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Estamos quase no Natal (é verdade, já vi aqueles tradicionais bolos em alguns hipers), época de excelência para a solidariedade. Mas será que conhecemos bem o conceito de solidariedade? A solidariedade passa somente por... dar? Aí falaríamos de Dádiva (para uma abordagem inicial a este tema recomendo vivamente o clássico Ensaio Sobre a Dádiva de Mauss) e Reciprocidade mas penso que o sapo não conseguiria aguentar tanta matéria nos seus servidores e com toda a certeza ainda iríamos acabar por perceber que dar e dádiva são duas coisas que nem sempre caminham na mesma linha de actuação.

 

O Natal (em Outubro a falar do Natal, enfim...) é uma época de explosão consumista e à qual a solidariedade não é alheia. Mas a "solidariedade" que praticamos no Natal passa pelas boas acções de dar e com isso ficar perfeitamente tranquilo enquanto abrimos aquele presente... aquela mala caríssima, na noite de consoada, que daria para alimentar 100 pessoas no Sudão durante 2 anos. Não sou a miss mundo, logo também não vou explorar esta temática, pelo menos desta forma.

 

A solidariedade é algo que tem de viver connosco e não ser somente uma apropriação das instituições sociais ou até de indivíduos que no fundo procuram fazer algo pelos outros ou que encontram esse conceito uma vez por ano, sobretudo durante esta época. Pensem no trânsito (aqueles que conduzem)... e depois digam-me se são pessoas solidárias... excepto aquela senhora com ar simpático e um look atraente que me deu passagem à saída do IC2 para o Parque das Nações: se estiver a ler estas palavras, sim é para si. Até porque aquele indivíduo de SUV insistia em não me deixar entrar.

 

A solidariedade como instrumento, não de dar... por dar, mas de fazer algo. De criar um caminho. Falo sobretudo de iniciativas que visam não só capacitar mas dotar aqueles que mais precisam, não só de conhecimento teórico, mas acima de tudo de instrumentos, meios e acesso a financiamento (fora das instituições sociais, sempre que possível) que permitam o desenvolvimento de negócios e a promoção da sua inclusão. Meios que promovam a sobrevivência destes projectos com a autonomia dos próprios e sem a presença de estruturas de apoio (que por vezes são também causadoras de entropia).

 

Aí somos transportados para uma verdadeira prática solidária, sobretudo de nível económico, em que organizações empresariais colaboram numa lógica de parceria e partilha, fazem trocas comerciais e alteram o conceito de financiamento para o conceito de geração de negócio, de estar no mercado de igual para igual, com uma vocação mais humana, mais social e comunitária mas, mesmo assim competitivas. Organizações em que os seus gestores ou colaboradores são remunerados pelos dividendos gerados pelos seus negócios. E nesse campo, também é o desenvolvimento de uma prática solidária, que faz sentido, que tem impacte nas pessoas e na comunidade, que gera retorno e sobretudo que fomenta a autonomia dos envolvidos no processo de decisão do seu futuro e da sua vida. Organizações que podem dizer: o fruto do nosso trabalho gera X de retorno sem o receio de falar de valores monetários.

 

Muitos dirão que pode ser um discurso sem nexo e contra tudo o que é a solidariedade. Diria que também pode ser verdade, mas importa lembrar que é mais fácil enterrar a cabeça na areia e defender que a causa social não é um negócio (que o é, e em alguns casos, altamente lucrativo) e bloquear iniciativas de mercado cujo impacte na comunidade é de tal modo positivo que a geração de dividendos é somente o lado menos visível da actuação de muitas organizações empresariais.

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7 comentários

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De O ultimo fecha a porta a 17.10.2016 às 22:28

"Organizações em que os seus gestores ou colaboradores são remunerados pelos dividendos gerados pelos seus negócios. "

Infelizmente, nas PME's isto não acontece com frequência.

Falar de solidariedade mercantil implica falar nas campanhas das nossas grandes superfícies que aumentam as vendas nos dias de peditório e ficam com os lucros para si.
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De Robinson Kanes a 18.10.2016 às 08:54

Como entendo a questão das PME's que muitas vezes concorrem desigualmente com organizações que prestam serviços idênticos mas por serem associações ou até IPSS's conseguem, sobretudo a nível fiscal, retirar daí vantagens face às primeiras.

Confesso que a minha exposição era bastante abrangente, pelo que é interessante ver que quem comenta está a encontrar pontos que podem ser estudados: sim, os dias de peditório são uma daquelas coisas para as quais deixei de dar, não tenho qualquer problema em assumir esse facto. São vários os motivos que me levaram a tal.

Sim, efectivamente quem faz o donativo é o consumidor, contudo, as compras são feitas nesses espaços. Se por um lado se consegue um aumento significativo dos donativos, por outro, quem doa, simplesmente entrega e lava as suas mãos com um: "já contribui para a sociedade".

Outra questão é o número de recolhas feitas face às necessidades do país, é um facto que há pobreza, mas em Portugal, custa-me a acreditar que existam assim tantas pessoas a "morrer à fome" que justifiquem a existência de tantos organismos deste género.

É um tema melindroso, mas do qual é importante falar na medida em que é o dinheiro de todos nós que se encontra a ser aplicado e, nem sempre com resultados satisfatórios.
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De O ultimo fecha a porta a 18.10.2016 às 22:26

Há muita gente a recorrer ao Banco Alimentar e não tem necessidade. Não querem gastar dinheiro. Obviamente nem toda a gente é assim, claro que não, mas com base em histórias que ouvi, tenho algum receio que pessoas que possam mais que eu, abusei da minha solidariedade.

O caso dos peditórios para associações de animais é escandaloso. Estes dias estava uma associação de animais à porta a recolher ração. Como gosto de animais e acho Provável a ração ter outros fins que não os animais da associação, até ia comprar um saco. O problema é que as prateleiras estavam vazias. O supermercado vendeu todo o seu stock e ficou com um lucro que de outra forma não teria.
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De Robinson Kanes a 19.10.2016 às 08:07

Em relação ao primeiro parágrafo nem vou comentar... todos sabemos o que se passa e se começo também eu a apontar exemplos, nunca mais vamos sair daqui.

Sim, efectivamente as associações de animais têm nestes supermercados um "poderoso" aliado, que em troca do "espaço" para peditório, certamente sabem que também tem algo a ganhar com isso, uma espécie de troca. O problema, nem é que os supermercados tenham lucros mas sim como são geridas as entregas e de que modo estas associações aplicam os donativos e perpetuam o apoio ou criam formas alternativas de adopção dos seus animais.
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De musiquinhas a 18.10.2016 às 03:52

Passei por aqui para te desejar uma excelente semana,fica bem,muitos beijinhos!!
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De Robinson Kanes a 18.10.2016 às 08:48

Olá musiquinhas, uma boa semana para ti.
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De musiquinhas a 18.10.2016 às 11:21

Muito obrigada,querido amigo!!

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