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 Fonte: http://www.brostrick.com/celebrity-news/movies-reviews/best-goodfellas-quotes-and-gifs/

 

Andava-se pelo apogeu do Programa de Estágios Profissionais na Admnistração Local (PEPAL), tinha acabado o curso e havia passado por um estágio não remunerado numa instituição pública. Entre outros empregos lá me candidatei a alguns estágios PEPAL. Estes estágios eram sobretudo em Câmaras Municipais, como o próprio nome indica. Eu gosto de lhes chamar os estágios EPAL, porque só metem água, uma piada mal conseguida, eu sei.

 

O primeiro foi numa Câmara da margem sul do Tejo. Um bom Curriculum Vitae (CV) e uma entrevista com três senhoras, entre elas a Vice-Presidente da Câmara, que fizeram o frete de me ter ali para cumprir calendário, aliás, a mim e a outros. Acredito que aqui terei boicotado a minha contratação, afinal disse que o concelho que se queria aproximar de Lisboa precisava de intervenções profundas, sobretudo ao nível das mentalidades e em promoção, caso contrário continuaria fora do mapa. Até apresentei ideias, mas sempre com gargalhadas e comentários "ahahah fora do mapa, enfim" a ecoarem pela sala.

Nem fiquei mal colocado, fiquei entre os cinco primeiros, mas com aquelas médias em que um CV fraco tem uma entrevista tão boa que dos lugares de baixo rapidamente contorna os outros todos... Quem já esteve em concursos públicos viciados, percebe o que digo. E sim, talvez me tenha excedido... É que dizer a um político, cuja câmara é vizinha da capital, que o seu município não está no mapa... E será que uma das senhoras, algo matrafona, terá reparado que quando a vi, a minha primeira expressão foi de susto?

 

Mais tarde as coisas mudaram, pois existiam muitas impuganções, e já começámos a ver concursos em que se contratava um Engenheiro Civil, mas com a condição de ter tirado um curso de cozinha na escola "Y" e um outro curso de decorador de interiores na escola "X", sem esquecer alguns anos de experiência no sector público. Assim seria mais justo... Afinal, pessoas com este leque de qualificações não faltam.  

 

Um outro entre uns cinco concursos, dos outros desisti depois de perceber que era tempo perdido, foi num munícipio ribatejano. Uma excelente avaliação curricular, uma entrevista que correu muito bem e mais de dois meses para receber a tão desejada resposta. Contacto daqui, contacto dali... Consegui finalmente falar com uma das pessoas (por sinal, a que tinha menos peso na hierarquia) que se lembrou imediatamente de mim - ah, o "Robinson"! - e focou que não me haviam esquecido e que eu até tinha sido a pessoa que mais tinha agradado mas que "você sabe, estas coisas, mas gostamos tanto de si, mas nestas coisas, você sabe não é?". A partir desse dia nunca mais me candidatei a qualquer concurso público, mais tarde percebi que também não tinha perfil para trabalhar no sector, e como diz o povo, acabam por existir males que nos chegam por bem.

 

P.S: Menti! Também me candidatei a uma instituição pública (em Évora) sim, mas por candidatura espontânea (ainda sabem o que é?) e até fui chamado e escolhido. Escolhido até me terem dito que não existiam os fundos necessários. Semanas mais tarde surgia um anúncio para a posição, mas a solicitar competências e habilitações que nada tinham a ver com a mesma... A título de exemplo, uma espécie de posição para jardineiro, mas com a obrigatoriedade de ter um curso de enfermagem. Ah! E também fui a uma entrevista na TAP (um concurso que me haviam dito já estar fechado mas mesmo assim lá fui) mas depois de ver tantos pilotos e outros funcionários a entrarem a espaços nas salas onde decorria o recrutamento acabei por desistir também... E não digam que sou má pessoa, até dei boleia a uma menina que queria ir para a Gare do Oriente e que, por sinal, era namorada de um cavalheiro que era... piloto. Nada contra a menina, até me pareceu boa pessoa. Era uma menina muito aplicada e amigo do próximo pois até me disse que tinha manuais de procedimentos e processos relativos à posição para a qual se estava a candidatar e que me dispensava os mesmos se eu desejasse...

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15 comentários

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De Sónia Azevedo a 06.12.2017 às 11:32

Como mencionaste a TAP e eu trabalhei na TAP 20 anos , sinto-me peixinho na água para falar....
Uiiii um mundo de "C" principalmente para quem quer concorrer para bordo.
Há 30 e tal anos , mais até era uma elite.
Eu posso dizer que concorri por brincadeira, para trabalhar um verão e quando tantos achavam uma missão impossível , eu consegui!! Sem factor C muito menos Jeito.
Mas sei que acontecia muito, e quando tocava a parte da efetivação era um ver se te avias!!
Levei 9 anos para ficar efetiva, acreditas?!!
Mas fiquei...passados 20 anos a escala no aeroporto de faro encerrou, foi um despedimento colectivo...aí ninguém se salvou.
Este ano reabriram a escala...que te parece que aconteceu?
Bjinhos
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De Robinson Kanes a 07.12.2017 às 09:01

Que os candidatos já estavam escolhidos? A TAP alimenta muita gente, fora e dentro, e é por isso que quando se fala de TAP e RTP algumas pseudo-personalidades deste país movimentam-se logo para boicotar os processos...
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De Sónia Azevedo a 07.12.2017 às 10:12

Que, na possibilidade de a escala reabrir, os ex funcionários teriam prioridade....reabriu 6 anos depois, (este ano) protegeram meia dúzia e colocaram pessoal novo!!
Não que eu desejasse voltar, não mesmo, foi um ciclo que encerrei.
Mas, nada de novo a leste do paraíso.
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De m-M a 06.12.2017 às 12:02

Acho que estivemos a concurso na mesma CM da margem Sul ahahah
Só que eu foi antes dos PEPAL.

Com os PEPAL foi estranho, candidatei-me a 3, no Norte, um deles sem candidatos, foi-me dito que iria ser meu.
Tudo bem encaminhado e rápido.
"De repente", apareceram 2 candidatos, no último dia de entrevistas e plim! O resto "já se sabe"!

Desde 2012 que não me candidato a cargos públicos.
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De Robinson Kanes a 07.12.2017 às 09:02

ahahahaahah

Há prioridades e tu não eras uma delas.

Eu desisti, até porque me parece que não é o meu estilo. Desisti logo nessa época.
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De C.S. a 06.12.2017 às 17:38

"(...) disse que o concelho que se queria aproximar de Lisboa precisava de intervenções profundas, sobretudo ao nível das mentalidades e em promoção, caso contrário continuaria fora do mapa."

Então tu foste dizer uma coisa destas???

No governo de Passos Coelho houve uma altura em que os professores contratados, para se candidatarem a algumas escolas (muitas), também tinham de fazer umas entrevistas do género. Foi uma maravilha... Para algumas pessoas, claro está. Não para mim que ninguém me conhece.
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De Robinson Kanes a 07.12.2017 às 09:03

Pois :-(

Só se fazem muitos concursos públicos porque são obrigatórios, caso contrário...
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De HD a 06.12.2017 às 18:35

Candidaturas a cargos públicos... Mais fácil acertar na lotaria, mr. godfella ;p
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De Robinson Kanes a 07.12.2017 às 09:03

ahahahahah

Oh yes...
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De O ultimo fecha a porta a 06.12.2017 às 22:05

´Não vale a pena bater no ceguinho.é tempo perdido e desgaste pessoal.
É por essas razões que o setor púbico não consegue (nem quer) atrair talento.
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De Robinson Kanes a 07.12.2017 às 09:04

Mas é um sector que mal ou bem sobrevive, porque continua a ter retorno...
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De O ultimo fecha a porta a 09.12.2017 às 15:51

Sim, sem dúvida e continuará. A título de exemplo, vi no portal base. O Município de espinho, onde o presidente da câmara é do psd, adjudicou os serviços jurídicos ao escritório do Luis Montenegro, natural da cidade e dirigente do partido. nesse escritório, trabalho um advogado que é tb cronista num dos jornais da cidade e assina como representante do "psd". A questão é se a câmara tem de ter serviços jurídicos externos, terá sido a preços justos e de mercado?

Quando o presidente da camara mudar e sendo ele tb advogado, está difícil de adivinhar para onde vai trabalhar?
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De Robinson Kanes a 10.12.2017 às 10:45

Se os trâmites habituais forem seguidos não tenho dúvidas que a tua questão tem uma resposta óbvia... Isto acontece, porque deixamos e porque permitimos que se construíssem polvos com muitos tentáculos.
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De Maria Araújo a 09.12.2017 às 22:56

Nem sei comentar!
Sério, ahahahah!

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