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 Fonte da Imagem:http://www.dailyherald.com/storyimage/DA/20170930/news/309309987/AR/0/AR-309309987.jpg&updated=201709300118&MaxW=800&maxH=800&noborder

 

Se há país pelo qual nutro grande simpatia é Espanha, e a região da Catalunha tem, também para mim, um valor especial. Não irei falar do referendo nem de todas as peripécias acerca do mesmo, até porque já se falou tudo. Actualmente, é fundamental ter opinião sobre tudo mesmo que não se saiba nada... Muitos dos comentadores de bancada (incluam aqui a minha pessoa) e não só, olham para a Catalunha como Barcelona, esquecem-se é da dimensão da região e da importância de outras cidades. É o que dá passar uns dias em Barcelona, ou fazer um excursão até Montserrat e achar que se conhece uma região inteira.

 

Mas o referendo da Catalunha teve em Portugal fervorosos adeptos e já nem vou falar numa certa extrema esquerda que adora o caos para se instalar nele e trocar de nome com os porcos, numa alusão à "A Quinta dos Animais" de Orwell. Como é estranho ver que os portugueses estão (ou alguns que querem que os portugueses estejam) tão interessados no referendo em Espanha e pouco interessados com o que se passa em Portugal. De facto, é uma forma de ocultar uma mentalidade provinciana fornecendo-lhe uma capa de cosmopolitismo: eu português, cidadão do mundo mas tacanho como aquando de 1143. E porque digo isto? Porque enquanto andamos (até a imprensa) interessados em fazer campanha pela independência da Catalunha esquecemos que:

 

- Para as eleições autárquicas o número de violações à lei foi elevado e a Comissão Nacional de Eleições não tem mãos a medir, punições?

 

-Ainda nas eleições autárquicas temas o protagonismo de candidatos que têm/tiveram problemas com a lei e chegaram inclusive a prejudicar-nos a todos. Votamos nesses que nos defraudaram em milhões, mas defendemos a prisão e queremos distância daquele que roubou uma peça de fruta de um hipermercado. O concelho mais desenvolvido do país, ou pelo menos um deles, mostrou que a corrupção e as máfias são uma coisa boa. Dá que pensar o conceito de desenvolvimento em Portugal...

 

-Tivemos um Presidente da República (eu sei que não ganho pontos com isto, sobretudo nesta plataforma, talvez tenha de começar a fazer elogios ao mesmo) que esta semana dividiu os portugueses em dois: os distraidos e os que gostam dele. Fica sempre bem ao Presidente que se diz de todos os portugueses. Esse mesmo presidente que, mais uma vez, fez chantagem com o povo e dividiu os portugueses nos que votam e nos que não votam. Parece-me que um especialista da área e o defensor máximo da Constituição tem de fazer reciclagem nesta matéria. Marcelo por vezes parece deslizar ao seu passado anterior a 1974...

 

-Tivemos um Primeiro-Ministro criminoso (e não estou a falar de José Sócrates) que, e com a conivência da lei, travou um caso judicial, o célebre caso das escutas que, segundo o Ministério Público, se revestia de crimes de extrema gravidade para o país e para o Estado Democráctico. Também pactuou com o crime quando "ignorou" um parecer da Procuradoria Geral da República que dizia, mais ou menos desta forma, que esta legislação permitia que alguns interesses instalados se perpetuassem mesmo lesando ao mais alto nível o Estado Democrático. Se isto não é ser criminoso, o que será? Pouco falado foi também este caso...

 

- A investigação à Caixa Geral de Depósitos, prometida pelo Primeiro-Ministro, continua por fazer. Dos incêndios e da prevenção, pouco ou nada se sabe (o povo merece ser informado), dos donativos, todos "sacudiram água do capote", como se  ninguém soubesse o cancro são muitas instituições sociais, associações e ONG em Portugal. Talvez no Natal se volte a falar dos incêndios quando o folclore já prometido pelo nosso Presidente da República tiver lugar.

 

- Por acaso alguém sabe do Partido Comunista e do Bloco de Esquerda? Não os tenho visto... E no fundo, ondem andam também os outros? Um deles anda mais preocupado com a Catalunha, para ocultar desaires nas eleições - afinal as licenciaturas em teatro têm aplicação prática na política.

 

Mas o mais importante é o referendo na Catalunha, isso sim, deve tirar o sono aos portugueses. Não é por querer mostrar que estou muito interessado num referendo inconstitucional na Catalunha que varro para debaixo do tapete o meu provincianismo. Até ficamos espantados e veiculamos notícias de cargas policiais que, supostamente, chocaram o Mundo. Não chocaram nada! Violou-se claramente a lei e foi preciso restablecer a mesma! Atacar violentamente uma autoridade no cumprimento do dever não é um crime, mas proteger a lei já é? Em muitas situações estivemos perante um bando de arruaceiros a desafiar a autoridade policial e um outro sem número de cidadãos a tentar evitar que os muitos agitadores o fizessem... Mas, mais uma vez, a comunicação social foca-se apenas num dos lados e num pseudo-poder (ou retiro o "pseudo") que é um clube de futebol a tomar partido por uma independência e a ter um destaque como se de um grande movimento revolucionário se tratasse. O futebol, esse símbolo de boas práticas...

 

Finalmente: e se a Madeira, os Açores ou até o Algarve decidirem ser independentes? Também vamos ser assim tão defensores dessas causas? E por acaso, não estarão os portugueses esquecidos de Olivença? Tanto folclore em torno da independência da Catalunha, mas a questão de Olivença continua sem ser resolvida desde o Congresso de Viena em 1815 onde a própria Espanha reconheceu a soberania portuguesa sobre aquela área. Sugiro sim um referendo a Olivença e aí talvez tenhamos a surpresa ao perceber que quem lá habita não quer fazer parte de Portugal. 

 

Falar e querer ver o caos nos outros é fácil, desde que não nos toquem nas feridas e assim possamos ir alimentando a decadência disfarçada de prosperidade... Pelo menos para alguns... 

 

Finalmente, fazer o que nos apetece sem ter consequências dos actos não é Democracia... Tem outro nome e não é Democracia, mas é melhor não o dizer, sob pena de ferir susceptibilidades e despertar paradoxos de pensamento.

 

Boa semana...

 

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35 comentários

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De C.S. a 02.10.2017 às 10:47

Pumba! Outro post para ser destacado.

Começo por Espanha, que tal como tu, adoro. A questão para mim que a vejo de fora é algo simples: não sou a favor da independência e não, não é por o Barcelona deixar de jogar com o Real. Contudo, acho que Rajoy está a dar um tiro no pé. Combate-se um referendo com violência? Para mim a violência nunca é o caminho.

Quanto ao nosso Portugalinho, por cá acontecem coisas fantásticas. Isaltino tinha com ele uma legião de fãs. Realmente os portugueses adoram admirar criminosos. Lembraste do Palito? Foi aplaudido em público, coisa que até hoje não compreendo.
Nas tuas palavras li (mas pode ser má interpretação) a mesma descrença que eu tenho na classe política portuguesa. Em Portugal, regra geral, é uma classe que está completamente minada ao nível ético e, aos meus olhos, ainda terá que aparecer na política alguém que esteja realmente disposto a servir e não a servir o seu próprio umbigo.
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De Robinson Kanes a 02.10.2017 às 12:41

:-)

O referendo é contra a lei e a violência, independentemente do número de feridos, não chegou a extremos de pré-guerra. Esquecemos que Espanha ainda tem muitas cicatrizes da guerra civil, especialmente na Catalunha. Aliás, Rajoy chegou a ser comparado a Franco, pelos suspeitos do costume... Seria interessante se esses suspeitos se comparassem a Estaline, que dizer? A polícia estava lá para fazer cumprir a lei e o uso da força está legitimado em muitas situações que a mesma não é cumprida. A verdade é que raras vezes a independência de um país ocorre sem violência, excepto em casos como o da antiga Checoslováquia, em que Checos e Eslovacos se entenderam... Também pelo passado que já havia sido de divisão...

Isaltino foi eleito democraticamente... Lembro-me de ter dito o mesmo em relação a Donald Trump. Temos de aceitar, embora também possamos fazer as nossas leituras. O "Palito" foi um herói do povo com o apoio de outros "suspeitos do costume"... E... Isaltino também...

Não tenho partido político, não votei (não tenho vergonha de dizer, mesmo que o discurso de muitos me queira fazer sentir assim). Penso que conservo a minha imparcialidade, além disso, na minha área de residência não me revia em nenhum dos candidatos. Votar é um "dever", mas não votar é um "direito". Além disso, o apelo ao voto, dá-se porque não se quer discutir uma crise de Democracia alicerçada nos interesses partidários... Isto não impede que me identifique com este ou com aquele político... Mas cor/orientação partidária não a tenho. Mais que governar pelas máquinas partidárias e ao encontro do "poder pelo poder" é importante governar para todos... Mesmo que com decisões difíceis e que possam prejudicar em determinado momento este ou aquele.



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De Luis Costa a 02.10.2017 às 11:50

Porra.Grande bomba!!!!!!!!!!!
Parabéns pela coragem em ver o que muitos não querem ver.
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De Robinson Kanes a 02.10.2017 às 12:33

Também não será para tanto...

Todos temos olhos...
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De Robinson Kanes a 02.10.2017 às 12:56

Por falar em bomba... Depois deste artigo já perdi mais um seguidor que me havia adicionado recentemente...
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De Marta Elle a 02.10.2017 às 15:19

Eu acho que a Catalunha devia continuar a pertencer a Espanha, mas eles é que sabem. Parece-me muito mal o Governo tentar impedir o referendo.
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De Robinson Kanes a 02.10.2017 às 16:10

É uma opinião. Obrigado :-)
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De Maria Araújo a 02.10.2017 às 20:15


Confesso: não consigo entender o porquê de a Catalunha querer ser um estado independente, mas também não meter o nariz em coisas que não sei.
Quando tal, toda a Espanha desintegra-se, como a Galiza já manifestou interesse, também.

Por cá, sinceramente, estou farta destes gajos, políticos a não políticos, banca, povo, e o raio que os parta.
Mas gostei deste post, e acho que é preciso coragem e conhecimento para mostrar a verdade.
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De Robinson Kanes a 02.10.2017 às 21:11

E parece que poucos se recordam da questão basca...

Gostei do seu desabafo... Penso que é o sentimento de muitos...
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De HD a 02.10.2017 às 20:54

Tens razão, não ganhas muitos pontos com esta posição...
... mas é mesmo assim: dizer as coisas com têm de ser ditas!!!

Usarem o referendo da Catalunha como (mais uma...) manobra de distração para o que se passa dentro de portas... é só vergonhoso! :s
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De Robinson Kanes a 02.10.2017 às 21:12

O próprio referendo é uma manobra de distracção...

Sim, tocar no PR com um discurso negativo, actualmente é quase suicídio... Mas a verdade, é sempre a verdade...
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De HD a 02.10.2017 às 21:15

Sim e há muitas histórias que o nosso povo desconhece sobre este senhor, aparentemente imaculado...
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De Robinson Kanes a 02.10.2017 às 21:17

Existe algum "gossip" efectivamente... Mas existe muita verdade "escondida"... Queiramos ou não, Marcelo foi o primeiro Presidente da República dos "media" portugueses... Um homem que trai os seus uma vez, não hesitará em praticar o mesmo acto no futuro :-)
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De HD a 02.10.2017 às 21:21

E abraçamos rapidamente este enlace com a comunicação social... que nos esquecemos de muita, muita coisa!
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De Robinson Kanes a 02.10.2017 às 21:24

Falta espírito crítico, envolvimento... Até percebo que se deixem envolver pela comunicação social, mas podem sempre ir mais longe...
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De HD a 02.10.2017 às 21:26

Mas a tendência é mesmo a rendição ao impacto da notícia e da ausência de sentido de crítica...
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De Robinson Kanes a 02.10.2017 às 21:31

Deveras... Numa época em que temos "mais" conhecimento que nunca... Não se percebe... Andamos anos na escola a fazer o quê?
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De Robinson Kanes a 02.10.2017 às 21:40

Numa época que temos acesso a tanto conhecimento... Andamos também tantos anos na escola a fazer o quê?
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De HD a 02.10.2017 às 22:01

A educação é agora aquela pequena amostra de conhecimento que desvanece a cada escaparate social...
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De Robinson Kanes a 02.10.2017 às 22:56

Essa foi de mestre... :-)
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De HD a 02.10.2017 às 23:03

Olhe que não... ;p
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De Robinson Kanes a 03.10.2017 às 09:11

Muito bem! Muito bem Sr. Deputado... Olhe que sim :-)
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De O ultimo fecha a porta a 02.10.2017 às 22:27

Por vezes prefere-se desviar as atenções.
Mas cuidado com o referendo na Catalunha porque a situação é bem mais grave do que parece principalmente para Portugal. A Espanha é o nosso único vizinho terrestre e principal parceiro comercial e económico.
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De Robinson Kanes a 02.10.2017 às 22:55

Aí é que está... Muitos interessados em ver o "circo a pegar fogo".
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De P. P. a 02.10.2017 às 23:39

Adorei a verdade acerca do nosso país.
Votar?
Quem são os nossos políticos?
Quais são as suas reais intenções?
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De Robinson Kanes a 03.10.2017 às 09:14

Essa é a grande questão: vota-se em partidos, no umbigo e em nomes mas não se vota em projectos.

Agora em poucas palavras disseste tudo :-)
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De pvnam a 03.10.2017 às 22:27

É A LIBERDADE QUE ESTÁ EM CAUSA: é preciso dizer não aos hitlerianos que não suportam a existência de outros; leia-se: SEPARATISMO-50-50.
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Explicando melhor:
---»»» Todos Diferentes, Todos Iguais... ou seja, todas as Identidades Autóctones devem possuir o Direito de ter o SEU espaço no planeta -» inclusive as de rendimento demográfico mais baixo, inclusive as economicamente menos rentáveis.
-» Os 'globalization-lovers', UE-lovers e afins, que fiquem na sua... desde que respeitem os Direitos dos outros... e vice-versa.
-» blog http://separatismo--50--50.blogspot.com/.
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Nota 1: Os Separatistas-50-50 não são fundamentalistas: leia-se, para os separatistas-50-50 devem ser considerados nativos todas as pessoas que valorizam mais a sua condição 'nativo', do que a sua condição 'globalization-lover'.
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Nota 2: É preciso dizer NÃO à democracia-hitleriana; isto é, ou seja, é preciso dizer não àqueles que pretendem democraticamente determinar o Direito (ou não) à Sobrevivência de outros.
[obs: nazi não é ser alto e louro, blá, blá... mas sim, a busca de pretextos com o objectivo de negar o Direito à Sobrevivência de outros]
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NACIONALISTAS EUROPEUS: Retirem as palas de burro que têm enfiadas na cabeça!
Leia-se: reconheçam que o problema é global: QUALQUER POVO AUTÓCTONE do planeta que queira ter o SEU espaço no planeta, que queira sobreviver pacatamente no planeta, que queira prosperar ao SEU RITMO... corre sérios riscos de levar com um genocídio em cima!
Um exemplo: em pleno século XXI tribos da Amazónia têm estado a ser massacradas por madeireiros, garimpeiros, fazendeiros com o intuito de lhes roubarem as terras... muitas das quais para serem vendidas posteriormente a multinacionais (uma obs: é imenso o património no Brasil que tem estado a ser vendido à alta finança).
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É NECESSÁRIO MOBILIZAR RESISTENTES AUTÓCTONES DO PLANETA PARA O SEPARATISMO!
(manifesto em divulgação, ajuda a divulgar - é necessário um activismo global)
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UM PROBLEMA GLOBAL -» mercenários (ao serviço da alta finança), aspirantes (a donos-disto-tudo) e penduras (lambe-botas) estão impregnados de hitlerianismo: não suportam a existência de outros!
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Os MERCENÁRIOS ao serviço da alta finança (capital global) trabalham para a eliminação de fronteiras: a alta finança ambiciona terraplanar as Identidades, dividir/dissolver as Nações para reinar...
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Os mercenários gostam de evocar (como se tal fosse o único valor existente no planeta) que o SEPARATISMO vai provocar problemas económicos.
Na sua cegueira anti-Trump (tocou no tema-tabu -» fronteiras), os mercenários chegaram ao ponto de andar a evocar a imigração para a América... quer dizer, ao mesmo tempo que eles andam por aí a acusar povos de deixarem 'pegada ecológica' no planeta, em simultâneo, os mercenários revelam um COMPLETO DESPREZO pelo holocausto massivo cometido sobre povos nativos na América do Norte, na América do Sul, na Austrália, que (apesar de serem economicamente pouco rentáveis) tiveram o «desplante»... de quererem ter o seu espaço no planeta, de quererem sobreviver pacatamente no planeta, de quererem prosperar ao seu ritmo.
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ASPIRANTES: pessoal dotado de uma elevada taxa demográfica... ambiciona/aspira ser dono-disto-tudo.
.
.
PENDURAS: na Europa existem muitas comunidades nativas penduras -» não trabalham para a sustentabilidade da sociedade (média de 2.1 filhos por mulher)... penduram-se na boa produção demográfica de outros!
[e mais, os penduras ao mesmo tempo que são contra a repressão dos Direitos das mulheres, em simultâneo, são uns lambe-botas da boa produção demográfica daqueles que tratam as mulheres como 'úteros ambulantes' - exemplo: islâmicos]
{Os penduras são uns lambe-botas dos aspirantes a donos-disto-tudo e da alta finança}
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De Robinson Kanes a 03.10.2017 às 23:33

Sem qualquer ironia, permita-me, antes de tudo, um agradecimento pelo cuidado que teve em ler e em comentar de forma tão profunda o meu artigo.

Tentarei responder e criar algum consenso onde for possível, todavia comparar a situação actual com a Alemanha Nazi dos anos 30 e 40 do século XX parece-me exagerado, pelo que tentarei não ir por aí - não vou discutir esses pontos.

"
---»»» Todos Diferentes, Todos Iguais... ou seja, todas as Identidades Autóctones devem possuir o Direito de ter o SEU espaço no planeta -» inclusive as de rendimento demográfico mais baixo, inclusive as economicamente menos rentáveis.
-» Os 'globalization-lovers', UE-lovers e afins, que fiquem na sua... desde que respeitem os Direitos dos outros... e vice-versa."

Todos diferentes todos iguais perante a lei... O caso da Catalunha nem é por uma questão de rendimento mais baixo. Concordo consigo, na defesa dos Direitos Humanos, mais do que na defesa dos "direitos dos outros". Lealdade é um dever. Além disso é preciso ir mais longe e perceber os objectivos de futuro e não vejo isso a ser falado na Catalunha. Vejo a independência pela independência.


"Um exemplo: em pleno século XXI tribos da Amazónia têm estado a ser massacradas por madeireiros, garimpeiros, fazendeiros com o intuito de lhes roubarem as terras... muitas das quais para serem vendidas posteriormente a multinacionais (uma obs: é imenso o património no Brasil que tem estado a ser vendido à alta finança)."

Penso que este meu artigo responde a esta questão: http://naoequenaohouvesse.blogs.sapo.pt/a-matanca-dos-indigenas-da-amazonia-aos-59345


"revelam um COMPLETO DESPREZO pelo holocausto massivo cometido sobre povos nativos na América do Norte, na América do Sul, na Austrália, que (apesar de serem economicamente pouco rentáveis) tiveram o «desplante»... de quererem ter o seu espaço no planeta, de quererem sobreviver pacatamente no planeta, de quererem prosperar ao seu ritmo."

Portugal aqui também tem a sua "pegada" histórica... Aliás, foi pioneiro.

Também não vou comentar a questão Islâmica e outras. Parecem aqui não ter grande sentido. Perdoe-me por denotar que existem muitas ideias expostas no seu argumento mas que não estão ligadas e não vão ao essencial da questão catalã. Penso que é por aí que devemos ir.

Mais uma vez, obrigado pela participação.

P.S: sobre a questão demográfica muito haveria a dizer...
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De Anónimo a 13.11.2017 às 11:46

Não, este texto não visa discutir o problema da Catalunha. Sobre isso, prefiro escrever algo especificamente virado para o tema.
   Este texto destina-se a tentar denunciar algumas das contradições em que caiem tantos e tantos comentadores, pouco importa a sua importância, ao quererem ligar a Catalunha e Olivença.
   Primeiramente, há a destacar uma mudança de atitude. Quero eu dizer que ao silêncio sepulcral sobre a situação específica da questão oliventina, ou sobre novidades recentes ligadas a esse tema, e muitas delas bem surpreendentes são, se contrapõem agora citações quase diárias sobre Olivença, seja nos grandes jornais, seja nas redes sociais, produzidas, quer por anónimos ou gente pouco conhecida, quer por grandes e consagrados cronistas. O único problema é que são, quase sempre, despropositadas... ou baseiam-se nos aspetos mais preconceituosos sobre o tema, quando não caiem na ofensa, no humorismo fácil, ou num tom jocoso e depreciativo.
   Onde têm estados todos estes "especialistas" quando, desde há meia dúzia de anos, se começaram a tornar notórios esforços culturais de recuperação do passado luso de Olivença, por parte dos autóctones (repito: dos autóctones), bem como de preservação da cultura portuguesa que ainda exista e que possa ser salva ou até revigorada? Onde estavam, repito, quando muitos e muitos oliventinos (centenas) começaram a pedir a nacionalidade portuguesa? Não vi nada escrito nem divulgado. Pude verificar que, em muitos casos, esse silêncio se devia a uma opção quase declarada pelo desprezo em relação aos factos!
   Na verdade, o que se está a fazer em Olivença, porque feito de forma pacífica, sem carácter reivindicativo (não se põe o problema das razões, ou falta delas, do conhecido litígio sobre a legalidade da soberania espanhola em Olivença, mesmo porque esse é um problema a ser debatido entre os governos de Lisboa e Madrid, e de modo nenhum as organizações autóctones se querem meter nesse assunto), porque visando aquilo que é mais essencial (a salvaguarda duma cultura, a recuperação da Língua Portuguesa, o conhecimento da História), não tem, ou pouco tem, chamado a atenção dos "media", dos intelectuais, dos jornalistas, dos mais simples comentadores nas redes sociais.
   Parece haver quem, em relação a estes temas, prefira a sensacionalidade do superficial, o efeito de impacto de pequenos detalhes, de preferência chocantes, à análise dum trabalho honesto, de fundo, consistente e orientado por critérios, digamos, mais profundos.
   Pare-se de equiparar Olivença à Catalunha. Não há relação nenhuma! Há diferenças e intransponíveis! Resumindo: em Olivença, há todo um trabalho cultural, de fundo, que, para ser continuado e consolidado, precisa de ser cabalmente separado dum problema interno de um Estado (Espanha), em confronto com a vontade de alguns dirigentes duma região (a Catalunha), que pretendem separar-se desse Estado e formar uma nova entidade política. E repito: não há, por parte dos oliventinos, o desejo de reivindicar seja o que for que envolva problemas diplomáticos. Logo, o paralelo é abusivo. Pior: estabelecendo tais comparações, prejudica-se o labor dos próprios oliventinos, cujas intenções podem ser mal interpretadas. 
   Acima de tudo, há muita desinformação sobre este tema. Muito se agradecia que os inúmeros comentadores, profissionais ou amadores, se debruçassem sobre este tema começando por tentar saber o que se passa por Olivença de facto. E, claro, nunca o ligando ao problema da Catalunha. Muito menos com algum anti-espanholismo bacoco e pseudo-patrioteiro. Temos de nos convencer que a felicidade de um povo ou de um país não pode depender da infelicidade doutros povos ou doutros países!
   Desejo que tudo se resolva. entre as autoridades de Barcelona e de Madrid, de forma pacífica e democrática, com respeito pelos direitos humanos e pela liberdade. Digo isto com a maior das sinceridades.
   Renovo, no fim, o meu apelo: parem de buscar paralelos entre a Catalunha e Olivença!
 
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De Robinson Kanes a 13.11.2017 às 12:50

Espero que não me esteja a chamar de comentador ou até "blogger", ainda não cheguei a tanto e... Honestamente... Nem sei se pretendo.

Fala bem no silêncio acerca de Olivença e é pena que ainda perdure e só seja utilizado, como mais uma vez diz, e bem, para fazer um paralelo com a Catalunha. No que a este ponto concerne, utilizo Olivença como forma de demonstrar que estamos mais interessados em ver Espanha a desmoronar do que propriamente a resolver essa questão que é nossa... São coisas distintas e o meu foco, sobretudo neste artigo, vai mais longe do que o referendo.

Para mim, e sublinho que me sinto melhor em Espanha do que por cá, a questão de Olivença está, supostamente resolvida por um tratado, é só dar o devido seguimento ao mesmo, embora não me pareça esse o desejo da maioria dos que lá habitam.

Se me fala em preservar o que há de português em Olivença? Claro que sim! Não é por ser um território espanhol ou português que deve levar a que a cultura local e a própria história sejam riscadas do mapa. Sabemos as consequência disso noutras regiões do mundo.

Se me perguntar se Olivença e Catalunha são a mesma coisa? Não! Aliás, a questão de Olivença é, para mim, bem mais simples e a catalã bem mais complexa, daí não perceber a atitude de muitos que menciona (eu incluido, muito provavelmente).

No entanto, e posto que achei o seu comentário muito, mas muito pertinente, convido-o a expor a situação de Olivença e quem sabe ajudar a que se faça luz para muitos que parecem ter esse tema como um não-tema. Convido-o até a escrever sobre o mesmo aqui neste espaço onde lhe serão dados todos os direitos e exclusiva responsabilidade sobre o que disser.
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De olivencalivre a 13.11.2017 às 14:20

ROMPENDO O SILÊNCIO(1.ª PARTE DE TRÊS)

(A ESPANHA, A CATALUNHA, A EUROPA; ALGUMAS REFLEXÕES)





Carlos Eduardo da Cruz Luna///Rua General Humberto Delgado, 22, R/C 7100-123-ESTREMOZ CC 04737795
//268322697//939425126 (Prof. História e formado pela Faculdade
(Clássica) de Letras de Lisboa; oposicionista ao regime de Marcello
Caetano desde 1972)(Bloco de Esquerda)


Pensei que conseguiria ficar em silêncio perante os recentes acontecimentos em Espanha. Não porque não tivesse opinião sobre o problema da Catalunha, mas porque entendia que esse era um problema interno espanhol. Por ironia, tendo-me dedicado muito, desde há trinta anos, a estudar as questões relacionadas com o velho litígio de Olivença, ainda menos me sentia à vontade. Na realidade, o problema da Catalunha tem reflexos negativos sobre alguns aspetos ligados a este problema. Um grupo de oliventinos tem, com sucesso crescente, despertado muitos dos seus conterrâneos para as vertentes históricas, culturais, e linguísticas da cultura local, e até têm surgido pedidos de nacionalidade portuguesa. Evidentemente, este grupo não deseja pronunciar-se sobre as questões de soberania, ainda pendentes, entre Portugal e Espanha. Limita-se a reclamar o direito a restaurar a memória, necessariamente portuguesa, que é propriedade do povo local. Claro que a questão levantada pela situação na Catalunha, ao levar a um recrudescimento de afirmação do nacionalismo espanhol, só pode ser prejudicial a este caminho, pois, para muitos setores, o despertar das raízes lusas de Olivença poderá significar que, também ali, se quer de alguma forma beliscar a unidade espanhola. Convém acentuar que não é legítima qualquer comparação entre Olivença e a Catalunha. Na primeira, estamos perante um pequeno território de dois municípios (Olivença e Táliga) que quer recuperar o que indiscutivelmente lhe pertence: a sua História. Que foi a que foi, independentemente do Estado que exerce a sua soberania. Para os dinamizadores desta atividade, a questão da soberania é um aspeto secundário, mesmo porque tais problemas se equacionam a nível diplomático, e entre governos nacionais, e não a um nível que pouco mais é que municipal.

Outro problema é o da unidade da Espanha e do direito, ou não, de alguma das suas comunidades se poder converter num estado independente. Aqui, o que tenho lido enferma, muitas vezes, duma tal ilogicidade, que não resisto a fazer alguns comentários. Serão um desabafo, talvez. Entenda-se como se queira!

Talvez por estar ligado ao estudo da História, creio que esta questão tem de ser examinada a esse nível. Na verdade, ao longo dos séculos, na Europa, várias nações foram ganhando a sua unidade e foram-se transformando em estado modernos. Todavia, não se pode pretender ignorar que os povos, ou as pequenas comunidades, ou, se se quiser, muitas pequenas nações, foram simplesmente ignoradas e submetidas aos estados mais extensos e modernos que se constituíram. Sem ir mais longe, em França, os bretões, dotados duma individualidade própria, nunca puderam constituir-se em estado soberano. E já nem falo dos corsos, mais italianos que franceses, anexados à França no século XVIII... porque a ilha foi vendida pelos genoveses.

(CONTINUA/MAIS DUAS PARTES)

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