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Quando Cai a Cruz...

por Robinson Kanes, em 09.08.17

 

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 Fonte da Imagem: Própria.

 

Numa deslocação a pé, eis que me deparei com a imagem que dá cor a este artigo. Pensei imediatamente numa frase de Rousseau que podemos encontrar no "Contrato Social"... Dizia Rousseau que "quando a cruz expulsou a águia todo o valor romano desapareceu".

 

Olhando o cenário que partilho convosco, penso no que diria Rousseau se estivesse no meu lugar àquela mesma hora e encontrasse este cenário.

 

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Do Jogo da Ética e da Corrupção...

por Robinson Kanes, em 11.07.17

 

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 Varvara Stepanova - Jogadores de Bilhar (Museu Thyssen-Bornemisza)

Fonte da Imagem: Própria

 

 

A “recente” polémica em torno da demissão de três Secretários de Estado tem levado a uma discussão que ainda tende a ser rara em Portugal, sobretudo porque vivemos num país onde aceitar prendas, almoços, “luvas” e favorecimentos tende a ser entendido como uma espécie de “todos o fazem porque é que não hei-de eu fazer?” ou, como tenho ouvido, “se não for assim nunca mais!”. Esta abordagem é, por muitos, apontada como um dos cancros da nossa sociedade.

 

Ao nível dos negócios é estranho como é que a tão banalizada expressão “não existem almoços grátis” tende a não querer entrar na mente de gestores, políticos ou até meros colaboradores da base da pirâmide. É óbvio que podemos ter uma grande simpatia por alguém e querermos com isso fortalecer a mesma juntando o útil ao agradável mas isto não é coisa que aconteça por sistema. Existe sempre um objectivo concreto, real e palpável! Recordo-me de quantas vezes estive com clientes e paguei o almoço/jantar do meu bolso! Penso que muitos deles ainda hoje não o sabem, mas aquele momento era um momento de verdadeira confraternização! Também existiram outros que não, mas aí estava explícito um objectivo claro: aumentar vendas e criar uma relação de benefício mútuo entre fornecedor e cliente! Além do mais, por muito bons que sejamos a avaliar as coisas, não nos podemos esquecer que “em nada o homem está, ainda hoje tão perto do macaco como no que diz respeito aos negócios” e não sou eu que o digo mas Elias Canetti. Cair na tentação académica e de muitos pseudo-gurus da liderança e do comportamento, de que o mundo é perfeito, é enterrar a cabeça na areia.

 

Para mim, a ética é algo que deve ser discutido para lá da Academia! Se por um lado temos organizações que têm regulamentos de trust & compliance, também é um facto que muitos de nós não estamos a assimilar esse comportamento. Se a ética advém de directivas morais – que variam inclusive de cultura para cultura - a sua quebra é a abertura para uma consequente quebra de confiança e, sem confiança, as sociedades não se desenvolvem, os negócios não ocorrem e todo o desenvolvimento e consequente retorno se tornam mais complicados, ou seja, sem ética não há confiança!

 

Pegando na temática recente, e nestes exemplos em concreto, algumas questões suscitaram-me curiosidade:

 

  1. O valor em causa: de facto podemos estabelecer patamares de “prendas”, mas... Estando a aceitar uma “prenda” pessoal não estamos a abrir portas para um certo comprometimento? Independentemente do valor, corrupção é corrupção! A lei é cega quando julga alguém que rouba 1 milhão ou apenas mil euros. É um roubo. Porque é que com a temática da corrupção tendemos a desvalorizar pequenos valores/favores? À mulher de César não basta ser é preciso parecer e neste campo mais que nunca é preciso parecer adquirindo uma postura inquebrável. Além de que a corrupção nem sempre envolve valores monetários ou patrimoniais. O valor não desvaloriza a nocividade do acto!

 

  1. A devolução: ultimamente temos assistido a uma caminhada perigosa e que, no longo prazo, pode simplesmente abrir portas para a "legalização" de determinados crimes. Refiro-me à restituição de um valor, por exemplo. O facto de restituirmos um valor não impede que não se tenha cometido um crime ou uma afronta ética! O facto da minha pessoa devolver algo que não deveria ter sido aceite, sobretudo se fui descoberto, não me deve tornar inocente!

 

  1. A aceitação por parte de muitos cidadãos deste tipo de práticas: de facto, são muitos os cidadãos que não se incomodam com este tipo de práticas. Muitos porque não veem mal nisso e outros que, com toda a certeza, já praticaram fraudes. Como já muitos fazem em algumas áreas, vamos assumir que em Portugal corromper deve ser uma prática aceite? Vamos lutar contra isso? Ou vamos cair no desleixo e ir ao encontro de Stuart Mill quando nos diz que “uma pessoa pode causar mal a outros não apenas pelas suas acções, mas também pela sua inacção, e em qualquer dos casos ela é justamente responsável perante eles pelo agravo”.

Vamos continuar a assobiar para o lado e a fazer de conta que nada acontece?

 

Em relação aos seus governantes, em Portugal, os cidadãos continuam muito focados nas questões financeiras e o impacte que as mesmas têm no dia-a-dia dos portugueses (mais poder de compra, melhores salários, menos impostos...), todavia, mais que uma boa notícia na taxa de IRS é o comportamento dos outros cidadãos e dos políticos, pois efectivamente uma falha em valores básicos da democracia e atropelos éticos podem ter custos bem mais elevados para o erário público (todos nós) do que um simples aumento na taxa de IRS! Estranho que alguns dos partidos que mais apregoam a estas questões bebam agora desta cartilha e estejam em profundo silêncio.

 

Não entremos no círculo do “mas não fiz nada de ilegal”, pois essa tende a ser a capa para que se cometam as maiores atrocidades...

 

Finalmente, e para não tornar tudo tão pesado fica a questão que Steinbeck, através da personagem Ethan Hawley coloca em O Inverno do Nosso Descontentamento: “Um homem deve viver guiado pelos seus princípios ou deixar-se arrastar?”.

 

 

 

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A Lição do Deutsche Bank.

por Robinson Kanes, em 07.02.17

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Mestre Português Desconhecido, Inferno (Museu Nacional de Arte Antiga)

 

Tomei conhecimento, através do "New York Times" (https://www.nytimes.com/aponline/2017/02/04/world/europe/ap-eu-deutsche-bank-apology.html?_r=0), que o Deustche Bank havia comprado várias páginas em jornais com o intuíto de publicar um anúncio em que pedia desculpa a todos os alemães e não só.

 

O pedido de desculpas prendeu-se, sobretudo, e não vou entrar em pormenores, com actividade bancária danosa e com consequências para clientes e cidadãos que directa ou indirectamente sofreram com tão criminosa gestão. 

 

Mas é no pedido de desculpas que me quero focar. O Deutsche Bank trouxe à luz do dia um conceito que se tem estado a perder, nomeadamente, o conceito de "Vergonha". Se atentarmos aos estudos sobre a Família Matrifocal de Jan Brogger, realizados na década 80 do século passado na Nazaré, vamos encontrar esse conceito bem definido na cultura de um povo. Do casal que se apaixona e que, contra a vontade dos pais, com vergonha, foge e volta anos mais tarde para viver em casa da família... casado ou tendo em vista o casamento, limpando assim o nome e afugentando a vergonha. Contudo, e vou tentar focar-me em Portugal, esse conceito perdeu-se. Hoje em dia já podemos quase em contexto de taberna dizer: "vergonha? Isto é uma pouca vergonha! Já ninguém tem vergonha.".

 

"Quem tem vergonha passa mal", já diz o povo. E em Portugal parece que ninguém quer passar mal e insiste na corrupção deliberada e numa total ausência de ética associada a um sentimento de impunidade.

 

Socialmente, ser corrupto em Portugal é aceite! Se assim não o fosse, praticamente já não teriamos políticos no poder central e muitas câmaras municipais estariam vazias. Em Portugal, um político pode vender a alma ao diabo e os destinos dos seus cidadãos por um "mísero" bilhete de futebol, ser descoberto e continuar no cargo com uma arrogância que me deixa perplexo. Outros desaparecem durante uns tempos, (passarão um período de vergonha?) e voltam como se de uma sabática se tivesse tratado.

 

Mais vergonha tinham os "pexins" da Nazaré! Em Portugal, se formos para uma entrevista de recrutamento numa agência e dissermos que não fazemos qualquer tipo de networking (movimento de grifo com vista à busca de um emprego sem ter que trabalhar para isso) somos olhados como forasteiros qual Mick Dundee em New York. Porque a corrupção não é só política e não se foca só no dinheiro... ao contrário do que muitos ainda pensam.

 

Parece-me, que nem sequer existe a vontade em pedir desculpa, embora, no quotidiano, perante erros repetidos a... desculpa... seja sempre a mesma... continuamos a premiar a incompetência e o jogo sujo em detrimento do reconhecimento daqueles que dão o seu melhor. Continuamos a recrutar o amigo para a organização "y" porque em breve vamos ter retorno para a organização "x". Depois temos organizações minadas pela corrupção, em estado de entropia, e onde é tão difícil a alguém que venha para arrumar a casa, conseguir fazer o seu trabalho... mas ninguém pede desculpa.

 

Em jeito de conclusão, também o candidato da direita francesa pediu desculpa aos seus concidadãos por empregar em trabalho fictício mulher e filho. Teve vergonha... embora seja tarde. Será que nós, tão evoluidamente gostamos de coisas trendy, vamos começar a exigir pedidos de desculpa ou a ter vergonha? Se isso acontecer, eu próprio criarei uma organização que os vende, pois terei um mercado de quase 10 milhões de habitantes.

  

Quem não tiver mais nada que fazer e ficou curioso com Brogger pode sempre dedicar-se a esta leitura:

Brogger, Jan & Gilmore David D. (1997) “The Matrifocal Family in Iberia: Spain and Portugal Compared”, Ethnology, Volume 36, Issue: 1, University of Pittsburgh

 

Fonta da Imagem: Própria.

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Tenho lido cada vez mais “artigos”, sobre a importância dos contactos face, por exemplo, ao envio de Curriculum Vitae.

 

Dizem-nos que é importante ser criativo, é importante sair da multidão e... efectivamente, é bom fazer este ou aquele contacto tendo em conta um objectivo que é chegar àquela posição.

 

No entanto, parece-me que existe, ou pretende-se fazer existir, sobretudo junto de uma certa camada de actores das redes sociais e de seminários, onde se fala sempre do mesmo (e com resultados mínimos), uma vontade de preconizar como única abordagem o “contacto” confundido muitas vezes com o networking (neste caso, tendo em vista a procura de emprego).

 

Tive oportunidade de aferir, num artigo publicado num órgão de imprensa de grande tiragem, o seguinte: “Acabe-se já com o suspense: os especialistas em Recursos Humanos são unânimes em dizer que isso é uma perda de tempo. Quem quer arranjar emprego deve apostar quase tudo nos contactos.”.

 

Falou-se do dinamismo das redes sociais, da importância de se vender a pessoa e de como isso deve ter primazia sobre tudo o resto, tenho para mim que... até sobre a qualidade do trabalho. Mais surreal é ver a defesa e promoção acérrimas dos profissionais de recursos humanos face a esta prática... seria caso para perguntar - se assim for, será necessário a existência de recursos humanos, nomeadamente na área do recrutamento? Estamos perante o indivíduo da bilheteira a defender a máquina de venda de bilhetes...

 

De facto, passar o dia em redes sociais ou a traficar influências (pesado, mas realista) pode ser interessante, mesmo que o trabalho fique por fazer. Para o indivíduo, até acredito que os resultados possam ser melhores do que os resultados daquele que se entrega a 100% ao trabalho.

 

Mas será que é assim que conseguimos bons profissionais? A linha entre contactos, “cunha” e tráfico de influências é muito ténue. Pode existir a diferença entre recomendar alguém que trabalhou comigo ou para mim e é óptimo no que faz (pois tive oportunidade de aferir tal coisa) ou então simplesmente recomendar alguém cuja contratação me traz benefícios a mim e a esse indivíduo numa lógica de troca de favores.

 

Dou um exemplo em que uma conhecida foi contactada por uma profissional de uma empresa de recrutamento e que passo a citar:

 

Recrutador: Olá amiga, como estás?

Candidato: Tudo bem!

Recrutador: Olha, queres ser TOC (Técnico Oficial de Contas)?

Candidato: Mas isso para mim não dá, não tenho experiência nem formação, além disso não é preciso uma certificação?

Recrutador: Pois! Olha, e conheces alguém que queira?

 

A linha é ténue e, como tudo, existem aspectos positivos e negativos e o uso que fazemos dos instrumentos é que comprova a eficiência dos mesmos.

 

Um certo facilitismo (tendência muito em voga), pois os contactos simplesmente vêm ter-nos às mãos, não leva a que esqueçamos elementos básicos de um processo de recrutamento?

 

Esse mesmo facilitismo não leva a que possamos esquecer candidatos que não se movem numa teia de influências e que podem ser excelentes profissionais?

 

Esse mesmo facilitismo não corre o risco de nos levar a deixar de parte candidatos com dificuldades económicas, sociais e até convicções éticas em alguns casos?

 

Fonte da Imagem: http://bhulla-beghal.deviantart.com/art/Monkey-Business-279195885

 

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A Bestas sem Ética!...

por Robinson Kanes, em 26.11.16

imgpsh_fullsize.jpegVoltando a um dos meus pensadores preferidos, acabei por dar comigo a pensar em Ética...

 

O que é hoje o Homem com Ética? Este conceito sempre teve várias interpretações e não pretendo dissertar filosóficamente sobre o mesmo e muito menos arriscar-me a perder as duas ou três pessoas que gostam de me ler.

 

Numa sociedade ocidental onde tudo parece trocado, onde os ideais de igualdade, transparência e democracia estão do avesso, como é que podemos falar de Ética? São muitas as situações em que somente invocar o conceito nos fecha imensas portas, nomeadamente ao nível de projectos, participação cívica, emprego ou até de simples discussões.

 

Em Portugal não têm faltado exemplos recentes a cair nos media... corrupção em ramos das forças armadas, corrupção na política, impunidade total de governantes perante a aceitação de subornos que podem passar pelo simples bilhete para um jogo de futebol... e tantos e tantos casos. A estes acresce o facto de já serem prática comum ao longo de muitos anos e em muitas situações aceites por quem deveria zelar pelo bem público e até privado. E a nossa Ética como cidadãos, porque o caos não está só na res publica.

 

A ausência de princípios Éticos estará realmente a criar um número crescente de bestas à solta por este mundo fora? E quem defende a ética... não passará de um Sísifo acomodado na sua rotineira e árdua tarefa de empurrar a pedra de mármore perante a assistência impávida dos falsos deuses?

 

 

 

P.S: ia escrever sobre as novas tendências Outono-Inverno, mas confesso que achei este assunto muito mais fashion. Provavelmente serei aquela loja do centro comercial que fica naquele canto e que está sempre vazia. Não posso esquecer que ainda falta a imagem do colaborador com ar enfadado.

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Hoje, durante uma conversa com um profissional da área de eventos tive oportunidade de discutir como está Portugal neste segmento e os desafios que se colocam no futuro. No entanto, infelizmente ou não, o ponto principal desta conversa passou por um exemplo de mau recrutamento.

 

Segundo este, um profissional com vasta experiência na área, inclusive internacional, candidatou-se a uma posição de chefia em Portugal, num hotel que utiliza uma marca de uma grande multinacional.

 

Dei-lhe os parabéns, afinal é sempre bom ver que as coisas acontecem e que a valorização e procura de candidatos que não apregoam aos sete ventos a sua pessoa e surgem em destaque pelo seu trabalho ainda é uma realidade.

 

Mas a história é mais complexa... contactado numa terça-feira, por um trainee, vulgo estagiário, para estar presente numa entrevista lá começou a resolver a sua vida. Uma reunião com uma HR Manager, Dra. X, vulgo recrutadora com problemas de aceitar o facto de ser como é. Num país que se diz vanguardista ainda é interessante ver este tipo de títulos obsoletos e muitas vezes descontextualizados. Acusem-me do que quiserem, mas já tive oportunidade viajar por muitos locais a nível profissional e de conhecer verdadeiros doutores que ficariam ofendidos se utilizasse essa forma de tratamento. Importamos tantas coisas dos Estados Unidos sem sentido nenhum mas parece que algumas das mais interessantes não nos suscitam grande curiosidade.

 

Tudo estava bem, este colega até tem um Doutoramento e portanto nem levou a mal. Nem levou a mal... até na sexta-feira ter sido contactado pelo trainee, vulgo estagiário, um pouco nervoso e que o informou que depois de falar com o responsável do respectivo departamento, tinha sido informado de que a vaga era por ocasião de uma baixa de gravidez e que provavelmente, o mesmo, não estaria interessado. A isto junto que a situação era compreensível, até porque quando a dita “baixa” regressasse não haveria lugar para esta posição de gestão e que portanto o ideal seria nem avançar... 

 

Em suma: de terça a sexta-feira muita coisa aconteceu e por certo alguém apareceu pelo caminho, networking? É profissional colocar um anúncio onde não se menciona esse facto, fazer uma entrevista telefónica onde não se menciona esse mesmo facto e de repente... “Ah! Afinal é uma substituição, não está interessado, pois não?”. Fez-me lembrar aquelas pessoas que oferecem e dizem: "não queres uma fatia deste bolo, pois não?"

 

Sugeri ao meu colega que escalasse a situação para os headquarters (sede) no exterior e é isso que o mesmo irá fazer... quanto a mim, descobri que estou na base de dados e pedi imediatamente que fosse retirado da mesma, quer como potencial candidato quer como cliente da marca.

 

Não é um desabafo, não sou de lamechices desse género, quem me conhece sabe... é uma espécie de alerta para que este tipo de situações não tenha lugar, pois além de manchar a própria marca, é de uma falta de profissionalismo atroz e além disso permite que o mercado fique alerta, sinalize e corrija este tipo de situações. No fim de contas, as redes sociais, os blogues e tantos outros canais devem servir como canal de aprendizagem e informação e não somente de desfile de vedetas...

 

 P.S: o colega está em Bordéus e por mero acaso ainda não tinha comprado os bilhetes de avião.

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