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Paleo? Não é Realista!

por Robinson Kanes, em 06.11.17

IMG_0909-2.jpg

 Bodegón con Costillas , Lomo y Cabeza de Cordero, Francisco de Goya - Musée du Louvre

Fonte da Imagem: Própria.

 

Sempre que surge uma nova "dieta", existe um vasto número de "nutricionistas" na nossa praça que quase nos obrigam a aderir à sua ideologia alimentar. Para mim, e por ser um tema demasiado sério para andarmos a brincar com o mesmo ou a assumir o papel de um especialista, penso que cada um de nós deve consultar sempre um profissional da área... Não estamos propriamente a adquirir ou a aderir a uma forma de vestir - a "última" tendência é o Paleo ou os "Primitivos Modernos" ou "Neo Primitivos".

 

Não sou seguidor da corrente e muito menos especialista na área da saúde alimentar pelo que estudei um pouco sobre a matéria, mas não o suficiente, reconheço, pelo que os vossos comentários serão mais que importantes. Nestas matérias mais do que embadeirarmos algo em arco, só porque é cool ou está na moda, temos de ver todas as frentes, eu vou-me focar nos contras, porque prós não faltam, embora mencione alguns.

 

O desenvolvimento desta tendência tem por detrás o polémico Chef Pete Evans. Evans defendeu nos media que se começássemos a replicar a alimentação dos nossos antepassados do paleolítico, a nossa saúde melhoraria substancialmente. Pete Evans, apenas criou uma tendência, e com o devido usufruto para o próprio, mas temos de ter em conta que é só isso e até aí, nada a apontar. Importa sublinhar, contudo, que Evans apenas mediatizou o que já vinha a ser estudado por alguns especialistas que defendem esta prática há mais de 40 anos. Desenganem-se aqueles que pensam que é uma descoberta recente, livros dos anos 70 não faltam.

 

Um dos maiores contestários de Evans, é Marlene Zuk, especialista em Biologia Evolutiva na Universidade do Minesota e uma referência na área. Esta advoga que a dieta Paleo é baseada na ideia de que a genética humana não mudou desde há 10.000 anos para cá, nomeadamente, desde o desenvolvimento da agricultura. Todavia, mais uma vez e segundo a mesma, os nossos genes mudaram e isso fez com o nosso organismo possa perfeitamente "aceitar" alimentos que nunca seriam aceites pelo Homem do Paleolítico. Os especialistas como Zuk vão mais longe, e assumem até, que pouco sabemos do que se alimentavam os nossos antepassados pelo que não podemos sustentar tal teoria. Zuk é a autora do livro "Paleofantasy: What Evolution Really Tells Us about Sex, Diet, and How We Live".

 

Uma outra questão, prende-se com o facto dos defensores desta corrente excluirem das épocas históricas a questão social e das próprias necessidades - à época o homem tinha de caçar ou recolher o que a natureza lhe dava, hoje isso não é necessário, pelo que ficará a questão: justifica que nos comportemos como tal? Coloca-se ainda a questão de que tudo o que comemos actualmente, ou quase tudo, já sofreu a transformação do homem e da própria evolução natural - não podemos conceber que as frutas, legumes e até carne de outrora existam hoje como existiram um dia. Temos de ter cuidado e ter em conta que a tendência paleo não resolve todos os problemas de saúde, como em alguns casos já se tentou fazer crer - a propósito disso, este artigo publicado na Lancet, demonstra que o Homem de outrora não era propriamente aquele ser belo, de corpo esculpido e saudável. Já vão sendo realizados alguns estudos, todavia, muitas doenças poderiam não ocorrer no paleolítico pelo simples facto de muito poucos atingirem uma grande longevidade... Além disso, as doenças actuais não estão só relacionadas com a idade mas também com o estilo de vida e outros factores que vão bem para lá da alimentação. 

 

Outro pormenor prende-se com o facto do Homem, ao longo da história, ter estabelecido diferentes dietas que sempre dependeram da geografia e da variedade de "produtos" disponíveis. Recomendo o artigo de William Leonard na Scientific American de Dezembro de 2002 e este outro da Nature realizado com base no estudo do ADN da placa dentária dos Neandertais - se gostarem desta matéria, para lá das dietas, é sem dúvida uma viagem interessante. Ambos os estudos têm acesso pago e por esse motivo as minhas desculpas.

 

Um outro factor, e aqui creio que podemos extender a todas as dietas, está relacionado com a importância de prevenir aquilo a que os americanos chamam o "what the hell effect", algo como "efeito, mas que raio" e que não é mais do que sublinhar que a prática de diferentes dietas não leva a uma perda de peso, bem pelo contrário. Este comportamente surge também devido à vulnerabilidade a que muitos estão sujeitos assim que "caem em tentação". Neste campo, os estudos vão mais longe, e apontam que basta só a ideia de se ter quebrado determinado regime alimentar, para que os indivíduos percam o auto-controlo. Sugiro este estudo da Universidade de Toronto. 

 

Finalmente, a adopção de determinados hábitos como o regime paleo, pode levar, inclusive, à perda de um ambiente social agradável e também a restrições que são irrealistas para os dias de hoje. Esta é também a opinião de Charlotte Markey, psicóloga e professora na Rutgers University com 15 anos de investigação nesta área. Sugiro o livro "Smart People Don't Diet: How the Latest Science Can Help You Lose Weight Permanently" e também o artigo "Don't Diet!", da autoria da mesma, e publicado na Scientific American Mind de Setembro/Outubro de 2015. Podem encontrar o artigo online mediante pagamento ou adquirir, como eu, a revista.

  

Todavia, nem tudo é mau, uma das vantagens apontadas para esta dieta, é a ausência das chamadas "comidas processadas". Penso que aí é indiscutível. 

 

Com isto, não procuro censurar quem segue estes hábitos (é uma escolha dos próprios, livre e que deve ser respeitada), contudo, temos de ter cautela quando utilizamos o conceito de ciência como se fosse marketing ou um lifestyle, até porque dizer que hoje é possível adoptar uma forma de estar paleolítica é totalmente absurdo - ainda não conheci ninguém que adira a este modo de estar e viva numa caverna sendo recolector ou caçadorO ideal, será sempre conhecer diferentes perspectivas e, sobretudo, quando é de saúde que falamos, conversar com os verdadeiros especialistas (a favor e contra). 

 

 

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62 comentários

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De Terminatora a 06.11.2017 às 11:56

Mais um artigo bem interessante! É um assunto que até me dá algum interesse, as dietas. Não que eu precise de uma dieta, aliás se calhar devia fazer alguma dieta sim, mas somente para me sentir melhor, não que precise de emagrecer. Andei a ver os artigos que aconselhou e um deles tem exactamente a ver com o que muita gente sofre, colesterol elevado! Algo de que sofro hoje em dia, mas já razoavelmente controlado. E engane-se quem pense que é somente por causa da alimentação, porque não é o meu caso. Mas se me descuro da alimentação, irá disparar para níveis absurdos.

Não tenho acompanhado as novas tendências nesse mundo das dietas, mas lembro-me bem na altura em que estudava, ter tido aulas de nutrição e tudo vinha bater à pirâmide ou à roda dos alimentos. Lembro-me de ver alguns artigos há uns anos que tinham mudado a posição de alguns alimentos ou feito algumas alterações. Mas ainda assim, esse devia ser o guia das pessoas. E há mais que informação suficiente hoje em dia online que nos pode elucidar quanto à prática alimentar saudável. Acho que não temos que adoptar um determinado estilo, mas adequar vários estilos ou seleccionar o que de melhor há nesses estilos e aplicar no dia à dia. Porque não?

Eu por exemplo, passo muito bem sem carne. Noto que hoje em dia, a carne está diferente. Não me cai bem e é algo que já me enjoa. Como muitas saladas, porque gosto. Sopas, legumes salteados. E lá está, sempre com quantidades reduzidas de gordura. Mas a ver bem, com a vida atarefada que a maioria das pessoas tem, como podem aplicar um estilo de alimentação saudável? Muitas vezes dá jeito comprar coisas já semi-preparadas (conheço imensos casos) e que estão prontas em minutos. Ninguém se importa em ver a quantidade de corantes, conservantes, espessantes, enfim uma infinidade de aditivos, inerentes a esses produtos. Isso é que me assusta. Os produtos criados pelo homem. É aí que seria mais certo cortar.

Eu dizia há uns tempos atrás, que ainda iríamos acabar todos de enxada na mão a cultivar, mas honestamente já não vejo isso acontecer. Da maneira que estão a tornar tudo tão fácil e rápido, quem é que vai querer se dedicar a plantar? Mas tudo pode acontecer.

Boa semana :)

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De Robinson Kanes a 06.11.2017 às 13:53

Sim, do pouco que sei, o colesterol vai bem para lá da alimentação, apesar desta ser importante para estabilizar os níveis... Mas não é tudo, longe disso. Uma vida sedentária é outra das causas.

À primeira questão, respondo com um "sim". A roda dos alimentos é a base, pelo menos para sociedades como a nossa. Depois, sim, existem dietas que praticamente se enquadram na mesma, como a mediterrânica. Esse é mais um exemplo de que foram muitos factores ambientais e sociais que moldaram a mesma. A combinação de estilos deve ser fundamental... Como disse, no caso da Paleo, a ausência de comidas processadas é uma mais-valia.

Um pouco a brincar, um pouco a sério, muitas pessoas queixam-se de uma vida difícil, mas muitas vezes não a têm... Outras vezes deve-se à falta de organização ou diferentes prioridades que vão para além do perder alguns minutos a cozinhar. Depois, ainda existem muitos alimentos saudáveis, que não são tão acessíveis, quer por motivos de mercado, quer inclusive por questões (custos elevados) de produção. E, o que é que hoje não sofre influência do homem?

O meu pai dizia isso e acrescentava que quem não soubesse semear batatas morria à fome. Acrescentava também que quem o conseguisse fazer tinha de ficar de espingarda em riste a fazer guarda ao terreno. Uma coisa é certa... Este modo de vida é insustentável no longo-prazo...

Boa semana e obrigado pelo testemunho :-)



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De Terminatora a 06.11.2017 às 17:00

Quando o meu colesterol desregulou nem tinha uma vida sedentária... Pelo contrário. Mas foi uma altura deveras complicada de gerir emocionalmente o que deve ter levado a que acontecesse isso e desde aí nunca mais estabilizou. Mas também não quero medicação... Vou controlando o melhor que posso naturalmente.

Seu pai tem toda a razão... Meus pais são agricultores e coitados vêem muitas vezes lhes roubarem o que lhes deu trabalho a cuidar. Uma loucura as vezes...

De resto concordo com tudo, é sempre agradável trocar impressões consigo :)
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De Robinson Kanes a 06.11.2017 às 17:37

Terá sido também... Isso é outra situação... O impacte das emoções e outras coisas mais na nossa saúde. E sim, enquanto for possível e seguro, evitar os fármacos.

Imagino, e tenho para mim o que ainda aí vem.

Muito obrigado, o sentimento é mútuo.
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De Luis costa a 06.11.2017 às 12:51

Que grande post!!!!!
Parabens por nos mostrar que as coisas sao muitas vezes diferentes daquilo que se pensa eu nem conhecia.
Boa semana
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De Robinson Kanes a 06.11.2017 às 13:46

Grato...

Penso, no entanto, que é importante procurar informação em fontes que defendem este regime.

Um Abraço,
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De Luis costa a 06.11.2017 às 15:06

Claro que sim mas isto ja me da uma ideia.
Abraco
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De Cecília a 06.11.2017 às 17:48

Menos paleio e mais
francesinhas
Ou jaquinzinhos fritos com arroz de tomate
Ou alheira de Mirandela com legumes
Ou polvo à lagareiro
Ou
(...)
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De Robinson Kanes a 06.11.2017 às 18:07

Posta Mirandesa
Ou Ensopado de Borrego
Ou Açorda de Marisco
Ou Sopa de Cação
Ou
(...)
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De Cecília a 06.11.2017 às 18:14

Posta Mirandesa: o paleo gourmet
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De Marta Elle a 06.11.2017 às 18:25

Fui vegetariana durante alguns anos, mas tive que deixar esse tipo de alimentação porque tenho uma anemia crónica.
De há uns dois anos para cá, deixei de comer doces ao jantar e passei a ingerir mais fruta e noto que a minha pele está melhor.
As pessoas não fazem ideia que tenho cancro porque tenho uma pele rosada, nada de rugas e o cabelo está brilhante.

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De Robinson Kanes a 06.11.2017 às 18:57

Conseguiste adaptar a alimentação às tuas necessidades :-)

E sim, entre frutas e doces... Mas gostei da parte "do jantar" :-)))

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De Marta Elle a 07.11.2017 às 16:07

Pois...ao almoço não resisto comer doces.
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De Corvo a 06.11.2017 às 19:07

Uns defendem uma coisa, outros outra e tanto têm a certeza uns como os outros, nenhuma
Defender teses sobre dietas humanas baseadas no primitivismo da humanidade, um disparate.
Desde logo existe uma coisa que se chama evolução e o sistema imunitário do macaco bípede não era propriamente o mesmo da contemporaneidade. A evolução traz a modificação.
Concordo, contudo, que o processamento dos alimentos possam provocar efeitos nefastos que a médio ou longo prazo se possam manifestar em prejuízo da nossa saúde, porque existe uma conjugação que não é natural.
De resto, e só falando por mim, o meu testemunho é o seguinte.
Sempre comi, e continuo a comer de tudo que gosto. Não me inibo de nada que goste sem me preocupar se isto é gordo e aquilo é magro, se este tem sal e o outro não tem, se tem glúteo e o outro não e o resultado aos 77anos que levo por este mundo, é este.
Colesterol conheço por ouvir falar, diabetes por ouvir dizer. Nunca fui a um médico: tirando a obrigação para a renovação da carta de condução, não sei o que é uma dor de cabeça, o mesmo para uma dor de estômago ou de rins; nunca fiz nenhum rastreio a nada, onde me deito durmo, se fosse preciso até em cima de uma pedra. Mas durmo pouco. Três ou quatro horas. Não sei o que é uma constipação, uma gripe, nada. Nada do que se queixa a humanidade eu sei o que é.
Bebo muito leite, porque sempre gostei; não bebo álcool, porque nunca gostei e tomo café às litradas. Fumava, deixei de fumar durante 26 anos e voltei a fumar há dez, depois que a minha mulher morreu.
Tenho 77 anos e tirando o normal que esta idade limita, sinto-me muito bem.
Mas, e como referi, falei por mim, apenas.
Resto de um excelente dia.
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De Robinson Kanes a 06.11.2017 às 21:14

"Desde logo existe uma coisa que se chama evolução", Corvo

"Todavia, mais uma vez e segundo a mesma, os nossos genes mudaram e isso fez com o nosso organismo possa perfeitamente "aceitar" alimentos que nunca seriam aceites pelo Homem do Paleolítico." , Visão de Zuk.

Em relação ao macaco bípede, lembro-me de grandes discussões com um professor que é da escola que defende que não somos descendentes do macaco. Da família sim, descendentes não :-)

O seu testemunho é o das gentes da sua idade. Eram outros tempos, mais fáceis em algumas situações, muito mais complicados nas outros. Como escreveu Eça em "A Cidade e as Serras" o grande mal de hoje é a "fartura" e é essa abundância que nos coloca num estado favorável a todas as maleitas. Gentes da sua idade, gente rija e forte, preparada para tudo e que não ía a correr para o médico assim que vinha uma pequena dor de cabeça. Com isso a medicina perdeu também a clínica... E não sei se isso foi uma grande evolução.

E pronto... Viveu em África, queria o quê? Ter doenças e morrer novo? Jamais :-)

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De Anónimo a 06.11.2017 às 19:54

" Colesterol conheço por ouvir falar, diabetes por ouvir dizer. Nunca fui a um médico: tirando a obrigação para a renovação da carta de condução, não sei o que é uma dor de cabeça, o mesmo para uma dor de estômago ou de rins; nunca fiz nenhum rastreio a nada, onde me deito durmo, se fosse preciso até em cima de uma pedra. Mas durmo pouco. Três ou quatro horas. Não sei o que é uma constipação, uma gripe, nada. Nada do que se queixa a humanidade eu sei o que é.
Bebo muito leite, porque sempre gostei..."

Fantástico, Corvo.
África deu-lhe saúde, resistência, robustez, qualidade de vida.
Parabéns.
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De Corvo a 06.11.2017 às 20:47

Não sei. Milhares estiveram em África, outros até lá nasceram e ainda outros lá estão.
Não conheço outro exemplo.
E mais lhe digo. Não tomo medicação para nada, nem sei o que é uma simples aspirina.
Se será, porventura, o facto de desde criança comer piri piri aos punhados, e mesma agora não dispensar o picante em todos os pratos, incluindo-o até na sopa, não sei nem digo que seja por isso.
Mas e para evitar ouvir diatribes de volta, digo:
Comigo é isto exactamente como disse. Agora, acredite quem quiser.
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De Corvo a 06.11.2017 às 21:16

E ajunto mais isto.
Antes e por obrigação de carta visitava o médico, de há quatro anos para cá nem isso faço porque deixei de conduzir, por dever de consciência.
Conduzia na melhor das disposições, quatro faixas de rodagem e aproximava-me da ponte da Arrábida, muito trânsito mas fluía bem, quando subitamente do nada me deu uma dor agonizante ao nível do externo, localizada num ponto preciso. Já me tinha dado uma vez há uns trinta anos. Pensei num AVC, porque não sou burro para não saber que um dia, sem aviso isso vai acontecer. Consegui encostar e apoiar-me sobre o volante à espera que passasse, e quando me senti melhor e me preparava para arrancar, passou ao meu lado um carro com uma criança numa cadeirinha atrás.
Pus-me a pensar que não tinha o direito de numa provável situação semelhante, não ter a mesma sorte de agora, dar-me mesmo um AVC, provocar um acidente em que aquela criança, ou outra qualquer morresse.
Não renovei mais a carta e para não sucumbir à tentação vendi o meu carro.
Portanto já não preciso de medico
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De Robinson Kanes a 06.11.2017 às 21:19

"Antes e por obrigação de carta visitava o médico, de há quatro anos para cá nem isso faço porque deixei de conduzir, por dever de consciência.".

O meu aplauso e reconhecimento! Não é fácil tomar essa decisão :-)

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De Corvo a 06.11.2017 às 21:32

Facílimo, Robinson.
Não trabalho portanto não tenho a responsabilidade de cumprir horários, moro perto de tudo e o que preciso vou a pé.
Foi a segunda vez aquela dor agonizante. Não sei o que são doenças em mim, mas sei que existem, e sobretudo conheço bem o que é um AVC. O meu pai foi-se com isso, dois vizinhos no meu prédio também já foram, alguns amigos já marcharam e eu aguardo a minha vez.
Foi um aviso. Morra sim mas não mate os outros.
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De Robinson Kanes a 06.11.2017 às 22:24

Entendo-o, mas para muitos, deixar a condução é quase um sinal de entregar as armas da vida... Conheci muitas situações assim.

Aguarda a sua vez, mas olhe que com essa saúde ainda nos vai enterrar a todos primeiro, como diz o povo. Eu não tenho dúvidas :-)
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De Maria Araújo a 06.11.2017 às 23:12

Eu não tenho dúvidas, também.
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De Maria Araújo a 06.11.2017 às 23:25

Aquele(a) anónimo(a) sou eu.
Desde que o Sapo mudou a configuração dos comentários, e está bem e gosto, acontece esquecer-me de entrar como blogger e reparo, também, que amigos de outras plataformas aparecem anónimos nos meus comentários, o que não acontecia antes, e eu gosto de saber quem são.
Alguns conheço pelo modo de escrita.

" ...deixei de conduzir, por dever de consciência."

Uma pessoa de bom senso e que conhece as suas capacidades e limites.

Há aqui na rua vários vizinhos entre os 90 e 93 anos.
Dois deles conduzem, e vim a saber que o que eu achava que estava muito bem, parece que a cabeça já mostra muito esquecimento e dificuldade nos movimento que até " o carro está a ficar cheio de riscos das manobras que faz mal", disse-me hoje uma vizinha.
Ora eu disse várias vezes e tenho a certeza que o farei:
Quando perceber que já não tenho a destreza da condução que tenho, deixarei de conduzir. Vivo no centro de tudo, ando a pé, coisa que não me custa nada,e se nessa altura continuar com a minha actividade física, irei de autocarro, pois tenho um aqui perto que pára do outro lado do passeio do ginásio.
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De Robinson Kanes a 07.11.2017 às 08:30

Saber desistir é uma característica que poucos têm. E nem sempre é mau, antes desistir perante uma adversidade inevitável a atirar-se para o aviso.

Eu admito que a única coisa boa que vejo na condução é quando faço as chamadas"road-trips", de resto é mesmo por necessidade ou obrigação.
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De Maria Araújo a 07.11.2017 às 19:49

Viajar é bom e sendo por cá, muito melhor.
Eu sou adepta do carro e não passo sem ele.
Abdicarei dele quando sentir que posso prejudicar outros.
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De Robinson Kanes a 06.11.2017 às 21:17

Por acaso, cá em casa temos sempre gindungo (ou jindungo em Angola, penso) feito por uma são-tomense que é uma maravilha.
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De Robinson Kanes a 06.11.2017 às 21:09

Por acaso ía comentar isso mesmo... Quem passa por África traz de lá uma saúde que nem no Japão...
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De Corvo a 06.11.2017 às 21:21

Já expliquei ao anónimo, caro Robinson. Não tem nada a ver.
O meu pai, por exemplo, precisou sempre de médico para tudo enquanto lá esteve, e morreu aos 56 anos, dois anos depois de ter regressado a Portugal.
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De Robinson Kanes a 06.11.2017 às 21:25

Estava a brincar um pouco... Mas que aquela terra danada tem qualquer coisa tem :-)
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De Corvo a 06.11.2017 às 21:36

Coma gindungo. Sempre e em tudo e todos os dias. Mas muito. Faça como eu que até sandes de gindungo faço. Abro um pão, punhados de malagueta vermelhinha lá para dentro e hum, delícia. :))
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De Robinson Kanes a 06.11.2017 às 22:26

Admito que aí não sou o homem que é o Corvo. Só consigo comer muito pouco de cada vez. Mas confesso que uma muamba sem gindungo não é uma muamba - cá em casa fazemos como em Angola, com funge e é delicioso.

Permita-me que este pobre puto se vergue perante a força de quem consegue aguentar tanto picante :-)
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De Maria Araújo a 06.11.2017 às 23:26

Corvo, já escrevi que aquele anónimo sou eu.
Desculpe.
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De HD a 06.11.2017 às 20:28

É como bem referes, surge uma nova moda... e parece que há uma conversão imediata, tipo seita alimentar :-D
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De Robinson Kanes a 06.11.2017 às 21:08

"Seita alimentar", gostei da visão...

Penso que também existe um pouco o ir na tendência. Não é por acaso que se escolhem celebridades, na tentativa de gerar "inveja" no consumidor e exacerbar a sua vontade em estar ao nível das mesmas, satisfazendo o seu desejo de "status".
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De HD a 06.11.2017 às 21:38

Os influenciadores/vendedores de todo o terreno... :-)
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De Robinson Kanes a 06.11.2017 às 22:22

Seita Alimentar... Vendedores de todo-o-terreno...

Cada tiro, cada melro...
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De HD a 06.11.2017 às 22:27

Já vi cada coisa, especialistas de tudo... dominam novo produto no espaço de uma semana... :s
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De Robinson Kanes a 06.11.2017 às 22:35

Grandes formações em "força de vendas" e "produto" ahahaha

Sabes que ao experimentarmos algo também queremos que os outros o façam e tendemos a ser um pouco mais... parciais?
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De HD a 06.11.2017 às 22:41

Então se houver ganhos rápidos com isso... uhuhuh
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De Robinson Kanes a 07.11.2017 às 08:25

Ganhos rápidos... A grande questão :-)
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De José da Xã a 06.11.2017 às 22:57

Viva,

após uns dias afastado destas andanças eis-me aqui.
Quanto ao tema deste texto digo já que assumo ser contra qualquer tipo de dieta.
Por exemplo fui para a aldeia com um determinado peso e trouxe de lá um muito menor E sem necessidade de quaisquer dietas.
O que equivale dizer serve para fazermos através de outros meios o que deveríamos fazer diariamente: comer somente o que necessitamos para viver. Ou então desgastar o que se come através de esforço físico (foi o que me aconteceu esta semana.
Todavia reconheço que há dietas específicas somente porque há pessoas com algumas alergias alimentares. É o caso da Joana Marques:
http://quiosquedajoana.blogs.sapo.pt/
Todavia nunca se fala da água como factor desequilibrador.
Grande abraço.
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De Robinson Kanes a 07.11.2017 às 08:28

O nosso empresário do azeite :-)

"comer somente o que necessitamos para viver. Ou então desgastar o que se come através de esforço físico (foi o que me aconteceu esta semana."

Penso que é aí que está um dos segredos para uma dieta equilibrada, não tenha dúvidas.

Sim, as necessidades especiais que por norma são acompanhadas por nutricionistas ou até mesmo um endocrinologista.

A ideia de que as pessoas têm da água é que faz sempre muito bem, seja em que medida for.

Grande abraço,
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De José da Xã a 07.11.2017 às 08:45

Já referi no meu espaço que a água e os seus supostos benefícios pode ser muito enganador.
Já tive prova do que estou a dizer.
Por exemplo comigo há uma marca de água muuuuuuuuito conhecida com a qual me dou horrivelmente.
Tal como a água da torneira.
Grande abraço.
Ps- essa do empresário do azeite teve piada.
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De Robinson Kanes a 07.11.2017 às 08:59

Então não é? Você ainda produz alguma coisa, eu vejo tantos "empreendedores" a falar em conferências e sem produzir nada.

Sim, até porque a água não é toda igual...
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De PP a 07.11.2017 às 15:39

A água é uma solução. Dela fazem parte sobretudo minerais das rochas que se vão dissolvendo ao longo do seu percurso. Daí discordar dos autores que referem que está não tem sabor.
Por estar presente em todos os alimentos, nem sempre é visível na roda dos alimentos, de acordo com o modelo em causa, ou pirâmide alimentar. Vital ao nosso organismo, não deixa de ser um nutriente. Faz parte dos fluidos orgânicos, está presente nas células, ...
Atenção pois alimentação equilibrada tem conceito próprio. Penso que foi o que quiseste dizer com "dieta equilibrada". Isto porque, dieta=tudo o que comemos (cf qq manual CN6).
Abraço

(Que bom que é ter discussões enriquecedoras sem fanatismos)
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De Robinson Kanes a 07.11.2017 às 15:48

Tem sabor... Claro.

Correcto :-)

(é esse o objectivo)
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De Maria Araújo a 07.11.2017 às 19:50

" eu vejo tantos "empreendedores" a falar em conferências e sem produzir nada."
Ahahahaha!
Gostei!
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De Robinson Kanes a 07.11.2017 às 22:02

Estou enganado? :-) ahahahaha
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De PP a 06.11.2017 às 23:34

"Dietas" e sexo vendem.
Como tal, assim que surge um novo (?) conceito há sempre uma seita pronta a promovê-lo, por forma a ganhar projeção e levar avante os estudos pagos por algumas empresas. Um processo algo complexo.
O artigo está muito bem escrito, tal como é hábito. Gosto da referência aos profissionais. Isto porque, da mesma forma que o nosso país é de Drs, também o é de muitos profissionais da saúde relacionada com a alimentação. E por vezes fazem afirmações tão inusitadas...
Convém reforçar que dieta não é emagrecer, mas tudo o que comemos.
Procura-se a longevidade como se o envelhecimento fosse inexistente, problemas metabólicos, etc., etc. Só que para tal, até a destruição do planeta, as consequências dos nossos incêndios, entre outros far-se-ão sentir antes das vantagens das mais milagrosas das dietas.

Abraço.

(Espero conseguir publicar o comentário. Não sei selecionå-lo e copiar no Android para o caso de algo falhar).
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De Robinson Kanes a 07.11.2017 às 08:33

"Convém reforçar que dieta não é emagrecer, mas tudo o que comemos."

E acrescentaria até, e tudo o que fazemos.

Tocaste num ponto interessante, numa das abordagens, penso que na Scientific American Mind, a questão das dietas, e dos avanços e recuos dos consumidores, eram vistas como boas para as marcas. Tenho de lá voltar e explorar.

Procura-se a imortalidade, o ser-humano não consegue viver com o facto de ter que morrer um dia. Sim, ao procurar a imortalidade estamos a auto-destruir-nos, os factos falam por si.

Abraço,

P.S: cá chegou o comentário :-)
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De PP a 07.11.2017 às 15:26

Infelizmente, face às minhas limitações para com a internet, não pude aceder às tuas hiperligações, mas o que referi recordo ter estudado em didática das ciências I. Por que razão, durante alguns anos ouvimos que consumir Coca-Cola é bom para x, y e z? Por que razão, mais tarde passa a ser, por exemplo o café? Numa só pergunta: quem paga a comunidade científica?
Por esta razão temos que ser cuidadosos. Comer o que consta da Roda dos Alimentos e Pirâmide alimentar e procurar que estes alimentos estejam o menos contaminados possível, o que não é fácil. O resto... Tretas!
Quem tem gorduras localizadas, como tal adipócitos localizados vai perde-los com a dieta da moda? Ser magro significa ser saudável? Passados tantos anos ainda não se sabe o que é Saúde, de acordo com a OMS?

(Espero conseguir publicar)
Abraço
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De Robinson Kanes a 07.11.2017 às 15:47

Ainda há pouco tempo rebentou o escândalo do açúcar, em que membros ligados à comunidade cientifica foram corrompidos para deturparem resultados e favorecer essa mesma indústria.

Cada um tem necessidades diferentes, pelo que se torna perigoso colocar tudo no mesmo lote.

Abraço!

Está publicado :-)

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