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ONG, bom ou mau?

por Robinson Kanes, em 19.10.16

refugee.jpg

 

Como é que se fala com uma ONG (Organização não Governamental)? Costumo colocar esta questão múltiplas vezes e chego à conclusão que existem ONG’s que fazem um papel extraordinário e com impactes directos e indirectos na vida dos cidadãos ou animais... mas...

 

... existe uma grande massa de ONG’s que provavelmente existe porque... simplesmente existe... ou é uma óptima forma de promoção dos seus “associados” ou, em último caso, piscam o olho ao tão desejado subsídio.

 

Falo de algumas experiências que me chegaram de colegas e amigos que sempre que tentam o contacto com algumas destas instituições obtêm um silêncio que se arrasta por emails e emails, sem esquecer os telefonemas e um “simpático desprezo”... também já passei por tal.

 

Experimentem, muitos de vós conseguir um emprego, mesmo quando é raramente publicitado, em algumas destas organizações e... vejam o resultado.

 

Eu quero acreditar que estão todos na rua a ajudar o próximo e não dispõe de tempo para responder àquele que lhes remeteu um email à procura de emprego, ou simplesmente quer apresentar um projecto. Em alguns casos, até para se ser voluntário é uma aventura e... em muitas delas é importante estar-se bem relacionado. Ainda me recordo de um episódio ocorrido durante um jantar em que falando de voluntariado fui abordado por um amigo que imediatamente se prontificou a arranjar aquela cunha na instituição “y”... segundo ele era uma óptima forma de entrar na política e fazer o tão aclamado... personal branding.

 

Pergunto-me, para que servem? Porque existem? Se têm um fundo de apoio social cultural ou cívico, porque não prestam retorno perante a abordagem de terceiros? Falta de meios poderá ser a resposta... sim, mas a falta de meios servirá de desculpa para não olhar, ou ignorar potenciais projectos que podem mudar a vida de muitas pessoas ou até de regiões inteiras? Não é esse o trabalho destas instituições?

 

Mas alguns poderão afirmar: “algumas delas até fazem alguma coisa”. Sim, fazem. Mas em tempos de escassez de recursos, sobretudo económicos, não seria interessante aplicar os fundos em projectos cujo impacte justificasse a intervenção? Schindler dizia que “quem salva uma pessoa, salva o mundo”... de facto, mas o contributo de 10 milhões ao invés de ser aplicado para a salvação de 1000, deve continuar a ser aplicado na salvação de 1? São questões com as quais vamos ter de nos debater mais cedo ou mais tarde.

 

Os recursos são escassos e a solidariedade dos cidadãos começa a ser cada vez menor devido à ausência de resultados visíveis que vão além de campanhas que promovem o “ajudamos X pessoas” mas por aí se perdem.

 

Não deverá também o cidadão exigir mais destas instituições, nomeadamente em termos de apresentação de resultados e que vão para além de balanços e demonstrações (o que já é algo), muitas vezes revestidos de manobras contabilísticas?

 

Não deverá, em muitas situações, o cidadão exigir um trabalho com mais empowerment ao invés do perpetuar de situações de pobreza, decadência ou deterioração com medidas paliativas que só prolongam a situação até ao colapso final?

 

E os cidadãos? Em que medida podem trabalhar bairro a bairro, comunidade a comunidade, para eles próprios serem agentes geradores de mudança?

 

(imagem: Steps of Justice, 2016)

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3 comentários

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De O ultimo fecha a porta a 20.10.2016 às 23:15

Acho que existem ONG para todos os gostos. Umas para o bem social e outras para obter tachos (empregos e subsídios). E acaba por ser as segundas que muitas vezes descredibilizam o seu papel. Acho que não se deve generalizar, mas sim a conhecer a realidade daquela organização em concreto que se quer falar. Porém, não é fácil obter informação. Quantas delas têm acessível ao público as suas contas (se é que as têm?)
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De Robinson Kanes a 21.10.2016 às 10:48

Obrigado pelo comentário.

Sim, efectivamente é importante separar as águas e quando apoiamos, ou queremos apresentar um projecto é interessante procurar toda a informação possível sobre determinada organização.

Falaste dos "tachos" sim é um facto, aliás algumas delas são autênticas oligarquias sustentadas por dinheiros públicos.

Em relação às contas, efectivamente são algumas que as tornam acessíveis, e em alguns casos, se verificarmos algumas das mais conhecidas vamos ver, como eu vi, algumas que apresentam milhões em depósitos, património e outras coisas mais... será justo que assim seja e continuem a receber subvenções estatais? E até que ponto os resultados que apresentam justificam subvenções que muitas vezes são de milhares senão milhões de euros?

Dá que pensar quando o que cada vez mais, e percebo a lógica, nos falam em contenção de custos e uma melhor e eficaz distribuição dos recursos.
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De O ultimo fecha a porta a 22.10.2016 às 16:33

São questões pertinentes.

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