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Fonte da Imagem: Própria. 

 

Mas uma natureza medíocre jamais fará algo de grande, seja a um particular, seja a uma cidade.

Platão, in "República"

 

 

E Portugal continua a viver debaixo de uma intensa nuvem de fumo que parece até cortar a visão aos seus cidadãos...

 

Os fogos continuam a deflagrar! Na verdade, agora até podem deflagrar porque não estamos na burocratizada época de incêndios, por isso o impacte mediático é curto. Aliás, até podemos aproveitar a onda e vender o produto "Turismo Incendiário" para combater a sazonalidade. Fosse esta época tão quente como foi em alguns países e provavelmente muitos membros do Governo e o próprio Presidente da República já tinham sido chamados a responder onde está o "doa a quem doer", sob pena de serem pendurados numa varanda em Belém e São Bento. Mas os fogos também são uma mais-valia, que o diga o Presidente da Câmara de Pedrogão Grande que utilizou os mesmos (e o dinheiro do povo), para fazer campanha eleitoral. A verdade é que cometeu um crime, mas a diferença é que Isaltino Morais tem uma máquina melhor que a Comissão Nacional de Eleições no espaço mediático - um vende bem a promover-se, o outro beneficia do quase anónimato.

 

Contudo, apraz-me perguntar: podemos chamar de profissional e competente quem, vendo que o panorama climático não iria mudar, decidiu baixar a guarda perante uma calamidade que já se adivinhava? Há mais de 40 anos que os erros se têm vindo a repetir, Pedrogão (pelo grau de violência) seria o ponto de viragem. Todavia, não passaram três meses e os erros infantis de gente medíocre voltaram a repetir-se! Reduziram-se os meios, fecharam-se postos de vigia e fechou-se os olhos ao cataclismo. Os olhos só se voltaram a abrir porque alguns indivíduos vieram para a comunicação social, denunciar a incompetência e a imbecilidade de quem está à frente desta matéria, caso contrário, continuaria tudo na mesma - aliás, o próprio inapto Secretário de Estado com a pasta da protecção civil, veio dizer ontem que muitos meios seriam reactivados por causa das notícias dos últimos dias! Por causa das notícias, que mexem com a popularidade e não por uma necessidade! O país é gerido numa lógica de popularidade, mas sem um país, também não existirá popularidade...

 

E porque é que em muitas situações os meios aéreos só entram quando o fogo já atingiu dimensões incontroláveis? Não percebo de incêndios, é apenas a visão de quem está a ver o seu país a ser destruido por um vasto conjunto de indivíduos podres e que contaminam tudo o que ainda de bom subsiste, mas os meios aéreos não atingem o ponto maior de eficácia nos primeiros momentos do incêndio?

 

Entretanto o país arde... Mas o fogo dos portugueses já está mais focado no futebol... Desde que não ardam estádios, o resto pode arder e alguns vão assim assistindo ao fim de um país! Até os defensores do separatismo catalão, tiraram hoje o dia para se debruçarem sobre o futebol, excepto alguns que andam a dizer que a Catalunha é uma não questão para Portugal, mas até vão aplaudir uma hipótética declaração de independência in loco

 

Na verdade, a corrida ao melhor lugar na fotografia, levou a uma irresponsabilidade grotesca que terá consequências no médio-longo prazo. Não importa ser bom, importa estar nos grupos certos, nos meios certos e conhecer as pessoas certas... E aqui, é extensível a tantas outras áreas deste país... Talvez seja verdade o que alguns dizem: temos aquilo que merecemos - a ser verdade, que arda tudo e limpe de vez este povo do mapa, sobretudo o sentimento de impunidade e a incompetência camuflada de discursos e imagens bonitas... 

 

Porque não é passando o Natal em Pedrogão sob os holofotes mediáticos (óptima estratégia para aparecer numa época que politicamente tem pouca expressão nos media e passar a imagem do pai caridoso - estratégia muito comum em regimes ditatoriais) que os problemas das populações se resolvem: a prova é de que não foram coletes, nem donativos e muito menos selfies que evitaram um Setembro e um Outubro negros.

 

E para que não nos esqueçamos até ao Natal:

Um Elogio ao Dr. Vasco e à D. Lidia

O Fogo que Fala

O Fogo que nos Continua a Queimar

Chegou de Avioneta a Cobardia de um Povo

Caramba, Nunca Mais Morrem Pessoas nos Incêndios destes Dias

Sr Presidente, Não Somos Nada Bons

Pensamentos da Malta do Bairro Sobre Exames, Incêndios, Corrupção e Cegueira Colectiva

O Fogo do Inferno e as Chamas da Irresponsabilidade e da Vergonha

Fires in Portugal: Our heros are not hust Football or TV Stars!

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Para Onde Vai o Meu Dinheiro?

por Robinson Kanes, em 04.10.17

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Fonte da Imagem: https://www.forbes.com/forbes/welcome/?toURL=https://www.forbes.com/sites/laurashin/2015/02/26/44-ways-to-make-more-money/&refURL=https://www.google.pt/&referrer=https://www.google.pt/

Para Onde Vai o Meu Dinheiro?

 

Esta é a pergunta que muitos de nós fazemos, contudo, também é uma pergunta para a qual nem sempre encontramos resposta.

 

Alguém, que não aguentou presenciar muitas das coisas que se passam na Assembleia da República, disse um dia algo como isto: "se o povo soubesse o que ali se passa rapidamente aí acorria e pegava fogo a tudo". Na verdade, quantos de nós sabemos para onde vai o nosso dinheiro, mesmo que numa estimativa muito "caseira"? Poucos, muito poucos.

 

Foi neste sentido que decidi partilhar a iniciativa "Where Does My Money Go?" que visa, embora de uma forma ainda pouco detalhada, alertar e informar os contribuintes do Reino Unido das despesas realizadas com os seus impostos. Basicamente, e segundo os promotores da iniciativa, o objectivo passa simplesmente por procurar promover a transparência e o engagement dos cidadãos numa lógica de visualização e análise da informação dos gastos públicos no Reino Unido. 

 

Talvez se, a nós portugueses, nos dissessem com clareza para onde vai o nosso dinheiro e também cada um de nós procurasse saber essa informação, fosse possível ter uma melhor aplicação dos nossos impostos ou então, muito provavelmente face a um primeiro impacte da informação, fosse criado um clima de guerra civil... É um longo caminho, pois quantos de nós têm realmente interesse em saber onde são aplicados os seus impostos? E quando as próprias instituições públicas não cumprem a lei nem as directivas do Tribunal de Contas e infringem claramente as regras não sendo transparentes na divulgação das despesas? Está em cada um de nós ser mais activo e assim exercer também o papel fiscalizador nestas matérias... Porque o dinheiro é nosso e é um bem escasso.

 

E a vocês? Interessa-vos realmente saber onde é investido o dinheiro dos vossos impostos? Se sim, como exercem esse dever?

 

P.S: por cá existe o http://www.base.gov.pt, tenho é dúvidas que seja assim tão frequentado pelos cidadãos. Aconselho a consulta, foi aí que já encontrei algumas situações, no mínimo, ultrajantes para o erário público (lembram-se de ter falado de uma situação aquando dos incêndios?). Não é um espaço perfeito, muitos contratos e adjudicações directas permanecem omissas.

 

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Um Elogio ao Dr. Vasco e à D. Lídia...

por Robinson Kanes, em 28.09.17

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 Eva Gonzalès, Une loge aux Italiens (Museu d'Orsay)

Fonte da Imagem: Própria

 

Felizmente, mais que os heróis das redes sociais, mais do que os sentimentalistas de blogs, mais que os solidários da televisão e das artes, existem anónimos que fazem a diferença, aliás, são eles que fazem a diferença, os outros só aparecem.

 

É também por serem anónimos que não vou revelar mais da identidade destas duas pessoas que vou elogiar (elogiar, em Portugal? Não, não perdi a cabeça, não lhes pedi nenhum favor e não quero ganhar nada com isto), até porque os mesmos não iriam querer essa exposição. Estamos perante uma história verídica.

 

O Dr. Vasco, eu sei que não sou pessoa de tratar outros por títulos e o Dr. Vasco nunca fez questão que eu o fizesse - no entanto, existem pessoas que fazem questão de ser tratadas pelo título e outras cuja educação, respeito, ética, profissionalismo e postura nos fazem automaticamente assumir o título, mesmo que, academicamente nem fossem dignos de tal, o que não é o caso. O Dr. Vasco e a D. Lídia são um casal anónimo que não fala, não escreve e muito menos procura protagonismo com causas solidárias, contudo, o Dr. Vasco e a D. Lídia tiveram num Verão, uma viagem na ordem dos 3000-3500 euros agendada para fora das nossas fronteiras.

 

Ao verem o país a arder, sobretudo a sua região, o Dr. Vasco e a D. Lídia decidiram negociar com a agência e doar todo o dinheiro para a causa dos incêndios! Obviamente que não foi através de associações. Segundo o Dr. Vasco e a D. Lídia não se sentiam bem consigo próprios pelo facto de andarem a passear por aqui e por acolá deixando para trás um país em chamas, por sinal o seu. Não se sentiam bem por verem indivíduos conhecidos com o coração nas mãos enquanto bebiam um refresco em algumas das praças mais belas do mundo.

 

Uma história simples que não precisa de mais floreados e cujo testemunho o tive na primeira pessoa... Um exemplo de cidadania, demonstrativa de que, para além do folclore mediático os verdadeiros heróis são anónimos e andam espalhados por esse país fora. Cabe-nos a nós, demais anónimos, encontrá-los, valorizá-los e exaltá-los ao invés de perdermos muito do nosso tempo a bater palmas a indivíduos ocos e patrocinados pelo compadrio político e/ou mediático. No vosso dia-a-dia, inclusive, não faltam esses anónimos, hoje elogiem-nos, dêem-lhes um abraço e convidem-nos para tomar um café.

 

P.S: e praticamente em Outubro, ainda estamos à espera das responsabilidades ou de desenvolvimentos visíveis acerca dos incêndios do Verão... "Doa a quem doer"... Mais importante que passar um Natal mediático em Pedrogão é a justiça!

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O Jovem Que Não Quer Largar as Saias da Mãe.

por Robinson Kanes, em 07.09.17

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Fonte do Gráfico: Cálculos da OCDE baseados em EU-SILC, HILDA (Australia), SLID (Canada), CASEN (Chile), HLFS (Nova Zelândia) e CPS (EUA). Dados publicados em "Society at a Glance" 2016, (figura 3.10).

 

Que os jovens portugueses, como bons latinos da Europa, gostam de viver em casa dos pais até mais tarde é um facto. Todavia, segundo os dados da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico), Portugal é dos países onde a taxa é assustadoramente maior, ou seja, 75% nos jovens entre os 15 e os 29 anos. Não será de estranhar, sobretudo num país onde são poucos aqueles que arriscam ir à luta sem muletas.

 

Não me cabe a mim analisar os motivos que podem ser de vária ordem (abordarei apenas superficialmente mais para o fim), no entanto, devemos pensar que estes números não trazem uma boa mensagem, sobretudo se aos mesmos nos fosse possível adicionar aqueles "jovens" que vivem sozinhos ou numa relação (casamento e existência de filhos incluídos) com a ajuda dos pais.

 

Portugal, nestes números, só é ultrapassado pela Itália (tradicional país onde os filhos "morrem" em casa dos pais e com números a rondarem os 81%) e muito ligeiramente pela Eslovénia, Grécia e Eslováquia, todos com taxas na ordem dos 75%. Se tivermos em conta que a média da OCDE é de 59%, estamos realmente a viver demasiado tempo em casa dos nossos pais. Uma nota para o Canadá e países nórdicos que apresentam taxas entre os 38 e os 31%.

 

Um destes dias alguém me dizia acerca dos indivíduos entre os 20 e os 40 (não vou utilizar rótulos geracionais): "estas gerações se não tivessem tido os pais a usufruir dos anos de bonança ou a trabalhar no duro para os sustentarem já nem existiam". Aliás, acrescentou mesmo que a faixa dos 40-45 não andava muito longe dessa realidade também. Eu dou alguma razão e também acrescento um efeito de acesso a coisas que outrora não existiam e que hoje são "obrigatórias". Como exemplo, recordo-me do meu pai e os mais velhos me dizerem que sem esforço nada se consegue. Se utilizar esse discurso hoje sou apedrejado...

 

Será que aquilo que leva os jovens a ficar em casa até tão tarde é somente por incapacidade total para terem uma vida independente? Será por preguiça? Será por razões económicas? Neste último não me abstenho de incluir que a razão económica possa revestir a ambição de atingir um patamar de bem-estar superior à sua realidade. É um tema interessante, sobretudo porque alguém me dizia também, acerca de alguns indivíduos com responsabilidades profissionais sobre outros, que "quem não consegue viver sem os pais ou a equilibrar a vida sem bengalas nunca estará preparado para conduzir seja o que for de forma autónoma".

 

São questões às quais cabe a cada um de nós reflectir e responder... A minha declaração de interesse é de que não permito qualquer ajuda da minha mãe (as "discussões" são hábito neste campo), até porque esta foi a responsável, com o meu pai e com a minha irmã, pelo meu sustento durante a minha infância. Além disso, tenho-lhe uma divída enorme que foi o apoio que me deu durante o meu primeiro curso. Se às vezes custa? Custa! Mas é o preço a pagar por dizer que sou independente (sem pontas soltas). Se às vezes custa? Já dizia um conhecido banqueiro: "Ai aguenta, aguenta"...

 

 

 

 

 

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Portugal: O País da Fartura!

por Robinson Kanes, em 05.09.17

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Fonte das Imagens: Própria 

 

A  Terra, disse ele, tem uma pele, e esta pele tem doenças. Uma destas doenças, por exemplo, chama-se homem.

Friedrich Nietzsche, in "Assim Falava Zaratustra"  

 

Este país é um local mágico. O meu pai costumava dizer que não havia melhor país que este, pois bastava percorrer as estradas e as ruas para se encontrar mobiliário para a casa - são os colchões, as cadeiras, os móveis de sala, as camas e um sem número de coisas atiradas para a berma ou largadas no meio da floresta. Quem quiser um animal de estimação facilmente encontra um, sobretudo nos meses de verão.

 

É um país de fartura, onde estudos encomendados dizem que andamos todos muito entusiasmados e confiantes com a nossa situação económica, mas onde a dívida não pára de subir, esperemos que a situação se inverta. No meio de tudo isto, sempre é bom para dinamizar a economia, embora ainda não tenhamos percebido que os anos dourados não voltam, ou voltam, mas daqui a meia dúzia de anos voltam também os anos negros... E cada crise económica, tende a ser pior que a outra... Mas por aqui a comida vai parar ao lixo ou não fôssemos um país onde a alimentação até é barata (infelizmente).

 

Mas a fartura é tanta que até despejamos comida em condições de consumo para o lixo. Digam lá que não somos um país rico? Depois de ter fotografado aquilo que vos é apresentado no topo da página ainda remexi o lixo e encontrei pacotes de leite dentro da data de validade e iogurtes em iguais condições. Somos gente fina que não se limita a colocar o lixo no local próprio (quando coloca) mas ainda dá um bónus às gaivotas e às ratazanas que deambulam pelos aterros. Um dos bolos, que é visível, estava totalmente selado.

 

Um destes dias teremos o Banco Alimentar Contra a Fome a fazer recolhas junto aos caixotes do lixo com os senhores mais adultos em amena cavaqueira enquanto as crianças à civil ou vestidas com a farda dos escoteiros entregam sacos e pedem donativos. Chama-se a isto ser solidário.

 

P.S: o bolo acabou comido pelos corvos, cortesia do Robinson...

 

 

 

 

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O Fogo Que Fala...

por Robinson Kanes, em 17.08.17

 

 

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 Fonte das Imagens: Própria

 

Foi logo depois dos incêndios de Sertã e de Nisa que andei por aquela zona e tive oportunidade de ouvir vários relatos, sobretudo na primeira pessoa, mais fidedignos mas sempre com margem para exageros... Se por um lado consegui verificar no terreno que alguns correspondiam à verdade, outros nunca saberei...

 

A impressão com que fiquei é que existe um conjunto de indivíduos que combate incêndios dando o seu melhor (bombeiros, polícia, militares e outros cidadãos, sobretudo com postos subalternos) e um outro conjunto que percebe muito de incêndios mas... Eu admito, tirando alguns em que já me vi envolvido a ajudar, nada percebo. Mas vejamos:

  

Sabes, quando o fogo de Nisa começou a chegar perto da fronteira de Espanha, os gajos entraram no nosso país com aviões, máquinas de rasto, bombeiros e apagaram o fogo. Quem apagou o fogo de Nisa em horas foram os espanhóis e nós andámos cá uma semana e não conseguimos controlar o fogo. Aqui ainda nem vi nenhuma máquina de rasto.

Disse-me um conhecido. Se é verdade ou mentira não sei, mas já não é a primeira vez que escuto isto! Algo se passa e levo a crer que são falhas no comando e na forma como são geridos os operacionais no terreno. Mas os cargos perpetuam-se.

  

Então o comandante que estava aqui e é daqui (Vila Velha de Ródão) chamaram-no para o incêndio de Proença (Proença-a-Nova), mas isto ainda estava muito mau. Deixaram isto aqui com outro gajo que não conhecia o terreno como o outro.

 Motivos operacionais?

 

E os gajos da Protecção Civil? Então os gajos trazem o gerador de Lisboa e quando chegam aqui parecem baratas tontas porque precisam de gasóleo porque o gerador não tinha? Lá tive de ir às oito da noite correr à bomba do ------- buscar gasóleo! Os gajos trazem aquela m---------- sem gasóleo?

 Organização?

  

Se não fosse o gajo do helicóptero a vê-los e a largar-lhes um balde de água em cima tinham lá ficado todos, estes gajos não conhecem o terreno e ainda levavam um dos nossos. Então ninguém viu que por ali não dava, o ------ bem lhes disse que por ali não dava? Por falar em helicópteros, vão lá ver quem é que manda naquilo.

Não comento.

 

Qual força-aérea, qual combate, os pilotos deles é que andam aí a encher os bolsos a apagar os fogos nos helicópteros e nos aviões do outro que também... (não digo mais por causa das acusações que foram feitas).

 (À minha afirmação "está bem, mas os pilotos da força aérea são pilotos de combate e não estão preparados para combate a incêndios?")

Idem

 

Gente dessa não precisamos cá, eles não querem meter os carros nem dar cabo deles no meio do fogo. Eles querem lá saber isto não é deles e os carros são, eles não querem perder nem estragar os carros. Andam a deixar arder.

 Idem

 

Eles estavam à rasca lá em baixo, e eu como tinha o barco disse logo para arranjarem uma bomba que nós íamos para lá e do rio conseguíamos dominar daquele lado, uns gajos que deviam ser de Lisboa ainda nos mandaram estar quietos que não percebíamos nada de fogos. Eu já conheço esta zona há mais de 40 anos e sei como chegar a sítios onde eles nem sonham.

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(não é a fotografia que está mal tirada, são pequenos "tornados" que se formam das cinzas no alto da serra criando um ambiente ainda mais dantesco) 

 

 

Quem sabe é que manda. Ouvi muitos relatos em que muitos indivíduos do alto da sua "sabedoria" ignoram todo e qualquer conselho que venha de quem conhece o terreno.

 

Esses querem é encher o rabo com o mal dos outros olha que dinheiro a eles não lhes falta, é só encherem-se de casas e carros novos desde que lá andam. 

A propósito de uma entidade de que se dedica à acção social.

 

 

Os jornalistas querem é ver miséria mas não ouvem o que nós lhes dizemos. Na televisão não dizem aquilo que a gente lhes diz e só querem filmar-nos em pânico. Dão é conversa aos políticos que não sabem nada disto.

Não comento, mas penso que não perco muito por não ver televisão ou outros media.

 

 

E pagarem-se 15000 euros à esposa de um responsável da Protecção Civil para esta elaborar um estudo tendo em vista a aquisição de uma viatura ligeira que custa pouco mais que o próprio estudo? A esposa do responsável é geógrafa e trabalha numa câmara municipal. 

Esta fui eu mesmo que disse e está no website onde são divulgados alguns contratos e adjudicações públicas. Estudos do estudo com vista à elaboração do estudo para estudar o estudo que vai servir de apoio ao estudo que vai estudar a aquisição de uma viatura.

 

Foram algumas das coisas que ouvi. Se são verdade, algumas presenciei, outras nem por isso... Ainda há muito a fazer e ao invés de andarmos a pensar em listas e em discursos bonitos, temos de começar a pensar no fogo como um todo, na prevenção, mas mais que tudo, na máquina que está por detrás...

 

Mais uma vez, obrigado pelo esforço daqueles que presenciei visivelmente cansados (bombeiros e soldados) às portas de quartéis como o de Vila Velha de Ródão, Sertã, Abrantes, Nisa, Idanha-a-Nova e outros... 

  

Só me consigo lembrar de alguém que um dia, abandonando a Assembleia da República por não se identificar com o cargo de deputado disse que "se o povo soubesse o que por ali se passava invadia o edifício e matava todos os que lá estão".

 

E o fogo continua à espera de mortos para alguém interromper as férias e colher mais uns votos de popularidade... Os feridos não trazem ou tiram votos, já os mortos sim...

 

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Granada Ofensiva!

por Robinson Kanes, em 03.07.17

 

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Fonte da Imagem: https://www.defense.gov/Photos/Essay-View/CollectionID/13138/

 

Os lugares mais sombrios do inferno são reservados àqueles que se mantêm neutros em tempos de crise moral.

Dante Alghieri in “A Divina Comédia” (Inferno)

 

Dada a delicadeza do assunto e temendo que o mesmo fosse ofuscado por um outro assunto bem mais importante para os cidadãos portugueses, a flatulência, só hoje decidi falar do roubo de material militar de instalações militares de alta segurança.

 

Instalações militares de alta segurança presumem, hoje em dia, a existência de vários meios de segurança: segurança permanente, rondas, outros tipos de vigia apeada ou por intermédio de torres, sensores de calor, videovigilância, vedações (de preferência electrificadas) e outros meios bem mais complexos.

 

Ora... Posto isto, será que é crime o assalto a este tipo de instalações? Para mim, o verdadeiro crime é permitir que não exista segurança permanente! É também permitir que não exista qualquer tipo de videovigilância, sobretudo em vídeo, e permitir que meia-dúzia de larápios assaltem mais facilmente um paiol nacional do que uma mercearia em Vilar Formoso! 

 

Crime é um país como Portugal ter tantos oficiais superiores! Como diz o povo e bem "quanto mais gente a mandar mais desorganização"! Crime é termos Ministros da Defesa que, ou são formados em Jornalismo ou em Direito e com sorte até em Educação de Infância! A defesa é uma área demasiado sensível para estar entregue só a militares mas também é demasiado sensível para estar entregue a indivíduos cuja única experiência militar que tiveram foi a jogar Risco ou então, que os tempos são outros, a jogar Playstation! Estes factos e o alheamento da estrutura militar da vida dos cidadãos tem levado a uma descredibilização total das entidades militares que são encaradas como uma elite sem utilidade...

 

Crime é estarmos mais preocupados com a reputação do que propriamente com os cidadãos! Com alguma experiência em comunicação percebo o trabalho que tem de ser feito nesta área. Todavia, tenho mais experiência com pessoas e aí o meu outro lado diz-me que encomendar estudos de popularidade ao invés de nos focarmos na procura de factos e de apoio às populações é o mesmo que, depois de uma grave tragédia como a de Pedrogão Grande, rirmos todos nas caras daqueles que morreram e até fazer um concerto solidário como forma de camuflar a triste realidade de um povo que é reactivo (se isso permitir  ter os seus 15 minutos de fama) e pouco pro-activo! Penso que, por vezes, nos esquecemos da herança da República de Platão e não atendemos ao alerta deste quando nos disse que "uma natureza medíocre  jamais fará algo de grande, seja a um particular, seja a uma cidade", efectivamente, os resultados do descurar desse alerta estão à vista! Foi preciso a NATO alertar as nossas estruturas políticas, inclusive o principal responsável pelas Forças Armadas - o Presidente da República - para percebermos a diferença entre um assalto a uma caixa multibanco em Torres Vedras e um assalto a um paiol cujas consequências para a segurança nacional e internacional podem ser nefastas!

 

Enquanto governarmos para votos e para um clientelismo que não pára de crescer, bem podemos continuar a pensar que estamos na cauda da Europa! Cauda da Europa em termo de tacanhez e provincianismo, porque geograficamente estamos no centro do Mundo! 

 

Mas... Crime é não passar uma semana em que não exista um escândalo (e pensar que nem um terço é do conhecimento público)! São Ministros e Secretários de Estado que se vendem por um bilhete de futebol, ou é a gestão danosa de um banco público, ou são as falhas na protecção civil, ou é o assalto, perdão... Passeio... A um paiol de alta segurança, ou é a distribuição de favores e atribuição de cargos públicos a indivíduos sem competência e sem mérito, ou é o silenciamento e criação de autênticas ditaduras em câmaras municipais, ou é corrupção no INEM, ou é... Ou é... Ou é... E quando os resultados não aparecem e é mais importante um casamento de um presidente de um clube de futebol, ou a barriga de alguém que não deve ter muito que fazer ou até um estúpido discurso sobre flatuência que prevalecem... Pois permitam-me dizer que todos concordamos com isso e no fundo não somos diferentes de um qualquer corrupto ou de um qualquer criminoso que lesa a sua pátria!

 

Chegado ao fim deste texto só me recordo de um amigo, ofical subalterno, que um dia ousou perguntar a um oficial superior o porquê da vigiância dos monumentos nacionais estar entregue a empresas privadas de segurança e cujo desagrado foi tal por parte da alta patente que por pouco não foi assentar praça para as Selvagens!

 

 

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Empreendedorismo Social não é Dádiva.

por Robinson Kanes, em 26.01.17

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Hugues Merle, Uma Mendiga (Museu d'Orsay)

 

 

Ainda existe a tentação, sobretudo em países da Europa do Sul, de que o Empreendedorismo Social tem de estar ligado à dádiva.

 

A própria "promoção" do mesmo ainda assenta na base do chamado apoio aos mais carenciados tendo, em pano de fundo, os seus próprios promotores que não se coíbem de aparecer como os "salvadores do mundo" e que nada auferem em troca pelas suas práticas - na verdade, não é assim. Não existem almoços grátis e na área social também não! Mas porque é que temos receio de falar nisso?

 

Vejamos algumas conclusões de instituições e peritos que suportam estas afirmações... antes que digam que tenho mau feitio.

 

Hockerts, numa visão mais aproximada da Schwab Foundation traz a ideia de que o Empreendedorismo Social assenta em business ventures com propósito social ou seja, “empresas híbridas que estabelecem ligação entre o for-profit e o non-profit bem como as próprias organizações públicas. No entanto, não encaixando em nenhuma destas três esferas” (Mair; Robinson & Hockerts, 2006:5).

 

Na visão de Perrini, inspirada em Laville, existe uma decisão democrática e participativa levando a que os interesses próprios de um ou mais não condenem a actividade principal da empresa social (Perrini & Vurro; 2006: 64). Para Dees a empresa social não é uma empresa de dádiva até pela forma empresarial que pode tomar, mesmo não visando o lucro primordialmente (Dees, 1998:5) .

 

Já o Institute for Social Entrepreneurs (ISE) define o empreendedor social como “um indivíduo que usa o retorno do seu trabalho para prosseguir objectivos sociais e simultaneamente procura um retorno financeiro e social. Pode ser um indivíduo que esteja, ou não, no sector non-profit (ISE, 2002). Aqui, o espectro alarga-se e finalmente a questão financeira é colocada verdadeiramente em cima da mesa, além disso, a definição vai ainda mais longe ao colocar a hipótese da actividade de empreendedorismo social não estar ligada ao non-profit. É esta visão que, em Portugal, ainda assusta muita gente ligada à "causa social".

 

Também a RIPESS, com vasta experiência, sobretudo no campo da Economia Social e Solidária, apresenta uma visão mais clara e enquadrada com o conceito anterior do que é o Empreendedorismo Social. A empresa social apresenta-se como uma empresa que tem, obviamente um fim social. Gera retorno pela venda que faz de bens e serviços ao invés de depender de financiamentos externos e com benefícios que revertem para a missão social, mais que para os accionistas (RIPESS, 2015). Neste campo, a mesma entidade vem também a apontar para a necessidade de esclarecer que as empresas sociais não podem substituir o Estado em serviços essenciais, como não devem ser um meio de absorção de fundos. Tomando como base a definição da própria organização, estas organizações têm de ser capazes de gerar dividendos por si próprias, não excluindo o suporte de outros mecanismos de financiamento, mas tendo sempre como prioridade a venda de bens e serviços que permitam garantir a sustentabilidade das mesmas

 

Neste enquadramento teríamos verdadeiras organizações empresariais com cariz social a actuar num mercado concorrencial com as demais organizações empresariais e equiparadas não só legalmente mas sobretudo fiscalmente.

 

Contudo, uma nota para o facto deste processo permitir que estas organizações não venham a perder a sua vocação social, mas trabalhem para melhores resultados, menor dependência externa e acabem por gerar um afunilamento que levará à exclusão de muitas instituições que são somente sorvedouros de fundos e cuja eficiência não justifica os elevados investimentos realizados pelos Governos, pelas organizações empresariais e sobretudo pela comunidade civil. Os recursos são escassos e muitos deles não estão efectivamente ao serviço de quem mais deles necessita.

 

Perante muitos paradoxos, a que ainda vamos assistindo... teria Vergílio Ferreira razão quando no seu "Em Nome da Terra" dizia a Mónica que "o maior prazer de quem precisa, é haver quem  precise mais"?

 

Para quem quiser saber mais:

  • Perrini, Francesco; Vurro, Clodia (2006), “Social Entrepreneurship: Innovation and Social Change Across Theory and Practice”, em Mair, Johanna; Robinson, Jeffrey e Hockerts, Kai; Hampshire (orgs.), Social Entrepreneurship e New York, Palgrave Macmillan.
  • Dees, J. Gregory; Haas, Peter; Haas, Miriam, (1998), The Meaning of “Social Entrepreneurship, s.l.; s.n.

 

Fonte da Imagem: Própria.

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O Talento Também Tem 4 Patas - "Pata 1/2"

por Robinson Kanes, em 17.01.17

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Estávamos na aurora do Verão, todos tiram férias nessa época. O próprio país molda-se, como se todos os trabalhadores portugueses o fizessem. Daqui, podemos tirar uma conclusão: aumento do revenue em determinados sectores e outros que ficam paralisados quase três meses, só porque se tem a ideia de que o país está parado e, portanto, esperemos por Setembro.

 

Como é do Verão e de férias que falamos, ainda são muitos os portugueses, e não só, que nunca se esquecem do subsídio, da praia, de visitar a família, de vestir coisas que não vestiriam de outro modo se não vissem determinados indivíduos por demais vezes utilizá-las e assim seguir a tendência, a chamada silly season (infelizmente, pois o Verão tem tanto para dar). Todavia, ainda são muitos os que se olvidam dos seus animais de estimação e dão mais valor a um par de chinelos de praia que aos primeiros. Vou centrar as minhas palavras nos cães.

 

Ter sido criado entre a cidade e o campo, cedo percebi que Verão era sinónimo de cães abandonados - últimos dias de Junho e começavam estes a vaguear pelas ruas. Os tempos são outros, agora os cães já não são “coisas” e os donos já não são “proprietários” mas sim tutores, no entanto... o abandono continua.

 

Numa terça-feira de Junho, e com o carro cheio de cães, decidi que não seria má ideia lavar o mesmo. Na verdade... não o lavei, tendo em conta que dou comigo a ver uma pequena cadela “pastora alemã” (um ponto fraco para mim) a vaguear numa rotunda movimentada e inclusive, a perceber que os automóveis são simpáticos e velozes mas também aleijam. Não resisti e fui recolher a mesma. Escusado será dizer que tinha um problema para resolver (veterinário, alimentação, alojamento e, talvez o único verdadeiro problema, porque o resto não é de todo assim tão penoso, arranjar um tutor).

 

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As explicações... pois encontrava-me num posto de abastecimento de combustível, foram várias - pelo menos após eu e dois agentes da autoridade (aos quais agradeço a boleia e as pernas a mais que eu) termos perseguido um indivíduo que estranhamente me pareceu o “tutor” da cadela, mas sem chip, não há como provar - as explicações: “vêm aí as férias”; “foi abandonada para aí, é normal”; “já foi atropelada e tudo”; "era ele, eu aposto que foi ele"... e por aqui ficaria, não fossem os portugueses especialistas no acto de emitir pareceres.

 

Quando chega o Verão esquecemos que são estes amigos que aturam, ao longo de todo o ano, o nosso stress laboral, são eles que nos ajudam também a ultrapassá-lo, são eles que em alguns casos, até nos acompanham para o trabalho, são eles que nos fazem sorrir quando o mundo parece estar de um lado e nós do outro e, infelizmente e cobardemente, são eles que veem a raiva de muitos ao "chefe" orientada para eles e pagam no pêlo, literalmente, esse comportamento.

 

Em suma, tive em mãos uma cadela que, em dois dias aprendeu a sentar, a deitar, a entrar e a ficar na crate (caixa), reaprendeu a sorrir (sim, eles sorriem), aprendeu que a água é uma coisa boa (vide foto), aprendeu a não fazer necessidades em casa e por fim, erro cá de casa, aprendeu subtilmente a dar pequenas indicações do que quer... influências do auto-proclamado rei do espaço que também é um Pastor Alemão. Este é perito em descobrir animais selvagens feridos e em muitos casos protegidos por lei, cadáveres e afins, o que significa: mais expediente. Como ser-humano, o meu respeito é enorme, sobretudo porque tenho noção que levei um pouco mais de tempo a aprender as mesmas coisas, como praticamente todos nós. Além disso, e tendo em conta o trabalho com a mesma, pareceu-me que estava ali uma profissional certificada bem mais depressa que eu. 

 

Podemos ter os filhos mais queridos do mundo, os pais mais fantásticos, os amigos e os cônjuges perfeitos mas ninguém, mesmo ninguém, todos os dias, quando deixamos a vida profissional, nos recebe com tamanha festa e euforia como os cães. Isso é inegável e... se têm dúvidas, arranjem um cão.

 

Finalmente lembrem-se, também gostariam de se dedicar 100% a uma empresa/pessoa durante quase uma vida e chegarem a um dia e ninguém vos abrir a porta?

 

Continua...

 

P.S: A propósito desta temática vide também: http://curiosidadefeminina78.blogs.sapo.pt/sobre-pessoas-estupidas-61534

 

Fonte das Imagens: Própria.

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Veneno e Prioridade...

por Robinson Kanes, em 16.01.17

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Este fim de semana, e perdoem-me a arrogância, foi mais um daqueles em que tive oportunidade de observar porque é que o provincianismo “rasca” ainda está bem latente em muitas almas lusas.

 

A primeira situação ocorreu no Sábado... alguém de quem sou amigo abordou-me dizendo que o administrador do prédio onde reside o tinha informado que existia uma pessoa que se queixava do barulho do cão... de um outro vizinho. Até aqui nada de novo... a questão foi quando eu lhe perguntei se este já tinha ouvido o dito cão, pois trabalhava a partir de casa não deveria ser difícil. A resposta imediata foi um redondo “não”. Sugeri que falasse com o administrador e colocasse as questões, nomeadamente “quem?” e “quando?”. Tal veio a acontecer no Domingo e, perante as questões, o administrador referiu que também ele tinha as suas folgas e nunca ouviu tal criatura, mas escusou-se a dizer nomes. Conclusão, não deveriam estes indivíduos ser alvo de um processo tendo em vista a expulsão do prédio? Apesar dos cães ladrarem não conheço nenhum que destile veneno, já outras espécies...

 

A segunda situação foi directamente comigo... estava na fila de um supermercado, daqueles que “fazem mais para mim”... sim, eu detesto supermercados e centros comerciais ao fim de semana mas estava com falta de cogumelos frescos (alguém consegue comer de lata?).

 

Dizia eu, estava na fila e vejo um casal, na ordem dos 30 anos, acompanhados dos pais. Na verdade, a senhora, que rapidamente furou as três filas que existiam, iniciou um diálogo com um dos indivíduos da caixa contestando o porquê da caixa prioritária não estar aberta. Segundo o funcionário, a caixa estava com problemas... embora e honestamente, eu acredite que estava fechada para evitar problemas.

 

Nisto, a mesma senhora exige atendimento prioritário chamando a sua mãe que, trazia no “carrinho de compras” uma criança na ordem dos 3 anos confortavelmente sentada. Perante a passividade do funcionário esta ultrapassa duas outras senhoras que estavam na fila e foram condescendentes, mas não ultrapassa um senhor que já tinha as suas compras no tapete rolante... nova discussão... e teve de ser o funcionário a serenar os ânimos.

 

Não sou adepto das tradicionais “peixeiradas”, mas tinha o meu cão a “sufocar” no carro e soltei um “quem paga impostos e paga as vidas de quem pouco faz  tem direito a prioridade?”.  Coloquei toda a gente a rir... excepto o casalinho maravilha e respectivos pais. No entanto, há coisas que acontecem que nos fazem sorrir também... a primeira foi que os pais do casal pagaram a conta do... casal... há que ser independente aos trinta anos e inclusive ter filhos, mas os pais que paguem, embora isso já parte da visão de cada um e não me cabe a mim aprofundar essa lógica... embora, quem não tem fundos para pagar uma conta de supermercado também não deve ter dinheiro para uma station wagon com matrícula SF (o meu lado comadreiro).

 

A segunda... foi um senhor, em cadeira de rodas, que se colocou na minha fila, lá bem atrás e sossegado. Perante esse cenário, um outro senhor que se encontrava na cauda da fila, e mais tarde todos nós, insistiu para que o primeiro passasse. O que aconteceu? Este recusou dizendo que estava bem sentado e os outros de pé! Não nos conseguiu demover, sobretudo quando um dos indivíduos até referiu não se sentir bem com o facto de deixar aquela pessoa à espera.

 

Em suma, tanta prioridade, tanta discriminação positiva (será?) e não estaremos a castigar uns quantos a troco de pseudodireitos de outros? Se tiver um familiar doente em casa, tenho prioridade para o ir ajudar? Se estiver atrasado para ir trabalhar tenho prioridade ou terei de dar prioridade a quem tem um “carrinho com uma criança” e vai passar o dia a ver um programa de televisão? Não estaremos a criar uma elite de gente que tem todos os direitos e uma casta menor que só tem deveres para com os demais? Legisla-se o bom senso, mas não se punem os maus comportamentos.

 

Fonte da Imagem: http://msnbcmedia.msn.com/i/MSNBC/Components/Photo/_new/pb-110224-crowd-da.jpg

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