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IMG_6891.JPGFonte das Imagens: Própria.

 

Ontem falei do Outono e... Falar do Outono sem falar em Trás-os-Montes e mais especificamente em Pitões das Júnias é um autêntica falta de sensibilidade para com esta estação.

 

Pitões das Júnias, no concelho de Montalegre, não está na moda, por isso não confundamos as coisas. Aliás, se alguma vez esteve na moda foi no âmbito da etnologia e da antropologia sobretudo no estudo e na abordagem às aldeias comunitárias.  Sobre uma delas debrucei-me em tempos, Tourém.O próprio nome da aldeia ainda hoje é alvo de um grande debate, pois não é fácil perceber a sua origem.

IMG_6887.JPG

Pitões das Júnias é a aldeia mais alta do Barroso e encontra-se no Parque Natural da Peneda-Gerês. Apesar da proximidade com Espanha, não deixa de ser uma aldeia perdida do interior, uma aldeia esquecida e que tem, graças ao turismo, conseguido manter-se de forma a que não se torne apenas mais uma recordação do passado. A abordagem a Pitões também não pode ficar circunscrita só a um artigo (cá voltaremos), apesar da dimensão da aldeia e da sua população de pouco mais de 150 habitantes. Pitões é mais que uma aldeia, e quando chegamos a Pitões é fácil sentir essa diferença. Pitões é a história de um povo que numa região inóspita lutou contra as adversidades de um clima rigoroso e contra a distância dos grandes centros e isso reconhece-se ainda hoje nos rostos daquelas gentes - gente forte, dura mas de uma humildade e carinho singulares. A própria génesa das aldeias comunitárias nasce dessa necessidade de união e partilha face aos diferentes desafios.

IMG_6893.JPG 

Entre o rio, a "Pala da Vaca" e os "Cornos de Pitões" (Cornos da Fonte Fria), como são chamadas pelos locais as elevações que "protegem" a aldeia e que contribuem para uma imagem pitoresca sobretudo ao amanhecer e durante o crespúsculo. A vista da aldeia a partir do cemitério é algo que fica para sempre na nossa memória. Daí podemos rever o nosso circuito dentro da aldeia e imaginarmo-nos nós também como parte da mesma. O forno comunitário/Ecomuseu, as fontes com uma água cristalina, a Igreja e as diferentes casas são de uma beleza indescritível e não faltam relatos desta riqueza em livros e também na web, sobretudo daqueles que lá vivem, e não daqueles que, como eu, só lá vão de vez em quando.

 

Também não é incomum encontrarmo-nos com amigos de 4 patas, sejam bois ou enormes cães que nos abordam com um olhar inquiridor mas rapidamente se deixam contagiar pelas nossas festas.

 

Entre os "Prados do Lima", os "cornos" e os ribeiros podemos encontrar verdadeiros dias de descanso, considero até que é um dos locais perfeitos para fugir do mundo e reflectir. Contudo não nos deixemos enganar, pois não perdemos a ligação com a vida e com as pessoas, a outra grande riqueza desta aldeia. Em Pitões apodemos perder a carteira com algum dinheiro e rapidamente toda uma aldeia se mobiliza para encontrar o proprietário da mesma, mesmo que este já se encontre em Lisboa com a memória da "Cascata" ainda bem presente nos seus pensamentos.

IMG_6811.JPG

Mas voltaremos a Pitões para descobrir mais um dos segredos deste nosso país. Por agora repousemos entre um clareira rodeada de carvalhos e estudemos este interessante percurso recomendado pelo ICNF. Depois, abramos os nosso cesto de piquenique porque a fome já aperta. Ao que sei está rechedado de enchidos e licores da região...

 

Finalmente, e como Pitões se encontra num Parque Natural, nada como recordar o Código de Conduta e Boas Práticas que deve ser interiorizado por todos os visitantes das áreas protegidas.

 

Bom fim-de-semana...

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36 comentários

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De C.S. a 17.11.2017 às 09:43

Não conheço esta zona do país, falha minha.
Mas hei-de conhecer. Bom fim-de-semana.
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De Robinson Kanes a 17.11.2017 às 09:51

Tive a sorte de conhecer com os meus pais, eles não concebem/concebiam que se viajasse lá para fora sem conhecer o próprio país. Depois, anos mais tarde, criei algumas ligações àquela região que me mostraram outros recantos desconhecidos.

Se conseguires, os caçadores são os melhores guias em Trás-os-Montes. E não é uma falha, hoje criou-se a ideia que temos de conhecer tudo, nem que seja só para passar junto à placa na auto-estrada e tirar uma fotografia, e isso é praticamente impossível.

Costumo dizer tantas vezes, das pessoas mais viajadas que conheci, algumas, se saíram uma ou duas vezes dos seus próprios países foi muito :-)
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De Anónimo a 17.11.2017 às 13:12

Não estive em Pitões das Júnias mas numas aldeias perto, e sempre tive desejo de conhecer mais.
Sou apologista do Vá para Fora Cá Dentro, mas como já lhe contei,tem de ser com companhia, senão, não é possível.
Obrigada pela post e pelas belas fotografias.

Bom fim-de-semana.
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De Maria Araújo a 17.11.2017 às 13:12

Bolas, sou eu, o anónimo.

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De Robinson Kanes a 17.11.2017 às 15:01

Perto também existem aldeias fantástica e do lado de Espanha também... Toda a região é um marco da Natureza.

E não se arranja companhia? Faz-se já um grupo :-)

Obrigado pela visita e bom fim-de-semana,
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De Marta Elle a 17.11.2017 às 14:51

Não conhecia, mas a paisagem é lindíssima.
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De Robinson Kanes a 17.11.2017 às 15:00

Se é...

Podes sempre viajar por aqui, é um livro: "Pitões das Júnias, Esboço de Monografia Etnográfica de Manuel Viegas Guerreiro", Edições Colibri
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De Maria a 17.11.2017 às 16:15

Arrancava já paara lá...
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De Anónimo a 17.11.2017 às 17:34

E era uma rica opção!
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De Anónimo a 17.11.2017 às 17:34

"It is Kanes"
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De Maria Araújo a 17.11.2017 às 17:56

Desde que o Sapo alterou esta coisa, que nem está mal, os anónimos são que muitos e nós próprios, ahahah!
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De Maria Araújo a 17.11.2017 às 17:57

corrijo:
"mais que muitos"
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De Robinson Kanes a 17.11.2017 às 18:52

É a tribo dos anónimos, mas olhe que anónimos com nome não faltam, mas esses perdem demasiado tempo a trabalhar a qualidade :-)
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De Maria a 17.11.2017 às 20:09

Agora fizeste me lembrar o Monsieur Leclerc!
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De Robinson Kanes a 17.11.2017 às 22:14

Antes esse que o "Herr Flick" :-)))
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De Corvo a 17.11.2017 às 18:38

Este pais tem coisas lindas, pena é o frio.
E agora deu-me para pensar que, talvez, o caro amigo tenha feito muito mal em publicar isto.
A paisagem é sossegada e arborizada, estava lá sossegadinha a verdejar para as ovelhinhas e os passarinhos sem ninguém dar conta, e com o seu post trouxe esta inefável beleza para os olhos do mundo e não me admiro nada que amanhã, ou depois, não vão para lá acender os fósforos
Um excelente fim-de-semana
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De Robinson Kanes a 17.11.2017 às 18:54

Frio? Quem me dera, comparado com França e Alemanha, por exemplo, somos os trópicos. :-)

Não me parece, não tenho assim tanto alcance, não chega a esses indivíduos.

Um excelente fim-de-semana,

P.S: Todavia, admito que penso no que referiu. E... Também no meio de muitos visitantes, existem sempre indivíduos sem respeito por nada...
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De Alice Alfazema a 17.11.2017 às 20:38

A paisagem é linda, já fui aí há imenso tempo...

Parabéns pelos textos fluidos e cheios de pequeninos pormenores. O Nilo é bem catita, o Ginjas haveria de gostar de dar umas corridas com ele.

Um abraço e bom fim-de-semana. :)
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De Robinson Kanes a 17.11.2017 às 22:16

É algo do outro mundo.

Obrigado, é a minha forma de sentir as coisas... às vezes de forma bastante intensa, mas que fazer? O Ginjas e o Nilo? A ideia era boa, mas acho que para nós seria um dia de destruição de calorias como nunca tínhamos visto.

Abraço e bom fim-de-semana...
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De cheia a 17.11.2017 às 20:41

Por todo o nosso país temos paisagens encantadoras. É pena que não sejam mais valorizadas, para que quem lá vive tenha uma vida mais próspera.
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De Robinson Kanes a 17.11.2017 às 22:16

São quando passam a ser moda... Menos mal, se trouxerem retorno sustentável não é mau de todo.

Temos paraísos únicos que só aprendemos a valorizar quando vamos lá fora.
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De P. P. a 17.11.2017 às 22:20

Muito sugestivo.
Abraço.
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De Robinson Kanes a 17.11.2017 às 22:28

Também gosto da tua região, um pouco mais para Este tenho grandes raízes em Oliveira do Hospital...

Abraço,
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De P. P. a 17.11.2017 às 23:24

Adoro essa zona.
Seia, Oliveira do Hospital... Raios, onde devia estar efetivo já com estes anos de serviço, mas não sei porque não pensam nos que estão no quadro de uma escola. Afinal, para lá chegarmos, muitos de nós, além de boa média de curso e estágio, passou pelo contrato e pela zona pedagógica (aquele de que tanto se ouve falar e contestar).
Isto...
Dei aulas numa destas zonas e adorei. Trabalhava-se como se de uma escola privada se tratasse. Todos os alunos tinham apoio na escola, estilo explicação. Tinha laboratórios para mim... Pena esta região também estar vestida de negro.
Abraço.
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De Robinson Kanes a 17.11.2017 às 23:46

Se está... O problema foi nos dias dos incêndios e mesmo após entrar em contacto com familiares e amigos, sobretudo daquelas localidades mais junto ao Alva. Já no concelho de Seia existe uma das mais belas aldeias que conheço, Sandomil. Claro que já nem falo de São Gião, Caldas, Ponte das Três Entradas e Penalva do Alva em Oliveira do Hospital.

O fogo andou por estas todas e deixou danos irrecuperáveis :-(

Abraço

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De HD a 17.11.2017 às 22:38

Ainda bem que não está na moda ;)

Uma paisagem única, a preservar...
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De Robinson Kanes a 17.11.2017 às 22:41

Uma paisagem e uma cultura... Embora aquilo que é pitoresco nem sempre seja rentável...
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De HD a 17.11.2017 às 22:44

Felizmente que ainda ninguém viu forma de ganhar dinheiro com isso... :\
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De Robinson Kanes a 17.11.2017 às 22:47

Ou infelizmente... Se for numa lógica sustentável até acho bem. Penso que me expressei mal: a vida pitoresca destas aldeias é feita com muito sacrifício e com pouco retorno o que não é bom... É sempre aquela lógica que temos do "viver no campo é que é bom", mas porque só apreciamos esse modo de vida como espectadores...

Agora explorar e destruir o que é autêntico já não concordo.
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De HD a 17.11.2017 às 22:56

Sim, era nesse sentido que me referia...
Não acredito que alguém conseguisse explorar um espaço tão imaculado... sem o destruir, de alguma forma! :\
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De Robinson Kanes a 17.11.2017 às 23:02

É possível... Com ética, sensibilidade e uma boa capacidade de planeamento. Existem boas iniciativas por cá e pelo mundo fora... Mas confesso que tem de ser gerido com pinças.
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De HD a 18.11.2017 às 17:41

Precisamente! ;)
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De Isabel a 19.11.2017 às 11:54

Pitões das Júnias conheço de miúda, quando as viagens de férias se faziam entre o Alto Minho e Trás dos Montes. Lembro-me de falarem o nome da aldeia e eu pensar que teria ouvido mal ou que íamos para uma terra encantada completamente fora de Portugal. Acabou por ser mesmo uma memória encantada, foi onde vi neve pela primeira vez (:
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De Robinson Kanes a 20.11.2017 às 09:02

Terra Encantada! É isso mesmo! Não existe melhor definição :-)

Obrigado pela visita :-)

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