Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

La Dolce Vita!

por Robinson Kanes, em 21.07.17

 

dolcevita.jpg

 Fonte da Imagem: http://www.hotel-r.net/hu/dolcevita

 

Uma sexta-feira e está na hora de entrar no fim de semana com um ritmo menos acelerado, até porque esta semana os artigos foram bastante sérios... 

 

Poderia sugerir coisas tranquilizadoras mas não me parece que os "Olhos de Água" de Alves Redol ou mais uma leitura de "Crónica de Uma Morte Anunciada" de Gabriel Garcia Marquéz possam acalmar o espírito, apesar de terem sido as minhas leituras desta semana. Provavelmente senti-me na pele de um dos gémeos Vicario ("Crónica de uma Morte Anunciada") quando escrevi o artigo de terça-feira. No entanto, este fim de semana pede algo tranquilo...

 

A minha sugestão (e sim, sei que nasci muitos anos depois para me interessar por estas coisas) é o filme "La Dolce Vita" de Frederico Fellini, com Marcelo Mastroiani, Anita Ekberg e a bela Anouk Aimée. Filme italiano, se possível para ver sem legendas e com tempo, pois tem a duração de quase três horas.

 

É um filme ao estilo de Fellini e que conta a história de uma semana na vida Marcello Rubinni, um jornalista de revistas cor-de-rosa, que procura a felicidade na bela Roma. Aborda sobretudo a questão da vulgaridade, dos valores, da felicidade camuflada das elites artísticas e financeiras, das diferentes personagens (mulheres) na vida de Marcello e como isso, para o mesmo, é uma total demonstração das dificuldades em realizar essa felicidade. Neo-Realista, é um filme que conquistou uma Palma de Ouro em Cannes e deu lugar ao "nascimento" do conceito paparazzo. Foi também um filme censurado em muitos países e pela própria Igreja Católica, aliás, o início do filme deixa logo antever esse sentimento. Quem viu "Cinema Paradiso" vai-se recordar de algumas cenas... Abaixo deixo dois vídeos que marcaram o filme, aliás, a cena na "Fontana di Trevi" tornou-se uma referência! Vide o vídeo abaixo:

Uma curiosidade: consta que Anita Ekberg não teve qualquer problema em passar horas na água a filmar esta cena, por sua vez, Marcello Mastroiani lamentou-se profundamente por diversas vezes e só a Vodka o fez aguentar a água fria.

 

Finalmente a banda sonora, do grande Nino Rota, é também uma referência... Sobretudo para os amantes do estilo e que o colocam ao lado de Morricone e Piovanni como um dos meus preferidos. Deixo-vos também uma sonoridade, é impossível não reconhecer este som...

É a sugestão ideal para reflectir e pensar se "La Dolce Vita" não é algo tão simples, mas que continuamos a ignorar do alto da nossa pseudo-importância e da nossa ânsia de viver numa lógica de egoísmo, influência e até de nos sentirmos perdidos no nosso mundo que julgamos controlar. No que depender de mim, mal ou bem, procurarei sempre "La Dolce Vita".

 

Bom fim de semana...

 

Dois artigos que merecem a leitura dos comentários, aqui e aqui. Obrigado a todos.

 

 Cena Final de "La Dolce Vita" - Quem vir o filme vai perceber o impacte da mesma.

 

 

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

 

 

IMG_20170706_083051.jpg

Fonte da Imagem: Própria

 

Amanhã andarei ausente, ou melhor, vou andar noutras paragens deste mundo que é a blogolândia...

 

Também não irei estar agarrado ao ferro! Contudo, nem só o ferro nos inspira, pelo que aponto para algumas sugestões a ter em conta para o fim de semana e para a semana!

 

Terminada a obra "Uma Fenda na Muralha" de Alves Redol,  pergunto: como é que com tanto filme já realizado, ainda não se fez um filme baseado nesta obra? O argumento está praticamente feito e a mestria de Redol é latente. Se este livro chega a Hollywood temos filme para óscares, bem melhor que o "Perfect Storm" de Wolfgang Petersen. Foi esse o motivo que me fez arrancar  para a "Barca dos Sete Lemes", também de Redol. Deixei a Nazaré com o arrais "Zé Diabo" de "Uma Fenda na Muralha" e rumei ao não menos árduo Ribatejo! Ao cabo de 100 páginas, posso dizer que não me arrependo minimamente, ou não fosse o neo-realismo uma das minhas correntes de eleição. O modo como Redol olha para estas gentes é de uma proximidade e carácter etnológico surpreendentes. Num discurso simples mas aritisticamente talhado faz-nos questionar e admirar uma realidade que não tem assim tantos anos e não é diferente de muitas que encontramos nos dias de hoje.

 

Para um passeio, porque não a Praia de Vale Figueiras, a Praia da Arrifana ou até a Praia da Amoreira? Sigam os artigos já publicados clicando nas mesmas.

 

Uma música para o fim de semana? Talvez inspirado pelo filme que vou sugerir, recomendo o albúm "La Sublime Porte - Voix d'Istambul" de Jordi Savall. A música otomana, arménia e judaíca conjugam-se em notas e ritmos que nos vão transportar para a época em que o Palácio de Topkapi (Istambul) era um dos mais movimentados e a sua corte uma das mais poderosas do mundo! É de facto uma obra fascinante e que nos faz crescer, aprender e sonhar! Perfeito seria ficar numa das varandas do palácio a contemplar o Bósforo e a ouvir estas sonoridades...

 

Finalmente, um filme! Cinema turco, "Babam ve Oglum / Meu Pai e Meu Filho": devo dizer-vos que é um filme que me encantou desde o início porque nos leva de Istambul para Izmir e traz-me saudades daqueles 30 dias em que fui turco. No entanto, o filme  de Çagan Irmak começa trágicamente com uma morte no parto e leva-nos à Turquia dos anos 70-80, e dos seus golpes militares. Do filho que regressa a casa do pai e que agora traz também consigo o seu próprio filho! A luta e o reencontro entre pai, filho e neto, bem como algumas pequenas passagens que nos dão algumas lições de vida na relação entre parentes tão próximos. É claríssimo ao longo do filme alma turca, sobretudo daqueles que vivem fora de Istambul, da aspereza (muitas vezes exterior apenas) dos homens e da sensibilidade, carinho e doçura das mulheres daquela região, as gargalhadas de Nuran são um dos melhores exemplos. Mais não conto, vejam por vocês próprios, o filme existe com legendas em inglês se procurarem por aí... Uma nota para a banda sonora que deu o prémio de revelação do ano 2006 nos "World Soundtrack Awards" a Evanthia Reboutsika.

 

Bom fim de semana ou Bom trabalho...

 

Uma nota do disco "La Sublime Porte - Voix d'Istambul"

 (Aguarda Resolução de Problemas por parte do Sapo)

O trailer em inglês de "Babam ve Oglum"

(Aguarda Resolução de Problemas por parte do Sapo) 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Fim de Semana de um Estranho no Paraíso...

por Robinson Kanes, em 24.03.17

IMG_0370.JPG

 Fonte das Imagens: Própria

 

Tinha vontade de falar de Londres, sobretudo porque tinha “pessoas” no Parlamento, mas... será que vale mesmo a pena? Não. Até porque hoje já todos regressaram aos trabalhos e só o “sensacionalismo” de uns ainda está focado na temática. E além disso, a história, neste caso, é de quem a vive... falem da Síria, de África, da Ásia, ou até de certas coisas que envergonhariam o próprio Satanás. Estou religioso, de facto...

 

Mas é fim de semana e já não falava aqui um pouco das limpezas e do estar agarrado ao ferro e à tábua. Também vai ter de ser...

 

Entretanto descobri que perder em média 45 a 60 minutos a preparar uma carta de apresentação bem bonita e um CV adequado à posição não traz resultados. Diz-me o marketing que pelo menos em cada 10, um cai! E em cada 500 ou 1000 não cair nenhum? Talvez porque o produto nem seja visto ou o “marketeer” é mau. Todavia, no que toca a este aspecto quero continuar firme como o Ethan Hawley de Steinbeck.

 

Para o fim de semana sugiro que vejam um filme bem adequado à semana que passou e aos tempos actuais... não, não é o Exterminador Implacável (embora pudesse ser, se nos lembrarmos da inteligência artificial). É o “Homem Elefante” de David Lynch, revi esta semana... se há um filme brilhante deste realizador é este! Uma história de dignidade humana que não deixa ninguém indiferente... à diferença. Além do excelente realizador (nem sempre...) ajoelhem-se perante Anthony Hopkins, John Gielgud, John Hurt e Anne Bancroft! O filme é de 1980 mas a preto e branco para dar mais enfâse ao cenário Vitoriano e à história. Deveria ser uma visualização obrigatória...

 

Se me é permitido, uma música... uma música que traz Borodin para o palco, pois a melodia é do mesmo, foi herdada deste compositor para posteriormente ser interpretada no musical “Kismet”. Confesso-vos que cantada pelo Tony (não é o Carreira) consegue projectar um halo de sensações múltiplas, sobretudo para aqueles que se sentem... estranhos no paraíso (talvez como John Merrick, o Homem Elefante, quiçá...). Tony Bennett pode ser música de velho, mas é dos meus preferidos, além disso foi o único que conseguiu fazer a Lady Gaga cantar alguma coisa com nexo e aproveitar a boa voz que a mesma tem.

 

 

E hoje há jackpot! E uma “passeata”? Vamos ao Ribatejo? Os “piquininos” já nasceram...

 

IMG_0372.JPG

 

Bom fim de semana...

 

O Homem Elefante (trailer... um trailer dos bons...)

 

Tony Bennett - "Stranger in Paradise" 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

IMG_0318.JPG

Mais uma sexta-feira... mais um tempo para um balanço do ano... mais um tempo para encontrar formas de conseguir algo sem ter de ceder à facilidade... mas um tempo de ir contra tudo e contra todos... mesmo quando o todo, ou quase todo, me diz que é melhor deixar cair os meus valores em prol de um facilitismo bacoco...

 

Mas como é sexta-feira e só tenho de limpar a sala e o quarto... afinal não... também tenho roupa para passar a ferro... hum... 

 

Isso pede música... pede algo que me ajude a enfrentar o fim de semana, algo que me faça pensar... afinal ainda existo. Sinto que a banda sonora para o ritual de pegar no ferro e fazer-me aos vincos como se não existisse amanhã, tendo em conta o dia de hoje, tem de ser algo mais alegre, contudo não menos introspectivo. Não vou pela música clássica, hoje prometo que vos poupo a isso. Escolhi uma banda interessante, com influências judaicas, que interpreta algumas músicas em língua hebraica e com grande influência dos balcãs. O mix de instrumentos e um ritmo interessante, fazem-me escolher "Refugee"... talvez porque a temática dos refugiados não é nova, talvez por continuar a estar na ordem do dia é que deveria ser uma novidade e... porque os dois discos que tenho deste grupo foram caríssimos e demoraram imenso tempo a adquirir.

 

I'll show you,
That all our fates are so entwined.
Don't lose your faith in humankind.
Just don't forget my state of mind
Is fragile.

 

Together,
We can enjoy the taste of dignity.
As long as you believe in me,
I'll show you my reality,
I've seen a few.

(um pequeno aperitivo)

 

E um filme? É sexta-feira, chove... nada como um bom filme sem pipocas e sem crianças, adolescentes e adultos a fazerem barulho na sala... somente um Pastor Alemão a ressonar e o calor da presença humana no lar. Vou escolher o "La Stanza del Figlio", ou melhor, "O Quarto do Filho" que tem como actor principal o próprio realizador do filme, o conhecido Nanni Moretti. No meio de tanta superficialidade, penso que este poderá ser o filme ideal para uma sexta-feira à noite, contudo, preparem-se para que não seja a mais alegre.

 

Algumas cenas pesadas e uma representação fantástica de Moretti. Um filme devastador que coloca a família de um psicólogo (que acha ter resposta para tudo) perante um dilema que não será fácil de superar... a surpresa surgirá com uma carta de amor, mas isso deixo para aqueles que quiserem ver este filme de 2001, vencedor do Festival de Veneza.  Desta vez vou vê-lo em italiano, por isso desejem-me sorte. Esqueci-me! A banda sonora é do Nicola Piovani (lembram-se do "A Vida é Bela"?), mas desse compositor falarei outro dia.

 

E como a chuva está aí, andem à chuva e molhem-se, eu já tive a minha dose às sete da manhã com um cão enorme e peludo que não se apoquentou muito com o estado do tempo...

 

Deixo-vos os Oi Va Voi e uma cena do filme de Moretti... bom fim de semana...

 

Fonte da imagem: Própria

 

 

Oi Va Voi - Refugee

 

"La Stanza del Figlio" com algumas das cenas...

 

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Limpeza de Casa e da Mente com o Ennio.

por Robinson Kanes, em 03.02.17

IMG_7059.JPG

 

Horácio dizia algo como isto - “minuentur atrae carmine curae” - ou seja, a “música ajuda as mentes perturbadas”. Só descobri isto quando o meu professor de latim me confrontou com tal frase e, desde então, tem-me acompanhado, sobretudo, quando a mente anda mais em turbilhão. 

 

Hoje, em casa, num dia menos bom, lembrei-me de Horácio e de como seria importante fazer uma arrumação na minha mente. Confesso que não é fácil, por isso acabo de decidir arrumar a casa. A casa... como o nosso pequeno ovo e a sua respectiva arrumação, nos ajudam a arrumar também o que nos vai na cabeça!  É óbvio que também permite eliminar alguns maus cheiros, limpar o pó e fazer com que um Pastor Alemão gigante enfrente o aspirador como se, o último, de um larápio se tratasse.

 

Aqui, sentado, ainda a escrever, já escolhi a banda sonora para esta arrumação, pelo menos a de casa: encontrei, em Ennio Morricone, a minha salvação. Escuto Morricone desde que me recordo de ter capacidade de escolha nas minhas paixões e honestamente... nunca mais larguei o velho maestro e compositor. Só me arrependo de nunca ter assistido a um concerto ao vivo e, com a idade do senhor, temo que isso não venha a suceder.

 

Sinto que, para hoje, entre um fim e uma necessidade de recomeço vou-me ficar pela “Cera Una Volta Il West”, composição a que o filme de 1968, “Once Upon a Time in the West/Era Uma Vez no Oeste”, dá o nome.

 

Para situar quem possa não conhecer, é  mais um daqueles filmes a que se convencionou chamar spaghetti western na senda dos western italianos que tinham a assinatura de Sergio Leone. Confesso que, quando o vi pela primeira vez, nunca consegui perceber o sofrimento da Sra. McBain (Claudia Cardinale) e aquele olhar sempre muito peculiar de Harmonica (Charles Bronson). No fim, é impossível não simpatizar com o Sr. Bronson (apesar do seu mau feitio) porque lá conseguiu acabar com a maldade de Frank (Henry Fonda). Não falta informação sobre o mesmo na internet.

 

A Sra. Mcbain é a mãe que perde tudo, que é violada (marido e três filhos assassinados) e necessita de recomeçar algo de novo com uma dor imensa. No entanto, à sua volta, o que não falta são vilões (mal ela sabe que alguns deles os seus melhores companheiros). Harmonica e sobretudo Cheyenne (Jason Robards) são quem lhe vai dar algum auxílio, e sim, são uns vilões com melhor coração. No fim, é a luta pelas terras para a construção do caminho de ferro e a “vingança” de Harmonica que dominam o filme e... a difícil mudança de vida encetada pela Sra. Mcbain.

 

E com isto, começo a pensar que devo ter nascido fora do meu tempo (tenho de reflectir sobre isto).

 

Mas a música! Essa coloca-nos perante alguma tristeza mas também nos dá alguma força para chegar ao fim com a casa arrumada e, quem sabe, com a vassoura e a pá em frente à porta da nossa mente. E aí, posto que as limpezas levam tempo, escuto, ainda em registo Ennio, “Speranze di Libertà”. Esta é uma banda sonora penosa, de outro filme - “Sacco and Vanzetti” - de Giuliano Montaldo e que data de 1971. Aqui, conta-se a história e julgamento, com pena de morte, de dois imigrantes anarquistas italianos nos Estados Unidos dos anos 20. Muito a propósito, após algumas políticas recentemente adoptadas no outro lado do Atlântico.

 

Deixo-vos as duas composições e, porque não, os votos de um bom fim de semana...

 

...e já agora...

 

...se vos for possível, saiam para a chuva!

 

Fonta da Imagem: Própria

 

Ennio Morricone - Cera Una Volta Il West

 

 

Ennio Morricone, Speranza di Libertà

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Operação "Anthropoid"

por Robinson Kanes, em 13.01.17

antropoid_jaroslavsvarc e josef valcik.png

Foi em Praga, perto da Igreja dos Santos Cirilo e Metódio (Svathéo Cyrila a Metodeje), que um americano, em viagem, meteu conversa comigo. Por norma é ao contrário, não descanso enquanto não falo com toda a gente de uma cidade, vila ou aldeia. Este americano, já de provecta idade, deu-me a conhecer um episódio bastante interessante da Segunda Guerra Mundial e cujo cenário, ou parte dele, tinha sido exactamente num local onde eu próprio já tinha passado e não havia dado por nada.

 

A Igreja, ou melhor, a sua cripta, presenciaram a luta pela vida e pela honra de 7 pára-quedistas checoslovacos responsáveis pelo assassinato do General das SS e responsável pelo governo do Protectorado da Boémia e Morávia, Reinhard Heydrich (os dois militares que estiveram directamente envolvidos foram Josef Gabcik e Jan Kurbis).

IMG_4528.JPG

 

Para terem uma ideia de tal personagem, este senhor foi o Comandante do Einsatzgruppen1 e ainda hoje, na República Checa e até na Eslováquia, mesmo após o domínio soviético, é conhecido pelo “Carniceiro de Praga”.

 

No decorrer da conversa, saltou o nome “Anthropoid” (antropoide em português, ou seja, semelhante ao homem, uma espécie de transição entre macaco e homem), nem mais nem menos que o nome de código da operação. Para uma pessoa que tem alto interesse por este tempo histórico, devo dizer que fiquei um pouco envergonhado pela minha ignorância.

IMG_4533.JPG

 

Fiquei a saber que este acontecimento, desconhecido por muitos, acabou com dois dos pára-quedistas (com o apoio do Reino Unido) a atentarem contra Heydrich e a morrerem sem saberem que tinham sido bem sucedidos, pois este viria a morrer mais tarde e não no local.

 

Após o atentando, os militares refugiram-se na cripta da Igreja  e com a colaboração do pároco (Matej Pavlík) e da congregação - estes viriam a ser detidos e executados - acabaram por conseguir guarida até serem denunciados por um traidor (Karel Curda que viria a ser executado por traição aquando do fim da guerra). Todavia, até chegarem aí, já Hitler ordenara uma perseguição e retaliação tal que se saldara em cerca de 5 mil mortos, crianças incluídas! Muitos viriam a ser executados e exterminados em campos de concentração.

Descobertos na cripta, ofereceram toda a resistência possível e só quando a Waffen SS2 pediu apoio aos bombeiros para inundar a mesma é que a situação se virou contra os pára-quedistas.

IMG_4527.JPGNo meio desta luta de 6 horas, contra 750 homens, tendo abatido dezenas e ferido outros tantos, estes bravos acabariam por ceder, ora suicidando-se com tiros na cabeça, ora sendo abatidos pelos nazis.

 

Perante esta dramática, mas empolgante ocorrência, parti à procura de mais informação e descobri que existe um filme sobre esta temática, datado de 1975 e um outro de 2016 (não é brilhante, mas é uma lição de história também). Infelizmente não passou em Portugal, pelo menos que tenha conhecimento. Estranho, até porque não tem de ser somente uma memória para os checos.

 

Enquanto, hoje em dia, mais que ser é preciso parecer, deveríamos olhar para estes “anónimos” e outros tantos como exemplo de coragem. Depois de ter tido conhecimento destes factos, poucos conheci na República Checa que não conhecessem estes heróis. Entrando na cripta, o que se sente não é agradável - facilmente, se conhecedores dos factos, vamos sentir o cheiro de morte mas também da luta que aqueles homens sentiram. Ao olhar pela pequena abertura existente na cripta, veremos aquelas 6 horas a passarem-nos à frente dos olhos e os rostos destes homens que   enverdaram por uma luta sabendo que tinham cumprido o seu dever, mas que jamais voltariam a casa.

 

IMG_4535.JPG

 

Fonte das Imagens: Própria

Legenda das Imagens (por ordem de apresentação): 

Foto 1: Sargento Jaroslav Svarc e Subtenente Josef Valcik.

Foto 2: 1º Tenente Adolf Opalka.

Foto 3: 1º Tenente Josef Bublík e Sargento Jan Hruby.

Foto 4: Subtenente Josef Gabcík e Subtenente Jan Kurbis.

Foto 5: A abertura por onde se deram os combates e o bombeamento de água.

 

Notas:

  1. Grupo de Esquadrões de Morte Nazis, responsável pela morte de mais de dois milhões de pessoas.
  2. Guarda Pessoal de Hitler, Tropa Regular e Braço Armado do Partido Nazi.

 

Para os que quiserem pesquisar mais sobre esta temática:

 

Trailer do filme “Anthropoid” de 2016 em https://www.youtube.com/watch?v=blAKCJcXC5c

 A cena do atentado no filme de 1975 em https://www.youtube.com/watch?v=FhpSaQ05Nts (denotem que o atentado ia falhando porque a metralhadora não disparou).

A cena final no filme de 1975 em https://www.youtube.com/watch?v=v5YVAqwC5UU 

Operação Anthropoid: http://www.holocaustresearchproject.org/nazioccupation/heydrichkilling.html

 

 Actualização a 14/01/2017

Como o prometido é devido deixo algumas imagens da Igreja e da Cripta.

Fonte das imagens: Própria

 

IMG_4514.JPG

Fachada lateral da Igreja dos Santos Cirilo e Metódio

 

IMG_4515.JPG

Pormenor da "abertura" por onde foi bombeada a água e se deram os combates.

IMG_4534.jpg

Panorâmica do interior da cripta.

IMG_4530.jpg

Escada interior de acesso à cripta.

IMG_4526.JPG

 Pormenor da cripta.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)


Mais sobre mim

foto do autor



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.


Mensagens

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D

Pesquisar

  Pesquisar no Blog



subscrever feeds




Copyrighted.com Registered & Protected 
CRD7-BFJD-IWHB-ZXDB