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Portugal em Guerra!

por Robinson Kanes, em 16.10.17

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 Fonte da Imagem:https://media4.s-nbcnews.com/j/newscms/2017_41/2190226/ss-171015-portugal-wildfires-2_0ef31990e760314bd502a730570f4ded.nbcnews-ux-1024-900.jpg

 

Portugal ostenta orgulhosamente (sem aspas) o título de ser o país mais seguro do mundo. Um país onde o terrorismo não ataca, enaltecendo isso como uma forma de captar mais visitantes que fogem de outros destinos mais ameaçados... No entanto, o que Portugal está a esquecer, é que foi provavelmente o país do mundo que mais ataques terroristas sofreu este ano! Poderá ser porque para muitos portugueses o turismo português continua a ser Lisboa, Porto e Algarve e enquanto esses territórios não forem atacados... Se pensarmos bem, só nesta época de incêndios já morreram mais pessoas que em muitos ataques terroristas!

 

Um país que está quase seis meses em chamas, com a maioria das ignições a ocorrerem ao fim do dia, à noite e de madrugada, só pode estar a ser alvo de terrorismo! Um país que arde diariamente e com autoridades incapazes sequer de prestar socorro às populações é um país que já não existe, aliás, é um país sem Governo e completamente abandonado apenas seguro por pequenas bolsas de resistência. São populações e operacionais que parecem soldados abandonados em combate, a desesperar até à última gota de água antes de serem derrotados sem piedade por um inimigo que, ao contrário do que possamos pensar, pouco tem de invisível. É um país onde entregamos a vida de milhares de homens a um sem número de incompetentes que os comandam (e conheço alguns que não foi por mérito que chegaram a posições de comando), é um país onde preferimos um abraço e uma selfie alicerçados num discurso folclórico a verdadeiras acções no terreno, é um triste orgulho patriótico que é incapaz de criar sinergias com o país vizinho no que a esta matéria diz respeito é, finalmente, um país onde o dizer que vamos fazer e esboçar cinicos sorrisos é mais importante que o fazer.

 

Estamos perante um país, onde os nossos votos vão para aqueles que nos fazem sonhar que daqui a um mês já nos podemos endividar e gastar mais dinheiro num dia que um alemão em 10 anos! É um país onde o conceito de "empowerment" não pode ser accionado e, de facto, muitos também não o querem conhecer. Estamos perante um país que arde, onde o colapso existiu e não é capaz de assegurar a protecção do seu território e dos seus cidadãos. Continuaremos a enterrar a cabeça na areia, uns porque já não acreditam (e quando um cidadão não acredita, deixa de ser um cidadão e passa a ser um vassalo, um escravo) e outros porque só poderão despertar quando o fogo lhes invadir o apartamento e os consumir, a eles e aos filhos e sobretudo, para um bom português, aos bens!

 

Estes incêndios demonstraram, mais uma vez, a incompetência reinante, o compadrio e o desinteresse de um povo que, apesar de puxar pela sua génese no futebol, pouco tem de tempos idos e prefere enterrar-se no seu umbigo até sufocar. Um povo que se une pela selecção mas logo a seguir é capaz de atropelar tudo e todos por uns miseráveis cêntimos!

 

O jardim à beira-mar plantado tornou-se num campo de morte e destruição, deixou de ser verde e passou a ser negro... Negro no chão, negro no céu e negro na mentalidade. Em tempos escrevi um texto e fiz um apelo para que muitos nos visitassem e vissem os nossos verdadeiros heróis, que não são aqueles que a nacional tacanhez apregoa mas sim aqueles que encontramos em muitas ruas, todavia, hoje diria que já tenho vergonha que baste pelo que não venham àquele que um dia foi o mais belo país do mundo, até porque neste momento, mais parece um país em guerra!

 

Se hoje me perguntarem, independentemente dos moralistas do costume, se tenho vergonha de ser português... Tenho muita vergonha de ser português! Quem não a tiver não é português, um português de uma estirpe capaz de se levantar e lutar em solidariedade com o seu concidadão! Sim, hoje tenho vergonha de ter um país alicerçado em partidos/autoridades/instituições/boys  cujo interesse é o poder pelo poder e um povo que assobia para o lado, talvez porque prefere o servilismo de ser alimentado por estes aparelhos a lutar e a exigir efectivamente um país melhor. 

 

Nota: Em Vigo, Espanha, as chamas invadiram a cidade... Até quando é que os incêndios continuarão a não ser tratados como terrorismo? A propósito dos fogos na Galiza alguém por lá, com responsabilidades governativas disse que os mesmos têm “atividade incendiária homicida” e que “fogos que vêm de Portugal”! Em tempos relatei por aqui uma conversa que tive com um espanhol em Plasência, acerca do medo que os espanhóis tinham dos fogos em Portugal...

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22 comentários

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De Luis costa a 16.10.2017 às 14:55

A doer!!!!!!!
Abraço
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De Robinson Kanes a 16.10.2017 às 18:20

Dor causada em nada inigualável à dor de muitos...
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De Maria a 16.10.2017 às 16:55

Vergonha sim,muita :(
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De Robinson Kanes a 16.10.2017 às 18:20

A vergonha faz-nos questionar... Isso é bom :-)
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De Maria Araújo a 16.10.2017 às 17:00

O melhor que li sobre o que se passa neste país, Robinson.
Nem tenho palavras a escrever a não ser que este terrorismo é fácil e cobarde.

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De Robinson Kanes a 16.10.2017 às 18:22

E que grande "organização terrorista" que já conta com mais de 40 anos de história - sem querer com isto dizer que existe um plano arquitectado por uma organização por detrás dos incêndios. Mas que, seja lá quem for que provoque um incêndio (excluindo incêndios acidentais/não confundir com negligentes) deveria ser julgado como terrorista.
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De Ladys a 16.10.2017 às 17:06

, e ontem foi o pior dia do ano, como é possível? Marina
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De Robinson Kanes a 16.10.2017 às 18:22

15 de Outubro, o pior dia do ano e com as forças a meio-gás...
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De Anónimo a 16.10.2017 às 18:03

Brutal!!!!
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De Robinson Kanes a 16.10.2017 às 18:23

Brutal seria se muitos portugueses pudessem escrever nestes espaços, não os portugueses privilegiados como eu, que ainda tenho tempo para estar aqui, não aqueles portugueses que são pagos para andar aqui e muito menos aqueles portugueses que nos são impostos... Brutal seria se cada um desses portugueses pudesse realmente apelar em uníssono a uma mudança... Isso seria brutal :-)
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De Anónimo a 16.10.2017 às 19:19

" Brutal seria se cada um desses portugueses pudesse realmente apelar em uníssono a uma mudança... Isso seria brutal :-)!

Seria brutal, sim.
O problema é que a maioria receia, aceita a fatalidade, amanhã já passou, o futuro está ali, alguém há-de fazer alguma coisa... ou não porque já tudo se perdeu.
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De Robinson Kanes a 16.10.2017 às 19:24

Estou a ver fotografias e relatos que familiares e amigos me vão remetendo...

Aguardo novidades de Oliveira do Hospital, tenho um tio e respectiva família incontactáveis. A aldeia foi evacuada e consumida pelas chamas perto das Caldas/Formarigo, mesmo junto ao Alva... Já agora fica o apelo embora acredite que estarão bem na sede de concelho em Oliveira do Hospital.

Em Braga, já nem comento!

Cá em casa já se falou em emigrar e deixar de vez um país que morrerá pela incúria dos seus...

Vi o Gerês que tanto amo a apagar-se, vi o Pinhal de Leiria, que tantos momentos de alegria me trouxe, reduzido a cinzas, vejo um dos locais onde, na infância, tinha as melhores férias que uma criança poderia desejar... Aquelas gentes...

Não consigo estar de luto...
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De HD a 16.10.2017 às 20:22

Nem sei o que dizer...
Que país é este?
E estamos nós preocupados com finanças e guerras nucleares??? -.-
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De Robinson Kanes a 16.10.2017 às 23:37

Ou com referendos ali ao lado...

Que país é este, é uma das questões que se colocam...
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De Alice Alfazema a 16.10.2017 às 20:25

É uma vergonha e eu tenho vergonha, e tenho uma tristeza profunda em mim por este património de Natureza que todos perdemos, dos animais que morreram e dos outros todos que vão sofrer pela falta de comida, pelas feridas que devem ter...é um horror, sim é terrorismo.
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De Robinson Kanes a 16.10.2017 às 23:38

É uma perda que nenhum estudo conseguirá calcular...
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De O ultimo fecha a porta a 16.10.2017 às 21:32

Hoje também falo sobre essa palavra: terrorismo.
Mas foi antes de ler o teu post, pelo que subscrevo que dizes.
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De Robinson Kanes a 16.10.2017 às 23:38

Lá irei passar...
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De José da Xã a 17.10.2017 às 23:01

Quase que assino por baixo.
Digo quase porque aquela parte de ter vergonha de ser português... eu não tenho.
O problema dos fogos é complexo e advém de muita coisa: desertificação humana, evolução nos bens essenciais (luz, água, gaz), de interesses duvidosos e claro de desorganização.
Eu dou-lhe um exemplo: Numa das aldeias fustigadas pelo fogo neste Verão foi a da minha mulher. Ardeu toda a encosta da Gardunha e o fogo entrou mesmo dentro da aldeia. Numa das fazendas que lá temos arderam duas oliveiras. Arderam porque o tractor não conseguiu lavrar por debaixo delas uma semana antes. As restantes ficaram intactas.
Numa outra fazenda o terreno estava todo lavrado. Soube recentemente que os bombeiros invadiram a fazenda pois era o sítio mais perto para combaterem o fogo que se aproximou perigosamente daquele zona.
Tenho gasto muuuuuuitas horas de trabalho, quase sempre de sol a sol para manter o terreno limpo. Eu vivo em Lisboa, porém os da aldeia não fazem a parte que lhes compete.
Há gente que vem ter comigo para eu lhes comprara as terras porque sabem que ficam bem tratadas.
Finalmente... a três quilómetros da aldeia temos uma enorme quinta com cerca de vinte hectares. Destes, 10 são pinhal bravo, muito bem arranjado e limpo. Um luxo como me disse uma vez um madeireiro que se mostrou interessado em comprar a lenha.
o curioso é que este pinhal há sessenta anos era terra de trigo e milho.
Como esta muuuuuuitas terras por esse país foram deixaram de ser terras agrícolas para se tornarem floresta. Que nasceu espontânea e jamais ordenada.
Para terminar direi que este problema das florestas jamais será resolvido. Primeiro porque as populações não se prestam a isso e segundo porque é muito caro.
Imagina quanto custa um homem por dia com uma roçadeira? Oitenta euros!
Pois é,,, quem tem 250 euros de reforma não o pode fazer, pois não?
Abraço.


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De Robinson Kanes a 18.10.2017 às 08:46

E aquela zona da Gardunha que é tão bonita...

Quando falei em vergonha, quis incluir tudo isso. Se de facto, existem responsabilidades deste Governo, também existem de todos os anteriores e de todos nós - dai a minha vergonha.

"Infelizmente" sei quanto custa a limpeza dos terrenos, por mim, porque a minha mãe vive em Lisboa, mas numa zona mais rural (e quem paga a limpeza, inclusive dos terrenos dos outros, é ela) e porque ao meu lado tenho alguém cuja família possui várias propriedades e cujos custos de manutenção são uma autêntica loucura...

A agricultura e sobretudo a floresta são actividades caras e cujos lucros tardam a chegar, quando chegam, pelo que se assiste a esse desinteresse. Depois, o minifúndio, levou a que, após a morte ou envelhecimento de muitos proprietários levasse estes espaços ao abandono. É preciso valorizar esta área, até para dinamizar a própria economia destes locais.

Não sei se é em todas as câmaras, mas em algumas é possível avisar o proprietário de um terreno para que proceda à limpeza do mesmo, se não o fizer a câmara irá assumir esse pedido e se este continuar a não aceder, é a própria câmara que limpa e remete a conta para o próprio.
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De Beia Folques a 18.10.2017 às 14:08

Foi o que senti no domingo á noite uma vergonha infinita de ser Portuguesa, até escrevi um texto no meu blog com esse titulo.
Mas hoje, após ter ido á manifestação ontem fico com orgulho na nossa qualidade humana.
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De Robinson Kanes a 18.10.2017 às 14:29

Foram poucos, mas é melhor que nada... Tudo começa com pouco e por norma são os investimentos mais sólidos.

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