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O Mundo Que Não Pára mas que nos Pára.

por Robinson Kanes, em 23.06.17

IMG_2992.jpg

 Fonte da Imagem: Própria.

 

Uma das coisas acerca da qual mais se tem ouvido falar nos últimos dias é a questão do seguir em frente e de que o mundo não pára. Entendo, até porque se existe pessoa que não fica à espera que as coisas se resolvam e coloca  mãos-à-obra sou eu - mesmo que por vezes não abone a meu favor. 

 

No entanto, será que não podemos parar um pouco? Isto a propósito daqueles que afirmam (e com toda a razão) de que não podemos pensar muito nos que morreram nos incêndios ou até em outras situações e que temos de avançar sem nos fixarmos muito nisso... Levinas dizia que nos  consolamos "como se pudessemos escapar à morte [e que] a vida pública não se quer deixar perturbar pela morte que considera como uma falta de tacto". De facto o mundo não pára, sobretudo se estivermos envolvidos directamente numa situação não existe tempo para grandes lamentações mas sim uma necessidade imediata de agir, mas agir bem! A vida pública não quer perder tempo com a morte e com o fim - com o fim da utilidade de outrem nos destinos do mundo... "A vida continua", diz o povo. 

 

Mas também existe o outro lado. O mundo também pode parar, ou melhor, nós podemos parar, sobretudo aqueles que podem agora fazer um luto e reflectir sobre esta situação já que, infelizmente, outros estão ainda nas operações e não podem fazer esse luto vendo-se obrigados a adiar o mesmo.

 

Três dias de luto! Pelo menos esses três dias deveriam fazer-nos reflectir. Reflectir sem os espalhafatos mediáticos acerca da tragédia que começou no Sábado. Acredito até, que seja demasiado prematuro a declaração imediata de "Luto Nacional" pois, efectivamente no quadro dos desenvolvimentos e da cabeça dos indivíduos, a intenção do mesmo tende a ser completamente desvanecida. Bandeiras a meia-haste, um ou outro acto mais protocolar, mas o luto não é feito. Esse tempo tem de ser fora da agitação dos factos...

 

Por experiência pessoal, profissional e até no quadro de vida de muitos que conheci, encaro o luto como fundamental: o tempo para digerir é fundamental, o tempo para reflectir é fundamental, o tempo de atirar tudo pelo ar é imperial. E nem me foco no luto com cariz mais religioso, porque "mesmo os homens sem evangelho têm o seu Monte das Oliveiras", como defendia Camus no seu Mito de Sísifo. Mesmo aqueles que se encontram a trabalhar no combate precisarão desse tempo mais tarde. Até numa situação de guerra é preciso parar e fazer um luto e a ausência desse luto acaba por ter consequências no longo prazo e aqui exemplos não faltam - o stress pós-traumático de guerra é um exemplo e não é somente o reflexo dos acontecimentos na vida de quem combateu, mas também a ausência de um luto bem feito. 

 

Até no amor o luto é essencial para que todas as portas possam ficar bem fechadas e todas as pontas bem atadas, sob pena de um dia mais tarde isso nos abalar, trazer dissabores ou afectar o nosso estado de alma.

 

Talvez não possamos parar o mundo, todavia, parece-me capital que não deixemos que o mundo nos pare sob pena de termos uma digestão mal feita e cujos resultados só sentem ao fim de algumas horas...

 

Por hábito, à sexta-feira deixo algumas sugestões, mas admito que não é uma semana para grandes euforias, pelo menos por aqui... Todavia, deixo uma sugestão literária:  "Pensar", um livro com 671 pensamentos de Vergílio Ferreira. É aquele livro no qual podemos tirar algumas pequenas lições acerca do mundo e acerca de nós, sobretudo vindo de alguém que era um dos mais atentos observadores desse mesmo mundo e cujas inquietações são hoje tão actuais. E que falta nos faz parar um pouco e... Pensar. 

 

Não há espécie humana. Há cada indivíduo de per si que envolve a espécie e o mundo. Mas num montão de cadáveres, que é que significa cada um dos mortos? Porque então ele é mesmo elemento da espécie e uns tantos a mais ou a menos são uma fracção mínima que se despreza para as contas gerais. E é aí que deverias talvez pensar-te mais para te pensares menos.

 

Vergílio Ferreira, in "Pensar"... 

 Bom fim de semana...

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37 comentários

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De Chic'Ana a 23.06.2017 às 10:44

O luto é sem dúvida fundamental.. mas se foi respeitado?! Não, principalmente pelos meios de comunicação que apostam tudo no sensacionalismo..
Beijinhos
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De Robinson Kanes a 23.06.2017 às 11:45

É por isso que não sei se é deveras oportuno declarar "Luto Nacional" com uma tragédia a decorrer… As distracções são tantas e já nem me refiro à situação em si.

Os meios de comunicação, honestamente… Acho que temos de aprender a desligar um pouco de tanta informação e de querer devorar tanta informação, por vezes tão inútil. As pessoas são mais felizes quando não vivem tanto a informação e nem por isso deixam de estar informadas.

Beijinhos
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De fashion a 23.06.2017 às 11:31

E cada um leva o seu tempo. Acho horrível isso de haver uma espécie de seguir em frente. A pessoa tem de seguir quando estiver preparada. Adorei!!
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De Robinson Kanes a 23.06.2017 às 11:50

Admito que é necessário e é isso que torna a vida possível. Mas existe a questão fundamental relacionada com o "varrer para debaixo do tapete" e aí não sei se já é muito saudável.
Obrigado.
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De Rooibos a 23.06.2017 às 11:49

Confesso que nunca tinha visto as coisas dessa forma, mas de facto faria mais sentido fazer o luto nacional mais tarde, quando tudo estivesse mais sereno. Até porque entretanto houve outras mortes e estas também deveriam estar incluídas nesse luto (esta frase soou estranha, mas acho que se percebe o que quero dizer).
Quanto aos meios de comunicação, o seu luto é meramente para o espectáculo: de que vale o laço negro no canto do ecrã, enquanto exploram o sofrimento dos outros?
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De Robinson Kanes a 23.06.2017 às 12:04

Percebe-se perfeitamente e adicionou uma questão pertinente: as mortes a posteriori. Esses (não que lhes valha de muito) não são contemplados nem recordados.

Em relação aos "media", essa situação merece toda a atenção, contudo, também o "consumidor" tem de ser mais selectivo. Vivemos numa época em que queremos ter tanta informação que acabamos por ter um vazio.
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De Rooibos a 23.06.2017 às 13:37

Em relação aos meios de comunicação social, também entendo (e já o tenho escrito) que não podemos simplesmente criticá-los: se não concordamos com o que vemos, mudamos de canal.
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De Robinson Kanes a 23.06.2017 às 14:56

Se não existir mercado, a oferta tem de mudar :-)
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De Rita PN a 23.06.2017 às 11:53

Virgílio, sempre certeiro.
E a propósito, do mesmo Senhor "Frente a uma situação difícil, o Português opta pela espera de um milagre ou pela descompressão de uma anedota. O grave disto é que o milagre não vem e a anedota descomprime de tudo. Ficamos assim à mercê do azar e nem restos de razão para mexer um dedo. "
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De Robinson Kanes a 23.06.2017 às 12:05

E aí mostramos que muito de nós ainda está no século XVI, a viver um "sebastianismo" que teima em não nos largar...
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De Rita PN a 23.06.2017 às 17:37

Verdade...
Olha, li uns artigos interessantes do jornalista Pedro Vieira Amaral sobre o incêndio. Tem lá conteúdo que te iria interessar. Se conseguires ter acesso às pág de Facebook dele (é exatamente esse o nome), espreita.
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De Robinson Kanes a 24.06.2017 às 09:47

Será algo a ver, efectivamente...
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De Francisco Freima a 23.06.2017 às 12:33

O luto é sempre necessário, dependendo da pessoa pode demorar mais ou menos tempo. Tens razão acerca do luto nacional, foi muito em cima do acontecimento, embora o Tempo seja uma coisa estranha: faz amanhã uma semana que aconteceu aquela tragédia, mas com tantas notícias, textos e debates parece que foi há mais de um ano, até pelas peripécias que têm sucedido.
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De Robinson Kanes a 23.06.2017 às 14:55

É uma inundação e um esgotamento das coisas que não nos dão espaço para o luto. Além de que ficamos com a impressão que a distância é tal que não vale a pena fazer algo… Bom ponto de vista, o teu.
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De Kalila a 23.06.2017 às 14:21

Adoro Vergílio pela escrita, as inquietações dele com a morte perturbam-me. Quase tanto como me perturbam teorias de "continuação", de "mudança de estado" e outras. Talvez porque tive um problema de saúde no fim da adolescência que, mesmo não sendo grave, me fez ter algumas alucinações que fizeram vacilar na altura aquilo em que acredito veementemente:
Todos vivemos e morremos ao sabor dos acasos, somos ínfimas e insignificantes partículas. Compete-nos fazer a diferença, não para nos salientarmos dos demais, mas para valer a pena ter vivido. A morte é só o fim, não é nada de especial. Não lhe tenho medo, é natural, irá acontecer a mim e a cada um de nós. Não penso nela, abstraio-me porque não é importante. O importante é vivermos bem, connosco próprios e com quem nos está próximo ou nos é importante, visto que nos pode deixar dessa maneira, ou seja, ir antes de nós.
O normal é sermos bebés lindos e fofinhos, vivermos mal ou bem e morrermos velhotes. Mas não é a norma, é só padrão, muitas outras coisas podem acontecer. Sermos mais ou menos "chorados", só depende de nós, das circunstâncias e dos valores "em que" e "com que" vivermos. Acrescem aqui também as circunstâncias em que morrermos se forem, digamos, menos naturais. O chamado "luto" é só a aceitação da morte por parte de quem continua vivo e questiona por vezes a sua própria existência no desgosto que sente pela falta dos outros, visto que somos seres sociais e sentimentais. "Seguir em frente" pode ser imediato, depende da proximidade, do temperamento e até da cultura; lutos prolongados têm explicações temperamentais, sentimentais e outras, para muita gente a morte não é aceitável mesmo que ocorra aos 100 anos ou no meio de sofrimentos atrozes de saúde. Mas ninguém é imortal, cedo ou tarde isso torna-se evidente mesmo a quem sofra horrivelmente pela perda e "a vida continua" mesmo que desgraçada. Diz-se que nunca se consegue superar a morte de um filho, por exemplo, outras perdas serão também devastadoras, cada caso será um caso...
O caso presente, atentados terroristas, grandes calamidades e tragédias têm o condão de funcionar pela incógnita e pela imaginação porque mesmo não conhecendo as vítimas inventamos-lhes vidas e romanceamos tudo, só podem ser maravilhosos e adoráveis porque morreram, porque já cá não estão e porque tiveram aquele azar horrível e, sobretudo, porque podia ter sido connosco ou com alguém nosso!!! Há quem diga que são fenómenos de egoísmo e egocentrismos, eu ainda creio na consternação e no desgosto puro porque ainda acredito na humanidade. Estes processos de luto são dúbios e complicados porque se por um lado morrem pessoas todos os dias e nem pensamos nisso por outro aquelas mortes marcaram pelo acontecimento em si e por tudo o que o envolve. Seguiremos em frente, tarde ou cedo depende de cada um, na certeza porém de que a envolvência se encarregará de honrar estas mortes na justa medida do que a natureza humana tem de preocupação com o futuro e de melhoria do presente, já que contra a outra natureza, a mãe, nada podemos. Ou talvez essa mesma se possa vir a conseguir contornar, quem sabe?...
Beijinhos, amigo.
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De Robinson Kanes a 23.06.2017 às 15:21

Não fosse ele um existencialista :-) Bebi muito dele, e foi também ele que me ajudou a compreender um pouco mais Hegel, Heidegger e claro Sartre. Já nem vou por Malraux.

Acabas por ligar um pouco com uma das lógicas existencialistas, nomeadamente a existência que precede a essência e consequentemente a morte como um fim ou como parte da vida. Colocas a questão de sermos também uma mera partícula, no fundo é isso que somos e a "morte de Deus" só o veio confirmar. Diz também Levinas que "ter de ser é ter de morrer". É para mim um dos melhores e mais curtos resumos do que é a vida.


O luto pode revestir várias formas, a luta contra a impotência, a dor de nunca mais ter aquela pessoa, a dor da morte do outro que poderia ser a nossa, a dor da memória, ou até… O tempo necessário para estabilizar porque existe uma fé superior que nos faz acreditar em algo para lá da morte. Cada caso é um caso efectivamente. Falas da questão da perda de um filho, sugiro-te um filme que já falei aqui (sempre é mais "leve") que é o "Quarto do Filho" do Nanni Moretti. Atenta especificamente na cena da Igreja na missa de 7º dia e no que se segue. Aquela interrogação…
Depois temos culturas em que a morte é celebração (nalguns casos quando perante uma tragédia a celebração dá lugar à dor), mas aí está também a crença sem questionar (ou simplesmente a aceitação) de que quem parte está bem ou apenas… cumpriu bem a sua missão na Terra.


Dizes bem, aliás, chorar ou ficar consternado com a morte de outros pode ser efectivamente uma forma de egoísmo, mas sim, também existe a dor, nem que, sobretudo na situação recente vejamos compatriotas a morrer estupidamente. Tal acontece também pelo mediatismo envolvente. Ao mesmo tempo que em Portugal morriam 64 pessoas, no médio-oriente morriam muitas mais com intervenção directa do homem e ninguém quer saber… É interessante a dicotomia.
Mas já que estamos por aqui, fui buscar uma passagem, também de Emmanuel Levinas, que tenho registada e que diz o seguinte:

"Os vivos substituem a desonra da decomposição anónima pela honra das exéquias. E assim transformam a morte em recordação viva. No acto da inumação há uma relação excepcional dos vivos com os mortos. O ritual da inumação é uma relação expressa do vivo com a morte através da sua relação com o morto. Aqui, a morte é pensada e não apenas descrita. Ela é um momento necessário na mancha conceptual do próprio pensamento e, neste sentido, é pensamento".

Contra a natureza é difícil conseguirmos algo. Repetimos, no entanto, o discurso sempre que existe uma tragédia mas rapidamente esquecemos quando tomamos um comprimido e ficamos curados… Curados até uma doença sem cura ou inesperada nos acossar…

Nunca fui um grande seguidor de Hawking, no entanto, e ainda esta semana se falou sobre isso, alertou para a necessidade de descobrir novos mundos, sob pena da Humanidade desaparecer do mapa em menos de dois séculos. Talvez seja a única forma de darmos a volta à natureza, pois, por vontade da mesma, o Homem já tinha desaparecida da face da Terra.

Obrigado pelas palavras e por este tão importante contributo...
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De HD a 23.06.2017 às 21:45

Muito dizem querer parar no mundo, acalmar o frenesim diário!
Quem os impede são eles próprios, quer por girar sem precisar quer por correr só porque o vizinho aparenta estar invariavelmente... mais à frente!
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De Robinson Kanes a 24.06.2017 às 09:49

Que grande pensamento!

É mesmo, sabes que conheço muitas pessoas que andam sempre a correr, parecem galgos (embora os galgos corram com um objectivo claro e na direcção certa) e por vezes começo a questionar as mesmas directamente: não todas, mas a grande maioria chega ao fim da conversa sem me saber dizer porque é que corre tanto...
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De HD a 24.06.2017 às 20:44

Não sabem porque não pararam para pensar! :)
Por vezes, o melhor é estar parado, tranquilo e sossegado...
Depois sim, iniciaremos a viagem certa ;p
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De Robinson Kanes a 25.06.2017 às 13:11

Não é fácil de explicar e requer um grande trabalho… .-)
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De HD a 25.06.2017 às 21:52

Completamente :)
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De PP a 25.06.2017 às 02:24

Magnífica publicação.

O luto... O meu último foi tão complicado. Até aprendi, por forma a compreender-me.

https://sonhosdesencontrados.wordpress.com/2015/01/18/luto-antecipatorio-e-pos-morte/
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De Robinson Kanes a 25.06.2017 às 13:20

Obrigado!

Já passei pelo "link", grande texto também! O "luto" é sempre um processo de compreensão e aprendizagem até.
Infelizmente não anda longe uma data que para mim também não é de boas memórias...
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De Fred Somiar a 25.06.2017 às 14:40

Gostei da tua reflexão, do teu ponto de vista!
A verdade é que o ser humano tem essa capacidade de seguir em frente!
E acredita pensei nisso ao ver, a mim também, milhares de pessoas pelas ruas a correr, a saltar a rir e a dançar na noite de S. João! O nosso luto, não estamos directamente afectados pela tragédia, faz-se num ápice e não desperdiçamos muito tempo a pensar nisso! O ser humano é assim, independentemente do choque enorme que foram os primeiros dias!
Contudo se este triste desenlace servir para cada um de nós repensar no papel que tem na prevenção dos incêndios florestais...já é excelente!
Eterno Sonhador
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De Robinson Kanes a 25.06.2017 às 17:34

Obrigado! E espero que o S. João tenha sido bom!

Em relação aos acontecimentos recentes, esperemos sim que tenha servido de alguma coisa, contudo, se as mudanças políticas (subentenda-se na lei, na acção, nos procedimentos…) não ocorrerem, é muito provável que a memória colectiva se desvaneça em relação a esta temática. É isso que mais me apoquenta.
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De Luís costa a 26.06.2017 às 09:54

Agora fez-me pensar.
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De Robinson Kanes a 26.06.2017 às 10:00

Também faz falta :-)

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