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Não Me Apetece...

por Robinson Kanes, em 29.03.17

IMG_1168.JPG

Francisco de Goya, Três de Maio de 1808 (Original no Museu do Prado, esta cópia está cá em casa a decorar a sala)

Fonte da Imagem: Própria (ver nota)

 

 

"Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o coronel Aureliano Buendía haveria de recordar"...

 Gabriel García Márquez, in Cem Anos de Solidão

 

Talvez seja esse sentimento de Aureliano Buendía que não me traz vontade absolutamente nenhuma de escrever. Talvez seja a vontade de recordar, talvez seja o pelotão de fuzilamento e o cheiro a pólvora de todos os cartuchos anteriormente disparados e cujo odor me faz, apesar de tudo, ficar tranquilo. Talvez... uma alternativa à prisão que pode ser bem mais penosa, o halo protector do chumbo que no seu pesado estalido traz tranquilidade. Talvez... Talvez... Talvez... e porquê talvez? Não sei...

 

Nota: no Prado não deixam tirar fotografias, deveria ser crime.

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41 comentários

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De fashion a 29.03.2017 às 09:49

Os cem anos de solidão....que saudades dessa leitura. Os espanhois querem as obras só para eles. :) beijinhos
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De Robinson Kanes a 29.03.2017 às 11:49

Eles é que são espertos! :-)
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De Ana a 29.03.2017 às 10:01

Recordar quando já é tarde demais? Talvez nunca seja tarde.
Já ando há meses a pensar que tenho que ler esse livro e nunca mais pego nele.
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De Robinson Kanes a 29.03.2017 às 11:52

Recordar nunca é tarde.

Merece bem a pena, acho que o deves ler o quanto antes, depois vais perceber.
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De Sónia Pereira a 29.03.2017 às 10:13

Alguma coisa andará no ar. Hoje também não me apetece escrever. Não sei se será o peso da memória ou o martelar da pergunta: escrever para quê?

O quadro é magnífico. Compreendo a questão da proibição das fotografias quando é usado flash, de resto não percebo qual a razão dessa interdição. A rendição iluminada, face ao resto da composição mais escura, causa um sobressalto mal se olha para a imagem.

E fica a nota mental: reler Os cem anos de solidão. Já devem ter passado uns 15 anos sobre a primeira leitura, que na altura adorei. Nunca García Márquez chegou tão perto da perfeição como com esse livro.
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De Robinson Kanes a 29.03.2017 às 11:59

Eu é mesmo o peso da memória e o estado de espírito…

Sim, as fotografias sem "flash" não danificam. É um facto que as obras estão "online", mas é sempre aquela recordação. Este quadro sempre me apaixonou, mesmo quando era miúdo e demasiado… criança… para perceber o seu significado. Mas havia ali qualquer coisa e descobri isso mais tarde, não só pela temática mas pelo pincel de Goya. Aliás, o cão da minha mãe foi baptizado de Goya… até é preto e tudo, a recordar a época "dark" do pintor. :-)

Ler e reler, há obras que o merecem, esta é uma delas… aliás, a citação acima é a imagem de marca que sinto ser imediatamente captada por todos os que leram a obra.
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De Robinson Kanes a 29.03.2017 às 11:59

Muito obrigado pela flor...
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De Cecília a 29.03.2017 às 10:56

vamos lá a ver uma coisa!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

esta pintura para mim é sagrada!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

quando no prado me vi perante ela o mundo parou, saiu do eixo de rotação, eu sei lá mais o quê!!!!!!!!!!!

comprei uma cópia autêntica no museu idem aspas (vai para 5 anos) e ainda nao consegui escolher um sítio santificado em casa para o colocar.

é indissociável a carta aos meus filhos sobre os fuzilamentos de goya de jorge de sena: um remete para o outro.


talvez tudo e nada. o olhar, o esconder o rosto, o dar o rosto; o estar tombado, a imensa fila; é-se tudo o que se tem para ser quando não resta mais nada a ser ou fazer.





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De Robinson Kanes a 29.03.2017 às 12:03

Também para mim, ora…

E mesmo sabendo que é uma pintura "gigante", só perante a mesma se perde o fôlego, sobretudo tendo em conta que ao lado está a "irmã" que não lhe fica atrás.

Eu não comprei cópia, já tinha uma cópia pintada (em tela) que é uma das peças intocáveis em casa! :-)

É a aflição, a dor e aqueles que já embarcaram por esse caminho… é a cor branca da camisa da figura principal da obra, o modo como abre os braços e encara as balas de frente, sem venda… é a luz de que a esperança possa nascer da sua morte… mas isto sou eu a interpretar :-)
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De Chic'Ana a 29.03.2017 às 11:02

Talvez seja um estado de melancolia... talvez!
Um beijinho
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De Rita PN a 29.03.2017 às 12:18

"O sentimento abre as portas da prisão com que o pensamento fecha a alma." Fernando Pessoa

Ou não fosse todo o espaço pequeno e limitado, uma prisão. Até em nós mesmos... as emoções o são.

Se os estilhaços do rebentamento emocional te tranquilizam, é porque alguma necessidade de explosão, de demolição, de eclosão e recomeço existe.

Talvez...

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De Robinson Kanes a 29.03.2017 às 12:36

Existe sempre… ou talvez…

Quando a explosão é grande, também os estilhaços vão mais longe...
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De Rita PN a 29.03.2017 às 12:58

A Fénix renasceu das cinzas. E as cinzas provêm ou da combustão de estilhaços, ou da destruição e redução total, a pós, de alguma coisa anteriormente existente.
O facto de a explosão ser grande, não significa que aquilo que explode seja, efetivamente, de tamanho ou importância considerável. Significa sim, que a pressão no interior era elevada. E é aí que reside a questão, a meu ver.
Da mesma forma, o facto de os estilhaços chegarem mais longe, não significa que a destruíção, se assim lhe quiseres chamar, seja maior ou mais vasta. Pensa antes que, esses mesmos estilhaços longínquos, podem ser sementes prontas a germinar e a originar novos "empreendimentos", sejam eles de que espécie forem. Ou novas Fénix.
Às vezes, ou muitas vezes, é necessário recomeçar para se chegar mais longe.

Eu estou exatamente nessa fase... e tenho vindo a aperceber-me que há estilhaços, outrora doridos e sofridos, a dar flor.
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De Robinson Kanes a 29.03.2017 às 15:42

Era mesmo isso que queria dizer em relação aos estilhaços. Não na consequência negativa do estilhaço, mas na positiva. Grandes estilhaços, grandes estragos (de facto) mas também grandes impactos que permitem uma nova construção, um novo nascimento…

É sempre importante perceber que estes estilhaços fazem sempre parte de uma bomba :-)

(e eu a pensar que este era um daqueles artigos que nada tinha de sumo) :-)
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De Rita PN a 29.03.2017 às 16:07

YES! Assim gosto ainda mais de ti! Sempre com pensamento positivo, apesar da bomba!

ahahaha Robinson, nem tudo é assim tão aparente! ;) Quando olhas para uma laranja inteira não sabes se ela te vai dar um bom copo de sumo, ou se está seca por dentro. Mas quando a abres, é-te imediatamente perceptível o que dela poderás extrair.
O mesmo aconteceu com este teu post.

E vamos lá ver, nós dois quando nos pomos para aqui a escrever comentários, nasce sempre mais qualquer coisa.
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De Robinson Kanes a 29.03.2017 às 19:09

Daqui a pouco estamos a discutir matemática aplicada… é o costume :-)
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De Rita PN a 29.03.2017 às 19:29

Matemática aplicada? Sai demónio. Nao me vou oferecer para tal! ;-)
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De Robinson Kanes a 29.03.2017 às 19:29

ahahhahahahahh
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De Kalila a 29.03.2017 às 13:30

A inspiração também precisa de descanso para dar mais um pouco de si própria, amigo! Nem Goya nem Márquez eram artistas a toda a hora, afianço-te!
Beijinhos.
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De Robinson Kanes a 29.03.2017 às 15:38

É mesmo!
Sim, quando lemos os Diários de muitos autores é isso que encontramos, períodos, dias de apatia de ausência de ideias, de ausência de tudo… mas eles são mestres, eu sou só… eu.
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De Rita a 29.03.2017 às 13:39

Mesmo quando não te apetece escrever trazes-nos muito em que pensar ;)

O que eu gostei desse livro...
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De Robinson Kanes a 29.03.2017 às 15:38

Muito Obrigado! :-)

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