ou de carro a sair por entre as árvores ou até aqueles indivíduos que saem detrás de uma moita a olhar para todo o lado e a tentar disfarçar um falso à vontade, não hesitem em pegar nos binóculos, pois o "Kleenex" estará lá com toda a certeza à espera da vossa selfie. Contudo, tenham cuidado, na onda de egocentrismo que por aí vai ainda vos pedem pelos direitos de autor pois ninguém tem um "Kleenex" usado mais perfeito que aquele indivíduo. Ainda vou ver debates nas redes sociais acerca de quem tem o melhor "Kleenex" usado! Até estou a ver os gabarolas divididos por modalidades: muco, fezes, sangue, esperma e outros fluidos identificáveis e homologados durante o acto sexual.

 

O lado positivo de tudo isto? Talvez, ao nível da evolução humana e tecnológica, estejamos mais perto de descobrir a função do caixote do lixo.

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O Ódio Dos Moralistas...

por Robinson Kanes, em 22.06.17

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Artemisia Gentileschi - Judite Decapitando Holofernes (Galeria Uffizi)

 

Fonte da Imagem: Própria

 

O drama dos incêndios (e outras recentes polémicas) criou um facto curioso e que me fez ir à procura de “material” que permitisse dissertar sobre algumas inquietações e ter também o vosso retorno.

 

De facto, torna-se interessante assistir a um comportamento nas redes sociais e até nos blogs que já não é novo mas que, pela proximidade dos acontecimentos, torna as situações mais evidentes.

 

Vejamos... Nas redes sociais, nos media digitais e nos blogs, de um momento para o outro passamos do sentimento mais comovente e de revolta com os factos para as fotografias das “mini-férias” ou do fim de semana espectacular no Algarve. Rápida a transição do “estou em choque” para o “yuppie” (também existe o contrário)... Sim, estou chocado, mas tenho a necessidade de mostrar ao mundo que estou em “altas”. 

 

Mas o que tem sido interessante é a proliferação da mensagem contra o “ódio”. Hoje em dia, discordar de uma situação ou do status quo é odiar (ou populismo), sobretudo se o ódio for contra aqueles que defendemos (ou somos pagos para defender) diariamente em blogs e redes sociais. Interessante também, que muitos dos que criticam o ódio acabam por incitar ao mesmo, especialmente quando recorrem ao vernáculo e ao ataque directo...

 

Eu tenho mais medo dos “amigos” (e dos alpinistas) que defendem alguns do tal “ódio” e que são privilegiados na comunicação do que daqueles que odeiam e soltam os seus desabafos no momento... É que os últimos não procuram manipular ninguém e tendem a ser insentos. Acredito que muitas vezes só querem justiça, mesmo que não expressem essa vontade da melhor forma. Tenho medo daqueles que vivem tranquilos, à sombra de clientelismos, de uma pseudo-fama e de alguma pseudo-importância que nos tenta ser impingida todos os dias no sentido de nos fazer acreditar que são estes os "representantes" da voz do povo - e não falo de políticos como já perceberam. Não tenho medo do povo "revoltado", aliás, nem qualquer bom estadista tem medo do seu povo...

 

A apatia (ou falsa apatia) tende a reinar sobre a justiça... E se um povo pede justiça, ao invés de também descarregarmos um discurso de ódio, devemos inicialmente pensar o porquê de tanta revolta, de tanto ódio, se quisermos considerar uma solução. A apatia que nos faz ser líderes de uma certa sobranceria virtual não nos torna melhores do que aqueles que criticamos, pelo contrário.  Mas talvez seja mais fácil ignorar a interrogação de Steinbeck e deixarmo-nos arrastar ao invés de nos deixarmos guiar pelos nossos principios. Talvez o retorno seja imediato, porque a justiça é mais morosa e nem sempre nos enche a conta bancária ou o ego...

 

Mas talvez seja isso... Talvez, nós que tantas vezes somos tão solidários e "boa onda", sejamos bem piores que um povo que efectivamente se revoltou com a perda estúpida (sem aspas) dos seus compatriotas... Porque nas cidades, os apáticos e falsos moralistas de sofá continuam a apaziguar à calma de metralhadora na mão...  No entanto, se um dia o país precisar verdadeiramente destes indivíduos, fora do digital e das palavras, serão os primeiros a fazer as malas e a partir. Até porque é sempre mais fácil chorar do que assumir as responsabilidades...

 

 

 

(Este espaço esteve parado durante estes dois dias, por uma razão simples: respeito pelas vítimas e pelo luto e também pela necessidade de ouvir, de pensar... Sobretudo quando praticamente todos querem falar, mas poucos querem ouvir...).

 

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De Volta ao Cemitério dos Olivais!

por Robinson Kanes, em 13.06.17

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 Fonte da Imagem: Própria

 

Lembram-se de ter falado do Cemitério dos Olivais, da Ilda e do Taxista? Não? Eu ajudo, vejam aqui.

 

Lisboa é uma cidade encantadora, uma cidade de boas gentes, dos Santos Populares – as sardinhas além de congeladas ou serem de Sábado não estavam más – mas é também uma cidade dos taxistas. Quem vier a Lisboa e não acabar numa discussão de trânsito com um “fogareiro” nunca saberá o que é sentir o pulsar da cidade. Ou então, pode sempre entrar num táxi e solicitar uma ida do Parque das Nações a Chelas. É uma experiência muito interessante, pois vão conhecer Paço de Arcos e a sua zona ribeirinha, o Restelo e com sorte ainda dão um pulinho a Belém para passar junto ao MAAT. Eu ainda não tenho uma “selfie” junto ao MAAT pelo que, segundo o parâmetros sociais actuais, não sou um indivíduo culto e com estilo vanguardista.

 

Mas eis que dei comigo, mais uma vez, junto ao Cemitério dos Olivais. Não! Não voltei a encontrar o taxista citado em artigo anterior. Contudo, deparei-me com mais dois indivíduos que me fizeram crer que um dos hot spots da “mijadela” destes profissionais do volante se encontra nos muros do cemitério.

 

Desta feita... Foram dois. O primeiro, com um ar até bastante normal, senhor dos seus 50 anos, vinha numa velocidade considerável. Parou o táxi e, saindo já com a mão na braguilha, subiu ao palco e lá teve o seu momento de alívio. Também tinha aquela camisa típica, aos quadrados e de manga curta. Os taxistas adoram camisas aos quadrados, aqueles bem grandes...

 

Não tardaram uns cinco minutos e... Novamente outro indivíduo. Este um pouco mais forte, mas também pelos seus 50 anos. Disse para mim que não poderia deixar passar mais esta e fotografei. Não o senhor, mas o táxi! Até porque este aferiu da minha presença e a privacidade do mesmo também tem de ser respeitada.

O lado positivo desta segunda “urinadela” foi que o senhor (além da camisa aos quadrados) é daqueles que baixa as calças. Estão a ver aquela imagem da densa pilosidade do pernil e das cuecas brancas de cor estilo ceroula? Ainda bem que os muros são altos, caso contrário, teríamos um motim pelos jazigos.

 

Automobilistas, motoristas de táxi e de outra qualquer viatura... Lisboa também tem o seu hot spot na zona oriental para a tradicional “mijadela à portuguesa”! Fica mesmo nas traseiras do Cemitério dos Olivais, mesmo junto ao Crematório, afinal sempre ajuda a disfarçar os odores mais quentes.

 

Já estou a pensar em fazer reconhecimento perto de outros cemitérios: Alto de S. João, Prazeres, Carnide, Ajuda e Benfica, no sentido de perceber se existe potencial turístico! Quem sabe até possa criar uma “Rota Mictológica” para a observação de taxistas a urinar em cemitérios, um pouco como as cegonhas que fazem os ninhos nos penhascos da Costa Vicentina, coisa única no mundo.

 

Mictologistas, andem atentos...

 

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A Matilha Humana...

por Robinson Kanes, em 27.04.17

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 Fonte da Imagem:http://www.apparelthing.com/page/3/

 

Ainda não é hoje que vou aderir ao movimento "slow blogging" e, confesso, que até tinha esta data seleccionada para o efeito, mas...

 

Em Portugal, uma das máximas do jornalismo, dita por John Bogart, continua a não ter efeito: "não é notícia quando um cão morde um homem, pois isso acontece muitas vezes. Mas se um homem morde um cão, isso é notícia." Sempre que um cão em Portugal ataca alguém é um sem-número de fundamentalismos que se levantam. Fosse assim para os crimes de colarinho branco, ou para muitos crimes sexuais e de sangue e teríamos o país perfeito.

 

Sou tutor de um Pastor Alemão, e claro, lá fui obrigado a ir ver as notícias pois toda a gente me dizia para ter cuidado com o meu cão. Até o sapo deu destaque a um artigo, no mínimo fundamentalista e carregado de vernáculo, que em nada abona a causa de quem a defende. Mas vamos por partes:

 

1) Não existem cães perigosos, mas sim cães potencialmente perigosos e aqui existe uma clara diferença;

 

2) O Pastor Alemão não é um cão potencialmente perigoso, o dono pode ser, mas o Pastor Alemão não! Tenho lido indivíduos que dizem que o Pastor Alemão nunca deveria ser um cão de companhia porque é utilizado para perseguir criminosos! O Pastor Alemão e os outros todos, isso não nasce com eles. Mas o que não li foi dizerem que o Pastor Alemão, e outros, salvam vidas, encontram pessoas em escombros, detectam drogas, protegem pessoas e bens e realizam um sem número de tarefas em prol dos seres-humanos, inclusive reabilitação de adultos e crianças!

 

3) A apologia (ou fundamentalismo) dos cães pequenos face aos grandes. Sem qualquer cariz científico, digo que tenho um Pastor Alemão que já perdeu a conta aos ataques que sofreu de cães pequenos. Até hoje não contra-atacou. E isto acontece porque? Porque muitos tutores de cães pequenos acreditam que não têm de acautelar este tipo de situações e deixam que os mesmos andem soltos, obrigando os tutores de cães grandes a andar com os respectivos à trela. A ausência de contra-ataque acontece porque está treinado! Treinar um cão acarreta despesas e trabalho, quantos estão preparados para isso?

 

4) A conversa das "criancinhas"! O discurso do "as nossas crianças" ou o "qualquer dia ninguém pode andar na rua com medo" é de um fundamentalismo atroz! Mais que isso, é de um egoísmo assustador. E já que falamos do 25 de Abril esta semana, temo que andemos a festejar um fim de uma Ditadura porque a substítuimos por outra, uma espécie de substituição de uma Ditatura "top-down" pela minha ditadura pessoal e por me ser permitido também fazer a minha manipulação (mal eu sabendo que também sou manipulado)!

 

5) Menos César Milan e mais ciência! Das coisas que tenho visto nos últimos dias, são os defensores da estrela de televisão César Milan. César Milan não tem um método e muito menos a abordagem é cientifica e comprovadamente eficaz! Falem mais com os veterinários dos vossos cães e com verdadeiros especialistas em... comportamento animal e interacção entre animais e humanos. Se dúvidas existirem, terei todo o gosto em partilhar contactos de verdadeiros profissionais da área e especialistas de renome, aliás, os melhores a nível mundial. César Milan utiliza métodos aversivos, ou seja, métodos agressivos que colocam os animais em níveis de stress incompatíveis com um resultado favorável. Além disso esses métodos aversivos utilizam violência... violência, gera violência. César Milan não utiliza um método de treino posítivo, é somente uma estrela de televisão;

 

6) Ter um cão dá trabalho! Ter um cão fechado todo o dia sem distracções tem consequências, tratar mal um cão tem consequências, ter um mau-ambiente em casa tem consequências pois transparece para o cão... são muitos anos de convivência entre homem e cão. Um dono agressivo é igual a um cão agressivo! Um cão não é um objecto e muito menos uma tendência da moda. Já me disseram que tenho um cão e não um filho porque assim não tenho trabalho, vejamos: no mínimo, um Pastor Alemão exige, diariamente, cerca de uma hora a uma hora e meia de exercício! Quantos pais o fazem com os filhos e orgulhosamente ostentam os indíos como uma coisa boa? Um Pastor Alemão, o meu, come dois quilos de ração (ou arroz com frango ou peixe) por dia! O meu Pastor Alemão, além do exercício requer treino diário, treino positivo e que leva tempo. O Pastor Alemão pede-me quando quer fazer as necessidades e além disso obriga-me a pisar as fezes de cães cujos donos não conhecem a palavra civismo e higiene. Um Pastor Alemão obriga a uma limpeza quase diária da casa e do carro.  Adoro e não me queixo;

 

7) Infelizmente, continua a ser mais fácil matar o cão do que responsabilizar o indivíduo. Muitos cães atacam por medo, não por pura maldade, pensar o contrário é antropomorfismo. Conheçam mais os vossos cães, observem-nos mais, comuniquem mais e vão ver que os resultados serão outros;

 

8) Deixem a sobranceria humana, do Ser que tudo sabe e nada deve a outras espécies e aprendam mais sobre comportamento e interacção animal. Em muitos países é preciso ter uma "carta de condução" para cães, importamos tanta material obsoleto, talvez fosse altura de importar algo com valor.

 

9) Também já cometi erros com o meu cão, não sou o "papá" perfeito e não sou "guru". E por isso, também não sejam fundamentalistas quando censuram aqueles que tratam os cães como crianças (sem laços e adereços fúteis, isso não)... Lembram-se de anteontem defenderem a Liberdade?

 

10) Cuidado com os comportamentos de matilha, nos cães é por uma questão de sobrevivência muitas vezes, nos seres-humanos tende a ser por uma questão de maldade e fundamentalismo. 

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E se as Redes Sociais Aumentarem a Privacidade?

por Robinson Kanes, em 18.04.17

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Fonte da Imagem: <a href='http://www.freepik.com/free-vector/laptop-with-hand-drawn-social-media-elements_944027.htm'>Designed by Freepik</a>

 

No nosso país e numa sociedade ocidental é comum falar-se da privacidade como um aspecto que tem vindo a decair com o advento das redes sociais. No entanto, deixemos o nosso pequeno mundo e pensemos no caso chinês ou até de muitos países do sudoeste asiático.

 

Na China, por exemplo, as redes sociais, ao invés de serem um foco de devassa da vida alheia, funcionam exactamente ao contrário. Em países como a China é comum que famílias inteiras durmam no mesmo quarto, que partilhem os mesmos espaços, que vivam com outras famílias em comunidade e sem qualquer preocupação com a privacidade. Eu tenho amigos e já tive vizinhos chineses e foi possível comprovar isso! Para a China tradicional, guardar um segredo, é basicamente esconder alguma coisa má! Ou seja, quem tem segredos... não é de confiança.

 

Em suma, as redes sociais, maioritariamente, não servem como uma espécie de montra para os indivíduos. O viver bem com a sua família, com os seus amigos e com a comunidade deixam de lado esse género de preocupação - essa preocupação que para nós, sobretudo portugueses, é tão importante. Seria necessário uma outra abordagem e estudos, mas provavelmente ouso questionar se no caso ocidental não existe mais insegurança, medo e solidão do que no caso Chinês em que é exactamente ao contrário. Essa necessidade de mostrar e de aparecer não vem de todo de um bem-estar consigo próprio e com a comunidade.

 

No caso da China - e com a margem de erro devida pois trata-se de um país enorme e com diferenças abismais entre as diferentes regiões – as redes sociais são o local ideal para preservar a privacidade. São o local onde muitas pessoas partilham aquilo de que tem medo e choca a sua própria comunidade, são também o local onde podem ter os seus segredos, mas mesmo assim é comum que diferentes indivíduos troquem até as suas senhas de acesso às diferentes redes sociais.

 

É uma situação curiosa e que coloca noutro patamar a questão do impacte das redes sociais nos indivíduos e na cultura dos povos e, mais uma vez, reforça que não são as redes sociais que fazem os indivíduos, mas os indivíduos que fazem as redes sociais.

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Boa Páscoa e Esqueçam as Cruzes!

por Robinson Kanes, em 13.04.17

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Michelangelo Merisi da Caravaggio, A Deposição de Cristo (Museus do Vaticano)
Fonte da Imagem: Própria

 

Pois é, católicos e não católicos e... católicos não praticantes que é a mesma coisa que não católicos mas com o lado bom de ser católico quando dá jeito, especialmente nos feriados.

 

Vem aí a Páscoa e, embora não vá muito à Igreja, confesso que esta época vale sobretudo pelo facto de podermos reflectir e estar com a família ou com aqueles de quem gostamos. Também tendo a pensar no crucificado que nasceu há 2017 anos e nos insistem em dizer que morreu por nós. Se morreu por nós não deve ter servido de muito, até porque o que não falta são cruzes por ocupar e outras tantas que foram sendo ocupadas. 

 

Mas a Páscoa é sobretudo isso e, embora não esteja por terras portuguesas, devo dizer que pode ser um tempo para telefornarmos àquelas pessoas de quem gostamos ou que já nem telefonamos há séculos... eu sei que isso se faz no Natal, mas... porque não na Páscoa? Será porque nesta época não se dão presentes ou porque aquela mensagem não tem impacte:

 

 

 A família Martins deseja a todos os seus amigos uma santa e feliz Páscoa, pois estamos sempre a pensar em vocês, mas só conseguimos comunicar convosco quando aproveitamos a mensagem de felicidades da mãe do Carlos e direccionamos para todos os contactos. Que continuem a ter um bom ano, no Natal, como vossos amigos que somos voltaremos ao contacto.

 

Aproveitem a Páscoa como qualquer outra época, aproveitem-na e vivam-na intensamente. Não pensem tanto na cruz e pensem no modo como o crucificado se pôs a andar e ninguém deu por ele, aliás, até hoje não lhe encontraram o rasto... acredito que terá pensado, certamente, que tinha carregado a sua cruz e que cada qual agora que carregasse a sua - "já me tramasteis muito, mas a mim não me tramais mais".

 

Feliz Páscoa... e até segunda...

 

E a melhor banda sonora para a Páscoa não podia deixar de ser a obra-prima de J. S. Bach: "A Paixão Segundo S. Mateus", bem a propósito. Vale cada minuto das quase 3 horas de duração... mesmo para quem não gosta.

 

 

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O Terrorista Comum...

por Robinson Kanes, em 04.04.17

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Bernardino Luini, Salomé Com a Cabeça de S. João Baptista (Museu do Louvre)
Fonte da Imagem: Própria

 

 

Honestos ou patifórios, triunfadores ou vencidos onde é que? Cresceu a erva por cima – que é que quer dizer a moral por baixo da erva? Muito bem. Somente o absoluto existe no absoluto da tua vida. Realiza-a nos limites do teu trajecto visível. Treva e irrealidade o resto e é só. Tu aí, a tua vida é essa para preparares o que te falta. É pouco o que te falta – bem pouco. Prepara o resto por cima da erva, enquanto não estás por baixo que é onde já não há preparação.

 

Vergílio Ferreira, in Para Sempre

 

 

Falamos tanto de terrorismo, de território, de poder e... parecemos esquecer que, muito provavelmente, muitos de nós temos um pouco de terroristas.

 

No nosso dia-a-dia, ou melhor, durante a nossa vida, quantos actos terroristas não cometemos? Se, por exemplo, em São Petersburgo morreram 10 pessoas, quantas pessoas não matamos/destruímos ao longo da nossa vida?

 

Choramos as vítimas e culpamos os terroristas, mas quando prejudicámos aquele colega no trabalho só porque (infantilmente) tememos que o mesmo nos ia roubar o emprego ou a promoção ou... a vassalagem perante a chefia?

 

Quantas vezes destruímos a vida daquele amigo do qual nos fizemos sócios, mas a vontade de ter uma vida acima das possibilidades arruinou a vida de outrem? Quantas vezes, só para manter um emprego, somos capazes de ir contra a nossa ética e valores prejudicando uma equipa que até está a fazer um bom trabalho?

 

Quantas vezes a ganância e o foco no nosso umbigo nos leva a entrar em profundas guerras com amigos e família? E quando abandonamos os nossos pais, já idosos, num lar ou numa instituição e nem lá colocamos os pés? Quantos de nós não somos terroristas quando os nossos pais se afundam em dívidas e trabalho (quando deveriam era descansar) para nos pagar os luxos e a nossa extravagância?

 

Quantas vezes apelamos ao cuidado com os pobrezinhos e logo a seguir nos gabamos de ter gasto rios de dinheiro numa "fantochada" qualquer - típico de mente pequena e com pouco dinheiro, por norma. Quem gasta à séria não demonstra. Em Portugal, por exemplo, é praticamente impossível alguém fazer uma descrição de uma experiência sem exaltar o quanto pagou por...

 

No nosso quotidiano, quantas vezes não cometemos actos terroristas porque queremos ser os primeiros a passar, os primeiros a ter, os primeiros a conseguir, os primeiros - ou melhor - o eu a ter, o eu a conseguir, o eu a passar...

 

Pensava que a morte de Deus tinha tornado o ser-humano mais consciente de que é ele que tem de zelar por si e pelos outros e não uma entidade supraterrena. Contudo, ficamos a acreditar que esse Deus existe e haverá misericórdia no dia em que fecharmos os olhos para sempre. Preferimos essa ilusão à verdade da nossa responsabilidade e à verdade de acabarmos em cinzas ou numa pasta leitosa que mais tarde será pó!

 

Rezemos pelos mortos, porque é a forma caridosa e egoísta de nos lembrarmos que estamos vivos...

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