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Sr. Presidente, Não Somos Nada Bons!

por Robinson Kanes, em 18.07.17

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Fonte da Imagem: https://imagens.publicocdn.com/imagens.aspx/598837?tp=KM&db=IMAGENS&w=823

 

É fácil a voz da grandeza, quando a pequenez está calada.

Vergílio Ferreira, in "Rápida a Sombra"

 

 

Por estes dias o Sr. Presidente da República anunciou ao mundo que nós, portugueses, somos mesmo muito bons!

 

Proferir estas palavras com meio país a arder é sem dúvida um momento ideal para reforçar a alma lusitana que se encontra a banhos e pouco interessada com o que se passa no resto do país. A grande "vantagem" de Alijó e Almeida é que não existiram mortos e como não existiram mortos não há problema! Em Portugal, para se "abrir os olhos", é sempre necessário para cima de 50 mortos, no mínimo.  

 

Talvez enquanto estivesse no México, o Sr. Presidente não estivesse em Alijó intoxicado pelo fumo como eu estive ou não tivesse sentido a nuvem de fumo que já se sentia quando se entrava em Espanha por Calvos! Calvos, Sr. Presidente, são 176km! Talvez enquanto estivesse no México a falar de alegrias não se deparasse com o desespero, mais uma vez, das populações. De facto, Portugal é um país de gente maravilhosa mas que continua a não compreeender, por exemplo, como é que somos o único país do sul da Europa que não tem meios-aéreos de combate a incêncios afectos à Força Aérea! Interessante... Pois somos também aquele que tem maior número de área queimada. Também ninguém consegue perceber porque é que tarda a decidir-se acerca da responsabilidade na gestão dos donativos no incêndio de Pedrogão... Há muitos abutres da "solidariedade" interessados em gerir este bolo riquíssimo, afinal são 13 milhões e sempre estas reuniões devem ser mais concorridas do que as pequenas reuniões municipais e nacionais do "choradinho" de fundos para os pobres com a malta do "social"! E denotem... Não sou eu que lhes atribuo este estatuto, são os próprios que gostam de dizer que são do... Social!

 

Interessante é também o discurso dos mais velhos, e aqui perdoem-me os politicamente correctos, que dizem que no "tempo do Salazar e do padrinho do actual Presidente da República não se viam tantos incêndios, mas depois do Verão Quente de 1975 nunca mais pararam"!. Não me venham dizer que são só as alterações climáticas! Eu nem vivi esses tempos...

 

Somos realmente muito bons, só ainda não descobrimos como é que podemos sobreviver sem andar sempre a reboque da máquina do Estado e de como responsabilizar o Estado por falhar nos seus deveres primordiais para com todos nós. Ou talvez perceba, porque a única coisa que faz com que os estudantes (o futuro do país) se revoltem nas Universidades é um aumento de 10 euros nas propinas e que pode significar menos uma noite de cervejas à conta do erário público. E nunca é de bom tom não ter acesso a uma bolsa quando se quer ir de carro novo para a Universidade.

 

Por enquanto o país vai ardendo, mas não se salvam pessoas, animais, árvores, infraestruturas e todo um país com minutos de silêncio, discursos, comentários e homenagens protocolares! O país também não se salva com a hipocrisia partidária que hoje defende uma coisa, amanhã já defende outra porque afinal... Afinal, por muito que nos doa, é a ânsia de poder que domina o actual sistema partidário e os portugueses são somente marionetas que sustentam esse sistema mas pouco obtêm dele. Talvez por isso, quando alguém mete o dedo na ferida e denuncia as tranches de dinheiro que continuam a ser enviadas para muitos indivíduos que poderiam trabalhar e obedecer à lei, mas não o fazem, sejam imediatamente criticadas... Afinal, enquanto o dinheiro chegar também não se revoltarão... Nisto também somos muito bons, Sr. Presidente.

 

Pessoas, animais, árvores, infraestruturas e todo um país, salvam-se sim com acções no terreno, sobretudo preventivas. Pois somos muito bons efectivamente, mas todos temos os nossos limites de paciência! Até porque o fogo não abranda com um beijinho nem com um afecto e muito menos com propaganda a fazer lembrar tempos idos...

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Do Jogo da Ética e da Corrupção...

por Robinson Kanes, em 11.07.17

 

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 Varvara Stepanova - Jogadores de Bilhar (Museu Thyssen-Bornemisza)

Fonte da Imagem: Própria

 

 

A “recente” polémica em torno da demissão de três Secretários de Estado tem levado a uma discussão que ainda tende a ser rara em Portugal, sobretudo porque vivemos num país onde aceitar prendas, almoços, “luvas” e favorecimentos tende a ser entendido como uma espécie de “todos o fazem porque é que não hei-de eu fazer?” ou, como tenho ouvido, “se não for assim nunca mais!”. Esta abordagem é, por muitos, apontada como um dos cancros da nossa sociedade.

 

Ao nível dos negócios é estranho como é que a tão banalizada expressão “não existem almoços grátis” tende a não querer entrar na mente de gestores, políticos ou até meros colaboradores da base da pirâmide. É óbvio que podemos ter uma grande simpatia por alguém e querermos com isso fortalecer a mesma juntando o útil ao agradável mas isto não é coisa que aconteça por sistema. Existe sempre um objectivo concreto, real e palpável! Recordo-me de quantas vezes estive com clientes e paguei o almoço/jantar do meu bolso! Penso que muitos deles ainda hoje não o sabem, mas aquele momento era um momento de verdadeira confraternização! Também existiram outros que não, mas aí estava explícito um objectivo claro: aumentar vendas e criar uma relação de benefício mútuo entre fornecedor e cliente! Além do mais, por muito bons que sejamos a avaliar as coisas, não nos podemos esquecer que “em nada o homem está, ainda hoje tão perto do macaco como no que diz respeito aos negócios” e não sou eu que o digo mas Elias Canetti. Cair na tentação académica e de muitos pseudo-gurus da liderança e do comportamento, de que o mundo é perfeito, é enterrar a cabeça na areia.

 

Para mim, a ética é algo que deve ser discutido para lá da Academia! Se por um lado temos organizações que têm regulamentos de trust & compliance, também é um facto que muitos de nós não estamos a assimilar esse comportamento. Se a ética advém de directivas morais – que variam inclusive de cultura para cultura - a sua quebra é a abertura para uma consequente quebra de confiança e, sem confiança, as sociedades não se desenvolvem, os negócios não ocorrem e todo o desenvolvimento e consequente retorno se tornam mais complicados, ou seja, sem ética não há confiança!

 

Pegando na temática recente, e nestes exemplos em concreto, algumas questões suscitaram-me curiosidade:

 

  1. O valor em causa: de facto podemos estabelecer patamares de “prendas”, mas... Estando a aceitar uma “prenda” pessoal não estamos a abrir portas para um certo comprometimento? Independentemente do valor, corrupção é corrupção! A lei é cega quando julga alguém que rouba 1 milhão ou apenas mil euros. É um roubo. Porque é que com a temática da corrupção tendemos a desvalorizar pequenos valores/favores? À mulher de César não basta ser é preciso parecer e neste campo mais que nunca é preciso parecer adquirindo uma postura inquebrável. Além de que a corrupção nem sempre envolve valores monetários ou patrimoniais. O valor não desvaloriza a nocividade do acto!

 

  1. A devolução: ultimamente temos assistido a uma caminhada perigosa e que, no longo prazo, pode simplesmente abrir portas para a "legalização" de determinados crimes. Refiro-me à restituição de um valor, por exemplo. O facto de restituirmos um valor não impede que não se tenha cometido um crime ou uma afronta ética! O facto da minha pessoa devolver algo que não deveria ter sido aceite, sobretudo se fui descoberto, não me deve tornar inocente!

 

  1. A aceitação por parte de muitos cidadãos deste tipo de práticas: de facto, são muitos os cidadãos que não se incomodam com este tipo de práticas. Muitos porque não veem mal nisso e outros que, com toda a certeza, já praticaram fraudes. Como já muitos fazem em algumas áreas, vamos assumir que em Portugal corromper deve ser uma prática aceite? Vamos lutar contra isso? Ou vamos cair no desleixo e ir ao encontro de Stuart Mill quando nos diz que “uma pessoa pode causar mal a outros não apenas pelas suas acções, mas também pela sua inacção, e em qualquer dos casos ela é justamente responsável perante eles pelo agravo”.

Vamos continuar a assobiar para o lado e a fazer de conta que nada acontece?

 

Em relação aos seus governantes, em Portugal, os cidadãos continuam muito focados nas questões financeiras e o impacte que as mesmas têm no dia-a-dia dos portugueses (mais poder de compra, melhores salários, menos impostos...), todavia, mais que uma boa notícia na taxa de IRS é o comportamento dos outros cidadãos e dos políticos, pois efectivamente uma falha em valores básicos da democracia e atropelos éticos podem ter custos bem mais elevados para o erário público (todos nós) do que um simples aumento na taxa de IRS! Estranho que alguns dos partidos que mais apregoam a estas questões bebam agora desta cartilha e estejam em profundo silêncio.

 

Não entremos no círculo do “mas não fiz nada de ilegal”, pois essa tende a ser a capa para que se cometam as maiores atrocidades...

 

Finalmente, e para não tornar tudo tão pesado fica a questão que Steinbeck, através da personagem Ethan Hawley coloca em O Inverno do Nosso Descontentamento: “Um homem deve viver guiado pelos seus princípios ou deixar-se arrastar?”.

 

 

 

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Fonte da Imagem: Própria

 

Amanhã andarei ausente, ou melhor, vou andar noutras paragens deste mundo que é a blogolândia...

 

Também não irei estar agarrado ao ferro! Contudo, nem só o ferro nos inspira, pelo que aponto para algumas sugestões a ter em conta para o fim de semana e para a semana!

 

Terminada a obra "Uma Fenda na Muralha" de Alves Redol,  pergunto: como é que com tanto filme já realizado, ainda não se fez um filme baseado nesta obra? O argumento está praticamente feito e a mestria de Redol é latente. Se este livro chega a Hollywood temos filme para óscares, bem melhor que o "Perfect Storm" de Wolfgang Petersen. Foi esse o motivo que me fez arrancar  para a "Barca dos Sete Lemes", também de Redol. Deixei a Nazaré com o arrais "Zé Diabo" de "Uma Fenda na Muralha" e rumei ao não menos árduo Ribatejo! Ao cabo de 100 páginas, posso dizer que não me arrependo minimamente, ou não fosse o neo-realismo uma das minhas correntes de eleição. O modo como Redol olha para estas gentes é de uma proximidade e carácter etnológico surpreendentes. Num discurso simples mas aritisticamente talhado faz-nos questionar e admirar uma realidade que não tem assim tantos anos e não é diferente de muitas que encontramos nos dias de hoje.

 

Para um passeio, porque não a Praia de Vale Figueiras, a Praia da Arrifana ou até a Praia da Amoreira? Sigam os artigos já publicados clicando nas mesmas.

 

Uma música para o fim de semana? Talvez inspirado pelo filme que vou sugerir, recomendo o albúm "La Sublime Porte - Voix d'Istambul" de Jordi Savall. A música otomana, arménia e judaíca conjugam-se em notas e ritmos que nos vão transportar para a época em que o Palácio de Topkapi (Istambul) era um dos mais movimentados e a sua corte uma das mais poderosas do mundo! É de facto uma obra fascinante e que nos faz crescer, aprender e sonhar! Perfeito seria ficar numa das varandas do palácio a contemplar o Bósforo e a ouvir estas sonoridades...

 

Finalmente, um filme! Cinema turco, "Babam ve Oglum / Meu Pai e Meu Filho": devo dizer-vos que é um filme que me encantou desde o início porque nos leva de Istambul para Izmir e traz-me saudades daqueles 30 dias em que fui turco. No entanto, o filme  de Çagan Irmak começa trágicamente com uma morte no parto e leva-nos à Turquia dos anos 70-80, e dos seus golpes militares. Do filho que regressa a casa do pai e que agora traz também consigo o seu próprio filho! A luta e o reencontro entre pai, filho e neto, bem como algumas pequenas passagens que nos dão algumas lições de vida na relação entre parentes tão próximos. É claríssimo ao longo do filme alma turca, sobretudo daqueles que vivem fora de Istambul, da aspereza (muitas vezes exterior apenas) dos homens e da sensibilidade, carinho e doçura das mulheres daquela região, as gargalhadas de Nuran são um dos melhores exemplos. Mais não conto, vejam por vocês próprios, o filme existe com legendas em inglês se procurarem por aí... Uma nota para a banda sonora que deu o prémio de revelação do ano 2006 nos "World Soundtrack Awards" a Evanthia Reboutsika.

 

Bom fim de semana ou Bom trabalho...

 

Uma nota do disco "La Sublime Porte - Voix d'Istambul"

 (Aguarda Resolução de Problemas por parte do Sapo)

O trailer em inglês de "Babam ve Oglum"

(Aguarda Resolução de Problemas por parte do Sapo) 

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Granada Ofensiva!

por Robinson Kanes, em 03.07.17

 

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Fonte da Imagem: https://www.defense.gov/Photos/Essay-View/CollectionID/13138/

 

Os lugares mais sombrios do inferno são reservados àqueles que se mantêm neutros em tempos de crise moral.

Dante Alghieri in “A Divina Comédia” (Inferno)

 

Dada a delicadeza do assunto e temendo que o mesmo fosse ofuscado por um outro assunto bem mais importante para os cidadãos portugueses, a flatulência, só hoje decidi falar do roubo de material militar de instalações militares de alta segurança.

 

Instalações militares de alta segurança presumem, hoje em dia, a existência de vários meios de segurança: segurança permanente, rondas, outros tipos de vigia apeada ou por intermédio de torres, sensores de calor, videovigilância, vedações (de preferência electrificadas) e outros meios bem mais complexos.

 

Ora... Posto isto, será que é crime o assalto a este tipo de instalações? Para mim, o verdadeiro crime é permitir que não exista segurança permanente! É também permitir que não exista qualquer tipo de videovigilância, sobretudo em vídeo, e permitir que meia-dúzia de larápios assaltem mais facilmente um paiol nacional do que uma mercearia em Vilar Formoso! 

 

Crime é um país como Portugal ter tantos oficiais superiores! Como diz o povo e bem "quanto mais gente a mandar mais desorganização"! Crime é termos Ministros da Defesa que, ou são formados em Jornalismo ou em Direito e com sorte até em Educação de Infância! A defesa é uma área demasiado sensível para estar entregue só a militares mas também é demasiado sensível para estar entregue a indivíduos cuja única experiência militar que tiveram foi a jogar Risco ou então, que os tempos são outros, a jogar Playstation! Estes factos e o alheamento da estrutura militar da vida dos cidadãos tem levado a uma descredibilização total das entidades militares que são encaradas como uma elite sem utilidade...

 

Crime é estarmos mais preocupados com a reputação do que propriamente com os cidadãos! Com alguma experiência em comunicação percebo o trabalho que tem de ser feito nesta área. Todavia, tenho mais experiência com pessoas e aí o meu outro lado diz-me que encomendar estudos de popularidade ao invés de nos focarmos na procura de factos e de apoio às populações é o mesmo que, depois de uma grave tragédia como a de Pedrogão Grande, rirmos todos nas caras daqueles que morreram e até fazer um concerto solidário como forma de camuflar a triste realidade de um povo que é reactivo (se isso permitir  ter os seus 15 minutos de fama) e pouco pro-activo! Penso que, por vezes, nos esquecemos da herança da República de Platão e não atendemos ao alerta deste quando nos disse que "uma natureza medíocre  jamais fará algo de grande, seja a um particular, seja a uma cidade", efectivamente, os resultados do descurar desse alerta estão à vista! Foi preciso a NATO alertar as nossas estruturas políticas, inclusive o principal responsável pelas Forças Armadas - o Presidente da República - para percebermos a diferença entre um assalto a uma caixa multibanco em Torres Vedras e um assalto a um paiol cujas consequências para a segurança nacional e internacional podem ser nefastas!

 

Enquanto governarmos para votos e para um clientelismo que não pára de crescer, bem podemos continuar a pensar que estamos na cauda da Europa! Cauda da Europa em termo de tacanhez e provincianismo, porque geograficamente estamos no centro do Mundo! 

 

Mas... Crime é não passar uma semana em que não exista um escândalo (e pensar que nem um terço é do conhecimento público)! São Ministros e Secretários de Estado que se vendem por um bilhete de futebol, ou é a gestão danosa de um banco público, ou são as falhas na protecção civil, ou é o assalto, perdão... Passeio... A um paiol de alta segurança, ou é a distribuição de favores e atribuição de cargos públicos a indivíduos sem competência e sem mérito, ou é o silenciamento e criação de autênticas ditaduras em câmaras municipais, ou é corrupção no INEM, ou é... Ou é... Ou é... E quando os resultados não aparecem e é mais importante um casamento de um presidente de um clube de futebol, ou a barriga de alguém que não deve ter muito que fazer ou até um estúpido discurso sobre flatuência que prevalecem... Pois permitam-me dizer que todos concordamos com isso e no fundo não somos diferentes de um qualquer corrupto ou de um qualquer criminoso que lesa a sua pátria!

 

Chegado ao fim deste texto só me recordo de um amigo, ofical subalterno, que um dia ousou perguntar a um oficial superior o porquê da vigiância dos monumentos nacionais estar entregue a empresas privadas de segurança e cujo desagrado foi tal por parte da alta patente que por pouco não foi assentar praça para as Selvagens!

 

 

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 Fonte da Imagem: Própria.

 

Como vê a malta do bairro, iletrada e sem visão, a vida pública e o status quo? Permitam-nos, mas temos de sair cedo de casa e chegar tarde para auferir os 557 euros que conseguimos naquele trabalho onde fomos escolhidos pelo nosso mérito, pelo que, perdoem-nos algumas falhas. Nós não temos voz porque preferimos ficar agarrados aos nossos valores e não pretendemos ser “boa onda”.

 

O Exame Nacional de português não vai ser repetido. Dizem que serão encontrados os culpados. Digamos que é o mesmo que colocar um vídeo com conteúdo sexual da Kim Kardashian na internet e ao fim de um mês procurar encontrar todos aqueles que fizeram o download! Ao fazer isto, o Ministério da Educação, sim... O Ministério da Educação está a dizer aos futuros trabalhadores e líderes deste país que tudo é permitido desde que não se seja descoberto ou que o aparato seja tanto que não justifique uma intervenção radical. Liderar pelo exemplo diz-se muito por aí... Diz-se...

A malta do bairro dá os parabéns por estarmos a ensinar aos nossos jovens que o crime compensa! Depois admirem-se de se candidatarem a um concurso público e o selecionado ser da família de Carlos César e nem ter passado pelas provas que vocês passaram.

 

O Governo (este e muitos outros) tem sido um grande defensor da protecção civil... Não! Tem sido um grande defensor do SIRESP. Adquirir um sistema ao dobro do preço do espanhol, altamente falível e envolver alguns amigos que trabalham pro bono (sempre pro bono, como se existissem almoços grátis...) é o que está a dar... E o Tribunal de Contas até discordou, mas afinal quem é o Tribunal de Contas neste país? Uma espécie de Presidente da República que fala pouco, mas quando fala toca realmente na ferida, a diferença é que ninguém o ouve - dizem que não é afectuoso na abordagem - além disso, o debate sobre quem teve culpa nos fogos passou a assentar no SIRESP... Enquanto for o SIRESP não se pensam nos verdadeiros culpados. Mais uma vez, compram-se umas antenas e diz-se que as coisas estão a funcionar bem e problema resolvido...

 

Ainda a propósito de amigos e festa, parabéns pela mediocridade de um povo que vibra mais com flatulência do que com situações realmente sérias. E como é bom vê-los pelas ruas, pelo digital, pela rádio e pela televisão a usarem um termo como se sentissem alemães de Lubeck que acabaram de chegar às Canárias! Não foi só o Direito, os Esgotos, a corrupção e a Fábrica da Louça de Sacavém que herdámos do tempo dos Romanos, também foi o “Pão e o Circo”. Desde que nos sejam impingidas certas figuras a toda a hora e se passe a imagem de que é cool, estamos no caminho certo para gozar com a nossa própria cara, mas sem darmos por isso... Numa coisa um certo indivíduo tinha razão quando por outras palavras disse isto: "meus grandes palermas, vocês comem tudo o que vos dão, desde que meia-dúzia de pseudo-celebridades e jornalistas a soldo digam que eu sou cool".

 

 A conversa e imagens estupidificantes sobre flatulência revelam a inteligência de muito boa gente. A malta do bairro é iletrada, deve ser por isso que não compreende este aparato... Perdoem-nos, não andámos nas melhores escolas nem tivemos a melhor educação para alcançar tal patamar de inteligência!

 

Finalmente... Sempre gostámos dos concertos solidários. Faz-se um espectáculo que ajuda sempre à imagem dos artistas e todos pagamos a factura dos estragos mas não exigimos que os responsáveis pelos estragos se sentem numa sala de audiências. É uma espécie de juntar o útil ao agradável, senão veja-se: vamos cantar e dançar a um preço simpático, colocamos umas fotos para mostrar que lá estivemos e, além de sermos muito solidários, mostramos que somos malta muito vanguardista.... Além disso, o donativo é uma espécie de penitência pela nossa cegueira colectiva face aos principais assuntos da nação. É como queimar uma vela em Fátima ou deixar uns trocos na caixa das esmolas e nem procurarmos saber para onde vai o dinheiro. A intenção está lá e é o que importa! Estou redimido!

 

Agora a malta do bairro vai trabalhar, esta noite houve uma rusga e ninguém dormiu, o “Beto Mãozinhas” voltou a roubar duas laranjas da mercearia do “Inácio” e arrisca-se a ser condenado a uns bons anos na prisão. Bem lhe disse a mãe um dia: “vai à escola, não estudes muito, escolhe os amigos certos e depois aprende a estar na sociedade”. Soubesse o Beto quão sábias tinham sido aquelas palavras e nada disto teria acontecido... E logo o “Beto”, que não é capaz de dizer um palavrão sobre flatulência e sentir-se importante com isso... Coisa pouco inteligente...

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A Cidalina Contra-Ataca!

por Robinson Kanes, em 28.06.17

 

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Fonte da Imagem: http://www.starwars.com/news/the-playlist-jabba-the-hutt

 

Quando menos esperávamos, Robinson Kanes trouxe-nos mais uma idílica  aventura de  A Entrevista de Emprego, Os Apoios e os Pretos de Angola.

Glória do Ribatejo Post

 

Cidalina, a imortal musa de Robinson Kanes, uma mulher para se amar.

Cedofeita Tribune

 

Cidalina, Cidalina, não sei se tu me amas, E pra quê tu me seduz

Tiririca, pior que está não fica.

 

 

 

Sugiro que acompanhem este artigo com a banda sonora que se encontra abaixo...

 

Quando pensava que a Cidalina era passado, que a "Death Star" de Oeiras tinha ficado perdida nos confins da galáxia, eis que no meu canto qual Jedi em repouso com o seu Mestre Yoda, sou despertado pela força!

 

Foi ontem! Estava eu na minha caixa de correio electrónico (email - realmente, escrever email é bem melhor que escrever caixa de correio electrónico) e de repente cai uma tremenda bomba. Era o Darth Vader? Era o Imperador? Era o Jabba? Pensando bem, este último... Adiante...

 

Era a Cidalina, a Cidalina no seu charme incontestável! O assunto do email mencionava um recrutamento de 2016! O tal que, em 2017,  a Cidalina insistia nunca ter sido feito - até a referência era a mesma. Desta vez, contudo, apercebi-me de uma novidade: a organização para a qual Cidalina trabalhava tinha recebido um prémio de excelência como a melhor empresa da área para determinado segmento de mercado! Há quem diga que ter amigos e pagar para, pode ter efeitos na atribuição destes prémios. Começo a acreditar que sim, pois leiam os episódios anteriores e verão (ligações abaixo).

 

Dizia o email da sedutora Cidalina (e como eu dava tudo para ter ouvido novamente a voz "Aldeia Velha" da Cidalina):

 

Bom dia 

Temos o seu contacto na nossa base de dados de XXXXX para os nossos clientes. 

Estamos numa fase de arrumação de base de dados, caso queira manter a sua candidatura registe-se na nossa plataforma: xxxxxxx e mantenha a sua candidatura connosco.

Melhores Cumprimentos

Cidalina (nome fictício)

 

"Bom dia, Estimado Robinson Kanes", não teria ficado mal, talvez seja defeito meu. Mas o que apreciei foi o facto de, na organização de Cidalina andarem em arrumações. Podemos estar no topo da tecnologia, mas as nossas cabeças ainda estão na Era da pedra lascada. No entanto, o que eu percebi é que não é a Cidalina e os colegas que andam a fazer as arrumações, mas sim os candidatos. Experimentem enviar aos vossos clientes o seguinte email e esperem uma base de dados vazia: "Quer ser nosso cliente? Até temos os seus dados mas não nos apetece muito inserir os mesmos no novo sistema, pode fazer isso por nós?", mais brilhante não poderia ser!

 

Mas o que eu ainda mais gostei foi o bullying camuflado, algo do género: "é que se não colocares os teus dados na base de dados, não sou eu que o vou fazer, logo... Ficas fora".

 

Há quem chame a isto "excelência" e do melhor, eu nem quero pensar no pior. Para mim, nestas organizações, cada candidato é um cliente e clientes insatisfeitos não voltam, pelo que seguiu, de imediato, um email a solicitar que todos os meus dados fossem apagados.

 

Como no fim de um amor, deveria ter fechado todas as portas da minha relação com Cidalina meses antes aquando de uma das entrevistas mais rocambulescas que tive. Qual Jedi que poupou a vida a Cidalina e mais tarde lá teve de ser confrontado com o seu regresso, voltaram-me à memória os bons tempos que vivi com Cidalina naquele romântico e cinzento edifício dos anos 70 em Oeiras.

 

Episódios Anteriores de "A Entrevista de Emprego, Apoios e os Pretos de Angola":

Capítulo 01: http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/a-entrevista-de-emprego-apoios-e-os-37761

Capítulo 02: http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/a-entrevista-de-emprego-apoios-e-os-38350

Capítulo 03: http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/a-entrevista-de-emprego-apoios-e-os-38437

Capítulo 04: http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/a-entrevista-de-emprego-apoios-e-os-38827

Último Capítulo: http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/a-entrevista-de-emprego-apoios-e-os-39116

 

 

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Os Drones - Um Dia o Avião Vem Abaixo!

por Robinson Kanes, em 27.06.17

 

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Fonte de Imagem: Própria

 

Já fui praticante de "airsoft", ou seja, uma modalidade em que uns indivíduos sem muito que fazer se vestem de militares e com armas e equipamentos também militares (réplicas) se dedicam a andar aos tiros com pequenos projécteis de plástico. Alguns andam aos tiros porque sim, outros aprendem estratégia no terreno e outros levam as coisas tão a sério que trazem Damasco para um pinhal qualquer em Azeitão. Para praticar "airsoft", existe a "obrigação" de estar federado, de ter as armas pintadas com uma cor fluorescente nas pontas (eu não tinha, podem atacar-me) e ainda, sempre que se realize uma actividade, informar as autoridades e/ou pedir autorização aos proprietários dos terrenos ou infraestruturas. Imaginem andarem tranquilamente por uma aldeia e aparecerem uns 40 indivíduos vestidos de militares com armas que são iguais à reais. Porque não existe uma legislação eficaz para os drones?

 

Não vou falar dos drones para utilização profissional mas sim dos drones para uma utilização lúdica. Em meu entender, os drones padecem de um dos grandes problemas da actualidade: as leis não conseguem acompanhar as "inovações" tecnológicas (porque não acompanham é outra temática). Actualmente, o mundo está à espera (e não é só Portugal, é mesmo o mundo) que um avião aterre mais depressa e fique feito em bocados para tomar medidas. Existem drones que conseguem atingir os 2000m de altítude! Associado a isto, acontece que um drone é um óptimo invasor de privacidade e transformado em arma de ataque é fatal!

 

Confesso que é preciso debater o que pode ser feito: registo? Proibição para fins não autorizados? Limitar o espaço? Obedecer a regras como já obedecem os aviões de rádio-controlo que têm espaços próprios para a prática da actividade? E fora das áreas controladas dos aeroportos, como é que fazemos uma fiscalização eficaz?

 

Estamos perante um tema mais sério do que parece e a liberdade associada ao consumo desenfreado de brinquedos tecnológicos começa a chocar com outras liberdades e questões anexas bem mais importantes... Assumo que detesto estar a ser sobrevoado por drones, mas por vezes lá tenho de aceitar. Sugiro que quem gosta de ver o que é voar se dedique à observação de aves...

 

Além disso, do ponto de vista do terrorismo, não será o drone uma arma das mais eficazes? Um drone bem equipado pode fazer "maravilhas"! Se eu não posso levar um frasco com meio quilo de mel, ou uma lâmina de barbear num voo, porque é que se permitem veículos aéreos não tripulados a circular impunemente nos céus? E as responsabilidades? Se um indivíduo que passa uma tarde de domingo com o filho a brincar com um drone e faz um avião despenhar-se no Tejo, até onde vai a responsabilidade do mesmo?

 

São questões que importa responder e colmatar com a maior brevidade possível até porque... Acontecimentos recentes demonstraram bem o que o protelar de decisões importantes pode provocar!

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Fonte de Imagem: Associated Press

 

De resto, nós não podemos afirmar a inocência de ninguém, ao passo que podemos afirmar com segurança a culpabilidade de todos.

Albert Camus, in a Queda

 

 

São oito horas da manhã, acabo de chegar ao carro depois de um passeio pela praia com o meu cão, ligo o rádio e escuto: 43 mortos e 59 feridos no incêndio de Pedrógão Grande (última actualização a 21/06: 64 mortos e mais de 179 feridos + 25 em Góis)! Muitos dos mortos morreram ao tentar fugir das chamas dentro das viaturas!

 

Não sei o que dizer! Por muito que tenha um Primeiro Ministro que, perante a ausência de uma equipa de comunicação não consiga ter um discurso à altura; por muito que tenha um presidente de afectos e do povo (mas sem perder o discurso burilado) que, sem informação concreta e sempre na busca de protagonismo, tem como primeira abordagem dizer que a culpa é do tempo; por muito que tenha um presidente da Liga de Bombeiros que ocupa uma “centena” de cargos neste país e salienta que é a natureza revoltada a causa de tantas mortes, só me apraz dizer: VERGONHA!

 

Vergonha de todos os anos ser a mesma coisa! Vergonha de ir constantemente a Espanha e, quando o tema são os incêndios, indagarem como é possível num país como o nosso! Estar em Plasencia, local árido e debaixo de 43 graus e me dizerem que não têm medo dos incêndios mas sim daqueles que podem chegar do outro lado da fronteira! Vergonha de ouvir promessas, de ver o meu povo a entrar em depressão porque não tem lugar para colocar a toalha na praia ao invés de exigir mais àqueles que nos governam! Vergonha de ver um lobby de indústrias e de associações (incluo aqui muitas corporações de bombeiros e outras associações de cariz solidário) a continuar a facturar com a miséria daqueles que vêm os seus bens ou as suas vidas destruídas pelos incêndios! Ver a total displicência dos altos cargos da nação visivelmente comprometidos e numa posição de “sacudir água do capote”, do seu e de outros! Vergonha de ver os mesmos oportunistas de sempre a pedirem donativos para as vítimas dos incêndios (não darei um euro)! Vergonha de não existir uma clara aposta na prevenção! Vergonha pela ausência de meios! Vergonha por ver helicópteros e aviões parados por falta de milhares para a manutenção, quando as frotas de viaturas de luxo do Estado são renovadas constantemente e até se pagam subsídios mensais de €40.00 a motoristas para lavarem as mesmas (e ai de quem ousar retirar tal subsídio). Vergonha de ver alguém (sem formação sequer na área) arrecadar €15.000 para “estudar” a compra de uma viatura táctica de combate a incêndios que custa pouco mais que esse valor! Vergonha de ver reinar uma sensação de impunidade e o compadrio provinciano ao qual também estão sujeitas entidades da protecção civil! Vergonha de ver um povo que se revolta mais se o país vizinho levanta um processo a um jogador de futebol por fuga aos impostos e até aplaude a corrupção em muitas áreas (com a célebre desculpa do “se não for assim”) e não é capaz de pedir mais ou assumir uma posição em relação aos destinos do seu país, sobretudo quando está em chamas! 

 

Onde estão os pais que tanto apregoam amar os filhos mas não se preocupam com as gerações futuras? Onde estão as acções concretas para mudar o rumo das coisas? Onde estão os cidadãos? Partilhar a “porcaria” de lamentos e cruzes nas redes sociais não muda a situação! Torna-vos (na vossa cabeça) mais aceites pelos outros, mas é só isso! Porque é que entre os países do sul da Europa, Portugal é o único a ver a sua área florestal a decrescer (30%!!!)? E a questão do corpo de guardas florestais? Porque é que só se fala de incêndios no Verão? Porque temos sempre a sensação de que a abertura da "Época de Incêncios" é uma espécie de "vamos lá que isto agora é que vai ser"?

 

Já chega! É preciso dizer basta!

 

Onde estão cumpridas as promessas do ano passado, feitas à pressa e com tanta pompa e circunstância (e com o país em chamas) por parte de Primeiro Ministro e Presidente da República? Não chegam sorrisos e afectos! Num mundo onde os sorrisos e as palavras soltas valem mais que acções concretas, temos de começar a pensar nos riscos e nos prejuízos da inoperância prática! Ignorarmos os factos e focarmo-nos na autopromoção e no discurso elaborado, sobretudo nesta temática, está a destruir o país! Onde estão os resultados? As coisas não acontecem com demagogia e afectos, bem como o mundo não avança com selfies! Se tivermos noção que aqueles que devem fazer algo o estão a fazer, passamos bem sem abraços e beijinhos!... Ou talvez a nossa preferência se fique efectivamente pelo folclore digno de filmes satíricos balcânicos.

 

Não digam também, às famílias daqueles que morreram que a culpa é do tempo, quando a ausência de trabalho e prevenção são notórias. Até poderão ter sido as condições meteorológicas, mas todos os anos? Tenham a vergonha de nem sequer aparecer junto dessas famílias! Não são discursos dignos de eucaristia a horas de telejornal que mudam as coisas! A responsabilidade de termos um país mais dia menos dia, transformado em carvão é vossa!

 

Eu tenho vergonha... Porque a culpa também é minha! Porque os culpados somos todos nós! À data, sinto que também sou responsável pela morte deste número de pessoas e isso envergonha-me!

 

 

 

 

Ainda a digerir esta situação, este espaço vai estar parado durante os próximos dias... Até porque o ano passado disse convictamente que uma desgraça muito, mas muito grande um dia iria acontecer a propósito do nosso “desprezo” pela questão dos incêndios... 

 

Últimas notas: a todos os que lutam contra a chamas com sentido patriótico enquanto, muitas vezes, outros sem qualquer preparação os empurram para o inferno, as minhas palavras de profunda ADMIRAÇÃO! Já escrevi sobre isto aqui. Lutemos! Agora, de facto, é o melhor a fazer.

 

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Lisboa: O Museu Nacional de Arqueologia.

por Robinson Kanes, em 14.06.17

 

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Fonte das Imagens: Própria. 

 

Por aqui continua-se a falar de Lisboa...

 

Depois da azáfama da festa e das peripécias com taxistas, parece-me interessante focar um espaço que, apesar de se encontrar numa localização singular, é ainda ignorado por muitos: o Museu Nacional de Arqueologia.

 

O Museu Nacional de Arqueologia fica localizado no Mosteiro dos Jerónimos, uma pequena porta entre a Igreja dos Jerónimos e o Museu de Marinha. Não é um museu grande, sobretudo para quem já esteve em museus do género por esse mundo fora, no entanto, é o nosso Museu Nacional de Arqueologia e que conta já com mais de um século de existência. Este museu, fundado em 1893 por José Leite de Vasconcelos, se não é maior, é pela dificuldade do espaço, mas também pela dispersão dos artefactos arqueológicos e, não negarei, por um lento reconhecimento dos achados arqueológicos em Portugal. 

 

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Imaginem que podem começar a vossa viagem pelo Paleolítico, passando pelo Mesolítico (destaque para o “Esqueleto Humano de S. Romão”), Neolítico (destaque para o “Enterramento Colectivo do Escoural”), Calcolítico, Idade do Bronze, Idade do Ferro (destaque para a “Necrópole do Olival do Senhor dos Mártires”), Civilização Romana, Período Visigótico, Período Islâmico e terminar na Idade Média (destaque para a “Cabeceira de Sepultura”)... Imaginem como podem percorrer milhares de anos num pequeno espaço mas com uma riqueza sem igual! Mesmo os menos entusiastas vão gostar porque não obriga a grandes horas encerrados num museu. 

 

Finalmente, uma nota particular para as "Antiguidades Egípcias"! Regressem aos séculos daquela civilização e apreciem o “Barco Votivo”, as “Máscaras Funerárias” e, como não poderia deixar de ser, os dois Sarcófagos (“Sarcógafo de Irtieru” e “Sarcófago Pabasa”). Sinto que ainda são muitos os que se fascinam com a arte inerente aos sarcófagos mas se sentem tristes por nunca ter visto nenhum, pensando que só nos grandes museus da Europa ou no Egipto se encontram estas peças! Pois aqui, podem matar a vossa curiosidade, merece bem a pena!

 

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Além do serviço educativo, este museu conta também com uma forte componente de investigação que o torna um dos mais importantes no contexto internacional.

 

Este é dos museus que mais surpreende, não só pelo desconhecimento de alguns, pois ao estar entre a Igreja dos Jerónimos e o Museu de Marinha não é fácil sobressair, mas também pela riqueza e lição de história que ali se encontra. No entanto, estar localizado no Mosteiro dos Jerónimos também tem uma sua mais-valia, na medida em que tem a honra de ter a sua casa numa espaço único no mundo!

 

É a ideia perfeita para uma manhã! Podem começar com um pequeno almoço em Belém - e há mais pastelarias para além dos tradicionais “Pastéis de Belém” – caminhar um pouco junto ao rio e ao Padrão dos Descobrimentos, aproveitar a feira de antiguidades nos jardins de Belém (1º Domingo de cada mês e com algumas relíquias interessantes, sobretudo literárias) e terminar com a visita ao museu.

 

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Aproveitem, até porque dia 21 de Junho inaugura  a exposição “LOULÉ. Territórios, Memórias, Identidades”. Estão ainda a decorrer as exposições “Religiões da Lusitânia. Loquuntur saxa”, “Lusitânia dos Flávios. A propósito de Estácio e das Silvas” e “Um Museu, tantas coleções ! Testemunhos da Escravatura. Memória Africana”. Genial, não?

 

Podem saber mais sobre estas exposições, sobre a colecção permanente, contactos, preços, horários e dias de entrada livre no website do museu em   http://www.museuarqueologia.pt

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De Volta ao Cemitério dos Olivais!

por Robinson Kanes, em 13.06.17

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 Fonte da Imagem: Própria

 

Lembram-se de ter falado do Cemitério dos Olivais, da Ilda e do Taxista? Não? Eu ajudo, vejam aqui.

 

Lisboa é uma cidade encantadora, uma cidade de boas gentes, dos Santos Populares – as sardinhas além de congeladas ou serem de Sábado não estavam más – mas é também uma cidade dos taxistas. Quem vier a Lisboa e não acabar numa discussão de trânsito com um “fogareiro” nunca saberá o que é sentir o pulsar da cidade. Ou então, pode sempre entrar num táxi e solicitar uma ida do Parque das Nações a Chelas. É uma experiência muito interessante, pois vão conhecer Paço de Arcos e a sua zona ribeirinha, o Restelo e com sorte ainda dão um pulinho a Belém para passar junto ao MAAT. Eu ainda não tenho uma “selfie” junto ao MAAT pelo que, segundo o parâmetros sociais actuais, não sou um indivíduo culto e com estilo vanguardista.

 

Mas eis que dei comigo, mais uma vez, junto ao Cemitério dos Olivais. Não! Não voltei a encontrar o taxista citado em artigo anterior. Contudo, deparei-me com mais dois indivíduos que me fizeram crer que um dos hot spots da “mijadela” destes profissionais do volante se encontra nos muros do cemitério.

 

Desta feita... Foram dois. O primeiro, com um ar até bastante normal, senhor dos seus 50 anos, vinha numa velocidade considerável. Parou o táxi e, saindo já com a mão na braguilha, subiu ao palco e lá teve o seu momento de alívio. Também tinha aquela camisa típica, aos quadrados e de manga curta. Os taxistas adoram camisas aos quadrados, aqueles bem grandes...

 

Não tardaram uns cinco minutos e... Novamente outro indivíduo. Este um pouco mais forte, mas também pelos seus 50 anos. Disse para mim que não poderia deixar passar mais esta e fotografei. Não o senhor, mas o táxi! Até porque este aferiu da minha presença e a privacidade do mesmo também tem de ser respeitada.

O lado positivo desta segunda “urinadela” foi que o senhor (além da camisa aos quadrados) é daqueles que baixa as calças. Estão a ver aquela imagem da densa pilosidade do pernil e das cuecas brancas de cor estilo ceroula? Ainda bem que os muros são altos, caso contrário, teríamos um motim pelos jazigos.

 

Automobilistas, motoristas de táxi e de outra qualquer viatura... Lisboa também tem o seu hot spot na zona oriental para a tradicional “mijadela à portuguesa”! Fica mesmo nas traseiras do Cemitério dos Olivais, mesmo junto ao Crematório, afinal sempre ajuda a disfarçar os odores mais quentes.

 

Já estou a pensar em fazer reconhecimento perto de outros cemitérios: Alto de S. João, Prazeres, Carnide, Ajuda e Benfica, no sentido de perceber se existe potencial turístico! Quem sabe até possa criar uma “Rota Mictológica” para a observação de taxistas a urinar em cemitérios, um pouco como as cegonhas que fazem os ninhos nos penhascos da Costa Vicentina, coisa única no mundo.

 

Mictologistas, andem atentos...

 

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