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Fonte: http://citizensjournal.us/blatant-blue-state-hypocrisy/

 

Como se avalia um país segundo o espaço noticioso de uma das rádios mais ouvidas do país e que se gaba de ser um exemplo a seguir no que concerne à informação? Eu explico... Aliás, é um exemplo que encaixa que nem uma luva na televisão e outras rádios, mas vejamos...

 

Depois do separador... Surge algo como isto:

 

- Associações ambientalistas contestam mina de urânio em Espanha. Segundo "y" da plataforma "x" Portugal tem de agir para evitar um novo Almaraz.

 

- Combates na Síria continuam, 70 mortos nos últimos dois dias.

 

- O Sporting joga hoje com o Tondela, Jorge Jesus já disse que a equipa está motivada e empenhada em ganhar. O Tondela está classificado na posição "x" da tabela a "y" pontos do sporting. Os onzes das equipas já são conhecidos, o Sporting vai entrar com... (30 segundos a ouvir) e o Tondela com (30 segundos a ouvir). A equipa do Sporting precisa de ganhar para não perder o comboio dos primeiros e sobre isso falou Jorge Jesus na conferência de imprensa... (mais 1 minuto e qualquer coisa). O jogador do Tondela "X" também falou aos microfones da "nossa rádio" e disse que... (mais 1 minuto e qualquer coisa). "Jorge Jesus usa cuecas azuis, foi ao balneário, disse olá aos jogadores, sorriu, coçou o pescoço, mascou pastilha, sentou-se, levantou-se, gritou, riu, deu um pontapé no banco, respirou (não, e nem estou a falar da cobertura dos media a Marcelo Rebelo de Sousa), voltou para trás, arrependeu-se, voltou para a frente" e por aí adiante... Ainda houve tempo para dizer que caiu um "azulejo" do estádio de Alvalade mas que foi prontamente reposto por um funcionário do Lidl. Também houve tempo para dizer que Bruno de Carvalho vestiu uma gravata azul e se prepara para falar ao país, porque é algo que vai afectar a vida de todos os portugueses.  Também se ía falar de outros clubes, mas como metia senhores do Norte de Portugal, ministros de finanças e outros políticos não houve grande tempo de antena.

 

Mas o melhor estava para vir, pois logo a seguir um suplemento informativo deveras importante: a análise ao jogo com um sem número de personagens que irão falar de futebol como se estivessem a discutir um orçamento de estado e a transformar um simples passe numa espécie de ofensiva Russa sobre Berlim! 

 

Falei da cobertura dos media a Marcelo Rebelo de Sousa? Já soube que está em S. Tomé, que comeu uma fruta tropical desconhecida, que adormeceu no avião e até fez uma bolhinha de baba enquanto dormia (correcção, não dorme), que o Comandante do Avião se chamava Alfredo e que tirou uma selfie com o presidente, e que lhe disse que o clima de crispação com o co-piloto tinha de acabar e que era ele que ía resolver a situação. Soubemos também que Marcelo esteve num hotel em Príncipe, que voltou a comer, promulgou umas leis enquanto comia um pedaço de jaca e que coçou o olho direito e depois o esquerdo. Soubemos também que Marcelo Rebelo de Sousa está em S. Tomé e que vai ser o grande dinamizador do país, ou seja, S. Tomé nunca mais será o mesmo depois desta visita - amontoa-se gente nas ruas e o que não falta são gritos de "Ti Celito" que alguns dizem ser vaias mas não são. Aliás, assobiar em S. Tomé é também reconhecer as pessoas e além disso existe uma tradição muito são-tomense que é o "vai-te embora daqui malandro" que se diz sempre quando se elogia alguém!

 

Entretanto caiu um telhado na Avenida Marginal 4 de Julho, mas Marcelo foi o primeiro a chegar e disse que tudo estava a ser feito, embora tenha garantido que o facto de não estar lá ninguém, não significa que todos os meios operacionais não estejam 

 

Também soubemos que Marcelo vai estar numa cerimónia alusiva ao massacre de Batepá onde centenas de forros foram massacrados pela administração colonial portuguesa por se manifestarem contra os abusos desta e dos proprietários brancos - administração colonial essa... Que Marcelo defendeu com unhas e dentes, ou melhor, com palavras, pois com unhas e dentes defenderam aqueles que não fugiram à guerra... Imaginem Estaline, em 2018, a descerrar uma placa num qualquer gulag e a mostrar a sua tristeza por esses tempos... Ou Hitler em Treblinka a chorar as vítimas do terror nazi.

 

 

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O Tejo, Esmond Bradley Martin e a Cidade do Cabo...

por Robinson Kanes, em 06.02.18

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Fonte da Imagem: https://www.thetimes.co.uk/article/ivory-trade-investigator-esmond-bradley-martin-murdered-in-kenya-k65bltr0r

 

 

Hoje este espaço está de luto... Está de luto porque existe um rio chamado Tejo mas ninguém quer saber... Pelo menos até secar. Quando isso acontecer lá vamos ter os do costume a posar para a fotografia e a dizerem-se muito preocupados com os portugueses, com o discurso do "tudo está a ser feito"! Enquanto assim não for, vamos continuar calados, mesmo que passemos a vida a falar de tudo e de nada quais cataventos que seleccionam as brisas e se escondem de outras que podem retirar votos e "amizades" com interesses óbvios. É mais fácil andar sempre perto dos sem-abrigo, mesmo que sejam só um ou dois, passando a ideia de que em Portugal são aos milhões, do que propriamente falar e agir contra a poluição no Tejo... Não é Sr. Presidente?

 

Mas o "Não É Que Não Houvesse" também está de luto porque foi encontrado esfaqueado, na sua casa de Nairobi, o activista/conservacionista, Esmond Bradley Martin, um dos maiores nomes quando se fala em combate ao tráfico de marfim! Em Portugal, em alguns meios, também acredito que foi uma morte aplaudida.  

 

É a este homem que devemos algum conhecimento acerca das rotas de tráfico de marfim e a protecção em larga escala de elefantes e rinocerontes! A notícia, encontrei-a na National Geographic e na Time e partilho convosco os links. Dou também os parabéns ao SAPO por ter partilhado também esta notícia e ter dado a conhecer a morte deste senhor nos canais de comunicação nacionais - parabéns.

 

Além da chacina destes mamíferos, o tráfico de marfim alimenta dezenas de guerras civis em África, Médio-Oriente e no Sudoeste Asiático, sem esquecer redes terroristas que encontram neste comércio uma forma de financiar os seus ataques e propaganda. Bradley Martin foi ainda responsável pelo facto de muitos países proibirem este comércio e lançarem verdadeiras intervenções no terreno contra esta prática... A juntar a tudo isto, Bradley Martin foi só mais um a ser assassinado, pois estas redes não olham a meios e todos os anos morrem milhares de heróis desconhecidos nesta verdadeira guerra, desde investigadores a guardas dos parques nacionais! 

 

Finalmente, o luto fecha-se com o drama que vive a cidade do Cabo e o primeiro grande alerta em termos de escassez de água em grandes metrópoles! Antes de desenvolver o assunto, sugiro este artigo brilhante publicado no "The Guardian" e que é da autoria de Anne Van Loon, professora e investigadora em "Ciências da Água" na Universidade de Birmingham. É um artigo a propósito desta temática e das consequências que poderá ter para o nosso futuro! Tive oportunidade também, de ler uma notícia no "New York Times" e cuja preocupação passava pelos turistas, nomeadamente, como estes podiam ser afectados! "Que se danem os habitantes, cuidado é com as viagens para o Cabo".

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Fonte da imagem: Associated Press - Bram Janssen 

 

Neste momento, as restrições e as campanhas estão a dar resultados e o "dia zero" está neste momento em 11 de Maio, ou seja, o dia em que a água vai mesmo faltar. Mais interessante ainda, é o facto de muita desta água ter sido utilizada na agricultura, mas também em usos mais luxuosos, como em piscinas, lavagem de automóveis e outros comportamentos que deixam muito a desejar... Não culpem os pobres, a maioria dos habitantes da cidade, pelo desperdício, pois muitos destes abastecem-se em fontes públicas e o consumo não é assim tão elevado. Segundo fontes da Associated Press, os mais pobres consomem apenas 4% a 5% da água!

 

Hoje estamos de luto também porque estes temas não enchem de revolta as redes sociais e a ruas que andam mais preocupadas com programas de televisão, mini-saias, peripécias de clubes de futebol e com o aniversário do Cristiano Ronaldo.

 

 

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Balde de Helicóptero com Água Fria...

por Robinson Kanes, em 24.01.18

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 Fonte da imagem: http://www.concordmonitor.com/getattachment/25ec3997-1bcd-43dc-8c6f-b50e490549ec/RayFire-cm-100717-ph1

 

Vivemos num país caricato... Um país onde, por muito espírito positivo que se tenha (e eu tenho), é difícil conseguir manter o mesmo ao longo do dia... 

 

Os mesmos responsáveis políticos que deixam helicópteros apodrecer por falta de manutenção ou por não fiscalizarem a mesma... Os mesmos responsáveis políticos que dizem que o uso de helicópteros tem de ser limitado para não aumentar despesas e custos de manutenção... Os mesmos responsáveis políticos que preferem deixar hectares de floresta arder e pessoas e animais morrerem até fazer levantar um helicóptero... São os mesmos que agora defendem o uso destes aparelhos para andar na caça à multa! Nunca fui apologista do termo, até porque só é multado quem não cumpre as regras de trânsito, no entanto, é de estranhar como as prioridades são assustadoramente desenhadas por estes indivíduos.

 

Estes políticos são os mesmos que recusam projectos que contemplam drones na vigilância de florestas mas depois dizem que não falta investimento e vontade para a utilização de drones na vigilância das estradas, subentenda-se vigilância como forma de detectar contra-ordenações. Estes políticos são os mesmos que deixam quartéis à mercê de larápios e ainda se dão ao luxo de contratar empresas de segurança privada para assegurarem a defesa de instalações militares... Instalações militares... Estranho... Estes políticos são também os mesmos que compraram helicópteros para a Força Aérea mas onde praticamente metade não voa por falta de dinheiro para a manutenção... São os mesmos que têm helicópteros Puma parados e desactivados sob a justificação de que não podem ser utilizados em incêndios, mas depois, vemos helicópteros exactamente iguais a operar em França, Espanha, Itália e outros tantos países...

 

A prioridade de um Governo deixou de ser a defesa directa dos seus cidadãos e passou a ser a punição por meio de coimas daqueles que ousam prevaricar na estrada. Nada tenho contra a fiscalização das estradas, volto a reforçar, mas é de estranhar que um país arda por falta de meios mas estes cresçam como cogumelos quando se fala de multas de trânsito. Será que o valor das multas que daí possam advir vai ser investido em equipamentos de Protecção Civil? Será que a Protecção Civil deve ser utilizada na fiscalização de contra-ordenações de trânsito?

 

Ainda esta semana alguém voltou a chamar Mário Centeno de "Cristiano Ronaldo das Finanças"... Mas ao que sei... Cristiano Ronaldo não chegou a melhor jogador de futebol do mundo à custa do sofrimento e morte de muitos (existe quem lhe prefira chamar cativações) e sempre faz uso da cabeça, mais que não seja para marcar golos... 

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Programas de Televisão, Tragédias e o Presidente!

por Robinson Kanes, em 22.01.18

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 Fonte da Imagem: https://www.reddit.com/r/startrek/comments/1cry2q/finally_an_hd_picard_facepalm_image_from_the_tng/

 

 

Pois é... Chego sempre atrasado a tudo, e aqui só me posso basear no que fui ouvindo aqui e acolá e durante escassas olhadelas para os monitores do ginásio.

 

Marcelo Rebelo de Sousa não deve estar nada contente com a SIC, depois da tragédia de um certo Sábado em Tondela, onde mais uma vez, o mais importante não foram a tragédia nem as vítimas, mas sim o Presidente da República - os momentos de glória de Marcelo junto dos media sofreram um revés. Marcelo a acordar para ir a Tondela... Marcelo a tomar o pequeno-almoço antes de ir a Tondela... Marcelo decerto já sabe o que provocou o incêndio em Tondela... Marcelo a abastecer o carro da presidência na área de serviço de Aveiras... Marcelo dentro do carro presidencial a sorrir... Marcelo dentro do carro presidencial a escabichar os dentes, depois de ter comido um pão com carne assada, e enquanto pensa nas vítimas de Tondela. Marcelo no WC a aproveitar para ler mesmo quando se desloca a cenários de catástrofe... Tinhamos tema para uma semana, no entanto...

 

Quando este, no seu lado de "pseudo-papi da nação" já julgava ser tema para mais umas semanas a explorar uma tragédia, eis que a SIC decide lançar um programa importado dos Estados Unidos e que nos remete uma coisa para a qual os portugueses não perdoam: os filhos! Quantos não conhecemos que são capazes de dizimar a população inteira do planeta só para que o filho realize o desejo de ir à Eurodisney? Ou então, quantos não conhecemos que são capazes de manter um prédio anos a fio em guerra só para que o filho grite, corra e seja mal educado? Quantos não conhecemos que utilizam os filhos, com o discurso do "ai são as crianças" para camuflarem outras vontades mais egoístas?

 

A grande revolta dos portugueses a seguir à interrupção do jogo entre o Estoril e o Futebol Clube do Porto e às guerras futebolísticas, focou-se agora num programa de televisão, altamente montado para as audiências e com muito que se lhe diga em termos de fidedignidade. Incêndios? Quedas de árvores que matam às dúzias? Corrupção? Financiamento dos partidos? Tancos? Mais corrupção? Reformas estruturais da administração pública? Não! Um programa de televisão! Voltando a Marcelo, começo a chegar à conclusão que, a televisão que o criou um presidente é a mesma que ainda vai apagar um presidente - ainda vamos ver um concorrente de algum reality show chegar a presidente... Não é difícil, basta achar que tem opinião de tudo, não se comprometer com nada, dizer que lê muito e que aos Domingos até vai à Igreja.

 

Com tantos maus-tratos a crianças, com tantos crimes de sangue contra crianças, contra tantas crianças com fome, com tantos pais que não hesitam em destruir e desrepeitar quem os rodeia e tanto silêncio nesta matéria, acabo por estranhar como é que de repente a ira nacional se voltou para estas bandas... 

 

Soubesse o que sabe hoje, aquando dos incêndios, por certo António Costa tinha tratado de garantir que ainda teríamos um programa cuja temática seria a educação de árbitros e presidentes de clubes futebol em termos de português e economia paralela - era sucesso garantido e ninguém tinha falado no caos que se abateu em Portugal.

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Perguntas a Centeno e a Tantos Outros Reis Nus...

por Robinson Kanes, em 06.01.18

 

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Fonte da Imagem: Própria.

 

Em Roma tudo se compra

Juvenal, in "Sátiras"

 

Como é que podemos ter confiança num qualquer político que se vende por um bilhete de futebol (entre muitos, Rocha Andrade, João Vasconcelos e Jorge Costa Oliveira) colocando em causa a sua imagem, o país, a ética, os valores, o Estado e a honra?

 

Como é que podemos acreditar que quem se vende por um bilhete de futebol não se vende por coisas de maior dimensão?

 

Como é que podemos acreditar que um economista se esqueça de uma das máximas da economia, nomeadamente de que não existem almoços grátis?

 

Como é que ainda existem pessoas que acham normal este tipo de situações quando podem ser muitas vezes os interesses dos país em jogo? Por menos, Marcelo Rebelo de Sousa, nos tempos da ditadura, foi corrido da tribuna dos ministros porque ao acompanhar o pai ouviu que aquele espaço era para os ministros e não para os filhos dos mesmos.

 

Porque é que são escândalos atrás de escândalos mas é sempre a mesma coisa - impunemente se vai caminhando?

 

Porque é que se faz um escândalo (e até certo ponto, bem) com a "Raríssimas" (aquela de que já não se fala porque muitos nomes começaram a vir para a Praça Pública) e se fala menos da Fundação "O Século" que imediatamente após buscas teve logo indivíduos que foram constituídos arguidos? Importa lembrar que foi o escândalo que levou a Polícia à Raríssimas, no caso da Fundação "O Século", foi o contrário.

 

Mas também não é de admirar... Se o verdadeiro Cristiano Ronaldo não paga impostos e ainda se dá ao luxo de provocar a justiça espanhola, porque é que o Cristiano Ronaldo das finanças deveria ter vergonha de vender a honra por um bilhete de futebol para si e para o filho...

 

Porque é que o Dia de Reis em Portugal passa completamente ao lado das celebrações natalícias? Será porque ostentar um bolo-rei não provoca (na nossa cabeça) uma grande aceitação social? Será que é por não podermos dizer que fomos às compras adquirir um... bolo-rei?

 

Feliz dia de reis... Mesmo que eles caminhem nus... 

 

 

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Sugestão? Gozem e Apreciem o "Mau Tempo"!

por Robinson Kanes, em 05.01.18

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Fonte das Imagens: Própria. 

 

 

Já começou a inundação com as notícias, comentários e dissertações deprimentes sobre o "mau tempo"! Ainda nem passou o Natal - lembram-se que amanhã é dia de reis? - e já estamos no campo ideal (Janeiro) para promover a depressão.

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 O "mau tempo" pode não ser agradável, mas contra a Natureza nada podemos fazer... Depois de nos acautelarmos, porque não aproveitar o tempo mau que anda por aí e transformá-lo numa feliz aventura? Não temos de ficar em casa a deprimir ou a dizer mal da nossa vida... Pode ser a oportunidade para grandes momentos indoor e outdoor, quem já viveu em países de clima frio agreste sabe do que falo.

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A minha sugestão para este fim-de-semana é que, na medida do possível e sem correr riscos desnecessários, aproveitem o mau tempo, regozijem-se com a chuva, aqueçam numa boa caminhada perante a agressividade do frio e... Acima de tudo... Se os vossos rostos congelarem, que congelem a sorrir...

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Bom fim-de-semana...

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Marcelo e um Veto à Partidocracia...

por Robinson Kanes, em 04.01.18

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Fonte da Imagem:http://expresso.sapo.pt

 

Por aqui sou conhecido e ostracizado por nem sempre falar bem do Presidente da República. Todavia, também é hora de elogiar Marcelo Rebelo de Sousa pelo veto à lei do financiamento dos partidos. O mais alto magistrado da nação passa uma mensagem clara do que se quer para o futuro, e sobretudo, faz jus ao conceito que espera ver explorado neste ano de 2018: reinvenção.

 

Reinvenção passará por começar lentamente a passar a mensagem de que não se procurará cair nos mesmos erros de sempre, de que uma máfia partidária terá de ter os seus limites e de que basta de andar a enganar os portugueses... Embora a linha entre ser enganado e não se importar de o ser seja ténue. Esperemos que se operacionalize e se esclareça tamanho conceito...

 

Espera-se também que Marcelo, na sua postura de estar sempre de todos os lados de modo a que isso lhe garanta popularidade, não tenha cedido à tentação de vetar somente porque a pressão mediática foi intensa, esse seria o seu maior erro, pois continua também ele a ter o seu cartão de militante que retira do bolso quando lhe é conveniente e o esconde quando lhe pode trazer problemas – só por esse motivo fico com esta preocupação.

 

No entanto, vamos ver como vai acabar esta situação, porque com o veto presidencial, os holofotes vão procurar outros temas vendáveis e temo que o assunto possa cair no esquecimento. Se a lei for aprovada com a maioria de dois terços no parlamento, Marcelo praticamente será obrigado a assinar. Temo emo que a discussão pública se fique por aqui.

 

Este tema não pode cair no esquecimento e é de extrema importância que os portugueses não se esqueçam daquilo que lhes tentaram fazer. O veto da lei não apaga o comportamento vergonhoso, ou até criminoso, que os deputados e as máquinas partidárias tiveram, faça-se uma excepção ao CDS-PP e ao PAN, embora sejam coniventes com os moldes actuais no que toca ao financiamento destas instituições e que não ficam muito longe das leis que se pretendem aprovar.

 

Ficaremos a aguardar e que as luzes não se apaguem, sob pena de, mais uma vez, contribuirmos para a alimentação de grupos que nada têm feito pelo desenvolvimento do país. Num país onde a vergonha existe, esta discussão já nem voltaria a ser levada ao parlamento e muitos dos direitos/benefícios já vigentes seriam reavaliados.

 

E deixo finalmente uma inquietação: como é interessante ver os “partidos anti-práticas semelhantes” (sobretudo PCP e BE) a salivar para que a lei avance.

 

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O Pingo Demasiado Doce da Autoridade...

por Robinson Kanes, em 02.01.18

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 Fonte da Imagem: http://www.postal.pt/2016/09/gnr-conta-mais-457-novos-militares-partir-de-hoje/

 

 

Um destes dias, andava eu pelo Pingo Doce quando dei por mim a assistir a uma cena daquelas que pensamos que já não deveriam existir... Mas existem.

 

Uma senhora, dos seus quarenta anos, aquele tipo "pandorca" e cuja filha herdou os genes todos, decidiu ir às compras de Natal. Foi de tal modo imbuída no espírito que quis oferecer caixas e cestos de chocolates a todos os amigos, no entanto, como o dinheiro não chega para tudo, algumas delas íam escondidas no carrinho de bebé - daquele que deveria ser mais um filho.

 

Abordada pelo segurança, ao início hesitou e até colocou em causa a moral do cavalheiro. Mas na verdade, debaixo da mantinha e depois de confirmado o recibo das compras, a nossa "pandorca" decidiu colocar as culpas na "herdeira da parada", a filha que já lhe segue os passos em termo de imagem e comportamento "pandorqueiro". O marido, um senhor magro e visivelmente destruído pela vida, nem a boca abria. Já o segurança, procurou resolver a questão pelo bem e lá disse à senhora para ir pagar, porque "enganos" acontecem a todos e pronto... Assunto resolvido...

 

No entanto, enquanto escolhia um bolo rei quentinho - "estimados clientes, acabou de sair uma fornada de bolinho rei quentinho só a €8.99 o quilo" - só consigo ouvir um guarda da GNR a dizer "não me falta ao respeito". A partir daqui:

 

- A senhora não me falta ao respeito. Vá pagar as suas coisas e não me falte ao respeito.

 

Assim a autoridade mostrava que não estava para brincadeiras e procurava também sanar a situação rapidamente, no entanto, a nossa pandorca não estava pelos ajustes e:

 

- Mas quem és tu? Digo o que me apetecer, vai falar assim com a tua mãe!

 

Vai falar assim com a tua mãe... Quando vejo um indivíduo com o dobro do meu tamanho e com a farda da GNR, a primeira coisa que faço para evitar problemas é dizer-lhe "vai falar assim com a tua mãe"! A verdade é que imediatamente o guarda solicitou a identificação da senhora, aliás, até de forma bastante respeituosa até levar dois empurrões e a pandorca armada em big mama lhe ter dito:

 

-Não me dentifique! Vai pró ca_ _ _ _ _  - e enfrentando o guarda - tu é que não me respeitas nem me bateste a pala!

 

Continuamos a tentar evitar problemas, por isso, nada como mandar uma autoridade policial para aquele cesto que era colocado nos mastros das caravelas com o objectivo de servir de mirante. Também achei interessante o facto da nossa pandorca se ter em grande conta e achar que um militar lhe deve o direito de continência, mesmo quando esta o manda maltratar a mãe. Gosto desta coisa tão portuguesa do "eu tenho todos os direitos e tu só tens deveres".

 

E a saga continua... Empurrão daqui e dali, eis que o nosso guarda (muito paciente, por sinal... demasiado) agarra a senhora e a aperta. Isto não sem levar mais empurrões e um ou outro murro no braço. E não, nem a ameaça de que esta verdadeira dama poderia ser algemada a demoveu dos seus intentos.

 

Este género de cenas repetiu-se, e a insistência da senhora para que o guarda fosse para o cesto que era colocado nos mastros das caravelas com o objectivo de servir de mirante, continuava a ser bem marcada. Pessoalmente, não sou adepto da violência, mas se fosse comigo era imediatamente dominada, colocada no chão e algemada! Eu sei que depois vinham as associações do costume dizer que eu tinha sido violento... Afinal quem é um indivíduo, por sinal uma autoridade policial, para me dizer que não devo roubar e ainda por cima me algemar depois de o ter agredido e injuriado sem causa aparente? É que nem pensar! Temos direitos!

 

Casos como estes, não faltam... Começo a temer que a figura da autoridade comece a perder a sua força e quando assim acontece, é mau para os nossos agentes de autoridade que se encontram sujeitos ao desrespeito e ao aumento das agressões e também não é bom para os cidadãos, que podem estar a criar espaço para que seja dada, no futuro, mais margem de manobra na utilização da violência por parte das nossas autoridades.

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Autor: Anónimo. 

Fonte da Imagem: Própria.

Já muito se havia falado, aquando dos incêndios, que o Estado havia falhado e que não poderia garantir um dos seus pilares fundamentais: a defesa do seu território e dos seus habitantes. No entanto, ainda podíamos falar de Estado.

 

Por estes dias, os portugueses descobriram que afinal o Estado não existe, perceberam que são meros animais de quinta governados por porcos. As leis de financiamento dos partidos, que já não são uma questão nova (não são, nada disto é novo), continuam a ser actualizadas e a não ser esquecidas numa gaveta, ao contrário do que acontece com temas que envolvem a defesa, a segurança, a saúde e um outro sem número de interesses bem mais importantes para um Estado Democrático.

 

Muitas vezes, recordo alguém que abandonou a vida de deputado e disse que se os portugueses soubessem o que se fazia naqueles corredores e naquele hemiciclo, subiam as escadarias e incendiavam aquele espaço com os respectivos frequentadores habituais lá dentro.

 

As várias leis de financiamento e "encobrimento" das actividades partidárias têm sido um dos maiores crimes que são cometidos em Portugal. O legislar à porta fechada - muito democrático - o retirar conteúdos de actas - muito democrático também - é uma das provas cabais da falta de transparência destes processos. Neste aspecto toda a representação parlamentar é criminosa e espanta-me que os auto-intitulados partidos do povo e das minorias como o Partido Comunista e o Bloco de Esquerda sejam sempre os primeiros a consentir e a legitimar estas mesmas leis. Será que o povo para estes partidos são aqueles que têm cartões de militante? Discutir esta situação seria desvendar um dos maiores embustes da actividade partidária nacional... Outro embuste é discordar de uma lei mas votar a favor, sobretudo quando nos beneficia: Catarina Martins, só assinou aquilo que toda a gente sabe mas ainda ninguém do Bloco de Esquerda tinha sido claro a afirmar:o Bloco de Esquerda não é uma alternativa a nada, bem pelo contrário!

 

Os partidos, os deputados e muitos governantes, mostraram aos portugueses que o Estado Democrático não existe e que no fundo, dar liberdade para se falar é indiferente quando aqueles que defendem a transparência e as instituições democráticas não são ouvidos... A diferença entre não ser ouvido ou ser poribido de falar é ténue... Aliás, a primeira é mais eficiente, pois quando somos proibidos de falar, tendemos a quebrar a regra ou a fugir para terras mais seguras e aí continuar a fazer ouvir a nossa voz... Já quando podemos exercer a nossa liberdade de expressão mas ninguém nos ouve é mais fácil silenciar um povo e a contestação. 

 

Portugal substituiu uma ditadura por outra e com o consentimento de todos os cidadãos! Nesse aspecto, foi um golpe de mestre, pois se antes tinhamos cidadãos oprimidos e cuja repressão aumentava o desejo de revolta, hoje temos cidadãos que tranquilmente seguem na dança da morte quais figuras da "Danse Macabre" que decoram a igreja de Saint Orien em Meslay-le-Grenet, França. Um pequeno apontamento: de facto o 25 de Abril nem foi feito pelo povo mas sim por militares do quadro que, perante a escassez de milicianos, não quiseram colocar os pés em África e entregar-se a uma possível morte.

 

Portugal é o país onde alguém que à frente de uma instituição de solidariedade é destruído na praça pública, mas que protela a resolução dos problemas estruturais ao mais alto nível da governação e que aplaude a compra de 10% dos activos de um banco por parte da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa num negócio pouco claro e cujo poder político teima em não abordar. É o mesmo país que censura as finanças em Espanha por quererem prender um jogador de futebol português - pensando que anda por terras lusas e ainda goza com a autoridade - porque fugiu aos seus deveres como cidadão. É um país que se ergue e não descansa enquanto não vê o sangue de alguém que escreveu meia dúzia de alarvidades num acórdão mas não critica a sentença em si, a consequência do processo! Todavia, é um povo que aceita a corrupção numa governação que, apesar do que tira, distribuiu pequenas migalhas e procura estar em tudo qual Estado paternalista. 

 

É o país que consente que o cartão partidário se alimente do seu suor e do seu esforço.

 

Em Portugal, 2017, deveria ter sido um ano de mudança, não só pelos escândalos e por todas as tragédias que tiveram lugar, no entanto, temo que 2017 venha a ser o ano em que Portugal chegou à conclusão que o Estado Democrático não existe e que já não é o país que não se governa e não se deixa governar, mas sim o país de casca polida mas podre por dentro que aguarda com rasgado sorriso pelo colapso. Por norma, nestes países de gingões cujo labreguismo é disfarçado pelo show-off, a longo-prazo, estas coisas pagam-se caro...

 

Espero que 2018, finalmente, traga cidadãos... É o que mais falta faz... Feliz Ano Novo...

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Feliz Natal...

por Robinson Kanes, em 22.12.17

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 Fonte da Imagem: Própria

 

"O Natal parece-me ser um tempo festivo necessário; precisamos de uma época em que possamos lamentar as falhas das nossas relações humanas: é a festa do fracasso, triste mas consoladora.

Graham Greene, in "Viagens com a Minha Tia"

 

 

Eis que está para breve o grande dia... 

 

Fui criado em ambiente católico, com todas as tradições e... No final, acabei a acreditar em cada pessoa, em cada animal, em cada pedra, em cada árvore... Em suma, em cada átomo. Contudo, existem momentos que são celebrados com intensidade, e o Natal é um deles. Esta ano, por vários motivos, o Natal será celebrado mesmo no Natal... Sim, de facto devo ser o único português com capacidade de se auto-sustentar que ainda não comprou uma única prenda, não fez a árvore de Natal e nem sequer pensou em nada relacionado com o Natal - Que tristeza, que indivíduo cinzento -  de facto, nunca me senti tão infeliz... Ou não. Sim, hoje será o dia de fazer a árvore, mais logo.

 

Temo, contudo, que nos dias 24 e 25 até venha a viver o Natal com mais intensidade. Temo que a histeria colectiva que se inicia em finais de Outubro leve as pessoas a chegarem cansadas a esta época e a encararem o 26 como um "já foi", venha o Ano Novo... Sim, depois entrarão no 2 em depressão colectiva até uma próxima celebração ou um feriado com ponte. De que valeu todo o empenho e stress que passou?

 

Por aqui, ficaremos ausentes, quiçá, até ao dia 26. Também este espaço fará a sua paragem e aproveitará para se reformular. Não vamos mudar o layout nem ter redes sociais para atrair mais seguidores, vamos continuar a apostar naquilo que tem feito a diferença: o conteúdo.

 

Ter um blog não comercial leva a que o empenho tenha de ser maior, leva a que a relação com todos os visitantes seja sempre o fundamental e, acima de tudo, que as discussões sejam bem pensadas e acima de tudo bem estruturadas e com um certo grau de avaliação. Obriga a uma relação especial com cada um de vós que não passe apenas pelo "obrigado" ou pelo "sim, claro, abraço". Obriga a que esteja com todos e que acompanhe também muitos dos que me acompanham, não por uma questão de "pagamento de visitas e comentários", mas sim por uma questão de querer mesmo seguir e explorar. Já tenho perdido seguidores, em alguns casos, por não corresponder com comentários em troca, mas prefiro essa honestidade a somente debitar meia dúzia de palavras retiradas da fornada que vai abastecer todos os outros espaços. Além disso, tenho de admitir que não sou obrigado a gostar dos blogs de todos os que me seguem - falei nestes últimos pontos, sobretudo numa lógica de quem também tem o seu espaço.

 

Não faz sentido falar de uma relação de reciprocidade e de acompanhamento mútuo se acabo apenas a centrar a questão no meu espaço. Gosto de ler muitos outros espaços, ler com calma, trocar e debater ideias com todo o entusiasmo. Além disso, tenho de admitir que há vida para além do blog, e tem de haver, e aqui perdoem-me... Mas tem de merecer uma maior alocação de tempo.

 

Deste modo, e por respeito aos que me vão aturando com muita paciência, acredito que o devo fazer... Por isso, talvez esteja a cair aqui uma certa tendência de "slow blogging", com menos artigos, mas com mais conteúdo. Um blog com mais estrutura, mais estudo dos temas abordados, mais trabalho por parte do próprio responsável por este estabelecimento. Isto não é trabalho, não tem de ser cansativo para ninguém e, acima de tudo, deve primar por um sem número de valores que já perceberam que são inerentes a este espaço. Menos é mais, sempre ouvi dizer, e o facto de não andarmos sedentos de protagonismo e reconhecimento, talvez seja um bom incentivo para desacelerar. E honestamente, acredito, pelo menos num blog não comercial, que não é necessário perder a cabeça nem criar conteúdos só para reter "clientes".

 

"Slow blogging", talvez venha a ser o próximo artigo, já depois do Natal. Sim, não vamos falar como foi o Natal e o que recebemos ou então falar do novo ano logo a 25 como se esta época fosse uma espécie de plano de trabalho por etapas. Em trabalho faz todo o sentido, na nossa vida pessoal, nunca! 

 

Desejo a todos um Feliz Natal, sobretudo genuíno e com todas as coisas boas que o ser-humano deve/deveria transportar... Independentemente da religião ou de qualquer outra convicção. O Natal não tem de ter um presépio, uma história bem encenada e uma árvore de Natal para ser um momento singular! Sejam vocês o Natal!

 

Feliz Natal,

 

 

 

 

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