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Já estamos em época natalicía... o vizinho da frente já comprou um lote de luzes que dava para iluminar Amesterdão inteira, mesmo naqueles dias mais escuros. Obviamente que o vizinho do lado, não querendo ficar para trás na corrida energética, comprou um lote de luzes que obriga os aviões com destino a Schiphol a mudar de rota e a aterrar em Haia.

 

Não vou questionar a vertente comercial do Natal. É preciso vender e, em alguns casos, antecipadamente. Um exemplo? Os jantares de Natal das empresas, isso leva tempo e começar em Setembro pode ser um bom ponto de partida. 

 

E quem não gosta de andar por Praga, Nuremberga, Dresden e outras cidades e sentir o espírito dos mercados de Natal? Quem não gosta do convívio, de um Glühwein ou de uma boa conversa embrulhado em cachecóis e casacos bem quentes? E a entrada é grátis! 

 

Todavia, em alguns países (Portugal também...), tenho a sensação de que quando chega o dia de Natal, para muito boa gente, é o dia em que finalmente chega a paz e o sossego! Acabou-se a injecção de anúncios, catálogos no correio, as músicas da Mariah Carey, crianças aos berros, os peditórios, os emails formatados e aquela correria de comprar coisas mais caras e que também existem a melhor preço noutras épocas do ano.

 

Acredito até que o dia de Natal, ou mesmo a consoada, são uma tremenda ressaca e que o ar enfadado, na cara de muitos, prova isso mesmo. Lá se vai um subsídio para meia-dúzia de horas e ainda por cima para marcar no calendário esta comunhão. O dia de Natal em si, é feito sentado à mesa e numa apatia muitas vezes assustadora... é preciso comer e ficar com um aspecto anafado! Tenho aquela sensação de que alguns indivíduos "encharcam-se" tanto nesta época que indago se não temos qualquer relação com o urso, por exemplo, que precisa de uns bons quilos de salmão para aguentar o período de hibernação sem comer ( no caso dos humanos, esse período dura até à Páscoa e em alguns casos até às chamadas férias de Verão).

 

A vertente consumista (mesmo a dos peditórios) é tanta e tão mecanizada como a própria época que questiono se ainda existe Natal. E nem sou daqueles que vê o Natal com o menino Jesus nas palhas deitado (ou será nas palhas estendido?) ,mas sim o Natal como uma época que se sinta, que se viva, que se experimente com naturalidade e com a emoção devida, independentemente da religião ou qualquer outra convicção... se tiverem oportunidade de partilhar e "ensinar" o espírito de Natal com indivíduos que não são crentes arriscam-se a ter um Natal mais cristão que os próprios cristãos...

 

Talvez seja uma visão romanceada... talvez seja até uma visão infantil, mas tal como Saint-Exupery, eu próprio possa ser levado a pensar se a infância em Saint-Maurice-de-Rémens não teria sido o corolário de uma vida e o que aí se seguiu uma luta pela verdade e pela realidade da mesma.

 

Fonte da Fotografia:  https://s-media-cache-ak0.pinimg.com/236x/89/16/3f/89163f33a238b5e825a89d506be59013.jpg

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26 comentários

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De Chic'Ana a 30.11.2016 às 16:19

Bom, amanhã lá irei eu decorar a minha árvore de Natal :)
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De Robinson Kanes a 01.12.2016 às 06:08

Hoje, penso que o Batman não se irá importar :-)
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De HD a 30.11.2016 às 20:14

Que eloquência. Fantástica dissecação do Natal :D
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De HD a 01.12.2016 às 15:29

Acho que vou usar esta num destes jantares de época ;p

"Tenho aquela sensação de que alguns indivíduos "encharcam-se" tanto nesta época que indago se não temos qualquer relação com o urso, por exemplo, que precisa de uns bons quilos de salmão para aguentar o período de hibernação sem comer ( no caso dos humanos, esse período dura até à Páscoa e em alguns casos até às chamadas férias de Verão)."
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De Robinson Kanes a 01.12.2016 às 19:55

Cedo-te os direitos de autor, não quero ter milhares de pessoas a correrem atrás de mim com armas de arremesso.
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De HD a 01.12.2016 às 21:09

As armas de arremesso que referes, serão as incontáveis garrafas vazias? :D
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De Robinson Kanes a 01.12.2016 às 21:36

E já causam danos que cheguem, quer vazias quer cheias :-)
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De HD a 01.12.2016 às 21:58

São autênticos 'cocktails molotov' xD
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De Terminatora a 30.11.2016 às 23:39

Concordo aqui com o heterodoméstico. Muito bem escrito/dito!
Assino por baixo :)
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De Robinson Kanes a 01.12.2016 às 06:08

Muito Obrigado e também obrigado por passar.
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De HD a 01.12.2016 às 21:59

Grazie :)
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De Dária a 01.12.2016 às 08:03

Meu querido, que texto lindo! Adorei.
O Natal é família e convívio e é quando mais se sente a falta dos que já não estão. Mas não deixa de ser lindo e derreteste-me com o teu texto. Beijinhos.
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De Robinson Kanes a 01.12.2016 às 19:33

Muito obrigado pelas palavras.
Os que já nao estão... sim, esses fazem-nos muita falta... muita falta...mesmo...
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De mami a 01.12.2016 às 08:09

eu até sou solidária mas olha que na passada terça-feira estava eu a sair no metro do marquês imbuída nos meus pensamentos (como sempre muito para fazer num tempo limitado) e fui "atacada" por um senhor que estava a recolher fundos para a ami, foi uma abordagem tão agressiva que fui arrancada abruptamente dos meus pensamentos. o indivíduo falava tão rápido que eu não percebi metade. tinhas de ver a cara dele quando lhe fixei o olhar e disse: desculpe mas não gosto de abordagens agressivas! emudeceu por 2 segundos, pediu desculpas e arrancou de novo... comecei a andar e ele vinha atrás, parei e disse, chega!
incomodou-me muito!
quando voltei ao metro, pelo outro lado do marquês a liga protetora dos animais! mas eram bués!
as causas são boas...mas os abutres dispensáveis!

quanto ao resto concordo contigo na generalidade (embora adoro a música de natal... ai o cd do bublé)
mas efetivamente o desespero das lojas em venderem fazem com que o natal se converta num stress consumista, comprar só por comprar ... e começando a comprar em outubro acabas sempre por comprar mais alguma coisa em dezembro (tudo tão "barato" )

mas vai ao meu advento sem receio ... não é nada de extraordinário, mas é algo real e giro ;)
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De Robinson Kanes a 02.12.2016 às 07:13

Bem, a indústria do social é uma indústria com muita concorrência e que alimenta muita gente, por norma não são os mais carenciados. Penso que é uma área que necessita de uma viragem com a máxima urgência... além de ser o sustento de muitos (através dos nossos impostos e donativos) e sem reais impactes na sociedade, vai sofrer bastante com os novos tempos que se avizinham. Ainda tem um poder muito grande na lavagem cerebral das pessoas, mas novos tempos obrigarão a uma mudança.

O peditório, seja na rua seja nas secretarias de câmaras ainda é o meio mais usual. Além disso, muitos dos que pedem são comissionistas, ou seja recebem percentagens pelo que angariam, é natural que sejam agressivos na abordagem... ou não... além disso acreditam que no Natal as pessoas vão ceder...

Ainda é tabu falar do papel do "social" (como muitos gostam de auto-intitular a área, paradoxal não?) e das reais necessidades quer das instituições quer da própria sociedade em relação a estes.

A música de Natal, como alguém dizia, época natalícia sem aquela música dos Wham, não é Natal. Mas também é demais.

Percebo que quem está do lado das vendas queira vender mais e mais... sem dúvida. São boas épocas e quem perder esse comboio é "parvo" ou precisa de despedir o Director de Vendas. No entanto, é preciso ir além disso e, essa parte, cabe às aos indivíduos isoladamente.

Lá irei passando, claro.
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De mami a 05.12.2016 às 13:15

social
trabalhei muitos anos na área, no entanto tínhamos financiamentos próprios, pelo que nunca entramos na onda de peditórios (embora a bela das rifas estavam presentes, assim como o cantar das janeiras... tentávamos transmitir que para receber temos sempre que dar). e acredita que tudo o que era auferido era aplicado diretamente na nossa população alvo.
há entidades que trabalham justamente pela causa ;)

música de natal
nunca é demais...até porque a dada altura já nem a ouves...faz parte do cenário ;)

consumismo
há oferta e é o consumidor que deve lidar com isso. nos (consumidores) é que definimos as regras; e tenho visto que o comercio tem mudado. mas por outro lado entendo as empresas que "querem sobreviver" (escolhendo por vezes as piores estratégias)

ufa!
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De Robinson Kanes a 05.12.2016 às 15:23

Social
Financiamentos próprios já nos faz ir ao encontro de uma espécie de verdadeiro Empreendedorismo Social... não aquele que é aproveitado por muitas organizações sociais e não sociais para se tentarem destacar, mas o verdadeiro que vai ao encontro de práticas e conceitos amplamente estudados. Boa estratégia.

Música
Chega uma altura em que é demais... então a da Mariah Carey...

Consumismo
Nem mais, não culpem o mensageiro, culpem o que cede à tentação.

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De mami a 05.12.2016 às 15:23

gosto desta sintonia intelectual ;)
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De Ana a 01.12.2016 às 10:25

Adorei a imagem, era o que faltava ao meu post.
Para mim o Natal é mesmo um sentimento, uma alegria que se mantem desde a infância, possivelmente porque embora a família já não esteja tão unida nesta época, poucos foram os que partiram e muita coisa se mantem igual. Adoro andar na rua com amigos e as sobrinhas para ver as decorações e passear pelos mercados de Natal. E também estou a adotar o hábito de beber vinho quente que começou a aparecer nos últimos anos.
Mas não suporto Natal antes do tempo. Novembro para mim nada tem a ver com o Natal. Hoje sim, vou começar a entrar no espírito aos poucos.
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De Robinson Kanes a 01.12.2016 às 19:36

Partilhamos do mesmo sentimento... sim, viver o Natal na rua, nos mercados e com aqueles de que gostamos, o que pode ser melhor...
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De O ultimo fecha a porta a 01.12.2016 às 12:10

Acho que o conceito de Natal também evoluiu com o tempo, as redes sociais e as tecnologias. Tornou a época mais consumista e mais materialista. Sinais dos tempos.
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De Robinson Kanes a 01.12.2016 às 19:40

Os "eternos combatentes da desumanização" ;-)

Sou uma pessoa de inovação, de mudança, gosto de estar sempre actualizado e dentro das coisas... no entanto, há coisas nas quais não devemos tocar. Desde que o consumismo, especialmente nesta época, fosse acompanhado por algo mais já não seria mau... afinal também sou o primeiro a afirmar que quem vive das vendas deve ter o seu papel.
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De Melhor Amiga Procura-se a 02.12.2016 às 15:08

O outro lado desta época... Gostei, até porque nunca pensei muito nisso
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De Robinson Kanes a 03.12.2016 às 16:10

Muito obrigado. Espero ter permitido uma boa reflexão.

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