Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Se já não Confiamos...

por Robinson Kanes, em 21.10.16

 

Não é um post sobre política, não é isso que pretendo, apesar deste blog não ter limites na temática e, na verdade, não vou discutir política defendendo este ou aquele, mas do ponto de vista do impacte da mesma na nossa sociedade, subentenda-se sociedade portuguesa.

 

Num destes dias reparei que Portugal, no âmbito da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) é o segundo país, atrás da Eslóvenia, onde a população menos confiança tem naqueles que governam.

 

Aliás, o gráfico que apresento(fonte: OCDE) demonstra bem esta triste realidade, sobretudo se tivermos em conta que a tendência é de decréscimo nessa mesma confiança.

 

Mas, tenho agora de colocar esta questão: num país onde a esmagadora maioria das pessoas não exerce direito de voto, num país onde a esmagadora maoria das pessoas não confia no poder político e num país de índole democrática, não há nada que se faça para mudar esta situação?

e144e9e6-1b5c-4605-aa9a-09acf8bfb228-original.png

 

É um facto que somos um povo que exige demasiado do Estado, fomos levados a acreditar que houvesse o que houvesse o Estado estava lá para ajudar, desde as organizações empresariais até ao cidadão. Somos também um povo que procura um nível de vida bem acima das capacidades individuais, familiares e obviamente do próprio país. Estes  argumentos, entre outros, podem justificar tamanha decepção e falta de confiança, mas…

 

Mas perante isto vejo os cidadãos insatisfeitos com a realidade do país, a economia estagnada e uma total ausência de acção por parte da comunidade civil e nem falo dos “suspeitos do costume” ou de associações que no fundo procuram exercer os seus lobbies e bem… é natural que cada um defenda as suas causas.

 

Neste contexto, fica a questão, o que é que cada um de nós, cidadãos, pode fazer? Será que este desinteresse também pode significar que não estamos assim tão mal e que só damos azo ao “queixume” que tem caracterizado o português moderno?

 

Deixo espaço para que cada um pense e voltarei ao mesmo muito em breve, sinto que é importante reflectir sem qualquer índole partidária e com um pensamento focado no cidadão e na sustentabilidade do próprio país e das suas instituições… no fundo, perceber o que é que cada um de nós pode fazer.

Autoria e outros dados (tags, etc)


6 comentários

Imagem de perfil

De O ultimo fecha a porta a 22.10.2016 às 19:35

Tocas num assunto sensível e bastante pertinente. O que podemos fazer para mudar o descrédito da política? Exemplos não faltam porque não confiamos nos políticos (ainda esta semana uma revista denuncia a dança de cargos políticos numa instituição pública e isto acontece seja com todos os partidos). No entanto, é característica dos cidadãos queixarem-se e pouco fazer.

Há uns tempos, veio um ex-político à minha cidade fazer uma apresentação. Um amigo convidou-me via Facebook, mas como não me revejo nessa pessoa nem tinha interesse nenhum no que ia para dizer (porque ia falar de tudo menos do futuro do país), não fui. Ele criticou-me por nunca ir a nada e limitar-me a criticar a política. Respondi-lhe que fazer alguma coisa, não é ouvir palestras de um ex-politico que vem lavar roupa suja para palestras e reclamar tempo de antena contra o sistema judiciário. Iria perder o meu tempo.
Imagem de perfil

De Robinson Kanes a 23.10.2016 às 13:29

Esta dança que focas acontece impunemente... infelizmente... passo a redundância em advérbios de modo.

Por vezes associo esse queixume a uma espécie de egoísmo, talvez esteja errado.

Sim, hoje em dia estar presente em palestras, seminários, congressos e fazer o respectivo networking é uma mais-valia para as relações que se podem querer traçar. Mas na verdade quais são os reais impactes no terreno? São alguns, mas tenho dúvidas que sejam aqueles que realmente podem mudar alguma coisa.
Imagem de perfil

De O ultimo fecha a porta a 24.10.2016 às 22:18

Não sei se é egoísmo ou resignação...
Imagem de perfil

De Robinson Kanes a 25.10.2016 às 10:39

Queres desenvolver?
Imagem de perfil

De O ultimo fecha a porta a 25.10.2016 às 23:33

Quando uma pessoa desiste ou não se quer associar a movimentos corporativos (sem ser no sentido pejorativo que lhe é associado) pode ser por dois motivos: egoísmo ou resignação. Egoísmo, como dizes de não pensar no bem comum. Ou resignação a um status quo que insiste em não acabar, com histórias repetidas de promiscuidade e que infelizmente pode levar ao se não podes vencer junta-te a eles.
Imagem de perfil

De Robinson Kanes a 26.10.2016 às 09:26

Bem visto, efectivamente eu penso que o egoísmo estará relacionado com o deixa-me cá acautelar o que é meu - desde que dê para mim - embora possa ter consequências no longo prazo.
Em relação à resignação, o que tenho visto é alguma resignação de facto porque tem sido incutido às pessoas que não são capazes, que não são suficientemente boas, nós portugueses adoramos desvalorizar e é uma arma poderosa para controlar as "massas". Criam-se ídolos não porque sejam bons, mas porque é importante mostrar que há alguém que sabe e "nós" não.
A resignação também pode ser camuflada por esse "se não podes vencer junta-te a eles", mas acredito que muitas vezes é uma resignação egoísta com toques de facilitismo, ou seja, para quê perder tempo pela via moral, e até legal, se pela via menos moral consigo os meus intentos.

Comentar



Mais sobre mim

foto do autor



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.


Mensagens

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D

Pesquisar

  Pesquisar no Blog






Copyrighted.com Registered & Protected 
CRD7-BFJD-IWHB-ZXDB