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Quando a Cunha Solidária é Cega...

por Robinson Kanes, em 22.02.17

 

Untitled1.png

El Greco, A Cura do Homem Cego (Gemäldegalerie Alte Meister) 

 

 

 

Vi, recentemente, na rede profUntitled.pngissional LinkedIn a pérola que se encontra na imagem ao lado: um grito de desespero de um profissional de recursos humanos, daqueles que até gosta de aparecer, em prol da solidariedade! Confirma-se a minha tese em relação a muitas conversas que se vão tendo em seminários balofos e sem conteúdo, e que têm em vista tornar socialmente aceite um comportamento desprezível.

 

Solidariedade, afecto e carinho por todos aqueles cuja última coisa que querem fazer é abrir o “net-empregos”, o “Indeed” ou o “Reed” e procurar um trabalho. Solidariedade para com aqueles que ao invés de se dedicarem de alma e coração a um projecto colocam o ónus total dos resultados nas equipas e passam o dia em redes sociais, contactos e “encontros” de profissionais para se autopromoverem! Solidariedade para quem precisa de um favor e não tem tempo para trabalhar! Lá do sítio de onde eu venho isso tem um nome e... não é solidariedade.

 

Devemos ser solidários uns com os outros e censurar aqueles que, quando nós já não somos importantes para os mesmos, não nos dão aquela mãozinha para subir na carreira ou nos tirarem do buraco. Malditos “amigos” que agora não me meteram aquela “cunha”! Cambada de interesseiros que são fiéis aos seus valores! Como é possível alguém ser tão tacanho.

 

Como é possível vivermos num mundo onde ainda existem pessoas que valorizam mais um bom profissional pelas suas qualificações e capacidade de ir à luta do que pela sua capacidade em mover influências e alimentar amizades e esquemas baseados num networking que mais parece um monte de silvas... um monte de silvas que, no meio, bem entre os ramos, encerra o conceito de favorecimento.

 

Perante isto, sugiro que se criem leis que limitem estas práticas, que excluam aqueles que ainda olham para um curriculum vitae e procurem saber mais sobre o candidato! Isto tem de acabar e a solidariedade de todos é importante! Sugiro uma manifestação em frente ao Palácio de S. Bento contra estes canastrões. Quem os manda ser honestos...

 

Mas numa coisa este desabafo teve razão... um dia, o presente do outro pode ser o futuro desse alguém e, quando esse dia chegar, ao invés de um telefonema para aquele “amigo”, eu sugiro uma revisão do curriculum e a preparação para tempos difíceis de procura de um emprego!

 

Na verdade, a pessoa em questão apreciou a frase de  Kafka, mas... se tivesse lido os Aforismos de Zurau, do mesmo autor, depressa perceberia que “não se deve prejudicar ninguém, nem mesmo o mundo, para alcançares uma vitória”. Esta afirmação, não reflecte mais, que o pensamento daqueles que são prejudicados quando os amigos, no seu networking, são tão solidários e bondosos, que não hesitam em prejudicar centenas ou milhares em prol de um favorecimento solidário... sempre solidário...

 

Fonte da Imagem 01: Própria.

Fonta da Imagem 02: LinkedIn.

 

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51 comentários

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De Francisco Freima a 22.02.2017 às 09:53

Indeed, procurar emprego é uma Carga de Trabalhos para quem está habituado ao "networking"
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De Robinson Kanes a 22.02.2017 às 10:08

De facto… e muitas vezes nem é só essa a questão. Posso falar porque nunca favoreci ninguém nem pedi favorecimentos e, por esse motivo já fiquei sem muitos "amigos". O "networking" é mais que trocar contactos e favores (e só me estou a focar no "networking" que tem em vista arranjar um emprego). Além disso o "networking" e a promoção pessoal também dão muito trabalho… e é aí que… tenho-me apercebido, e os estudos nesse campo ainda são escassos, que muitas vezes são as organizações e alguns colegas que saem prejudicados.

Pensei muito antes de escrever este artigo… mas confesso que apelar à solidariedade para mover influências para que se abram portas de mais fácil acesso ao mercado laboral é assustador.
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De Nay a 22.02.2017 às 10:02

Não sei, hesito e questiono: ainda existem "...pessoas que valorizam mais um bom profissional pelas suas qualificações e capacidade de ir à luta do que pela sua capacidade em mover influências ..." ????
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De Robinson Kanes a 22.02.2017 às 10:04

Pois, penso que é isso que ainda passa muito pela cabeça dos promotores mais acérrimos de certas práticas… não sou contra muitas delas, mas… para isso… deveríamos viver no mundo perfeito e qualquer pessoa sabe que isso não existe.
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De Chic'Ana a 22.02.2017 às 10:05

Eu acredito que a competência e o profissionalismo ainda dão cartas, mas o mundo de cunhas também existe, e pessoas menos merecedoras por vezes ocupam posições impensáveis..
Beijinhos
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De Robinson Kanes a 22.02.2017 às 10:09

Ainda dão e espero que se fortaleçam ainda mais…

Em relação a pessoas ocuparem cargos impensáveis para as mesmas, comigo nunca tiveram sorte.
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De Chic'Ana a 22.02.2017 às 10:10

E ainda bem, porque estás a conferir justiça num mundo de injustiças! =)
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De Robinson Kanes a 22.02.2017 às 10:21

Mas com consequências… e muitas… mas há valores dos quais não abdico.

Vou continuar…:-)
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De Cecília a 22.02.2017 às 10:22

o que mais mais confusão no espírito de quem quer receber uma cunha é o fact ode acharem que isso é um " plus" na sua vida quando eu acho que é a porta escancarada para a total falta de liberdade individual.

o post está muitíssimo bom! parabéns!

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De Robinson Kanes a 22.02.2017 às 11:01

É sempre uma mau começo… limita a nossa capacidade de acção e de, consequentemente trazer o melhor para uma organização. Além disso, como colaborador, a relação com os demais nunca será totalmente aberta e o desconforto é latente em muitas organizações onde isto acontece.

Podemos afirmar que a pessoa se "borrifa" para o que possam pensar. Eu também me "borrifo" para o que pensam de determinadas decisões que possa tomar… mas confesso que não me borrifo se questionarem os meus valores.

Confesso que já limpei equipas onde a "máfia" e o "real cunhismo" reinavam e substituí por contratações baseadas nas competências… a verdade é que em termos de eficiência e bem estar organizacional os resultados foram estupendos.
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De Cecília a 22.02.2017 às 11:04

" é cá dos meus"
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De Robinson Kanes a 22.02.2017 às 11:24

Sim, mas paga-se caro também… temos de estar preparados para tudo.
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De Cecília a 22.02.2017 às 11:37

lembra-se de um dos meus primeiros comentários? " liberdade acima de tudo". vender-me é que não. claro que isto nos leva a que em vez de palmadinhas nas costas estejamos sempre a correr o risco de levar com uma " navalhada" mas é preferível levá-las do que dá-las ( por maus motivos).
n’est-ce pas?
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De Robinson Kanes a 22.02.2017 às 15:00

Lembro-me perfeitamente… e acima de tudo é o exemplo. Como podemos exigir integridade e ética aos nossos colaboradores se isso nos falta?
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De Terminatora a 23.02.2017 às 17:17

Será que eu te poderia contratar para dar uma limpeza dessas onde trabalho??? :)

E já agora concordo plenamente com o que aqui escreveste e dá gosto saber que afinal, ainda há esperança. Ainda há quem queira acreditar no trabalho honesto, fruto de dedicação e de mérito próprio.
Infelizmente, há muito má gente, gerindo outras, enchendo os locais de trabalho com pessoas idênticas.
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De Robinson Kanes a 23.02.2017 às 18:26

Porque não? :-)

Quero pensar que uma realidade não supera a outra. Depende muito dos países e da cultura. No entanto, quando o tema é Portugal, há uma coisa para a qual não estou preparado, nomeadamente o "em Portugal é assim, é a nossa cultura".
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De Terminatora a 24.02.2017 às 15:48

Pois, em Portugal é assim. E deixa-se andar assim. Adoro!

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De Robinson Kanes a 24.02.2017 às 15:57

Já adorei mais… :-) e tudo o que é em exagero cansa… :-)
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De Terminatora a 24.02.2017 às 16:09

Qual exagero? Cá nada...
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De Casal Irrequieto a 22.02.2017 às 11:04

Totalmente verdade! Gostei!
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De fashion a 22.02.2017 às 11:21

Concordo com o que escreveste e entristece-me o egoísmo, em primeiro lugar, e em segundo o desperdiço de pessoas e de capacidade que há por aí só porque não têm "conhecimentos". É triste...
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De Robinson Kanes a 22.02.2017 às 11:25

O que me assusta é mesmo o desperdício. Existem pessoas altamente competentes que estão desempregadas ou então são anuladas nas organizações simplesmente porque… como costumo dizer… perdem demasiado tempo a trabalhar e a apostar no seu valor.
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De m-M a 22.02.2017 às 11:31

Comecei a estar, trabalhar e conhecer o Linkedin muito antes das "massas".
Para teres noção, o hoje em dia proclamado "Rei" da rede é meu contacto desde a 1ª hora, tinha tantos contactos quanto eu e nenhum rumo de carreira - aí, tiro-lhe o chapéu!

Mas cedo percebi que é uma pequena feira de egos.
Fui tendo muitas, MUITAS provas ao longo dos anos...

E, apesar de ser sempre uma boa ferramenta de medição do mercado, faz-me raramente acreditar na "bondade e seriedade" dos contactos e propostas que recebo por lá...

Beijinho,
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De Robinson Kanes a 22.02.2017 às 14:59

Uma feira de egos e de aproveitamento do trabalho dos outros… a predominância do "eu" em tudo é assustadora, sobretudo quando estamos perante pessoas que não fizeram as coisas sozinhas. Um bom gestor de equipas nunca utiliza o pronome "eu"…

O Rei da Rede (confesso que desconheço) provavelmente terá aproveitado o facto do LinkedIn ser um óptimo veículo de… pós-verdade :-)

Confesso que, a nível pessoal, é a única rede social que tenho… sobretudo agora que uma saída de vez, do país, não está de parte. É mais fácil ter "feedback" de alguém na Austrália ou da Costa Oeste dos EUA do que de alguém do prédio do lado em Portugal...


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De Maria a 22.02.2017 às 12:09

Provocaste-me tosse com a frase "Sugiro uma manifestação em frente ao Palácio de S. Bento contra estes canastrões. Quem os manda ser honestos"..
cof cof cof!
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De Robinson Kanes a 22.02.2017 às 15:00

Contra os canastrões que têm valores… eu falava desses :-)
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De Maria a 22.02.2017 às 16:36

claro que sim!!
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De Mamã Silvestre a 22.02.2017 às 12:22

Infelizmente há tanta gente a recorrer a cunha e tanta Empresa em empregar com base nela...
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De Robinson Kanes a 22.02.2017 às 15:01

Maior parte das chefias de topo desconhece muito do que se passa para baixo… sobretudo em grandes estruturas. Quanto mais alto o lugar na pirâmide hierárquica da organização mais difícil se torna o acesso à informação… sobretudo a operacional.
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De a mãe dos PP's a 22.02.2017 às 14:20

Um mundo em que a inversão de valores predomina...
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De Robinson Kanes a 22.02.2017 às 15:02

Isso então daria "pano pa mangas".

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