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https-::ofpof.com:merak:meslekten-sogutan-musteri-

Fonte da Imagem: https-//ofpof.com/merak/meslekten-sogutan-musteri-tipleri

(artigo publicado originalmente a 13/10/2016, hoje reeditado, após a constante leitura, sobretudo na blogosfera, de autênticos ataques a quem trabalha, por norma, por pessoas que atrás de um monitor descarregam a sua frustração nos outros com o "patrocinio" do "Sapo", tentando sobrepor-se e colocar-se em "bicos de pés face" àqueles que acrescentam algo na sociedade. Como na sociedade, também na blogosfera também nas redes sociais temos o comportamento provinciano que dá grande sentido à expressão popular "não sirvas a quem serviu, nem peças a quem pediu").

 

 

Em Portugal existem algumas elites que, em meu entender, merecem um forte agradecimento - um agradecimento que vai para além do reconhecimento por intermédio de falsas manobras publicitárias.

 

Refiro-me aos políticos, aos directores de grandes empresas, àquele amigo que nos arranjou um bom trabalho mesmo sem termos competências para o mesmo, aos futebolistas, àqueles bloggers que se querem julgar mais que os outros seres da sociedade? Não! As personagens desta peça são outras.

 

Prefiro mencionar os empregados de mesa, os empregados de limpeza (inclui aqueles senhores que nos limpam os vidros e aquelas senhoras que aguentam a nossa falta de higiene e cuidado quando almoçamos no shopping, por muito que passemos a mensagem de que somos todos limpinhos...), as pessoas que nos limpam as ruas e os operacionais de super e hipermercados e que dão o melhor de si para que a nossa vida seja mais agradável e sem percalços.

 

Dirão: “e? Isso qualquer um faz!”. É um facto, então porque não fazem vocês? Direi eu... E se eu vos disser (imaginemos que a alguns bloggers, utilizando esta comunidade como exemplo) que o "texto" que têm nos destaques não vale rigorosamente nada e revela um sentimento de inferioridade atroz camuflado por uma necessidade de se colocar em bicos de pés perante quem não se pode defender? Lamento, ser blogger não é diferente de limpar uma retrete... Lamento mesmo e mais uma vez, não... Não somos assim tão importantes. 

 

Já tive oportunidade de viajar , de conhecer diferentes abordagens e perceber que, se não temos os melhores empregados de mesa do mundo e talvez o melhor atendimento ao cliente nas grandes superfícies não andamos muito longe da perfeição. Não vou nomear cidades europeias nem fora da Europa sob pena de ser injusto com muito boa gente que também dá o seu melhor além fronteiras.

 

Mas o paradoxo atinge o seu expoente máximo de... estupidez (perdoem-me o termo) quando “desancamos” (inclusive online) aquele simpático senhor que nos serviu um saboroso café, mas por lapso lá se esqueceu da colher ou porque trouxe o pacote de açúcar e nós nem tomamos o café com açúcar. No entanto, elogiamos (porque aí já é no estrangeiro) aquele antipático senhor que nos atirou um prato para cima da mesa, não se esforçou em compreender a nossa língua, não nos cumprimentou, ficou de mão estendida à espera de gratificação e ainda nos tratou com algum desprezo . Não fica bem dizer que as coisas correm mal quando estamos fora do nosso país, porque é importante ter uma história fascinante para contar.

 

O reconhecimento necessita de ter a sua origem no cliente, que insiste em não reconhecer muitos destes trabalhadores. Isso pode ser até um grande passo para o reconhecimento por parte dos líderes das organizações empresariais. E não basta espalhar com palavras e textos vagos que temos admiração pela pessoa que trabalha muito e só aufere €550.00 por mês. Vamos lá, até a "Miss Universo" consegue melhor e com sorte ainda são os impostos desses €550.00 que permitem a muitos estar aqui a escrever.

 

A grande maioria não é a mais bem remunerada, mas mesmo assim têm uma capacidade de sorrir e de nos envolver emocionalmente no processo de compra . Sejamos honestos, sorrisos e um total envolvimento não é muito comum.

 

Atentemos nos indivíduos que, por vezes até auferem um vencimento superior e ocupam posições com maior destaque mas que, ao invés do título de assistente de loja ou vendedor, têm o de Sales Assistant ou Account Manager - neste campo existem centenas de exemplos que poderia mencionar, sobretudo de supervisores e directores incapazes de resolver situações perante o cliente e que só são devidamente soluccionadas pelo colaborador da linha da frente - o soldado raso que dá o corpo às balas, utilizando aqui uma metáfora militar.

  

Importa não ver estes indivíduos como sacos de boxe como muitas vezes tenho presenciado – discussões inúteis, desprezo, sobranceria e até um assustador sentimento de superioridade (ou melhor, vontade de) em relação a estes - esquecemos que são pessoas e cujo trabalho muitas vezes até é bem mais honroso que o nosso e não podemos descurar que operacionalmente fazem um esforço que muitos de nós não faríamos... ou não conseguiríamos. E lá diz o povo novamente: "não peças a quem pediu, nem sirvas a quem serviu". Permitam-me também usufruir da minha liberdade e defender-me (suportado em Orwell) dizendo que "se a liberdade significa alguma coisa, será sobretudo o direito de dizer às outras pessoas o que elas não querem ouvir".  

 

Eles estão a fazer o trabalho que lhes compete? Sim, mas também elogiamos um médico quando ele nos avalia e nos receita uns comprimidos para a nossa doença - afinal também é pago para isso a não ser que se trate de um espécie de João Semana.

 

Da próxima vez que a nossa postura seja a de estar mal com a vida, estar mal connosco próprios ou questionarmos o porquê de termos sido castigados pelos deuses tal qual Sísifo, vamos agradecer e elogiar aqueles que nos servem com um sorriso no rosto e, mesmo perante o nosso estado depressivo ou agressivo, vão servir-nos aquele fantástico Bacalhau com Natas. Aquele bacalhau que nos vai fazer tão bem depois de uma manhã em que a vontade de enfrentar um processo judicial por ter eliminado alguém da face da terra nunca esteve tão presente. Ninguém tem de adivinhar se uma "coca-cola" ou "ice-tea" é com limão ou sem limão. Meus caros, vocês não são a Rainha de Inglaterra... Eu sei que gostariam de ser, mas não são e também não têm valores nem classe para o ser. Talvez sejam vocês, que se tiverem chefias ou clientes que criticam o vosso trabalho, não lidam bem com a crítica e acumulam frustração atrás de frustação.

 

Os mais casmurros dirão, como o fez Ehrenreich numa visão mais individualista, que agradecer, por exemplo, pode ser algo egoísta em prol do nosso próprio bem-estar. A resposta, nesse âmbito, é simples: se o nosso bem-estar gerar o bem-estar de outrem, porque não? A força maior está naquilo que Robert Emmons defende, ou seja, que a gratidão assenta no facto de reconhecermos a nossa ligação ou até mesmo dependência em relação a alguém ou ao trabalho desse alguém. Esse talvez seja um exercício difícil para quem quer ser ouvido, mas não quer ouvir, preferindo assim o debitar de alarvidades. Além disso, dizer bem não pode ser só quando queremos algo de quem dizemos bem ou somos pagos para o fazer.

 

Mas a senhora da limpeza hoje estava de mau humor! Soa a cliché, mas a resposta óbvia é: comportamento gera comportamento e sempre somos humanos... temos emoções. No dia em que todos esquecermos isso então já não podemos falar em Humanidade e será absolutamente necessário partir no encalço de um novo conceito.

 

 

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52 comentários

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De Sr. Solitário a 13.10.2016 às 11:56

Concordo totalmente contigo. Por vezes temos que levar com cada um!
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De Robinson Kanes a 13.10.2016 às 15:07

Obrigado pelo comentário. Efectivamente, vejo pessoas a descarregarem completamente as suas frustrações e a falta de auto-estima nestes profissionais.
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De O ultimo fecha a porta a 13.10.2016 às 21:17

É verdade o que escreves. Por vezes, algumas pessoas sentem a necessidade de "descarregar" o mau humor e frustrações nestes profissionais.
Lembrei-me que alguns emigrantes portugueses sofrem desse estigma em França: muitos franceses vêm os portugueses como os trabalhadores das obras e os que limpam os WC - fazendo o trabalho que ng quer fazer para ganhar uns trocos.
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De Robinson Kanes a 14.10.2016 às 10:21

Sim, esse estigma existe, mas infelizmente no nosso país também. Tendemos a esquecer que é a "Arte de Servir".

Efectivamente como arte perdeu um pouco do seu glamour, muitos profissionais não estão sequer habilitados para servir como manda a dita arte.

Infelizmente, também penso que padecemos um pouco daquela máxima popular: "não peças a quem pediu, não sirvas a quem serviu". Isto porque me debato com algumas circunstâncias em que vejo mesmo nos olhos das pessoas o desejo de mostrarem uma "pseudo-superioridade" sobre estes profissionais.

Ainda bem que também vai existindo quem respeito, pois para mim é uma profissão nobre e respeito-a bastante.
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De Marta Elle a 11.09.2017 às 11:23

Muita gente sofre de complexos de inferioridade, e aproveita para descarregar a frustração em quem não se pode defender.
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De Robinson Kanes a 11.09.2017 às 12:10

Esta mania de "toda a gente" querer ser importante é qualquer coisa...
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De Chic'Ana a 11.09.2017 às 12:25

Não podia estar mais de acordo, é muito fácil, estar atrás de um monitor e escrever situações de bradar aos céus.. é muito fácil descarregar num qualquer empregado que está a fazer o seu trabalho e que não nos pode responder como gostaria.

Ainda a semana passada presenciei uma discussão numa caixa de supermercado, em que o cliente não tinha a mínima razão, mas queria que lhe fosse aplicado um desconto. O senhor da caixa sempre muito educado e sério, ouviu autênticas barbaridades que até a mim me incomodaram. No final foi ainda ameaçado com uma denúncia no livro de reclamações e se tal acontecesse, eu faria o contrário no livro de elogios, se este seria lido? Não sei, mas pelo menos ficaria o sentido de justiça e ficaria com uma prova de defesa caso fosse necessário...
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De Robinson Kanes a 11.09.2017 às 14:03

Hoje em dia, os monitores são as novas fortalezas, os novos "bunkers", esquecemos é que os alemães também contornaram a Linha Maginot... Além de que a exaltação da minha pessoa pelo esmagamento da outra é algo para a qual tenho pouco tolerância.

Essas discussões em supermercados são comuns. O consumidor, em meu entender, tem demasiado "poder" e, em muitos casos, tende a puxar a corda ao limite, ou porque procura descontos, borlas, ou descarregar no próximo. Eu e a minha miúda fazemos essa observação nas caixas de supermercado e não são raras as vezes em que indivíduos com os quais já nos tínhamos cruzado e apresentam uma linguagem corporal agressiva ou desconfortável, tendem a causar problemas nas caixas.

Depois existem aqueles que no emprego são os servos, mas fora do mesmo descarregam em todos aqueles que lhes aparecem à frente, e que, no entender dos mesmos, são alvos fáceis. Contudo, Portugal e não só, é um país onde o sentimento de impunidade tem vindo a prevalecer e, quando assim é...

Obrigado pelo teu testemunho, teria feito o mesmo, até porque já quase andei à pancada (ou quase levei que o senhor era bem maior que eu) quando um indivíduo quase agrediu uma funcionária numa caixa, sem ninguém perceber muito bem porquê...
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De fashion a 11.09.2017 às 13:44

Excelente texto!concordo na íntegra!
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De Robinson Kanes a 11.09.2017 às 13:55

Obrigado :-)
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De Maria a 11.09.2017 às 14:09

" Isso qualquer um faz!”. É um facto, então porque não fazem vocês?" - porque não é qualquer um que o faz!
"Lamento, ser blogger não é diferente de limpar uma retrete... " - Bingo
"operacionalmente fazem um esforço que muitos de nós não faríamos... ou não conseguiríamos." - BRILHANTE

Adoro-te Robinson. E daqui quem fala é a Maria que já serviu ás mesas e ao balcão!! E sabes que mais?
Agora que tenho um trabalho "melhor"... sinto tantas saudades desse tempo!
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De Robinson Kanes a 11.09.2017 às 17:41

Então sabes bem do que falo. Também já o fiz e ajudou-me mais tarde a ter de trocar o fato e entrar em campo sempre que era necessário - servir às mesas, ao balcão e cozinhar são experiências singulares!

É um sentimento muito comum: quando deixamos as operações e assumimos cargos de chefia ou passamos para uma área mais administrativa. Eu não consigo viver se não conseguir largar os mapas e dar uns tiros também...
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De Maria a 11.09.2017 às 19:26

Faz falta sabermo nos por no lugar do outro. E perceber que ate o. CEO supra sumo do que for, precisa do ze ninguem que lhe tira o café
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De Robinson Kanes a 11.09.2017 às 19:38

O pai da minha miúda diz uma coisa interessante: "não podemos chefiar se não soubermos fazer, como não podemos criticar sem saber fazer".

De facto é a verdade... Por norma, o CEO é o menos dos problemas, esses sabem reconhecer o "Zé Ninguém".
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De Robinson Kanes a 11.09.2017 às 19:38

Leia-se "menor" ao invés de "menos".
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De Maria a 11.09.2017 às 20:30

Tem toda a razão. A 1a empresa onde trabalhei e onde comecei como recepcionista, era de venda direta. Ninguém entrava sem levar um kit de produtos para casa para vender. Desde o informático, ao contabilista, todos tinham de passar pelas dificuldades de quem nos trazia negócio. Tive muita sorte de ter esta empresa na minha formação profissional!
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De Robinson Kanes a 11.09.2017 às 20:42

Existem muitas organizações que o fazem... E na verdade, todos devem contribuir para o negócio, não são só as vendas ou aqueles que estão na produção.
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De Luis costa a 11.09.2017 às 14:56

Hoje vai muita gente espumar da boca e mexer cordelinhos.
Abraço
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De mami a 11.09.2017 às 15:05

em primeiro: dinheiro nunca foi sinónimo de educação ;)

sou uma pessoa crítica. não gosto de ser mal atendida, nem em portugal, nem no mundo. procuro sempre utilizar críticas construtivas/ sugestões, mas quer a quem me limpa a sanita no shopping, como ao presidente da câmara cá do lugar.

a crítica não tem de ser vista do ponto de vista negativo. não me acho superior aos outros, nem acho que hajam profissões mais nobres (certamente há trabalhos mais pesados fisicamente, outros intelectualmente, mas ao final do dia, cada um tem, de cumprir o seu "dever"). procuro, de igual modo, elogiar sempre que merecido ;)

compreendo e já vi muitas das situações que referes, mas também é importante esquecer que há bons e maus profissionais em todas as áreas ;)
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De Robinson Kanes a 11.09.2017 às 17:51

Não é de facto, até porque meia-dúzia de euros em mãos de quem não tem educação, tende a acabar mal...

Só o conceito de crítica (isolado) para mim compreende as duas dimensões. É como a "discussão"... Nem sempre tem de ser má. Mas não podemos confundir a crítica negativa com a faculdade de dizer tudo e descarregar tudo aquilo que nos vem à cabeça. Além de que, por muito que tentemos, o elogio (culturalmente falando) ainda vai sendo uma coisa que custa mais a sair do que propriamente o apontar do erro...

A mim, pouco me interessa que existam profissões mais nobres ou menos nobres, o que me interessa é que todos trabalhem para um objectivo comum... Além de que, sendo director (imaginemos que uma profissão dita "nobre") a minha função está suportada nas posições ditas "menos nobres". Mas, mais uma vez, nem sempre é isso que acontece na realidade. A prova disso são os títulos nas organizações. Seriam inúteis se as pessoas não fizessem esse tipo de distinções... Já ninguém quer se "coveiro" mas sim "técnico de profundidade" :-)
Basta passar por algumas organizações que são contra o fosso entre chefias e associados, e mesmo assim encontrar o fosso protagonizado pelos primeiros... Mas disso já falei aquando do cancro das empresas nacionais e não só, que são muitas das chefias intermédias...

Embora nos tenhamos desviado do tópico, o problema não está na crítica... Está na atitude... E aí as coisas são bem diferentes. Maus profissionais? Claramente, quem não conhece um? E engraçado que todos conhecem um, mas nunca encontro nenhum que diga que o é :-)))))

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De mami a 11.09.2017 às 21:53

Técnico de profundidade, a sério?

Voltando à seriedade que devemos ao assunto em discussão, o respeito deve estar em todas as ações e contemplando todas as pessoas.

Já conheci pessoas que consideram que se tornaram mais profissionais e que por isso mudaram de emprego 😉
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De Robinson Kanes a 11.09.2017 às 23:18

Ou Assistente Cemiterial... E não estou a brincar :-)

Sim, também conheço alguns desses :-)

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De a mãe dos PP's a 11.09.2017 às 17:59

Tens razão. Ensinei o meu filho mais velho a dizer bom dia e boa tarde e a tratar de igual modo um empregado de balcão ou um presidente de junta
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De Robinson Kanes a 11.09.2017 às 18:08

Seja bem regressada a esta humilde casa :-)

Bem, ao presidente da junta, até há desculpa... :-))))
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De Maria Araújo a 11.09.2017 às 18:48

Muito bem, Robinson.
O lema de muitas pessoas é que, e no caso da empregada de limpeza, esta é paga para limpar. Há quem deixe o papel higiénico espalhado pelo chão, ou veja a vassoura junto à sanita e não a usam para limpar o que deixaram sujo ( desculpe, mas tenho de escrever isto, pois, infelizmente, e durante anos, onde trabalhava era uma nojice a casa de banho das mulheres, não custa nada servirmo-nos da sanita e deixá-la limpa para quem vá a seguir a possa usar devidamente. Eu faço isso e louvo o trabalho destas pessoas).
Em relação a funcionário de mesa, no ano passado, a minha sobrinha não quis candidatar-se ao ensino superior. Quis um ano sabático e a mãe concedeu-lho.
Foi trabalhar para um restaurante com serviço de diárias e em que a maioria dos cliente eram homens da construção civil.
Teve todo o tipo de tratamento, e ela dizia que não podia ser mal educada porque estava ali para os servir e era paga para isso.
Ao que parece, gostavam dela.
Esteve lá cerca de 3 meses. Saiu para fazer outras coisas e entretanto, o restaurante fechou.
Uns dias depois de entrar neste serviço, disse-me mais ou menos isto:
" Nunca mais vou ser arrogante para um empregado que serve à mesa. Confesso que eu era exigente e falava com algum desprezo. Sei o que é atender clientes bons, os que compreendem a minha situação, e aqueles que e tratam mal. Aquele que tenta confundir-me, pede uma bebida e depois diz que pediu um copo de vinho Reconheço que é um trabalho inglório, aprendi muito, mas eu até gosto de servir os clientes."
Acredito que por vezes, e falo por mim, estou em dia não e se alguém for inconveniente comigo, use de alguma arrogância. Ou então remeto-me ao silêncio.



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De Robinson Kanes a 11.09.2017 às 19:02

Faz bem em descrever... As palavras existem para descrever a realidade, por vezes são utilizadas para ocultar, por isso não peça desculpa. Nestes temas não há espaço para sensibilidades.

A sua sobrinha fez uma coisa que foi procurar conhecer uma arte. Servir à mesa, é uma arte. Lembro-me de em tempos falar com um veterano nessa arte e especialista na arte de trabalhar em serviço de bar. Dizia-me ele que tudo se havia perdido, que tinham transformado uma profissão tão nobre, tão interessante e cheia de magia e arte em algo que todos desprezam. Lembro-me de o ver censurar muitos colegas alertando-os para a necessidade de exercerem bem tais funções. Falou-me do respeito (trabalhou também em cruzeiros de luxo) que as pessoas tinham e da forma como o serviço era realizado - não é por acaso que o tradicional empregado de bar era o confessor de muito boa gente :-)

Acredito que muito boa gente, se abrir um manual acerca da prática de "servir à mesa", ficará de boca aberta e ao fim de dois minutos já o terá fechado... Mas mesmo no serviço mais informal, é sempre uma arte, trabalhar com pessoas e para pessoas é uma arte. E... Como disse a Maria lá em cima, hoje até tem um trabalho "melhor", mas recorda com saudade esses tempos...
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De Maria Araújo a 11.09.2017 às 20:11

Um dia de Julho, encontrei a avó paterna da minha sobrinha.
Nem imagina a insistência e o tom de tristeza e quase desgosto que manifestara pelo facto de a neta ser " empregada de restaurante".
Eu dizia que era um emprego como qualquer outro, que ela gostava do que fazia, que lhe fez muito bem.
E se ela imaginasse o que a neta fazia como voluntária, no gatil, a roupa que vestia, como saía do serviço.
Uma boa noite.


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De Robinson Kanes a 11.09.2017 às 20:44

É um sentimento comum (infelizmente), faz-me lembrar o desprezo que se dá à agricultura, mas com consequências que já se fazem notar...

Boa noite e obrigado, mais uma vez, pela partilha.

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