Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




AAEAAQAAAAAAAAcbAAAAJDc0OGM2MzNmLTdiMmItNGNkNC1iNj

 

 

 

Numa organização empresarial é comum, senão directiva, assumir que todos os colaboradores, todos sem excepção, são a face e a imagem da organização. O dress code é um dos exemplos mais comuns, ou então a postura perante as redes sociais de não comentar factos que não abonem a favor da organização. No entanto, ainda são algumas as violações, não só da imagem da organização mas também dos valores, ética e compromisso para com esta, o que por norma se reflecte em resultados de vendas.

 

Neste âmbito, e posto que poderia ser alargado a outras áreas dentro das organizações, esta abordagem assenta na actuação dos departamentos/responsáveis de recursos humanos. É imperial reconhecer que os colaboradores desta área devem ser dos mais motivados e esclarecidos dentro de qualquer entidade, afinal são eles a porta de entrada na mesma.

 

Podemos recorrer a vídeos brilhantes com o intuito de captar talentos e com isso projectar a imagem de que acolhemos os melhores e lhes proporcionamos condições que fazem de nós um exemplo de boas práticas. A todo este trabalho não serão subtraídas outras repercussões nomeadamente ao nível da Responsabilidade Social Corporativa (esta deve começar sempre dentro das empresas).

 

Em suma, todo este caminho para chegarmos à conclusão de que não faz sentido algum, por exemplo, ter alguém a fazer Screening ou Recruitment e que se encontra pouco preparado ou até aborrecido com o seu local de trabalho sob pena de termos falhas gravíssimas que se podem perpetuar por meses ou até anos. Permitam-me, neste sentido, o choque quando vejo juniores (sem acompanhamento) ou até seniors com anos de experiência mas pouca preparação e fraca sensibilidade a gerirem processos de recrutamento, não só de cargos de responsabilidade mas também com grande exigência ao nível da especialização. Serão muitos aqueles que apontarão custos e alguma arrogância da minha parte, no entanto responderei como Camus na Queda: “meu caro amigo, não lhes dêmos pretexto para nos julgarem, por pouco que seja, senão ficamos em frangalhos”.

 

Aquando de um processo de recrutamento, e no fundo é aqui que assenta o problema deste artigo, a face comercial, a face de toda uma organização é representada pelo departamento ou colaboradores da área de recursos humanos.

 

Tudo começa no anúncio, quando se publica a oferta, que não é raro apresentar um copy-paste de outros anúncios sem olhar às especificidades do perfil pretendido ou então, ainda mais calamitoso, a presença de erros crassos de ortografia. É a partir daqui que a venda da imagem da nossa organização já está a ser mal concretizada, sobretudo em termos de qualidade e rigor. Acresce ainda que os filtros em relação ao perfil não irão ter qualquer efeito.

 

Mas, imaginemos, o nosso candidato remete a sua candidatura e o que surge não é mais que um email automático (o que já não é mau) ou uma total inexistência de retorno por parte do recrutador. Peguemos na segunda hipótese: “não há tempo nem disponibilidade para responder a tantos candidatos”; “já tenho o que preciso, não preciso de me preocupar com aquilo que não me trará nada de novo”; “não temos recursos para tanto” e por aí adiante. A oferta de desculpas é vasta, basta optar por uma. São estas as respostas mais comuns, no entanto aceitaríamos as mesmas se as utilizássemos face a um potencial cliente que nos abordasse com o intuito de contratar um dos nossos produtos ou serviços?

 

Contudo, voltemos ao nosso candidato que até foi convocado para uma entrevista, que fez um enorme jogo de cintura para estar presente na mesma, até porque se encontra a trabalhar. Nessa fase depara-se com uma postura arrogante e por vezes até agressiva (não confundir com rigorosa ou exigente). Acresce o facto de ter tido a divina honra de avançar no processo de selecção e sentir na pele tudo o que isso acarreta quer profissionalmente quer emocionalmente. No entanto, eis que.... silêncio, ausência de resposta ou algo totalmente inócuo.

 

“Compreendo como, não compreendo porquê” diria Orwell. Não compreendo porquê, mas deixámos o nosso cliente à espera e completamente ao abandono. O que fazer? Esperar que este se deixe levar pela narrativa das publicações que nos dizem que é preciso ter paciência e ai daquele que provoque a “Real Entidade Empregadora”? Acreditar que se abrirmos um novo processo este voltará? Afinal tendemos a encarar que o mercado de trabalho é assim mesmo. Atenção, mais do que nunca, muitos são os candidatos que identificam estas red flags.

 

Mas na realidade é que, chegados a este patamar, já fomos contra todos os valores, ética e cuidado que as pessoas/clientes nos merecem. Ali estão potenciais clientes, potenciais divulgadores da nossa marca. É crescente o número de indivíduos que tende a deixar de adquirir produtos ou serviços de determinada organização somente porque tiveram uma má experiência num processo de recrutamento, isto sem olvidar aqueles que carregarão uma má publicidade e não hesitarão em espalhá-la por todos os recantos da "cidade". E mais que clientes, não estaremos a descurar futuros parceiros da nossa organização que poderão um dia estar numa outra entidade com a qual possamos ter interesses comerciais? Quem nos garante que, no futuro, não possamos vir a ter necessidade desses preciosos perfis? “Perfis há muitos” diria o actor, mas atenção, bons perfis escasseiam.

 

De facto, a necessidade, para muitos, de um emprego a qualquer custo é uma realidade, mas não podemos esquecer que os candidatos também são nossos clientes e por isso devem ser tratados como tal, até porque não conseguimos medir com precisão o impacte da sua “não procura” em relação aos nossos serviços/produtos.

 

Para muitos departamentos, responsáveis e demais colaboradores da áreas de recursos humanos, uma atitude mais comercial passaria pela excelência no serviço, tal como numa boa venda e consequente satisfação por parte do cliente.

 

Podemos ir até mais longe e acreditar que, para muitas organizações, estas práticas seriam simples e agradáveis formas de Responsabilidade Social Corporativa.

Autoria e outros dados (tags, etc)


6 comentários

Sem imagem de perfil

De musiquinhas a 10.10.2016 às 20:39

Boa semana para ti e muitos beijinhos,feliz mês de Outubro,tudo de bom!!
Imagem de perfil

De Robinson Kanes a 11.10.2016 às 09:35

Muito obrigado! Renovo os votos para esse lado e obrigado por andar por estas paragens.
Imagem de perfil

De O ultimo fecha a porta a 11.10.2016 às 23:07

Um mau tratamento dos RH e uma elevada rotação, gera grande dificuldade em captar talento, mesmo que sejamgrandes players no mercado onde estão inseridas. Conheço pelo menos 3 casos .

O processo de recrutamento é o teu primeiro contacto com a empresa. Se não gostas da pessoa que te entrevista e se não tiveres mesmo a necessidade extrema de agarrar o lugar, quando sais pensas: não quero trabalhar com este fulano nem quero ouvir falar desta empresa. Se essa pessoa é assim no processo de recrutamento como será ter de lhe reportar no dia-a-dia? Isso já me aconteceu e apesar de ter recebido uma proposta decorrente da entrevista, não gostei do entalanço que me fizeram na entrevista e preferi continuar na empresa onde estava.
Imagem de perfil

De Robinson Kanes a 12.10.2016 às 09:09

Obrigado pelo comentário.

Concordo e subscrevo. Infelizmente as pessoas tendem a ter necessidade de um emprego a todo o custo e muitas vezes também o salário aí tem peso. Confesso que já deixei de ser cliente, eu e outros mais, de organizações cujo processos de recrutamento ou mesmo comportamentos na área dos Recursos Humanos deixaram muito a desejar.

"Se essa pessoa é assim no processo de recrutamento como será ter de lhe reportar no dia-a-dia?" Sim, concordo a 100%, penso que aí devemos deixar a questão formal e tentar levar a conversa para algo mais informal, pois por vezes podemos somente estar a ser testados e aquele "bicho papão" até pode ser uma "boa pessoa", mas sim não é fácil, efectivamente.
Imagem de perfil

De O ultimo fecha a porta a 12.10.2016 às 22:45

Uma questão retórica: haverá necessidade de ser um "bicho papão" numa entrevista? Sinceramente acho que não. Tem de haver humildade de parte a parte. Pelo menos vejo assim as coisas.

No meu caso, o meu salário seria melhorado um pouquito. Mas achei que o ambiente que teria não compensaria. A pessoa que me entrevistou a certo ponto disse: procuramos uma pessoa alegre que anime o staff porque as pessoas estão desmotivadas. E eu pensei: se já não gostei muito da personalidade da pessoa que me entrevistou, porque será que o individuo antes de mim saiu e os outros estão desmotivados?
Imagem de perfil

De Robinson Kanes a 13.10.2016 às 08:45

Nunca há. Já passei por entrevistas bastante exigentes, mas mesmo daquelas apertadas sem ter indivíduos armados em "bichos papões". Por vezes temos é "bichos papões" mas sem conteúdo no processo e sem um plano definido, isso "assusta-me".

Sim, é importante ter alguém que venha animar as equipas, mas como é que estão as coisas? Aí seria uma boa questão que poderia ter sido feita: "porque é que as pessoas estão desmotivadas?"... o processo de desmotivação dos colaboradores nem sempre é económico. Seria interessante também, perceber o perfil das chefias intermédias, mas isso seria mais complicado. Além disso, uma pessoa a "animar" ajuda, mas se não tiver apoio dos demais as coisas tornam-se mais complexas e de difícil execução.

Mas sim, efectivamente para se estar num projecto, tem de se estar a 100%.

Comentar



Mais sobre mim

foto do autor



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.


Mensagens

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D

Pesquisar

  Pesquisar no Blog






Copyrighted.com Registered & Protected 
CRD7-BFJD-IWHB-ZXDB