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O Insulto...

por Robinson Kanes, em 01.08.17

 

article-0-1971C156000005DC-883_1024x615_large-2.jp

 Fonte da Imagem: http://i.dailymail.co.uk/i/pix/2013/04/23/article-0-1971C156000005DC-883_1024x615_large.jpg 

 

Esta história passa-se num daqueles dias em que não sair de casa é que é o melhor remédio. 

 

Tudo se passou, um destes dias, neste nosso Portugal. Começou numa pequena localidade onde, à saída, voltei com o carro atrás para tirar uma fotografia a um espaço agrícola e residencial bastante interessante, a algo que havia despertado o meu interesse e me fez querer gravar aquele registo para memória futura.

 

Estaria tudo bem até encontrar, muito provavelmente o "Ídolo" da terra, um senhor dos seus sessenta anos que empurrava um carrinho de mão carregado de cebolas - cebolas com bastante bom aspecto, por sinal - e que se sentiu invadido na sua privacidade só pelo simples facto de ter visto uma máquina fotográfica na mão de um forasteiro. Ou somente por ter visto um forasteiro...

 

Eis que, olhando para mim e pensando que eu me encontrava a filmar a celebridade da terra, deixa violentamente o carro da mão na estrada e começa a caminhar em passo apressado e de semblante violento na minha direcção proferindo comentários simpáticos, tais como: "que é que estás a fazer? Pára já de me filmar com essa mer... que eu vou já chamar a guarda".

 

Fui obrigado a responder em tom mais agressivo, pois vi que se fosse com um tom mais suave provavelmente não conseguiria fazer parar o mesmo. Efectivamente, este estacou a uma pequena distância do carro. Utilizei o argumento de que não o fotografava e que estaria à vontade para validar isso na máquina. Expliquei o que estava a fotografar e que até gostava de fotografar "gentes" para consumo interno, mas o "vendedor de cebolas" (fui buscar esta expressão à série "Allô Allô") não estava para fazer amigos e responde a preceito:

 

-Não estavas nada, estavas a filmar-me a mim, andam com essas m.. mas eu parto-te isso tudo, vou chamar a Guarda que vais ver. Até tenho um filho na Guarda vou já chamá-lo que vais ver (pelo meio houve uma ofensa que não consegui compreender mas penso que acaba numa palavra que rima com fruta) fora daqui - A abordagem típica daquele português que não quer sujar as mãos e acha que a autoridade existe para satisfazer os seus caprichos.

 

Voltei novamente a dizer e a apontar o local que fotografava até perceber que o mesmo não queria é que eu andasse a fotografar fosse lá o que fosse e até continuou:

 

-Têm a mania que são espertos, mas são todos uns (palavra que rima com trovões), fora daqui, não queremos cá esta gente!

 

Xenofobia no meu próprio país, que diria a SOS Racismo disto? Percebi que seria uma conversa que tinha de terminar. Além de que, informar que era português e que pagava os meus impostos para uma terra não produtiva continuar no mapa e a acolher aquele indivíduo, seria uma perda de tempo e só iria exaltar os ânimos. No entanto, lá o indivíduo ía proferindo os impropérios e a ameçar-me com a Guarda se eu não deixasse a localidade. Penso que o mesmo só percebeu que era melhor regressar ao seu carrinho de mão quando, mais agressivamente, lhe disse que quem ía chamar a autoridade era eu pois tinha todo o direito de estar ali. Sugeri também que parasse com aquele discurso e que o mesmo não era assim tão importante para ser fotografado por tudo e todos. Fabuloso pensamento daquele indivíduo que acredita que a Guarda existe para o defender de tudo e todos mesmo quando o principal criminoso é o próprio.

 

Tal, também não me demoveu de tirar a fotografia enquanto o indivíduo não se calava. Ao arrancar com o carro ainda passei ao lado do revoltado, que entretanto decidiu seguir para o seu destino, não sem antes proferir mais uns comentários xenófobos contra a minha miúda. 

 

Até percebo que fosse uma zona deprimida, com dificuldades, mas não poderia admitir tais comentários, sobretudo para alguém que respeita todas as culturas e tradições seja onde for. Interessante também que o forasteiro que já defendeu a terra (pois quem lá vive não o faz) foi ofendido e convidado a abandonar a mesma.

 

O lado irónico de tudo isto é que, já longe dessa bela terra e onde também existem boas gentes, vi pela tarde naquela mesma localidade (na televisão de um café a uns bons quilómetros de distância) senhores da idade daquele indivíduo a abraçarem e a aplaudirem a chegada de um político que se está pouco borrifando se as chamas apagam ou não aquela localização do mapa e que só descobriu muito provavelmente que aquela terra existe porque os incêndios andaram lá perto e um qualquer assessor lhe disse que seria de bom tom e mediático passar por ali. 

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43 comentários

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De Maria a 01.08.2017 às 09:59

Incrivel... Incrivel... :(
fizeste-me lembrar de uma história que em breve partilharei. Um dos meus cunhados foi convidado a ir a uma esquadra para se identificar, apenas por ser muito moreno (arraçado de marroquino) e estar a fotografar uma paisagem. Iso logo após o 11/09...
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De Robinson Kanes a 01.08.2017 às 10:29

Muito bom!
Aqui acho que foi mesmo pelo aspecto urbano (seja lá o que isso for) ou por não ser da terra...
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De Maria a 01.08.2017 às 12:34

Ou porque o senhor padece de uma condição psicológica que não tem cura...
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De Robinson Kanes a 01.08.2017 às 12:55

O isolamento muitas vezes está na nossa cabeça :-)

Também acredito que tenha passado pelas suas, mas nada justifica tamanho comportamento.
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De Maria a 01.08.2017 às 13:47

Nada mesmo. é realmente incrivel :(
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De Cecília a 01.08.2017 às 10:39

É o prémio mister simpatia aldeias de Portugal vai para...

Há muita coisa neste país que é como a neve: linda e acolhedora só mesmo em postais.

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De Robinson Kanes a 01.08.2017 às 10:56

ahahahahahah

Pode não ser para a maioria das pessoas, mas admito que aquilo que me marca num lugar, mais que um "Louvre" ou um "Versalhes" são as pessoas e isso tem impacte. É claro que nessa minha passagem e até posso dizer que conheci gente bem simpática e que deverá ter também aqui o seu lugar.

Acho interessante também este ressentimento contra Lisboa ou contra as cidades-chave mas depois o contraste de folia quando são visitados por aqueles que são responsáveis pelo isolamento destas gentes...

Admito que já fomos mais simpáticos, embora contrastando com outros ainda não somos os piores.
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De Maria Araújo a 01.08.2017 às 13:17


Um dos receios que tenho quando quero tirar uma fotografia a uma casa ou lugar, é precisamente alguém ver-me e reagir mal ao meu gesto de clicar.
Lendo este post, chego à conclusão que não estou errada.
Mas arrisco, com certeza.
"a chegada de um político que se está pouco borrifando se as chamas apagam ou não aquela localização do mapa..."
Este país está "decadente"
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De Robinson Kanes a 01.08.2017 às 13:29

Eu até chego a perguntar, não que muitas vezes tenha de fazer isso mas sempre quebra algum gelo que possa estar presente. Nesta situação estávamos a falar de uma propriedade histórica, dentro de muros, ao longe e cujo indivíduo nem residia na mesma.
Admito que possa ter ficado equivocado, não admito é a atitude. Até porque sou um daqueles que critica que se interfira na vida das pessoas, quer por convicção quer por formação.

Em relação ao político, penso que não preciso de dizer o nome, mas era uma romaria de beijinhos e abraços atrás do mesmo. Interessante que ninguém o enfrentou como me enfrentaram a mim...
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De Ana B. a 01.08.2017 às 14:18

Grande história.

Eu gosto de fotografar portas de casas e azulejos... Nunca me aconteceu, os proprietários terem essa reação. Até acho que me sentia feliz se verificasse que alguém se interessava por algo meu (claro sem ir contra a minha privacidade).

Mas infelizmente há pessoas assim. :/
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De Robinson Kanes a 01.08.2017 às 14:41

Também gosto, mas o indivíduo nem era o proprietário, achou-se foi uma celebridade...
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De Luis costa a 01.08.2017 às 15:08

Você não pode sair de casa.eheheheh
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De Robinson Kanes a 01.08.2017 às 15:42

Por vezes penso que é mesmo o melhor...
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De Papagaio Giló a 01.08.2017 às 15:32

Bem, quem é esse velho que está na foto? Acaso é algum vendedor de cebolas? LOL
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De Robinson Kanes a 01.08.2017 às 15:43

ahahahahah

Não sei se é, mas a reacção do outro senhor não foi muito diferente...
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De C.S. a 01.08.2017 às 16:54

Acredito que o senhor em questão não represente as gentes daquele local. Tiveste o azar de te cruzar com um maldisposto.
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De Robinson Kanes a 01.08.2017 às 17:20

E maldispotos não faltam... Naquele dia foi caso único, como referi também conheci boa gente :-)
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De Kalila a 01.08.2017 às 18:52

Ahahah, ele estava a defender a privacidade das suas belas cebolas!
Não quero defender nem ofender o senhor mas pessoas incultas lidam por vezes mal com modernismos. Quem sabe o que já o chatearam com filmes ou outras tecnologias? Às vezes é difícil entender estas pessoas simples.
Deixa lá, amigo, não dês importância. Beijinhos.
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De Robinson Kanes a 01.08.2017 às 19:26

Sim, além de que nunca se sabe com aquilo que já lidou, embora não seja desculpável. Quero acreditar que tem uma má história com as modernizes :-)

Beijinhos
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De Robinson Kanes a 01.08.2017 às 19:27

Leia-se "modernices".
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De PP a 03.08.2017 às 02:38

Com modernices e talvez com gente "estranha".
Envelhecemos, perdemos capacidades...
Nada sabemos do seu passado recente, doenças...
Eu admito que morro de medo de tirar fotografias a pessoas por causa disto. Aqui, dado a idade, pode até estar a decorrer o processo de alguma demência, mas há tanta gente estranha!!!
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De Robinson Kanes a 03.08.2017 às 08:33

Nunca sabemos o historial, de facto.
Demência não me pareceu, mas alguma revolta...
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De HD a 01.08.2017 às 21:52

Nem sempre encontramos as pessoas mais afáveis mesmo em terras de gente acolhedora... :\
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De Robinson Kanes a 01.08.2017 às 22:16

às vezes só me lembro dos filmes do Bud Spencer e do Terence Hill.
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De HD a 01.08.2017 às 22:19

Tudo corrido à chapada ???? ahahahha
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De Robinson Kanes a 01.08.2017 às 22:25

Sim, quando entravam aqueles indivíduos casmurros e enormes que davam cenas de pancadaria singulares na história do cinema. ahahahahah
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De HD a 01.08.2017 às 22:31

Divertimento puro :)
Those were the times...
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De Robinson Kanes a 01.08.2017 às 22:35

Aquilo era um bocado mau, mas como "puto" adorava os filmes e já nessa altura eram fora de época.
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De HD a 01.08.2017 às 22:37

Qual mau??? :D
Aquilo era a melhor banda sonora de bofetadas de sempre xD
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De Robinson Kanes a 01.08.2017 às 22:44

Um dos passatempos de alguns colegas meus passava por ver as cenas em câmera lenta... Era de rir! :-)
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De HD a 01.08.2017 às 22:53

Ahahah que êxtase de chapada xD
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De Robinson Kanes a 02.08.2017 às 08:27

ahahahahahah
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De PP a 03.08.2017 às 02:40

Lembrei-me de uma das músicas que fazem parte da banda sonora da minha vida.

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De Robinson Kanes a 03.08.2017 às 08:35

Essa já tem uns anos, saudosos anos 90...
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De O ultimo fecha a porta a 01.08.2017 às 22:07

Curioso, teve uma situação do género à pouco tempo, mas menos agressiva.

Ia tirar uma foto panorâmica, quando me apercebi que um senhor velhote ia ficar na fotografia. Não a tirei e aguardei que ele saísse. Porém, ele caminhou, mas veio em direção a mim e disse-me que não podia tirar fotografia, pois estava a invadir a sua privacidade.
Disse-lhe que não estava a tirar a ele, mas sim à paisagem, que não tinha tirado nenhuma e pedi desculpa se o incomodei. O homem tinha a sua razão: não tenho o direito de tirar-lhe uma fotografia não autorizado.
Porém o problema esteve no tom alto, insistência meio-ameaçadora e no tratamento por "tu". Tinha idade para ser meu avô, mas não me conhece de lado algum para me tratar por tu. Depois ele disse mais umas coisas, mas virei-lhe as costas. Como diz o outro: "Cag*** e andei". Não dês importância a quem não merece.
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De Robinson Kanes a 01.08.2017 às 22:23

Bem, pelos vistos foi similar!

Existem aqui várias questões, uma delas começa na questão do ser ou não uso "interno". Tiro muitas fotografias a pessoas para uso interno e sempre que posso peço autorização.

O tratamento por "tu" em modo depreciativo é uma constante... Além de que ao enfrentarmos um indivíduo desses nós é que ficamos sempre mal sendo mais novos... Alguns jogam com isso e procuram tirar vantagem. Embora defende que a agressão nunca deve ser a solução e em último caso devemos fazer o que fizemos: abandonar a situação.

Há também outra questão: nas redes sociais e por toda a internet ridicularizam-se muitas pessoas através das fotografias - é uma prática condenável e que leva as pessoas a serem desconfiadas.

Com sorte, se oferecesses uns "trocos" talvez a questão da privacidade pudesse passar ao lado :-)
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De O ultimo fecha a porta a 01.08.2017 às 22:29

Acho que essas pessoas não vão pelos "trocos". É mais casmurrice da idade.
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De Robinson Kanes a 01.08.2017 às 22:35

Olha que... Olha que... :-)

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