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 Fonte da Imagem:http://www.elmundo.es/opinion/2017/09/18/59bea48322601d36388b4588.html

 

Num artigo de inícios de Outubro abordei a questão da Catalunha. No dia 13 de Novembro, tive uma visita de um indivíduo que comentou o mesmo e com o qual me envolvi no debate, sobretudo acerca da "Questão de Olivença". Pela riqueza dos comentários, convidei o mesmo a identificar-se (se assim o desejasse e sem necessidade de assumir a identidade real) e a partilhar a opinião com um artigo neste espaço. 

 

O Carlos Luna foi mais longe e até o local de residência divulgou. Divulgou também o que, segundo o mesmo, jornais como o Expresso e o Público se recusam a publicar.

 

Em muitos pontos, sublinho que discordo com o autor e até com muito do que é defendido pela sua inclinação partidária, mas isso não me pode impedir de divulgar aqui o mesmo (até porque sou apartidário), dada a riqueza e importância que pode trazer para o debate! Não conheço o Carlos, que em muitos pontos "criticou" até a minha postura face ao movimento independentista catalão vs Olivença. Todavia, é sem dúvida um texto que merece a pena ler. Ao Carlos, o meu muito obrigado e no fundo um obrigado por ser também a primeira vez que as portas se abrem para alguém expressar no palco principal, a sua opinião.

 

 

P/Carlos Eduardo da Cruz Luna (Prof. História e formado pela Faculdade (Clássica) de Letras de Lisboa; oposicionista ao regime de Marcello  Caetano desde 1972) (Bloco de Esquerda)

 

Pensei que conseguiria ficar em silêncio perante os recentes acontecimentos em Espanha. Não porque não tivesse opinião sobre o problema da Catalunha, mas porque entendia que esse era um problema interno espanhol. Por ironia, tendo-me dedicado muito, desde há trinta anos, a estudar as questões relacionadas com o velho litígio de Olivença, ainda menos me sentia à vontade. Na realidade, o problema da Catalunha tem reflexos negativos sobre alguns aspetos ligados a este problema. Um grupo de oliventinos tem, com sucesso crescente, despertado muitos dos seus conterrâneos para as vertentes históricas, culturais, e linguísticas da cultura local, e até têm surgido pedidos de nacionalidade portuguesa. Evidentemente, este grupo não deseja pronunciar-se sobre as questões de soberania, ainda pendentes, entre Portugal e Espanha. Limita-se a reclamar o direito a restaurar a memória, necessariamente portuguesa, que é propriedade do povo local. Claro que a questão levantada pela situação na Catalunha, ao levar a um recrudescimento de afirmação do nacionalismo espanhol, só pode ser prejudicial a este caminho, pois, para muitos setores, o despertar das raízes lusas de Olivença poderá significar que, também ali, se quer de alguma forma beliscar a unidade espanhola. Convém acentuar que não é legítima qualquer comparação entre Olivença e a Catalunha. Na primeira, estamos perante um pequeno território de dois municípios (Olivença e Táliga) que quer recuperar o que indiscutivelmente lhe pertence: a sua História. Que foi a que foi, independentemente do Estado que exerce a sua soberania. Para os dinamizadores desta atividade, a questão da soberania é um aspeto secundário, mesmo porque tais problemas se equacionam a nível diplomático, e entre governos nacionais, e não a um nível que pouco mais é que municipal.

Outro problema é o da unidade da Espanha e do direito, ou não, de alguma das suas comunidades se poder converter num estado independente. Aqui, o que tenho lido enferma, muitas vezes, duma tal ilogicidade, que não resisto a fazer alguns comentários. Serão um desabafo, talvez. Entenda-se como se queira!

Talvez por estar ligado ao estudo da História, creio que esta questão tem de ser examinada a esse nível. Na verdade, ao longo dos séculos, na Europa, várias nações foram ganhando a sua unidade e foram-se transformando em estado modernos. Todavia, não se pode pretender ignorar que os povos, ou as pequenas comunidades, ou, se se quiser, muitas pequenas nações, foram simplesmente ignoradas e submetidas aos estados mais extensos e modernos que se constituíram. Sem ir mais longe, em França, os bretões, dotados duma individualidade própria, nunca puderam constituir-se em estado soberano. E já nem falo dos corsos, mais italianos que franceses, anexados à França no século XVIII... porque a ilha foi vendida pelos genoveses.

 

Os exemplos podiam multiplicar-se. Na moderna Espanha, a cultura de Castela foi sendo alargada a quase todo o território resultante da união nascida do casamento dos reis católicos (coroas de Castela e de Aragão) no seculo XV-. Foi-se impondo, e caracteriza, hoje, a grande maioria do território espanhol. Regiões houve, todavia, que tinham desenvolvido, nalguns casos muitos séculos antes de 1473, estruturas políticas definidas e particularidades culturais muito próprias, para além de línguas distintas. O que Espanha poderia ter feito, ao longo dos séculos, era encontrar um certo equilíbrio, uma forma de governo e de administração que tivesse em conta estes fatores. Infelizmente, tal não sucedeu. O absolutismo, a partir do século XVIII, agravou a situação. No século XIX, com o despertar dos nacionalismos estruturais em várias regiões (não se deve confundi-los com os nacionalismos fascistas, que são do século XX), vários povos começaram a recuperar a sua História e a redefinir a sua identidade. Infelizmente, a maioria das pequenas nações teve de lutar com os nacionalismos mais poderosos, muitos deles resultantes da afirmação de aparelhos de estado, reformados, que deviam a sua existência aos velhos absolutismos reais. Por toda a Europa, surgiram movimentos patrióticos, alguns visando agregar pequenos estados de origem feudal ( casos da Alemanha e da Itália), outros criar novos. Sucederam-se as vitórias e as derrotas. Após a Primeira Guerra Mundial, vários povos conseguiram a independência, já no século XX. Outros não. Mais alguns a conseguiram no final da década de 1980, princípios da década de 1990. Mas...outros não.

Sucedem-se as ironias. O nacionalismo, diz-se, causou horrores inenarráveis. Dito assim, está-se perante uma generalização abusiva. Não se pode meter no mesmo saco o nacionalismo agressivo e fascista da Alemanha de Hitler ou da Itália de Mussolini do nacionalismo libertador da Irlanda em 1916-1922. O nacionalismo, por si só, não define uma atitude violenta. Mas sem dúvida que é violento não reconhecer o direito dos povos (das nações, afinal) a disporem de si próprias. Neste caso, para se criticar o nacionalismo e o direito de independência dum grupo humano, apoia-se o nacionalismo agressivo de quem oprime esse povo. Como se pode pretender ser justo ao fazer generalizações destas(

Diz-se que a União Europeia surgiu como força unificadora de um continente que só unido poderia ter um papel mundial. Uma força democrática, claro. Mas, pelos vistos, não ao ponto de admitir recomposições e alterações fronteiriças internas. Ao contrário das decisões do Congresso de Viena, não há, na UE, uma força militar que possa ser solicitada e enviada para reprimir desvios às normas. Mas... se quem o fizer estiver sujeito à expulsão e à asfixia económica...qual é a diferença?

Fala-se em não abrir portas a nacionalismos exarcebados ou a populismos. Mas, numa UE tão pouco recetiva à vontade de algumas das comunidades nela integrados, como evitar este fenómeno? Eles surgirão... tanto entre quem se sente marginalizado, como entre as nacionalidades que são historicamente dominantes. Dizer, como já li, que se está contra movimentos seccionistas porque eles fazem ressurgir autoritarismos antigos acaba, na prática, por significar que os anseios legítimos (ou, pelo menos, compreensíveis, e com fundamentos históricos antigos) de vários povos da Europa se devem calar perante o que consideram ser velhas formas de negação dos seus anseios. De certa forma, e fazendo uma comparação jurídica um tanto abusiva, pede-se às vítimas que se calem, para não serem ainda mais violentamente agredidas!

 

Outro discurso que me deixa perturbado é o de que apoiar desejos independentistas pelo mundo fora é respeitar o Direito dos Povos à Autodeterminação, e é legítimo (quase que me atrevia a dizer: é "fino", ou politicamente correto). Mas, na Europa, é um retrocesso! Será que ainda ninguém reparou que este argumento é quase racista? Para os povos deste mundo, pobres coitados, com índices de desenvolvimento atrás da Europa, os nacionalismos independentistas até se compreendem. Mas, para a Europa, não! Os europeus têm um "outro nível", já ultrapassaram essas polémicas infantis! Que falta de maturidade revelaram os europeus das antigas Jugoslávia e União Soviética! E os Checos e os Eslovacos! Embora para muitos, nestes casos, como se tratava, quase sempre, de abater o ogre comunista... enfim, era aceitável.

 

Parece que a UE, dizem alguns, funciona mal com 27 ou 28 membros, e se tornaria ingovernável com 30, 40, ou mais. Portanto, vamos manter a Ordem Europeia a todo o custo. Todavia, para mim, o que está a funcionar mal é a própria UE. Se se quer uma Europa Unida, têm de se ouvir as populações. E, claro, combater os "tiques" mais ou menos imperialistas dos Estados mais poderosos e antigos... os tais que tiveram a oportunidade de formar estados-nação... embora "abafando" as pequenas nacionalidades. Lamento, mas nego-me a acreditar que a História acabou!

 

Ainda volto a Espanha. Após uma ditadura feroz, que esmagou os particularismos com particular violência, surgiu uma democracia em 1975. Mas... não se fez uma mudança até às últimas consequências. Conservou-se a monarquia, restaurada pelo defunto ditador, ainda que essa mesma monarquia, em 1981, tenha sido fundamental e tenha mostrado coragem para derrotar o golpe de 1981, pelo qual se procurava restaurar o regime autoritário. Foi-se mais longe; criaram-se autonomias. Primeiramente, as chamadas autonomias "históricas" (Catalunha, País Basco (e Navarra), Galiza. Mas... porque a mentalidade nacionalista não morrera, optou-se por dar a toda a Espanha uma mesma organização, para disfarçar uma tão inevitável cedência. E criaram-se autonomias abrangendo todo o território. Inventaram-se mesmo novas unidades, como a Cantábria. A Espanha tem de encontrar novos caminhos e pôr de parte muitos preconceitos. Continuar, ainda disfarçadamente, com a defesa da "España una, grande, y libre", não trará felicidade aos seus cidadãos. Evidentemente não defendo qualquer forma de ingerência nos seus assuntos internos, mas é com tristeza que vejo os acontecimentos atuais. Apelo a que tudo se consiga resolver em Espanha da forma mais democrática possível... ainda que este meu apelo, provavelmente, não chegue a quem, na minha opinião, deveria. Fica o desabafo!

 

Não se resolveu o problema fundamental de criar uma verdadeiramente nova organização do Estado Espanhol. O velho centralismo, embora disfarçado e adocicado, sempre esteve presente. Talvez se tenha perdido uma oportunidade para, por exemplo, formar uma confederação (estados de língua catalã, estados de língua castelhana, estados de língua basca, estado de língua galega, num equilíbrio fundamentado). Assim, ao tornar mais ou menos igual o que era diferente, a Espanha acabou por plantar as sementes de futuras e renovadas tensões internas. O problema da Catalunha, para mim, é um resultado deste erro.

 

Considero também de valor nulo as declarações que apontam para a falta de viabilidade económica de novos estados. Nenhum estado, por si só, tem viabilidade económica. Este tipo de argumento é sempre usado por estados que não querem dar a independência a povos que lhe estão submetidos. Aliás, este argumento, usado por pessoas que se dizem progressistas, acaba por as levar a apoiar o modelo económico ultracapitalista (o neoliberalismo) que criticam noutros foros de discussão, dando razão ao TINA, ou seja, o modelo económico é desumano e castrador, mas tem de ser apoiado, pois não há outro. Lamento, mas a minha militância de esquerda impede-me de aderir a este ponto de vista. Ao longo da História, muitos dos povos que se independentizaram perderam regalias económicas. Tiveram de procurar vias alternativas, e quase sempre o lograram fazer.

 

Estranho mundo o nosso, em que o pensamento único transforma setores progressistas da sociedade em defensores da negação do direito dos povos a serem livres, e a argumentarem como o fazem os donos da economia mundial, que veem em cada comunidade um número, uma possibilidade de exploração de mão-de-obra, uma oportunidade de lucro. E os princípios? O que vamos fazer aos ideias generosos de liberdade que levaram cada nova geração a, pelo menos, tentar construir um mundo melhor?

Não me reconheço nestes "modernos" setores progressistas. Lamento.

 

Estremoz, 29-outubro-2017

Carlos Eduardo da Cruz Luna

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 Fonte da Imagem:https://s3-eu-west-1.amazonaws.com/static.wetek.com/storage/events/597f0206-77d4-40df-a5cd-5c6925fc7e5d-websummitlisbon2017.jpg

 

Eventos como a "Web Summit" são, para mim, uma mais-valia para Portugal. São bons para a própria marca "Portugal", para o turismo e todos os seus actores e acima de tudo animam uma cidade que não deixa de ser uma das mais belas do Mundo. Com tantas criticas à mesma, seria interessante perceber os custos vs retorno desta face ao tão aplaudido Festival Eurovisão da Canção, por exemplo.

 

Discutir tecnologia é hoje fundamental. Não tenhamos dúvidas que o futuro passa por aqui e é importante desmistificar (contra a vontade de alguns) que não estamos perante nenhum "bicho de sete cabeças". Todavia, reconheço, que todos estes eventos (salvo algumas situações) são um mero encontro de profissionais e cujo retorno é sempre difícil de quantificar. Políticos e organizadores atiram números de milhões para o ar, mas na realidade, nunca temos contas certas, e neste campo, o Estado é responsável até porque financia, também com milhões, este evento. Eu sei que é aborrecido estragar a festa, mas quem já trabalhou com americanos, alemães e outras tantas nacionalidades sabe que o discurso é sempre interessante, mas os números têm de aparecer no papel e no terreno! Podemos falar de consumos de copos de água e cafés, do número de audiovisuais e afins, mas o que queremos são mesmo os números e os resultados concretos.

 

A "Web Summit", mais que um evento com resultados, é marketing e networking. Do ponto de vista do marketing é positivo, como também é necessário dar imagem ao mercado, ou não fosse a organização especialista em transmitir a ideia às organizações (sobretudo startups) que são convidadas e especiais, mas depois têm de pagar cerca de €1.500 para serem efectivamente tão especiais e dignas de convite. Do ponto de vista do networking também, todavia o foco nesta questão (apontada pela maioria como o ponto fundamental do evento) tira protagonismo à discussão de temas relevantes e ao desenvolvimento de estratégias para o futuro.

 

É neste sentido que, na "Web Summit", ficou também por esclarecer, apesar de ter sido abordado, como é que o mundo se vai preparar para toda esta revolução na robótica e que inclui a Inteligência Artificial (IA). Quais serão os reais impactes nas pessoas, nos negócios e nos países menos desenvolvidos? Eu sei que estamos perante um encontro na área das tecnologias da informação, mas não falar das pessoas... Como é que vamos conviver com este futuro que, para muitos, é visto com optimismo e para outros com grande pessimismo, enquanto a grande maioria não pensa nisso enquanto se diverte a brincar com o cão robot e não tem paciência para um cão de carne e osso. Interessante os risos e a satisfação quando um robot se vira para os humanos e lhes diz que o emprego destes tem os dias contados mas não lhes oferece uma solução... Mas a maioria aplaude. Aplaude até não ter emprego e passar a ser a personagem de um romance-catástrofe.

 

Não sou contra a IA, no entanto, defendo que esta merece uma grande discussão! Não só ao nível da ética mas também das consequências positivas e negativas que trará e, como já referi num outro artigo, comparar esta revolução com a primeira Revolução Industrial é no mínimo patético e revela um total desconhecimento do passado e do presente. Como é que enquadramos esta realidade nos desafios do presente e do futuro? Aqui, estamos perante um enorme  buraco negro em que ninguém arrisca entrar e já nem vamos falar da quase ausência da questão da responsabilidade social - não chega ter Al Gore a lançar desafios... É preciso agarrá-los. A lógica da sensibilização de cada um de nós tem limites, todavia, as mentalidades não se mudam somente com conselhos.

 

Fiquei também com a sensação que a "Web Summit" é um acontecimento político. À boa maneira portuguesa, a presença dos políticos do costume (Presidente da República - que até deixou a questão da água para segundo plano - e Primeiro Ministro incluídos) demonstra o ainda peso do Estado e a propaganda que grassa nestes meios. Até tivemos um presidente de câmara, Fernando Medina, que acompanhou todo o evento, mais parecia a "Web Medina", mas depois disse não ter conhecimento de um jantar no Panteão (um dos momentos altos da conferência), chegando mesmo a estar contra o mesmo.

 

Desta feita até foi bom, porque "apagou" a questão da legionella num hospital público, causando amnésia ao Presidente da República que encarou este facto como único, esquecendo o que aconteceu em Alverca em tempos recentes. Neste âmbito, também foi interessante assistir à presença de João Vasconcelos (ex Secretário de Estado da Indústria) como se ainda ocupasse um cargo de Estado (estando presente inclusive em alguns dos certames oficiais e diplomáticos) após ter sido demitido, perdão, se ter demitido devido ao escândalo com as viagens pagas pela GALP e cujo inquérito ainda decorre. Pelo campanha de comunicação em torno deste indivíduo, então no LinkedIn e em alguns "media" é bem latente que ter saído do Governo foi a melhor coisa que lhe poderia ter acontecido. José Régio escreveu "Há Mais Mundos", eu escreveria "Há Mais Isaltinos".

 

Mais uma vez, passou-se a imagem que Portugal é Lisboa... Tirando um evento de surf na Ericeira, num país pequeno como o nosso não ficaria mal alargar o âmbito da conferência. Contudo, a ideia com que fiquei, e aqui baseio o meu relato somente naquilo que vou ouvindo, é que a "Web Summit" é uma coisa, os portugueses são outra... O português comum é totalmente arredado deste evento não só por falta de informação concreta, bem como pela apresentação dos resultados... Volta a questão do empowerment e da crónica estupidez nacional de não gostar muito de passar a informação toda capacitando assim os outros. Em muitos com quem falei, encontrei a ideia de que a "Web Summit" é um evento elitista, quando não o deveria ser, e muito menos me parece que seja essa a ideia de Paddy Cosgrave. Na verdade, não é por andarmos de t-shirt e calças de ganga que a nossa mentalidade se torna mais cool ou moderna. Não é por se trocar o fato, a gravata e o golfe, por um polo, umas sapatilhas e surf que deixamos de ser aquele executivo labrego e nos transformamos no mais atractivo CEO do mundo.

 

Finalmente, algumas provocações: no país da tecnologia, não é de estranhar que durante os incêndios esta tenha falhado redondamente? No país da tencologia, não é de estranhar que muitas das inovações portuguesas (inclusive na área dos incêndios) não tenham a devida projecção? No país da tecnologia ainda discutimos jantares no Panteão nacional como se a nossa independência estivesse em causa e esquecemos o que realmente tem travado o nosso desenvolvimento? No país da tecnologia, porque é que ainda continuamos com uma mentalidade obsoleta? Porque a tecnologia altera hábitos mas não muda mentalidades.

 

Esperemos por 2018 e finalmente por bons resultados... Porque também isso leva o seu tempo e em relação à "Web Summit" quero continuar optimista. Venha a próxima edição...

 

Uma nota: ainda a propósito do famoso jantar, pede-se aos humoristas nacionais (muitos deles tão inteligentes que julgam viver num universo acima daqueles que ainda os sustentam)  que tenham em atenção o facto de personalidades como Camões, Vasco da Gama, D. Nuno Álvares Pereira, Pedro Álvares Cabral, Afonso de Albuquerque e o Infante D. Henrique (destes quatro últimos nem ninguém se lembrou) não se encontrarem sepultados no Panteão. Na Igreja de Santa Engrácia encontram-se somente os cenotáfios destes. No país da tecnologia e de gente que domina a praça pública e se diz tão evoluída já deveriam saber isso...

 

 

 

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Perigo! Zona de "Selfies"...

por Robinson Kanes, em 09.11.17

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 Fonte da imagem: https://www.diyphotography.net/a-fatal-month-for-selfie-photographers-why-is-it-so-dangerous/

 

Numa época em que tudo é vendável, em que é possível vender um fio de cabelo, uma falsa imagem ou até, como uma actriz brasileira de 43 anos, utilizar um outdoor para publicitar a virgindade a troco de estabilidade financeira, será importante perceber se, numa Era em que atingimos o ex-libris máximo da troca de informação e da exposição, não devemos começar também a estimular o nosso espírito crítico acerca de tudo aquilo que nos rodeia, seja bom ou seja mau - uma espécie de contraste ao Admirável Mundo Novo sem nos sentirmos uma espécie de “Sr. Selvagem”.

 

Ainda me recordo do desvio de um avião há mais de dois anos, onde temos um pirata do ar que, procurando exposição e “dar nas vistas” (não me vou debater sobre problemas de carácter psicológico), desvia um avião do Egipto para o Chipre, somente porque tem uma carta para a antiga mulher. Ao que sei, no Egipto existe aquilo a que podemos chamar os CTT locais, ou até empresas de distribuição ao estilo UPS ou DHL. Mas porque não desviar um avião? 

 

Soubesse eu isto, e quando frequentava o ciclo, tinha desviado a carreira 18 para ir entregar a casa da Madalena aquela carta de amor cheia de erros... Mas tremendamente apaixonada, pelo menos até ter conhecido a Maria no dia seguinte ou a Luísa do 9ºano na semana que viria depois.

 

A isto, junto aqueles indivíduos que depois de um avião ter aterrado com os motores em chamas estão mais preocupados em filmar o momento e levar os bens do que propriamente evacuar o mesmo o mais rápido possível! Casos destes não faltam. E o que é que devemos fazer numa situação de pânico ou terror? Fugir? Ajudar quem possa necessitar? Não! Fotografar ou até filmar e de preferência com a nossa face sempre presente, com direito a relato e com aqueles sons típicos de esforço e sofrimento. Só me lembro de um indivíduo durante a época de incêndios em Portugal, numa auto-estrada rodeada de chamas, a passar a imagem de que estava perante o medo da morte e em pânico, mas a conduzir de telemóvel em riste e a emitir verbalmente o seu pânico! Eu vou morrer, mas vou morrer com estilo! Aliás, se morrer é que isto vai ter visualizações que nunca mais acabam!

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 Fonte da Imagem:http://www.newsdon.com/a-panic-picnic-of-bengaluru-students/

 

Mais uma vez, a informação e o modo como tudo é empolado e espalhado a uma velocidade incrível permite que este tipo de comportamentos se continue a repetir, a causar impacte e até desculpabilizar o autor em muitas situações. Aliás, embora acabasse também com a morte do piloto, tivemos o horror de assistir à queda de um avião nos Alpes onde o factor “impacte mediático” teve um grande papel na tomada de decisão do suicida/homicida.

 

Mas se tudo isto é chocante, mais chocante é a destreza que um indivíduo pode ter para, em pleno sequestro aéreo - e agora coloco a questão “medo instalado” a funcionar – onde um outro indivíduo de origem árabe diz ter um cinto de explosivos e, tendo em conta acontecimentos recentes, não mostra qualquer ressentimento em morrer e matar - convidar este último para uma fotografia, vulgo selfie ou selfie vulgo fotografia, deixo ao cuidado do leitor a interpretação desta troca.

 

Que dirão os amigos destes indivíduos, isto se o "SD card" se salvar. Elogios pela bravura e pela coragem ou elogios por ser tão negligente que por um dia de fama coloca em risco a sua vida e até de outros?  No caso de um sequestro aéreo eu sugiro que o Ideal passa por termos uns pilotos decapitados para dar mais humor a uma situação que já por si era uma verdadeira comédia. Aliás, eu próprio, antes de levantar dinheiro no multibanco, já olho em volta no sentido de perceber se algum larápio vai explodir e roubar a ATM. Posso sempre abordá-lo para uma fotografia, vulgo selfie e com sorte fico com os meus minutos de fama e quiçá até apareça num canal regional da Hungria ou do Kiribati e me torne popular no facebook.

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Fonte da imagem: https://disciplesofhope.wordpress.com/2016/02/19/if-not-yet-warned-then-remember-to-avoid-dangerous-selfies/

 

Também em recente contacto com uma força policial portuguesa, soube que estão a ser distribuídos "iPads" aos agentes para situações que envolvam reféns tal é a eficácia e a facilidade com que, com esses instrumentos, se chega aos sequestradores. Cuidado com os snippers, porque assim que colocarem a cabeça ou o resto do corpo a jeito o melhor atirador da polícia “saca-vos” uma foto e aí não há como fugir - atingido em cheio! Já estou a imaginar os negociadores a pedirem aos raptores para mostrarem só a cabeça que é para a foto e lá vem o sequestrador com um sorriso notty para a posteridade.

 

Será interessante, agora que temos acesso a galáxias de informação, termos alguma cautela com o que valorizamos, sob pena de nós próprios também estarmos a colocar as nossas vidas em risco, sobretudo quando uma vida vale menos que uma selfie ou um post no facebook. Não podemos ser quadrados nem cinzentos, no entanto, também não podemos cair no ridículo de valorizar actos, situações ou momentos que são a realidade vivida e que envolvem outros, que naquele mesmo momento, naquele local ,muitas vezes ou lutam pela vida ou simplesmente perderam a esperança de voltar a ver os seus.

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Barceloneta, Onde Fica o Coração...

por Robinson Kanes, em 08.11.17

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 Fonte das Imagens: Própria.

 

Do Port Olímpic caminhamos facilmente junto ao mar pelo passeio marítimo. Este é talvez um dos melhores programas entre o bulício de uma moderna metrópole e o azul do mediterrâneo, isto, enquanto observamos as crianças de diferentes origens e nacionalidades no "Parc de la Barceloneta". E é aí, ao chegar a Barceloneta que o ar tem outro cheiro, que uma diferente Barcelona olha para nós e nos apela a deixar o mar apesar do convite dos bares mais turísticos.

 

Barceloneta não é um bairro muito antigo, percebe-se pela arquitectura. Nasceu no século XVIII quando os habitantes da "La Ribera" foram expulsos por Filipe IV que ordenou a construção da "Ciutadella". Foi, e é ainda, um bairro típico de pescadores e operários (uma dos ambientes que gosto de frequentar), todavia, bem diferente daquele que era antes da modernização de que foi alvo aquando dos Jogos Olímpicos em 92.

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Lembro-me de Barceloneta que, segundo alguns, inspirou Cervantes numa passagem de D. Quixote, e sentir inveja de ver muitos dos meus amigos morarem naquele bairro - denote-se que estava a viver em Ausiàs Marc, pelo que não me poderia queixar, pelo contrário. Barceloneta é o expoente máximo da cultura mediterrânica em Barcelona (apesar de ser um bairro recente), dos cheiros, das conversas, da vida e contrastes que nos fazem indagar se estamos no norte de África, ou num qualquer bairro do sul de Itália. Mas não comparemos, Barceloneta é diferente. Foi lá que aprendi a cozinhar alguns petiscos senegaleses, foi lá que descobri uma forma low-cost e eficaz de polir faróis, foi também naqueles recantos que, entre peixe frito e outras tapas únicas me foi possível conhecer grandes indivíduos.

 

É também aqui que fica o "La Bombeta", um pequeno restaurante e sempre apinhado de gente e que acabava por ser o escape aos restaurantes caros e tremendamente turísticos do "Passeig Joan de Borbó". Aliás, como qualquer bairro, para se encontrar boa comida e... bons amigos, o ideal é sempre ir para o centro, neste caso, alguns dos mais especiais encontram-se perto do "Mercat de la Barceloneta", uma óptima alternativa à carérrima e descaracterizada "Boqueria". Basta seguir pela "Carrer de la Maquinista" que é também onde se encontra o "La Bombeta". Nem cinco minutos são a pé e sempre é possível recordar os bombardeamentos da aviação alemã durante a "Guerra Civil" através da inúmeras placas que se encontram espalhadas. Também é aí que temos uma imagem tipicamente mediterrânica, com habitantes locais à conversa e crianças ainda a brincar na rua - uma raridade - bem mesmo em frente na "Plaça de Pompeu Gener". E depois de tantos recantos, perceberemos que o "La Bombeta" nem é o melhor de todos...

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Neste pequeno bairro conquistado ao mar, existe também espaço para apreciar o património que vai para além das construções civis, refiro-me sobretudo à "Església de Sant Miquel del Port", uma igreja barroca que vibra, quando em Setembro, Barceloneta é um palco de festa com cortejos e uma animação no bairro e nas praias. É totalmente impossível não ficar contagiado pelas danças e folia daqueles dias. Penso que só em Andaluzia conseguem isso de mim, até porque não sou de danças, mas este foi um dos locais onde não consegui resistir.

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Uma outra nota de destaque é o edifício e o próprio "Museu de História da Catalunha", já na direcção do "Port Vell". Este museu é interessante, pois além de contar a história da Catalunha desde a época pré-história é bastante interactivo, os miúdos adoram-no e os adultos apaixonam-se pelo restaurante no piso superior com um terraço e umas vistas únicas para o "Port Vell".

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Recordo agora com saudade a praia depois de umas animadas conversas entre vinho e comida em alguns dos pequenos recantos de Barceloneta... Recordo aquele momento que nos fins de tarde outonais tinha para mim um encanto especial, mais do que no Verão onde os turistas e os próprios habitantes da cidade preenchem o espaço até à exaustão. Recordo o dia em que tirei algumas destas fotografias, um dia em que vesti a pele de turista e não senti nem um terço das emoções que se têm como habitante...

Barcelona é especial e se admito que o meu coração ainda hoje está naquela cidade, por certo está bem guardado num qualquer local de Barceloneta, possivelmente numa das varandas à espera que o resto do corpo o encontre um dia.

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Recursos Humanos: "Jobs for the Boys".

por Robinson Kanes, em 07.11.17

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Fonte da Imagem: http://www.npr.org/2016/11/15/502250244/to-make-the-godfather-his-way-francis-ford-coppola-waged-a-studio-battle

 

 

Deve ter cuidado. Ser um homem honesto é perigoso. 

Mario Puzo, in "O Padrinho"

 

 

Há muito tempo, remeti esta carta a um Director de Recursos Humanos para Portugal de uma multinacional:

 

Bom dia, Estimado C.,

 

Espero que este meu email o encontre bem, e escrevo em português porque sei que domina a língua como ninguém. Poderia fazê-lo em francês, mas porque não utilizar a língua do país em que está.

 

Este meu email,vem no seguimento de uma apresentação que vi sua onde mostrou a importância de detectar talento na "X" e a sua visão sobre essa área, gostei imenso da parte da "servidão" em relação à chefia, sobretudo porque sempre tive uma relação aberta com as minhas chefias e isso sempre foi interessante, não fossem muitas delas estrangeiras. Mas enfim, os portugueses gostam de servos e aí eu não me encaixo.

 

Espero também que o rigor de recrutamento da "X" seja esse que aponta. Sabe, não sou adepto do networking e muito menos do personal branding e se tenho LinkedIn foi porque começou como trabalho e lá foi ficando. Para mim não, mas entendo a importância que as redes sociais têm em termos de mercado, talvez por isso as trabalhe, mas não me deixe contagiar, sim não tenho uma vida propriamente feliz para lá expor. Digamos que networking em termos de RH é o novo nome para "cunha/compadrio" espero que perceba o que digo. Perdoe-me, mas sou daqueles que acredita no trabalho e mais do que em competências técnicas (muitas vezes empoladas), acredita nas competências "soft" ou se quiser "sociais".

 

Sim, também já me candidatei várias vezes à "X" via "black hole" dos HR, o recrutamento online por candidatura espontânea, ou seja, aquele em que acreditamos que um dia alguém vai olhar para a nossa candidatura mas... "nunca" olha.

 

A minha questão é simples: não sendo adepto de networking pessoal, nem de grandes favores deste e daquele, como é que é possível nos dias de hoje ser reconhecido no mercado de trabalho? Sobretudo porque já poderia ter um CV ainda melhor se tivesse cedido à tentação dos favores.

 

Espero também, que nessa sua leitura, os seus colaboradores também um dia possam olhar para o meu CV e dizer: "bem, este indivíduo merece pelo menos uma oportunidade".

 

Um Abraço,

 

"Robinson Kanes"

 

 

A verdade é que tive uma resposta bastanto positiva, pois o C. respondeu-me e pediu-me uma data e hora para agendarmos uma reunião. Todavia, o C. copiou o responsável de recrutamento daquela organização, a típica chefia intermédia portuguesa. A partir desse ponto as coisas alteraram-se, a resposta tardou e só foi obtida com o seguimento que fiz a posteriori. Dois dias depois, pelas 14h, recebo finalmente um email do responsável de recrutamento que me faculta um número de telemóvel e me pede para falarmos às 15h... Deduzi que a reunião presencial ficara sem efeito e que quem estava ao comando era agora o indivíduo que me contactava e assim com aquele espaço temporal, varria a situação para debaixo do tapete. Aliás, a forma como agendou o contacto era claramente para boicotar a reunião. Por sinal, acedi ao email antes das 15h. Vamos chamar-lhe E.

 

O E., estava no perfil de LinkedIn como se tendo formado numa área e ter começado a carreira pela porta grande numa outra totalmente diferente. Confesso que pensei de imediato que iria falar com a pessoa errada, e assim foi... Estas coisas cheiram-se.

 

Perante as minhas questões a resposta que obtive foi "oh Robinson desculpe, eu recebo muitos CV por dia, acho que tenho tempo para ler algum? Agora só referências ou contactos, não tenho tempo para ver CV e alguém com a experiência que você já tem se não o fizer ninguém o chama". Sempre pensei que o screening fosse uma das principais funções de um recrutador, mas pelos vistos não, as relações públicas (privadas?) são agora uma das suas mais extensas funções. Mas este indivíduo foi mais longe: "o mercado é assim, ou você se adapta ou já era, sem contactos que o coloquem aqui e acolá nunca vai arranjar emprego. Tem de pensar que os amigos são quem melhor o conhece e melhor o pode ajudar" ou então pode sempre abordar no LinkedIn e pedir-me! Muitos não fazem isso, mas eu faço muito, vejo os contactos que a pessoa tem também e nunca se sabe".

 

Finalmente, questionei: "então e as ofertas que colocam no V/site?". A resposta foi de que não havia tempo para olhar para as mesmas. Ainda pensei porque é que se faziam campanhas para atrair talento para aquela organização (até porque a mesma se gaba da transparência e por ser óptima a atrair talento), mas apercebi-me que estava a falar com um corrupto e não iria mudar a opinião do mesmo.

 

A conversa ficou por ali, até porque o E. já tinha em mente dar um salto para uma outra organização empresarial, algo que acabei por saber semanas depois. A verdade é que desisti daquela conversa, era uma luta que não faria sentido, pelo que, optei por boicotar as marcas vendidas pela organização. Vem este texto bem a propósito de mais uma recente notícia em que o interesse, neste caso do país, é posto em causa, quando os amigos são os preferidos para ocupar cargos de responsabilidade, e assim vai a ANPC (Autoridade Nacional de Protecção Civil).

 

Lembram-se da carta aberta que enviei a um director-geral de uma empresa de recursos humanos? Tive resposta. Uma resposta cordial, acompanhada com um pedido de desculpas (corporativo e pessoal) e com uma promessa do próprio em iniciar uma investigação interna para detectar estas más práticas que, segundo o mesmo, não vão de modo nenhum ao encontro do que é defendido na organização. Por motivos óbvios, não colocarei aqui a resposta completa sob pena de deixar transparecer a organização em causa.

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Paleo? Não é Realista!

por Robinson Kanes, em 06.11.17

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 Bodegón con Costillas , Lomo y Cabeza de Cordero, Francisco de Goya - Musée du Louvre

Fonte da Imagem: Própria.

 

Sempre que surge uma nova "dieta", existe um vasto número de "nutricionistas" na nossa praça que quase nos obrigam a aderir à sua ideologia alimentar. Para mim, e por ser um tema demasiado sério para andarmos a brincar com o mesmo ou a assumir o papel de um especialista, penso que cada um de nós deve consultar sempre um profissional da área... Não estamos propriamente a adquirir ou a aderir a uma forma de vestir - a "última" tendência é o Paleo ou os "Primitivos Modernos" ou "Neo Primitivos".

 

Não sou seguidor da corrente e muito menos especialista na área da saúde alimentar pelo que estudei um pouco sobre a matéria, mas não o suficiente, reconheço, pelo que os vossos comentários serão mais que importantes. Nestas matérias mais do que embadeirarmos algo em arco, só porque é cool ou está na moda, temos de ver todas as frentes, eu vou-me focar nos contras, porque prós não faltam, embora mencione alguns.

 

O desenvolvimento desta tendência tem por detrás o polémico Chef Pete Evans. Evans defendeu nos media que se começássemos a replicar a alimentação dos nossos antepassados do paleolítico, a nossa saúde melhoraria substancialmente. Pete Evans, apenas criou uma tendência, e com o devido usufruto para o próprio, mas temos de ter em conta que é só isso e até aí, nada a apontar. Importa sublinhar, contudo, que Evans apenas mediatizou o que já vinha a ser estudado por alguns especialistas que defendem esta prática há mais de 40 anos. Desenganem-se aqueles que pensam que é uma descoberta recente, livros dos anos 70 não faltam.

 

Um dos maiores contestários de Evans, é Marlene Zuk, especialista em Biologia Evolutiva na Universidade do Minesota e uma referência na área. Esta advoga que a dieta Paleo é baseada na ideia de que a genética humana não mudou desde há 10.000 anos para cá, nomeadamente, desde o desenvolvimento da agricultura. Todavia, mais uma vez e segundo a mesma, os nossos genes mudaram e isso fez com o nosso organismo possa perfeitamente "aceitar" alimentos que nunca seriam aceites pelo Homem do Paleolítico. Os especialistas como Zuk vão mais longe, e assumem até, que pouco sabemos do que se alimentavam os nossos antepassados pelo que não podemos sustentar tal teoria. Zuk é a autora do livro "Paleofantasy: What Evolution Really Tells Us about Sex, Diet, and How We Live".

 

Uma outra questão, prende-se com o facto dos defensores desta corrente excluirem das épocas históricas a questão social e das próprias necessidades - à época o homem tinha de caçar ou recolher o que a natureza lhe dava, hoje isso não é necessário, pelo que ficará a questão: justifica que nos comportemos como tal? Coloca-se ainda a questão de que tudo o que comemos actualmente, ou quase tudo, já sofreu a transformação do homem e da própria evolução natural - não podemos conceber que as frutas, legumes e até carne de outrora existam hoje como existiram um dia. Temos de ter cuidado e ter em conta que a tendência paleo não resolve todos os problemas de saúde, como em alguns casos já se tentou fazer crer - a propósito disso, este artigo publicado na Lancet, demonstra que o Homem de outrora não era propriamente aquele ser belo, de corpo esculpido e saudável. Já vão sendo realizados alguns estudos, todavia, muitas doenças poderiam não ocorrer no paleolítico pelo simples facto de muito poucos atingirem uma grande longevidade... Além disso, as doenças actuais não estão só relacionadas com a idade mas também com o estilo de vida e outros factores que vão bem para lá da alimentação. 

 

Outro pormenor prende-se com o facto do Homem, ao longo da história, ter estabelecido diferentes dietas que sempre dependeram da geografia e da variedade de "produtos" disponíveis. Recomendo o artigo de William Leonard na Scientific American de Dezembro de 2002 e este outro da Nature realizado com base no estudo do ADN da placa dentária dos Neandertais - se gostarem desta matéria, para lá das dietas, é sem dúvida uma viagem interessante. Ambos os estudos têm acesso pago e por esse motivo as minhas desculpas.

 

Um outro factor, e aqui creio que podemos extender a todas as dietas, está relacionado com a importância de prevenir aquilo a que os americanos chamam o "what the hell effect", algo como "efeito, mas que raio" e que não é mais do que sublinhar que a prática de diferentes dietas não leva a uma perda de peso, bem pelo contrário. Este comportamente surge também devido à vulnerabilidade a que muitos estão sujeitos assim que "caem em tentação". Neste campo, os estudos vão mais longe, e apontam que basta só a ideia de se ter quebrado determinado regime alimentar, para que os indivíduos percam o auto-controlo. Sugiro este estudo da Universidade de Toronto. 

 

Finalmente, a adopção de determinados hábitos como o regime paleo, pode levar, inclusive, à perda de um ambiente social agradável e também a restrições que são irrealistas para os dias de hoje. Esta é também a opinião de Charlotte Markey, psicóloga e professora na Rutgers University com 15 anos de investigação nesta área. Sugiro o livro "Smart People Don't Diet: How the Latest Science Can Help You Lose Weight Permanently" e também o artigo "Don't Diet!", da autoria da mesma, e publicado na Scientific American Mind de Setembro/Outubro de 2015. Podem encontrar o artigo online mediante pagamento ou adquirir, como eu, a revista.

  

Todavia, nem tudo é mau, uma das vantagens apontadas para esta dieta, é a ausência das chamadas "comidas processadas". Penso que aí é indiscutível. 

 

Com isto, não procuro censurar quem segue estes hábitos (é uma escolha dos próprios, livre e que deve ser respeitada), contudo, temos de ter cautela quando utilizamos o conceito de ciência como se fosse marketing ou um lifestyle, até porque dizer que hoje é possível adoptar uma forma de estar paleolítica é totalmente absurdo - ainda não conheci ninguém que adira a este modo de estar e viva numa caverna sendo recolector ou caçadorO ideal, será sempre conhecer diferentes perspectivas e, sobretudo, quando é de saúde que falamos, conversar com os verdadeiros especialistas (a favor e contra). 

 

 

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Do Dia dos Mortos...

por Robinson Kanes, em 31.10.17

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Fonte da Imagem: Própria.

 

Independentemente das convicções religiosas, o "Dia de Todos os Santos" é um dia em família e de alguma reflexão que, em Portugal, tende a ficar transformado numa espécie de Carnaval dos Mortos com o toque de "Halloween" ou "Dia das Bruxas". 

 

É por respeitar as diferentes culturas que sou levado a aceitar que esta é mais uma daquelas importações que jamais deveria ter saído dos países anglo-saxónicos. Podemos alegar que também tem raízes cristãs, o que seria discutível porque há quem aponte os celtas e outras tradições pagãs, muito antes de alguém ter decidido criar uma religião! Transformamos tudo numa festa que mais parece um filme de comédia de terceira linha. Querem fazer festas com mortos? Vão ao México, ou então até muitas regiões de África, aí sim vão ver como estas coisas se fazem e com uma componente étnica e cultural digna de registo. Substituir o "Pão por Deus" ou outras tradições mais bem enraizadas por algo forçado e completamente fora da nossa realidade é, no mínimo, triste! Portugal parece estar na moda desde que se transforme numa colónia de importações "baratas".

 

Eu sugiro até que possamos celebrar o "Halloween" em todos os velórios. Pela forma como tenho visto alguns, além de ser um enfado para muitos que só lá estão para ficar bem perante a sociedade, é também uma festa para outros. O morto já começa a ficar como adereço nestes encontros, em que numa boa forma primitiva, depois de enterrado ou cremado, todos lhe cospem em cima e se juntam para uns copos. Tenho sempre a sensação que o único morto não é aquele que se encontra no caixão, mas um sem número de almas que por ali vagueia sem realmente saber o que está ali a fazer, serão esses os verdadeiros mortos?

 

Recordo-me sempre do "Dia dos Mortos" como aquele dia que era passado em família, com um passeio, mas sem esquecer aqueles que já não estão cá. Não era um dia alegre, não era um dia triste, era sobretudo uma forma de celebrarmos a vida sem andarmos vestidos como se de repente entrássemos no Carnaval de Torres Vedras ou num desfile da "Moda Lisboa". E não, não lhe chamem saudosismo que ainda não estou em idade para isso... Talvez valorizasse o convívio genuíno ao invés dos efeitos distractores.

 

E como é feriado, para o "Dia dos Mortos", nada como uma sugestão! Talvez o meu requiem preferido (esqueçam o de Mozart que é sobrenatural e não entra nestas contas), "Ein deutsches Requiem, Op.45" ou em português "Um Requiem Alemão, Op.45" de Johannes Brahms! Dividido em 7 partes, é a maior obra do compositor, dedicado à sua mãe e também a Schumann. Ao contrário de outros requiem, este baseia-se na tradução da bíblia encetada por Martinho Lutero, um requiem verdadeiramente protestante.

 

 

Admito que me sinto abençoado por já ter ouvido o mesmo ao vivo num Domingo de Páscoa. Na Alemanha, não precisamos de pagar para assistir a concertos porque basta assistir a algumas cerimónias religiosas para ter momentos sinfónicos de uma qualidade que não lembra a ninguém. Um destes locais é a Michaelskirche (Igreja de São Miguel) em Munique! Ainda hoje consigo colocar a música de Brahms nos ouvidos e recordar aqueles momentos singulares em que nos sentimos a ficar sem ar perante tamanho arrebatamento e força com que aqueles coros e aquelas orquestras nos contagiam e ecoam pelas paredes das austeras igrejas da Baviera.

 

Bom feriado...

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De Léon, o Profissional aos Ratoneiros...

por Robinson Kanes, em 27.10.17

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Fonte da Imagem: https://cdn-images-1.medium.com/max/1600/1*cQ3z3DWc3rw5uc9cstN3tA.jpeg

 

 

Como prometido a um habitual seguidor e posto que a imagem coloriu um dos meus artigos esta semana, uma das minhas sugestões vai passar por um filme: "Léon, o Profissional". Este é um filme com Jean Reno, Natalie Portman (e que prodígio já ali estava) e Gary Oldman. Não sendo um dos meus realizadores preferidos, só Luc Besson conseguiria inesperadamente  transformar um filme de pura acção com corruptos e pistoleiros, num drama singular.

 

Não desenvolvendo muito do filme, assistir a Jean Reno no papel de um assassino profissional mas que no fundo não passa de um ingénuo indivíduo é algo fantástico - Léon mata para o seu "padrinho" (Tony, um mafioso) que lhe "guarda" todo o dinheiro e faz com que Léon carregue uma vida miserável. Léon nada conhece do mundo, mas é um apaixonado por filmes musicais dos anos 40 e 50, bebe copos de leite quando outros bebem Vodka e ainda cuida de uma planta como muitos de nós não cuidam de um ser-humano. É interessante este lado de Léon que se irá reflectir na relação que terá com Mathilda (Natalie Portman).

 

É Mathilda que mudará a vida de Léon e também acabará por ver a sua altamente marcada por este... Aliás, Léon morrerá a salvar a sua protegida e a vingar a morte dos cuidadores desta e especialmente do seu irmão. Todo o filme tem uma carga dramática, a relação de ambas as personagens é deveras interessante, e na chamada "versão do realizador", Besson chega a explorar uma certa paixão entre o assassino e a menina de 12 anos - o público não gostou e os cortes impuseram-se, mas eu aconselho essa versão. A isto, acresce aquele que me encantou na primeira vez que vi um filme e, sendo eu à época, um miúdo de 10 anos, jamais conseguiria apanhar mais que isso - Gary Oldman. Reparem quando este fala de Beethoven e Mozart depois de ter morto uma família inteira e o célebre grito (que afinal foi um improviso para fazer Besson rir um pouco) "bring me everyone" que acabou por ficar no filme original - surge no minuto 1:44 do trailer. Um filme onde os bons não ganham sempre...

 

Considerado por muitos digno de figurar na lista dos melhores filmes de sempre, é uma fita que à primeira vista pode parecer mais um "dirty harry style" mas consegue agarrar-nos de uma forma nem sempre normal nestes argumentos. Talvez por essa surpresa tenha gerado tantas paixões.

 

Para ler, e já que andamos pelo lado de lá do Atlântico, nada como visitar o escritor do Mississipi, William Faulkner. Escolhi "Os Ratoneiros", último livro do autor que deu origem ao filme com o mesmo nome e com Steve Mcqueen no papel do destemido Boon. Nos Estados Unidos dos anos 20, Boon, um ratoneiro (ladrão) e empregado da família, convence Lucius a roubar o carro do avô e com Ned viajam até Memphis vivendo um sem número de aventuras que são uma tremenda descoberta para todos. Estamos perante uma viagem para o desconhecido, cheia de peripécias e onde a amizade é sempre posta à prova. Gosto particularmente de Boon que terá também um final interessante com uma das personagens que não mencionei aqui, por motivos óbvios. E porque não associarem o filme ao livro e debruçarem-se sobre os dois? Vai ser impossível não gostarem de Boon e do "tolo" Ned.

 

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Fonte da Imagem: Própria.

 

 

Se Steve Mcqueen não for suficiente, talvez a banda sonora de John Barry o seja... Histórias diferentes, também para diferentes estados de espírito... Duas grandes obras, uma da literatura e outra do cinema...

 

Por fim... Uma outra sugestão... Apaixonem-se...

 

Bom fim-de-semana... 

 

 

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Será que me Amaste?

por Robinson Kanes, em 26.10.17

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Fonte da Imagem: Própria.

 

 

O "meu" artista de rua não só tem inspirado a minha pessoa a escrever por aqui como a pensar nas coisas como elas são ou não são. Depois de me ter feito pensar em quem somos nós daqui a 365 dias, trouxe-me uma nova inquietação que até surgiu nesse mesmo artigo.

 

"Será que me amaste?" Quantos de nós já não colocamos essa questão? Aliás, será que já colocamos mesmo a questão a nós próprios, uma espécie de "será que te amei?". Oui, tout est simple. Ce sont les hommes qui compliquent les choses, talvez seja eu que esteja a complicar e a desafiar as palavras de Camus (Vide o ensaio "Entre o Sim e o Não"), mas será algo tão subjectivo também descomplicado...

 

No campo das relações amorosas quem é que nunca colocou essa questão? Quando as relações terminam equacionamos sempre se outrem nos amou e aí entramos naquela questão de que o amor até pode existir mas termina, não tem de ser eterno. Mas poucas vezes questionamos se nós amámos. Na verdade, o fim de uma relação, ou melhor, o choque do fim de uma relação pode ser aligeirado se reservarmos um momento de introspecção e equacionarmos que provavelmente nunca amámos. A revolta e o choque devem-se ao abalo num certo egoísmo da nossa parte porque foi o outro que colocou um ponto final na relação e não nós.

 

Podemos sempre dizer que não concebemos estar com alguém sem a amar, mas na realidade, quando experimentamos o "amor" ou aquilo que lhe quiserem chamar, começamos a perceber que provavelmente tudo não passou de uma mera paixoneta ou de uma pressão social ou até de um certo comodismo. Quantas vezes o "primeiro amor" é aquela coisa que... daqui a dois meses já não nos diz nada?

 

Actualmente, quando conhecemos alguém, a primeira coisa que queremos saber é o que faz e um outro sem número de pormenores que pouco têm a ver com... Amor. Mas o amor vem depois, dirão... Mas será que o amor está sujeito a critérios materiais ou de status? Não é o amor desprovido de tudo isso? Como é que podemos dizer que amámos quando esses critérios são tidos em conta? E sim, já disse que o amor pode ser algo químico, físico, completamente normal sem nenhuma aura especial, ou pode até não existir, mas... Mesmo assim, tal processo estar condicionado a factores externos tem algo de falacioso.

 

Será que ao convidar aquela executiva de topo, ou melhor... Será que ao convidar aquela administrativa que ambiciona ser executiva de topo para aquele jantar romântico num local fantástico (nunca percebi porque também têm sempre de ser caríssimos) e de repente dissermos que ao invés de sermos "Specialist in Account Management of Multiple Projects in Different Departments and Internal and External Procedures and Evaluation Standards" (em suma, vendedor), somos serventes ou trabalhamos numa empresa de limpezas (no terreno) vai resultar? Será que é um bom começo para começarmos a amar?

 

Recordo-me agora de um amigo, que já não está entre nós, que quando saía à noite para conhecer pessoas - quem quero eu enganar? Miúdas, conhecer miúdas - levava sempre o seu Seat Marbella com mais de 20 anos e deixava o automóvel topo de gama em casa. Dizia ele que assim filtrava as oportunistas e encontraria o amor.

 

Acabei por me debater em questões distintas, mas independentemente de tudo, as questões que não devemos evitar são de facto estas: Será que me amaste? Será que amei? Talvez a resposta seja simples, nós é que complicamos.

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 Fonte da Imagem: https://www.moviepitcher.com/what-is-a-good-pitch/

 

Caro A.,

 

Espero que esta email o encontre muito bem (sim, o email foi enviado hoje mesmo).

 

Após ter recebido o vosso email a solicitar que, mais uma vez, colocasse os meus dados na vossa base de dados, admito que não fui capaz de conter algo que já me tem vindo a consumir há muito...

 

Da M. tenho a dizer o pior, talvez por isso, quando poderia ter sido vosso cliente não o fui e um dia lá voltarei e colocarei no lixo o cartão que um dia me enviou com uma pomposa carta a apresentar os seus serviços, posso garantir-lhe. Questionar-se-á do porquê desta minha afirmação, vejamos com alguns exemplos:

 

Sempre que vos contacto nunca obtenho qualquer resposta, mesmo quando são posições em que me encaixo - regra basilar, nunca se deixa um cliente sem resposta mesmo que o contactemos só para afirmar que temos muita gente na nossa base de dados que até cedemos pontualmente. Mas não fiquemos por aqui, já estive nas vossas instalações por uma vez, onde um consultor (e pelo discurso autoritário que usava a falar dos outros colegas, acredito que ambiciona uma posição de chefia na vossa organização - embora tenha de corrigir a postura) efectuou uma entrevista exploratória, por certo para cumprir os objectivos. Fui incitado a candidatar-me sempre, mas... Sempre que contactado, nunca tive qualquer retorno. Espero também que internamente informe esse colaborador de que a chefia não é ele... É um discurso deveras deselegante.

 

Tenho exemplos, bem perto da minha pessoa, que atestam o ridículo a que Vossas Excelências se sujeitam: uma das vossas consultoras (uma júnior, também com grande ambição, pelo menos a arrogância de má chefia já tem), chama um sénior com nome no mercado, mas que não chegou pela via do networking. Sei que actualmente alguém que seja realmente bom e não peça emprego a este e àquele não vale nada, nomeadamente face àquele que se poupa a isso e mais que garantir que faz um bom trabalho, procura garantir uma boa rede de amigos, perdão contactos, que o vão colocando aqui e acolá, mesmo que seja um inútil incompetente e que ande sempre a saltar até encontrar um lugar onde goze de impunidade ou encaixe numa organização tão "standardizada" que os processos disfarçam a incompetência... Acredito que foi isso que a mesma pensou ao mostrar alguma arrogância e que, perante um CV brilhante, se dá ao luxo de não apontar o mesmo salientando que o "forte deste" eram as línguas e menosprezar a procura de emprego sem ser por via dos abençoados contactos... Esse indivíduo é responsável hoje pelo recrutamento e recusa trabalhar convosco. 

 

Também me parece de mau tom, depois de ignorar um CV durante meses não dando retorno ao candidato que, de repente, com o candidato no estrangeiro, um consultor contacte o profissional (também sénior) e lhe peça com toda a urgência para falarem. Estando em viagem, o mesmo pediu um dia e eis que... Esse dia nunca mais veio porque o consultor desapareceu do mapa. Isto não é profissionalismo e, mesmo com grandes volumes de trabalho, não pode acontecer. Também esse sénior explora, entre outras, a área dos recursos humanos e não trabalha convosco. O que o vosso consultor não sabe, é que para a posição que o mesmo desesperadamente queria contratar, essa mesma pessoa foi contratada por uma Vossa concorrente e não muito longe de vós. Escusado será dizer-lhe que vão perder um cliente em breve...

 

Mais recentemente, uma candidatura foi por vós ignorada. Depois de "mil e uma" tentativas de contacto com o consultor, este responde que a pessoa não reúne o perfil indicado. Segundo o anúncio publicado, tudo apontava para pelo menos merecer um contacto, mas a Vossa arrogância e falta de nível dos vossos "profissionais" ultrapassa tudo. Esse indivíduo, com nome na praça (não na praça do LinkedIn ou dos seminários vazios de conteúdo, mas das multinacionais de topo) pediu imediatamente a retirada dos dados pessoais da V/base de dados. Mas o pior estaria para vir, pois semanas mais tarde voltou a ser contactado (por outro consultor, igualmente desesperado - penso que seja importante reverem esta parte, dão muito nas vistas quando o vosso cliente não quer os vossos candidatos e vos obriga a procurar aqueles que provavelmente não são amigos dos consultores). O contacto era para essa mesma posição - o desespero era tal que até os dados que anteriormente haviam sido confidenciais foram revelados ao candidato. Recordem também, que já tinha sido pedida a eliminação dos dados, isso incorre numa situação grave. Contudo, a pessoa em causa acedeu em enviar o CV e disponibilizar-se para uma entrevista, mesmo sem tempo para tal e após ter mencionado o vosso flop. A verdade é que na M. devem trabalhar fantasmas, que desaparecem, que ficam incontactáveis por email, telefone ou até telemóvel... O vosso Consultor simplesmente desapareceu do mapa. Eu teria vergonha de ter uma equipa assim, deduzo que seja a mão-de-obra barata a causar isto ou a má selecção de candidatos (estranho, numa organização que recruta para outros)... Dirão que é cultural e a minha formação e experiência não vão por aí... Também é cultural o real desleixo nacional e o desenrasque... Vejam onde estivemos e estamos com este período de crise, é cultural... Mas querer continuar estúpido não é cultural em país nenhum do mundo. 

 

Portugal é um país pequeno onde tudo se sabe, até os favores que são prestados a amigos (não é novo, nem tem de ser grave, mas existem situações que ultrapassam tudo) e na M. não faltam esse tipo de procedimentos em alguns dos consultores, prejudicando claramente os clientes! Por este e por outros motivos A., só me apraz dizer que não acredito minimamente neste email que, para mim, não passa de marketing que não tem expressão na realidade. Infelizmente, e talvez por orgulho, não peço nem nunca pedirei trabalho a ninguém e talvez seja isso que me faz continuar no mercado à procura... Talvez ainda não tenha encontrado esse emprego, mas orgulho-me de viver e poder ser transparente, pois será isso que me garantirá ter imparcialidade e profissionalismo de modo a pautar a minha actuação com a maior competência e sem interferências ou pressões que prejudicam a minha organização ou os clientes da mesma. E lamento informar, mas não estou desesperado à procura de emprego... E o A. e os seus consultores?

 

Com os Melhores Cumprimentos,

"Robinson Kanes"

 

P.S: não é raro, e aqui não é só a M., ver indivíduos que pouco ou nada fazem nas organizações onde estão (ou melhor, fazem sobretudo no smartphone e nas redes sociais a dinamizar contactos) a assumirem claramente que basta contactar ou esperar que o consultor amigo os contacte com uma oferta (alguns gabam-se diariamente disso)... Os outros enviam CV, porque têm de trabalhar e porque têm ética e honra, mas esses caem no "black hole" dos recursos humanos e não têm margem para dedicar 90% do seu tempo ao networking e 10% ao trabalho. São esses que eu procuro, são esses que me dão garantias de fazer um bom trabalho... 

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