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Quando a Raridade é Normalidade...

por Robinson Kanes, em 12.12.17

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Fonte da Imagem: http://integritas360.org/2016/02/why-anti-corruption-programmes-fail/ 

 

Esta é aquela parte em que, de garrafa na mão, percorro as ruas aos gritos e digo "eu bem dizia, eu bem dizia"... Senão vejamos:

 

Solidariedade... Uma visão mercantilista do conceito?

ONG, bom ou mau?

Empreendedorismo Social e o Paradoxo do Culto da Personalidade.

Empreendedorismo Social não é Dádiva.

Caritas et Lucrum.

Sr. Presidente, Não Somos Nada Bons

O Social... Os Donativos... E a Mendicidade de Resultados...

 

Raríssimas são as instituições sociais que em Portugal são completamente transparentes! A raridade é a nova normalidade. Não sou só eu que o digo, os acontecimentos falam por si: é a Cáritas que já mostrou uma inclinação para práticas menos claras (interessante que foi um caso que desapareceu do mapa), são instituições que. recebem roupa mas depois a vendem, é o Banco Alimentar Contra a Fome, a AMI e outras tantas instituições que de transparência têm pouco mas continuam a ser instituições com um peso tremendo no país e até onde o próprio Presidente da República que tudo comenta, se encarrega de fazer publicidade mas não de comentar quando as notícias não são de feição.

 

Associações, Misericórdias e outras Instituições Particulares de Acção Social (IPSS) proliferam em Portugal e garantem a ostentação de muitos indivíduos, em muitos casos em clara promíscuidade com o poder político, central e local.

 

Em Portugal a área social e o not for profit são áreas onde o enriquecimento é garantido, basta olhar à volta para se perceber... Porque é que estas áreas não são alvo de controlo mais apertado? Porque é que continuam a ser autênticos poderes? Porque é que se fomenta esta espécie de dádiva mas não se fomenta o empowerment dos cidadãos? Porque é que se utiliza o discurso da morte pela fome quando em Portugal, tal, não é uma realidade? E nem é preciso ir à fome: perde-se a conta às instituições e aos milhões gastos, na história do empreendedorismo e de ajudar os outros a vingar na vida... Mas depois... Face aos milhões investidos quais são os resultados?

 

Não é por mero acaso que existem organizações empresariais que se recusam a trabalhar com a área social! Talvez porque percebem que aqueles que lhes pedem conseguem maiores lucros que os próprios!

 

Alguns dos melhores exemplos são muitas comunidades imigrantes que se ajudam mutuamente e permitem que muitos indivíduos consigam trabalho ou até montar um negócio e a maioria nem quer ouvir falar de instituições que os apoiem... Esses sim, são bons exemplos.

 

Experimentem desenvolver um projecto a título indivídual e vejam se conseguem? Experimentem, em  muitas zonas do país, desenvolver um projecto social ou de cidadania sem pedir autorização (e algo mais) a poderes instalados em associações, munícipios, misericórdias e Igreja... Não vão conseguir, é um mundo fechado e só aberto a alguns! Espantados com a Presidente da Associação Raríssimas? Existem autênticos ditadores na área social, um meio para atingir muitos fins e que nem sempre é o bem-estar do outro... Olhem à vossa volta, mesmo na vossa região, na vossa cidade, vila ou aldeia e vejam quem está à frente desta área... Não tenhamos receio de dizer que a área social em Portugal alimenta máfias muito poderosas e que muitas instituições sociais ou de ajuda ao próxima não passam de grupos de tráfico de influências...

 

Perguntem porque é que alguém como o Ministro Vieira da Silva e outros estão ligados aos orgãos sociais destas instituições? Porque é que um dos próximos da lista era um deputado do PSD? Somem a isto os imensos apoios que esta instituição tem e rapidamente chegarão a uma conclusão... A área social em Portugal tem de ser alvo de uma avaliação profunda, tal como outras tantas áreas, a cultura é uma outra... 

 

Estamos num país onde é mais fácil gerar retorno com a área social e a "ajudar" os pobrezinhos do que a criar valor, emprego e investimento! Tal já diz muito da triste situação em que nos encontramos.

 

Não sejamos ingénuos, são muitos aqueles que já trabalharam e trabalham com a área social e sabem bem como as coisas acontecem... Falar da área social em Portugal é tabu! É tabu porque, no dia em que se olhar para esta área com atenção vamos perceber que milhões e milhões de euros investidos nem um euro de Social Return on Investement (SROI) geraram! Falar da área social em Portugal é mexer com aquilo que mais de podre existe na sociedade, na política e na Igreja... E aqui nem o nosso Presidente escapa...

 

De facto, também existem situações em que o trabalho é bem feito e existe um claro espírito de missão, e a esses voltarei! Mas é por isso mesmo, por existirem esses bons exemplos que nós, cidadãos, devemos exigir um claro escrutínio destas instiuições... Podemos fazer muito, basta que deixemos de participar em actividades e também em deixar de dar donativos. Podemos pressionar o poder central para que feche a torneira que alimenta autênticas oligarquias e sorvedouros do dinheiro dos nossos impostos.

 

Em tempos alguém me dizia... "achas que se fosse uma área com tantas dificuldades quem lá está se perpetuava eternamente e destruía todos aqueles que poderiam assumir o lugar e trazer sangue novo? Já viste alguém que lá esta a pedir para si por não ter que comer?".

 

É Natal, sejamos verdadeiramente solidários e actuemos directamente, porque... Se todos agirmos como verdadeiros cidadãos estas instituições deixarão de ter razão de existir. E para sermos solidários, não precisamos de andar sempre a dizer que o somos... A verdadeira solidariedade não tem publicidade, para isso temos a Responsabilidade Social Corporativa, onde aí até faz sentido... Até porque cansa ouvir um sem número de indivíduos todos os dias a repetirem que já entregaram um saquinho de comida a pobrezinho mas depois, no seu dia-a-dia são autênticos seres desprezíveis para com quem os rodeia.

 

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 Fonte: http://www.brostrick.com/celebrity-news/movies-reviews/best-goodfellas-quotes-and-gifs/

 

Andava-se pelo apogeu do Programa de Estágios Profissionais na Admnistração Local (PEPAL), tinha acabado o curso e havia passado por um estágio não remunerado numa instituição pública. Entre outros empregos lá me candidatei a alguns estágios PEPAL. Estes estágios eram sobretudo em Câmaras Municipais, como o próprio nome indica. Eu gosto de lhes chamar os estágios EPAL, porque só metem água, uma piada mal conseguida, eu sei.

 

O primeiro foi numa Câmara da margem sul do Tejo. Um bom Curriculum Vitae (CV) e uma entrevista com três senhoras, entre elas a Vice-Presidente da Câmara, que fizeram o frete de me ter ali para cumprir calendário, aliás, a mim e a outros. Acredito que aqui terei boicotado a minha contratação, afinal disse que o concelho que se queria aproximar de Lisboa precisava de intervenções profundas, sobretudo ao nível das mentalidades e em promoção, caso contrário continuaria fora do mapa. Até apresentei ideias, mas sempre com gargalhadas e comentários "ahahah fora do mapa, enfim" a ecoarem pela sala.

Nem fiquei mal colocado, fiquei entre os cinco primeiros, mas com aquelas médias em que um CV fraco tem uma entrevista tão boa que dos lugares de baixo rapidamente contorna os outros todos... Quem já esteve em concursos públicos viciados, percebe o que digo. E sim, talvez me tenha excedido... É que dizer a um político, cuja câmara é vizinha da capital, que o seu município não está no mapa... E será que uma das senhoras, algo matrafona, terá reparado que quando a vi, a minha primeira expressão foi de susto?

 

Mais tarde as coisas mudaram, pois existiam muitas impuganções, e já começámos a ver concursos em que se contratava um Engenheiro Civil, mas com a condição de ter tirado um curso de cozinha na escola "Y" e um outro curso de decorador de interiores na escola "X", sem esquecer alguns anos de experiência no sector público. Assim seria mais justo... Afinal, pessoas com este leque de qualificações não faltam.  

 

Um outro entre uns cinco concursos, dos outros desisti depois de perceber que era tempo perdido, foi num munícipio ribatejano. Uma excelente avaliação curricular, uma entrevista que correu muito bem e mais de dois meses para receber a tão desejada resposta. Contacto daqui, contacto dali... Consegui finalmente falar com uma das pessoas (por sinal, a que tinha menos peso na hierarquia) que se lembrou imediatamente de mim - ah, o "Robinson"! - e focou que não me haviam esquecido e que eu até tinha sido a pessoa que mais tinha agradado mas que "você sabe, estas coisas, mas gostamos tanto de si, mas nestas coisas, você sabe não é?". A partir desse dia nunca mais me candidatei a qualquer concurso público, mais tarde percebi que também não tinha perfil para trabalhar no sector, e como diz o povo, acabam por existir males que nos chegam por bem.

 

P.S: Menti! Também me candidatei a uma instituição pública (em Évora) sim, mas por candidatura espontânea (ainda sabem o que é?) e até fui chamado e escolhido. Escolhido até me terem dito que não existiam os fundos necessários. Semanas mais tarde surgia um anúncio para a posição, mas a solicitar competências e habilitações que nada tinham a ver com a mesma... A título de exemplo, uma espécie de posição para jardineiro, mas com a obrigatoriedade de ter um curso de enfermagem. Ah! E também fui a uma entrevista na TAP (um concurso que me haviam dito já estar fechado mas mesmo assim lá fui) mas depois de ver tantos pilotos e outros funcionários a entrarem a espaços nas salas onde decorria o recrutamento acabei por desistir também... E não digam que sou má pessoa, até dei boleia a uma menina que queria ir para a Gare do Oriente e que, por sinal, era namorada de um cavalheiro que era... piloto. Nada contra a menina, até me pareceu boa pessoa. Era uma menina muito aplicada e amigo do próximo pois até me disse que tinha manuais de procedimentos e processos relativos à posição para a qual se estava a candidatar e que me dispensava os mesmos se eu desejasse...

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Fonte: http://dypk-portal.com/wp-content/uploads/2015/07/cap4.jpg

 

Já por várias vezes me colocaram a questão do porquê de nunca ceder a uma "cunha" ou a um favorecimento quando se trata de encontrar um emprego e o porquê de fazer disso um "cavalo de batalha", inclusive neste espaço. Já por várias vezes me disseram que estava a ir contra tudo o que é prática e que nunca conseguiria ir longe porque não aceitava favores e também nunca acedi a pedidos do género quando a temática era, e é, o emprego. 

 

Porquê? É a pergunta que aqueles que dizem que estou sozinho nesta caminhada me colocam, mesmo aqueles que gostam de escrever o contrário. A razão é simples, não só me retira a transparência, a independência e a autonomia, como numa grande maioria dos casos é corrupção. Sim, corrupção não é só fugir às finanças, pagar ao funcionário da câmara municipal para passar aquele documento, ver jogos de futebol pagos por uma petrolífera ou ser ilibado num caso de corrupção em que o Ministério Público do meu país diz uma coisa e em Bruxelas alguém diz o contrário.

 

Poderia falar nos valores que me foram incutidos, poderia dizer que lá por casa a ética, os valores e a integridade nesses campos não eram negociáveis. Não estou aqui a ser fundamentalista, ao serviço de outras organizações já tive de me debater com ethical dilemas e seguir caminhos que não eram os mais justos.

 

Mas vou por exemplos...

 

Antes de ter acabado o meu primeiro curso, aceitei um estágio curricular numa instituição pública e que se deveu a um esforço hercúleo da minha parte (só faltou falar com Deus) e quase numa óptica de pagar para trabalhar - basicamente foi isso que aconteceu, porque tudo tem despesas. Aprendi imenso, até porque era uma instituição que se movia e com uma direcção que procurava chegar um pouco mais longe. Três meses passaram, acabei o curso e fiquei mais três meses para aprender, até porque para mim só encontrava mais-valias. Passados então seis meses de trabalho não remunerado (salvo um colega que incluiu no último mês algumas das minhas deslocações nas suas contas) existiu a necessidade de contratar um candidato para o departamento. Perante o meu trabalho, que foi imediatamente reconhecido, fui a jogo com dois indivíduos que já estavam no departamento em regime de prestação de serviços e tinham ali uma oportunidade de passar para um contrato com a instituição ou então abandonar a mesma.

 

Provas dadas, fui considerado ao candidato ideal para o cargo, até porque dos outros ninguém tinha conhecimento de qualquer trabalho realizado a não ser a sensação de impunidade e o dado adquirido de que estando ali, já ninguém os tirava - muito comum por aí. A chefia do departamento estava de acordo e todo um departamento encantado por ter o "puto estagiário" sem amigos aqui e ali a entrar e a mostrar trabalho. Acredito que, para muitos, era sinal de que uma mudança finalmente ía acontecer.

 

Estava tudo a correr bem até que as ordens de cima, nomeadamente de um vereador, deitaram este desejo por terra, porque um dos indivíduos era sobrinho do sobrinho do sobrinho do sobrinho do indivíduo X do amigo do partido Y. Sei ainda hoje que um departamento inteiro lutou por mim sem sucesso, ainda mais quando aquela vaga passou a ter a companhia de outra vaga mas que só abrira para colocar o indivíduo que só tinha a sorte de ser amigo do sobrinho do sobrinho (o resto já vocês sabem). Lembram-se de eu ter dito que eram dois, mas a vaga era uma? Ainda me recordo do desespero do Director do Departamento a assumir que não poderia fazer mais.

 

Foi aí a primeira vez, com pouco mais de 20 anos, que senti a injustiça desse mundo na pele. Foi aí que tive a minha primeira lição de mercado de trabalho, sobretudo no sector público. Mas ainda não tinha sido a maior lição de todas.

 

Uma nota... meses mais tarde, a cúpula do poder dessa instituição viria a cair num escândalo de corrupção e tráfico de influências bastante mediático.

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Marcelo e a Direcção dos Ventos...

por Robinson Kanes, em 04.12.17

 

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Fonte: http://rr.sapo.pt/noticia/79354/canonizacao_dos_pastorinhos_e_motivo_de_jubilo_para_portugal

 

No Portugal do século XXI os novos heróis não conquistam territórios, não criam empresas, e por arrasto, emprego... No Portugal do século XXI os novos heróis não demonstram trabalho e garra, no entanto, os novos heróis de Portugal dividem-se em duas categorias: aqueles que se movem no silêncio de alguns submundos e dos quais pouco ou nada se fala, importa recordar que, para alguns, a família Montalbano é uma família de heróis... Depois temos os outros, aqueles que se movem em círculos mais mediáticos mesmo que nada tenham feito pelo seu país. Aliás, se em alguns círculos fumar umas drogas ou mostrar comportamentos menos morais e legais é sinal de grande reconhecimento, noutros, naqueles onde se movimenta a maioria dos portugueses é um crime hediondo e um com direito ao selo da ostracização com consequente patrocínio do rendimento mínimo para que ninguém se revolte e procure empowerment.

 

Isto a própósito do facto de ter estado fora de Portugal, e para o bem ou para o mal, ter percebido que morreu um dos mais importante empresários da nossa história. Todavia, fiquei com a sensação de que entretanto também havia morrido algum Primeiro-Ministro ou uma outra qualquer figura que tenha tido um verdadeiro impacte na vida de todos nós... Mas afinal foi um guitarrista que por vontade de alguns também em breve se juntará aos jantares do Panteão.

 

Sempre igual a si próprio, aquele que se diz o presidente de todos os portugueses, com o apoio de toda a classe política, lá veio escolher e mostrar o seu “cata-ventismo”, tratando um guitarrista de uma banda nacional como se fosse um qualquer Vasco da Gama ou até um Pedro Álvares Cabral! Não sei qual era o a relação quando este ainda era vivo, mas são muitos os esquecidos que de repente ficam rodeados de amigos quando morrem... Sobretudo se aparecerem nos jornais.

 

Começamos a ver é que o Presidente de todos os portugueses é mais presidente de uns do que de outros e até se arroga no direito de exaltar indivíduos e organizações (agora lembrei-me da campanha que Marcelo fez a favor do Banco Alimentar – uma organização de cariz privado e que levanta muitas reticências inclusive na área social) com as quais a esmagadora maioria dos portugueses não se revê.

 

Marcelo descobriu que a fama e o “papagaismo” saloio podem ter uma grande arena nas tragédias. São as acções de solidariedade cronometradas com os jornalistas para que o presidente de todos os portugueses surja com uma caixa de laranjas na mão e são também as colagens à morte deste e daquele depois de bem estudada a lição e de se perceber que vai ter efeitos mediáticos. Honestamente, Marcelo é um narcisista carente de atenção e que não perde uma para se mostrar. Honestamente, prefiro também múmias que trabalhem (sem qualquer relação com outro presidente) a indivíduos que falem muito mas mostrem pouco.

 

E, se para o bem cá estamos a celebrar acontecimentos desportivos, desde que sejam do agrado dos portugueses, para o mal, nada como exaltar a morte daqueles que frequentam o seu círculo de amizades enriquecendo assim, o falatório e o show off bacocos enquanto os reais problemas continuam a existir. Enquanto o presidente que transforma a solidariedade numa forte arma para se promover continua, por exemplo, a alimentar os suspeitos do costume. Marcelo confunde solidariedade com dádiva, o que é estranho para quem diz ler muito... Marcelo só não alimenta uma causa que está relacionada com o caso Espírito Santo, sobretudo depois de ter amuado ao não ser convidado para a passagem de ano na ilha da família Espírito Santo em Angra dos Reis, Brasil. Desde então, o sliêncio é sepulcral...

 

"Kim Jong Marcelo", uma espécie de grande lider mas sem grande poder, é tão presidente de todos os portugueses que já escolhe quem são as referências da nação, as madrinhas, os padrinhos, os inspiradores rockeiros, mas não toca em temas sensíveis como a reforma da administração pública ou num dos maiores atentados à democracia que são os “jobs for the boys”. Enquanto prepara a consoada debaixo de câmeras de filmar em Pedrogão, estranho que o presidente de todos os portugueses ainda não tenha feito o devido seguimento ao “doa a quem doer” a propósito dos incêndios do passado Verão, dos crimes de corrupção nas forças armadas (das quais é Comandante Supremo, importa não esquecer), da corrupção na administração central e local e ainda relativamente a Tancos. Doa a quem doer, desde que não doa ao presidente de todos os portugueses, porque é preciso ganhar eleições e este, mesmo com um país a arder, não hesitou em colocar esse tema em cima da mesa... O mesmo que dizia que tudo o que podia estava a ser feito, mas quando o povo pediu responsabilidades voltou atrás e disparou na direcção do Governo... É também Marcelo que permanece calado quando se fala de corrupção em instituições como a Cáritas e outras tantas do sector social... Esse sector que Marcelo tanto apadrinha. O povo esquece-se rápido, mas ainda há quem vá tendo auxiliares de memória...

 

Espero que o povo não deixe Marcelo ser uma espécie de Fernão Lopes que nas suas crónicas criou alguns dos verdadeiros heróis de Portugal, mesmo que muitas das histórias tenham sido deturpadas. Esperemos que aquele que defendeu em tempos um ataque ao Irão com armas nucleares, não crie uma enorme cratera na História de Portugal.

 

Esperemos que aquele que defendeu que jovens mal preparados morressem em África numa violenta guerra, apelidando alguns de não amarem a pátria, mas que fugiu ao serviço militar quando a isso foi "chamado", não tape uma certa incompetência com o preenchimento massivo de capas de jornais...

 

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O Outono... O Pointer... E as Memórias...

por Robinson Kanes, em 16.11.17

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Fonte das Imagens: Própria. 

 

Já deixei aqui bem patente a minha paixão pelo Outono. Por lá disse que "o Outono dá cor às nossas telas, inspiração à nossa música, faz-nos dançar com as folhas e gentilmente sentir o chão ao pousarmos e a esvoaçarmos novamente, como as aves que partem para destinos mais quentes. O Outono é arte e não é por acaso que existem lugares neste Portugal e não só, onde o Outono é a época mais bonita do ano: pensem no Douro, no Alentejo ou então vamos até à Toscânia ou deixemo-nos prender pela paisagem de Santorini enquanto bebemos um café grego (aquilo para mim é café turco, mas pronto) e admiramos os telhados azuis. O Outono é talvez a mais poderosa e artística estação nos países do mediterrâneo".

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O Outono lembra-me sempre um dos meus grandes amigos, o Nilo. O Nilo é Pointer Inglês "cá de casa", um caçador nato  que não faz mal a uma mosca mas que por isso não perde todos os instintos. A propósito disso, o Outono lembra-me também a época de caça (embora não seja caçador) e todo o movimento que em tempos a mesma provocava, sobretudo em zonas mais rurais. Lembro-me da azáfama junto de tabernas e largos de vilas e aldeias... Dos restaurantes típicos cheios de caçadores e de todo aquele convívio em torno de uma actividade que, independentemente do que possamos pensar da mesma, animava, e de que maneira, aqueles locais.

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Retomando ao Nilo, só posso recordar esta força da Natureza que é capaz de sair às sete da manhã de casa, começar a correr e só parar às sete da tarde e continuar como se nada tivesse acontecido. Costumamos brincar e dizer que esta raça e outras similares têm uma baixa esperança de vida porque vivem tão intensamente essa mesma vida que é impossível um coração aguentar tantos anos de energia ao máximo. Encontrar o Nilo parado é um verdadeiro desafio, pelo que é necessário possuir características de fotógrafo da "National Geographic" e esperar pacientemente que o dono dos campos pare, nem que seja para respirar...

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Um outro aspecto do Outono que me encata é o musgo nos muros, sobretudo nos muros de pedra. Regressar depois do Verão e ver o musgo seco a ganhar cor no granito é dos espectáculos mais bonitos que a natureza nos proporciona. Muitos de nós desconhecemos a quantidade de vidas que este fenómeno permite que existam e, de facto. é algo único. Existe quem o queira arrancar, nós deixamo-lo estar, afinal, nos muros de pedra, a melhor tinta é a própria natureza e na Primavera, os lagartos aplaudem este ecossistema quando deixam a hibernação e procuram os primeiros raios de sol.

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Atenção... Acho que consegui encontrar o Nilo parado...

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 Bom Outono... E tanto que se fala no Natal quando ainda falta tanto para o mesmo, talvez o melhor presente seja um copo de sol outonal...

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 Fonte da Imagem:http://www.elmundo.es/opinion/2017/09/18/59bea48322601d36388b4588.html

 

Num artigo de inícios de Outubro abordei a questão da Catalunha. No dia 13 de Novembro, tive uma visita de um indivíduo que comentou o mesmo e com o qual me envolvi no debate, sobretudo acerca da "Questão de Olivença". Pela riqueza dos comentários, convidei o mesmo a identificar-se (se assim o desejasse e sem necessidade de assumir a identidade real) e a partilhar a opinião com um artigo neste espaço. 

 

O Carlos Luna foi mais longe e até o local de residência divulgou. Divulgou também o que, segundo o mesmo, jornais como o Expresso e o Público se recusam a publicar.

 

Em muitos pontos, sublinho que discordo com o autor e até com muito do que é defendido pela sua inclinação partidária, mas isso não me pode impedir de divulgar aqui o mesmo (até porque sou apartidário), dada a riqueza e importância que pode trazer para o debate! Não conheço o Carlos, que em muitos pontos "criticou" até a minha postura face ao movimento independentista catalão vs Olivença. Todavia, é sem dúvida um texto que merece a pena ler. Ao Carlos, o meu muito obrigado e no fundo um obrigado por ser também a primeira vez que as portas se abrem para alguém expressar no palco principal, a sua opinião.

 

 

P/Carlos Eduardo da Cruz Luna (Prof. História e formado pela Faculdade (Clássica) de Letras de Lisboa; oposicionista ao regime de Marcello  Caetano desde 1972) (Bloco de Esquerda)

 

Pensei que conseguiria ficar em silêncio perante os recentes acontecimentos em Espanha. Não porque não tivesse opinião sobre o problema da Catalunha, mas porque entendia que esse era um problema interno espanhol. Por ironia, tendo-me dedicado muito, desde há trinta anos, a estudar as questões relacionadas com o velho litígio de Olivença, ainda menos me sentia à vontade. Na realidade, o problema da Catalunha tem reflexos negativos sobre alguns aspetos ligados a este problema. Um grupo de oliventinos tem, com sucesso crescente, despertado muitos dos seus conterrâneos para as vertentes históricas, culturais, e linguísticas da cultura local, e até têm surgido pedidos de nacionalidade portuguesa. Evidentemente, este grupo não deseja pronunciar-se sobre as questões de soberania, ainda pendentes, entre Portugal e Espanha. Limita-se a reclamar o direito a restaurar a memória, necessariamente portuguesa, que é propriedade do povo local. Claro que a questão levantada pela situação na Catalunha, ao levar a um recrudescimento de afirmação do nacionalismo espanhol, só pode ser prejudicial a este caminho, pois, para muitos setores, o despertar das raízes lusas de Olivença poderá significar que, também ali, se quer de alguma forma beliscar a unidade espanhola. Convém acentuar que não é legítima qualquer comparação entre Olivença e a Catalunha. Na primeira, estamos perante um pequeno território de dois municípios (Olivença e Táliga) que quer recuperar o que indiscutivelmente lhe pertence: a sua História. Que foi a que foi, independentemente do Estado que exerce a sua soberania. Para os dinamizadores desta atividade, a questão da soberania é um aspeto secundário, mesmo porque tais problemas se equacionam a nível diplomático, e entre governos nacionais, e não a um nível que pouco mais é que municipal.

Outro problema é o da unidade da Espanha e do direito, ou não, de alguma das suas comunidades se poder converter num estado independente. Aqui, o que tenho lido enferma, muitas vezes, duma tal ilogicidade, que não resisto a fazer alguns comentários. Serão um desabafo, talvez. Entenda-se como se queira!

Talvez por estar ligado ao estudo da História, creio que esta questão tem de ser examinada a esse nível. Na verdade, ao longo dos séculos, na Europa, várias nações foram ganhando a sua unidade e foram-se transformando em estado modernos. Todavia, não se pode pretender ignorar que os povos, ou as pequenas comunidades, ou, se se quiser, muitas pequenas nações, foram simplesmente ignoradas e submetidas aos estados mais extensos e modernos que se constituíram. Sem ir mais longe, em França, os bretões, dotados duma individualidade própria, nunca puderam constituir-se em estado soberano. E já nem falo dos corsos, mais italianos que franceses, anexados à França no século XVIII... porque a ilha foi vendida pelos genoveses.

 

Os exemplos podiam multiplicar-se. Na moderna Espanha, a cultura de Castela foi sendo alargada a quase todo o território resultante da união nascida do casamento dos reis católicos (coroas de Castela e de Aragão) no seculo XV-. Foi-se impondo, e caracteriza, hoje, a grande maioria do território espanhol. Regiões houve, todavia, que tinham desenvolvido, nalguns casos muitos séculos antes de 1473, estruturas políticas definidas e particularidades culturais muito próprias, para além de línguas distintas. O que Espanha poderia ter feito, ao longo dos séculos, era encontrar um certo equilíbrio, uma forma de governo e de administração que tivesse em conta estes fatores. Infelizmente, tal não sucedeu. O absolutismo, a partir do século XVIII, agravou a situação. No século XIX, com o despertar dos nacionalismos estruturais em várias regiões (não se deve confundi-los com os nacionalismos fascistas, que são do século XX), vários povos começaram a recuperar a sua História e a redefinir a sua identidade. Infelizmente, a maioria das pequenas nações teve de lutar com os nacionalismos mais poderosos, muitos deles resultantes da afirmação de aparelhos de estado, reformados, que deviam a sua existência aos velhos absolutismos reais. Por toda a Europa, surgiram movimentos patrióticos, alguns visando agregar pequenos estados de origem feudal ( casos da Alemanha e da Itália), outros criar novos. Sucederam-se as vitórias e as derrotas. Após a Primeira Guerra Mundial, vários povos conseguiram a independência, já no século XX. Outros não. Mais alguns a conseguiram no final da década de 1980, princípios da década de 1990. Mas...outros não.

Sucedem-se as ironias. O nacionalismo, diz-se, causou horrores inenarráveis. Dito assim, está-se perante uma generalização abusiva. Não se pode meter no mesmo saco o nacionalismo agressivo e fascista da Alemanha de Hitler ou da Itália de Mussolini do nacionalismo libertador da Irlanda em 1916-1922. O nacionalismo, por si só, não define uma atitude violenta. Mas sem dúvida que é violento não reconhecer o direito dos povos (das nações, afinal) a disporem de si próprias. Neste caso, para se criticar o nacionalismo e o direito de independência dum grupo humano, apoia-se o nacionalismo agressivo de quem oprime esse povo. Como se pode pretender ser justo ao fazer generalizações destas(

Diz-se que a União Europeia surgiu como força unificadora de um continente que só unido poderia ter um papel mundial. Uma força democrática, claro. Mas, pelos vistos, não ao ponto de admitir recomposições e alterações fronteiriças internas. Ao contrário das decisões do Congresso de Viena, não há, na UE, uma força militar que possa ser solicitada e enviada para reprimir desvios às normas. Mas... se quem o fizer estiver sujeito à expulsão e à asfixia económica...qual é a diferença?

Fala-se em não abrir portas a nacionalismos exarcebados ou a populismos. Mas, numa UE tão pouco recetiva à vontade de algumas das comunidades nela integrados, como evitar este fenómeno? Eles surgirão... tanto entre quem se sente marginalizado, como entre as nacionalidades que são historicamente dominantes. Dizer, como já li, que se está contra movimentos seccionistas porque eles fazem ressurgir autoritarismos antigos acaba, na prática, por significar que os anseios legítimos (ou, pelo menos, compreensíveis, e com fundamentos históricos antigos) de vários povos da Europa se devem calar perante o que consideram ser velhas formas de negação dos seus anseios. De certa forma, e fazendo uma comparação jurídica um tanto abusiva, pede-se às vítimas que se calem, para não serem ainda mais violentamente agredidas!

 

Outro discurso que me deixa perturbado é o de que apoiar desejos independentistas pelo mundo fora é respeitar o Direito dos Povos à Autodeterminação, e é legítimo (quase que me atrevia a dizer: é "fino", ou politicamente correto). Mas, na Europa, é um retrocesso! Será que ainda ninguém reparou que este argumento é quase racista? Para os povos deste mundo, pobres coitados, com índices de desenvolvimento atrás da Europa, os nacionalismos independentistas até se compreendem. Mas, para a Europa, não! Os europeus têm um "outro nível", já ultrapassaram essas polémicas infantis! Que falta de maturidade revelaram os europeus das antigas Jugoslávia e União Soviética! E os Checos e os Eslovacos! Embora para muitos, nestes casos, como se tratava, quase sempre, de abater o ogre comunista... enfim, era aceitável.

 

Parece que a UE, dizem alguns, funciona mal com 27 ou 28 membros, e se tornaria ingovernável com 30, 40, ou mais. Portanto, vamos manter a Ordem Europeia a todo o custo. Todavia, para mim, o que está a funcionar mal é a própria UE. Se se quer uma Europa Unida, têm de se ouvir as populações. E, claro, combater os "tiques" mais ou menos imperialistas dos Estados mais poderosos e antigos... os tais que tiveram a oportunidade de formar estados-nação... embora "abafando" as pequenas nacionalidades. Lamento, mas nego-me a acreditar que a História acabou!

 

Ainda volto a Espanha. Após uma ditadura feroz, que esmagou os particularismos com particular violência, surgiu uma democracia em 1975. Mas... não se fez uma mudança até às últimas consequências. Conservou-se a monarquia, restaurada pelo defunto ditador, ainda que essa mesma monarquia, em 1981, tenha sido fundamental e tenha mostrado coragem para derrotar o golpe de 1981, pelo qual se procurava restaurar o regime autoritário. Foi-se mais longe; criaram-se autonomias. Primeiramente, as chamadas autonomias "históricas" (Catalunha, País Basco (e Navarra), Galiza. Mas... porque a mentalidade nacionalista não morrera, optou-se por dar a toda a Espanha uma mesma organização, para disfarçar uma tão inevitável cedência. E criaram-se autonomias abrangendo todo o território. Inventaram-se mesmo novas unidades, como a Cantábria. A Espanha tem de encontrar novos caminhos e pôr de parte muitos preconceitos. Continuar, ainda disfarçadamente, com a defesa da "España una, grande, y libre", não trará felicidade aos seus cidadãos. Evidentemente não defendo qualquer forma de ingerência nos seus assuntos internos, mas é com tristeza que vejo os acontecimentos atuais. Apelo a que tudo se consiga resolver em Espanha da forma mais democrática possível... ainda que este meu apelo, provavelmente, não chegue a quem, na minha opinião, deveria. Fica o desabafo!

 

Não se resolveu o problema fundamental de criar uma verdadeiramente nova organização do Estado Espanhol. O velho centralismo, embora disfarçado e adocicado, sempre esteve presente. Talvez se tenha perdido uma oportunidade para, por exemplo, formar uma confederação (estados de língua catalã, estados de língua castelhana, estados de língua basca, estado de língua galega, num equilíbrio fundamentado). Assim, ao tornar mais ou menos igual o que era diferente, a Espanha acabou por plantar as sementes de futuras e renovadas tensões internas. O problema da Catalunha, para mim, é um resultado deste erro.

 

Considero também de valor nulo as declarações que apontam para a falta de viabilidade económica de novos estados. Nenhum estado, por si só, tem viabilidade económica. Este tipo de argumento é sempre usado por estados que não querem dar a independência a povos que lhe estão submetidos. Aliás, este argumento, usado por pessoas que se dizem progressistas, acaba por as levar a apoiar o modelo económico ultracapitalista (o neoliberalismo) que criticam noutros foros de discussão, dando razão ao TINA, ou seja, o modelo económico é desumano e castrador, mas tem de ser apoiado, pois não há outro. Lamento, mas a minha militância de esquerda impede-me de aderir a este ponto de vista. Ao longo da História, muitos dos povos que se independentizaram perderam regalias económicas. Tiveram de procurar vias alternativas, e quase sempre o lograram fazer.

 

Estranho mundo o nosso, em que o pensamento único transforma setores progressistas da sociedade em defensores da negação do direito dos povos a serem livres, e a argumentarem como o fazem os donos da economia mundial, que veem em cada comunidade um número, uma possibilidade de exploração de mão-de-obra, uma oportunidade de lucro. E os princípios? O que vamos fazer aos ideias generosos de liberdade que levaram cada nova geração a, pelo menos, tentar construir um mundo melhor?

Não me reconheço nestes "modernos" setores progressistas. Lamento.

 

Estremoz, 29-outubro-2017

Carlos Eduardo da Cruz Luna

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 Fonte da Imagem:https://s3-eu-west-1.amazonaws.com/static.wetek.com/storage/events/597f0206-77d4-40df-a5cd-5c6925fc7e5d-websummitlisbon2017.jpg

 

Eventos como a "Web Summit" são, para mim, uma mais-valia para Portugal. São bons para a própria marca "Portugal", para o turismo e todos os seus actores e acima de tudo animam uma cidade que não deixa de ser uma das mais belas do Mundo. Com tantas criticas à mesma, seria interessante perceber os custos vs retorno desta face ao tão aplaudido Festival Eurovisão da Canção, por exemplo.

 

Discutir tecnologia é hoje fundamental. Não tenhamos dúvidas que o futuro passa por aqui e é importante desmistificar (contra a vontade de alguns) que não estamos perante nenhum "bicho de sete cabeças". Todavia, reconheço, que todos estes eventos (salvo algumas situações) são um mero encontro de profissionais e cujo retorno é sempre difícil de quantificar. Políticos e organizadores atiram números de milhões para o ar, mas na realidade, nunca temos contas certas, e neste campo, o Estado é responsável até porque financia, também com milhões, este evento. Eu sei que é aborrecido estragar a festa, mas quem já trabalhou com americanos, alemães e outras tantas nacionalidades sabe que o discurso é sempre interessante, mas os números têm de aparecer no papel e no terreno! Podemos falar de consumos de copos de água e cafés, do número de audiovisuais e afins, mas o que queremos são mesmo os números e os resultados concretos.

 

A "Web Summit", mais que um evento com resultados, é marketing e networking. Do ponto de vista do marketing é positivo, como também é necessário dar imagem ao mercado, ou não fosse a organização especialista em transmitir a ideia às organizações (sobretudo startups) que são convidadas e especiais, mas depois têm de pagar cerca de €1.500 para serem efectivamente tão especiais e dignas de convite. Do ponto de vista do networking também, todavia o foco nesta questão (apontada pela maioria como o ponto fundamental do evento) tira protagonismo à discussão de temas relevantes e ao desenvolvimento de estratégias para o futuro.

 

É neste sentido que, na "Web Summit", ficou também por esclarecer, apesar de ter sido abordado, como é que o mundo se vai preparar para toda esta revolução na robótica e que inclui a Inteligência Artificial (IA). Quais serão os reais impactes nas pessoas, nos negócios e nos países menos desenvolvidos? Eu sei que estamos perante um encontro na área das tecnologias da informação, mas não falar das pessoas... Como é que vamos conviver com este futuro que, para muitos, é visto com optimismo e para outros com grande pessimismo, enquanto a grande maioria não pensa nisso enquanto se diverte a brincar com o cão robot e não tem paciência para um cão de carne e osso. Interessante os risos e a satisfação quando um robot se vira para os humanos e lhes diz que o emprego destes tem os dias contados mas não lhes oferece uma solução... Mas a maioria aplaude. Aplaude até não ter emprego e passar a ser a personagem de um romance-catástrofe.

 

Não sou contra a IA, no entanto, defendo que esta merece uma grande discussão! Não só ao nível da ética mas também das consequências positivas e negativas que trará e, como já referi num outro artigo, comparar esta revolução com a primeira Revolução Industrial é no mínimo patético e revela um total desconhecimento do passado e do presente. Como é que enquadramos esta realidade nos desafios do presente e do futuro? Aqui, estamos perante um enorme  buraco negro em que ninguém arrisca entrar e já nem vamos falar da quase ausência da questão da responsabilidade social - não chega ter Al Gore a lançar desafios... É preciso agarrá-los. A lógica da sensibilização de cada um de nós tem limites, todavia, as mentalidades não se mudam somente com conselhos.

 

Fiquei também com a sensação que a "Web Summit" é um acontecimento político. À boa maneira portuguesa, a presença dos políticos do costume (Presidente da República - que até deixou a questão da água para segundo plano - e Primeiro Ministro incluídos) demonstra o ainda peso do Estado e a propaganda que grassa nestes meios. Até tivemos um presidente de câmara, Fernando Medina, que acompanhou todo o evento, mais parecia a "Web Medina", mas depois disse não ter conhecimento de um jantar no Panteão (um dos momentos altos da conferência), chegando mesmo a estar contra o mesmo.

 

Desta feita até foi bom, porque "apagou" a questão da legionella num hospital público, causando amnésia ao Presidente da República que encarou este facto como único, esquecendo o que aconteceu em Alverca em tempos recentes. Neste âmbito, também foi interessante assistir à presença de João Vasconcelos (ex Secretário de Estado da Indústria) como se ainda ocupasse um cargo de Estado (estando presente inclusive em alguns dos certames oficiais e diplomáticos) após ter sido demitido, perdão, se ter demitido devido ao escândalo com as viagens pagas pela GALP e cujo inquérito ainda decorre. Pelo campanha de comunicação em torno deste indivíduo, então no LinkedIn e em alguns "media" é bem latente que ter saído do Governo foi a melhor coisa que lhe poderia ter acontecido. José Régio escreveu "Há Mais Mundos", eu escreveria "Há Mais Isaltinos".

 

Mais uma vez, passou-se a imagem que Portugal é Lisboa... Tirando um evento de surf na Ericeira, num país pequeno como o nosso não ficaria mal alargar o âmbito da conferência. Contudo, a ideia com que fiquei, e aqui baseio o meu relato somente naquilo que vou ouvindo, é que a "Web Summit" é uma coisa, os portugueses são outra... O português comum é totalmente arredado deste evento não só por falta de informação concreta, bem como pela apresentação dos resultados... Volta a questão do empowerment e da crónica estupidez nacional de não gostar muito de passar a informação toda capacitando assim os outros. Em muitos com quem falei, encontrei a ideia de que a "Web Summit" é um evento elitista, quando não o deveria ser, e muito menos me parece que seja essa a ideia de Paddy Cosgrave. Na verdade, não é por andarmos de t-shirt e calças de ganga que a nossa mentalidade se torna mais cool ou moderna. Não é por se trocar o fato, a gravata e o golfe, por um polo, umas sapatilhas e surf que deixamos de ser aquele executivo labrego e nos transformamos no mais atractivo CEO do mundo.

 

Finalmente, algumas provocações: no país da tecnologia, não é de estranhar que durante os incêndios esta tenha falhado redondamente? No país da tencologia, não é de estranhar que muitas das inovações portuguesas (inclusive na área dos incêndios) não tenham a devida projecção? No país da tecnologia ainda discutimos jantares no Panteão nacional como se a nossa independência estivesse em causa e esquecemos o que realmente tem travado o nosso desenvolvimento? No país da tecnologia, porque é que ainda continuamos com uma mentalidade obsoleta? Porque a tecnologia altera hábitos mas não muda mentalidades.

 

Esperemos por 2018 e finalmente por bons resultados... Porque também isso leva o seu tempo e em relação à "Web Summit" quero continuar optimista. Venha a próxima edição...

 

Uma nota: ainda a propósito do famoso jantar, pede-se aos humoristas nacionais (muitos deles tão inteligentes que julgam viver num universo acima daqueles que ainda os sustentam)  que tenham em atenção o facto de personalidades como Camões, Vasco da Gama, D. Nuno Álvares Pereira, Pedro Álvares Cabral, Afonso de Albuquerque e o Infante D. Henrique (destes quatro últimos nem ninguém se lembrou) não se encontrarem sepultados no Panteão. Na Igreja de Santa Engrácia encontram-se somente os cenotáfios destes. No país da tecnologia e de gente que domina a praça pública e se diz tão evoluída já deveriam saber isso...

 

 

 

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Há Festa no Panteão! E Mais Houvesse!

por Robinson Kanes, em 13.11.17

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 Fonte da Imagem: Própria

 

E mais uma vez, a ditadura das redes sociais ditou que um não-tema se tornasse num dos mais comentados. O segredo para se conseguir algo do Governo, da Justiça ou seja lá do que for é colocando o mesmo nas redes sociais pois são estas bem mais importantes que a palavra ou a acção dos cidadãos. Liderarmos com base no que dizem as redes sociais vai-nos levar por um caminho perigoso...


Festas e outros eventos sempre existiram em monumentos nacionais! Fossem religiosos ou não, este tipo de eventos sempre existiu ou os jantares e as festas privadas de uns iluminados deste país nos Jerónimos (que rapidamente são abafadas quando se descobrem) são o quê? E outras tantas festas que acontecem em conventos e igrejas, são o quê? 

 

Será que os portugueses se revoltariam tanto se soubessem quanto custam aqueles jantares de Estado em Queluz, Mafra ou mesmo na Ajuda. Será que os portugueses se revoltariam com os luxos que pagam às autarquias, poder central, outras tantas instituições do Estado e subsidiodependentes de toda esta máquina? 

 

Não entendo a revolta com um jantar de gala num espaço que tem um custo de aluguer de €3.000.00! São os que criticam esses jantares que se revoltam por pagar para entrar nesses espaços! No entanto, se o Panteão estiver a cair aos bocados já nos revoltamos porque ninguém o repara ou fica em estado de choque quando vê o valor dos seus impostos reflectido no funcionamento dos mesmos! Quem me dera que todos os dias existisse um jantar no Panteão e outros monumentos nacionais, desde que salvaguardando o património.

 

Vamos proibir as visitas turísticas, porque são entretenimento, vamos proibir os espectáculos musicais porque são entretenimento, até o artigo que escrevi em tempos sobre o Panteão é uma devassa do espaço e deve ser proibido! Não sugiro que se façam "raves" no Panteão, todavia um jantar de gala é um evento nobre, protocolar! Só num país onde as pessoas estão habituadas a ter tudo de mão beijada se pode colocar esta questão, não admira por isso que as contas públicas sejam o que são.

 

Eu ficaria do lado dos contestatários se estes perguntassem porque é que algumas figuras lá estão sepultadas e outras não... Se são estes os nossos heróis, diria que alguém não estudou história. Sobre isso não vejo ninguém a colocar questões. Destes contestatários, quantos já foram ao Panteão? Quantos sabem quais as figuras que lá estão sepultadas? De repente os comentadores de tudo e de nada tornaram-se patriotas porque sempre dá mais uns "likes".

 

Todos os dias existem eventos em Portugal e não são só aqueles que surgem nas televisões. Todos os dias somos visitados por grupos de empresas que realizam imensos eventos e usufruem também destes espaços, pagando pelos mesmos e garantido a conservação e funcionamento destes. Até naquilo que é de todos queremos ter a nossa "quintinha"? Ainda criticamos o orgulhosamente sós que um estadista em tempos proferiu. 

 

Surpreende-me também que o próprio Primeiro-Ministro tenha apelidado esta iniciativa de indigna aproveitando a mesma para, políticamente, criticar o Governo anterior, esquecendo que bem antes do mesmo já haviam lá sido realizados eventos com a chancela do seu partido e até do próprio António Costa, quem diria! Então não estarão lá potenciais investidores na economia do país? Não estamos a trabalhar pelo desenvolvimento de Portugal? Até porque alguns dos que lá estão sepultados ao invés de darem algo ao país, sempre viveram foi à sombra do dinheiro deste país. Uma nota de destaque para Paddy Cosgrave que rapidamente veio a público pedir desculpas. Reconheço que foi um acto de nobreza, mas não o deveria ter feito - solicitou um serviço que lhe foi prestado. Também Marcelo Rebelo de Sousa, na sua já habitual atitude de cata-vento da nação criticou o jantar, tudo a bem das sondagens e depois de perceber a reacção popular. Eu criticaria as feiras do livro (comerciais) em Belém... Sobretudo quando este tem um histórico de promover livros na televisão, maioria dos quais nunca leu... É sempre mais confortável seguir a linha da popularidade, sempre nos dá um destaque...

 

Mas finalmente falemos de mercantilização - se para os partidos e senhores deputados deste país o Panteão não deve ser mecantilizado, então deixemos de financiar também os partidos que devem ser independentes na sua acção a favor do país! Deixemos também de mercantilizar as almas de muitos deputados, sindicatos e funcionários deste país a bem da sobrevivência do mesmo! Será que se não fosse a mercantilização dos reais interesses da nação muitos destes senhores optariam pelo caminho político? Não me parece!

 

O dinheiro não cai do céu, embora por cá todos tenhamos a ideia de que podemos gastar o que temos e o que não temos que depois alguém paga a conta... Não é assim! As coisas têm custos e esses custos têm de ser pagos e se for através do encaixe que advém pela dinamização e divulgação destes espaços, porque não?

 

Quem se quiser revoltar, revolte-se com isto: em tempos tive de organizar um evento num monumento nacional, um dos mais importantes deste país! Pagámos o espaço e alguns serviços adjudicados em exclusividade (que o mesmo espaço obrigava a contratar) e no final, aquando da recepção das diferentes facturas, temos um recibo ("recibo-verde") da pessoa que acompanhou o processo (receber-nos e enviar os custos somente). Questionámos e foi-nos dito pela mesma que era assim! Estranhámos a situação e indagámos junto de entidades que já haviam passado pelo mesmo e que nos aconselharam a não falar muito e pagar sob pena da respectiva pessoa nos dificultar a vida ao máximo e quase embargar o evento! Estamos somente a falar de uma técnica que trabalhava naquele espaço! Mas mais uma vez, criticar uma festa é mais cómodo do que criticar corrupção, porque aí pode algo pode explodir bem perto de nós e ninguém quer levar com estilhaços!

 

Que bom seria, se todos os dias existisse um jantar no Panteão e que toda esta raiva por parte de muitos cidadãos e políticos tivesse sido demonstrada quando mais de 100 heróis nacionais perderam a vida há menos de 6 meses! Que esta raiva se unisse contra os grandes problemas estruturais deste país e deixássemos os afectos e os aspectos decorativos para depois...

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Perigo! Zona de "Selfies"...

por Robinson Kanes, em 09.11.17

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 Fonte da imagem: https://www.diyphotography.net/a-fatal-month-for-selfie-photographers-why-is-it-so-dangerous/

 

Numa época em que tudo é vendável, em que é possível vender um fio de cabelo, uma falsa imagem ou até, como uma actriz brasileira de 43 anos, utilizar um outdoor para publicitar a virgindade a troco de estabilidade financeira, será importante perceber se, numa Era em que atingimos o ex-libris máximo da troca de informação e da exposição, não devemos começar também a estimular o nosso espírito crítico acerca de tudo aquilo que nos rodeia, seja bom ou seja mau - uma espécie de contraste ao Admirável Mundo Novo sem nos sentirmos uma espécie de “Sr. Selvagem”.

 

Ainda me recordo do desvio de um avião há mais de dois anos, onde temos um pirata do ar que, procurando exposição e “dar nas vistas” (não me vou debater sobre problemas de carácter psicológico), desvia um avião do Egipto para o Chipre, somente porque tem uma carta para a antiga mulher. Ao que sei, no Egipto existe aquilo a que podemos chamar os CTT locais, ou até empresas de distribuição ao estilo UPS ou DHL. Mas porque não desviar um avião? 

 

Soubesse eu isto, e quando frequentava o ciclo, tinha desviado a carreira 18 para ir entregar a casa da Madalena aquela carta de amor cheia de erros... Mas tremendamente apaixonada, pelo menos até ter conhecido a Maria no dia seguinte ou a Luísa do 9ºano na semana que viria depois.

 

A isto, junto aqueles indivíduos que depois de um avião ter aterrado com os motores em chamas estão mais preocupados em filmar o momento e levar os bens do que propriamente evacuar o mesmo o mais rápido possível! Casos destes não faltam. E o que é que devemos fazer numa situação de pânico ou terror? Fugir? Ajudar quem possa necessitar? Não! Fotografar ou até filmar e de preferência com a nossa face sempre presente, com direito a relato e com aqueles sons típicos de esforço e sofrimento. Só me lembro de um indivíduo durante a época de incêndios em Portugal, numa auto-estrada rodeada de chamas, a passar a imagem de que estava perante o medo da morte e em pânico, mas a conduzir de telemóvel em riste e a emitir verbalmente o seu pânico! Eu vou morrer, mas vou morrer com estilo! Aliás, se morrer é que isto vai ter visualizações que nunca mais acabam!

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 Fonte da Imagem:http://www.newsdon.com/a-panic-picnic-of-bengaluru-students/

 

Mais uma vez, a informação e o modo como tudo é empolado e espalhado a uma velocidade incrível permite que este tipo de comportamentos se continue a repetir, a causar impacte e até desculpabilizar o autor em muitas situações. Aliás, embora acabasse também com a morte do piloto, tivemos o horror de assistir à queda de um avião nos Alpes onde o factor “impacte mediático” teve um grande papel na tomada de decisão do suicida/homicida.

 

Mas se tudo isto é chocante, mais chocante é a destreza que um indivíduo pode ter para, em pleno sequestro aéreo - e agora coloco a questão “medo instalado” a funcionar – onde um outro indivíduo de origem árabe diz ter um cinto de explosivos e, tendo em conta acontecimentos recentes, não mostra qualquer ressentimento em morrer e matar - convidar este último para uma fotografia, vulgo selfie ou selfie vulgo fotografia, deixo ao cuidado do leitor a interpretação desta troca.

 

Que dirão os amigos destes indivíduos, isto se o "SD card" se salvar. Elogios pela bravura e pela coragem ou elogios por ser tão negligente que por um dia de fama coloca em risco a sua vida e até de outros?  No caso de um sequestro aéreo eu sugiro que o Ideal passa por termos uns pilotos decapitados para dar mais humor a uma situação que já por si era uma verdadeira comédia. Aliás, eu próprio, antes de levantar dinheiro no multibanco, já olho em volta no sentido de perceber se algum larápio vai explodir e roubar a ATM. Posso sempre abordá-lo para uma fotografia, vulgo selfie e com sorte fico com os meus minutos de fama e quiçá até apareça num canal regional da Hungria ou do Kiribati e me torne popular no facebook.

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Fonte da imagem: https://disciplesofhope.wordpress.com/2016/02/19/if-not-yet-warned-then-remember-to-avoid-dangerous-selfies/

 

Também em recente contacto com uma força policial portuguesa, soube que estão a ser distribuídos "iPads" aos agentes para situações que envolvam reféns tal é a eficácia e a facilidade com que, com esses instrumentos, se chega aos sequestradores. Cuidado com os snippers, porque assim que colocarem a cabeça ou o resto do corpo a jeito o melhor atirador da polícia “saca-vos” uma foto e aí não há como fugir - atingido em cheio! Já estou a imaginar os negociadores a pedirem aos raptores para mostrarem só a cabeça que é para a foto e lá vem o sequestrador com um sorriso notty para a posteridade.

 

Será interessante, agora que temos acesso a galáxias de informação, termos alguma cautela com o que valorizamos, sob pena de nós próprios também estarmos a colocar as nossas vidas em risco, sobretudo quando uma vida vale menos que uma selfie ou um post no facebook. Não podemos ser quadrados nem cinzentos, no entanto, também não podemos cair no ridículo de valorizar actos, situações ou momentos que são a realidade vivida e que envolvem outros, que naquele mesmo momento, naquele local ,muitas vezes ou lutam pela vida ou simplesmente perderam a esperança de voltar a ver os seus.

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Recursos Humanos: "Jobs for the Boys".

por Robinson Kanes, em 07.11.17

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Fonte da Imagem: http://www.npr.org/2016/11/15/502250244/to-make-the-godfather-his-way-francis-ford-coppola-waged-a-studio-battle

 

 

Deve ter cuidado. Ser um homem honesto é perigoso. 

Mario Puzo, in "O Padrinho"

 

 

Há muito tempo, remeti esta carta a um Director de Recursos Humanos para Portugal de uma multinacional:

 

Bom dia, Estimado C.,

 

Espero que este meu email o encontre bem, e escrevo em português porque sei que domina a língua como ninguém. Poderia fazê-lo em francês, mas porque não utilizar a língua do país em que está.

 

Este meu email,vem no seguimento de uma apresentação que vi sua onde mostrou a importância de detectar talento na "X" e a sua visão sobre essa área, gostei imenso da parte da "servidão" em relação à chefia, sobretudo porque sempre tive uma relação aberta com as minhas chefias e isso sempre foi interessante, não fossem muitas delas estrangeiras. Mas enfim, os portugueses gostam de servos e aí eu não me encaixo.

 

Espero também que o rigor de recrutamento da "X" seja esse que aponta. Sabe, não sou adepto do networking e muito menos do personal branding e se tenho LinkedIn foi porque começou como trabalho e lá foi ficando. Para mim não, mas entendo a importância que as redes sociais têm em termos de mercado, talvez por isso as trabalhe, mas não me deixe contagiar, sim não tenho uma vida propriamente feliz para lá expor. Digamos que networking em termos de RH é o novo nome para "cunha/compadrio" espero que perceba o que digo. Perdoe-me, mas sou daqueles que acredita no trabalho e mais do que em competências técnicas (muitas vezes empoladas), acredita nas competências "soft" ou se quiser "sociais".

 

Sim, também já me candidatei várias vezes à "X" via "black hole" dos HR, o recrutamento online por candidatura espontânea, ou seja, aquele em que acreditamos que um dia alguém vai olhar para a nossa candidatura mas... "nunca" olha.

 

A minha questão é simples: não sendo adepto de networking pessoal, nem de grandes favores deste e daquele, como é que é possível nos dias de hoje ser reconhecido no mercado de trabalho? Sobretudo porque já poderia ter um CV ainda melhor se tivesse cedido à tentação dos favores.

 

Espero também, que nessa sua leitura, os seus colaboradores também um dia possam olhar para o meu CV e dizer: "bem, este indivíduo merece pelo menos uma oportunidade".

 

Um Abraço,

 

"Robinson Kanes"

 

 

A verdade é que tive uma resposta bastanto positiva, pois o C. respondeu-me e pediu-me uma data e hora para agendarmos uma reunião. Todavia, o C. copiou o responsável de recrutamento daquela organização, a típica chefia intermédia portuguesa. A partir desse ponto as coisas alteraram-se, a resposta tardou e só foi obtida com o seguimento que fiz a posteriori. Dois dias depois, pelas 14h, recebo finalmente um email do responsável de recrutamento que me faculta um número de telemóvel e me pede para falarmos às 15h... Deduzi que a reunião presencial ficara sem efeito e que quem estava ao comando era agora o indivíduo que me contactava e assim com aquele espaço temporal, varria a situação para debaixo do tapete. Aliás, a forma como agendou o contacto era claramente para boicotar a reunião. Por sinal, acedi ao email antes das 15h. Vamos chamar-lhe E.

 

O E., estava no perfil de LinkedIn como se tendo formado numa área e ter começado a carreira pela porta grande numa outra totalmente diferente. Confesso que pensei de imediato que iria falar com a pessoa errada, e assim foi... Estas coisas cheiram-se.

 

Perante as minhas questões a resposta que obtive foi "oh Robinson desculpe, eu recebo muitos CV por dia, acho que tenho tempo para ler algum? Agora só referências ou contactos, não tenho tempo para ver CV e alguém com a experiência que você já tem se não o fizer ninguém o chama". Sempre pensei que o screening fosse uma das principais funções de um recrutador, mas pelos vistos não, as relações públicas (privadas?) são agora uma das suas mais extensas funções. Mas este indivíduo foi mais longe: "o mercado é assim, ou você se adapta ou já era, sem contactos que o coloquem aqui e acolá nunca vai arranjar emprego. Tem de pensar que os amigos são quem melhor o conhece e melhor o pode ajudar" ou então pode sempre abordar no LinkedIn e pedir-me! Muitos não fazem isso, mas eu faço muito, vejo os contactos que a pessoa tem também e nunca se sabe".

 

Finalmente, questionei: "então e as ofertas que colocam no V/site?". A resposta foi de que não havia tempo para olhar para as mesmas. Ainda pensei porque é que se faziam campanhas para atrair talento para aquela organização (até porque a mesma se gaba da transparência e por ser óptima a atrair talento), mas apercebi-me que estava a falar com um corrupto e não iria mudar a opinião do mesmo.

 

A conversa ficou por ali, até porque o E. já tinha em mente dar um salto para uma outra organização empresarial, algo que acabei por saber semanas depois. A verdade é que desisti daquela conversa, era uma luta que não faria sentido, pelo que, optei por boicotar as marcas vendidas pela organização. Vem este texto bem a propósito de mais uma recente notícia em que o interesse, neste caso do país, é posto em causa, quando os amigos são os preferidos para ocupar cargos de responsabilidade, e assim vai a ANPC (Autoridade Nacional de Protecção Civil).

 

Lembram-se da carta aberta que enviei a um director-geral de uma empresa de recursos humanos? Tive resposta. Uma resposta cordial, acompanhada com um pedido de desculpas (corporativo e pessoal) e com uma promessa do próprio em iniciar uma investigação interna para detectar estas más práticas que, segundo o mesmo, não vão de modo nenhum ao encontro do que é defendido na organização. Por motivos óbvios, não colocarei aqui a resposta completa sob pena de deixar transparecer a organização em causa.

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